Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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Precisa-se de um líder e de um poeta (Prática poética e prática militante no filme Terra em Transe, de Glauber Rocha
O objetivo principal deste estudo é levantar elementos para uma discussão sobre uma frase-tema dita por uma militante ao protagonista – narrador: A política e a poesia são demais para um só homem. A poesia a que nos referimos acima tanto diz respeito ao texto poético declamado pelo citado protagonista, bem como ao texto inscrito na película, caso dos versos de Mário Faustino antes do início do flash-back. Por extensão, em nosso trabalho, poesia passa a designar a prática artística em geral, por sinal, uma herança de procedimento da era romântica. A política será enfocada majoritariamente na sua acepção de prática militante, em discurso convincente, aliciante, sedutor. Assim, a política fica como que reduzida à dimensão da articulação verbal, do discurso. Não é por acaso que o filme citado é palavroso, tão sufocado pela tirania do verbo
O cinema policial no Brasil: entre o entretenimento e a crítica social
O artigo esboça uma breve história do gênero ficcional policial no cinema brasileiro e analisa alguns filmes considerados exemplares. Discute a utilização desse gênero ora como forma narrativa de entretenimento, ora como instrumento de crítica social, e tece observações sobre essa ambigüidade
O status do discurso filosófico na Fenomenologia
Neste trabalho, são apresentadas algumas concepções sobre o discurso, unidas pelo tema do logos e pelo contexto de reflexões fenomenológicas. A questão da especificidade do discurso filosófico é posta à luz dos conceitos de intencionalidade, a partir de Husserl e de Merleau-Ponty; é expandida para a relação do pensamento filosófico com outras formas de expressão não-científicas com Heidegger e Bachelard, e levada a questionar seus fundamentos logocêntricos com a proposta desconstrucionista de Derrida. Esse percurso preparou e propiciou a compreensão da filosofia como investigação sobre o sentido e sobre o valor.
A lua vem da Ásia: considerações para uma leitura "terrena" de Walter Campos de Carvalho
Este trabalho aborda A lua vem da Ásia, romance de Walter Campos de Carvalho, procurando situá-lo no interior do discurso nacional-desenvolvimentista brasileiro dos anos 1950. Seguindo essa pretensão, a análise procura sustentar a hipótese de que, apesar da ausência de índices históricos evidentes, o romance de Campos de Carvalho parece incorporar à sua forma de composição uma atitude marcadamente oposta ao discurso nacional-desenvolvimentista, inscrevendo-se na contramão de valores como razão, ordem e planejamento. Com isso, parece possível concluir que A lua vem da Ásia compõe-se como uma espécie de avesso do discurso nacional-desenvolvimentista, o que permite situá-lo, ainda que pelo negativo, no interior das tensões históricas brasileiras
Da absolvição pelo amor
Pode o amor redimir a existência? Partindo da visão clássica de amor expressa em O banquete, de Platão, buscamos aqui colocar em perspectiva as questões que se abrem nas estrofes finais dos cantos V e X da epopeia camoniana, trechos em que um sentimento de pessimismo parece distanciar o poeta de sua posição inicial de orgulho. Para a problematização dessa ruptura, propomos uma rápida análise de temas históricos e sociais do reino português no contexto do renascimento. Sem ser possível encerrar a questão nessa análise, sobressai a dissidência do poeta em relação ao pragmatismo material de seu tempo, confirmada na concepção mitológica da Natureza expressa em sua obra. A apreciação do episódio da “insula divina”, presente nos cantos IX e X do poema, e a ideia de “procriação no belo” e a contemplação da “grande máquina do mundo” surgem para resolver o problema. Resta ainda prever as reverberações desse destino em Mensagem, de Fernando Pessoa. O que no renascentista pudemos perceber como uma solução que tendia para a ideologia de expansão da natureza nas formas interventoras de figuras mitológicas, em Fernando Pessoa revelou-se como a designação de um destino ainda (ou novamente) porvir.
ALIANÇA SINO-RUSSA: NASCIMENTO DE UM NOVO CENTRO DE PODER NA ORDEM MUNDIAL OU PREPARAÇÃO PARA UMA NOVA GUERRA FRIA?
Este texto discute e avalia a aproximação nas relações entre China e Rússia e seu posicionamento geopolítico. No âmbito do projeto de pesquisa a “Influência da economia paralela na administração contemporânea e vice-versa” o texto busca entender e reposicionar a presença de atores globais no jogo das relações internacionais. O objetivo deste trabalho é analisar os motivos desta aliança, apresentando os pontos favoráveis e desafios, bem como o reflexo deste posicionamento. A metodologia é básica e exploratória com pesquisa bibliográfica e telematizada e análise qualitativa. A discussão de resultados apresenta a insistência dos dois países nos acordos de cooperação bem como suas dificuldades. Salienta ainda as movimentações de outros países e as preocupações com a estabilidade regional. As considerações finais reflexionam sobre um período turbulento para o ocidente que se apresenta dividido em busca de alternativas e trilhando o caminho o oposto à aliança Sino-Russa que planejam aproximação e integração de seus interesses