Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    ESTUDO DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS EM INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ESGOTO SANITÁRIO DE EDIFICAÇÃO MULTIFAMILIAR

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    Desde os primórdios das civilizações existe a busca por inovações que melhorem a qualidade de vida das pessoas. Populações que viveram antes de Cristo já se preocupavam com o descarte de maneira correta e eficiente dos dejetos, criando sistemas para realizar a eliminação dos excrementos. Durante e após a Revolução Industrial esse cuidado com a saúde e os dejetos passou a ser relevante, o que possibilitou a evolução do sistema sanitário, no qual, no Século XX, a maior parte do mundo já utilizava um sistema semelhante ao atual. Diversas pesquisas afirmam que os sistemas hidrossanitários são os que apresentam uma maior ocorrência de patologias nas edificações, gerando desconforto para os usuários, problemas de saúde, custos extras, problemas ambientais, etc. A partir de 2013, com a publicação da NBR 15575: Edificações habitacionais Desempenho, as edificações passaram a ter que cumprir alguns requisitos relacionados ao desempenho ao longo de sua vida útil. A norma estabelece diversos critérios que devem ser seguidos prezando a qualidade dos sistemas e da edificação. O presente estudo objetivou analisar o sistema predial de esgoto sanitário de duas edificações multifamiliares, sendo uma construída anteriormente a NBR 15575/2013 e a outra, posteriormente. A metodologia adotada consistiu na aplicação de questionários aos moradores de 2 (duas) edificações buscando compreender as principais patologias que afetam o sistema predial de esgoto sanitário, entendendo as causas, a forma como as patologias agem nos sistemas e identificando a frequência que ocorrem, por cômodo, bem como se possuem ligações diretas com o tempo de vida da edificação. Também foi analisado se as edificações atendem os requisitos exigidos na NBR 15575-6, bem como se o apartamento passou por reformas no sistema sanitário e se os moradores possuem o Manual de uso, operação e manutenção dos apartamentos. A edificação mais antiga (A) esta localizada na cidade de Alegrete-RS, composta 4 (quatro) pavimentos, 7 (sete) apartamentos, sendo que cada unidade possui 1 (um) dormitório, 1 (um) banheiro, sala, cozinha e área de serviço e, a construção teve seu término em 2010. A edificação mais recente (B) localiza-se na cidade de São Paulo-SP, composta por 14 (quatorze) pavimentos, com 60 (sessenta) apartamentos, em que cada unidade possui 2 (dois) dormitórios, 2 (dois) banheiros, sala, cozinha e área de serviço e, a construção teve seu término em 2015. Os resultados obtidos mostram que as patologias mau cheiro, vazamentos e ruídos, estão presentes em todos os cômodos analisados: banheiro, cozinha e área de serviço, das edificações A e B. A patologia que mais afetou os apartamentos na edificação mais antiga (A), foi o vazamento, ocorrendo em mais da metade dos apartamentos. Já na edificação mais nova (B), a patologia mais frequente foi o mau cheiro e, num comparativo entre todas as patologias, observa-se que o edifício B apresenta uma maior incidência de problemas. Para a edificação A, dos 7 (sete) apartamentos da edificação, 4 (quatro) deles afirmam não ter recebido o referido manual e 3 (três) informam não saber responder a respeito da informação. Para a edificação B, dos 21 (vinte e um) apartamentos, 12 (doze) afirmam ter recebido o manual, enquanto 5 (cinco) dizem não ter e 4 (quatro) não tem conhecimento do material. Com base no acima exposto, verifica-se que para a edificação A, não há registros da existência de Manual de uso, operação e manutenção da edificação, enquanto para a edificação B, edificação mais nova (2015), 57% dos moradores afirmam o recebimento do material. Com relação a execução de reformas no sistema sanitário da edificação, observa-se que para a edificação A, dos 7 (sete) apartamentos da edificação, 1 (um) morador afirma que o apartamento passou por reforma no sistema sanitário, outro informa que não e, 5 (cinco) deles não sabem informar. Para a edificação B, dos 21 (vinte e um) apartamentos, 5 (cinco) moradores afirmam que o sistema sanitário do apartamento passou por reforma, 11 (onze) informam que não ocorreu reforma e, 5 (cinco) deles não sabem informar. Os resultados obtidos mostram que a implantação da NBR 15575/2013 não repercutiu em melhorias de desempenho na edificação analisada, que os moradores desconhecem intervenções realizadas em período anterior a sua ocupação e que a disponibilização do Manual de uso, operação e manutenção dos apartamentos aos moradores ainda ocorre de forma incipiente

    PRÁTICAS DE APRENDIZAGEM E A PRESENÇA OU AUSÊNCIA DE ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO DURANTE O ENSINO MÉDIO

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    Considerando o atual cenário educacional, em que são recorrentes os relatos sobre dificuldades de aprendizagens, atreladas a questões psicológicas, como ansiedade e depressão, este trabalho tem como objetivo analisar a contribuição de práticas pedagógicas e da presença de acompanhamento psicológico no ensino médio. Assim, a pesquisa foi realizada em dois momentos: primeiramente, foi realizada uma breve conversa e aplicado um formulário, com alunos do 1º, 2º e 3º ano do ensino médio, em uma escola Estadual, de Bagé/RS, para abordagem de questões relacionadas às práticas pedagógicas; em um segundo momento, foi disponibilizado um questionário online para as questões referentes às questões psicológicas. Tal procedimento foi adotado para os alunos se sentirem seguros para se expressar, assim disponibilizando suas preferências e necessidades escolares na aprendizagem. Durante o questionário os alunos poderiam expressar suas respostas através da escrita ou apenas marcá-las. Assim, buscamos avaliar individualmente o aprendizado dos alunos, realizar percepções sobre quais práticas de aprendizagem eram expostas em sala de aula e observar em qual momento durante o ensino médio, os alunos desenvolveram a necessidade de acompanhamento psicológico. Com a análise dos dados, buscamos observar quais práticas de ensino seriam funcionais e quais não estão obtendo um bom desenvolvimento para os alunos, bem como destacar as dificuldades psicológicas dos alunos durante o ensino médio. Questionou-se preferências aos alunos sobre representações de conteúdos, relações entre professor e aluno e dificuldades ou facilidades em estilos de aprendizagem. Também se buscou investigar questões relacionadas a dificuldades psicológicas, pressão familiar e docente e a preferência em obter o atendimento com um profissional. Os dados da pesquisa apontaram que os alunos entrevistados preferem práticas pedagógicas visuais, materiais práticos e interativos e relataram a preferência por professores que realizam rodas de conversas e praticam a boa relação entre aluno e professor. Sobre as questões psicológicas, tem-se que 60% dos alunos indicaram a falta do acompanhamento psicológico, relataram pressão psicológica familiar, solidão escolar, pressão docente e ansiedade. Como conclusões, pode-se afirmar que o ambiente escolar apresenta diversas dificuldades, contudo a pesquisa também apresenta avanços, flexibilidade e desenvolvimento para os alunos. A pesquisa apontou que os alunos buscam práticas de aprendizagens diversas, que poderiam ser também boas ferramentas para que os professores buscassem o desenvolvimento dos alunos e tivessem uma melhor capacidade de percepção sobre eles e assim o acolhimento em sala de aula poderia disponibilizar um melhor rendimento de aprendizagem dos alunos. A necessidade do acompanhamento psicológico para os alunos é perceptível ao longo da pesquisa, assim deixando clara a falta de tal acompanhamento na escola onde foi realizada a pesquisa, já que os alunos enfrentam questões além de dúvidas sobre conteúdos e sentem que estão perdidos mesmo nos anos principais para desenvolver suas carreiras ou histórias definitivas. Assim, pode-se introduzir uma hipótese a qual a falta de acompanhamento psicológico, interfere na boa aprendizagem dos alunos e o modo como podem visualizar o comportamento de docentes e representações de práticas pedagógicas. Observa-se a necessidade de introduções de novas práticas por parte docente, assim introduzindo novos modos de aprendizagens para os alunos

    Letramento Corporal na Educação Infantil: Análise dos Atributos de Whitehead na Base Nacional Comum Curricular

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    Este trabalho é um recorte de um projeto de dissertação de mestrado, que tem como foco investigar o Letramento Corporal (LCo) na Educação Infantil (EI), fundamentado no conceito desenvolvido por Margaret Whitehead. O LCo é compreendido como uma dimensão essencial da formação humana, que se manifesta na capacidade do indivíduo de se apropriar de suas possibilidades de movimento, percepção, expressão e interação com o mundo. A pesquisa objetivou analisar em que medida a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento normativo que orienta a educação brasileira, contempla elementos do Letramento Corporal na etapa da Educação Infantil. Para isso, buscou-se identificar a presença dos seis atributos do LCo propostos por Whitehead: A) motivação, B) competência motora, C) engajamento, D) autoestima, E) confiança e F) entendimento crítico, nos diferentes eixos da BNCC. A investigação configurou-se como um estudo de abordagem qualitativa, pautado na análise documental. Foi elaborada uma matriz analítica que relacionou os seis atributos do LCo com três dimensões centrais da BNCC: os Direitos de Aprendizagem, que expressam princípios que devem ser assegurados a todas as crianças; os Campos de Experiência, que organizam o currículo em torno de eixos integradores do desenvolvimento infantil; e os Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento, acompanhada das as Sínteses de Aprendizagem, que indicam expectativas de progressão nas diferentes faixas etárias. O processo analítico consistiu em examinar de forma minuciosa o documento, buscando evidências explícitas e implícitas da presença dos atributos em relação ao LCo. Os resultados demonstram a presença significativa do atributo D autoestima e autoconfiança nos diversos trechos da BNCC, o que revela a ênfase do documento na valorização da criança como sujeito capaz e protagonista. Em contraste, o atributo A motivação intrínseca para o movimento mostrou-se menos presente. Embora a BNCC incentive o movimento e a brincadeira, ela não explicita claramente a dimensão do prazer espontâneo e da autonomia da criança em relação ao letramento corporal. Os demais atributos foram identificados de forma intermediária, com diferentes graus de visibilidade, aparecendo em alguns trechos, mas sem o mesmo grau de evidência do atributo D. Concluímos que a BNCC apresenta importantes convergências com o conceito de Letramento Corporal de Whitehead, especialmente ao valorizar a criança como um ser confiante e capaz de múltiplas aprendizagens por meio do corpo. A análise possibilitou compreender que a BNCC apresenta convergências significativas com a concepção de LCo, sobretudo ao reconhecer a criança como sujeito de direitos, capaz de aprender por meio do corpo e de interagir ativamente em seu processo de desenvolvimento. Reconhecer tanto os avanços quanto as fragilidades do documento é essencial para fortalecer a Educação Infantil como espaço privilegiado de formação integral, no qual corpo, mente e emoções se articulam na construção de aprendizagens significativas. O estudo reforça a importância da reflexão docente e análise da intencionalidade de suas práticas, buscando potencializar a dimensão corporal. Ao conectarmos produção científica com as diretrizes curriculares, evidenciamos a importância da colaboração entre academia e educação básica para ampliação do debate e desenvolvimento de práticas que possibilitem o desenvolvimento do Letramento Corporal, contribuindo para o desenvolvimento de cidadãos corporalmente letrados ao longo da vida

    O PROCESSO DE EDUCAÇÃO PERMANENTE NO SUAS: COMPREENDER PARA DEFENDER CONQUISTAS

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    O presente artigo visa refletir sobre o processo de educação permanente no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a partir da compreensão de que para a efetividade nas intervenções é primordial ir além do comprometimento com os princípios éticos da profissão, sendo necessário qualificação, capacitação profissional continuada e conhecimento das legislações da política de Assistência Social. Destacamos que para viabilizar aos usuários dessa política pública emancipação, autonomia e protagonismo, torna-se fundamental repensar o fazer profissional na coletividade, com ações estruturadas em espaços dialógicos, de modo a romper com práticas conservadoras. Para tanto, refletir sobre as normativas que direcionam esse processo através da Política Nacional de Capacitação e da Política Nacional de Educação Permanente do Sistema Único de Assistência Social, do mesmo modo que conhecer as inúmeras diretrizes relativas ao SUAS, faz com que os trabalhadores construam soluções coletivas visando à materialização dos direitos socioassistenciais

    Ações ambientais no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás e seus efeitos no desenvolvimento sustentável

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    A pesquisa analisa criticamente a atuação do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ/GO) no contexto do desenvolvimento regional sustentável e das questões ambientais em cinco comarcas: Anápolis, Catalão, Itumbiara, Rio Verde e Senador Canedo. Com base na análise de 35 processos judiciais ambientais entre 2017 e 2021, o estudo investiga como as ações do Judiciário impactam o meio ambiente e refletem seu compromisso com a sustentabilidade. A pesquisa parte de uma base teórica que aborda o conceito de Estado sustentável, o papel do Judiciário no direito ambiental e a noção de desenvolvimento regional sustentável. O objetivo central é avaliar a natureza das ações ambientais, seus efeitos ambientais e a postura do TJ/GO frente à sustentabilidade. Os resultados oferecem uma visão abrangente sobre os tipos de processos, o tempo médio de julgamento, o perfil das partes e o conteúdo das decisões judiciais. A pesquisa destaca a relevância do Judiciário na promoção da sustentabilidade e propõe subsídios para futuras investigações sobre a interface entre direito ambiental e desenvolvimento regional sustentável, especialmente em Goiás

    Comportamento de diferentes uvas na elaboração de néctares: impacto na composição físico-química e preferência do consumidor

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    O trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho de seis cultivares de uva na elaboração de néctares, verificando sua composição físico-química e a aceitação sensorial. As uvas foram colhidas no vinhedo experimental da Universidade Federal do Pampa, Campus Dom Pedrito, e processadas pelo método da panela extratora na vinícola experimental da mesma instituição. Foram realizadas análises de pH, sólidos solúveis e acidez total, além de testes sensoriais com 53 degustadores. Os resultados físico-químicos mostraram que há relação entre teor de açúcares e acidez, com exceção da cv. Cora, que apresentou valores atípicos possivelmente devido à desidratação. Já a cv. Bordô destacou-se por menor acúmulo de açúcares e maior intensidade de cor. Na análise sensorial, as diferenças foram pequenas, mas houve preferência dos consumidores por néctares das cvs. Carmem e Cora. Tal fato, quando comparado com os resultados encontrados nas análises de composição físico-química, onde esses tratamentos apresentaram maior teor de açúcares, o que pode indicar um padrão de preferência desse grupo de degustadores por bebidas mais doces e menos ácidas. O estudo indica que a elaboração de néctares a partir dessas cultivares pode ser uma alternativa viável para diversificação em pequenas propriedades

    Apresentação / Índice

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    Apresentação / Índic

    Fuentes de renta y estrategias económicas en una comunidad rural del altiplano boliviano

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    El objetivo de este artículo es identificar las fuentes de ingreso y las estrategias económicas de las familias campesinas de la comunidad rural de Piquiñani, distrito de Chijmuni, municipio de Sica Sica (departamento de La Paz, Bolivia). Además de la revisión bibliográfica, en 2019 fue realizada la aplicación de encuestas a 21 familias de la comunidad (una muestra de 37,5%). Los resultados indican una predominancia de la renta proveniente de la venta de la producción agropecuaria, así como es importante el ingreso no monetario de la producción para el autoconsumo familiar, ambos presentes entre las 21 familias encuestadas. También componen la renta el trabajo no-agrícola y las transferencias de programas públicos, con 10 y 9 familias beneficiadas, respectivamente. Un elemento muy relevante en Piquiñani es la elevada diversificación de las rentas de las familias (de origen agrícola y no agrícola, proveniente de la finca y de fuera de la finca, obtenida mediante venta y consumo de la producción), lo que acaba siendo un medio de amortiguar situaciones de crisis o incertidumbres derivadas principalmente del mercado y del clima. En términos de valores, la media mensual se acerca a los 500 dólares por familia, aproximadamente 1,5 veces el salario mínimo del país en 2018, siendo que 86% clasifican su renta como buena o excelente

    Entre o Discurso e a Prática: a Política Ambiental no Governo Collor e a Rio-92

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    Durante o governo Collor, a política ambiental ganhou destaque principalmente com a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), que funcionou como uma espécie de vitrine internacional para um governo internamente fragilizado. Em meio à crise econômica e à redemocratização doméstica, e diante do fim da Guerra Fria e da expansão do neoliberalismo, Collor usou a pauta ambiental para melhorar a imagem do Brasil no âmbito internacional. Assim, o objetivo deste estudo é analisar de que forma a questão ambiental foi usada como instrumento de inserção internacional, buscando identificar as contradições entre o discurso de sustentabilidade durante o governo Collor e os limites da polítca ambiental doméstica no mesmo período. Para isso, foi utilizada uma abordagem qualitativa e interpretativa com base em pesquisa bibliográfica e documental sobre a política ambiental brasileira na década de 1990. Antes de Collor, a política ambiental brasileira era marcada por desconfiança diante das pressões externas, por exemplo, na Conferência de Estocolmo de 1972, durante a ditadura militar, o Brasil adotou postura rígida de defesa da soberania, argumentando que o desenvolvimento econômico não poderia ser sacrificado pela preservação ambiental, e esse posicionamento resultou no rótulo ao Brasil de vilão ambiental, prejudicando a imagem do país. Durante a década de 1980, o aumento do desmatamento e das queimadas na Amazônia intensificou as denúncias internacionais, levando instituições financeiras como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento a condicionar empréstimos e financiamentos a compromissos ambientais, assim a dívida externa brasileira passou a ser associada à preservação ambiental, evidenciando a necessidade de rever a postura diplomática. Fica evidente que a mudança de postura não partiu de uma consciência ambiental, mas de pressões externas e interesses financeiros, mostrando como a política ambiental de Collor estava subordinada a condicionantes econômicos. Ao assumir em 1990, Collor viu na questão ambiental a oportunidade de alinhar o Brasil às novas tendências globais, e a decisão de sediar a Rio-92, proposta no governo Sarney, mas abraçada e implementada por Collor, era uma chance de restauração da credibilidade brasileira. Assim, a Rio-92 foi um marco internacional e o conceito de desenvolvimento sustentável foi definitivamente popularizado a partir dessa conferência. Outro ponto importante foi a defesa do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, que reconhece que todos devem cuidar do meio ambiente, mas que países ricos, por terem causado maior degradação ao longo da história, devem assumir mais responsabilidades e ajudar financeiramente e tecnologicamente os países em desenvolvimento. Embora esses avanços sejam importantes, foram mais um discurso diplomático do que uma prática interna, pois a sustentabilidade defendida por Collor não questionava o modelo neoliberal que ele mesmo aplicava e que aprofundava as desigualdades sociais. Nesse sentido, dúvidas sobre a profundidade do compromisso ambiental do governo Collor foram levantadas, e a capacidade de ação do governo foi limitada por uma grave crise política interna que culminou no seu impeachment em outubro de 1992, com denúncias de corrupção em paralelo à preparação da Rio-92. Muitos autores também apontam que as políticas ambientais da época foram seletivas, funcionando como ajustes dentro da logística capitalista, sem mudanças profundas no modelo de produção, ou seja, na prática, a prioridade era liberar o mercado, deixando o meio ambiente em segundo plano. Por outro lado, a Rio-92 foi considerada um sucesso diplomático, permitindo que o Brasil mudasse sua imagem no cenário internacional. Ela consolidou princípios como o respeito à soberania e o multilateralismo, além de servir como modelo para as conferências internacionais posteriores. Por fim, embora os resultados imediatos tenham parecido fracos, a Rio-92 deixou uma marca duradoura, influenciando políticas locais, como as Agendas 21, e consolidando o Brasil como protagonista em debates ambientais

    Atividade Experimental Problematizada (aep) no Ensino de Química: Aplicação do Modelo Atômico de Bohr a Partir do Teste da Chama

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    O Ensino de Química enfrenta o desafio de integrar teoria e prática de modo a favorecer aprendizagens significativas. Os modelos atômicos, em especial o modelo de Bohr, apresentam caráter abstrato, o que dificulta a compreensão dos estudantes, uma vez que envolvem fenômenos microscópicos, como os saltos quânticos de elétrons entre níveis de energia. Nesse contexto, a simples exposição teórica muitas vezes não é suficiente para promover entendimento profundo. A Atividade Experimental Problematizada (AEP) surge como alternativa metodológica que alia experimentação e problematização, possibilitando a mobilização de conhecimentos conceituais, procedimentais e atitudinais. Sua aplicação pode contribuir para superar a lacuna existente entre a abstração teórica e a observação empírica no ensino do modelo de Bohr. Diante disso, o problema que norteia este estudo é: como a aplicação da AEP, a partir do teste da chama, pode favorecer a compreensão do modelo atômico de Bohr no Ensino Médio? Assim, o objetivo deste trabalho é investigar de que forma a integração entre a Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) e a AEP, a partir do teste da chama, contribui para a compreensão do modelo atômico de Bohr e para a promoção de aprendizagens significativas em estudantes do Ensino Médio. Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa-ação de natureza qualitativa, desenvolvida junto a 32 estudantes do 1º ano do Ensino Médio de uma escola estadual em Caçapava do Sul/RS, no segundo semestre de 2024. A abordagem metodológica fundamentou-se na Atividade Experimental Problematizada (AEP) e na Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS). A atividade foi estruturada em cinco momentos: (i) discussão inicial do problema, (ii) realização do experimento, (iii) análise dos registros em grupo, (iv) socialização das conclusões e (v) sistematização final em relatórios. O problema norteador foi: Como explicar as diferentes cores observadas no teste da chama utilizando o modelo atômico de Bohr? Para a prática experimental foram utilizados sais metálicos, como cloreto de sódio, cloreto de potássio, nitrato de lítio e nitrato de bário, observando as diferentes cores da chama e relacionando-as às transições eletrônicas. Os dados foram coletados por meio de questionários diagnósticos e finais, relatórios escritos pelos grupos e gravações das socializações. A análise foi conduzida via a Análise Textual Discursiva (ATD), conforme Moraes e Galiazzi (2011), complementada pelos Indicadores de Avaliação da AEP (IA-AEP), que contemplam dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais. O ensino de modelos atômicos, em especial o modelo de Bohr, apresenta-se como desafiador no Ensino Médio por envolver conceitos abstratos relacionados à estrutura da matéria e aos fenômenos de emissão de luz. A dificuldade de compreensão desses conteúdos está associada à ausência de recursos que possibilitem visualizar o fenômeno em nível macroscópico, tornando necessário o uso de metodologias que promovam a mediação entre teoria e prática. A Teoria da Aprendizagem Significativa (Ausubel, 2003) orienta este estudo, ao considerar que novos conhecimentos são assimilados quando relacionados a conceitos já presentes na estrutura cognitiva dos alunos. Nesse sentido, a experimentação constitui recurso importante para favorecer tais conexões (Giordan, 1999). A análise dos dados revelou que a aplicação da Atividade Experimental Problematizada (AEP) favoreceu a aprendizagem significativa dos estudantes em três dimensões principais: conceitual, procedimental e atitudinal. No âmbito conceitual, constatou-se que, após a atividade, os alunos conseguiram explicar o fenômeno da emissão de luz relacionando-o ao modelo atômico de Bohr, destacando que a cor da chama está vinculada à transição de elétrons entre níveis de energia. Essa compreensão representa um avanço em relação às concepções iniciais, limitadas à presença do fogo como única explicação. No aspecto procedimental, os estudantes demonstraram capacidade de planejar e executar o experimento de forma organizada, registrando observações e articulando hipóteses com os dados obtidos. Esse resultado reforça a importância da experimentação quando orientada por problematização, indo além da simples manipulação de reagentes e equipamentos. No nível atitudinal, verificou-se elevado engajamento e colaboração entre os participantes. Durante as socializações, os alunos desenvolveram argumentações fundamentadas e relataram que a experiência experimental tornou a aprendizagem mais envolvente e compreensível, permitindo relacionar teoria e prática. AUSUBEL, David Paul. Aquisição e Retenção de Conhecimentos: Uma Perspectiva Cognitiva, Lisboa: Editora Plátano, 2003. GIORDAN, Marcelo. O papel da experimentação no Ensino de Ciências. Química Nova na Escola. N° 10, Novembro, 1999. MORAES, Roque; GALIAZZI, Maria Carmo. Análise Textual Discursiva. 2. ed. rev. Ijuí: Ed. Unijuí; 2011. SILVA, André Luís Silva; DE MOURA, Paulo Rogério Garcez; DEL PINO

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