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Os Jogos na Educação Infantil: Uma Ferramenta Lúdica de Apoio Ao Ensino da Matemática
A existência dos Serious Games ou seja, jogos eletrônicos desenvolvidos com o
objetivo de promover o ensino e a aprendizagem não é uma novidade, especialmente
quando voltados para crianças em fase inicial de escolarização. Desde os primeiros anos da
popularização da tecnologia digital na educação, diversos jogos têm sido criados com a
intenção de auxiliar no desenvolvimento de habilidades cognitivas, lógicas e matemáticas,
oferecendo uma alternativa recreacional e interativa ao ensino tradicional.
A matemática é frequentemente vista como uma matéria complexa e desestimulante
no ensino básico, o que representa um desafio para os professores ao tentar engajar os
estudantes e simplificar a compreensão de seus conceitos. Diante desse cenário, este
trabalho tem como objetivo desenvolver um jogo educacional voltado para as séries iniciais,
com a finalidade de ensinar a completar sequências numéricas, contar e identificar números
romanos. A proposta é utilizar a dinâmica do jogo para tornar o processo de aprendizagem
mais atraente e envolvente para as crianças.
Na elaboração do jogo, foi utilizada a plataforma de desenvolvimento Unity, reconhecida por sua interface intuitiva, alto nível de otimização e compatibilidade com múltiplos sistemas, permitindo que o mesmo seja desenvolvido e disponibilizado para diversas plataformas, sejam elas computadores, celulares ou tablets.
Para a conceitualização das fases, utilizou-se da ferramenta digital de design gráfico conhecida
como Canva. Com seu auxílio, pode-se facilmente tranformar ideias em telas sem a
necessidade de programá-las, podendo avaliar seus designs e buscar mais precisamente
simplicidade e clareza visuais.
No que diz respeito à jogabilidade, optou-se pelo estilo drag and drop (arrastar e
soltar), por se tratar da alternativa mais acessível e interativa para o público-alvo, garantindo
uma experiência simples e democrática. As fases, conforme mencionado anteriormente,
foram organizadas em três principais temas: a primeira, destinada ao reconhecimento e à
conclusão de sequências numéricas; a segunda, voltada à identificação de quantidades
representadas por frutas e à associação com o algarismo correspondente; e a terceira, com
o propósito de estimular a compreensão dos números e de seus equivalentes em algarismosromanos.
Como resultado deste projeto, obtivemos um produto de design convidativo, de uso
simples e democrático, com grande potencial tanto para apresentar quanto para reforçar os
conteúdos presentes nas aulas das séries iniciais da educação infantil, tornando o
aprendizado mais divertido e, por consequência, mais interessante e marcante para os
pequenos. De igual maneira, obtiveram-se grandes resultados de cunho professional
decorrentes do planejamento e execução deste trabalho, contribuindo na construção de
programadores mais experientes e preparados para lidar com prazos, falhas e
discordâncias, além de, através de sua proposta, promover os estudantes à utilizar de seus
conhecimentos e habilidades a fim de auxiliar a sociedade ao seu redor.
Por fim, este trabalho evidencia que, diante da constante expansão e revolução
tecnológica dos tempos atuais, torna-se essencial adotar novas práticas de ensino que
integrem tecnologia e pedagogia. Ao proporcionar um primeiro contato mais lúdico e
interativo com os conteúdos escolares, é possível transformar a percepção das crianças
sobre as aulas deixando de vê-las como algo cansativo e passando a encará-las como
uma atividade divertida e estimulante , o que contribui diretamente para o fortalecimento
do processo de ensino-aprendizagem. Desta maneira, conclui-se que os jogos eletrônicos
possuem o potencial para serem muito mais do que meras ferramentas de entretenimento,
podendo não apenas transformar a assimilação do conteúdo por parte das crianças, como
também formar profissionais mais sensíveis, criativos e comprometidos com o impacto social
da tecnologia
Impacto da monitoria de Bromatologia no desempenho acadêmico de Ciência e Tecnologia de Alimentos 2025/1
A monitoria acadêmica é uma ferramenta pedagógica essencial no ambiente universitário, atuando como suporte para aprofundar o conhecimento e auxiliar os estudantes a superarem dificuldades em componentes curriculares específicos. Essa modalidade contribui significativamente para o processo de ensino-aprendizagem, envolvendo o estudante-monitor no planejamento e execução de atividades que complementam o trabalho do docente. Apesar de sua importância, a monitoria nem sempre é plenamente aproveitada, e muitos discentes que poderiam se beneficiar acabam não utilizando o recurso. O presente trabalho teve como objetivo principal analisar os resultados e a percepção dos discentes sobre a monitoria ofertada no componente curricular de Bromatologia para o Curso de Ciência e Tecnologia de Alimentos (CTA) durante o semestre letivo de 2025/1. As atribuições do monitor incluíram o atendimento extraclasse de 20 horas semanais, a presença em aulas práticas, a elaboração e auxílio na resolução de listas de exercícios e a revisão de relatórios. Foram utilizados os dados de desempenho acadêmico disponíveis no Sistema GURI (Gestão Unificada de Recursos Institucionais) e os registros dos atendimentos individuais. Ao final do semestre, antes da divulgação das notas finais, foi disponibilizado o link de um questionário de avaliação com 10 perguntas fechadas e um campo para sugestões aos discentes matriculados. O componente de Bromatologia é reconhecido como desafiador devido à sua ementa técnica e exigência de relatórios de aulas práticas. No semestre 2025/1, dos 4 discentes matriculados, apenas 1 (25%) foi aprovado. Historicamente, a monitoria tem registrado melhores índices de desempenho desde sua implementação no componente de Bromatologia, em 2014. Desde então, os percentuais de discentes aprovados oscilaram em torno de 50%, o que representa uma melhoria, pois anteriormente os percentuais eram inferiores. No entanto, a procura pelo atendimento de monitoria sempre foi baixa. No período avaliado, apenas 1 dos 4 estudantes (25%) buscou atendimento, justamente o único discente que foi aprovado. O que contribuiu para a baixa procura foi o fato da monitoria ter sido disponibilizada apenas a partir da metade do semestre. O início da vigência das bolsas, três meses após o início do primeiro semestre de cada ano letivo, prejudica o trabalho de monitoria, pois os discentes não contam com o auxílio desde o início desse semestre. O questionário de avaliação, respondido por 3 dos 4 discentes (66,7%), apresentou resultados majoritariamente positivos em relação à importância e clareza da monitoria. No entanto, a satisfação com o esclarecimento de dúvidas foi dividida, com 50% dos respondentes indicando que as dúvidas foram parcialmente sanadas. Os que responderam atribuíram notas que refletem um "bom" grau de satisfação com a monitoria, e todos manifestaram a intenção de frequentá-la novamente. A principal razão para a busca por atendimento foi a necessidade de auxílio com dúvidas teóricas e a elaboração de relatórios. Um dos discentes relatou não ter procurado o monitor devido a conflitos de horário com outras atividades letivas, ainda que houvesse flexibilidade de horários oferecida pela monitora. A baixa procura por atendimento e o retorno de apenas parte de questionários indicam desinteresse da maioria dos discentes, que negligenciam a oportunidade de apoio. Portanto, apesar do potencial da monitoria em contribuir para a aprovação e o aprendizado em Bromatologia, a sua implementação tardia comprometeu a efetividade da iniciativa no semestre 2025/1. A percepção positiva dos alunos sugere que a monitoria é uma ferramenta valiosa. Espera-se que, no segundo semestre de 2025, com a oferta da monitoria desde o início e um maior número de alunos nas turmas de Bromatologia, a demanda por atendimento, o desempenho nas avaliações e o retorno de informações sejam significativamente superiores
Efeito de Resíduos de Origem Animal e Vegetal em Vermicompostagem
A compostagem pode ser definida como a transformação biológica da matéria orgânica em adubo (Meena et al., 2021). Constitui uma ferramenta fundamental de sustentabilidade, pois acelera a decomposição de resíduos vegetais e animais, reduz perdas de nutrientes e aumenta a troca de nutrientes entre os diferentes sistemas de produção. A vermicompostagem consiste no processo de decomposição de resíduos orgânicos através da ação de minhocas.
Os materiais usados na elaboração de um composto orgânico devem ser ricos em carbono e pobres em nitrogênio, como bagaço de cana, serragem ou palhada de gramíneas, misturados com materiais ricos em nitrogênio, como esterco bovino, torta de mamona ou folhas de leguminosas, para um melhor equilíbrio da relação C/N.
Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo elaborar vermicompostos a partir de resíduos de origem vegetal, resíduos de origem animal e a mistura de ambos e avaliar a qualidade do composto a partir da quantificação do teor nutricional e do pH. O experimento foi conduzido na Casa de Vegetação da Universidade Federal do Pampa - Campus Dom Pedrito (RS).
Três Unidades Experimentais (UE) foram estabelecidas em baldes plásticos com capacidade de 25 kg, perfurados para drenagem do chorume. Amostras de solo do Campus foram coletadas e acondicionadas de forma equivalente nas três unidades experimentais. A UE 1, foi elaborada exclusivamente com resíduos orgânicos vegetais, como cascas de frutas e legumes picadas, borra de café e erva-mate. A UE 2, foi elaborada com resíduos exclusivamente de origem animal, como esterco (mix de bovinos, ovinos e equinos), cascas de ovos e penas. A UE 3, foi elaborada com a mistura de resíduos vegetais e animais.
Em cada UE distribuiu-se 15 unidades de minhocas californianas da espécie Eusenia fetida. As minhocas foram inseridas após 15 dias do início da elaboração do composto orgânico. Durante o experimento, realizaram-se misturas periódicas para homogeneização e ajustes de umidade, quando necessário. Após o período de três meses (90 dias) a vemicompostagem foi finalizada. O pH foi medido em 3 etapas do experimento (07/10/2024; 03/12/2024; 09/07/25). O inicial e intermediário no Laboratório da Unipampa, Campus Dom Pedrito, com auxílio de um peagâmetro.
Aproximadamente meio quilo de composto orgânico de cada UE foi encaminhado ao Laboratório de Análise de Solo no Centro Universitário da Região da Campanha - Campus Bagé (RS), a fim de avaliar os teores de matéria orgânica, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e enxofre, bem como o valor do pH final.
Avaliações visuais (cor), sensoriais (odor) e de textura, bem como o monitoramento das minhocas, por contagem, também foi realizado ao final do experimento. Ao comparar as 3 UE, o composto orgânico que reuniu resíduos de origem animal e vegetal apresentou coloração mais escura, melhor textura e praticamente triplicou o número de minhocas.
Os resultados de medição de pH nas UE apresentaram comportamento semelhante, ou seja, a primeira medição mostrou valores mais ácidos, onde na UE 1 o valor de pH foi 6,1, e nas UE 2 e 3, valores de pH de 4,6 e 5,5 respectivamente. Na segunda medição as três UE apresentaram um aumento no valor de pH (6,4). De acordo com Kiehl (2002) um composto esta maturado quando o pH apresenta-se acima de 6.0. Na medição final as três EU apresentaram valores próximo a 7,0. Segundo Zhang & He, (2006), valores próximo à neutralidade são um importante indicativo da estabilização da biomassa.
Em relação à avaliação nutricional a vemicompostagem apresentou valores altos de matéria orgânica (ROLAS, 2004). Estes valores foram mais expressivos nas UE 2 e 3 (6,5% e 7%, respectivamente) quando comparada a UE 1 (5,2%). Os teores nutricionais de Cálcio (entre 10,6 a 12,5 cmolc.dm-3, Magnésio (entre 3,8 a 5,1 cmolc.dm-3), Fósforo (>50 mg.dm-3), Potássio (> 600 mg.dm-3) e Enxofre (entre 17,5 e 19 mg.dm-3) foram altos (ROLAS, 2024), indicando que o processo de mineralização dos resíduos orgânicos foi efetivo.
De forma geral, a vermicompostagem nas três UE demostrou ser uma estratégia eficaz para recuperar ou manter a fertilidade do solo. Entretanto, através das avaliações visuais e contagem de minhocas, a UE 3, com resíduos animais e vegetais apresentou um melhor equilíbrio possivelmente em razão da relação C/N.
KIEHL, E.J. Manual de compostagem: maturação e qualidade do composto. Piracicaba: [s.n.], 2002. 171p.
MEENA, A. L., KARWAL, M., DUTTA, D., & MISHRA, R. P. Composting: phases and factors responsible for efficient and improved composting. Agriculture and Food: e-Newsletter, 1, 85-90, 2021.
ROLAS, Manual de Adubação e Calagem para os estados do RS e SC. Comissão de química e fertilidade do solo. 10ed. Porto Alegre. 2004. 400p.
ZHANG, Y; HE, Y. Co-composting solid swine manure with pine sawdust as organic substrate. Bioresource Technology 97 (2006), 2024-2031
USO DE PROTOCOLOS DE PROCEDIMENTOS DE ENFERMAGEM EM MONITORIAS DO CURSO DE ENFERMAGEM
As instituições de ensino superior têm estimulado o incremento de diferentes estratégias pedagógicas para desenvolver competências e habilidades profissionais/acadêmicas. Dentre estas, destacam-se as atividades de monitoria acadêmica, que por meio de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, aprofundam conteúdos específicos a partir da troca entre pares. Ainda, o uso de protocolos de procedimentos, na Enfermagem, como ferramenta pedagógica nas monitorias contribui para a padronização das práticas, ampliando a segurança durante a execução das atividades e assegurando que o ensino esteja alinhado às evidências científicas. Enquanto tecnologia em saúde os protocolos sistematizam, padronizam e atualizam os procedimentos, a partir da elaboração pautada na evidência científica e experiência profissional docente. Deste modo, contextualiza os discentes aos cenários práticos e facilita o desenvolvimento de habilidades e competências dirigidas à realidade assistencial. Este trabalho objetiva relatar a experiência do uso de protocolos de procedimentos de enfermagem em monitorias de ensino do componente curricular de Gestão do Cuidado I. As monitorias ocorreram vinculadas ao componente curricular de Gestão do Cuidado I, inserido no 4° semestre do Curso de Graduação em Enfermagem, da Universidade Federal do Pampa, o qual tem por objetivo desenvolver o processo de Enfermagem na gestão do cuidado ao paciente em situações clínicas, crônicas e cirúrgicas na atenção hospitalar. As monitorias foram conduzidas por uma discente monitora, com integralização prévia do componente curricular em questão, e tinham orientação dos docentes envolvidos. As atividades ocorreram semanalmente, com duração de aproximadamente três horas durante o 2º semestre de 2024 e 1° de 2025. As monitorias eram conduzidas em grupos, com até três discentes em cada, direcionadas ao ensino prático e aperfeiçoamento de habilidades de procedimentos de enfermagem. As atividades foram subsidiadas através do uso de protocolos de procedimentos, desenvolvidos pelas docentes do componente, com participação da discente monitora, e disponibilizados aos discentes para estudo. Os protocolos foram criados com objetivo de padronizar o ensino dos procedimentos de enfermagem no curso e servir de subsídio para o estudo dos discentes. No início de cada semestre, a monitora organizou um cronograma de atividades baseado na sequência de conteúdos abordados no componente curricular, sendo definida qual a temática de cada semana. A partir disso, era compartilhado com os discentes um link para inscrição na monitoria e disponibilizado acesso ao material dos protocolos, com vistas a facilitar o estudo. Sobre a utilização dos protocolos de procedimentos, com a consulta prévia ao material, identificou-se que favorecem a condução das monitorias, pois o discente parte do conhecimento teórico e pode praticar a técnica dos procedimentos com o auxílio da monitora. Ainda, a monitora ao invés de retomar teoricamente o procedimento, pode focar em ajudar o discente no aprimoramento das habilidades e competências que cada procedimento exige. Ademais, os discentes fazem uso de um protocolo único, em que a sequência dos procedimentos e o cuidado de enfermagem aprendido são pautados em evidências científicas. Observou-se que esta padronização facilitou a realização correta da sequência do procedimento, com menor necessidade de intervenção da monitora. No entanto, embora a sequência ficasse mais evidente aos discentes, os protocolos não contemplam as necessidades específicas quanto a destreza, fazendo com que o espaço de monitoria reforce a execução prática e potencialize a habilidade manual para o procedimento. Outro aspecto positivo do uso do protocolo, é que o discente, ao estudar com antecedência, consegue destacar pontos de dúvidas e dificuldades, fazendo com que a monitoria torne-se, um ambiente de troca de saberes, tanto entre os discentes que participam da atividade, quanto para a monitora que faz a mediação dos discursos. Ao adentrar o espaço com dúvidas, a monitora pode auxiliar na elucidação destas questões, e ainda, discutir novos tópicos que possam surgir, e direcionar o olhar para as dificuldades abordadas pelos discentes. Deste modo, a prática da monitoria permite que a monitora modere as atividades de ensino e participe do desenvolvimento de estratégias pedagógicas de maneira crítica e construtiva, possibilitando a troca de saberes com os discentes e docentes. Conclui-se que o uso de protocolos de procedimentos auxilia no processo de aprendizado, servindo de guia para que a monitora elabore as atividades, e para que os discentes se preparem adequadamente para elas. Logo, o uso deste documento permite a construção de um conhecimento padronizado acerca dos procedimentos de enfermagem, garantindo uma formação profissional de excelência e que garanta a segurança do paciente
Cuidado de Enfermagem à Criança com Doença de Hirschsprung: Relato de Experiência
A Doença de Hirschsprung (DH) é uma anomalia congênita caracterizada pela ausência de células ganglionares nos plexos nervosos do intestino distal, resultando em peristalse ineficaz e consequente obstrução intestinal. A condição manifesta-se precocemente, desde o período neonatal, por meio de constipação crônica, distensão abdominal, vômitos biliosos e dificuldade de eliminação de mecônio, podendo evoluir para complicações graves como enterocolite e perfuração intestinal quando não tratada oportunamente. Embora rara, a DH representa um desafio para a equipe multiprofissional de saúde, sobretudo na pediatria, em razão de seu impacto sobre o crescimento, desenvolvimento e qualidade de vida da criança. Este estudo teve como objetivo relatar o cuidado de enfermagem realizado à uma criança de dois anos com DH internado na pediatria de uma hospital de grande porte. Trata-se de um relato de experiência de acadêmicas de enfermagem, a qual aconteceu durante as aulas práticas no setor de pediatria. Nele, foram analisados prontuários, prescrições médicas e de enfermagem, exames laboratoriais e de imagem, e desenvolvido o Processo de Enfermagem fundamentado na Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Wanda Horta, a qual organiza a prática profissional a partir da identificação e atendimento integral das necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais do indivíduo. Diante desse quadro, o Processo de Enfermagem foi estruturado em cinco etapas interdependentes: avaliação de enfermagem, diagnóstico de enfermagem, planejamento de enfermagem, implementação de enfermagem e evolução de enfermagem. O paciente apresentava histórico de múltiplas cirurgias abdominais, incluindo colostomia, fechamento e reconstrução do trânsito intestinal, além de internações recorrentes por abdome agudo obstrutivo. Durante o período observado, evoluiu com dor abdominal intensa, distensão, náuseas, vômitos e diarreia aquosa, necessitando de novas intervenções cirúrgicas. Os exames complementares evidenciaram obstrução intestinal, fecaloma volumoso e sinais inflamatórios, condizentes com complicações associadas à doença e ao pós-operatório. A partir do levantamento das necessidades humanas básicas, foram priorizados os diagnósticos de enfermagem constipação funcional crônica e medo, ambos com impacto direto no bem-estar físico e emocional da criança. Como resultados esperados (NOC), estabeleceu-se a manutenção da eliminação intestinal eficaz e a redução da ansiedade, enquanto as intervenções de enfermagem (NIC) incluíram monitorização clínica rigorosa, analgesia, hidratação e equilíbrio hidroeletrolítico, cuidados com estomia e ferida operatória, prevenção de complicações como infecção e enterocolite, estímulo à mobilização precoce, uso de estratégias lúdicas no cuidado à criança, além de orientação e suporte à mãe no enfrentamento da condição crônica. O uso da teoria de Wanda Horta favoreceu a sistematização da assistência, permitindo que o cuidado não se restringisse à dimensão biológica da doença, mas contemplasse também os aspectos psicossociais e psicoespirituais, assegurando maior integralidade. Essa abordagem possibilitou à equipe de enfermagem direcionar suas ações de forma humanizada, segura e centrada na família, fortalecendo o vínculo terapêutico e reduzindo o sofrimento da criança durante a hospitalização. Além disso, a experiência contribuiu para a formação acadêmica ao integrar conteúdos de fisiologia, anatomia, semiologia e enfermagem pediátrica, proporcionando uma visão ampliada das necessidades de crianças com doenças crônicas complexas. Conclui-se que o manejo da Doença de Hirschsprung exige não apenas diagnóstico precoce e tratamento cirúrgico adequado, mas também um plano de cuidados de enfermagem estruturado, que utilize o Processo de Enfermagem como método científico de trabalho. A aplicação da teoria de Wanda Horta mostrou-se essencial para qualificar a tomada de decisão clínica, orientar o planejamento individualizado e potencializar os resultados do cuidado, reafirmando a importância da fundamentação teórica na prática profissional. O estudo evidencia que a enfermagem, ao atuar de forma sistematizada e humanizada, contribui para a segurança do paciente, para o fortalecimento do papel da família no cuidado e para a melhoria da experiência de hospitalização, consolidando sua relevância no contexto pediátrico e na assistência a condições crônicas raras
A monitoria em Saúde Coletiva como ferramenta do processo de ensino-aprendizagem para a formação médica
A formação médica deve articular competências não só técnicas, mas também científicas e sociais com objetivo de preparar profissionais críticos, reflexivos e flexíveis em diferentes ambientes de trabalho. A monitoria, nesse contexto, constitui-se como um espaço de aprendizado mútuo entre monitores e discentes, fortalecendo características importantes na prática médica como comunicação, hábito do estudo constante e respeito. Além disso, essa modalidade de ensino proporciona o desenvolvimento de liderança e a aprendizagem como um processo ativo, visto que o aluno-monitor necessita lançar mão de práticas pedagógicas e metodologias de ensino para suprir a necessidade de outros discentes. Este trabalho tem como objetivo relatar a vivência da monitoria na disciplina de Saúde Coletiva III, que tem em seu conteúdo programático o ensino do método científico e introdução à epidemiologia. Este trabalho trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir das atividades realizadas durante o período da monitoria no primeiro semestre de 2025. As ações desenvolvidas foram de plantões de dúvidas sobre a escrita de relatórios, pesquisa e cruzamento de dados, assim como sua interpretação. Dessa forma, os dados apresentados tem valor qualitativo, visto o aspecto subjetivo do relato da monitoria. No componente curricular de Saúde Coletiva III está prevista uma atividade de simulação de pesquisa, a qual é preconizada para fins de ensino a ser desempenhada pelos discentes. Desse modo, os alunos devem organizar objetivos, hipóteses, elaborar um questionário como instrumento de coleta de dados, realizar cruzamento de dados e apresentar os resultados na forma de análise crítica com contextualização e reflexão a partir dos dados. A experiência da monitoria em Saúde Coletiva III demonstrou impacto positivo tanto para os discentes acompanhados quanto para o monitor na medida em que os alunos precisaram de ajuda durante os diversos processos de desenvolvimento do trabalho. Os plantões de dúvidas possibilitaram maior segurança dos estudantes na elaboração do relatório científico, na organização de dados obtidos com o instrumento de coleta de dados que criaram e na aplicação de técnicas básicas de organização de banco de dados e análises estatísticas por meio do software IBM SPSS Statistics 22, além da interpretação dos achados. Ainda, foi observado que, com apoio da monitoria, os acadêmicos conseguiram compreender de maneira mais consistente a estrutura do método científico no que tange a construção de hipóteses e objetivos de pesquisa, favorecendo a autonomia do raciocínio crítico e compreensão da relevância de todas as etapas de elaboração de uma pesquisa científica. Do ponto de vista do monitor, a atividade representou um espaço de aprendizado contínuo, exigindo aprofundamento teórico em tópicos como desenho de estudo, análise descritiva e transformação de dados. Ademais, foi necessária a adoção de estratégias pedagógicas, como realizar comparações ou perguntas que incitem os alunos a chegar a uma conclusão por meios próprios, que tornassem os conteúdos acessíveis e que estimulassem a autonomia da execução do trabalho. Essa experiência contribuiu significativamente para o desenvolvimento de habilidades de liderança, comunicação e organização. Conclui-se que, a monitoria em Saúde Coletiva III constitui um método educativo essencial para a formação acadêmica, pois favorece não apenas o domínio do método científico, mas também o desenvolvimento de competências indispensáveis à prática profissional. Para os discentes, a atividade possibilitou maior autonomia intelectual no desenvolvimento do projeto, capacidade crítica e segurança na elaboração e análise de pesquisas, competências fundamentais para a prática dentro do contexto da saúde baseada em evidências. Para a monitora, a experiência proporcionou amadurecimento acadêmico e pedagógico, ampliando habilidades de liderança, comunicação e didática, que são aspectos relevantes na atuação em equipes multiprofissionais futuramente. Dessa forma, a monitoria contribui de maneira significativa para a consolidação de uma formação médica integral, crítica e reflexiva
Estudos de Caso na EJA: o Ensino de Ciências e a Aprendizagem Baseada em Problemas
O método do estudo de caso, oportuniza aos estudantes, a construção de novos significados diante da investigação de aspectos científicos e sociais que estão presentes em situações reais ou simuladas a partir de um problema. Uma das variantes do estudo de caso é a aprendizagem baseada em problemas, conhecido como Problem Based Learning (PBL). O método tem como característica centralizadora o estímulo ao desenvolvimento do pensamento crítico, a habilidade de resolução de problemas e a aprendizagem de conceitos da área em questão. Pesquisas na área da educação em ciências mostram sua potencialidade no desenvolvimento de conteúdos não somente informativos, mas também formativos,
promovendo ideias e debates sobre questões políticas, ambientais, econômicas e sociocientíficas. Na maioria das variações existentes do método PBL, os estudantes cumprem algumas etapas: identificar e definir um problema, acessar e usar informações necessárias no cumprimento da investigação e por último, apresentar a solução do problema, seja em formato expositivo ou metodologia ativa que o aluno queira utilizar na finalização do seu estudo de caso. Nesta perspectiva, este trabalho buscou desenvolver e construir estudos de caso com os alunos da EJA (Educação de Jovens Adultos), de uma Escola Pública da cidade de Bagé - RS, com temáticas e problemáticas presentes na cidade e na região do pampa gaúcho. A construção e o planejamento das etapas do trabalho envolveu um professor supervisor e três bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) do Curso de Licenciatura em Química da Unipampa, Campus Bagé. A aplicação ocorreu em três turmas da EJA, compreendendo o 1°, 2° e 3° ano do ensino médio noturno, com 20 alunos participantes. A abordagem em sala de aula se constituiu pela seguinte sequência: I) aula sobre estudo de caso e aprendizagem baseada em problemas; II) entrega de estudos de caso prontos pelos bolsistas para debate e socialização; III) escolha das temáticas e problemáticas da região pelos estudantes; IV) construção dos estudos de caso; V) resolução do estudo de caso e apresentação entre os colegas. A coleta de informações foi realizada a partir da construção de um painel interativo sobre as problemáticas e contradições pesquisadas e elaboradas pelos estudantes com auxílio dos pibidianos. Por fim, a elaboração dos seus próprios estudos de caso. A pesquisa resultante deste trabalho possui caráter descritivo e qualitativo, visto que, as ações pedagógicas desenvolvidas, compreendem um universo cheio de significados diante da realidade do estudante do turno da noite. A análise das informações envolveu a própria observação direta da sala de aula, a socialização, os estudos de caso produzidos e a resolução dos problemas, e posteriormente, uma investigação de indícios e modificações relacionadas aos conhecimentos iniciais e finais diante da aprendizagem baseada em problemas. A ressignificação de novos conceitos e abordagens foram importantes e essenciais na utilização dos estudos de caso, ajudando a identificar e consolidar esse método com os alunos da EJA, visto que a
aprendizagem baseada em problemas contribui para a própria aprendizagem do estudante. Um dos exemplos socializados em sala de aula, foi a falta de água, que é um problema discutido localmente na região, tema de debate e utilizado na construção de um estudo de caso. A proposta tornou-se relevante, por se tornar interdisciplinar e articular com possíveis resoluções de problemas pelos estudantes, como a qualidade e tratamento da água, a preservação do bioma pampa, e a ideia da elaboração de metas que poderiam ser discutidas no contexto da COP 30 de 2025, no Brasil, que irá reunir alianças políticas governamentais e ativistas ambientais. Além disso, outros temas foram aparecendo e sendo discutidos, como a inteligência artificial e sua relação com o meio ambiente, o TEA (Transtorno do Espectro Autismo) e possíveis desafios para a aprendizagem em sala de aula de ciências e outros assuntos que acabaram por ser elucidados na área de ciências. Sendo assim, considera-se relevante a construção de estudos de caso na EJA, possibilitando refletir diferentes perspectivas de um problema, que devido a circunstâncias específicas, causam efeitos e adversidades sociais e ambientais. Uma visão ampla sobre a discussão de temas em sala de aula, se faz necessário para a construção de conhecimentos científicos, considerando o aluno, como o protagonista de sua trajetória de conhecimentos
Entre a Química e a Cor: a Utilização dos Corantes Naturais no Contexto Escolar.
Diversos autores da área de Ensino de Química, abordam que os conceitos químicos devem ser discutidos de forma contextualizada e relacionada com diferentes componentes, para que tenha significado e sentido na vida dos estudantes. Para aproximar o aluno das atividades desenvolvidas em sala de aula, é importante levar em consideração a metodologia a ser utilizada, e a investigação do tema ou assunto a ser abordado com uma sondagem inicial do conteúdo a ser explorado. Entre os temas que podem ser trabalhados, os corantes naturais possuem um potencial para relacionar com o ensino de química, de modo contextualizado, interdisciplinar e trazendo a relação com a cultura local e regional. Os corantes naturais podem ser extraídos de verduras, raízes e outras plantas, o que possibilita trabalhar conteúdos como estrutura molecular, extração e sustentabilidade, despertando assim, o interesse dos alunos por meio da experimentação. Além disso, discussões sobre a necessidade da utilização dos corantes, a possibilidade de substituição dos corantes artificiais por corantes naturais, permitem reflexões sobre a indústria, saúde e o meio ambiente, ajudando a construir uma visão crítica sobre seu uso. Desta forma, o trabalho teve como objetivo promover o ensino de química de forma contextualizada e experimental, por meio de uma oficina com a temática de corantes naturais. Nas etapas metodológicas, no primeiro momento, foi realizada uma sondagem inicial sobre o assunto e após foram ministradas aulas que abordaram o surgimento dos corantes e sua relação com a sustentabilidade. Após foi realizada uma atividade experimental, em que os estudantes foram organizados em quatro grupos de três integrantes. Cada grupo ficou responsável por trabalhar um alimento, que poderia ser: beterraba, couve, cenoura ou casca de bergamota, todos triturados no liquidificador com uma quantidade de 500mL de água, em seguida, o processo de peneiração foi realizado, com separação da parte sólida e líquida, construindo assim, o processo inicial do corante natural. A parte líquida foi levada ao fogo baixo por aproximadamente 10 min, acrescentando uma colher e meia de sopa de amido de milho para deixar a consistência mais grossa e assim transformar o corante alimentício em um corante que pudesse ser utilizado como tinta, o que possibilitou que os alunos utilizassem papeis comuns para desenho e testes de cor, contextualizando com a química e sustentabilidade. Este trabalho foi realizado por bolsistas do Pibid (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência), em uma turma de terceiro ano do ensino médio de uma escola pública da cidade de Bagé - RS Os relatos dos estudantes demonstraram que a experiência foi considerada satisfatória. Um dos estudantes afirmou aprendemos como se prepara um corante à base de couve, muito saudável e nutritivo. Outro aluno destacou: achei o experimento muito legal e interessante, algo que eu nunca havia feito antes, me senti uma confeiteira. Um aluno ressaltou a facilidade de produzir o experimento: é algo super fácil de fazer e muito curioso, dá até para usar como tinta. Além disso, os alunos apresentaram compreensão sobre a diferença entre os corantes naturais e os industriais: existem diferentes corantes, como os naturais e os industriais, por exemplo o vermelho 40 é artificial, já a beterraba, cenoura e couve são naturais. A experiência da produção de corantes mostrou que o uso do tema no ensino de química possibilitou uma aprendizagem significativa, pois aproximou o cotidiano dos alunos e despertou o interesse pelo experimento. Além disso, os relatos mostraram que a atividade ajudou a criar uma reflexão sobre os conceitos químicos e sustentabilidade, o que reforça a importância de práticas contextualizadas para o ensino de química
Ensino de Eletrodinâmica no Ensino Médio: Uma Abordagem Prática e Significativa
A presente atividade pedagógica foi realizada em uma escola pública estadual na cidade de Bagé-RS, com o objetivo de introduzir e aprofundar os principais conceitos da Eletrodinâmica, ramo da Física que estuda as cargas elétricas em movimento. A escolha desse conteúdo se justifica pela sua relevância para a compreensão do funcionamento de aparelhos elétricos do cotidiano e por sua presença no currículo escolar. A aula foi organizada em etapas, incluindo explicação teórica, exemplos práticos e atividades de fixação. Os principais conceitos trabalhados foram: Corrente Elétrica, Diferença de Potencial (tensão), Resistência Elétrica, Potência Elétrica, Associação de Resistores em Série e Paralelo e Efeito Joule. Para aproximar o conteúdo da realidade dos alunos, foram utilizados exemplos cotidianos, como o funcionamento de lâmpadas, chuveiros e aparelhos eletrônicos. Além disso, foram propostas questões e exercícios práticos para consolidar os aprendizados. Durante a atividade, observou-se grande participação dos alunos, especialmente em discussões sobre consumo consciente de energia elétrica e formas de economia no uso de aparelhos domésticos. A aplicação dos exercícios permitiu avaliar a compreensão do conteúdo, revelando que a maioria dos estudantes conseguiu aplicar corretamente as fórmulas e conceitos trabalhados. Além da introdução aos conceitos básicos, a aula também abordou aspectos mais amplos da Eletrodinâmica, como o comportamento das cargas elétricas em movimento e as forças que surgem em suas interações com campos elétricos e magnéticos. Quando uma carga elétrica se move, ela não apenas gera corrente elétrica, mas também produz campos magnéticos dinâmicos, capazes de influenciar outras cargas e correntes próximas. Essa interação complexa está presente em diversos dispositivos tecnológicos, como motores elétricos e aceleradores de partículas. Outro fenômeno importante estudado foi sobre a indução eletromagnética, que ocorre quando variações em correntes elétricas produzem campos magnéticos variáveis. Esses campos, por sua vez, geram novos campos elétricos, criando um ciclo contínuo de interação. Esse princípio é fundamental para a propagação das ondas eletromagnéticas e para o funcionamento de geradores, transformadores e sistemas de transmissão de energia elétrica. Também foi discutida a conversão de energia em sistemas eletrodinâmicos. A movimentação das cargas pode resultar na transformação da energia elétrica em outras formas, como energia mecânica, térmica ou luminosa. Esse entendimento é essencial para a construção de dispositivos, tais como: motores, geradores e aparelhos tecnológicos. No nível microscópico, a Eletrodinâmica analisa as interações entre elétrons e campos eletromagnéticos em escalas atômicas e subatômicas. Esse estudo é a base para áreas como a física do estado sólido, a produção de semicondutores e o desenvolvimento de dispositivos eletrônicos modernos. Em um nível mais avançado, a Eletrodinâmica Quântica busca explicar fenômenos onde a dualidade onda-partícula da luz e das partículas carregadas se manifesta. A teoria clássica da Eletrodinâmica está consolidada nas Equações de Maxwell, que descrevem como os campos elétricos e magnéticos se propagam e interagem. Essas equações demonstram que variações em um campo geram o outro, explicando a existência das ondas eletromagnéticas, responsáveis por processos como a transmissão de energia e a comunicação à distância, incluindo tecnologias como rádio, televisão, internet sem fio e radares. O domínio da Eletrodinâmica tem aplicações em áreas diversas, como geração e distribuição de energia elétrica, sistemas de comunicação, equipamentos médicos, navegação, além do controle de interferências eletromagnéticas, que podem prejudicar o funcionamento de aparelhos eletrônicos sensíveis. A utilização de exemplos práticos durante a aula proporcionou uma aprendizagem significativa, estimulando o interesse e a participação ativa dos alunos. Para aulas futuras, será feito experimentos simples em laboratório, utilizando pilhas, lâmpadas e resistores, a fim de reforçar a compreensão dos fenômenos estudados. Por fim, destaca-se que a Eletrodinâmica é uma área em constante evolução, incorporando novas descobertas e tecnologias, como nanotecnologia, fotônica e materiais avançados. As atividades desenvolvidas atingiram os objetivos pedagógicos propostos, proporcionando aos estudantes um entendimento sólido dos princípios da Eletrodinâmica e de suas aplicações práticas no cotidiano. Faz parte de uma das ações do PIBID, contribuir para a aprendizagem dos estudantes da escola e, além disso, ampliar a compreensão dos bolsistas sobre o conteúdo e exercitar a transposição didática. A proposta visa aprimorar a qualidade do ensino, estimulando o interesse e a participação, e contribuiu para a redução da evasão escolar e da retenção discente
Avaliação Diagnóstica e Ensino de Funções: Uma Proposta com a Sequência Didática Interativa
Diante do desafio de alinhar a educação matemática às novas formas de aprender, práticas pedagógicas inovadoras como a Sequência Didática Interativa (SDI) são fundamentais para criar dinâmicas mais interativas. Neste cenário, a transição da Educação Básica para o Ensino Superior representa um momento crítico, especialmente nos cursos de ciências exatas, onde é comum que estudantes ingressantes apresentem lacunas significativas em tópicos fundamentais, como no estudo de funções. Dentre as abordagens para lidar com esse problema, destaca-se a Sequência Didática Interativa (SDI), uma proposta metodológica que, utilizada como ferramenta para elaboração de uma Avaliação Diagnóstica, se torna uma prática inovadora para o ensino e aprendizagem, capaz de identificar dificuldades específicas e, no final, equiparar todos os alunos por meio do diálogo. Diferente das avaliações tradicionais, que se limitam a mapear erros de forma estática, esta abordagem transforma o diagnóstico em um processo ativo e colaborativo. O presente trabalho tem como objetivo principal investigar a eficácia da SDI em um contexto educacional matemático, visando a elaboração de uma sequência didática que promova as habilidades de dialogação e resolução de problemas. Para isso, foi utilizado o Círculo Hermenêutico-Dialético (CHD) como mecanismo para gerar um consenso sobre o assunto, com a prática baseada no método de pesquisa qualitativa, que valoriza a interação direta do pesquisador e prioriza a análise do processo. A pesquisa foi efetuada com 20 alunos ingressantes no curso de licenciatura em matemática na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Bagé, no componente curricular Teoria Elementar das Funções com duração de duas aulas e teve como enfoque revelar o nível de conhecimento dos alunos sobre funções. A aplicação da SDI foi estruturada em quatro etapas sequenciais, começando com um diagnóstico individual onde os alunos receberam um questionário dividido em autoavaliação e conhecimentos específicos de função do primeiro grau. Os dados desta etapa expuseram um claro descompasso: embora 19 dos 20 alunos afirmassem ter estudado funções no Ensino Médio, apenas 11 se sentiam confiantes para resolver problemas. A autoavaliação de conhecimento foi predominantemente baixa, com 9 se classificando como "Regular", 6 como "Ruim" e 2 como "Muito ruim", percepção corroborada pelo baixo desempenho conceitual, indicando que a autoavaliação é um indicador pouco confiável para o planejamento pedagógico. Em continuidade, a próxima etapa foi baseada na criação de grupos no qual os alunos, após se juntarem, escolheram um representante. Esta etapa focou no debate entre os alunos, para que os mesmos entrassem em um consenso e escolhessem qual a melhor resposta que se encaixa no questionário que foi novamente disponibilizado, porém apenas um por grupo. Aqui, observou-se o poder do CHD como mecanismo de filtragem cognitiva, pois os comentários debatidos no coletivo, que apresentavam um certo nível de conhecimento, sobrepuseram as respostas individuais mais frágeis. O diálogo forçou os alunos a justificarem seus raciocínios, permitindo que as ideias mais coerentes prevalecessem, construindo uma compreensão coletiva superior às partes individuais. Após todos os grupos completarem o novo questionário, os líderes saíram de seus respectivos grupos para criar um novo, em que deveram levar todos os conceitos debatidos para que pudessem novamente responder o questionário, desta vez carregando o conhecimento coletado, assim, gerando uma síntese de ideias gerais da turma. Neste processo, a SDI também revelou importantes aspectos afetivos e sociais, como a notável "relutância dos alunos em ser o líder do grupo", um comportamento atribuído à vergonha, falta de confiança ou "medo de representar os argumentos gerais de forma incoerente". Essa observação não foi um mero obstáculo, mas um dado diagnóstico crucial sobre o estado emocional dos ingressantes. De acordo com a SDI, foi possível concluir que seu uso como ferramenta para avaliação diagnóstica atingiu o propósito desejado, mesmo que algumas dificuldades fossem apontadas, como por exemplo, a necessidade dos alunos em comparecerem no horário correto. Ainda assim, a prática apresentou limitações, pois algumas concepções equivocadas persistiram até as etapas finais, o que demonstra que o processo dialógico é dependente do conhecimento latente no grupo e reforça a importância da mediação do professor na etapa final de socialização. Por fim, é visível que, por mais que uma parte dos alunos apresente conhecimento de certos fundamentos, é necessário reforçar os argumentos com um estudo dirigido pelo professor responsável para que haja um melhor engajamento da turma em atividades posteriores que se aprofundem mais neste tema, e que, a partir deste nivelamento, todos os alunos estarão em maior pé de igualdade perante ao estudo de funções do primeiro grau