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“MINHA ALMA É LIVRE, O BERIMBAU ME LIBERTOU”: A CAPOEIRA COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA PARA A EFETIVAÇÃO DA LEI 10.639/2003
Esse artigo é produto da disciplina de “Pesquisa Histórica II” do curso de Licenciatura em História da Universidade Federal do Acre (Ufac) e trata da capoeira como prática pedagógica para a efetivação da lei 10.639/2003. A justificativa para a elaboração desse artigo está ligada à sua relevância acadêmica, dado ao ineditismo de pesquisar a capoeira como uma prática pedagógica para o Ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira. Este trabalho teve como objetivo analisar como a capoeira pode ser uma aliada para efetivação da lei 10.639/2003 em ambiente escolar, de modo a entender a possibilidade de utilizá-la como uma ferramenta para ensinar e discutir temas relacionados à cultura afro-brasileira. A metodologia empregada partiu da abordagem teórico-metodológica decolonial, utilizando-se da pesquisa bibliográfica para o levantamento de dados a respeito da temática. A pesquisa valeu-se ainda de entrevistas semiestruturadas para a coleta de dados. O referencial teórico utilizado foi Vidor e Reis (2013), Munanga e Gomes (2006), Candau e Oliveira (2010), Pinsky (2005), Bittencourt (2008) e Gomes e Laborne (2018). Por fim, observou-se que a capoeira é uma expressão cultural importante para a promoção da cidadania e da igualdade racial em ambiente escolar, agindo como aliada da lei 10.639/2003
CAMINHOS E DESAFIOS DE UM TERAPEUTA EM FORMAÇÃO NA GESTALT-TERAPIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Clinical practice in Psychology presents challenges that go beyond theoretical knowledge, requiring the trainee therapist to confront their insecurities and expectations. This study aims to reflect on the experience of working in a school service context, based on Gestalt therapy, reflecting the challenges and learnings that emerged during the process. It is an experiential report(ER), highlighting the impact of supervision, self-analysis, psychotherapy, and the contact with the client's suffering on the construction of professional development. The main challenges involved managing the "savior" expectation, the need for compliance with time constraints, the autonomy of the client, and the importance of their "awareness" during the session. The results indicate that supervision and exchanges with colleagues were essential for reinterpreting clinical practice, allowing the recognition of uncertainty as part of the therapeutic process. It is concluded that the experience in a school service, associated with the principles of Gestalt therapy, fosters the development of a more authentic professional stance, enhancing the understanding of the therapist's role as a facilitator of the patient's change process.A prática clínica em Psicologia impõe desafios que transcendem o domínio teórico, exigindo do terapeuta em formação um enfrentamento de suas inseguranças e expectativas. Este estudo tem como objetivo refletir sobre a experiência de atuação no contexto de um serviço-escola, a
partir da abordagem da Gestalt-terapia, refletindo sobre os desafios e aprendizados que emergiram no processo. Trata-se de um relato de experiência (RE), que buscou compreender o impacto da supervisão, da auto reflexão, da psicoterapia pessoal e do contato com o sofrimento da cliente na construção da formação profissional. Os principais desafios envolveram o manejo da expectativa de “salvador”, a necessidade de conformidade com o tempo e a autonomia da cliente e a importância de sua “conscientização” no atendimento. Os resultados indicam que a supervisão e a troca com colegas foram essenciais para a ressignificação da prática clínica, pois permitiram o reconhecimento da incerteza como parte do processo terapêutico. Conclui-se que a experiência em um serviço-escola, associada aos princípios da Gestalt-terapia, favorece a formação de uma postura profissional mais autêntica, ampliando a compreensão sobre o papel do terapeuta como facilitador do processo de mudança do cliente
POÉTICA DA MASCULINIDADE EM RUÍNAS: um livro que perpassa obras poéticas visuais e narrativas
Este texto busca apresentar uma resenha da obra Poética da masculinidade em ruínas: o amor em tempos de AIDS, organizada por Anselmo Peres Alós. O livro em questão traz luz a temáticas significativas para os estudos de gênero e literatura ao abordar o impacto sociocultural da epidemia da AIDS a partir da década de 1980. Refletir acerca destes textos justifica-se pela necessidade de compreender como os discursos literários e artísticos desafiam as normativas heteronormativas e revelam as experiências marginalizadas de sujeitos cujas histórias são frequentemente silenciadas. Por meio de uma coletânea de treze artigos, a obra analisa textos literários, cinematográficos e autobiográficos de figuras como Caio Fernando Abreu e Reinaldo Arenas, revelando as tensões entre identidade, opressão e resistência. Além disso, explora a forma como a literatura e as artes visuais traduzem as vivências e os dilemas de indivíduos afetados pela AIDS, com base em referenciais teóricos de autoras como Judith Butler e Monique Wittig. Essa abordagem promove uma reflexão crítica sobre os regimes de poder que moldam as representações de gênero, sexualidade e saúde, contribuindo para os debates acadêmicos contemporâneos sobre exclusão, memória e justiça social
POR QUE NÃO SE MATAR? O INTERDITO DO SUICÍDIO DOS ESCRAVIZADOS POR MEIO DA SUBSTITUIÇÃO DO IMAGINÁRIO RELIGIOSO
Para além da moralização cristã, a prática do suicídio entre os escravizados apontava para a resistência contra ao sistema escravista, bem como para as esperanças imaginárias de retorno à África. O presente artigo objetiva apontar a substituição do imaginário dos escravizados no que tange as espiritualidades africanas, como mecanismo religioso católico para a interdição do suicídio. Pretende-se demonstrar que tal mecanismo estava mais a serviço da economia escravista, tanto na colônia como no império, do que ocupado e preocupado com a vida dos escravizados que foram forçosamente trazidos para o Brasil. A catequização, mecanismo para a substituição do imaginário, se estabeleceu como meio eficaz, ainda que nem sempre eficiente para a contenção dos prejuízos dos escravizadores, pois a substituição do imaginário pode ser deduzida, mas jamais mensurada. Reforçamos assim, o quanto a religião, em especial o catolicismo romano, esteve a serviço do sistema escravista no desenvolvimento da sua teologia racista, sobretudo, durante o período Medieval e no desenvolvimento da catequização de negros e negras. O artigo evidenciou-se por meio da análise de documentos históricos, bem como, por meio de referenciais bibliográficos daqueles e daquelas que se ocupam do tema da escravidão e do suicídio dos escravizados. A despeito da valorização da vida que a religião deve expressar, evidencia-se no artigo, sua atuação a serviço dos poderosos e opressores que buscavam subalternizar os corpos negros
ADOLESCENTES NEGROS E A CRIMINALIZAÇÃO DA POBREZA NO BRASIL
Este estudo investiga as trajetórias de adolescentes negros em conflito com a lei no Brasil, destacando como o racismo estrutural, a exclusão social e práticas punitivas impactam suas vivências. Utilizando uma abordagem qualitativa, o trabalho combina revisão bibliográfica e documental, embasando-se nos conceitos de controle social de Michel Foucault e nas análises de racismo estrutural de Angela Davis. Os resultados evidenciam que a criminalização da pobreza intensifica a seletividade penal de adolescentes negros no sistema socioeducativo, perpetuando ciclos de estigmatização e exclusão social. Embora existam avanços normativos, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ainda persistem barreiras significativas à reintegração social e ao acesso a direitos fundamentais. Esse cenário reflete a omissão do Estado e da sociedade em garantir a proteção integral desses adolescentes. O artigo discute as contradições entre as políticas públicas teóricas e sua aplicação prática, enfatizando a urgência de medidas concretas que rompam o ciclo de marginalização. Propõe-se a implementação de políticas integradas e inclusivas que promovam a inclusão social, uma educação emancipatória e o enfrentamento ao racismo estrutural. Por fim, o texto ressalta a importância de valorizar as narrativas dos próprios adolescentes em futuras pesquisas, ampliando a compreensão de suas vivências e fortalecendo estratégias para transformar suas trajetórias em direção a uma sociedade mais justa e equitativa
A primeira prelazia do sagrado coração de Jesus nas "Barrancas" do palácio Getúlio Vargas em 1917-1922 em Porto Velho/RO
No Eixo turístico, religioso e histórico em Porto Velho/RO destaca-se a Catedral Sagrado Coração de Jesus, entretanto, pouco se tem o conhecimento que na localização do atual Palácio Getúlio Vargas e também Museu Estadual de Rondônia (MERO), ficava a Primeira Prelazia Portovelhense. O objetivo geral deste trabalho é investigar a criação da primeira prelazia de Porto Velho/RO no ano de 1917-1922. Os objetivos específicos são investigar o processo de urbanização entre a cidade de Porto Velho e o trecho ferroviário, compreender os motivos da construção da igreja onde fica atualmente o palácio Getúlio Vargas, e por fim, questionar o silenciamento da história da Primeira Prelazia para a população Portovelhense. Os métodos utilizados foram de pesquisa bibliográfica e documental. Também foram utilizadas fontes bibliográficas como: Padre Victor Hugo “Os Desbravadores” Vol. I, II e III, Esron de Menezes “Retalhos para a História de Rondônia” e Antônio Catanhede “Achegas para a História de Porto Velho” e fontes imagéticas como os mapas da cidade da época.
PALAVRAS-CHAVE: História de Rondônia. Igreja. Porto Velho
O SER NEGRO EM PELE NEGRA, MÁSCARAS BRANCAS, DE FRANTZ FANON
A partir de referenciais teóricos da intelectualidade negra brasileira, dos acadêmicos pós-coloniais e da decolonialidade, o presente escrito é um exercício historiográfico, fundamentado em pesquisa documental e interpretativo-comparativa, em que o centro da discussão é Pele Negra, Máscaras Brancas (2008), do martinicano psiquiatra negro Frantz Fanon. Recusada como tese de doutorado, Pele Negra desmascara o racismo na área da psiquiatria, bem como em solo francês, conceituando complexo de superioridade e complexo de inferioridade. Neste artigo, atentemo-nos a estrutura da obra e quais reflexões são centrais para que entendamos as relações conflituosas entre brancos e negros, que tem por prisma os lugares de colonizadores e colonizados como orquestradores do presente desigual e violento. Lembrar, interpretar e citar Fanon (2008) é tarefa fundamental para os movimentos e intelectuais negros brasileiros, estando nós em uma academia brancocêntrica e colonialista. Trazer Pele Negra para o debate historiográfico é decolonizar também a história, ainda majoritariamente masculina, branca e heteronormativa. Dessa forma, do ponto de vista teórico-metodológico vale afirmar: a historiografia proposta é negra
QUILOMBO E O FUNK CARIOCA: POSSIBILIDADES EDUCATIVAS DA FRUIÇÃO FUNKEIRA PELAS RELAÇÕES ETNICO-RACIAIS AFRO-BRASILEIRAS
Artigo sobre o fundamento da música funk carioca como cultura afro-brasileira (Nascimento, 2016; Moura, 2019), em um método multidimensional com as áreas da educação vinculadas na diáspora (Gilroy, 2012), essas advindas do Movimento Black Rio (Peixoto; Sebadelhe, 2016), apresentaremos um debate sobre a fruição funkeira como contínua identidade musical negra, eletrônica, periférica, jovem, capaz de provocar o quilombo (Nascimento, 2019; Nascimento, 2018) da favela (Campos, 2011). Durante mediações e buscas no campo de sonoridades contextualizadas por conservadas perseguições moralistas e policialescas, o cotidiano na dimensão racista (Mbembe, 2014) e genocida do Brasil (Vianna, 1997; Batista, 2013; Lopes, 2010; Facina, 2013, 2009), temos o funk carioca como antirracista, quando posicionamos a fruição funkeira na perspectiva do Movimento Negro Educador (Gomes, 2017). No fim, através de um olhar nas equivocadas narrações sobre as fruições funkeiras, oferecemos pontos de críticas para possibilitar um fortalecimento e mostrar seriedade na lei 11.645/2008, o reconhecimento da importância da cultura e história afro-brasileira e indígena na formação da identidade nacional, portanto, quem contribui para a valorização dessas populações
AÇÕES AFIRMATIVAS NA PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Este artigo aborda a implementação de políticas de ações afirmativas nos Programas de Pós-Graduação (PPGs) em Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), a partir de editais e documentos institucionais de 2024/2025, utilizou-se a análise documental como abordagem teórica. O levantamento revela que as estratégias mais comuns de ação afirmativa incluem bonificação e reserva de vagas. Os principais grupos beneficiados são pretos(as), pardos (as), indígenas e pessoas com deficiência (PPID). Além disso, algumas políticas consideram a renda familiar, beneficiando candidatos de famílias de baixa renda. Apesar do avanço, desafios como exigências de proficiência em língua estrangeira como etapa eliminatória do processo seletivo e taxas de inscrição ainda representam barreiras para grupos vulneráveis, embora algumas alternativas, como exames de proficiência internos gratuitos foram identificados. Haja vista que as políticas de ações afirmativas têm contribuído para o aumento da diversidade nos PPGs em Psicologia, é necessário repensar as formas de avaliação, considerando a pluralidade das trajetórias dos candidatos. Mudanças nos critérios de ingresso e permanência, como o aumento da flexibilidade nas exigências de proficiência e a eliminação de taxas de inscrição, são essenciais para garantir uma inclusão efetiva. A reflexão sobre as desigualdades estruturais e a adoção de práticas mais inclusivas são fundamentais para promover um ambiente acadêmico verdadeiramente acessível e equitativo
A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO ENSINO SUPERIOR: DEBATE SOBRE A EFETIVAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DA LEI N° 10.639 DE 2003
Este estudo versa sobre a discussão da importância da implementação e efetivação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), no que tange a obrigatoriedade do Ensino da História e Cultura Afro-brasileira e africana, tanto na educação básica quanto no ensino superior. Nosso artigo tem como objetivo investigar sobre o processo de implantação de componentes curriculares voltados para o processo de ensino das relações étnico-raciais que promovam uma educação antirracista, com base nas diretrizes curriculares revisadas após a promulgação da Lei n° 10.639 de 2003, documentadas nos Projetos Pedagógicos de Cursos (PPC) de graduação em uma universidade pública. O embasamento teórico concentra-se em autores e autoras negras, tais como, Lélia Gonzalez (1982), Clóvis Moura (1994), Sérgio Guimarães (1999), Tânia Müller e Lourenço Cardoso (2017) entre outros que dialogam com a temática. Metodologicamente, esta pesquisa trata-se de uma revisão de literatura para a apreensão e discussão do tema, utiliza-se também da pesquisa documental para obtenção dos dados. Os resultados sugerem que para a construção de uma educação antirracista é necessário de antemão o compromisso do Estado e que a universidade pública possui um papel crucial para o adensamento da educação antirracista e a promoção da equidade