Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Fontes de Proteína e Eficiência Hídrica: Um Mapeamento Comparativo

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    Com o aumento populacional, a produção de alimentos tornou-se uma tarefa complexa. A proteína é um dos nutrientes que desempenham funções estruturais, metabólicas e regulatórias essenciais ao organismo. As dietas atuais exigem um elevado fornecimento de proteínas, e tornar essa produção sustentável tem sido um grande desafio, seja a partir de fontes vegetais ou animais. Entre os diferentes recursos naturais envolvidos nesse processo, a água ocupa papel central, tanto pela sua escassez crescente em várias regiões do mundo quanto pela intensidade com que é utilizada nas cadeias produtivas. Diante deste cenário, torna-se relevante adotar uma abordagem que relacione a quantidade de proteína fornecida por determinado alimento ao volume de água empregado em sua produção. Isso é de especial relevância em uma região como o Pampa Gaúcho, reconhecida como uma das áreas de recarga do Aquífero Guarani, onde rios como o Uruguai e o Ibicuí, bem como lagoas como a Mirim e a Mangueira, desempenham papel crucial para a biodiversidade e para o abastecimento humano e agropecuário. Tal análise permite identificar quais alimentos são mais eficientes sob o ponto de vista da disponibilidade nutricional por unidade de recurso hídrico, oferecendo subsídios para políticas públicas, recomendações dietéticas e escolhas de consumo mais sustentáveis, que auxiliem na conservação dos nossos rios, lagos e mananciais. Neste sentido, este trabalho tem como objetivo mapear a eficiência hídrica de alimentos considerados fonte de proteína. Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, de natureza quantitativa, com objetivos exploratórios e descritivos. A abordagem metodológica adotada combina procedimentos manuais e automatizados para coleta, tratamento e análise de dados, de modo a possibilitar o mapeamento da eficiência hídrica de alimentos fonte de proteína. Os dados nutricionais foram obtidos a partir da tabela TACO. No que se refere à pegada hídrica, foram utilizadas duas estratégias de coleta: (i) para cereais e leguminosas, os dados foram extraídos da base FAOSTAT, escolhida por sua ampla utilização e metodologia consolidada; (ii) para carnes e ovos, as informações foram obtidas por meio de uma revisão da literatura científica. A revisão da literatura foi realizada na plataforma Periódicos da CAPES, restringindo-se a trabalhos publicados nos últimos dez anos que continham o termo pegada hídrica no título, sem limitação quanto ao tipo de publicação. A busca inicial resultou em 61 trabalhos, dos quais 21 foram considerados pertinentes após avaliação de escopo. O mapeamento entre as fontes nutricionais e os dados de pegada hídrica foi realizado por meio de uma abordagem semiautomática, utilizando um script em Python com a biblioteca Rapidfuzz para aferição de similaridade textual, seguido de uma avaliação manual. Foram testados diferentes limiares de similaridade (50% a 100%), tendo sido adotado o valor de 50% por apresentar o maior número de correspondências identificadas. As correspondências equivocadas foram excluídas manualmente, e matrizes de grande relevância que não foram identificadas automaticamente foram adicionadas manualmente, como a carne de frango, por exemplo. De acordo com a RDC nº 54/2012, um alimento é classificado como fonte de proteína quando contém ao menos 6 g por porção de 100 g, critério adotado neste estudo para a seleção dos alimentos. A análise integrada dos dados permitiu identificar diferenças significativas na eficiência hídrica da proteína entre os alimentos avaliados. Os resultados mostram que alimentos de origem vegetal apresentam, em geral, melhor desempenho quanto à eficiência hídrica da proteína. Embora a carne bovina apresente elevado teor de proteína, sua pegada hídrica extremamente alta compromete sua eficiência, posicionando-a como o alimento com pior desempenho hídrico entre os 17 analisados. Em contrapartida, grãos se destacam pela combinação de bom teor proteico com menor demanda hídrica relativa. O amendoim, a lentilha, e o grão-de-bico em particular, apresentaram maior eficiência da amostra, reafirmando o papel das leguminosas como fontes de proteína sustentáveis. De forma geral, os resultados evidenciam o potencial da produção de grãos como fonte proteica eficiente, contribuindo para a sustentabilidade hídrica sem substituir, mas complementando, as fontes de proteína animal. Ademais, os resultados indicam a importância de desenvolver métodos que tornem a produção de carne bovina mais eficiente do ponto de vista hídrico

    Potencial Forrageiro da Aveia Ucraniana Sob Doses de Nitrogênio em Cobertura em Sucessão Soja

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    A bovinocultura de corte extensiva é a atividade pecuária predominante na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, onde as pastagens nativas são a base alimentar dos animais. Entretanto, o crescimento forrageiro destas pastagens é limitado no outono-inverno devido à redução da luminosidade e temperaturas. Desta forma, nessas estações ocorre um vazio forrageiro que impacta negativamente os índices produtivos da pecuária. Algumas propriedades adotam a implantação do azevém como forragem cultivada de inverno, visando suprir esse déficit. Porém, além de ter seu ciclo forrageiro mais tardio, com maior produção de matéria seca ao final do ciclo da cultura, o azevém é geralmente cultivado em sucessão ao arroz e sem adubação, fatores que limitam ainda mais sua capacidade produtiva. Nesse contexto, novas estratégias de produção de forragem para o período são necessárias, contemplando não somente novas opções forrageiras, mas também novos modelos de produção. Visando a validação destas estratégias, pesquisas experimentais têm sido desenvolvidas em parceria entre a Unipampa e o Instituto Riograndense do Arroz em Uruguaiana RS. Este estudo traz resultados de uma destas pesquisas realizadas em parceria, na qual objetivou-se estudar as respostas produtivas de forragem da aveia Ucraniana cultivada em sucessão à lavoura de soja irrigada por pivô central e sob doses de nitrogênio (N). Adotou-se o delineamento experimental em blocos casualizados com quatro repetições. Foram estudadas quatro doses de N (0; 50; 100 e 150 kg/ha) em três ciclos de crescimento forrageiro. Na semeadura realizada com semeadora tratorizada de fluxo contínuo foram distribuídos 80 kg/ha de sementes e 200 kg/ha do adubo químico formulado 05-30-15 (N: P2O5: K2O) para o estabelecimento da cultura. A ureia usada como fonte de N foi aplicada em cobertura quando a cultura atingiu o estádio vegetativo do terceiro trifólio (V3). As avaliações foram iniciadas com a altura do dossel forrageiro recomendada para início dos pastejos (30 cm), aos 60 dias após a semeadura, e repetidas a cada 35 dias. Nestas as plantas foram colhidas e depois as parcelas roçadas com roçadeira costal visando simular o pastejo animal. Mensurou-se a produção de matéria seca (PMS) de forragem por meio de coleta das plantas com unidade amostral conhecida e posterior secagem e estufa e determinação da matéria seca (MS). Os dados foram planilhados em Excel e submetidos à análise de regressão, testando-se os modelos linear e quadrático por meio do teste T de Student (5%). Foram realizadas três avaliações da produção forrageira nas quais as PMS se ajustaram à regressão linear positiva em resposta às doses de N. Na primeira avaliação (Ŷ=5,779x+748,04; R²=0,99), na dose zero, a PMS foi de 748 kg, com incremento de 5,779 kg de MS para cada kg de N aplicado. Na segunda (Ŷ=9,2012x+755,55; R²=0,99) e terceira (Ŷ=8,3692x+922,82; R²=0,95) avaliações as produções com a ausência da adubação foram de 755 e 922 kg e os incrementos 9,201 e 8,369 kg, respectivamente. As PMS obtidas mesmo com a ausência da adubação são expressivas e devem-se aos nutrientes fornecidos pela palhada residual da cultura da soja, uma vez que os solos da Fronteira Oeste são pobres em matéria orgânica e nitrogênio. Porém, mesmo sobre a palhada de soja, as respostas da aveia Taura à adubação foram promissoras. O incremento na PMS foi inferior na primeira avaliação porque a cultura encontrava-se em fase de afilhamento. Entretanto, na segunda e terceira avaliação como a aveia encontrava-se em estádio vegetativo pleno, os incrementos relevaram o potencial de resposta da aveia ao N. Como este nutriente impacta diretamente na fotossíntese por participar de aminoácidos, proteínas e da clorofila, maiores aportes de N no solo aumentam sua disponibilidade para as plantas, potencializando seu acúmulo de MS. Em gramíneas forrageiras, o N é considerado o principal nutriente responsável por definir as PMS, porém, as taxas de resposta variam entre as espécies. Este estudo demonstrou que a aveia Ucraniana possui capacidade de resposta a N superior à dose de 150 kg/ha, pois todas as equações resposta foram lineares. Isso sugere a condução de novos estudos sobre condições experimentais semelhantes visando a obtenção das doses máximas para cada ciclo de crescimento. Ainda, as semelhanças de PMS obtidas na segunda e terceira avaliações, sobretudo nas maiores doses de N (100 e 150 kg/ha) revelam a estabilidade produtiva da aveia Ucraniana, que manteve altas respostas e produtividade mesmo no último ciclo de crescimento, quando estaria entrando em fase reprodutiva. Assim, conclui-se que a aveia Ucraniana quando cultivada em sucessão à soja possui elevado potencial de resposta produtiva à adubação nitrogenada, com incrementos de produtividade até a dose de 150 kg/ha de N e até o terceiro ciclo de crescimento

    Parasitismo por Cruzia Tentaculata em Gambás-de-orelha-branca (Didelphis albiventris): Relato de Caso

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    O Gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris) é um mamífero marsupial pertencente à família Didelphidae. Possui como principais características morfológicas sua pelagem densa de cor cinza acastanhada, com uma faixa preta lateral que abrange desde os olhos até os ombros. Possui as extremidades das orelhas e o ventre com coloração branca. A espécie é nativa da América do Sul, sendo encontrada em biomas variados, incluindo o pampa gaúcho, também são considerados animais sinantrópicos, ou seja, podem se adaptar para viver em áreas populadas por seres humanos, incluindo ambientes urbanos, o que torna encontros com essa espécie comuns no dia a dia. São animais onívoros e apresentam hábitos noturnos, período nos quais buscam seu alimento, que inclui roedores, lagartos, frutas, rãs, insetos, e pequenas aves, sendo importantes predadores de diversas espécies animais atuando no controle populacional das mesmas, além de dispersores de sementes de diversas plantas. Essa flexibilidade em sua alimentação torna-o vulnerável a agentes patogênicos como bactérias, protozoários e helmintos. O objetivo do presente trabalho foi relatar a ocorrência do parasito Cruzia tentaculata em dois gambás encontrados mortos e que foram submetidos ao procedimento de necropsia. Os gambás-de-orelha-branca foram encontrados na mesma rodovia (BR-472), por discentes do curso de Medicina Veterinária da Unipampa, o primeiro foi encontrado no dia 01/09/2024 e teve a necropsia realizada no mesmo dia, o segundo, teve a necropsia realizada no dia 09/05/2025, tendo sido encontrado poucos dias antes e congelado para ser preservado até o momento do procedimento. É válido destacar que o congelamento não é o método recomendado para a preservação do cadáver para realização de necropsia e exames histopatológicos, pois altera a conformação celular de tecidos, podendo causar equívocos durante a interpretação dos achados. Neste caso, apenas foi utilizado por ser o único método de conservação disponível no momento. Em ambos os casos a necropsia foi realizada visando estudar as possíveis causas das mortes. Durante os processos, foram encontradas lesões com características traumáticas em diversas regiões dos corpos. Em ambos, notou-se a presença de helmintos nematóides esbranquiçados fixados na mucosa intestinal, mais precisamente no segmento cecal. Os parasitos foram coletados, conservados em álcool etílico 70% e levados ao Laboratório de Parasitologia Veterinária da Universidade Federal do Pampa, para a correta identificação. O diagnóstico taxonômico foi realizado usando critérios morfológicos específicos, como a coloração branca, corpo cilíndrico e a presença de três lábios triangulares, apresentando duas papilas nítidas e similares a tentáculos em cada um. A partir destas características, os helmintos foram identificados como espécimes de Cruzia tentaculata. Este parasito, do filo Nematoda, é bastante conhecido por se alimentar de conteúdo digestivo e infectar o ceco de Gambás-de-orelha-branca e outros membros do gênero Didelphis, que atuam como hospedeiros definitivos. Os ovos do parasito são liberados no ambiente através das fezes e, uma vez no ambiente e em condições apropriadas de temperatura e umidade, os ovos embrionam e infectam gambás por via direta, através da ingestão dos ovos no solo ou água contaminada, ou por via indireta, na qual insetos atuam como hospedeiros paratênicos, ingerindo os ovos e posteriormente o gambá se alimenta deste. Uma vez no intestino, as larvas (L3) eclodem dos ovos e migram para o ceco, onde fixam-se na mucosa, se tornam adultas e concluem seu ciclo. Embora a C. tentaculata geralmente não cause patologias severas, sua alta prevalência sugere uma significativa adaptação ao hospedeiro, sendo um achado comum em necropsias. Os casos relatados no presente trabalho reforçam a importância de estudos mais amplos sobre a helmintofauna e as alterações patológicas em D. albiventris, considerando que nematóides representam cerca de 67% dos parasitos encontrados nesta espécie. Apesar de sua ampla distribuição e resistência a ambientes perturbados, o conhecimento sobre sua saúde e a presença de parasitos ainda é limitado, especialmente no bioma Pampa, um dos mais ameaçados do Brasil. Tais investigações contribuem para o entendimento da saúde da fauna silvestre e para estratégias de conservação da biodiversidade

    Anemia Infecciosa Equina em Cavalos Apreendidos no Município de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, Brasil

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    A anemia infecciosa equina (AIE) é uma doença viral de equídeos, causada por um lentivirus denominado de Lentivirus equinfane. A AIE está listada na Organização Mundial de Saúde Animal, sendo considerada uma barreira sanitária para o segmento. No Brasil, a infecção é de notificação obrigatória. No Rio Grande do Sul (RS), a infecção tem sido diagnosticada em diferentes regiões, no entanto, a fronteira oeste concentra o maior número de casos. Após a infecção, os animais podem desenvolver quadros clínicos agudos ou crônicos, ou tornarem-se portadores assintomáticos. Os sinais clínicos cursam com apatia, anemia, emagrecimento, febre e edemas. O diagnóstico é realizado pelo teste sorológico de ELISA ou IDGA. O controle da infecção deve ser realizado pela remoção ou isolamento dos animais infectados. Não existe vacina ou tratamento específico. O objetivo deste trabalho é descrever a ocorrência e as medidas para o saneamento de um foco de anemia infecciosa equina identificado em cavalos de apreendidos no município de Uruguaiana, RS. Para isso, os registros oficiais das medidas de controle foram obtidos junto a Inspetoria de Defesa Agropecuária do município de Uruguaiana, RS. O rebanho inicial da propriedade foco era composto por 61 cavalos (57 > 6 meses) que eram mantidos em uma propriedade fiel depositária. Os animais eram oriundos de apreensão no perímetro urbano e rural ou usados para o manejo da propriedade. Os cavalos eram mantidos em três potreiros diferentes e identificados como lotes A (trabalho 19 cavalos), B e C (apreensão 39 cavalos). O primeiro caso positivo foi identificado em uma égua que seria transportada e o teste sorológico de IDGA foi realizado como requisito para emissão da guia de transporte animal (GTA). A partir deste momento a propriedade foi interditada (dia 0), o animal eutanasiado e iniciou os procedimentos de testagem e remoção dos animais sororreagentes. Os animais positivos identificados durante o saneamento foram eutanasiados e necropsiados. O rebanho foi submetido a sete saneamentos e o tempo de interdição foi de 285 dias. Nesse período houve 15 ingressos, dois egressos, cinco mortes e 15 nascimentos. Durante a investigação foram realizados 569 testes de IDGA e outros 11 cavalos infectados identificados que pertenciam aos lotes B (dez) e C (um). Nenhum dos animais AIE+ apresentavam sinais clínicos compatíveis com a infecção, ou seja, eram considerados portadores inaparentes. Na necropsia dos cavalos AIE + foi observado esplenomegalia marcante em somente um caso, sendo que em outros cinco cavalos, essa lesão foi considerada leve ou moderada. A propriedade foi considerada livre da infecção e desinterditada após duas testagens consecutivas negativas de todos os cavalos. No fim das medidas sanitárias o rebanho estava constituído por 65 cavalos com idades acima de seis meses e cinco com idades até 6 meses. Assim sendo, pode-se concluir que a anemia infecciosa equina está circulando em cavalos apreendidos no município de Uruguaiana, os animais infectados eram portadores assintomáticos e o controle do foco foi longo e sujeito a movimentações de rebanho que podem dificultar. Ainda, como não foi possível determinar o momento da infecção, apenas sugere-se que que os animais demoraram para soroconverter ou que a transmissão ocorreu durante as medidas de saneamento. Devido as formas de transmissão e as características da infecção, medidas de educação sanitárias dos produtores e de monitoramento e controle da infecção devem ser aplicadas pelas autoridades sanitárias

    Análises Bromatológicas e Microbiológica de Rações Úmidas para Cães e Gatos em Dom Pedrito

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    O mercado de alimentação pet tem crescido de forma expressiva nos últimos anos, acompanhando a valorização dos animais de companhia como membros das famílias e a demanda por produtos de maior qualidade nutricional. Nesse contexto, as rações úmidas têm conquistado espaço por aliarem praticidade, palatabilidade e equilíbrio nutricional. Contudo, a literatura ainda apresenta escassez de estudos que avaliem sua composição bromatológica e qualidade microbiológica, especialmente em nível regional. Diante disso, este trabalho teve como objetivo analisar a composição centesimal e microbiológica de rações úmidas para cães e gatos em diferentes fases de vida (filhote, adulto e sênior) comercializadas no município de Dom Pedrito, Rio Grande do Sul, relacionando os resultados obtidos com os valores declarados nos rótulos e com as recomendações nutricionais. A pesquisa foi conduzida por meio da coleta aleatória de seis marcas comerciais de rações úmidas em estabelecimentos locais, sendo três destinadas a cães e três a gatos. De cada marca, foram adquiridas amostras para filhotes e adultos, além de rações sênior em duas delas. As análises bromatológicas seguiram a metodologia de Weende, contemplando determinação de matéria seca, proteína bruta, extrato etéreo, fibra bruta, matéria mineral e umidade, realizadas em duplicatas no Laboratório de Bromatologia da Unipampa. O teor de proteína foi mensurado pelo método de Kjeldahl, enquanto o extrato etéreo foi obtido com Soxhlet. Paralelamente, as análises microbiológicas foram conduzidas no Laboratório de Microbiologia da mesma instituição, utilizando plaqueamento em superfície em Ágar Batata Dextrose com Cloranfenicol, com incubação das amostras a 25 °C por cinco dias. Os resultados foram expressos em unidades formadoras de colônia (UFC). De modo geral, os resultados indicaram que a maioria das rações avaliadas apresentaram composição compatível com os valores declarados pelos fabricantes. No caso das rações para cães adultos, pequenas variações foram observadas: duas amostras apresentaram valores de proteína bruta ligeiramente abaixo do mínimo informado, enquanto o extrato etéreo apresentou redução em uma formulação. Entre as rações destinadas a filhotes, os teores de proteína ficaram de acordo com os rótulos, embora uma das marcas tenha apresentado extrato etéreo inferior ao declarado. Já para cães sênior, observou-se proteína bruta ligeiramente abaixo e extrato etéreo acima do informado. Para as rações de gatos, a maioria dos parâmetros esteve de acordo com os rótulos, exceto a ração para gato 1, que apresentou teores de proteína e extrato etéreo inferiores, além de valores elevados de fibra bruta, o que pode implicar em menor densidade energética. Outro destaque foi a ração para gato 3, que exibiu matéria mineral acima do declarado, fator que pode predispor ao desenvolvimento de cálculos urinários em felinos. Em relação à análise microbiológica, todas as amostras mostraram ausência de fungos, exceto a ração para cachorro 1 (filhotes), que apresentou apenas uma unidade formadora de colônia, número considerado irrelevante do ponto de vista sanitário. Os resultados obtidos demonstram que, de forma geral, as rações úmidas analisadas atendem às exigências declaradas nos rótulos e às recomendações internacionais, garantindo aporte proteico e energético satisfatório para cães e gatos nas diferentes fases de vida. Pequenas discrepâncias encontradas não comprometem a qualidade dos produtos, mas indicam a importância do monitoramento contínuo da composição centesimal e da rotulagem, de modo a assegurar transparência ao consumidor e nutrição adequada aos animais. Além disso, a ausência de contaminações fúngicas relevantes reforça a eficácia dos processos de esterilização aplicados pela indústria de pet food, conferindo segurança microbiológica aos alimentos avaliados. Conclui-se que as rações úmidas disponíveis em Dom Pedrito apresentam qualidade nutricional e microbiológica adequada, com resultados que corroboram pesquisas anteriores sobre alimentos úmidos comerciais. Entretanto, considerando a escassez de estudos nacionais sobre este tipo de dieta, recomenda-se a realização de novas investigações que abranjam maior número de marcas, lotes e regiões, permitindo ampliar a confiabilidade científica e fornecer subsídios técnicos tanto para tutores quanto para a indústria. O fortalecimento desse campo de pesquisa é essencial para atender a um mercado em franca expansão e garantir que os animais de companhia recebam dietas compatíveis com suas necessidades fisiológicas e de bem-estar

    Desempenho Forrageiro de Espécies de Aveia e Suas Combinações na Fronteira Oeste do Rs

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    Cada vez mais a aveia tem se consolidado como uma importante alternativa agrícola na fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Tradicionalmente voltada ao cultivo de arroz irrigado, a região passou a diversificar sua produção com culturas de inverno e verão. Nesse contexto, a aveia se destaca por sua versatilidade: pode ser utilizada como cobertura de solo, forragem em períodos de escassez de pastagem e produção de grãos. Além de reduzir áreas em pousio, contribui para a rotação de culturas e a sustentabilidade do sistema produtivo. Contudo, ainda há necessidade de identificar genótipos mais adaptados a essas áreas, capazes de garantir maior quantidade e qualidade de pastagem. O mix de aveia consiste na mistura de cultivares ou espécies cultivadas em conjunto, aproveitando as características complementares de cada uma. Representa uma alternativa para melhorar a sanidade da lavoura, garante estabilidade de produção e prolonga a oferta de forragem ao longo do inverno, além de contribuir para um manejo mais sustentável do solo e do sistema de cultivo. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho de cultivares de aveia e suas associações para características de produção de matéria seca de forragem em diferentes cortes. O experimento foi conduzido na área experimental do curso de agronomia da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), Campus Itaqui/RS, no ano de 2023. O delineamento experimental utilizado foi de blocos casualizados, avaliando três cultivares e suas combinações (mix) em três (3) repetições, totalizando 21 unidades experimentais. Foram avaliadas as cultivares de aveia Agrours invernada (aveia branca), Alpha 16116 (aveia amarela) e Alpha 1719 (aveia preta), bem como suas combinações, sendo: Agrours invernada e Alpha 16116; Agrours invernada e Alpha 1719; Alpha 16116 e Alpha 1719; e Agrours invernada, Alpha 16116 e Alpha 1719. Cada unidade experimental possuía cinco (5) linhas com espaçamento de 0,17 m entre linhas, e cinco (5) metros de comprimento, sendo que a área de avaliação foram as três (3) linhas centrais. A semeadura foi realizada de mecanizada no dia 04 de abril de 2023, utilizando cerca de 350 sementes viáveis por m², o qual foi considerado um padrão independente dos tratamentos, e logo após corrigido o potencial germinativo. Na adubação de base foi utilizado 350 kg ha-1 de adubo NPK, com fórmula 5-20-20. A adubação de cobertura nitrogenada foi parcelada em duas aplicações de 75 kg ha-1, sendo a primeira no estádio de perfilhamento e a segunda no alongamento. A variável analisada foi a produção de matéria seca (MS) em quatro (4) cortes, obtida a partir da produção de matéria verde forrageira, coletada a partir de três (3) linhas centrais, em 2,5 m lineares, eliminando as bordaduras, correspondendo a uma área útil de 1,275 m². Os cortes realizados com auxílio de foices e régua graduada quando o dossel forrageiro atingia altura de 25-30 cm, deixando a um residual de 10 cm. Posteriormente as amostras encaminhadas ao laboratório, realizando a pesagem uma balança de precisão. Para a determinar a matéria seca (MS) foram retirados 100 gramas de matéria verde das unidades experimentais, e logo após levadas para estufa de secagem a 60°C por 72 horas, seguida de pesagem e conversão para kg ha-1. Os resultados foram submetidos à análise de variância, em esquema fatorial 7 4 x 7, sendo quatro (4) cortes e sete (7) tratamentos cultivares e mixs. Constatadas diferenças estatísticas foi realizado a comparação de médias pelo teste de Scott & Knott através do programa computacional Genes. O primeiro corte apresentou maior produção de massa seca em comparação aos demais, nesse corte não foram observadas diferenças entre os tratamentos (cultivares e combinações). Já no segundo corte, todos os tratamentos com a presença de aveia preta, apresentaram menor produção de MS, exceto a combinação Agrours invernada e Alpha 1719. Nos terceiro e quarto cortes, manteve-se a tendência de redução da produção, destacando a cultivar Alpha 1719 (aveia preta) que possibilitou apenas dois cortes, demonstrando menor persistência. Considerando as médias, o primeiro corte alcançou 1540 kg ha⁻¹, valor superior aos demais, que apresentaram 836, 620 e 616 kg ha⁻¹ para o 2º, 3º e 4º cortes, respectivamente. Entre os tratamentos, a presença da cultivar Alpha 1719 resultou em menor produção de matéria seca, se destacando como um fator limitante. Assim a escolha adequada das cultivares ou combinações é determinante para o melhor aproveitamento da aveia como forrageira, devendo-se priorizar genótipos com maior potencial de persistência e produtividade ao longo dos cortes, a fim de garantir estabilidade na oferta de forragem e melhor eficiência no sistema de produção

    Influência do Tipo de Substrato na Riqueza e Composição de Comunidades de Macroinvertebrados Aquáticos

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    Os macroinvertebrados aquáticos são definidos como invertebrados visíveis a olho nu, que apresentam tamanho superior a 200 μm, que vivem pelo menos um estágio de vida em ambientes aquáticos. O grupo inclui insetos, crustáceos, aracnídeos, moluscos, anelídeos e nematodes com ampla variedade de formas e funções ecológicas. Apesar de pertencerem a diferentes grupos taxonômicos, compartilham funções essenciais, como decomposição de matéria orgânica, ciclagem de nutrientes, participação na cadeia alimentar aquática e atuando como bioindicadores da qualidade da água. A distribuição e a biodiversidade dos macroinvertebrados estão diretamente ligadas às características físicas, químicas e biológicas do ambiente. Assim, a riqueza de espécies e a abundância variam conforme as características dos habitats aquáticos. De forma ampla, os habitats de água doce podem ser classificados como lênticos, de fluxo parado ou lento (lagos, lagoas, açudes), e lóticos, de fluxo corrente (rios, riachos, córregos). Em escala mais restrita, podem ser classificados pelo substrato: inorgânico (argila, areia, cascalhos, blocos, matacões, lajes) e orgânico (hidrófilas, plantas vasculares, raízes e folhiço). Os táxons respondem de modo distinto às condições ambientais, sendo mais ou menos frequentes conforme suas características biológicas e fatores como tipo de substrato, velocidade da corrente e variáveis físico-químicas. Este estudo teve como objetivo avaliar a influência do tipo de substrato na composição e riqueza de macroinvertebrados aquáticos de um riacho no bioma Pampa. A amostragem foi realizada em 3 de abril de 2025, na área rural do município de São Gabriel, no Cerro do Ouro, no Rio Lajeado. As coletas abrangeram quatro trechos ao longo do curso dágua, em quatro tipos de substratos: areia em remanso (AR), folha em remanso (FR), pedras em corredeira (PC) e folha em corredeira (FC). Os organismos foram coletados com amostrador de Surber (área de 10X10 cm); a triagem foi realizada imediatamente após a coleta, in vivo, com pinças, pipetas e bandejas, e posteriormente os espécimes foram fixados em álcool 70%. No laboratório, foram identificados com auxílio de chaves taxonômicas específicas, e os dados organizados em planilhas para análise. No total, registraram-se 874 macroinvertebrados, distribuídos em 29 famílias. As mais numerosas foram Chironomidae (Ordem Diptera), com 487 indivíduos, Caenidae (Ordem Ephemeroptera) com 163 e Elmidae (Ordem Coleoptera) com 40. O substrato FC apresentou maior riqueza e abundância, com 17 táxons e 408 exemplares, destacando-se Chironomidae (296) e Caenidae (41). O substrato AR apresentou menor abundância, com 120 indivíduos (13 táxons), enquanto o substrato FR apresentou menor riqueza 10 táxons (203 indivíduos). A Análise de Similaridades (ANOSIM) indicou diferença significativa na composição da comunidade de macroinvertebrados entre tipos de substratos (R: 0,364 p: 0,001), com distribuição moderadamente distinta. A ordenação das amostras (por NMDS) evidenciou distribuição agrupada. A análise de Porcentagem de Similaridade (SIMPER) mostrou que FC foi o grupo mais homogêneo, com similaridade média de 61,38%, tendo como principais famílias Chironomidae, Caenidae e Leptohyphidae (Ordem Ephemeroptera). FR foi o mais heterogêneo, com similaridade média de 26,87%, destacando-se Chironomidae, Gomphidae (Ordem Odonata) e Ancylidae (Classe Gastropoda). Os substratos AR e PC apresentaram valores intermediários: 48,61% e 54,28%, respectivamente, ambos com predominância de Chironomidae e Caenidae. Cabe destacar que nos dias anteriores à coleta ocorreu precipitação na região, fator que pode ter influenciado os resultados, já que o aumento da vazão do rio tende a arrastar organismos e modificar temporariamente o padrão de ocorrência. Através das análises realizadas foi possível concluir que os Chironomidae foram os organismos mais relevantes em todos os substratos, explicando grande parte da similaridade dos grupos. Os Caenidae também tiveram papel expressivo, ocorrendo em quase todos os substratos como um importante contribuinte. Os resultados sugerem que a natureza dos substratos exerce influência direta sobre a riqueza e a composição das comunidades de macroinvertebrados aquáticos

    Extrato de Pimenta Rosa Protege dos Efeitos Danosos do Ferro em Drosophila Melanogaster

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    A mosca-da-fruta (Drosophila melanogaster) é um modelo de estudo que tem contribuído com pesquisas científicas nas mais diferentes áreas, como genética, farmacologia e toxicologia. Isto se deve em parte ao fato de serem organismos pequenos, de fácil manutenção, com ciclo de vida curto e apresentando 75% de similaridade de seus genes com os dos humanos (homólogos), contribuindo para a descrição e compreensão de processos biológicos que são conservados com vertebrados, entre estes fatores associados ao crescimento, envelhecimento, estresse oxidativo, desenvolvimento e doenças neurodegenerativas. O Ferro (Fe) é um micronutriente vital em diversos processos biológicos: respiração celular, produção de energia e síntese de DNA, porém em excesso pode causar morte celular por acúmulo de ferro, processo denominado ferroptose. A ferroptose é caracterizada pela morte celular induzida pelo acúmulo de ferro caracterizada por: diminuição da glutationa, inibição da Glutationa peroxidase 1(GPx1), extresse oxidativo e peroxidação lipídica. Existem várias doenças relacionadas ao envelhecimento que tem sido relacionadas à ferroptose como doenças neurodegenerativas (Alzheimer e Parkinson), câncer, doenças renais, doenças cardíacas e hepáticas. A pimenta rosa (Schinus terebinthifolius Raddi), fruto da aroeira-vermelha, é uma planta nativa da América do Sul, encontrada em diferentes biomas incluindo o Bioma Pampa, amplamente utilizada na culinária e na medicina tradicional, o extrato hidroalcoólico da pimenta rosa contém compostos bioativos como flavonoides, ácidos fenólicos e terpenos com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O presente estudo visa investigar e caracterizar a capacidade protetora desse extrato sobre a ferroptose induzida pelo ferro nas moscas da fruta, oque pode contribuir para a prevenção e novos tratamentos para doenças neurodegenerativas, cardíacas e metabólicas onde a ferroptose está envolvida. Para a realização dos experimentos, foram utilizadas fêmeas, com 5 dias de vida, divididas em 5 grupos, em triplicatas com 20 moscas cada, sendo aplicado 500 uL de sacarose 1% contendo ferro e/ou extrato de pimenta rosa sendo um grupo controle contendo apenas sacarose, outro contendo apenas ferro (citrato de ferro amoniacal 20 mM), e os restantes contendo ferro e extrato hidroalcoólico de pimenta rosa em diferentes concentrações (0,5 mg/ml, 1mg/ml, 10 mg/ml), durante um período de 72 horas, após, as moscas foram submetidas a estudos comportamentais (geotaxia negativa) e análise de sobrevivência. O ferro aumentou a mortalidade nos tempos de 24h, 48h e 72h. Quando misturou-se o ferro ao extrato houve uma proteção de 30 % na mortalidade a partir de 48h de exposição. Na geotaxia negativa, que avalia a resposta locomotora das moscas, o ferro causou diminuição na locomoção, este efeito foi diminuído quando as moscas foram expostas juntamente ao extrato de pimenta rosa. O extrato hidroalcoólico da pimenta rosa apresentou efeito protetor frente a toxicidade induzida ferro nas moscas da fruta tanto na sobrevivência como no comportamento locomotor, demontrando o potencial biotecnológico do extrato hidroalcoólico da pimenta rosa, como uma fonte de substâncias bioativias. O possível caráter farmacológico e terapêutico da pimenta rosa deve ser melhor investigado em estudos futuros, além da sua constituição fitoquímica. Além disso, mais testes serão feitos para análise bioquímica como a avaliação da atividade antioxidante do extrato de pimenta rosa, análise do conteúdo de ferro na hemolinfa das moscas, avaliação dos níveis de Glutationa e da peroxidação lipídica

    Papelão Como Substrato Alternativo no Cultivo de Cogumelos Comestíveis

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    No Brasil, diariamente, toneladas de resíduos são geradas pela população e empresas, sendo os mais comuns no ambiente doméstico os resíduos orgânicos (52,6%) e o papelão (15%), que juntos representam uma parcela significativa do total descartado. Por ser um material celulósico, o papelão pode ser aproveitado como substrato para a produção de cogumelos, prática já testada em diversos países, visto que esses organismos apresentam elevada eficiência na degradação da celulose. Cogumelos do gênero Pleurotus têm se destacado em estudos científicos devido à sua alta adaptabilidade a diferentes tipos de substratos. Diante desse contexto, o presente trabalho teve como objetivo cultivar a espécie Pleurotus djamor em papelão cru, isento de resíduos de tinta ou cola. O experimento foi conduzido no Laboratório de Taxonomia de Fungos (LATAF) da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus São Gabriel, em triplicata, utilizando 12 frascos de vidro com tampas perfuradas e vedadas com algodão, permitindo a respiração micelial. O papelão foi cortado manualmente em porções de aproximadamente 1 cm, umedecido com água destilada até a saturação e mantido assim por uma hora. Após o descarte do excesso de água, os frascos foram tampados e pesados. Foram realizados quatro tratamentos experimentais: Testagem 1, com papelão sem esterilização; Testagem 2, com papelão esterilizado em autoclave a 121 °C por 20 minutos; Testagem 3, com papelão esterilizado em panela de pressão doméstica por 30 minutos; e Testagem 4 (controle), com papelão sem esterilização e sem adição de inóculo fúngico. A inoculação seguiu protocolos descritos na literatura especializada, sendo realizada em câmara de fluxo laminar, com procedimentos de assepsia rigorosos para minimizar o risco de contaminação. Após a inoculação, os frascos foram pesados semanalmente até a completa colonização do substrato, com o objetivo de avaliar sua degradação. O peso médio total dos frascos (papelão + inóculo) foi de 406,98 g. O desenvolvimento do micélio foi monitorado diariamente, registrando-se o tempo necessário para o completo embranquecimento do substrato. Após essa fase, os frascos foram abertos e passaram a receber umidificação diária com água destilada, até o surgimento dos primeiros primórdios. Em seguida, os frascos colonizados foram transferidos para uma bandeja com 4 cm de água destilada, coberta por outra bandeja, criando um microambiente com alta umidade relativa. A eficiência biológica (EB) foi calculada pela fórmula: EB (%) = (peso fresco dos corpos de frutificação / peso seco do substrato) × 100. Após 51 dias, o substrato foi decomposto, em média, em 19,1 g (424,9 g de substrato não esterilizado), 21,9 g (435,49 g, esterilizado em autoclave) e 14,3 g (428,95 g, esterilizado em panela de pressão), resultando em reduções de 4,5 g, 5,02 g e 3,3 g, respectivamente. O melhor desempenho foi observado no substrato esterilizado em autoclave, seguido pelo substrato não esterilizado. Ao final do experimento, foram produzidos 17 cogumelos bem pigmentados e saudáveis, totalizando 17,08 g de peso fresco, o que resultou em uma eficiência biológica de 1,4%. Conclui-se que o cultivo de Pleurotus djamor em substrato composto exclusivamente por papelão constitui uma alternativa sustentável, de baixo custo e metodologicamente simples, viável para diferentes perfis de produtores. Contudo, são necessários estudos complementares para avaliar a possível presença de contaminantes nos cogumelos oriundos de substâncias presentes no papelão, motivo pelo qual, neste estágio experimental, seu consumo não é recomendado

    Primeiro Contato com Tecnologia Markerless de Análise de Movimentos: Facilidades e Dificuldades para Novos Usuários

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    A captura da cinemática 3D de movimentos usando marcadores posicionados na pele das pessoas é amplamente utilizada para avaliar o movimento humano. Contudo, cada vez mais o uso dessas metodologias vem sendo questionada, devido principalmente ao volume de trabalho e tempo que seu uso requer. Tecnologias que envolvem aplicações markerless, sem marcadores, têm surgido como uma alternativa que envolve menor tempo de preparação do participante podendo facilitar as avaliações. Com estas tecnologias, o movimento é filmado por uma ou mais câmeras, e algoritmos de inteligência artificial são usados para detectar a posição do corpo no espaço, sem que haja qualquer necessidade de referências espaciais no corpo da pessoa avaliada. Contudo, diferente dos sistemas que usam marcadores, as tecnologias markerless podem ainda requerer vários cuidados e conhecimentos prévios por parte do usuário, para posicionar câmeras, identificar movimentos que foram reconstruídos de maneira equivocada, e até mesmo manejar dados brutos oriundos das avaliações. Com a popularização de aplicações markerless, pode ser que muitas pessoas acabem usando a ferramenta de maneira errônea, por dificuldade em compreender seu funcionamento. Neste estudo, nosso objetivo foi analisar as dificuldades e facilidades relatadas por usuários que utilizaram pela primeira vez uma ferramenta de análise de movimento markerless para análise cinemática do movimento humano. Participaram desta atividade, como usuários das tecnologias pela primeira vez, 38 estudantes de graduação em educação física e fisioterapia da Universidade Federal do Pampa, que trabalharam organizados por afinidade em oito grupos. Cada grupo deveria comparecer ao Laboratório de Neuromecânica da UNIPAMPA para realizar a filmagem de movimentos de caminhar na esteira e saltar e aterrissar. O objetivo a partir da captura de movimentos era determinar as amplitudes e movimento articular para quadril, joelho e tornozelo durante os movimentos. As medidas de amplitude de movimento eram feitas no plano sagital utilizando uma tecnologia que requer o uso de marcadores de referência no corpo das pessoas avaliadas (Kinovea) e uma tecnologia markerless baseada no uso de um algoritmo de inteligência artificial para reconhecimento de poses e estimativa da posição dos segmentos corporais e eixos articulares no espaço. Após realizar as capturas de movimento e obter os dados com as duas tecnologias, cada grupo deveria realizar uma discussão sobre as diferenças nas medidas e responder a um questionário indicando as facilidades e dificuldades que notaram no uso de cada ferramenta. Realizamos uma análise descritiva destas respostas. Com respostas de 8 grupos, foi observado que a ferramenta de inteligência artificial Markerless foi reconhecida como de maior facilidade de uso, devido a sua interface intuitiva, sendo ideal para iniciantes, possibilitando análises rápidas e práticas, sendo julgado como útil para uso em ambientes de campo e situações que exigem agilidade. Já a ferramenta que requer marcadores (Kinovea) foi reconhecida por apresentar dados mais precisos, porém tendo seu uso sido relatado como de maior dificuldade dos usuários, principalmente pela demanda de tempo maior e a necessidade do conhecimento anatômico para as marcações de colocação de marcadores. Com isso, observa-se que uma tecnologia em desenvolvimento para a realização de captura de movimentos markerless parecer ser mais atrativa para os usuários, especialmente por envolver menos tempo e não requerer conhecimentos específicos de anatomia. Porém, os usuários foram capazes de identificar diferenças nas medidas entre as ferramentas, com a tecnologia markerless ainda necessitando de melhor qualidade no que diz respeita a precisão das medidas realizadas. Este estudo sobre facilidades e dificuldades no primeiro uso de uma ferramenta markerless contribui para o aprimoramento da tecnologia e tomada de decisões no desenvolvimento da mesma para as fases subsequentes do projeto em desenvolvimento

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