Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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Música e Matemática em Conexão: Um Relato de Experiência Interdisciplinar no Ensino Médio
A música, presente na vida humana em diferentes contextos sociais e culturais, tem se mostrado uma importante aliada no desenvolvimento cognitivo e emocional. Nesse contexto, tanto o conhecimento matemático quanto o musical adquirem maior profundidade e relevância à medida que essas conexões se intensificam e se diversificam. Este trabalho relata a experiência de um músico participante do projeto Acordes da Matemática, desenvolvido em uma escola pública de Ensino Médio da cidade de Itaqui RS, no âmbito do estágio curricular de uma estudante de Licenciatura em Matemática. A proposta teve como objetivo aproximar conceitos matemáticos e musicais, explorando as interseções entre percepção sensorial e raciocínio lógico por meio de práticas realizadas com o uso do violão. A metodologia consistiu em uma sequência de aulas aplicadas em três turmas do 2º ano do Ensino Médio, nas quais foram abordados conteúdos relacionados a frequências sonoras, escalas naturais e cromáticas, intervalos e acordes. As demonstrações musicais, aliadas a explicações matemáticas, possibilitaram aos alunos visualizar relações entre cálculos de frações, potências e frequências, bem como compreender a estrutura de acordes maiores e menores, associando-os às sensações de alegria e tristeza. Além disso, foram utilizadas músicas contrastantes para reforçar a percepção de como diferentes combinações de notas resultam em distintas expressões emocionais. A articulação entre esses dois campos do saber, considerando suas convergências e distinções, pode contribuir para a ampliação da rede de significados construída pelos alunos. O ato de conhecer envolve, em alguma medida, a compreensão dos sentidos atribuídos aos conteúdos, os quais não são fixos ou imutáveis, mas se constituem a partir das relações que estabelecemos entre diferentes elementos. Os resultados observados indicaram que a integração da música ao ensino de matemática despertou maior interesse e participação dos estudantes, facilitou a compreensão de conceitos abstratos e permitiu vivências mais intuitivas do conteúdo. Embora as interações tenham variado entre as turmas, constatou-se que a visualização prática dos cálculos e a utilização do violão como recurso didático ampliaram o engajamento e a aprendizagem. A experiência mostrou que a interdisciplinaridade entre música e matemática contribui para a formação integral do aluno, promovendo tanto o desenvolvimento lógico quanto a expressão criativa, e destacando a importância de metodologias inovadoras no processo de ensino-aprendizagem. Conclui-se que a música, por sua natureza acessível e universal, é uma ferramenta pedagógica para tornar a matemática mais atrativa, significativa e próxima da realidade dos estudantes, possibilitando conexões que ultrapassam as fronteiras disciplinares e fortalecem a educação de forma integrada. A inserção do instrumento musical nas explanações do professor configura-se como um recurso didático que reforça a abordagem teórica, uma vez que o instrumento possibilita uma demonstração mais atrativa e concreta dos conceitos. Além disso, evidencia-se a viabilidade de se aprender a execução instrumental integrando a matemática como elemento estruturante do ensino da teoria musical. A compreensão do funcionamento de um instrumento demanda o entendimento de suas escalas e intervalos tópicos frequentemente trabalhados por meio de conceitos matemáticos, como "meio tom", "um tom e meio" e "dois tons". Tais expressões fazem parte do léxico cotidiano dos músicos, que muitas vezes as utilizam de forma intuitiva, sem necessariamente recorrer às definições matemáticas que lhes dão fundamento
Preparação Docente: Enfrentando os Desafios da Sala de Aula na Perspectiva do Pibid
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) é uma iniciativa do Ministério da Educação através da Coordenação de Aperfeiçoamento de Profissionais de Nível Superior (CAPES) que, desde 2007, visa incentivar a formação de professores, contribuindo significativamente para a melhoria da educação pública no Brasil. O Programa proporciona aos estudantes de licenciatura a oportunidade de vivenciar a prática docente antes da conclusão do curso, promovendo uma maior segurança e confiança ao lidar com a realidade da sala de aula. Durante a experiência no PIBID, os licenciandos enfrentam diversos desafios, como a necessidade de lidar com diferentes perfis de alunos, a falta de engajamento e interesse por parte dos estudantes, a adaptação do conteúdo para atender às diversas formas de aprendizagem e a escassez de recursos tecnológicos. As atividades, realizadas em escolas da Educação Básica no âmbito do PIBID, permitem que os futuros educadores coloquem em prática os conhecimentos adquiridos na universidade, desenvolvendo habilidades essenciais para a profissão e preparando-os para os desafios do cotidiano escolar. Aprendi, em minha experiência como bolsista de iniciação à docência, que ensinar é uma tarefa complexa, pois estamos acostumados a criar métodos que funcionam para nós mesmos, mas cuja adoção pode não ser eficaz para alunos da Educação Básica. Compreendi a importância de entender as necessidades individuais dos estudantes e como posso ajudá-los a superar suas dificuldades, reconhecendo que existem diferentes modos de aprender e que os desafios de ensinar são variados. Além disso, percebi que muitos alunos não demonstram vontade de estudar, em parte porque as aulas não conseguem capturar sua atenção. Essa falta de interesse pode ser atribuída a diversos fatores, como a monotonia de algumas abordagens de ensino e a desconexão entre o conteúdo e a realidade dos alunos. Também identifiquei que os estudantes chegam à sala de aula com deficiências de aprendizagem que precisam ser suplantadas. Além de ser capaz de entender o aluno, o professor necessita estar preparado para enfrentar situações inesperadas, pois nem sempre o que é planejado ocorre como esperado. Essa flexibilidade é crucial para atender as demandas escolares e promover aulas dinâmicas e diversificadas. Cada dia traz aprendizados únicos que não podem ser ensinados teoricamente, mas necessitam ser experienciados. A vivência no ambiente escolar e a interação com diferentes tipos de personalidades e dificuldades de aprendizagem são cruciais para a formação de um professor. Essa experiência é necessária e enriquecedora para um educador, e o PIBID proporciona essa oportunidade de forma antecipada, permitindo aos licenciandos vivenciarem o conhecimento docente sobre como funciona, do ponto de vista do professor, o ambiente escolar e as dificuldades que podem surgir ao longo do caminho. Concluo que enfrentar os desafios, que a sala de aula impõe ao educador, é fundamental, pois proporciona aos licenciandos uma experiência de docência compartilhada e reflexiva com colegas pibidianos orientados por um(a) professor(a) supervisor(a) da Educação Básica e um(a) professor(a) coordenador(a) da Educação Superior antes mesmo do estágio obrigatório. Um professor capacitado é aquele que consegue resolver os desafios do ambiente escolar, reconhecendo as necessidades dos alunos e adaptando sua forma de ensinar para garantir uma melhor compreensão. Assim, utilizando os conhecimentos adquiridos durante o Programa, os educadores que vivenciaram experiências no PIBID são capazes de promover a aprendizagem dos estudantes e impactar positivamente a educação pública. A contribuição para a formação docente inclui a busca por aportes metodológicos dinâmicos e interativos, além do estudo sobre como acontece a aprendizagem em crianças e jovens em idade escolar. A prática docente, aliada à reflexão crítica sobre as experiências vividas, contribui para a formação de educadores mais conscientes e preparados para enfrentar os desafios da profissão. Entendemos, assim, que a continuidade e a expansão de iniciativas para a formação inicial de professores, como as vivenciadas no PIBID, são essenciais para que os futuros educadores estejam preparados para enfrentar os desafios da educação contemporânea
A Resistência Estudantil S Mudanças Metodológicas no Ensino Fundamental: Experiências do Pibid
No Ensino Fundamental, é muito comum os alunos demonstrarem resistência quando são realizadas aulas diferentes da maneira tradicional, em que o professor explica o conteúdo e os alunos repetem o que foi informado. Essa resistência se mostra especialmente em atividades mais dinâmicas, trabalhos em grupo ou metodologias ativas, que fogem do padrão habitual de ensino. Muitas vezes, os alunos preferem a segurança do que já conhecem e evitam as dificuldades para se adaptarem a mudanças. Essa preferência pela abordagem tradicional é lógica, uma vez que as aulas convencionais estão presentes na prática de quase todos os professores, criando um ambiente familiar e previsível para os estudantes. Este relato é baseado na minha experiência como bolsista do Programa Institucional de Iniciação à Docência - PIBID. Como bolsistas desse Programa, somos desafiados a implementar novas práticas pedagógicas em sala de aula, com o objetivo de qualificar a formação de professores e produzir melhorias no ensino público. A partir da vivência prática, podemos perceber que a resistência dos alunos não vem apenas de uma preferência simples, mas também está conectada à forma como eles se sentem diante do desconhecido. Em alguns casos, essa resistência é ainda mais acentuada pela insegurança dos próprios bolsistas que, geralmente, são iniciantes na prática docente e ainda estão desenvolvendo suas habilidades para aplicar essas metodologias com segurança. Para compreender melhor essa situação, observei como os alunos reagiam às atividades que fugiam do formato tradicional. Percebi que, mesmo em uma turma com bom desempenho em Matemática e desenvolvimento abrangente, os estudantes apresentam resistência a metodologias diferentes daquela em que o professor explica como resolver os exercícios matemáticos e os alunos reproduzem as soluções em novas questões. Esse fato pode ser explicado pelo receio de que essas novas abordagens comprometam seu rendimento nas provas, que são vistas como um reflexo direto de seu aprendizado e desempenho acadêmico. Essa preferência pelas práticas tradicionais, mais conhecidas e seguras, é comprovada em uma resistência natural às mudanças propostas. Nesse processo, o suporte e a formação dos bolsistas se mostraram essenciais. É fundamental que os futuros educadores possam elaborar estratégias que tornem as propostas pedagógicas mais explícitas, atrativas e inclusivas. Isso ajuda a reduzir a insegurança tanto dos alunos quanto dos próprios futuros professores. A formação contínua e o acompanhamento dos bolsistas são cruciais para que eles se sintam mais preparados e confiantes ao implementar novas metodologias em turmas do Ensino Fundamental. Os resultados dessa experiência indicam que a maneira de superar a resistência dos estudantes está diretamente relacionada ao preparo dos bolsistas. Eles precisam estar capacitados para enfrentar situações inesperadas e para comunicar as vantagens das metodologias inovadoras, tornando-as interessantes e relevantes para os estudantes. Além disso, é fundamental criar um ambiente escolar que valorize e apoie essas mudanças. Um ambiente que incentiva o protagonismo dos estudantes permite que eles experimentem novas formas de aprender sem medo de errar ou de sair do padrão habitual. Dessa forma, as aulas tornam-se mais participativas e significativas, o que pode aumentar o engajamento e o interesse dos alunos. Quando os alunos se sentem parte ativa do processo de aprendizagem, eles tendem a se envolver mais e a desenvolver um senso de pertencimento à comunidade escolar. Portanto, para que a resistência dos estudantes seja vencida, é necessário combinar o preparo dos futuros professores com a sensibilidade para entender as necessidades e limitações do público escolar. O trabalho desenvolvido pelo PIBID mostra que, quando esses aspectos são considerados, a inserção de metodologias ativas e diferenciadas tem muito mais chances de sucesso. Essa abordagem pode transformar positivamente a experiência de ensino e aprendizagem no Ensino Fundamental, contribuindo para a formação de alunos mais críticos, criativos e preparados para os desafios do futuro. Assim, é essencial que continuemos a investir na formação inicial de professores e na implementação de práticas pedagógicas inovadoras, garantindo que todos os alunos tenham acesso a uma educação de qualidade que os prepara para o mundo em constante mudança. Gostaria de agradecer a CAPES pela oportunidade de participar de um projeto que tem grande importância acadêmica
A Contação de História Como Fonte de Pertencimento
A CONTAÇÃO DE HISTÓRIA COMO FONTE DE PERTENCIMENTO
O objetivo do respectivo trabalho realizado no âmbito da intervenção pedagógica, conforme o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), subprojeto Alfabetização, foi incorporar a leitura como fio condutor nas atividades em sala de aula. O projeto ocorreu em duas turmas de segundo ano, sendo uma na Escola Estadual de Ensino Fundamental Joaquim Caetano da Silva (E.E.J.C) e outra na Escola Municipal de Ensino Fundamental General Antônio de Sampaio, ambas localizadas no município de Jaguarão, Rio Grande do Sul. Nesse viés, o desenlace observado por meio dessas práticas demonstraram aspectos relacionados ao uso da leitura como instrumento de pertencimento, identificação, acolhimento e sobretudo, como um momento de compartilhamento de saberes e vivências. Sob essa ótica, a leitura foi utilizada como estrutura central, antecedendo qualquer prática de ensino e alfabetização. Dessarte, essa abordagem possibilitou o fortalecimento da autoestima das crianças, o reconhecimento de suas identidades e principalmente a inclusão. Diante do exposto, para melhor compreensão, será compartilhado como tais leituras ocorriam nos espaços de ensino. As leituras eram iniciadas com a apresentação da capa do livro, incentivando os estudantes a observarem a ilustração e responder perguntas como: O que está sendo visto na figura? O que o personagem está fazendo? e Onde ele se encontra?. Em seguida, propunham-se desafios, como criar uma história inspirada na capa, auxiliando as crianças com a expressão inicial Era uma vez e estimulando a continuidade por meio de questionamentos como: O que aconteceu depois?, O que o personagem fez? e Para onde ele foi?. A partir desses questionamentos, as respostas das crianças eram registradas para futuras atividades. Posteriormente, examinou-se o livro novamente, para a leitura do título comparando as hipóteses levantadas pelas crianças com a narrativa real, proporcionando um breve diálogo sobre isso. Por conseguinte, leu-se a capa, gerando discussão e comparando suas informações com as ideias das crianças baseadas no título do livro. Por fim, apresentou-se textos sobre a autora e iniciou-se a leitura da obra. Nessa faixa etária, a atividade esteve focada na exploração das ilustrações pelas crianças, acompanhada pela leitura. Durante a narrativa, realizavam-se pausas para esclarecer dúvidas de termos desconhecidos, retomando perguntas para reafirmar ou contrapor as hipóteses levantadas anteriormente. Considerando esse ponto, bem como o desenvolvimento das habilidades de escuta e pertencimento. Sendo assim, foram planejadas intervenções pedagógicas, inspiradas por autoras como Emilia Ferreiro, Magda Soares, Luciana Piccoli e Patrícia Camini, que trazem a leitura como eixo principal para a sequência didática. Em vista disso, no âmbito do ensino eram incluídas rodas de conversa acerca da problemática do texto, envolvendo diferentes interpretações, construção de pensamento crítico, encorajamento a relatos pessoais e identificação com características semelhantes aos personagens. Também foram utilizados materiais impressos e jogos como recursos complementares. Ademais, os efeitos gerados através do trabalho em conjunto das professoras pibidianas juntamente às professoras titulares demonstram a eficácia das estruturas utilizadas durante os meses da intervenção pedagógica em ambas as turmas, fortalecendo o compromisso com as práticas de alfabetização. Logo, consideramos que a experiência vivida no âmbito do PIBID exprimiu que a leitura, quando assumida como fio condutor do processo de alfabetização, transcende a mera decodificação do escrito. Isso ocorre porque a leitura se configura como prática de acolhimento, escuta e partilha, capaz de fortalecer identidades e abrir espaço para que cada criança reconheça sua voz no coletivo.
Palavras-chave: Leitura; Identidade; Alfabetização
A Influência do Conceito de Consciência de Classe de Karl Marx na Educação do Campo: Um Estudo de Caso no Curso de Educação do Campo na Unipampa Campus Dom Pedrito.
A Educação do Campo constitui um espaço estratégico para a formação crítica, política e cultural dos sujeitos sociais que vivem em contextos rurais historicamente marcados por desigualdades estruturais, exclusão social e ausência de políticas públicas eficazes. No Brasil, a história da educação do campo foi moldada por iniciativas descontextualizadas, em geral pautadas por uma lógica urbana, que pouco dialogaram com as especificidades culturais e sociais das comunidades camponesas (CALDART, 2004). Nesse cenário, a teoria marxista, especialmente o conceito de consciência de classe, fornece um referencial potente para compreender as contradições sociais e o papel da educação na superação da alienação. Para Marx (2011), a classe trabalhadora só se transforma em sujeito coletivo e revolucionário a partir da tomada de consciência de suas condições materiais de existência, organizando-se para a transformação da sociedade. Assim, investigar como esse conceito tem sido incorporado no curso de Educação do Campo da UNIPAMPA Campus Dom Pedrito permite analisar o impacto das práticas pedagógicas na formação de estudantes como sujeitos sociais críticos e engajados. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, buscando interpretar a realidade a partir das experiências e percepções dos sujeitos (MINAYO, 2014). Foram aplicados questionários a estudantes do 2º e do 6º semestre, comparando percepções de ingressantes e concluintes acerca da consciência de classe, além de entrevistas semiestruturadas com docentes responsáveis pelas práticas pedagógicas, possibilitando identificar concepções, metodologias e estratégias utilizadas para fomentar a formação crítica dos alunos (BOGDAN; BIKLEN, 1994). Também foi realizada análise documental do Projeto Pedagógico do Curso (PPC), planos de ensino e demais documentos institucionais, verificando a inserção da teoria marxista e do conceito de consciência de classe como orientadores das práticas pedagógicas. Trata-se de uma pesquisa exploratória (GIL, 2008), por aprofundar um tema pouco estudado, e descritiva (LAKATOS; MARCONI, 2017), pois detalha práticas, estratégias e percepções sem interferência direta, utilizando triangulação entre dados para analisar a articulação entre teoria, prática pedagógica e formação crítica. O aporte teórico fundamenta-se em Marx e Engels, que destacam a luta de classes como motor da história e a consciência de classe como elemento central para a emancipação dos trabalhadores (MARX; ENGELS, 2007). Marx (2011) diferencia a classe em si, definida pelas condições objetivas, da classe para si, caracterizada pela consciência política e organização coletiva. A educação, nesse processo, pode servir à reprodução da ordem capitalista ou à emancipação (SAVIANI, 2003). Libâneo (2012) ressalta que as práticas pedagógicas devem considerar o contexto social e histórico, favorecendo a formação integral, e Vygotsky (2000) aponta a centralidade da interação social na construção da consciência. A Educação do Campo emerge, assim, como espaço de resistência, valorização cultural e luta por justiça social (ARROYO, 2004; CALDART, 2004), ainda enfrentando desafios como infraestrutura precária e ausência de políticas públicas consistentes (SANTOS, 2017). A pesquisa já avançou para a etapa de coleta de dados, em processo de análise e categorização, visando identificar padrões de respostas, níveis de apropriação do conceito de consciência de classe e diferenças entre estudantes ingressantes e concluintes. Os resultados preliminares apontam que, em ambos os grupos, existem concepções equivocadas sobre o conceito, revelando lacunas na articulação entre teoria e prática. Nos ingressantes, a consciência de classe é muitas vezes reduzida à desigualdade social; nos concluintes, embora haja maior aprofundamento e vinculação com aspectos políticos e identitários, persistem interpretações parciais que não contemplam integralmente a perspectiva marxista da organização coletiva para transformação social. As práticas pedagógicas, entretanto, demonstram papel significativo no processo de conscientização, sobretudo quando articulam os conteúdos curriculares às realidades sociais e culturais do campo. Do ponto de vista docente, espera-se que as entrevistas ampliem a compreensão sobre intencionalidades formativas, metodologias e desafios, e que a análise documental do PPC evidencie em que medida o curso assume, de forma institucional, a formação política como objetivo central. Os resultados em fase de sistematização e as discussões posteriores buscam demonstrar a relevância do curso de Educação do Campo da UNIPAMPA Campus Dom Pedrito como espaço de resistência, emancipação e formação crítica, reafirmando o papel da universidade na construção de sujeitos sociais engajados, capazes de intervir em suas comunidades e contribuir para processos de transformação social
O PIBID e suas interfaces: Contribuições de um dossiê socioantropológico
O programa de Iniciação à Docência (PIBID), do Curso de Ciências da Natureza, possibilita aos licenciandos adquirir mais conhecimento e prática para exercer a licenciatura futuramente. Foi desenvolvido pelos pibidianos a construção de um dossiê socioantropológico, onde reúne informações, geralmente construídas a partir de entrevistas, registros fotográficos, questionários, analisando as suas interações culturais, sociais e históricas de uma Escola Estadual município, diante disso, o objetivo deste trabalho é a visão dos professores e funcionários e relatar as atividades desenvolvidas no PIBID pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Dom Pedrito. Foi realizada a aplicação de dois questionários, que foram construídos a partir da plataforma Google forms, que foi considerado a contribuição de professores e funcionários da instituição. Diante o exposto, as atividades explanadas foram desenvolvidas no primeiro semestre de 2025 em três momentos distintos: a) organização e sistematização; b) documentação c) questionário. No primeiro momento realizou-se a coleta de dados e registros, para facilitar a compreensão do processo desenvolvido. No segundo, trata-se de um documento que visa organizar um conjunto de registros e informações sobre um determinado tema, pessoa ou situação, geralmente reunido para fins de análise, pesquisa ou tomada decisão. No terceiro momento foi produzido um questionário para professores e funcionários para levantamento de dados. A coleta de informações foi realizada presencialmente, pibidianos se deslocavam até a sala do professores, com os funcionários foi realizada na cozinha da escola, sendo assim, a coleta das respostas foi realizada de maneira organizada e humanizada. Foram um total de 39 entrevistados, sendo, 29 professores e 10 funcionários que ocupam o cargo de assistente educacional, servente e higienização. Para os professores foi abordado os seguintes temas: porque escolheu ser professor; em qual área você atua; há quanto tempo você atua nesta escola; qual a sua formação (licenciatura, especialização, mestrado, etc.); você possui algum hobbie fora da escola? quais?; quais desses recursos você conhece: jogos pedagógicos, mapa conceitual, experimentação, sala invertida; portfólio, estação por rotação, outros; você já utilizou a tela interativa? Com que frequência?; para você, qual o papel do professor no processo ensino-aprendizado?. A primeira pergunta porque escolheu ser professor as respostas foram bastante semelhantes o que apontou uma mesma ideia central, todos iniciaram sua jornada com o desejo claro de atuar na educação, muitos encontraram na sala de aula o verdadeiro propósito. Alguns relatos destacam a influência de figuras inspiradoras, como pais e professores, o amor pelo ensino, pelas crianças e pela possibilidade de transformar vidas, o que consolidou a escolha profissional. Para os funcionários entrevistados as perguntas efetuadas foram as seguintes: qual sua função/ ocupação na escola?; há quanto tempo você trabalha nesta escola?; qual a importância do seu trabalho para a escola?; o que te motiva a trabalhar nesta escola?; gostaria de realizar algum projeto na escola? qual(is)?;. A pergunta destaque foram duas perguntas: O que te motiva a trabalhar na escola?, uma resposta que se repetiu várias vezes foi que se sentiram acolhidos pelos alunos, professores e colegas, também que, gostam do que fazem. Gostaria de realizar algum projeto na escola? Qual(is)? Somente uma funcionária respondeu que sim, desenvolver um projeto para obter uma composteira, que é um recipiente onde se promove a compostagem, um processo biológico de reciclagem de resíduos orgânicos que os transforma em adubo natural rico em nutrientes, sendo, que contribuiria muito para alimentação dos alunos. O processo de construção do dossiê socioantropológico possibilitou um maior reconhecimento social e da comunidade escolar, permitindo uma análise abrangente sobre o funcionamento da instituição escolar. Cada segmento contribui significativamente para a compreensão do comprometimento coletivo e colaborativo na construção de um ambiente educacional inclusivo, acolhedor e eficiente. O PIBID tem sido muito importante, pois através dele discentes conseguem ter uma melhor visão sobre a realidade das escolas
Projeto Rádio Laboratório Unipampa: o Radiojornalismo na Prática
O Projeto Rádio Laboratório Unipampa é uma atividade acadêmica desenvolvida no campus São Borja da Universidade Federal do Pampa Unipampa, localizada na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. O Projeto teve início no dia 5 de maio de 2022 e objetiva proporcionar aos discentes do Curso de Jornalismo a produção, gravação, edição e postagem, através da plataforma digital Spotify, do Programa Unipampa Informa. Realizado em duas edições semanais, nas terças e quintas-feiras, o Programa trabalha com notícias e informações de cunho institucional, educacional e cultural oriundas dos 10 campi e da Reitoria da Unipampa. Além do Spotify, o Unipampa Informa está presente no Instagram, com matérias especiais e reportagens, e no YouTube, por meio da cobertura de eventos. A produção, pós-produção, distribuição e acompanhamento de rede social estão sob a responsabilidade dos discentes vinculados ao Projeto de Ensino. A equipe é formada por redatores, locutores, repórteres e editores que, a partir da reunião de pauta, definem quais os temas de maior relevância devem ser abordados na programação. Para a produção dos conteúdos, o campus São Borja da Unipampa disponibiliza o Laboratório de Rádio, apoio técnico, equipamentos e softwares digitais de gravação e edição profissionais que permitem que os discentes realizem as práticas jornalísticas, utilizando as Tecnologias Digitais de Informação Comunicação - TDICs semelhantes às das empresas de comunicação do país. Da mesma forma, para as produções para as mídias digitais e redes sociais são disponibilizadas câmeras e microfones profissionais. Nessa perspectiva, a produção do Unipampa Informa segue os preceitos e características dos boletins informativos com trilhas, linguagem e estilo radiofônico (FERRARETTO, 2007) segmentado para o público-alvo formado pela comunidade interna e externa da Unipampa. A produção segue a fórmula dos 'quatro is', que considera a importância do fato para o ouvinte, o impacto que pode gerar em sua vida, o grau de interesse do conteúdo e o nível de imediaticidade da informação (CHANTLER; STEWART, 2006). Além disso, o projeto adota o uso do texto manchetado, em que os locutores se alternam na leitura das frases. Conforme Ferraretto (2000), esse recurso torna o noticiário mais dinâmico, facilita a compreensão e mantém a atenção do ouvinte. Em caso de matérias quentes ou de última hora, a equipe tem condições de pautar e realizar transmissões ao vivo pelo Instagram ou YouTube, como ocorreu durante a 37ª Feira do Livro de São Borja, realizada em 2024, quando notícias e entrevistas foram divulgadas em tempo real para a comunidade. Ao longo de 3 anos de atividades, o Projeto Rádio Laboratório Unipampa se constitui como importante polo difusor de conhecimento, técnicas e práticas em Radiojornalismo que são fundamentais para formação cidadã e profissional dos discentes de Jornalismo. Entre 16 de abril e 12 de julho de 2025, o projeto publicou 21 episódios do programa Unipampa Informa no Spotify. No Instagram, as postagens tiveram início em 5 de novembro de 2024 e seguem ativas até o momento, totalizando 23 publicações. Os conteúdos incluem reportagens, entrevistas, registros culturais e materiais de divulgação do projeto e de outras iniciativas acadêmicas. Embora a conta ainda esteja em fase inicial, o alcance já se mostra expressivo: o reel mais visualizado ultrapassou 3.000 visualizações (3.041). Os resultados também se encontram na formação prática dos estudantes, que experimentam funções diversificadas (pauta, reportagem, locução, edição e gestão de redes) e desenvolvem habilidades técnicas. Os resultados obtidos até aqui apontam para a relevância da continuidade e expansão do projeto, que está vinculado à Direção do campus São Borja e integra as iniciativas de implantação da Rádio Educativa Unipampa FM na frequência de 106.1 cujo processo está em tramitação no Legislativo e Executivo Federal. Há tratativas da Reitoria da Unipampa em estabelecer convênio com a Empresa Brasileira de Comunicação - EBC a fim de que a programação da emissora pública, pertencente ao governo federal, possa estar presente na programação retransmitida pela Unipampa FM. Conclui-se que o Projeto Rádio Laboratório Unipampa contribui de forma significativa para a formação acadêmica e cidadã dos discentes do curso de Jornalismo, ao integrar teoria e prática em um espaço que simula as condições profissionais do mercado. Além de promover a difusão de informações de interesse público, a iniciativa fortalece o vínculo entre a Universidade e a comunidade, cumprindo um papel social de democratização da comunicação
Assessoria de Comunicação no Contexto Acadêmico: Um Relato de Experiência no Mania de Brechó
A comunicação estratégica tem se mostrado cada vez mais necessária para pequenos empreendimentos que buscam se consolidar no mercado. A assessoria de comunicação desempenha um papel essencial nesse processo, pois permite estruturar ações planejadas de relacionamento com o público e potencializar a visibilidade das marcas. Segundo Chaparro (2000), a assessoria deve ser compreendida como um processo estratégico, capaz de organizar e mediar os fluxos de informação entre instituições e seus diferentes públicos. Neste contexto, a disciplina de Assessoria de Comunicação do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) busca integrar teoria e prática, propiciando o desenvolvimento de habilidades de planejamento, execução e avaliação em contextos reais. O objetivo deste trabalho é apresentar a experiência acadêmica de assessoria das alunas do 6° semestre de jornalismo, Ana Carolina de Moura Conceição e Ellen Paiva da Silva, desenvolvida na disciplina de Assessoria de Comunicação, sob orientação da professora Eloísa Klein. A assessoria foi aplicada ao Mania de Brechó, liderado por Ara Knapp, que atua na venda de roupas, calçados e acessórios seminovos a preços acessíveis. O brechó, além de atender a demandas econômicas, também se insere no movimento de fortalecimento da moda sustentável, estimulando práticas de consumo consciente e contribuindo para a valorização do comércio local. A escolha do Mania de Brechó se deu pela necessidade de ampliar e qualificar a divulgação nas redes sociais do empreendimento, especialmente no Instagram. O uso do perfil pessoal da proprietária no Facebook limitava o alcance e dificultava a captação de novos clientes, principalmente jovens. Além disso, a ausência de identidade visual comprometia o posicionamento da marca no mercado de brechós em São Borja. A partir do diagnóstico inicial, as ações foram planejadas e executadas desde abril de 2025. Entre elas, destacam-se: a criação de um perfil exclusivo no Instagram, a definição da identidade visual, produção de conteúdos estratégicos (carrosséis, reels e stories) e a elaboração de um release publicado na Folha de São Borja. O trabalho incluiu ainda entrevistas com a proprietária, registros fotográficos, audiovisuais, e organização de um cronograma de publicações. Durante o processo, as ações foram constantemente acompanhadas e avaliadas a partir do retorno da proprietária e da interação do público. A participação ativa da Ara Knapp foi essencial para garantir que os conteúdos refletissem sua identidade, fortalecendo a autenticidade do perfil. A equipe também priorizou horários com maior número de acessos, intercalando fotos dos produtos com cards informativos. Tecnologias de inteligência artificial foram utilizadas principalmente para revisão ortográfica e sugestões de posts, sob supervisão da professora responsável. A resposta do público foi positiva e incentivou novas produções. Postagens mais descontraídas, como memes e dicas, geraram mais engajamento, enquanto conteúdos mais densos foram adaptados para uma linguagem acessível e direta. No mês de maio, o Instagram atingiu mais de 7 mil visualizações, alcançando 907 contas, sendo 23% novos seguidores, demonstrando a atração do público externo. Em junho, os números apresentaram queda devido à menor frequência de publicações, principalmente nos stories: foram 3.188 visualizações e 182 contas alcançadas. Ainda assim, a maior parte das visualizações veio de seguidores, indicando que o público que acompanha o perfil se mantém engajado. Mesmo com a queda nos números, os resultados foram significativos: diversas pessoas conheceram o estabelecimento por meio da assessoria e do conteúdo publicado nas redes. A criação do Instagram aumentou a visibilidade da marca, e muitas pessoas passaram a entrar em contato para obter informações sobre os produtos. Esse período representou uma experiência de muito aprendizado, com resultados concretos tanto online, quanto presencial. A experiência acadêmica de assessoria realizada no Mania de Brechó permitiu a vivência, na prática, dos desafios e das oportunidades presentes nessa área. Conforme destaca Jorge Duarte (2020), a estratégia de comunicação envolve "a concepção e implantação de uma solução de comunicação original para uma questão importante". Essa abordagem foi fundamental para o desenvolvimento das produções, a fim de atender às necessidades específicas do brechó. Percebe-se, assim, a importância de um planejamento estratégico bem estruturado, da criação de conteúdos que dialoguem com o público-alvo e da definição da identidade visual para potencializar os resultados. Além disso, o trabalho evidenciou como a comunicação pode ser um vetor de transformação social e ambiental, já que o Mania de Brechó, ao incentivar o consumo consciente e a reutilização de peças, fortalece a moda sustentável, contribuindo para reduzir os impactos da indústria da moda e consolidando o aprendizado acadêmico em um contexto de relevância comunitária
Experiências do Pibid em Música: Práticas Pedagógicas e Formação Docente na Escola Básica
Este trabalho apresenta as experiências desenvolvidas no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) vinculadas a um curso de Licenciatura em Música, enfatizando sua relevância para a formação docente inicial e para a inserção dos estudantes universitários no cotidiano escolar. O subprojeto em questão teve como propósito aproximar os licenciandos das realidades de ensino na escola básica, proporcionando vivências pedagógicas que articulassem teoria acadêmica e prática educativa, ao mesmo tempo em que buscou contribuir com a qualidade da educação pública. As atividades foram realizadas em uma escola da rede pública de ensino fundamental e se organizaram em dois momentos complementares: uma etapa inicial de observação e diagnóstico, seguida da aplicação de um plano de aula coletivo, elaborado pelos bolsistas com orientação dos professores supervisores e da coordenação institucional. Na fase de observação, realizada em novembro de 2024, os licenciandos acompanharam a rotina escolar, os horários e espaços de convivência, as práticas pedagógicas de diferentes docentes e a interação dos alunos nas aulas de artes. Esse processo investigativo resultou em um panorama detalhado sobre o contexto educacional, as potencialidades e os desafios da comunidade escolar, servindo como subsídio para a elaboração das intervenções pedagógicas que seriam implementadas no ano seguinte. No início de 2025, após a sistematização dos dados obtidos na observação, foi elaborado um plano de ação direcionado a turmas de 7º e 9º ano do Ensino Fundamental, estruturado em três frentes pedagógicas. A primeira concentrou-se em atividades de sensibilização sonora e musical, utilizando jogos rítmicos, práticas de percussão corporal, exercícios de escuta ativa e a construção de linhas do tempo musicais que buscavam ampliar a percepção histórica da música. Essa etapa também incorporou recursos digitais, como experimentações criativas no aplicativo Suno, por meio do qual os alunos puderam explorar a composição musical em formato acessível, conectando-a à produção de registros artísticos visuais. A segunda frente voltou-se à improvisação rítmica, favorecendo o diálogo entre teoria musical e prática criativa. Através da retomada dos exercícios corporais e da introdução gradual de conceitos de figuras musicais, os estudantes foram incentivados a experimentar diferentes combinações rítmicas, explorando tanto aspectos técnicos quanto expressivos. Essa metodologia lúdica e integrada mostrou-se eficaz para a compreensão dos conteúdos, ao mesmo tempo em que possibilitou maior participação dos alunos nas atividades coletivas. A terceira frente promoveu a construção de instrumentos musicais a partir de materiais recicláveis, em oficinas que mobilizaram a criatividade, a consciência ambiental e o trabalho colaborativo. Essa etapa culminou em uma apresentação coletiva, na qual os estudantes executaram a canção tradicional congolesa Olélé Moliba Makasi, originária do povo que vive às margens do rio Cassai, na República Democrática do Congo. A escolha da obra buscou valorizar a diversidade cultural, ampliar o repertório musical escolar e criar um espaço de reconhecimento das matrizes africanas na música, favorecendo práticas inclusivas e de valorização da memória afrodescendente. Os resultados evidenciaram que a abordagem prática e interativa contribuiu para a assimilação de conteúdos musicais, para o fortalecimento do engajamento estudantil e para o desenvolvimento criativo, possibilitando aos alunos experimentar diferentes formas de expressão artística. Entre os desafios enfrentados, destacou-se a escuta musical fragmentada, influenciada pelo consumo rápido e parcial de músicas em plataformas digitais, o que dificultava a percepção da forma e da duração completas das obras. Diante dessa realidade, as atividades buscaram incentivar a escuta integral, a reflexão sobre a estrutura musical e a produção de composições mais conscientes. Para os bolsistas, a experiência representou um espaço privilegiado de formação docente, pois permitiu vivenciar o planejamento coletivo, a aplicação de metodologias inovadoras e a reflexão crítica sobre a prática pedagógica. Além de favorecer a construção da identidade profissional, o projeto reforçou a importância do PIBID como política pública de valorização da docência e de aproximação entre universidade e escola. Conclui-se que o subprojeto em Música possibilitou aprendizagens significativas tanto para os licenciandos quanto para os estudantes da escola básica, demonstrando que práticas pedagógicas criativas, colaborativas e culturalmente sensíveis têm potencial para renovar a educação musical e fortalecer sua relevância no currículo escolar
Oficina de Redação do Enem: Um Relato de Experiência dos Bolsistas do Pet Letras Jaguarão
O presente trabalho está vinculado à categoria ensino e faz parte do Projeto de Ensino Tecelaria da Palavra que está destinado aos alunos do terceiro ano das Escolas Estaduais do Ensino Médio de Jaguarão-RS e comunidade externa, incluindo pessoas que terminaram o ensino médio e possuem o interesse em realizar a prova do ENEM. O objetivo é apresentar a experiência dos bolsistas do PET Letras, Campus Jaguarão, referente a 2 edições de Oficinas de Redação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), sendo uma realizada no ano de 2024, ocorridas nos dias 18/10/2024 e 01/11/2024 e outra, nas sextas-feiras do primeiro semestre de 2025, iniciando no dia 09/05/2025 e término em 18/07/2025. As oficinas foram realizadas na sala 309 da UNIPAMPA - Universidade Federal do Pampa, campus Jaguarão. Como aporte teórico para as oficinas utilizou-se a cartilha do participante do ENEM, considerado o documento oficial do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) que inclui as competências e os critérios de avaliação para o candidato produzir um texto de qualidade. Nesse contexto, os petianos optaram por fazer abordagens pedagógicas que pudessem privilegiar técnicas de redação que melhor trabalhassem a autonomia do aluno frente ao texto, buscando desenvolver suas habilidades para realizar um projeto de texto, interpretar os textos de apoio, bem como sua capacidade de revisar o texto final. Nesse sentido, trabalhou-se no aluno o desenvolvimento das habilidades de leitura e interpretação. Também foi trabalhada a análise da estrutura textual a fim de capacitar o aluno a compreender o tipo dissertativo-argumentativo, bem como as partes que compõem esse tipo de texto, capacitando-o a desenvolver a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Após as realizações de todas as oficinas do ano de 2024, o grupo PET Letras analisou e refletiu sobre os dados produzidos, tanto pelos alunos como pelos responsáveis pelas oficinas e concluiu que os resultados foram parcialmente satisfatórios, uma vez que uma parcela dos alunos apresentava um modesto repertório de leitura, além de não conseguir concluir a redação dentro do tempo previsto para a realização dessa atividade. Feitas essas reflexões, o grupo iniciou o planejamento para a segunda edição de oficinas de redação de 2025, a partir de uma atividade de sondagem com os alunos inscritos, contemplando atividades que ajudassem no desenvolvimento de um repertório cultural, bem como de conteúdos e leituras adequados aos exigidos pela banca responsável pelo ENEM. A proposta colaborou para desenvolver no aluno a escrita de um texto dissertativo-argumentativo que atenda às competências estudadas a partir da cartilha do ENEM, regras para a prática de estruturação e análises das redações nota 1000 dos anos anteriores. Em consonância com as dificuldades do candidato que vai prestar o ENEM, as atividades propostas na edição de 2025 auxiliam o aluno a entender a estrutura de uma redação, a desenvolver melhor os argumentos que irão defender os seus pontos de vista, a realizar leituras que irão constituir o seu repertório cultural, atributos esses necessários para construção de uma redação eficiente e eficaz. Para o docente em formação, esse projeto materializa os conhecimentos adquiridos ao longo do curso de Licenciatura em Letras Português e Literaturas de Língua Portuguesa, permitindo desenvolver competências que lhe ajudarão a criar propostas, cada vez mais adequadas às necessidades e aos objetivos almejados pelo aluno. Por outro lado, ao trabalhar com as dificuldades pontuais dos alunos e tornar mais fácil e menos complicado o ato de elaborar um texto dissertativo-argumentativo, o grupo PET evidencia o comprometimento da UNIPAMPA em proporcionar para a comunidade jaguarense uma educação de qualidade e gratuita