Portal de Periódicos Eletrônicos da UESC (Univ. Estadual de Santa Cruz)
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Notas sobre o pensamento autêntico em Schopenhauer
Este texto reflete sobre a teoria da escrita de Arthur Schopenhauer, a partir da consideração de alguns de seus ensaios organizados por Süssekind sob a rubrica de A arte de escrever. Defende a existência de uma teoria do pensamento implícita no plano subterrâneo das reflexões do filósofo alemão sobre a escrita. Para a realização desse fito, tece, ab initio, um panorama geral sobre os ensaios constantes da Arte de escrever. Após, toma como principal reflexão de Schopenhauer no ensaio Pensar por si mesmo, capítulo 2 do livro, a respeito do que denomina de pensamento próprio. Demonstra que o que potencializa o acontecimento apropriativo do pensamento, além da autonomia do pensador, é também a percepção do problema de sua existência, bem como da durabilidade de seu futuro pessoal. Denuncia que somente a restituição do pensamento à existência pode retirá-lo das outras coisas e permitir o seu acontecimento autêntico. Em sentido lato, a orientação epistemológica adotada é a atitude fenomenológico-hermenêutica. Em sentido estrito, tem como norte o pluralismo metódico de Paul Feyerabend (2007). Possui, como lastro interpretativo, o método de desleitura de Harold Bloom (1993) e a noção de legibilidade de Eni Orlandi (2006). A orientação filosófica básica é a pesquisa crítica. Emprega a técnica bibliográfico-documental para consulta de literatura
Adonias filho: itinerários e representações políticas
Adonias Filho (1915-1990) foi crítico literário, ensaísta e romancista, teve uma carreira de homem de letras extensa e movimentada, com percurso sinuoso, multifacetado e versátil, com atuação em jornais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Os críticos literários e historiadores da literatura o definiram como autor “católico”, “metafísico”, “trágico” e até mesmo “apolítico”. Ele próprio preferiu ser lembrado apenas como literato, em sua auto definição, um autor sem compromissos com a política. A despeito dessas imagens pré-definidas e cristalizadas no tempo, a seguir, procuro mostrar o quanto Adonias atuou na construção de sua própria imagem como intelectual e crítico literário, o quanto a sua argumentação foi moldada pelas ocorrências históricas de seu tempo
Seria o cosmos obra de um demiurgo inferior, como defendiam os gnósticos?
A situaç΄o cultural do mundo greco-romano no in£cio do per£odo crist΄o apresenta paralelos consider΅veis com a situaç΄o moderna, de acordo com Jonas. Ele concorda com Spengler, que chegou ao ponto de afirmar que as duas eras s΄o “contemporâneas”, no sentido de que s΄o est΅gios idênticos no ciclo de vida de suas respectivas civilizaç¦es. E, de fato, podemos reconhecer que muitos elementos da antiguidade tardia, no per£odo dos primeiros Césares, apresentam semelhanças com a situaç΄o atual. O gnosticismo é um desses elementos, embora possa n΄o ser instantaneamente reconhec£vel como tal devido à complicada elaboraç΄o de s£mbolos. Nos séculos mencionados, o movimento gn½stico, como o cristianismo, foi impulsionado por uma situaç΄o generalizada de crise nas civilizaç¦es anteriores, que afetou muitos lugares, em muitas formas e em muitas l£nguas. A atitude essencialmente dualista que fundamenta o gnosticismo e unifica uma gama de diferentes express¦es surgiu de uma reflex΄o sobre uma experiência humana profundamente sentida. Era o fim da era da afinidade percebida entre o logos do homem e o logos do cosmos, com o homem ocupando um lugar na ordem do todo. Aquele lugar agora parecia mais um acidente irracional, e o sentimento que surgiu no £ntimo do homem era de divis΄o entre o homem e o mundo
O místico em Wittgenstein: a filosofia e os limites da linguagem
Este ensaio procura analisar o conceito de místico em Ludwig Wittgenstein e sua relação com a filosofia da linguagem, a ética e a lógica
O argumento indianista e o esforço unificador de José de Alencar em O Guarani
Este trabalho propõe-se a analisar a gênese do romantismo no Brasil e o indianismo e suas articulações com a fundação da nação, da nacionalidade e da literatura a partir de O Guarani (1857). Nesse sentido, o argumento indianista no Brasil, que remonta ao momento da chegada dos portugueses, surge dentro do romantismo literário em suas primeiras manifestações como marca mais profunda e vinculada ao jogo sociopolítico da primeira metade do século XIX. Diante disso, ao tentar institucionalizar sua literatura, José de Alencar projeta em O Guarani aspectos concernentes a este contexto
A universidade brasileira que gradua em tradução seria uma tradutaria?
Os Estudos da Tradução ao tratarem teoricamente da tradução, do original e do perfil de tradutor que emerge dessas reflexões e metodologias, têm necessariamente implicações que refletem na formação do tradutor. Esta pesquisa investigou o tratamento dicotômico dado às disciplinas teóricas e práticas constantes nos currículos de graduação em Tradução em 09 universidades brasileiras, e buscou refletir sobre o papel secundário destinado às disciplinas teóricas para a formação do tradutor. O resultado encontrado apontou um perfil de universidade que busca preparar o tradutor para responder às expectativas do mercado de trabalho. Como resultado dessa reflexão, podemos pensar na formação do tradutor como de um jovem aprendiz em uma alfaiataria, a tradução vista como processo sistematizado e a instituição conceberia o tradutor como um aprendiz que deve bem manipular instrumentos, exercendo seu ofício artesanal. Como em uma tradutaria, o tradutor deve ser treinado até que se torne espontâneo, natural, impecável como uma peça de arte. Dada a complexidade dos processos tradutórios que emergem das reflexões teóricas, a formação do tradutor deve levar em conta a tradução a partir das conexões que podem ser estabelecidas entre teoria e prática e o tradutor levado a refletir sobre sua prática, mais consciente do seu papel ético e de sua responsabilidade autoral
A liderança da mulher negra no romance Mandingas da mulata velha na cidade nova: a constução sociocultural brasileira
O romance Mandingas da mulata velha na cidade nova (2009), de Nei Lopes, é uma narrativa que traça, através do percurso histórico e cultural brasileiro, a vida de uma tia baiana, cujo nome ficcional é Tia Amina, mas que está, de certo modo, conectado à figura verídica de Tia Ciata, uma das mais famosas baianas e carnavalescas do Rio de Janeiro. Nesse contexto, procura-se evidenciar o protagonismo da mulher negra na construção sociocultural brasileira relacionado aos pressupostos teóricos da crítica feminista. Ademais, objetiva-se situar a obra como representação literária afro-brasileira que se encontra imbricada com o processo histórico do Brasil, empenhando-se em traçar o percurso de Tia Amina, desde seus questionamentos ancestrais em África até sua chegada à Bahia. Para entender esta proposta de análise embasa-se em Beauvoir (2008), Duarte (2008) e Zolin (2009), entre outros teóricos. Assim, a partir deste trabalho, almeja-se contribuir tanto para a elucidação das questões pertinentes a gênero e à crítica feminista quanto para o reconhecimento da literatura afro-brasileira, destacando a obra de Nei Lopes
O cabelo docilizado: uma mazela do neocolonialismo em Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie
O presente artigo pretende evidenciar através do romance Americanah (2013), da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, de qual forma um elemento formador da identidade: o cabelo, é docilizado para que a adaptação da protagonista, uma mulher negra, africana e imigrante, possa ocorrer na sociedade americana. Para tanto, utilizamos as ideias de autores pós-coloniais acerca do que foi o colonialismo e como ele se atualiza sob o termo neocolonial. Também discutimos como o romance corrobora a crítica pós-colonial, aqui entendida como as teorias que denunciam os problemas causados pelo colonialismo nas sociedades das ex-colônias. Por fim, acreditamos que a literatura de Adichie funciona como um mecanismo de denúncia do neocolonial e como propulsor do debate acerca de preconceitos advindos da empreitada colonial
Literatura infantil em espanhol na Guiné Equatorial: um olhar memorialístico e intercultural
A literatura da Guiné Equatorial vem atraindo cada vez mais os olhares interessados e ávidos de cultura africana dos amantes da língua espanhola. Colocando em evidência a complexidade historiográfica, teórica e crítica da literatura para crianças, faz-se necessário também destacar a vertente infantil como meio difusor de cultura que precisa ser estudado abarcando também a sua diversidade intercultural. Nesse sentido, a produção cultural guinéu-equatoriana nos presenteou recentemente com uma obra da literatura infantil repleta de sensibilidade ética e fruição estética: o afro-conto El viaje de Ilombe (2017), escrito por Alejandra Ntutumu e ilustrado por Lydia Mba. Intenta-se, neste artigo, dar visibilidade ao compromisso ético-estético do livro de Ntutumu e Mba, que a nosso ver, recuperam aspectos importantes da tradição oral da Guiné Equatorial bem como estabelecem a recriação artística de elementos do acervo intercultural memorialístico guinéu-equatoriano para o público infantil. Assim, almejamos dar voz à memória africana e afrodescendente em língua espanhola esquecida e silenciada, despertando o imaginário infantil para a leitura dessa narrativa atual plena de ancestralidade.
El rezago de la productividad industrial en Venezuela en perspectiva mundial. Renta petrolera y la deuda externa como mecanismos de compensación.
El presente trabajo argumenta que para comprender las condiciones objetivas de valorización del capital en Venezuela, hay que considerar los cambios tecnológicos ocurridos a escala mundial, asociados a la informatización de los procesos productivos que lograron elevar la productividad de los capitales que producen para el mercado mundial, mientras que en Venezuela el capital se ha acumulado produciendo a pequeña escala para el mercado nacional, siendo la apropiación de renta petrolera el principal mecanismo de compensación de sus elevados costos. La sobrevaluación cambiaria es el principal mecanismo de apropiación. Asimismo, la insuficiencia de la renta obliga a buscar en la deuda externa un flujo de riqueza que permita sostener la economía nacional