Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil

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    A violência sexual, caracterizada por atos sexuais impostos sem consentimento, é uma das mais graves violações dos direitos humanos, afetando principalmente mulheres, crianças e adolescentes. Mundialmente, estima-se que uma em cada três mulheres já tenha sofrido algum tipo de violência sexual. No Brasil, milhares de casos são registrados anualmente, a maioria envolvendo agressores próximos às vítimas, como familiares, parceiros íntimos ou conhecidos. Essa realidade é agravada por fatores estruturais como machismo, racismo, transfobia, pobreza e desigualdade social, que aumentam a vulnerabilidade de determinados grupos e dificultam o acesso à proteção e à justiça. Os impactos da violência sexual são profundos, abrangendo danos físicos, psicológicos e sociais, resultando em traumas duradouros que comprometem a saúde, a dignidade e os direitos das vítimas. Este estudo tem como objetivo analisar os dados do Disque 100 referentes às denúncias de violência sexual no Brasil, com foco nos anos de 2023 e 2024, discutindo suas principais manifestações e desdobramentos sociais. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada em pesquisa documental, com dados extraídos dos relatórios do Disque 100. A coleta foi guiada por um roteiro de análise, e a interpretação dos resultados utilizou a técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2016), permitindo compreender tanto os números quanto o contexto social que os produz. Violência sexual compreende qualquer ato sexual imposto a outra pessoa sem seu consentimento, por meio de coerção, manipulação ou abuso de poder. Conforme Villela (2007) e Souza (2018), trata-se de uma prática socialmente construída e historicamente associada às relações de poder marcadas pela dominação masculina, o que reforça sua dimensão estrutural. Suas principais formas incluem abuso sexual, que envolve atos sexuais com ou sem contato físico, como estupro e assédio; exploração sexual, caracterizada pelo uso de pessoas para fins sexuais mediante vantagem econômica, social ou material, incluindo exploração agenciada, pornografia infantil, tráfico e turismo sexual; e assédio sexual, no qual há constrangimento da vítima para obtenção de favores sexuais em situações de poder ou ascendência. Vivarta (2003) destaca que essas manifestações podem ocorrer com ou sem contato físico, sendo todas marcadas por consequências irreversíveis para as vítimas, sobretudo crianças e adolescentes. Os dados do Disque 100 evidenciam a gravidade do problema e o aumento das denúncias nos últimos anos. Em 2023, nos quatro primeiros meses, foram registradas cerca de 69,3 mil denúncias, das quais 9,5 mil envolveram violência sexual, incluindo abuso, estupro e exploração, além de 17,5 mil casos de violência física e psicológica contra crianças e adolescentes. Em 2024, o total de denúncias chegou a 657,2 mil, um crescimento de 22,6% em relação a 2023, que registrou 536,1 mil ocorrências. Destas, 289,4 mil referiam-se a crianças e adolescentes. Entre janeiro e maio de 2024, houve 7.887 denúncias de estupro de vulnerável, uma média de dois casos por hora, revelando a dimensão alarmante do fenômeno. A análise mostra que o ambiente doméstico é o espaço de maior vulnerabilidade, concentrando entre 60% e 82% dos casos, seguido do ambiente comunitário, como vizinhança e escola, quando o agressor é conhecido da vítima. Em menor proporção, foram registrados casos em instituições como abrigos, escolas e igrejas, sempre vinculados a relações de confiança e poder. Outro dado preocupante é o aumento das violências sexuais online: no primeiro quadrimestre de 2023, foram 763 denúncias e 1,4 mil violações em ambientes virtuais. Constata-se que a violência sexual não é um ato isolado, mas um fenômeno complexo e multidimensional, profundamente enraizado em desigualdades históricas e sociais, como machismo, racismo e transfobia, que reforçam relações de poder desiguais e dificultam a proteção das vítimas. O perfil dos agressores, geralmente pessoas do convívio da vítima, confirma a natureza doméstica e estrutural dessa violência. Ao mesmo tempo, o aumento das denúncias indica tanto o agravamento da vulnerabilidade social quanto maior visibilidade do problema, associada ao fortalecimento dos canais de denúncia e ao trabalho das instituições especializadas. Diante desse cenário, conclui-se que o enfrentamento da violência sexual exige políticas públicas integradas, voltadas à prevenção, proteção e responsabilização dos agressores, além do atendimento especializado às vítimas. É fundamental fortalecer a rede de proteção social, capacitar continuamente profissionais e promover a educação para a igualdade de gênero, como forma de romper os mecanismos que reproduzem essa violência. Somente por meio de ações coletivas, interdisciplinares e comprometidas com os direitos humanos será possível reduzir a incidência da violência sexual e garantir dignidade às vítimas

    O EFEITO CONTÁGIO PRESENTE NA TRAJETÓRIA DO IBOVESPA: UMA ANÁLISE EM RELAÇÃO AOS MAIORES MERCADOS GLOBAIS (1999-2023)

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    O fenômeno do efeito contágio entre mercados financeiros tem sido amplamente discutido na literatura em decorrência de crises globais, como a crise do subprime em 2007 e a pandemia de COVID-19, que intensificaram os vínculos entre diferentes bolsas de valores ao redor do mundo. Neste contexto, este estudo tem como objetivo analisar a interdependência entre o mercado acionário brasileiro, representado pelo Ibovespa, e sete dos maiores mercados internacionais, sendo estes, Nasdaq, Shenzhen, S&P 500, SSE Composite, Dow Jones, S&P/TSX e EGX 30, ou seja, no período de 1999 a 2023. A metodologia adotada baseou-se na utilização do modelo econométrico de Vetores Autorregressivos (VAR), aplicado a dados diários de fechamento, com estimações complementares de testes de estacionariedade, cointegração de Engle-Granger, causalidade de Granger, além da função resposta a impulso e decomposição da variância, possibilitando avaliar a intensidade e a duração dos choques externos sobre o mercado brasileiro. Os principais resultados indicaram que as séries analisadas são estacionárias e não apresentam cointegração de longo prazo, sugerindo que os mercados seguem dinâmicas próprias, embora tenham sido verificadas influências de curto prazo. Destaca-se que o mercado egípcio (EGX) e o conjunto agregado dos mercados apresentaram maior grau de causalidade sobre o Ibovespa, o que reforça a importância de observar não apenas as bolsas mais tradicionais, mas também mercados emergentes em determinados contextos. As funções de resposta a impulso evidenciaram que os choques externos tendem a impactar o Ibovespa de forma transitória, dissipando-se em até 30 dias, enquanto a decomposição da variância revelou que, embora a maior parte da explicação da série seja atribuída ao próprio Ibovespa, existe contribuição crescente, ainda que pequena, de outros mercados a partir do segundo dia após o choque. As análises realizadas demonstram que, apesar de o contágio ser relevante em momentos de crise, o mercado brasileiro mantém relativa autonomia estrutural no longo prazo, o que realça a importância de políticas de mitigação de risco e da diversificação internacional de portfólios como estratégias para aumentar a resiliência frente às crises financeiras globais. Complementarmente, ressalta-se que a literatura sobre finanças internacionais evidencia que os padrões de contágio não se distribuem de forma uniforme, variando conforme a intensidade das crises, a liquidez dos mercados e o grau de abertura financeira das economias analisadas. Nesse sentido, a compreensão da natureza dessas interdependências permite identificar não apenas vulnerabilidades conjunturais, mas também potenciais canais de transmissão que podem ser mitigados por políticas macroprudenciais mais robustas. Além disso, ao considerar o papel dos mercados emergentes no processo de propagação de choques, observa-se que o Brasil, por sua dimensão econômica e relevância regional, ocupa posição estratégica no debate sobre estabilidade financeira global. Assim, o estudo contribui ao oferecer evidências empíricas que auxiliam investidores, formuladores de políticas e acadêmicos a compreender melhor como fatores externos podem repercutir sobre o desempenho doméstico, reforçando a necessidade de permanente monitoramento das conexões internacionais e de estratégias que assegurem maior previsibilidade e resiliência diante de choques adversos. Agradecimento: O presente trabalho foi realizado com apoio da EDITAL N° 139/2025 (PIBIC-AF) - CNPQ/ UNIPAMPA

    Êxodo Rural no Rio Grande do Sul: Uma Análise Comparativa Entre os Municípios

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    O êxodo rural consiste na migração de pessoas do campo para a cidade, motivadas por múltiplos fatores, os quais incluem a busca por melhores condições econômicas e de qualidade de vida. Este fenômeno não é recente, pois está intrinsicamente associado as dinâmicas históricas que caracterizaram a sociedade brasileira ao longo do tempo. Conquanto, o êxodo rural ainda perdura na contemporaneidade, representando uma problemática ainda mais acentuada quando se observa a parcela jovem da população. Isso porque os jovens representam a permanência e a manutenção das atividades rurais sendo que quando o êxodo rural da juventude se intensifica maximizam-se as preocupações com o futuro das atividades agrícolas. Ante a esse cenário, evidencia-se que embora o Rio Grande do Sul seja reconhecido nacionalmente como um dos estados com maior potencial agrícola e pecuário, a proporção de indivíduos que residem no meio rural é inferior a proporção brasileira, correspondendo a 12,50% e 12,59%, respectivamente. Nesse sentido, a pesquisa realizada teve como objetivo identificar o panorama dos munícipios gaúchos quanto ao êxodo rural, haja vista a heterogeneidade socioeconômica, cultural e produtiva que caracteriza o Estado. Para tanto, foi desenvolvido um estudo quantitativo e descritivo executado por meio de dados secundários. Os dados utilizados foram obtidos através do último censo demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2022 e publicizados de maneira aberta e gratuita pelo Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA). As variáveis analisadas consistiram no número de habitantes em cada um dos 497 municípios do Estado, bem como a sua situação de domicílio (rural ou urbana) e faixa etária. Para auxiliar na organização dos dados e na operacionalização de análises estatísticas descritivas foram empregadas planilhas eletrônicas e representações gráficas. Os resultados obtidos demonstraram que o município cuja maior parcela de habitantes é residente no meio rural consiste em Chuvisca (92,67%), seguido por Coronel Pilar (87,74%), Passa Sete (86,14%), Barão do Triunfo (85,89%) e Gramado Xavier (84,59%). Em consonância, observa-se que Chuvisca corresponde ao município gaúcho com a maior parcela de jovens de 15 a 29 anos que moram no campo, correspondendo a 93,57% dos indivíduos com a referida faixa etária. Em seguida, evidencia-se a participação de São Valério do Sul, onde 88,89% dos jovens residem no campo. Salienta-se que 79,63% da população total deste território moram no meio rural, de modo a não estar elencado no ranking dos municípios com maior quantidade de residentes no meio rural. Evidencia-se ainda que Passa Sete, Gramado Xavier e Triunfo contam com 87,92%, 86,48% e 86,15% de seus jovens residindo no campo, respectivamente. Reverbera-se que a definição etária dos jovens ocorreu com base na Lei nº. 12.852, de 5 de agosto de 2013, a qual estabelece o Estatuto da Juventude. Evidencia-se ainda que existem municípios gaúchos que são essencialmente urbanos, como é o caso de Alvorada e Cachoerinha. Não obstante, destaca-se que a identificação do panorama sociodemográfico da população rural de tais municípios oportuniza a análise conjunta de fatores que envolvem a matriz produtiva dos territórios, a qualidade e o acesso às instituições de educação e as condições de saúde. Logo, emergem contributos que podem auxiliar no desenvolvimento e na implementação de políticas públicas orientadas a valorização do meio rural e a permanência do jovem no campo. Por fim, reverbera-se ainda que estes resultados de pesquisa integram um macroprojeto de investigação, o qual envolve também a coleta de dados primários para o detalhamento da realidade apontada em indicadores oficiais, tanto considerando a importância da permanência do jovem no campo, quanto os desafios advindos da intensificação da urbanização

    Desenvolvimento e Caracterização Experimental de Antenas para Radionavegação para Veículos Lançadores de Pequenos Satélites

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    A constante evolução tecnológica no âmbito das comunicações implica na necessidade de um país ter um domínio abrangente sobre essa área. Um exemplo clássico são as comunicações no setor espacial, onde o estabelecimento de uma comunicação confiável, segura e (na medida do possível) instantânea é imprescindível. Dentro deste contexto, tem-se a necessidade de se projetar um sistema a ser embarcado em veículos espaciais que faz com que a comunicação seja possível. Tal sistema é fortemente dependente da teoria eletromagnética, uma vez que a melhor forma de estabelecê-lo é por meio de ondas eletromagnéticas transmitidas e/ou recebidas por antenas. O sistema a ser abordado neste trabalho diz respeito a antenas para radionavegação, responsáveis por receber sinais de sistemas globais de navegação via satélite (GNSS). O Brasil busca ter maior domínio sobre esta tecnologia, justificando-se, assim, o desenvolvimento deste trabalho. Para que a radionavegação por veículos espaciais seja viável, as antenas devem estar conformadas à superfície externa sem interferir fortemente na aerodinâmica nem acrescentar peso considerável à estrutura. O sistema também deve ser robusto para suportar as condições extremas de um lançamento, sendo capaz de permanecer operacional durante toda a missão espacial. Com esses pré-requisitos, escolheu-se trabalhar com antenas de microfita, pois atende às necessidades dessa aplicação. Portanto, o objetivo deste trabalho é o projeto, a análise e a construção de uma rede de antenas de microfita conformadas à superfície de um foguete em sua versão escalonada, para fornecer uma cobertura omnidirecional no plano de rolamento do veículo (i.e. que cobre todas as direções ao redor do foguete), possuindo uma polarização circular à direita. Para tanto, divide-se o trabalho em análise eletromagnética feita por meio do software comercial ANSYS HFSS e prototipagem (construção e medição). Divide-se a análise eletromagnética em: definição do fator de escala; projeto do elemento simples em geometria planar e conformada; definição do número de antenas a compor a rede; projeto da rede de antenas e integração da rede à superfície cilíndrica. Após análises, o fator de escala foi definido em 7,3, sendo aplicado para reduzir as dimensões do foguete usado como modelo e, como consequência, multiplicado pela frequência de operação de 1,575 GHz (banda L1 do GPS), resultando em 11,49 GHz. O projeto do elemento simples conformado resultou em uma antena com patch quase quadrado com dimensões L = 8,08 mm e W ≅ 8,37 mm e alimentação pela diagonal, feita com um conector SMA ligado ao patch por meio de dois transformadores de 𝜆g/4 para casamento de impedância. Os resultados demonstraram um bom nível de ganho (6,36 dBi) com uma discriminação de polarização cruzada (XPD) de 26,9 dB, indicando polarização circular com elevada pureza, e um coeficiente de reflexão (S11) de -41,11 dB, validando este modelo para posterior prototipação. Para definição do número de elementos na rede, um código foi implementado em MATLAB, o qual fornece o diagrama de irradiação em função do número de antenas. Ao final do estudo, verificou-se a necessidade de 32 antenas para um diagrama omnidirecional. Assim, a rede foi subdividida em quatro sub-redes de oito elementos cada. Após o modelamento de uma sub-rede 1x8 planar, os resultados obtidos foram um S11 = -31,72 dB, uma razão axial de 0,37 dB e um ganho de 13,9 dBi com uma XPD = 32,97 dB, demonstrando um excelente desempenho. O projeto da rede completa em geometria conformada ainda está sendo desenvolvido. No que diz respeito à prototipação da maquete do foguete, um cilindro metálico de 1,64 m de altura será utilizado e está em processo de finalização para instalação das antenas. Assim, tem-se que o projeto está sendo executado de maneira satisfatória e, como continuação do mesmo, pretende-se prototipar o elemento simples e a rede de 32 antenas, para realizar a medição dessas estruturas dentro das dependências do Laboratório de Eletromagnetismo, Micro-ondas e Antenas (LEMA), na UNIPAMPA, de modo a validar o bom desempenho deste importante componente do sistema de comunicação

    Otimização de Filtros de Decimação Multiestágio para Conversores Sigma-delta

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    Na conversão de sinais de áudio por moduladores sigma-delta, a obtenção de alta resolução sonora está intrinsecamente ligada à eficácia do filtro digital de decimação subsequente. Estes conversores alcançam alta precisão através de sobreamostragem, operando a uma frequência de amostragem alta (neste caso, 6,144 MHz), e modelagem de ruído, um processo que remove o ruído de quantização da banda de frequência de interesse, deslocando-o para frequências mais altas. O filtro de decimação torna-se, então, um componente essencial com a dupla responsabilidade de reduzir a elevada taxa de dados do modulador para uma taxa de saída de 48 kHz, próxima à de Nyquist, e simultaneamente atuar como um filtro anti-aliasing de alta performance para atenuar o ruído de alta frequência, independentemente de sua origem ser o processo de modelagem do modulador ou o próprio sinal de entrada. A implementação física destes filtros, especialmente dos estágios de Resposta Finita ao Impulso (FIR) que exigem um grande número de multiplicações, representa um desafio significativo em projetos de circuitos integrados, impactando diretamente a área de silício e o consumo de potência. Este trabalho detalha uma pesquisa focada na otimização de hardware para um filtro de decimação de múltiplos estágios, com a abordagem dividida em três fases. A primeira fase, já concluída, consistiu no projeto, implementação e validação de uma arquitetura de referência. O objetivo principal era desenvolver um filtro capaz de preservar integralmente o número efetivo de bits (ENOB) de 17,91 de um modulador de terceira ordem, enquanto se otimizava a área e o consumo de potência. Para isso, foi projetada uma arquitetura em cascata com três estágios: um filtro integrador-comb (CIC) de quinta ordem, seguido por um filtro FIR de compensação de 16ª ordem e um filtro FIR half-band de 74ª ordem. A otimização crucial implementada foi o uso de um único multiplicador compartilhado para ambos os estágios FIR, que é multiplexado no tempo para executar sequencialmente todas as multiplicações necessárias. O desenvolvimento desta fase utilizou um fluxo de projeto completo: a modelagem e simulação do sistema foram realizadas no ambiente Matlab/Simulink; a codificação da arquitetura foi feita em SystemVerilog; a verificação funcional do código HDL foi executada no Modelsim; e, por fim, a síntese física e a análise de potência foram conduzidas com as ferramentas Cadence Innovus e Xcelium, tendo como alvo um processo CMOS de 65 nm. Os ensaios da primeira fase foram bem-sucedidos, confirmando que a arquitetura de referência atende às especificações de projeto, com o ripple na banda passante mantendo-se dentro do limite de ±0,005 dB e alcançando a atenuação desejada na banda de corte, que superou os 90 dB. Com a validação desta linha de base, a segunda fase da pesquisa, que se inicia agora, consistirá na implementação de uma segunda versão do filtro, na qual o multiplicador compartilhado será substituído por uma abordagem sem multiplicadores. Esta abordagem é baseada na técnica de Multiplicação de Matrizes de Constantes (CMM), originalmente aplicada à decomposição dos coeficientes trigonométricos (twiddles) da FFT e que, neste trabalho, será adaptada para os coeficientes dos filtros FIR do decimador. O objetivo é realizar as multiplicações por constantes via redes de somas, subtrações e deslocamentos de bits (shift-add), visando uma redução adicional de área e potência. Após esta etapa, a pesquisa avançará para a terceira e última fase, que consistirá na análise e comparação detalhada das duas abordagens implementadas. Será realizada uma avaliação comparativa da síntese física em circuito integrado de ambos os filtros (o com um multiplicador e o sem multiplicador), focando em métricas cruciais de hardware, como a área total de silício e a potência estimada, para fornecer diretrizes quantitativas sobre a abordagem mais eficiente

    Caracterização Eletromagnética da Cinza de Capim Annoni, Usando Cavidade Ressonante

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    Luiz Gustavo Paulista da Silva, discente de graduação, Universidade Federal do Pampa, Campus Alegrete; Wagner Castro, docente, Universidade Federal do Pampa, Campus Alegrete; Edson R. Schlosser, docente de graduação, Universidade Federal do Pampa, Campus Alegrete; Marcos V. Thomas Heckler, docente de graduação, Universidade Federal do Pampa, Campus Alegrete; Luis E. G. Armas, docente, Universidade Federal do Pampa, Campus Alegrete. Email: [email protected] Com a ampla exploração de ondas eletromagnéticas (EM) na tecnologia moderna, muitos problemas relacionados à interferência e poluição EM surgiram. Portanto, absorvedores de ondas EM estão em crescente demanda em muitos campos civis e militares, seja para proteger seres humanos da irradiação de ondas EM ou para evitar que equipamentos militares sejam detectados por ondas de radar. Absorventes de ondas EM ideais são leves, com forte absorção e ampla largura de banda para absorção de ondas EM com base na espessura de correspondência fina. Muitos estudos foram conduzidos na busca por esse alvo, a maioria dos quais se concentra em materiais baseados em perda elétrica, perda magnética ou uma combinação de ambos. Absorventes de perda elétrica, como polímeros, fibras de carbono, nanotubos de carbono, fibras de SiC e assim por diante, exibem vantagens como baixa densidade, alta resistência e alta resistência à temperatura. Neste contexto, atualmente a pesquisa está voltada à procura de materiais, com boas propriedades de absorção EM, provenientes de resíduos agrícolas, tais como casca de arroz, casca de milho, entre outras. Razão pela qual o objetivo deste trabalho é caracterizar a cinza da erva de capim annoni (CCpA) usando o método de cavidade ressonante. Estes estudos estariam contribuindo com sustentabilidade ambiental, visto que o CA é considerado uma praga invasora dos campos agrícolas, não servindo nem como pastagem dos animais. Com a finalidade de cumprir com o objetivo proposto, o CA foi submetido a uma limpeza com água de torneira e água deionizada, posteriormente seco em estufa por 24h, e queimado nas temperaturas de 300 e 400 °C por um tempo de 60 min. Seguidamente, diferentes porcentagens de CCpA foram misturadas com diferentes porcentagens de bakelite (Bk) para fabricar amostras cilíndricas de 28 mm de diâmetro e 4,5 mm de altura. A porcentagem foi calculada com respeito ao peso total da amostra. Foram usadas porcentagens de 30% de Bk e 70% de CCpA (Bk30-C70), 40% de Bk e 60% de CCpA (Bk40-C60), 50% de Bk e 50% de CCpA (Bk50-C50), 60% de Bk e 40% de CCpA (Bk60-C40) e 70% de Bk com 30% de CCpA (Bk70-C30), com o intuito de determinar, posteriormente, a constante dielétrica relativa (εr) e a tangente de perdas dielétricas (tan δ). A caracterização EM foi realizada inserindo as amostras dentro da cavidade ressonante e medindo os parâmetros S11 (coeficiente de reflexão) e S21 (coeficiente de transmissão), fazendo uso do analisador de parâmetros. Deve-se ressaltar que a bakelite foi usada como aglutinante, visto que amostras cilíndricas apenas com cinza ficam fracas e tendem a esfarelar com o movimento, não podendo ser medidas, sendo que outros aglutinantes ainda pretendem ser testados. Os resultados deste trabalho mostram que a diferença entre a frequência de ressonância da cavidade com a amostra inserida e a cavidade vazia aumenta com o aumento da porcentagem de bakelite, sendo essa diferença maior nas amostras de cinza queimadas a 400 °C. Este comportamento ocorre tanto nos parâmetros S11 quanto em S21. Por outro lado, ao comparar a diferença entre as frequências de ressonância entre amostras a diferentes temperaturas, verificou-se que essa diferença diminui à medida que as porcentagens de bakelite e cinza se igualam. Essa variação pode ser atribuída à variação de εr. De acordo com os resultados apresentados, pode-se concluir que o aumento na variação está relacionado com o aumento de εr e tan δ, e cálculos adicionais estão sendo realizados a fim de determinar esses parâmetros com maior precisão. Portanto, conclui-se que, usando bakelite ou outros materiais aglutinantes, é possível alterar a variação de εr e tan δ em amostras de cinza de capim annoni, possibilitando seu uso na fabricação de absorvedores E

    Avaliação de Propriedades de Argamassas Modificadas com Pó de Madeira no Estado Endurecido

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    A argamassa exerce papel fundamental na construção civil, tendo sido, inicialmente, utilizada apenas como elemento ligante entre blocos cerâmicos. Com o avanço das técnicas construtivas, sua aplicação foi ampliada para funções de revestimento e proteção das edificações, assumindo caráter estrutural e estético. Apesar de as argamassas convencionais ainda serem amplamente empregadas, elas já não suprem integralmente as demandas da construção moderna, que exige maior desempenho mecânico, durabilidade e sustentabilidade. Nesse contexto, novas formulações vêm sendo investigadas, incorporando aditivos químicos, minerais e até resíduos industriais ou agroindustriais, com o objetivo de aprimorar propriedades como trabalhabilidade, resistência e comportamento no estado endurecido. Apesar dos avanços tecnológicos e do desenvolvimento de novos materiais para sistemas de revestimento argamassado, a cadeia produtiva na construção civil frequentemente não assimila estas inovações de forma homogênea. Como consequência, a indústria permanece vinculada a materiais de desempenho limitado e de elevado impacto ambiental, exemplificados principalmente pelo consumo de cimento Portland, cuja produção é altamente energética e responsável por emissões significativas de dióxido de carbono (CO₂). Este descompasso é corroborado por uma série de fatores que afetam negativamente a durabilidade e o desempenho destes sistemas. Tais fatores incluem, mas não se limitam a ausência de detalhamento e falhas em projetos, a inexperiência de profissionais, a mão de obra subqualificada e a redução compulsória dos prazos de execução. A natureza porosa da maioria dos materiais constituintes dos sistemas de revestimento argamassado facilita a penetração de substâncias diversas, o que os torna vulneráveis a agentes de degradação ambientais, climáticos, químicos, físicos ou biológicos. A utilização de resíduos torna-se uma alternativa para que minimizar os impactos ambientais e também contribuir para a melhoria das propriedades dessas composições. Simultaneamente a isso, evidencia-se a destinação inadequada de resíduos sólidos industriais, particularmente aqueles provenientes do setor madeireiro. O pó de madeira é considerado um subproduto abundante e de baixo valor comercial, cuja utilização atual restringe-se à queima ou descarte em aterros, ocasionando impactos ambientais significativos. Dessa forma, a incorporação desse resíduo em materiais de construção, como a argamassa, representa uma alternativa promissora, pois, além de favorecer a sustentabilidade do setor, permite a reciclagem desse material e transformando-o em matéria-prima útil, promovendo soluções construtivas mais eficientes, duráveis e ambientalmente responsáveis. Nesse contexto, o resíduo industrial de Pinus surge como um componente para as argamassas, contribuindo não apenas para o isolamento térmico e acústico, mas também para o desempenho da argamassa no estado endurecido, melhorando propriedades como resistência à compressão, durabilidade, resistência à fissuração e redução da retração. Proveniente de uma árvore de fácil cultivo e rápida colheita, a madeira do Pinus é altamente explorada na indústria madeireira, figurando como a segunda espécie de árvore mais cultivada no Brasil, com 1,9 milhão de hectares de plantação, conforte o relatório mais recente da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ). A presente pesquisa tem como foco a análise do comportamento de argamassas para revestimento que incorporam, como substituto parcial da areia natural, um resíduo da indústria madeireira, ou seja, o pó gerado a partir do processamento de madeira da espécie de reflorestamento Pinus elliottii. Para avalição do comportamento das argamassas será utilizado as recomendações da NBR 13281 que prescreve requisitos informativos como densidade de massa no estado endurecido, resistência de tração na flexão, coeficiente da absorção de água por capilaridade. As hipóteses desta investigação preveem que a composição resultante mantenha propriedades mecânicas satisfatórias, particularmente as resistências de compressão e tração, para aplicação em superfícies de cerâmica e concreto. Adicionalmente, espera-se que a mistura apresente propriedades de adesão ao substrato satisfatórias tendo em vista que esse fator é de suma importância para o desempenho dos revestimentos argamassados

    Produção Textual e a Utilização de Ferramentas Digitais: o Chatgpt Como Mecanismo de Aperfeiçoamento da Escrita Acadêmica

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    A produção textual é uma atividade comum no cotidiano dos acadêmicos do Curso de Letras - Português, da modalidade à distância, da Universidade Federal do Pampa. E por se tratar de um curso específico da área da linguagem, torna-se necessário o conhecimento sobre gêneros textuais e sobre textos, somado ao desenvolvimento de habilidades e competências de escrita para o trabalho com a língua portuguesa e para a própria formação docente. Nesse contexto, levando em consideração a presença da Inteligência Artificial e as ferramentas disponíveis de acesso, trazemos o CHATGPT em especial, para uma tentativa de se pensar a ferramenta como uma potencialidade à escrita, pois é uma realidade a qual não se pode relegar e nem tampouco desconsiderar. Observamos a evidente irreversibilidade das ferramentas proporcionadas pela tecnologia no âmbito educacional e que se encontra numa constante e franca evolução. Por outro lado, atentamos para o fato de que a produção textual precede de originalidade de ideias, poder de cativação e interesse através da produção de textos subjetivos, com características de identidade de escrita que não devem ser substituídas ou degredadas à práxis cada vez mais corriqueiras e que tornam por dar azo uma produção textual mecânica ainda que eminentemente polida. Assim, o estudo em questão, dentre outras ramificações que possui, pretende, nesta oportunidade, promover uma discussão de que é possível aliar a ferramenta nas práticas de sala de aula, desde que adequadamente utilizada, como um mecanismo capaz de auxiliar os discentes no desenvolvimento da expressão de ideias pela escrita. Ou seja, temos como objetivo investigar se o CHATGPT, enquanto ferramenta digital pode auxiliar na capacitação da produção textual escrita, visando apontar alternativas capazes de contribuir para o uso ético e coerente desta ferramenta no âmbito da universidade. Metodologicamente, a pesquisa assume um caráter bibliográfico para estudo da natureza da IA e das ferramentas digitais, traçando um paralelo com o Projeto Pedagógico do Curso em questão, principalmente em Componentes que trazem em sua ementa a produção textual, para, na sequência, organizar o material para investigação do uso do CHATGPT com os acadêmicos matriculados, assumindo um caráter qualitativo. Esta pesquisa de campo nos direciona ao objetivo geral e contextualiza de forma mais significativa à própria realidade institucional. O atual momento do estudo compreende o levantamento de autores e referências ligadas aos conceitos teóricos, visando à promoção de uma reflexão para uma posterior e mais aprofundada discussão a respeito do tema, o qual se pretende dar continuidade no que pertine a sua análise de uma maneira mais apurada. Os estudos e resultados parciais obtidos enquanto contribuições acadêmicas e que se traduzem em parte relevante da pesquisa, referem-se diretamente a abordagens acerca dos problemas relativos às substituições de ideias originais concatenadas na forma de produção textual acadêmica em relação à utilização/substituição destes pensamentos em forma textual escrita pela Inteligência Artificial, e mais especificamente, no que diz respeito à ferramenta CHATGPT, podendo-se inferir até então, que a utilização deste meio digital de comunicação vem afetando sobremaneira as composições textuais, muitas vezes, como meio substitutivo e não colaborativo de aperfeiçoamento e aprimoramento da escrita. Defendemos que as inovações tecnológicas vieram para ficar e estão presentes no cotidiano da práxis docente, e é por isso também que se acredita que por meio da pesquisa e de espaços de interlocução, torna-se possível o compartilhamento de novas práticas educacionais, enriquecendo-se as possibilidades de renovação do processo educativo por meio da salutar e adequada utilização de ferramentas digitais visando à evolução da escrita sem que se corra o risco da perda da identidade do autor, de plágio e de desconhecimento teórico pela simples substituição de uma preambular ideia por tecnologias disponíveis hodiernamente

    Vozes Docentes nas Redes Sociais: Desvalorização, Cansaço e Possibilidades de Formação Continuada

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    Na contemporaneidade, as redes sociais tornaram-se espaços de circulação de discursos que revelam percepções, tensões e desafios vividos pela docência, ao mesmo tempo em que configuram disputas simbólicas acerca do papel do professor na sociedade. Compreender esses discursos torna-se essencial, sobretudo em um cenário marcado por constantes transformações nas condições de trabalho e pela intensificação do debate público sobre educação. Inserida no campo da Análise Crítica do Discurso (ACD), esta pesquisa - vinculada ao PPG em Ensino de Línguas da UNIPAMPA - investiga os discursos, presentes em redes sociais digitais, sobre/de professores. Nesse contexto investigativo, os textos produzidos evidenciam práticas sociais, relações de poder e modos de significar o docente e sua profissão. Parte-se da concepção de que práticas discursivas e sociais se inter-relacionam de maneira bidirecional (Meurer; Dellagnelo, 2008), de modo que as materialidades textuais não apenas descrevem uma dada realidade, mas também contribuem para a constituição e a mudança social. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e interpretativa, com a coleta de postagens públicas em diferentes plataformas sociais que tematizam o cotidiano da profissão docente, incluindo relatos pessoais, comentários, denúncias e reflexões sobre a prática pedagógica. O material foi analisado com base em categorias emergentes dos próprios textos, em diálogo com referenciais que discutem identidade profissional, formação continuada e narrativas docentes. Esse recorte metodológico permitiu evidenciar de que maneira as redes funcionam como espelhos e amplificadores das condições de trabalho docente, e também como espaços de resistência e visibilidade. Os resultados obtidos revelam sentimentos recorrentes de cansaço, desânimo e desvalorização, refletidos em narrativas que associam a docência à sobrecarga emocional, desmotivação e, em alguns casos, ao abandono da carreira. As postagens apontam para uma construção discursiva relacionada à falta de reconhecimento social e institucional, bem como à precarização das condições de trabalho, frequentemente relacionada à ausência de políticas públicas que assegurem a dignidade da profissão. Esse quadro evidencia que a desvalorização não se reduz a uma questão individual ou comportamental, mas emerge como fenômeno coletivo, atravessado por fatores políticos, sociais e culturais. Ao mesmo tempo, nota-se a presença de discursos de resistência e solidariedade, nos quais professores compartilham críticas às condições impostas e gestos de apoio mútuo. Esses achados dialogam com Nóvoa (2009), ao ressaltar o silêncio dos professores nos debates sociais e a urgência de ocupar espaços de fala, e com Varani, Ferreira e Prado (2007), ao apontarem a narrativa como estratégia de socialização de experiências e fortalecimento da identidade profissional. Ao compartilhar vivências em plataformas digitais, os docentes não apenas expressam frustrações, mas elaboram sentidos sobre o trabalho pedagógico, transformando experiências de invisibilidade em testemunhos coletivos que reforçam pertencimento, empatia e reconhecimento entre pares. As interações, materializadas em comentários, curtidas e compartilhamentos, ampliam a potência dessas narrativas, configurando as redes como espaços de formação, nos quais escuta, diálogo e reflexão crítica se constituem em possíveis instrumentos de reconstrução identitária. Conclui-se que as narrativas docentes analisadas, apesar de atravessadas por marcas de sofrimento e exaustão, assumem também uma dimensão política e formativa, funcionando como práticas de resistência diante da desvalorização da profissão e como possibilidades de ressignificação da experiência pedagógica. A análise dos dados sugere que haja formação continuada para além de cursos ou treinamentos formais, potencializadas por práticas discursivas coletivas, emergentes do cotidiano e socializadas em ambientes digitais. Nesse sentido, reafirma-se o professor como agente de saber, de memória e de transformação social, cuja voz, quando fortalecida, contribui para repensar não apenas a profissão, mas também os rumos da própria educação em um contexto de constantes desafios

    Aspectos fonológicos referentes à variação dos sufixos avaliativos -inh-/-zinh-: o caso das proparoxítonas

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    Inserido no projeto Gramática do Português: teoria, análise e ensino, este trabalho tem como objetivo geral mapear a distribuição dos sufixos avaliativos -inh-/-zinh- em relação a aspectos fonológicos em corpus representativo da fala infantil. É vasta a literatura sobre a temática (Santos, Coelho, 2008; Bisol, 2010; Lee, 2013), que mostra predomínio na escolha por formações com -inh- (música > musiquinha). Em relação a aspectos fonológicos, a posição do acento reflete diretamente na escolha de um dos avaliativos: palavras oxítonas e proparoxítonas costumam receber -zinh- (só > sozinho, príncipe > principezinho), enquanto paroxítonas apresentam maior variação, podendo utilizar -inh- ou -zinh- (rede > redinha ~ redezinha). Sobre o número de sílabas, Santos e Coelho (2008) afirmam que as palavras monossilábicas e polissilábicas tendem a receber -zinh- (chá > chazinho, heterossexual > heterossexualzinho); as demais exibem preferência por -inh- (pouco > pouquinho, criança > criancinha). Além disso, para Simioni e Schwindt (2018), o tamanho da palavra - no caso de palavras temáticas - não exerce influência sobre a seleção de -inh- ou -zinh-. Para a metodologia, analisamos a distribuição desses sufixos avaliativos no LEXPORBR Infantil (Estivalet et al., 2019), um corpus composto por legendas de filmes e séries ouvidas por crianças e textos lidos e escritos por crianças, hipotetizando que sufixos avaliativos aparecem com mais frequência e naturalidade na fala voltada ao público infantil. Após a escolha do corpus, filtramos as palavras que continham a sequência -inh-; as palavras que possuíam essa sequência na raiz foram excluídas, assim como nomes próprios e nomes de animais (ex. joaninha, linha, luizinho, caminho). Assim, chegamos a um conjunto de 3.577 palavras, as quais foram classificadas em uma planilha Excel com os seguintes fatores: i) palavra; ii) sufixo; iii) base; iv) segmento final da base; v) número de sílabas da base; vi) número de sílabas do produto; vii) acento da base; viii) classe da base; ix) tipo de gênero da base; x) gênero da base; xi) frequência. Neste recorte, além do resultado geral, apresentaremos os resultados para os aspectos fonológicos: segmento final da base, número de sílabas e acento da base. Primeiramente, é importante mencionar que a distribuição geral dos avaliativos revela preferência por -inh- em 79% dos casos. Os resultados acerca do segmento final da base afirmam que aquelas terminadas em vogal átona preferem receber -inh- (casa > casinha, 77,9%), as terminadas em ditongo oral e consoante variam, optando mais pelo uso do -zinh- (história > historiazinha 84% e dor > dorzinha 90%, respectivamente). As palavras terminadas em ditongo nasal e vogal tônica preferem quase em 100% formações com o sufixo -zinh-, assim como a literatura aponta. Em relação ao número de sílabas da base, as monossílabas e polissílabas preferem -zinh- (ex. sol > solzinho, confraternização > confraternizaçãozinha), assim como afirma a literatura. Sobre o número de sílabas do produto, as palavras polissílabas optam por -zinh-, enquanto as demais por -inh-. De novo, confirmamos o que aponta a literatura. O que chama atenção é a tendência gradual: quanto maior o número de sílabas, maior também a preferência por -zinh-. Ainda, os resultados obtidos em relação ao acento da base mostram que 97% das palavras oxítonas que optam pelo sufixo -zinh- (café > cafezinho) e 93,8% de paroxítonas que preferem -inh- (berço > bercinho), assim como afirmam os teóricos. Em contrapartida, as proparoxítonas contrariam a literatura, pois apresentaram equilíbrio (50%) na variação entre -inh- e -zinh- (lâmpada > lampadinha/lampadazinha). Na etapa atual da pesquisa, que compreende um trabalho de conclusão de curso em andamento, estamos aprofundando o estudo a respeito dessa variação em proparoxítonas, com o objetivo específico de investigar a influência da estrutura da sílaba e da frequência lexical na alternância entre -inh- e -zinh- (xícara > xicrinha ~ xicarazinha). Para a presente metodologia, selecionamos as 36 proparoxítonas do corpus acima descrito, mapeamos as 108 sílabas das bases, classificamos, baseando-nos na Teoria da Sílaba (Selkirk, 1982), os segmentos como ataque, núcleo ou coda no Excel e analisamos as combinações de segmentos que levam à preferência por -inh- e -zinh-. Além disso, verificamos a frequência da palavra base. A análise estrutural parece mostrar que não estão em jogos características isoladas dos fonemas, mas suas restrições fonotáticas. Os resultados sobre a influência da frequência da palavra-base revelam que aquelas com maior frequência (pássaro, rápido, música e máquina) apresentam o apagamento da vogal terminal e optam por -inh- (ex. pássaro > passarinho). Já as com baixa frequência apresentam variação, mas preferem -zinh- (ex. lâmpada > lampadazinha ~ lampadinha), tal como afirma a literatura

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