Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Os Jogos na Educação Infantil: Uma Ferramenta Lúdica de Apoio Ao Ensino de Biologia

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    O presente trabalho tem como objetivo apresentar o processo de concepção e desenvolvimento de um jogo digital educativo voltado para a Educação Infantil, com ênfase em conteúdos introdutórios de Biologia. A iniciativa surgiu como proposta de unir o potencial lúdico dos jogos ao ensino, proporcionando às crianças em fase inicial de alfabetização uma ferramenta capaz de estimular a curiosidade, o raciocínio lógico e o aprendizado de maneira prática e divertida. A ideia central do jogo é possibilitar a associação de animais aos seus respectivos habitats, às produções naturais que geram, como leite, ovos e mel e dentro outros. Além de introduzir noções básicas de cadeias alimentares a partir da relação entre presas e predadores. O desenvolvimento foi estruturado em etapas. Inicialmente, a equipe se reuniu para discutir ideias para o tema do jogo, após isso o grupo produziu protótipos visuais no site Canva, o que permitiu testar a clareza das telas, a organização dos elementos e a usabilidade do recurso. Essa fase foi essencial para alinhar as ideias, receber feedbacks do professor orientador e realizar ajustes antes da implementação prática. Em seguida, o grupo avançou para a criação do jogo na engine Unity, explorando suas funcionalidades voltadas para a produção de jogos digitais em 2D e 3D. Durante essa etapa, os acadêmicos precisaram aprender e aplicar desde conceitos básicos de manipulação de objetos até recursos mais avançados, como o uso de interações do tipo drag and drop, que tornam a experiência mais dinâmica para as crianças. O projeto está sendo desenvolvido por estudantes do curso removido para revisão anônima, pelos alunos da turma do terceiro semestre respectivamente. A iniciativa também está vinculada às ações de extensão do curso, o que garante que o jogo não se restrinja ao ambiente acadêmico, mas possa ser levado para testes junto à comunidade escolar local. Essa etapa de avaliação em contexto real é considerada fundamental, pois permitirá observar como as crianças interagem com o jogo, quais dificuldades surgem e de que forma professores e alunos percebem seu valor pedagógico. Dentre resultados parciais, destaca-se a criação de um protótipo funcional que já contempla três níveis planejados. O primeiro busca ensinar a relação entre os animais e seus habitats, o segundo trabalha a associação entre animais e suas produções naturais, e o terceiro introduz a relação de presa e predador, incentivando a compreensão das cadeias alimentares de forma simplificada. Durante o processo, os acadêmicos enfrentaram desafios, especialmente relacionados à integração de elementos gráficos e à programação das interações no Unity. Entretanto, tais dificuldades contribuíram significativamente para o aprendizado dos envolvidos, fortalecendo sua formação prática e ampliando as competências ligadas ao desenvolvimento de jogos digitais. De modo geral, a experiência proporcionou benefícios em duas frentes principais: por um lado, os acadêmicos tiveram a oportunidade de aplicar na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula, vivenciando o ciclo completo de um projeto de software, desde a prototipação até a implementação; por outro, a comunidade escolar poderá usufruir de um recurso pedagógico inovador, pensado para complementar métodos tradicionais de ensino. A expectativa é que o jogo digital contribua para tornar o aprendizado da Biologia mais acessível e atrativo para crianças em processo de alfabetização, ao mesmo tempo em que valoriza a dimensão lúdica essencial nessa faixa etária. Como próximos passos, a equipe pretende finalizar as etapas de programação, aplicar testes práticos com estudantes da rede local e analisar os resultados obtidos a partir das observações e feedbacks. Posteriormente, busca-se ampliar o escopo do projeto, com a adaptação do jogo para diferentes faixas etárias. Dessa forma, espera-se que o produto final não apenas atenda às demandas imediatas do trabalho acadêmico, mas também se consolide como uma ferramenta útil e replicável em diferentes contextos educacionais. Assim, o desenvolvimento do jogo digital sobre a fauna demonstra a importância da integração entre ensino, pesquisa e extensão, reforçando o papel da tecnologia como aliada da educação infantil. A união entre prática acadêmica e impacto social coloca em evidência o potencial dos jogos digitais como instrumentos de aprendizagem, fortalecendo tanto a formação dos estudantes do curso removido para revisão anônima quanto a construção de recursos pedagógicos inovadores voltados para o futuro da educação

    Projeto Horta Educativa 2024/2025

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    A implantação de hortas no ambiente escolar tem importante papel para a comunidade escolar, contribuindo como o processo educativo, possibilitando a aprendizagem sobre a produção de hortaliças e fortalecendo a relação dos alunos com o meio ambiente. As hortas, como recurso pedagógico, podem ser integradas às disciplinas escolares, proporcionando uma aprendizagem mais dinâmica e envolvente, favorecendo o desempenho dos alunos em múltiplas disciplinas, além de ampliar a consciência ambiental e incentivar o consumo de alimentos saudáveis e sustentáveis. Além disso, as composteiras de resíduos orgânicos inseridas nas escolas complementam esse processo, transmitindo à comunidade escolar a importância do destino correto de resíduos e da compostagem de resíduos orgânicos para a geração de fertilizantes. Por meio do processo de compostagem, os resíduos orgânicos são transformados em fertilizantes, que podem ser utilizados para adubação orgânica nas hortas escolares. O Projeto Horta Educativa foi elaborado em atendimento à demanda da comunidade externa; professores das escolas Municipais de Bagé-RS Prof Peri Coronel e São Pedro entraram em contato com o IFSul Bagé para solicitarem auxílio na implantação de hortas escolares. O projeto foi submetido e aprovado no Edital PROEX Nº 02/2024. Em 2024, inicialmente, foram feitas visitas às escolas para a realização de reuniões com a direção e professores responsáveis para a apresentação e discussão das ações planejadas. Na sequência, os locais destinados para as hortas foram mensurados e foi feita a verificação e diagnóstico das condições locais para a instalação das hortas, como qualidade do solo e incidência solar. Foi elaborado um croqui com o planejamento e arranjo dos canteiros de forma de melhor aproveitamento da área. As mudas de hortaliças destinadas para as hortas foram produzidas nas instalações do Câmpus Bagé. Nas escolas foram realizadas oficinas de implantação e manejo de hortas escolares, assim como foi feito trabalho de conscientização sobre a importância da alimentação saudável e orientação sobre compostagem de resíduos orgânicos. Durante a realização das oficinas foi promovida a participação ativa dos alunos, sendo estimulados a compartilharem seus saberes e experiências sobre o assunto; os discentes realizaram o transplante de mudas, aprenderam sobre os cuidados básicos de plantio e manejo básico das plantas, irrigação, adubação, controle de plantas espontâneas e identificação de pragas. A equipe do projeto elaborou um logo do projeto e cartilhas que foram disponibilizadas para a comunidade escolar sobre implantação e manejo de hortas escolares e de compostagem de resíduos orgânicos. Diante dos positivos resultados obtidos em 2024, o projeto foi novamente submetido e contemplado em Edital de Extensão do IFSul (PROEX Nº 02/2025). No ano de 2025 o projeto está em fase de execução, com continuidade das ações realizadas anteriormente; realização de reuniões de planejamento, visitas para avaliação e ampliação dos canteiros, compostagem de resíduos orgânicos, produção de mudas de hortaliças e organização de novas oficinas. Os alimentos produzidos nas hortas escolares serão fornecidos para os refeitórios das escolas e utilizados na alimentação escolar. O envolvimento de professores, alunos e comunidade promoveu-se uma troca de saberes e experiências que ultrapassa os limites da sala de aula, com geração de impactos positivos no desempenho escolar, na formação de hábitos alimentares mais saudáveis, incentivo de instalação de hortas nas residências dos alunos e na preservação do meio ambiente. O projeto de extensão também proporciona a aproximação do IFSul da comunidade externa, promovendo uma relação transformadora entre as instituições de ensino e a sociedade. Os alunos bolsistas do projeto têm a possibilidade de aplicação prática dos conteúdos abordados em sala de aula, como técnicas de cultivo, manejo de solo, uso racional da água, controle de pragas e doenças, além de práticas sustentáveis de produção agrícola. Além disso, o projeto contribui com a formação cidadã e permite o desenvolvimento de habilidades interpessoais, estimulando nos alunos o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa, saudável e sustentável

    Diagnóstico Parasitológico Como Ferramenta de Auxílio para Produtores Rurais de Dom Pedrito e Região

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    As universidades possuem um papel social importante na busca de soluções dos problemas que a comunidade onde está inserida apresentam, o que pode ser sanado ou pelo menos diminuído através das ações extensionistas disponibilizadas à população. Na produção animal, as demandas relacionadas aos problemas com a sanidade dos rebanhos dificultam a produção, dentre as enfermidades possíveis de acometer as diversas espécies animais estão parasitoses gastrintestinais com suma importância pelas perdas produtivas que acarretam, desde baixa conversão alimentar, diminuição do peso, diminuição na produção leiteira e em casos mais graves pode ocasionar a morte dos animais. Com objetivo de auxiliar produtores rurais de Dom Pedrito e região foi disponibilizado através de projeto de extensão, exames laboratoriais parasitológicos, além de orientação quanto ao manejo para a prevenção das enfermidades causadas por endoparasitas intestinais, visando diminuir os prejuízos, regularizar o manejo e diminuir resistência parasitária se presente na propriedade. O uso frequente e incorreto de anti-helmínticos tem levado à resistência dos parasitas, tornando o controle mais difícil. Além disso, algumas parasitoses podem ser transmitidas ao ser humano, aumentando a relevância da prevenção, não basta apenas usar medicamentos, é essencial ter manejo correto, boas práticas de criação e orientação técnica para evitar resistência parasitária. Os exames coproparasitológicos foram realizadas no laboratório de microscopia e parasitologia da Unipampa, campus Dom Pedrito, onde é disponibilizado exames de quantificação de ovos por grama de fezes (OPG) e coprocultura para identificação dos principais gêneros parasitários. Inicialmente foi realizado o cadastro dos produtores e os mesmos foram orientados quanto a forma correta para a coleta e envio das amostras fecais dos animais ao laboratório, da mesma forma, a equipe do projeto de extensão foi às propriedades rurais para orientar e coletar os materiais quando necessário. O material fecal foi coletado da ampola retal dos animais, armazenados refrigerados e identificados, para posterior realização dos exames parasitológicos os quais foram realizados com no máximo 48 horas. No período de janeiro de 2024 a agosto de 2025 foram recebidos para análises parasitológicas 2.304 amostras provenientes de bovinos, equinos e ovinos da região da campanha gaúcha, onde 58,42% (1346) eram da espécie ovina, sendo (981 fêmeas) e (365 machos), seguida de bovinos com 27,69% (638 amostras) sendo (190 fêmeas) e (448 machos), e equinos com 13,88% (320 amostras) sendo (162 fêmeas) e (158 machos). Da mesma forma, foi possível verificar que na espécie ovina 81% dos animais estavam com média de OPG acima dos valores recomendados (>500 OPG), necessitando a administração de anti-helmínticos e controle parasitológico, enquanto que nos bovinos 58% e os equinos 45% demonstravam OPG elevado (> 300 OPG) . Os principais gêneros de endoparasitas gastrintestinais identificados nas coproculturas realizadas das amostras de ovinos e bovinos foram Haemonchus spp, Trichostrongylus spp, Cooperia spp e Ostertagia spp, enquanto que na coprocultura das amostras dos equinos foram identificados principalmente Strongylus sp., Ciatostomíneos, Trichostrongylus sp., Parascaris spp, Oxyuris equi. Com a realização do projeto de extensão verificou-se a necessidade da disponibilidade de assistência técnica como auxílio a produtores rurais com intuito de orientar e minimizar as perdas ocorridas na produção, em especial as ocasionadas pelas doenças parasitárias, uma vez que a frequência de animais parasitados foi elevada, da mesma forma, observou uma maior procura por partes dos ovinocultores, provavelmente, devido aos problemas de resistência e prejuízos ocasionados pelas parasitoses nessa espécie levando muitos animais a óbito. Além de que a disponibilização da assistência possibilita troca de experiência entre produtores e universidade fortalecendo a cadeia produtiva e complementando a formação acadêmica e social

    Lavar as Mãos: Prática Essencial Contra Doenças Transmitidas por Alimentos

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    Os surtos alimentares podem ocorrer pela contaminação dos alimentos por patógenos, inclusive por falhas na manipulação, como pela higienização inadequada das mãos. Alguns microrganismos, como Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Campylobacter sp., podem ser encontrados naturalmente em humanos e através destes contaminar os alimentos, sendo a higienização correta das mãos e manutenção de unhas aparadas uma das boas práticas de manipulação para prevenir a contaminação alimentar. Neste sentido, a conscientização da população sobre a importância dessa prática pode contribuir para redução de doenças alimentares, como por exemplo as doenças diarreicas que estão entre as cinco principais causas de morte de crianças menores de cinco anos no mundo. Este trabalho objetivou relatar as atividades de extensão desenvolvidas junto as líderes da Pastoral da Criança em Itaqui/RS visando a conscientização sobre a importância da lavagem das mãos na manipulação de alimentos. A Pastoral da Criança é uma Organização Não Governamental (ONG) que atua junto as famílias carentes da comunidade na promoção do desenvolvimento integral de crianças, desde a gestação até os seis anos de idade, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Para isto, foi desenvolvida uma atividade de extensão vinculada ao componente Microbiologia dos Alimentos do curso de Nutrição da Unipampa/Campus Itaqui voltada a orientação das líderes da Pastoral para difusão do conhecimento junto às famílias atendidas pela ONG. Esta atividade foi organizada com a participação dos acadêmicos que planejaram e executaram demonstrações e experimentos para serem apresentados às participantes com o intuito de demonstrar a importância de lavar as mãos corretamente na manipulação dos alimentos e apresentar os microrganismos que podem ser transferidos para os alimentos pelas mãos, bem como os riscos de infecção pela ingestão destes. Foi realizado o convite as líderes da ONG para participarem de um seminário sobre Cuidados no preparo de alimentos O tema foi exposto por meio de slides explicativos, nos quais foi demonstrado o passo a passo da lavagem correta das mãos, incluindo o tempo ideal, os movimentos recomendados e os cuidados com unhas e acessórios. Após a exposição, foi aberto espaço para dúvidas e questionamentos, promovendo um diálogo enriquecedor entre os participantes. Em seguida, as visitantes foram conduzidas ao laboratório de microbiologia para análise dos microrganismos presentes nas mãos sob diferentes formas de higienização. As participantes puderam observar placas de culturas microbianas preparadas pelos alunos e lâminas expostas nos microscópios apresentando a microbiota encontrada nas mãos (mãos sujas, mãos lavadas apenas com água, mãos lavadas corretamente com água e sabão, mãos com unhas grandes e mãos com unhas pintadas). Além disso, os estudantes fizeram uma discussão enriquecedora associando as demonstrações com o assunto discutido no seminário. A atividade permitiu aos participantes visualizar concretamente os riscos da má higienização das mãos, promovendo maior conscientização sobre os cuidados necessários na manipulação de alimentos. Alguns relatos das participantes demonstraram aquisição de novos conhecimentos que serão difundidos na comunidade e perplexidade na observação dos microrganismos encontrados. Para os estudantes promotores da ação, a atividade contribuiu com aprendizados sobre responsabilidade, organização, trabalho em equipe e fortaleceu os conhecimentos técnicos, sendo possível aplicar no cotidiano, os ensinamentos discutidos em sala de aula. O diálogo com a comunidade externa permitiu novos aprendizados sobre as necessidades da comunidade e as práticas desenvolvidas. Com isso, a prática extensionista contribuiu para evidenciar a necessidade de reflexão sobre o tema, cumpriu o objetivo de estreitar os laços entre a comunidade acadêmica e a sociedade, demonstrando que práticas simples podem evitar a contaminação dos alimentos. A ação reforça o papel social da Universidade através de suas atividades extensionistas, promovendo educação, saúde e cidadania. Além disso, fortalece o compromisso institucional com a formação de profissionais conscientes e preparados para atuar com responsabilidade na área de alimentos

    entre Saberes e Territórios: a Experiência do Escuta Viva na Promoção da Saúde Indígena e Quilombola Dentro da Universidade Federal do Pampa

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    O projeto de extensão A Grande Saúde dos Povos tem como base os princípios da troca e contato da educação intercultural, considerando como pauta principal a promoção de encontros que reverberem aquilo que os povos quilombolas e indígenas estudantes da UNIPAMPA - Campus Uruguaiana e as comunidades tradicionais da região compreendem e produzem como saúde, unindo, dessa forma, saberes ancestrais e acadêmicos. A iniciativa tem como base a ideia de grande saúde, conceituada por Nietzsche e Spinoza, a qual propõe a transmutação de saberes e experiências negativas em estímulos que fortaleçam e possibilitem a construção de uma vida melhor, subvertendo algumas noções eurocentradas de saúde, dor, pobreza, progresso. Busca-se assim maximizar a adesão de estudantes indígenas e quilombolas da UNIPAMPA, buscando contribuir para a redução da evasão e para o aumento da permanência destes povos no meio acadêmico, bem como para o ensino superior em saúde dos povos tradicionais. A ação de extensão Escuta Viva: Saúde nas Vozes Indígenas e Quilombolas, desenvolvida no âmbito do referido projeto, constitui um espaço de diálogo e valorização da diversidade cultural no campo da saúde. Para isso, baseia-se em uma série de encontros e ações que visam promover experiências onde estudantes indígenas e quilombolas e comunidades tradicionais de diferentes regiões possam articular maneiras de experienciar e divulgar como a saúde é vivenciada, transmitida e preservada por esses povos. Realizado em encontros virtuais mensais, a ação busca trazer para a universidade discussões sobre a saúde das populações tradicionais, dos povos originários e do povo negro, reconhecendo a importância de ouvir suas vozes e perspectivas. A proposta nasce da compreensão de que esses grupos enfrentam desigualdades históricas e estruturais, que impactam diretamente seu acesso ao cuidado em saúde e sua qualidade de vida. A Escuta Viva privilegia rodas de conversa, palestras e oficinas em que o protagonismo é dado às próprias comunidades, fortalecendo a ideia de que a saúde deve ser compreendida de maneira ampliada, em diálogo com a cultura, o território e a identidade coletiva. Ao unir saberes acadêmicos e tradicionais, o evento desmistifica preconceitos e amplia a compreensão sobre práticas de cuidado, espiritualidade, saúde mental e corporal, além de denunciar barreiras impostas pelo racismo estrutural, pela pobreza e pela exclusão social. Para estudantes e profissionais da saúde, a participação no Escuta Viva representa uma experiência de formação ampliada, que os sensibiliza para práticas de cuidado culturalmente adequadas. Como destaca Crenshaw (2018), a compreensão de desigualdades exige uma perspectiva interseccional, que leve em conta a sobreposição de marcadores como raça, gênero, classe e território. Assim, o evento fortalece a construção de práticas de saúde críticas e humanizadas. A aproximação com a realidade das comunidades quilombolas e indígenas contribui para a construção de práticas de saúde culturalmente sensíveis, alinhadas com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e das políticas públicas específicas, como a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Nesse sentido, os eventos reafirmam a universidade como espaço de resistência e transformação social. Além disso, o evento se insere nas diretrizes das políticas públicas brasileiras. O Ministério da Saúde (2002, p. 12) destaca que a atenção à saúde indígena deve considerar as práticas tradicionais de cuidado e a participação ativa das comunidades nos processos de decisão. De forma semelhante, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (BRASIL, 2017) reforça a necessidade de enfrentar o racismo institucional e estrutural que perpetua desigualdades em saúde. A ação Escuta Viva: Saúde nas Vozes Indígenas e Quilombolas reafirma a importância da escuta ativa e do reconhecimento dos saberes de povos historicamente silenciados. Para Lopes (2012), a superação das desigualdades em saúde depende da valorização da identidade e da história desses grupos. Ao promover encontros mensais que articulam universidade e comunidades, o evento reforça o papel social da universidade pública como promotora de equidade e justiça social. Mais do que um projeto de extensão, o Escuta Viva se constitui como um movimento de resistência cultural e de defesa de um SUS inclusivo, plural e verdadeiramente universal. Com início em julho de 2025, até o momento foram realizados dois encontros: com a médica indígena Maria Fernanda Novaes (Povo Atikum/PE) e com o antropólogo indígena Dr. João Paulo Barreto (Povo Yepamahsã-Ukano/AM), ambos tiveram ampla adesão de docentes e discentes de diferentes campus da Unipampa, bem como de representantes de outras universidades

    Cartilha de Apoio a Promoção da Alimentação Saudável na Assistência Técnica e Extensão Rural

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    A Cartilha Promoção da Alimentação Adequada e Saudável (PAAS) nos Serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) foi desenvolvida como material de apoio para extensionistas rurais, com o propósito de fortalecer ações educativas voltadas à promoção da saúde, da segurança alimentar e da sustentabilidade no meio rural. Fruto de uma parceria entre a Universidade Federal do Pampa, o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde, o material busca aproximar os princípios do Guia Alimentar para a População Brasileira das realidades do campo, da floresta e das águas. Mais do que apresentar conteúdos teóricos, a cartilha oferece ferramentas práticas, sugestões de atividades, estratégias pedagógicas e materiais educativos que podem ser aplicados em diferentes contextos comunitários. Seu objetivo foi apoiar o trabalho dos(as) extensionistas como agentes de transformação social, valorizando saberes locais, fortalecendo a agricultura familiar, preservando tradições alimentares e promovendo sistemas alimentares sustentáveis. Assim, este material representa uma importante contribuição para a construção de comunidades mais autônomas, saudáveis e resilientes, integrando saúde, cultura alimentar e desenvolvimento rural em uma abordagem intersetorial. A construção da Cartilha ocorreu de forma interdisciplinar, baseada em referenciais do Guia Alimentar para a População Brasileira e adaptada para o contexto da ATER. Foram desenvolvidos materiais educativos em diferentes formatos banner, carrosséis de cards e vídeos temáticos que abordam os eixos da produção, processamento, abastecimento e consumo de alimentos. A metodologia priorizou a linguagem acessível, a valorização de práticas agroecológicas e a aplicabilidade em atividades extensionistas como oficinas, rodas de conversa, feiras agroecológicas, encontros comunitários e redes sociais. Além disso, foram propostas estratégias de monitoramento e avaliação das ações, por meio de registros qualitativos (relatos, fotos e depoimentos), indicadores quantitativos (número de participantes e atividades realizadas) e instrumentos de feedback (questionários simples e relatórios). A Cartilha resultou na sistematização de conteúdos teórico-práticos que podem ser utilizados como suporte pedagógico para extensionistas rurais. Desse modo, a Cartilha cumpre a finalidade de realizar a aproximação do Guia Alimentar para a população brasileira nos serviços de ATER, destacando a maior integração entre saúde, agricultura e cultura alimentar no âmbito da ATER; fortalecimento da autonomia das comunidades na produção e consumo de alimentos saudáveis; aproximação de práticas agroecológicas, com valorização da biodiversidade e da produção para autoconsumo; estímulo à reflexão crítica sobre os sistemas alimentares, promovendo a construção de comunidades mais sustentáveis e resilientes. A elaboração da Cartilha reafirma a importância da intersetorialidade e da educação popular como estratégias centrais para a promoção da alimentação adequada e saudável no meio rural. Os materiais educativos desenvolvidos permitem que extensionistas atuem como agentes de transformação, articulando conhecimentos técnicos e saberes locais para fortalecer a segurança alimentar e nutricional, a preservação ambiental e a valorização cultural. Conclui-se que a Cartilha configura-se como um recurso inovador de apoio às práticas extensionistas, contribuindo para ampliar o alcance das políticas públicas de alimentação e nutrição e consolidar a construção de sistemas alimentares mais justos, inclusivos e sustentáveis. Ademais, destaca-se que a experiência proporcionada pela elaboração deste material evidencia o potencial da universidade em estreitar vínculos com a sociedade, promovendo não apenas a difusão de conhecimentos acadêmicos, mas também a construção coletiva de soluções voltadas às necessidades concretas das comunidades rurais. O processo de elaboração e aplicação da Cartilha reafirma o papel do extensionista como mediador entre ciência e prática, possibilitando o diálogo entre saberes e a valorização de práticas alimentares tradicionais. Ao fortalecer a agricultura familiar e estimular o consumo consciente, a iniciativa também contribui para a redução das desigualdades sociais, o respeito à diversidade cultural e a preservação da biodiversidade local. Dessa forma, a Cartilha ultrapassa o caráter de um simples material didático, configurando-se como ferramenta estratégica para a promoção da saúde e da cidadania, alinhada às diretrizes das políticas nacionais de alimentação e nutrição e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

    Álbum de Figurinhas como Instrumento de Incentivo à Alimentação Adequada e Saudável entre Crianças

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    A obesidade infantil tem sido um assunto de preocupação crescente, segundo a OMS 35 milhões de crianças menores de 5 anos estavam acima do peso em 2024, já em 2022 mais de 390 milhões de crianças e adolescentes entre 5 a 19 anos apresentavam excesso de peso. Relacionado a isso, alimentar-se de forma adequada e saudável na infância e adolescência contribui para receber os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento, assim como nessa fase se adquire hábitos alimentares que podem ser levados para a vida adulta. Pensando nisso, buscamos associar a prática de uma alimentação saudável com o uso de um álbum de figurinhas com super-heróis baseados em frutas, verduras ou legumes com poderes a partir dos nutrientes dos alimentos, como ferramenta lúdica para o aprendizado dos benefícios desses alimentos e diversão das crianças. O objetivo da atividade foi desenvolver um álbum de figurinhas para incentivar o consumo de frutas, verduras e legumes e avaliar o conhecimento de crianças sobre os benefícios desses alimentos sobre a saúde. O presente estudo é de caráter metodológico do tipo desenvolvimento, conduzido em 3 etapas. A primeira etapa consistiu na elaboração do álbum, contendo desafios e missões envolvendo o consumo de frutas, verduras e legumes. Na etapa seguinte, foi realizado um encontro, mediante convite enviado previamente aos pais. Nesse encontro foi aplicado um pré-teste para avaliar o conhecimento das crianças sobre as funções que determinados alimentos desempenham no nosso organismo, seguido de explanação sobre o tema, entrega de material sobre o conteúdo abordado e do álbum para cada criança. Ao longo de 14 dias, ao realizar o consumo de frutas, verduras e legumes, os pais das crianças deveriam realizar o registro fotográfico e compartilhar em aplicativo de conversa do grupo, como contrapartida para recebimento da figurinha correspondente ao alimento consumido. Cada página abordava sobre um grupo alimentar, continha um desafio extra para a criança realizar e QR codes com receitas fáceis e simples como sugestões de preparações. A última página do álbum continha a missão chef por um dia, onde a criança ajudaria alguém da família com alguma preparação e contaria a sua experiência. Na etapa final, foi realizado um segundo encontro, para entrega das figurinhas que as crianças conquistaram, aplicado um pós- teste, com mesmas questões do pré-teste, sobre alimentos e suas funções, e realizada uma avaliação de satisfação. Para tanto, uma escala hedônica de 4 pontos com imagens que representavam Não gostei e Gostei muito foi utilizada. Um total de 16 crianças participaram do primeiro encontro e receberam o álbum de figurinhas. Quanto ao consumo de F,V&L ao longo das duas semanas, obtivemos registros fotográficos correspondentes a 11 (68,75%) crianças, sendo que, 8 (72,70%) delas consumiram todos os três grupos alimentares propostos (frutas, verduras e legumes). No segundo encontro, 6 crianças compareceram e destas, 66,6% completaram, tanto o desafio extra como a missão chef por um dia, para os quais foi entregue figurinhas especiais. Em seguida, foi aplicado o pós teste, contendo as mesmas perguntas realizadas no primeiro encontro. No pré-teste, o percentual de acertos foi de 31,25%, enquanto no pós-teste 63,3%.A pergunta com maior percentual de acerto foi: qual alimento auxilia na saúde dos olhos?, enquanto qual alimento fortalece os ossos e previne diabetes? e qual alimento previne doenças no fígado? foram as perguntas com menor percentual de acertos. A avaliação de satisfação da atividade pelas crianças foi de 100% (gostei muito ou gostei). Com base nos resultados observa-se que o álbum de figurinhas foi uma ferramenta eficaz para estimular o consumo de frutas, verduras e legumes de forma lúdica, contribuindo para compreensão da importância desses alimentos na nossa saúde e na adoção de hábitos alimentares saudáveis

    Aproveitamento de resíduos orgânicos escolares: práticas sustentáveis na alimentação

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    O desperdício de alimentos representa um dos maiores desafios atuais no âmbito da sustentabilidade, causando impactos significativos no meio ambiente, na economia e na sociedade. Nas cozinhas escolares, observa-se com frequência o descarte de partes dos alimentos, como cascas, talos e folhas, que embora nutritivas e seguras para o consumo, não são utilizadas nas preparações tradicionais. O aproveitamento integral dos alimentos surge como uma medida sustentável, que proporciona além da diminuição dos resíduos resultantes do descarte dos alimentos, o enriquecimento e a complementação nutricional das refeições. Essa abordagem, também conhecida como economia circular, busca o aproveitamento de subprodutos e resíduos da produção de alimentos para criar novos produtos alimentícios ou ingredientes, promovendo a sustentabilidade e a inovação. Com base nesse cenário, objetivou-se desenvolver uma proposta de intervenção em uma Escola da Rede Municipal de Ensino Fundamental, localizada nas proximidades da Unipampa campus Bagé, a fim de quantificar os resíduos gerados a partir da elaboração do cardápio diário e avaliar o potencial de desenvolvimento de novos produtos. Para isso, foram pesados durante 14 dias, os resíduos gerados na cozinha escolar. Nesse período, registrou-se a quantidade de partes dos alimentos não aproveitadas nas preparações, como cascas, talos e folhas, que normalmente seriam descartadas. Os dados obtidos foram registrados diariamente e, posteriormente, somados possibilitando a quantificação e avaliação do volume médio de resíduos produzidos por dia. Na etapa seguinte, os resíduos foram classificados de acordo com sua origem (frutas, hortaliças, tubérculos, leguminosas etc.) e avaliados quanto ao potencial de reaproveitamento em preparações culinárias, considerando aspectos nutricionais e de viabilidade tecnológica. Os resultados permitiram identificar os tipos de resíduos mais representativos no cardápio da escola. O total de resíduos gerados foi de 10,81 kg, sendo os maiores volumes provenientes da batata (6,21 kg; 57,5% do total) e banana (2,30 kg; 21,3%), seguidos pela bergamota (2,02 kg; 18,7%), cenoura (1,36 kg; 12,6%) e beterraba (0,92 kg; 8,5%). A análise quantitativa evidenciou que, foram servidas 3.539 refeições (1.625 cafés da manhã e 1.914 almoços) e ao relacionar a massa total de resíduos com o número de refeições, verificou-se uma média de 3,05 g de resíduo por refeição. Tal diagnóstico demonstra que uma parte considerável dos insumos adquiridos poderia ser melhor utilizada, reduzindo desperdícios e agregando valor nutricional às refeições escolares. A quantificação e a caracterização dos resíduos alimentares em ambiente escolar mostraram-se etapas fundamentais para o planejamento de ações de reaproveitamento sustentável. Os resultados obtidos apontam para a viabilidade de desenvolver novos produtos a partir de subprodutos usualmente descartados, contribuindo para a redução do desperdício, a economia de recursos e o fortalecimento da sustentabilidade no âmbito escolar. Recomenda-se que, em etapas futuras, sejam realizados testes práticos de incorporação desses resíduos em receitas, acompanhados de análises nutricionais e sensoriais, de modo a consolidar sua aplicação na alimentação escolar e servir de referência para políticas públicas voltadas à economia circular e ao aproveitamento integral de alimentos. Essa etapa diagnóstica constitui a base para futuras ações de reaproveitamento e sustentabilidade a serem implementadas em parceria com a comunidade escolar

    Auxílio de Desenvolvimento Acadêmico Indígena e Quilombola: Um Relato de Experiência no Campus Unipampa Uruguaiana

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    O presente trabalho traz um relato em construção, vinculado ao Auxílio de Desenvolvimento Acadêmico Indígena e Quilombola (ADAIQ), no campus Uruguaiana da Universidade Federal do Pampa. O projeto, intitulado Grupo de Estudos, Integração e Apoio aos Discentes Indígenas e Quilombolas, está nascendo como um espaço coletivo de escuta, acolhimento e partilha de saberes. Ele surge do desejo de criar um lugar em que estudantes indígenas e quilombolas possam se reconhecer, se apoiar e fortalecer sua caminhada acadêmica. A iniciativa vem sendo conduzida por uma estudante bolsista do ADAIQ, em parceria com um discente bolsista do MONIQ e uma docente tutora, alinhando-se às ações afirmativas da Unipampa, que buscam não apenas abrir as portas da universidade, mas também garantir que esses estudantes possam permanecer e se sentir pertencentes a esse espaço. A proposta central do projeto é simples, mas profundamente necessária: criar condições para que os discentes indígenas e quilombolas se sintam acolhidos e apoiados em sua trajetória. Para isso, estão sendo planejadas rodas de conversa, encontros periódicos e atividades coletivas que possibilitem a troca de experiências e a construção de estratégias conjuntas para enfrentar os desafios que surgem no dia a dia. Ainda que, inicialmente, a ideia fosse atender prioritariamente os ingressantes, a ausência de novas entradas pelo processo seletivo específico fez com que o projeto fosse ampliado, alcançando todos os estudantes indígenas e quilombolas do campus. Esse ajuste, longe de ser um obstáculo, se tornou uma oportunidade de ampliar o diálogo e fortalecer ainda mais a rede de apoio. O desenvolvimento do projeto acontece em etapas. O primeiro movimento tem sido mapear e identificar quem são esses estudantes no campus. Esse mapeamento não é apenas uma tarefa burocrática: ele significa reconhecer existências, evitar que essas presenças sejam invisibilizadas e, sobretudo, reunir pessoas que compartilham histórias e desafios semelhantes. A cada estudante identificado, abre-se a possibilidade de criar vínculos de confiança, de troca e de construção coletiva. A partir do mapeamento o foco se voltará para os encontros, que serão organizados como rodas de conversa, onde a voz de cada estudante encontrará espaço para ser ouvida. Acreditamos que nesses momentos, irão emergir relatos de dificuldades semelhantes às que já identificamos, como o impacto da mudança de cidade, a adaptação ao clima e à rotina acadêmica, as limitações financeiras e, infelizmente, as situações de preconceito e racismo que ainda atravessam a vida universitária. Ao partilhar essas vivências amparados pelo grupo, se transforma o que antes era um fardo individual em uma luta e um aprendizado coletivos. O papel do ADAIQ se revela essencial nesse processo. Mais do que garantir apoio financeiro, o auxílio representa reconhecimento e afirmação: sinaliza que a universidade entende a importância da presença indígena e quilombola e que esses estudantes não estão sozinhos em sua caminhada. Esse valor simbólico é poderoso, porque rompe com a lógica da invisibilidade e reforça a ideia de pertencimento, tão necessária para que a permanência se torne possível. Embora ainda em desenvolvimento, o projeto já mostra sinais de que está se tornando um espaço de fortalecimento e integração. As rodas de conversa têm se configurado como momentos de acolhimento e troca, nos quais ideias circulam, laços se estreitam e novas estratégias surgem. Mais do que melhorar o desempenho acadêmico, essas ações começam a fortalecer a autoconfiança, a identidade e a convicção de que cada um desses estudantes tem lugar legítimo dentro da universidade. Assim, o Grupo de Estudos, Integração e Apoio aos Discentes Indígenas e Quilombolas segue sendo construído coletivamente, passo a passo. Ele não se limita a uma atividade acadêmica, mas se apresenta como uma vivência transformadora, que articula acolhimento, resistência e pertencimento. Ao apostar no diálogo e na valorização da diversidade, o projeto reafirma o papel do ADAIQ como um instrumento essencial de promoção da equidade, ajudando a fazer da universidade um espaço verdadeiramente plural e inclusivo

    Impacto da Tomada de Espuma na Percepção de Características Sensoriais Vegetais/herbáceas em Vinhos Tintos

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    O vinho fino é definido como a bebida com teor alcoólico entre 8,6% e 14%, elaborada exclusivamente com uvas da espécie Vitis vinifera e por processos que asseguram qualidade sensorial. Dentre as variedades tintas, a Cabernet Sauvignon destaca-se como uma das mais cultivadas no mundo, originada na França no século XVII do cruzamento espontâneo entre Cabernet Franc e Sauvignon Blanc. Outra variedade de importância crescente é a Carménère, cujas videiras foram levadas de Bordeaux para o Chile Central em meados do século XIX, antes da devastação causada pela filoxera. Caracteriza-se por notas herbáceas, associadas principalmente às metoxipirazinas, compostos aromáticos de forte influência sensorial. Os espumantes constituem uma categoria diversificada de vinhos, produzidos a partir de diferentes variedades de uvas, regiões vitivinícolas e métodos de elaboração. O espumante brasileiro já é reconhecido internacionalmente por sua qualidade, mas ainda enfrenta o desafio da diversificação de cultivares, o que motiva o desenvolvimento de novos produtos, como o espumante tinto, ainda pouco explorado comercialmente. Nesse contexto, a escolha da levedura é um fator determinante para a qualidade final, visto que diferentes linhagens podem modificar a intensidade e o equilíbrio aromático. Assim, este trabalho buscou avaliar a influência do tipo de levedura na expressão sensorial de notas vegetais/herbáceas em espumantes tintos elaborados a partir das variedades Cabernet Sauvignon e Carménère. Foram utilizados vinhos tintos comerciais das variedades Cabernet Sauvignon e Carménère. A elaboração dos espumantes tintos seguiu o método de tomada de espuma, aplicando-se dois tratamentos distintos: T1 (levedura autóctone): linhagens naturais presentes na microbiota da uva, do parreiral e do solo e, T2 (levedura comercial): Pinnacle Bubbly, levedura seca ativa, selecionada para fermentações de espumantes, reconhecida pela produção de aromas frutados sutis e positivos. Após a segunda fermentação, as amostras foram submetidas à análise sensorial conduzida por avaliadores treinados, utilizando Perfil Descritivo Quantitativo. O foco principal foi a intensidade da nota vegetal/herbácea, avaliada em escala de 1 (nenhuma percepção) a 9 (percepção muito intensa). A média dos resultados na escala de 1 a 9 da questão vegetal/ herbáceo em relação aos espumantes tintos avaliados, observou-se que houve a menor percepção de vegetal/herbáceo no tratamento T2 em ambas as variedades a Cabernet Sauvignon 2,55 (T2), enquanto a Carménère 3,00 (T2), o que pode indicar que a levedura Pinnacle Bubbly inibiu parcialmente a presença dessa nota. Entretanto a Cabernet Sauvignon foi de 3,55 (T1), e a Carménère 3,91 (T1). Apesar da diminuição em ambos tratamentos, a Carménère manteve maiores valores, mantendo sua tendência inicial do vinho tranquilo utilizado de ter a presença de notas mais vegetais/herbáceas. Esses resultados indicam que o tratamento T2 contribuiu para menor expressão de aromas verdes, favorecendo maior equilíbrio sensorial dos espumantes tintos. Pode-se concluir que a tomada de espuma influenciou a percepção sensorial dos espumantes tintos, deixando os aromas vegetais/herbáceos presentes menos perceptíveis. O tratamento com a levedura Pinnacle Bubbly (T2) reduziu a intensidade vegetal/herbácea, principalmente na Cabernet Sauvignon, favorecendo maior equilíbrio aromático. A Carménère manteve notas mais herbáceas, confirmando sua característica tanto varietal, como do próprio produto original. Esses reforçam a importância da escolha adequada da levedura no processo de elaboração de espumantes tintos, uma vez que diferentes cepas podem exercer influência significativa sobre as características sensoriais, físico-químicas e a qualidade final da bebida, evidenciando o papel determinante desse insumo enológico no sucesso do produto

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