Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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MODULAÇÃO DO NFKB1 PELA HIDROCORTISONA: ABORDAGEM IN SILICO APLICADA À DOENÇA DE CROHN
A Doença de Crohn é uma condição inflamatória crônica do trato gastrointestinal caracterizada por ativação exacerbada do sistema imune e produção persistente de citocinas pró-inflamatórias. Entre os mediadores moleculares mais relevantes desse processo está o fator nuclear kappa B, em especial a subunidade NFKB1, que regula a transcrição de genes envolvidos em inflamação, resposta imune e sobrevivência celular. A ativação inadequada dessa via está associada à perda da tolerância imunológica à microbiota intestinal, ao recrutamento exacerbado de células T CD4+ efetoras e à perpetuação da resposta inflamatória. Dessa forma, o NFKB1 ocupa papel central na fisiopatologia da Doença de Crohn, tornando-se um alvo relevante para a avaliação de terapias anti-inflamatórias. No presente estudo, foi explorado o potencial terapêutico da hidrocortisona sobre a Doença de Crohn por meio de uma abordagem in silico, utilizando farmacologia de rede e docking molecular. Inicialmente, foram identificados 442 alvos potenciais da hidrocortisona e mais de 20 mil alvos relacionados à Doença de Crohn, sendo que 423 estavam na interseção entre ambos. Esses alvos foram analisados por meio de redes de interação proteína-proteína, revelando dez proteínas centrais, entre as quais se destacaram NFKB1, IL-6, IL-1β, TNF, MAPK3 e RELA. Essas proteínas foram associadas a duas vias fundamentais para a patogênese da doença: a via da Doença Inflamatória Intestinal e a via de sinalização da IL-17. O NFKB1 emergiu como um dos principais hubs regulatórios da rede, confirmando sua importância como ponto de convergência de múltiplos estímulos pró-inflamatórios. Esse gene codifica a subunidade p50, que, em heterodímero com RELA (p65), atua como um potente fator transcricional para citocinas como IL-1β, IL-6 e TNF-α. O docking molecular demonstrou que a hidrocortisona apresenta afinidade de ligação de -6,5 kcal/mol com o NFKB1, envolvendo interações de hidrogênio com resíduos como Lys315 e Phe295, além de interações de van der Waals com Lys334, Gln279, Phe298 e Pro214. Tais interações sugerem que a hidrocortisona pode modular diretamente a atividade do NFKB1, impedindo sua translocação nuclear e reduzindo a transcrição de genes inflamatórios. Esse efeito é particularmente relevante porque a sinalização via IL-17, fortemente associada à progressão da Doença de Crohn, converge para a ativação do NF-κB. A inibição dessa cascata pela hidrocortisona não apenas limita a produção de citocinas pró-inflamatórias, mas também interfere na amplificação sinérgica promovida pela interação entre IL-17, TNF-α e outras citocinas inflamatórias. Além disso, ao modular o NFKB1, a hidrocortisona influência processos mais amplos da resposta imune, como a ativação de linfócitos T e B, a regulação da apoptose e a resposta a estímulos bacterianos todos diretamente relacionados à fisiopatologia intestinal crônica. Embora os corticosteróides já sejam consagrados no manejo clínico de exacerbações agudas da Doença de Crohn, este estudo amplia a compreensão de seus mecanismos de ação, ao demonstrar que a hidrocortisona exerce efeitos específicos sobre alvos moleculares críticos, entre os quais o NFKB1 se destaca como regulador principal. A modulação dessa via explica tanto a eficácia do fármaco na redução da inflamação quanto às limitações do seu uso prolongado, uma vez que a inibição persistente do NF-κB pode comprometer funções essenciais de defesa imunológica. Conclui-se que a hidrocortisona atua de forma significativa sobre o NFKB1, modulando diretamente sua atividade transcricional e reduzindo a expressão de mediadores inflamatórios-chave na Doença de Crohn. Esse resultado reforça a relevância do NF-κB como alvo estratégico no tratamento da doença e sugere que terapias futuras poderiam se beneficiar de uma modulação mais seletiva dessa via, visando manter a eficácia anti-inflamatória e, ao mesmo tempo, reduzir os efeitos adversos dos corticosteroides tradicionais. Dessa forma, o estudo não apenas valida a hidrocortisona como agente eficaz em crises agudas, mas também destaca o NFKB1 como um ponto de convergência terapêutica fundamental na compreensão e no manejo da Doença de Crohn
Vídeos Educacionais Como Ferramenta para a Promoção da Alimentação Adequada e Saudável na Extensão Rural
A extensão rural têm papel importante na promoção da segurança alimentar e nutricional e no fortalecimento de sistemas alimentares sustentáveis. Os extensionistas, atuam como agentes de mediação entre políticas públicas e agricultores familiares, enfrentam o desafio de utilizar metodologias educativas que sejam inclusivas, participativas e capazes de estimular e conscientizar os atores envolvidos na extensão rural, sejam estes agricultores, pescadores, artesãos, merendeiras e os próprios extensionistas. Nesse sentido, os recursos audiovisuais, como os vídeos educativos, se apresentam como uma ferramenta em potencial. Os vídeos podem auxiliar na abordagem de temas fundamentais da produção, do processamento, do abastecimento e do consumo de alimentos, apresentando conteúdos de maneira didática e acessível. Além disso, por sua versatilidade, podem ser utilizados em oficinas, rodas de conversa, encontros comunitários, cursos de formação e também compartilhados em redes digitais, ampliando significativamente sua disseminação, e fortalecendo o papel pedagógico da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e a promoção da alimentação adequada e saudável. O presente trabalho tem como objetivo desenvolver vídeos educativos como ferramenta metodológica de apoio à formação de extensionistas e como material complementar para agricultores familiares, alinhado às diretrizes da promoção da alimentação adequada e saudável. Foram selecionados cinco vídeos do canal do Projeto Guia Alimentar na ATER no YouTube, os quais abordam: (i) o papel dos extensionistas na promoção da alimentação saudável; (ii) a produção de alimentos; (iii) o processamento; (iv) o abastecimento; e (v) o consumo. Organizados de acordo com os eixos propostos pelo Guia de Práticas de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável na Assistência Técnica e Extensão Rural. Os vídeos foram analisados quanto às estratégias de uso propostas pela cartilha, que incluem exibição em oficinas de capacitação, rodas de conversa, encontros comunitários e espaços formativos diversos, associado a práticas participativas, estímulo ao debate e integração com outros materiais educativos desenvolvidos pelo projeto Guia Alimentar para a População Brasileira: Ações de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável na Assistência Técnica e Extensão Rural. Os vídeos podem desempenhar múltiplas funções na extensão rural, para reforçar o papel estratégico dos extensionistas na promoção da alimentação saudável, ao destacar temas como autoconsumo, cultura alimentar, agroecologia e políticas públicas de abastecimento. Como também ampliar as possibilidades de formação, ao apresentarem práticas de produção diversificada, processamento artesanal com qualidade higiênico-sanitária, valorização da identidade territorial e fortalecimento de circuitos curtos de comercialização, em consonância com programas como o PNAE e o PAA. Os videos favorecem a difusão do conceito de alimentação saudável como direito, incentivando o consumo de alimentos diversificados, a valorização das tradições alimentares. Os vídeos como ferramenta de atividades coletivas podem estimular reflexões e trocas de experiências quando articulados a metodologias participativas. Sua recomendação é que sejam combinados com atividades práticas, como oficinas culinárias e rodas de conversa, incentivando os participantes a relacionarem o conteúdo audiovisual à sua realidade local. Essa abordagem fortalece a construção coletiva do conhecimento, valoriza saberes tradicionais e contribui para o empoderamento dos agricultores e dos extensionistas. Além disso, por estarem disponíveis em plataforma digital de acesso aberto, os vídeos podem ser facilmente compartilhados, ampliando seu alcance e contribuindo para processos de educação alimentar e nutricional em ambientes presenciais ou virtuais. Existe uma demanda por parte dos extensionistas de materiais para abordar a promoção da alimentação adequada e saudável, assim, os vídeos educativos são um recurso pedagógico promissor para a extensão rural, pois aliam acessibilidade, atratividade e facilidade de disseminação. Sua utilização pode potencializar a formação continuada de extensionistas, fornecendo subsídios para o desenvolvimento de ações mais efetivas em seus territórios de atuação, ao mesmo tempo em que oferecem material de apoio complementar para agricultores familiares. Ao articular linguagem simples, temas relevantes e estratégias participativas, os vídeos contribuem para a promoção da alimentação adequada e saudável e para o fortalecimento de sistemas alimentares sustentáveis. Dessa forma, recomenda-se sua utilização como ferramenta metodológica a ser incorporada de forma estruturada nas práticas de ATER, em consonância com as políticas públicas de segurança alimentar e nutricional vigentes
Aplicações de Machine Learning na Hidrologia da Bacia do Rio Ibirapuitã
O conjunto de dados é fundamental para aplicar técnicas de aprendizado de máquina em estudos hidrológicos, principalmente em bacias de relevância regional como a do rio Ibirapuitã, em Alegrete, no Rio Grande do Sul. Esse processo envolve organizar e preparar informações ambientais, meteorológicas e hidrológicas para que algoritmos como Random Forest, XGBoost e redes neurais consigam aprender padrões e prever com mais precisão. A bacia está no bioma Pampa, com clima subtropical e relevo suave, fatores que influenciam diretamente o escoamento da água, a ocorrência de cheias e estiagens que afetam a população, agricultura e pecuária da região. Essas cheias representam um desafio histórico, que além de alagar áreas urbanas, podem isolar comunidades, interromper estradas, causar perdas agrícolas, danos a casas e infraestrutura básica, exigindo planos emergenciais de defesa civil e elevando custos públicos e privados. Por isso, selecionar bem os dados e parametrizá-los é indispensável para que os modelos façam previsões que realmente representem a realidade local. As principais fontes incluem séries históricas de vazão e cota das estações fluviométricas, como a da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e dos dados coletados por grade espacial, como o CHIRPS, que fornecem informações detalhadas sobre chuva e temperatura em diferentes escalas temporais e espaciais. Com esses dados é possível criar variáveis úteis para a modelagem, como precipitação, temperatura e vazão diária, além de indicadores derivados da engenharia de características, como índices de precipitação antecedente, acumulados de chuva em diferentes períodos e médias temporais da própria vazão, permitindo capturar padrões hidrológicos complexos. Na modelagem, a divisão dos dados deve respeitar a ordem temporal, evitando cortes aleatórios que prejudiquem as previsões, garantindo que os modelos aprendam a dinâmica real do sistema. A melhor prática é separar blocos de anos, usando os mais antigos para treino e os recentes para teste, o que possibilita avaliar a performance em condições variadas, inclusive em eventos extremos de seca ou cheias. Entre os algoritmos, o Random Forest se destaca pela robustez e boa generalização, combinando várias árvores de decisão e reduzindo o overfitting. Outros modelos como XGBoost, LightGBM e redes neurais recorrentes também podem ser aplicados para comparação, oferecendo diferentes pontos fortes para lidar com dados complexos e não lineares. A avaliação deve usar métricas tradicionais da hidrologia, como coeficiente de NashSutcliffe, coeficiente de determinação, erro quadrático médio, erro absoluto médio e viés relativo, além de analisar separadamente a previsão em diferentes faixas de vazão. Isso é importante porque prever os extremos, como cheias que inundam cidades ou estiagens que reduzem a disponibilidade de água, tem impacto direto na gestão dos recursos hídricos e na tomada de decisão em políticas públicas de mitigação de riscos. A união desses dados observados e retirados de sensoriamento remoto, combinados com boas práticas, validação temporal e análise criteriosa de variáveis, garante modelos robustos, consistentes e aplicáveis à realidade local. Esse esforço contribui não apenas para a previsão de vazões, mas também para reduzir riscos de desastres hidrológicos, apoiar o planejamento sustentável da água em diferentes regiões e fornecer informações estratégicas para agricultura, pecuária e desenvolvimento urbano, beneficiando tanto o ambiente natural quanto a população que depende diretamente do rio
Compraslab: Gestão de Pedidos de Compras Públicas
A gestão de compras na rede de Laboratórios Federais de Defesa Agropecuária (LFDA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) enfrenta desafios críticos devido à sua operação descentralizada e baseada em planilhas eletrônicas. Esta prática resulta na ausência de padronização técnica, com descrições heterogêneas de produtos que geram incessantes discordâncias entre as requisições de compra e o cadastro oficial de materiais, culminando em altos índices de rejeição, retrabalho e profunda inconsistência nos processos. A impossibilidade de verificar a aprovação de um pedido, a incerteza sobre a correção do item solicitado, a falta de controle sobre as etapas processuais e o desconhecimento da disponibilidade dos insumos são problemas que, em conjunto, causam graves atrasos operacionais e comprometem a missão institucional de garantir a sanidade agropecuária nacional. Em atendimento às diretrizes da Portaria Seges/ME nº 13.623/2019, que versa sobre o redimensionamento de unidades administrativas e a centralização de contratações, este projeto propõe o desenvolvimento e a implementação do software ComprasLab, uma solução tecnológica dedicada à consolidação de demandas de compras por meio de um banco de especificações técnicas unificado e padronizado. A metodologia de trabalho fundamenta-se no mapeamento detalhado do processo de compras da rede LFDA para a consolidação de requisitos funcionais que sirvam de base para a construção da ferramenta. A plataforma será estruturada em três módulos principais de funcionalidades integradas: o primeiro módulo consiste em ferramentas completas para a gestão do banco de especificações, englobando operações de criação, leitura, atualização e exclusão (CRUD) de categorias de produtos, notas técnicas, classificação orçamentária, além do cadastro de laboratórios e usuários do sistema, incluindo a própria gestão do banco de especificações e de agrupamentos de itens; o segundo módulo é um sistema dedicado à solicitação de compras, permitindo aos usuários de diferentes unidades gerar novos pedidos diretamente a partir do banco padronizado e acompanhar em tempo real o status de cada pedido; complementarmente, o terceiro módulo oferece um painel para a gestão centralizada dessas solicitações, onde os gestores poderão consolidar demandas comuns, analisar, aprovar, reprovar e tramitar cada requisição de forma eficiente e auditável, viabilizando compras compartilhadas que otimizam recursos e ampliam o poder de negociação. Como resultados esperados, a implantação do ComprasLab permitirá uma gestão mais célere e eficiente do banco de especificações harmonizado, eliminando o uso de planilhas em anexo a e-mails e suas múltiplas versões, e introduzindo transparência completa e acompanhamento em tempo real para todas as unidades requisitantes. O sistema registrará o histórico de alterações das especificações, que passarão a ser incluídas apenas após aprovação por um comitê gestor técnico, e possibilitará o reaproveitamento de notas técnicas e justificativas já existentes. A implementação desta solução modular resolverá as deficiências críticas do fluxo atual, promovendo a racionalização de recursos, a agilidade processual, a segurança jurídica das contratações e a garantia do abastecimento dos laboratórios, elementos essenciais para a manutenção do status sanitário do país e a abertura de mercados internacionais contribuindo diretamente para o cumprimento da missão institucional de defesa agropecuária e proteção do status sanitário nacional, enquanto estabelece um novo padrão de excelência na gestão de compras públicas que poderá ser replicado em outras áreas do serviço público
Ferramenta de Auxílio para a Criação de Documentos Jurídicos Visuais
A gestão de documentos em escritórios de advocacia enfrenta desafios de eficiência, com fluxos de trabalho manuais que resultam em inconsistências e alto consumo de tempo. Este trabalho apresenta uma plataforma web que automatiza e centraliza a criação e gestão de documentos jurídicos, utilizando dados de clientes e colaboradores de forma inteligente.
O objetivo é desenvolver uma ferramenta para a criação automática de documentos a partir de templates pré-desenvolvidos. A plataforma também permite a customização desses templates através de um editor visual, garantindo flexibilidade e agilidade ao fluxo de trabalho, em alinhamento com os conceitos de Visual Law.
A metodologia adotada teve uma abordagem aplicada, focada na criação de uma solução para um problema prático da advocacia. O desenvolvimento foi guiado por uma abordagem ágil e utilizou um conjunto de tecnologias modernas.
A arquitetura do sistema foi desenvolvida com SvelteKit para o frontend e Google Firebase (Firestore, Authentication e Storage) para o backend e gerenciamento de dados. A linguagem TypeScript foi utilizada em todo o projeto para garantir tipagem e manutenibilidade. O desenvolvimento seguiu um modelo modular, com separação de responsabilidades em serviços, componentes e tipos, visando a clareza e a escalabilidade do código.
O desenvolvimento da plataforma buscou resolver a ineficiência na produção documental em ambientes jurídicos. A construção e análise dos componentes do sistema servem como embasamento prático da proposta.
A arquitetura do sistema utiliza o Firebase Firestore como banco de dados NoSQL. A informação é organizada em coleções, sendo a "legal_documents" o núcleo da solução, onde os documentos são armazenados com metadados para rastreabilidade. A consistência dos dados é garantida pelo uso de interfaces e tipos, como ProcessoManterProcessos e ClienteSimples, que estruturam as informações de clientes, processos e advogados em toda a aplicação.
A principal funcionalidade do sistema é a automação da criação de documentos, que otimiza significativamente o fluxo de trabalho. A implementação correlaciona os dados estruturados com a lógica de geração, seguindo três etapas:
Gestão de Processos: Para organizar o fluxo de trabalho, foi implementado um painel Kanban que permite o controle visual das etapas e subprocessos de cada caso.
Geração Automatizada via Assistente: Um assistente (wizard) guia o usuário na seleção de um template, cliente e processo. Os dados correspondentes são injetados dinamicamente nos campos do documento, eliminando o preenchimento manual.
Editor Visual para Customização: Para garantir flexibilidade, o sistema inclui um editor visual (canva). A análise dessa funcionalidade revela que a padronização não compromete a customização, permitindo que os advogados façam ajustes finos nos documentos gerados.
A análise dos resultados demonstra que os objetivos do projeto foram alcançados, comprovando a eficácia da abordagem. Os principais resultados incluem:
Gerenciamento de Entidades: Implementação de estruturas para o registro de usuários (clientes, advogados) e escritórios, estabelecendo a base de dados centralizada.
Gestão de Processos: A implementação de um gerenciamento de processos e de um painel Kanban validou a solução para a organização e controle do fluxo de trabalho.
Criação Automatizada de Documentos: A funcionalidade central está em desenvolvimento avançado. A criação de um assistente para geração de documentos valida a hipótese de que a automação é eficaz, enquanto o progresso no editor visual e nas estruturas de dados demonstra a solidez da abordagem.
Em suma, o projeto oferece uma solução que resolve o problema do trabalho manual, fornecendo uma base sólida para a futura conclusão da ferramenta completa de edição
Diagnóstico Organizacional em Melhoria de Processo de Software: Resultados Preliminares de Um Survey
A Melhoria de Processo de Software (MPS) tem como finalidade elevar a qualidade do desenvolvimento, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência das equipes. Para isso, organizações recorrem a modelos de referência que orientam boas práticas e padrões. No Brasil, o MPS.BR ganhou destaque por adaptar modelos internacionais à realidade nacional, permitindo que empresas de diferentes portes e setores tenham um caminho estruturado para evoluir seus processos. Nesse cenário, o diagnóstico tem papel essencial: ele permite avaliar o estado atual da organização, identificar pontos fortes e fragilidades, além de direcionar planos de ação. Apesar de sua relevância, é um processo trabalhoso, que exige coleta de dados, análise crítica e definição de medidas de melhoria.
A motivação deste estudo surge justamente da necessidade de compreender, de forma prática, como profissionais e organizações têm vivenciado iniciativas de diagnóstico em melhorias contínuas. A realidade mostra que, muitas vezes, empresas enfrentam dificuldades em implementar mudanças devido à diversidade de práticas adotadas, à resistência cultural a transformações e à falta de ferramentas que consigam equilibrar padronização com flexibilidade. Para investigar esse contexto, foi realizado um survey com o objetivo de levantar percepções, oportunidades e desafios relacionados ao diagnóstico organizacional no âmbito da melhoria de processos de software.
O questionário foi estruturado em três blocos principais. O primeiro buscou mapear o perfil dos respondentes, considerando nível de experiência, certificações obtidas e metodologias utilizadas no cotidiano. O segundo investigou práticas e percepções sobre diagnóstico, utilizando escala Likert de 1 a 5 para avaliar engajamento, clareza de comunicação, estímulo ao pensamento crítico e resistência organizacional. Por fim, o terceiro bloco trouxe questões abertas, permitindo que os participantes expressassem livremente sugestões, críticas e recomendações de melhoria. Ainda que a pesquisa siga em andamento, os dados coletados já possibilitam uma análise inicial significativa.
Os resultados preliminares apontam que os respondentes possuem níveis variados de experiência, entre 3 e mais de 13 anos, além de certificações em metodologias ágeis como Scrum, Kanban e XP. Isso demonstra alinhamento com práticas amplamente difundidas no mercado. A análise das respostas indica que, de modo geral, os profissionais reconhecem a importância de mapear práticas de forma estruturada, estimular o pensamento crítico e adotar metodologias participativas, como workshops e dinâmicas interativas. Outro ponto forte é a valorização de métricas e testes piloto como formas de validar mudanças antes de sua implementação definitiva.
Por outro lado, também foram identificados desafios relevantes. Entre eles, a resistência organizacional se mostrou recorrente, especialmente quando as mudanças propostas expõem fragilidades em práticas já consolidadas pela liderança. Além disso, foi apontada a baixa participação de alguns colaboradores em etapas importantes do diagnóstico, o que pode comprometer a precisão da coleta de informações e reduzir a adesão às ações de melhoria. Outra dificuldade relatada é a limitação na expressão de certos profissionais, dificultando a clareza de algumas análises. Esses fatores revelam que o sucesso do diagnóstico não depende apenas de técnicas e métodos, mas também de aspectos humanos e culturais, que precisam ser cuidadosamente trabalhados.
Apesar de ainda preliminares, os resultados permitem reflexões importantes. Em primeiro lugar, a experiência acumulada dos respondentes e o uso de metodologias ágeis demonstram que existe um ambiente propício para avanços em práticas de melhoria de processo, desde que os obstáculos de engajamento e resistência sejam adequadamente tratados. Em segundo lugar, o reconhecimento do valor de métricas e testes piloto reforça a importância de decisões baseadas em evidências concretas. Por fim, a ênfase na clareza da comunicação e no alinhamento entre colaboradores e gestores aparece como fator essencial para o sucesso das iniciativas de melhoria.
Conclui-se que, mesmo sem a finalização da coleta de dados, os achados iniciais já oferecem contribuições relevantes para a discussão sobre MPS no Brasil. Ao revelar pontos fortes, barreiras e tendências, este survey fornece subsídios tanto para futuras pesquisas quanto para a prática organizacional. O estudo reforça que diagnósticos eficazes dependem de dois elementos-chave: clareza na comunicação e engajamento ativo das equipes, fatores que, quando bem trabalhados, podem potencializar os resultados das iniciativas de melhoria contínua em processos de software
Educação Matemática Crítica Aplicada Formação em Engenharia: Reflexões Sobre Evasão e Permanência
A matemática nas engenharias é indispensável, constituindo um dos pilares da formação do engenheiro. No entanto, dificuldades de aprendizagem em matemática fragilizam a permanência no ensino superior e contribuem para índices elevados de evasão, especialmente nos cursos de engenharia. Com base em dados nacionais (INEP, 20092019), registrou-se, por exemplo, taxa média de evasão de 18,4% nos cursos presenciais em 2018 (12,4% na rede pública; 20,7% na privada), reforçando que se trata de um fenômeno complexo e multifatorial, que envolve dimensões acadêmicas, institucionais e socioeconômicas. Nesse sentido, Schirmer et al. (2019) afirmam que a evasão, configura-se como um problema educacional social e político, que leva em consideração problemas econômicos, sociais, familiares, pessoais e profissionais em qualquer nível de escolaridade. O autor também corrobora que a evasão se caracteriza pela realidade de cada estudante, podendo ser referentes a habilidades de estudos, formação escolar anterior, adaptação no âmbito universitário, à incompatibilidade entre vida acadêmica e cobranças no trabalho. A exemplo, as ementas curriculares, seus objetivos e como os conteúdos são abordados, representa um dos problemas apontados pelos alunos nos cursos de engenharia, assim como a falta de ligação entre o que lhes é ensinado e sua aplicação prática (Cabral, 2015). Nesse contexto, Skovsmose (2007) afirma que a educação deve preparar os estudantes para compreender as consequências do uso da matemática em diferentes contextos, envolvendo formar sujeitos capazes de assumir responsabilidade frente às aplicações matemáticas em situações como economia, política, meio ambiente e tecnologias digitais. No momento em que a escola não desenvolve esse papel, limita-se a reproduzir um ensino descontextualizado que pouco dialoga com a realidade dos alunos, contribuindo para a desmotivação e até evasão. Deste modo, o objetivo deste trabalho é mapear informações de reprovação em Cálculo A nas engenharias e em Física, bem como identificar índices temporais de formandos e evadidos na UNIPAMPA, justificando a necessidade da Educação Matemática Crítica como estratégia interventora para a melhoria dos indicadores educacionais. A metodologia consiste na análise de dados públicos e institucionais da UNIPAMPA/CIDRA, com recorte para as Engenharias no componente Cálculo A, visando compreender os índices de reprovação; adicionalmente, examinam-se séries temporais de evasão e formatura. Como principais resultados, com base nas informações institucionais da UNIPAMPA/CIDRA: no recorte de Engenharias (20162024), o número anual de evadidos variou de 470 a 759 alunos e superou sistematicamente o de formados (146 a 240), com picos de desproporção em 2016 (732 evadidos vs. 167 formados; razão ≈ 4,4:1). No recorte por componentes, Cálculo A (BA 001660) apresentou média final de 3,86, reprovação agregada de 47% (28,6% por nota; 18,3% por frequência) e apenas 17,8% de aprovação com nota; mesmo desconsiderando matrículas em andamento e dispensas, a taxa de sucesso entre concluintes permanece inferior à metade. Esses achados evidenciam gargalos relevantes nas disciplinas de base em matemática, com potencial impacto direto sobre a permanência estudantil. Conclui-se que a elevação dos índices de permanência com sucesso nos cursos de Engenharias requer a integração e articulação do currículo com princípios da Educação Matemática Crítica, associada ao fortalecimento de apoios acadêmicos específicos. Além disso, destaca-se a realização de investigação qualitativa com estudantes, combinadas ao monitoramento contínuo de indicadores quantitativos e evidências qualitativas por corte de componentes curriculares, visando identificar fatores pontuais que impactam na permanência com sucesso dos estudantes
As Raízes da Paradiplomacia das Cidades Gêmeas de Santana do Livramento e Rivera.
As relações entre Brasil e o Uruguai são marcadas por uma união comercial e diplomática, evidentes em suas fronteiras pacíficas e estáveis. A harmonia dessa cooperação pode ser vista na Fronteira da Paz, como são conhecidos os limites entre a cidade brasileira de SantAna do Livramento e a cidade uruguaia de Rivera. Entretanto, ao contrário das outras divisas brasileiras com o próprio país oriental e os demais vizinhos sul americanos, esses municípios são integrados de forma sociocultural e geográfica, sendo apenas delimitados por uma praça simbólica, sem restrição de circulação de bens e pessoas, formando uma grande comunidade integrada e binacional. Diante disso, a seguinte pesquisa tem como objetivo identificar quais foram as raízes históricas dessa cooperação, não só destrinchando os conceitos de paradiplomacia e cidades gêmeas, como também analisando o processo de formação da região e fundação dos municípios. A metodologia usada foi a pesquisa bibliográfica, realizando uma abordagem qualitativa dos fatos apresentados com o objetivo exploratório. Sob esse viés, o conceito de paradiplomacia é definido como a inserção ou ação direta internacional de atores subnacionais, sejam eles cidades, regiões, unidades federativas, cantões ou qualquer outra entidade subjugada ao Estado, significando diplomacia paralela, cuja criação do termo é atribuída aos autores Panayotis Soldatos e Ivo Duchacek. Na Fronteira da Paz, o conceito é praticado pelos poderes públicos municipais, que cooperam na formulação de leis e ações socioeconômicas e culturais, em prol da comunidade binacional historicamente formada. Outrossim, para concluir a discussão teórica, é imprescindível entender que cidades gêmeas são cidades fronteiriças com potencial de integração econômica e cultural, cujo termo foi estabelecido pelo Ministério de Integração Nacional em 2014, através de uma portaria publicada no Diário Oficial da União, a qual incluiu SantAna do Livramento entre os 29 municípios que se enquadram nesse termo. Tendo esse viés, as duas cidades estão inseridas em uma região integrada de forma histórica e geográfica. Para entender como esses dois conceitos são tão emblemáticos nessa localidade, é fundamental entender seu contexto geográfico e histórico. Dominado pelas pradarias do Pampa e habitado originalmente pelos charruas, minuanos e guaranis, foi uma localização extremamente disputada pelos colonizadores ibéricos. Pelo Tratado de Tordesilhas, ficou definido que a parte mais ao sul, que hoje são o Rio Grande do Sul e o Uruguai, seria da Coroa espanhola. Em grande parte desse território, foram criadas as Missões, cidades controladas pelos jesuítas, com produção de gado e mão de obra indigena, sendo a localização atual de SantAna do Livramento uma estância missioneira. No entanto, os limites dos Tratado foram violados por ambas as partes, e especialmente por Portugal que fundou a cidade de Colônia de Sacramento em 1648, na foz do Rio da Prata, garantindo a ocupação da região sul, até 1750, com o Tratado de Madri, quando teve que ceder a Colônia em troca dos Sete Povos das Missões, e da reivindicação das fronteiras naturais. Após disputas e guerras entre as potências colonizadoras, foi só em 1801 que a fronteira do Brasil foi fixada no Rio Quaraí. Os Sete Povos, entraram em decadência e passaram a ser distribuídas como sesmarias, e a fronteira sendo de extrema importância para o transporte de mercadorias, ao caminho para Montevideo e diretamente ligada ao Prata. Diante dessa importância, a aglomeração de Nossa Senhora de Livramento foi fundada em 1823, elevada a Vila em 1856, separada de Alegrete e finalmente chamada de Cidade em 1876. Durante esse processo, a cidade manteve o transporte de mercadorias com Montevideu, mesmo após se tornar capital da República Oriental do Uruguai, que conquistou a independência do Império de D. Pedro II em 1828. Enquanto mantinha uma relação comercial, também serviu de ponto estratégico para os farroupilhas, durante a Guerra dos Farrapos, mas também para as intervenções políticas e militares do Brasil no país uruguaio imerso em sangrentas guerras civis. Devido a isso, a Villa de Ceballos foi criada em 1862, e mais 5 anos mais tarde se tornaria Rivera, para conter o avanço brasileiro e também recuperar as mercadorias de Montevidéu. Assim como o sul do Rio Grande do Sul foi influenciado pelo Prata, o norte uruguaio absorveu muitas características luso-brasileiras. Não foi diferente nas duas cidades fronteiriças, onde foi necessário integrar os dois lados para suprir a longa distância de suas respectivas capitais, o que por sua vez criou uma comunidade binacional, onde a população é formada por doble chapas e se comunica através do portunhol. Por fim, os resultados do seguinte estudo são que as raízes da paradiplomacia começaram na cultura dos nativos do Pampa, nas disputas ibéricas, e na política externa do Brasil com o Uruguai no século XIX, que impactaram em um laço histórico e forte das cidades gêmeas
Da Violência à Graça: o Sincretismo na Religiosidade Brasileira
Para grande parte da sociedade, a religião é um dos principais meios onde o sujeito busca estar inserido em um mundo de acordo com suas crenças e sua fé, trata-se de uma das mais importantes manifestações culturais existentes, e com o propósito de compreender tais manifestações culturais, o presente trabalho, que procederá por meio de levantamento bibliográfico e análise in loco de espaços de culto, tem como intuito pesquisar o surgimento das religiões afro-brasileiras e o sincretismo religioso que se manifesta entre essas religiões e o catolicismo, mais notadamente na Umbanda. A origem das religiões afro-brasileiras se encontra no contexto histórico da escravidão no Brasil, quando ocorre a Diáspora Africana para as terras brasileiras. Todavia, a religião que predominava no Brasil no momento era o Catolicismo, e qualquer outra doutrina era considerada ilegal. Arrancados de suas comunidades de origem e de seus modos próprios de organização social, política, econômica e cultural, os africanos levados pela diáspora enfrentaram uma dupla ruptura, por um lado de território e por outro lado de liberdade, pois, ainda na África, ao serem capturados em guerras, sequestrados ou vendidos, ficaram privados da liberdade e de decidir seus próprios caminhos, e posteriormente, no chamado Novo Mundo, para onde foram conduzidos contra a própria vontade, os africanos encontravam-se privados de meios efetivos de inserção social, exceto na condição de escravizados. Ainda assim, a resistência ao processo de exploração e violência a que foram submetidos não se apoiava, em um primeiro momento, em recursos materiais, econômicos ou políticos, mas sobretudo na preservação da sua integridade física e moral, tanto individual quanto coletiva, sustentada pela memória ancestral e pelos valores culturais transmitidos pela coletividade. Com isso, os trabalhadores escravizados sentiam que era indispensável buscar conforto nas suas tradições religiosas, isto é, em suas entidades, pois, para eles, a religião significava promover conforto aos seus corações aflitos e por isso buscavam força e resistência por meio de sua fé. Portanto, a presença de povos africanos na colônia portuguesa trouxe, entre outras diversas contribuições, sua religiosidade e o culto aos Orixás, entidades vinculadas às forças da natureza e dotadas de características próprias, comparáveis às divindades de outras tradições culturais. Além disso, os Orixás são concebidos como guias e regentes da vida humana, influenciando aspectos da personalidade e acompanhando os indivíduos em sua trajetória existencial. Com essa necessidade dos povos cativos de adorar seus Orixás e cultuar sua religião, a configuração religiosa no Brasil estruturou-se a partir de um processo sincrético, no qual a Igreja Católica, embora detentora de posição dominante, não permaneceu imune às influências da comunidade africana. Este processo sincrético foi de mão dupla, tanto as religiões de Matriz Africana incorporaram práticas e elementos simbólicos do catolicismo, quanto a prática católica também incorporou das tradições das religiões de Matriz Africana elementos de sua religião. Tal assimilação de referências culturais constituiu, desde então, uma expressão concreta de sincretismo religioso, que nasce dessa repressão, ou seja, da proibição dos negros em cultuar sua fé em suas entidades. Contudo, se a Umbanda, assim como outras vertentes de religiões de Matriz Africana, buscou pelo sincretismo um meio de legitimidade, é possível afirmar também que essa religiosidade brasileira pode ser considerada como uma metáfora do processo de miscigenação da nossa sociedade. Conforme traz Marcelo Alonso Morais em seu texto O sincretismo religioso como elemento legitimador da Umbanda: uma breve reflexão a partir da obra Casa Grande e Senzala, citando nisso Renata de Castro Menezes, o sincretismo religioso constitui não apenas uma característica particular dessa religiosidade, mas também uma das singularidades da sociedade brasileira. Desse modo, afirma-se que o sincretismo envolvendo santos católicos, Orixás, divindades indígenas e outras entidades de outras tradições, originado no período colonial, constitui um elemento fundamental da Umbanda. Tal processo integra a própria configuração da religiosidade brasileira, que se desenvolve a partir da intersecção entre diferentes práticas religiosas e o catolicismo introduzido pelos colonizadores portugueses. Em síntese, muitos africanos convertidos ao catolicismo passaram a cultuar santos católicos que, de alguma forma, apresentavam características ou histórias semelhantes aos Orixás
O Afrofuturismo como Ferramenta Decolonial em Tales of Kenzera: Zau
O processo decolonizador exige, fundamentalmente, uma revolução na cultura e nas narrativas que consumimos. O afrofuturismo emerge nesse contexto como um gênero vital, que utiliza a ficção para reimaginar e construir futuros a partir de uma perspectiva africana. O jogo Tales of Kenzera: Zau é um exemplo notável de como essa filosofia se traduz em uma ferramenta decolonial, desmantelando narrativas hegemônicas e reafirmando a agência de povos que foram historicamente marginalizados na mídia, em especial a dos jogos eletrônicos. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é analisar como o jogo utiliza o afrofuturismo como uma ferramenta decolonial, subvertendo narrativas hegemônicas no universo dos jogos eletrônicos. O trabalho se baseia em uma análise qualitativa e de conteúdo, examinando elementos específicos do jogo, como sua estética, narrativa, design de personagens e trilha sonora, para compreender como eles refletem e promovem a filosofia afrofuturista. A abordagem de análise de conteúdo foi utilizada para identificar as camadas de significado e as estratégias decoloniais incorporadas na obra, permitindo uma imersão profunda na forma como o jogo subverte as convenções de fantasia eurocêntricas e reimagina o que é considerado "fantasia". A força decolonial do jogo começa com sua estética e design, em uma indústria dominada por convenções de fantasia europeia, como castelos e cavaleiros, Zau subverte o gênero ao imergir o jogador em um universo visual e sonoro profundamente enraizado na mitologia Bantu. Paisagens vibrantes, arquitetura inspirada em reinos africanos antigos e um design de personagens que remete a rituais ancestrais não são meros adereços, eles são um ato político que desafia a invisibilidade cultural e demonstra que a riqueza da arte e da história africana é capaz de sustentar narrativas épicas e de apelo global, redefinindo o que é considerado "fantasia". A narrativa do jogo reforça essa missão, sendo a jornada de Zau o resgate da alma de seu pai não por uma busca por glória pessoal, mas um profundo estudo sobre o luto e a reconexão com os ancestrais. Essa escolha subverte o clichê do herói ocidental e enraíza a trama em uma cosmologia africana, onde a sabedoria dos ancestrais não é uma relíquia do passado, mas uma fonte viva de poder e conhecimento. Ao honrar essa visão de mundo, o jogo não apenas resgata uma narrativa oprimida, mas também argumenta que a decolonização exige uma reavaliação do passado para a construção de um futuro mais autêntico. O afrofuturismo, como projeto político, alcança seu ápice na fusão de espiritualidade e tecnologia presente no jogo. A tecnologia, frequentemente vista como um motor do progresso ocidental que marginalizou outras culturas, é reimaginada como uma força que coexiste e se manifesta através da natureza e da tradição. As habilidades de Zau, que unem magia e inovação, rompem a dicotomia imposta pela modernidade colonial, provando que a tradição e o futuro não são opostos, mas complementares. A obra, assim, oferece uma visão de futuro onde a identidade cultural pode prosperar junto à inovação, sem precisar ser sacrificada. O papel de obras culturais como Tales of Kenzera: Zau reside não apenas em sua originalidade, mas em sua capacidade de provar a viabilidade e a demanda por narrativas decoloniais. Em suma, a análise de Tales of Kenzera: Zau revela que o afrofuturismo não é apenas um gênero estético, mas uma ferramenta política poderosa para a decolonização narrativa, subvertendo narrativas hegemônicas e revalorizando a agência cultural. O sucesso de Zau demonstra que há um público ávido por histórias que celebram a cultura e a identidade africana. Essa tendência se expande para plataformas mainstream com a animação Iwájú da Disney+, que ao apresentar uma versão futurista de Lagos, desenvolvida em colaboração com a produtora nigeriana Kugali, valida a importância do afrofuturismo em uma escala massiva, quebrando a invisibilidade imposta por décadas de eurocentrismo. O sucesso de mercado dessas narrativas decoloniais força a indústria cultural a reconhecer o potencial criativo e a agência de produtores não-ocidentais, abrindo espaço para mais histórias autênticas e pavimentando o caminho para uma cultura global mais diversa e equitativa. Elas são, em última análise, ferramentas de poder e resistência, essenciais na longa luta por justiça narrativa e autodeterminação cultural