Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Trauma Torácico Penetrante por Ataque de Javali em Cão com Protrusão Pulmonar.

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    Traumas torácicos em cães configuram emergências graves, especialmente quando associados a lesões penetrantes e exposição de órgãos internos. Entre as complicações possíveis, está a protrusão pulmonar, exigindo diagnóstico rápido e intervenção cirúrgica precisa. A necrose pulmonar decorrente da exteriorização tecidual por tempo prolongado agrava o prognóstico, tornando essencial a ressecção da porção inviável do órgão e a reconstrução da parede torácica. Este trabalho tem como objetivo relatar o caso de um canino vítima de ataque por javali, apresentando protrusão parcial e necrose de lobo pulmonar. Um cão, macho, sem raça definida, fértil, 3 anos, pesando 23,7 kg, foi atendido em hospital veterinário com exposição pulmonar decorrente de ferimento penetrante em região esternal. O tutor relatou que o animal havia recebido atendimento inicial em outro serviço, com sutura do tecido exposto, mas após cinco dias ocorreu nova protrusão pulmonar. Ao exame físico, observou-se exteriorização da porção cranial do lobo cranial esquerdo, apresentando necrose e discreto sangramento. O paciente estava ativo, normotérmico e com apenas discreta desidratação. Exames laboratoriais (hemograma e bioquímica sérica) não evidenciaram alterações significativas, e o paciente foi encaminhado à cirurgia. Realizou-se incisão circundante, remoção de tecido contaminado e tração do lobo exposto, identificando área viável abaixo da necrose. A ressecção da porção inviável foi realizada por ligadura em nó de Müller, confirmando tratar-se da região cranial do lobo cranial esquerdo. O defeito torácico foi reparado com ácido poliglicólico 2-0 em padrão Sultan, seguido de irrigação abundante com solução fisiológica estéril. O subcutâneo foi reduzido em padrão colchoeiro contínuo, e a dermorrafia concluída com fio de náilon 3-0 em padrão Wolff. Após a cirurgia, realizou-se toracocentese e radiografia, que revelou pneumotórax discreto. Durante a internação, o paciente recebeu analgesia com metadona (0,3 mg/kg, IM, TID), dipirona (25 mg/kg, IV, TID), metoclopramida (0,5 mg/kg, IV TID). O paciente foi sondado uretralmente para monitoramento do débito urinário. No segundo dia pós-operatório, exames hematológicos e bioquímicos foram repetidos, sem alterações relevantes. Radiograficamente, evidenciou-se pneumotórax em ambos os hemitórax, porém, diante da estabilidade clínica e ausência de dispneia, não foi necessária nova toracocentese. Após quatro dias de internação, o animal recebeu alta hospitalar em condições clínicas estáveis, com prescrições de omeprazol (1mg/kg, SID), sucralfato (1g/animal, TID) e amoxicilina com clavulanato (20mg/kg, BID), ambos durante 6 dias,considerando o período de antibioticoterapia já instituído durante a internação. A protrusão pulmonar em cães geralmente está associada a traumas penetrantes de alta energia, como atropelamentos ou ataques por animais silvestres. O prognóstico depende do tempo de exposição do tecido, da extensão da necrose e da presença de complicações como pneumotórax e infecção. No caso relatado, o retardo no atendimento definitivo e a sutura prévia da porção pulmonar exposta favoreceram necrose tecidual, exigindo ressecção parcial do lobo. O tratamento cirúrgico precoce associado a analgesia multimodal e antibioticoterapia adequada foi fundamental para a recuperação do paciente, demonstrando a eficácia do manejo integrado e contínuo. O caso ressalta a importância do diagnóstico rápido e da intervenção cirúrgica adequada, além da necessidade de protocolos bem estabelecidos para o manejo de traumas torácicos penetrantes, a fim de reduzir complicações e aumentar as taxas de sobrevivência

    Incompetência do Mecanismo do Esfíncter Uretral (IMEU): Relato de Dois Casos

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    A Incompetência do Mecanismo do Esfíncter Uretral (IMEU) é a afecção de alteração do armazenamento urinário mais comum em cães e principal causa de incontinência urinária em pequenos animais, sobretudo em cadelas castradas. Embora menos frequente, também pode acometer machos castrados, sendo rara em animais não castrados. Há maior predisposição em cães de grande porte e algumas raças são mais acometidas. A etiologia ainda não está totalmente esclarecida, mas a redução dos níveis de estrógeno, associada ao aumento do hormônio folículo-estimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH) após a castração, é apontada como a principal causa. O sinal clínico predominante é a incontinência urinária, a qual acontece de maneira inconsciente, normalmente quando o paciente está em decúbito, dormindo ou após atividade física. O diagnóstico da doença é baseado no histórico e sinais clínicos e atualmente existem diversas terapias disponíveis, sendo preconizado inicialmente o manejo medicamentoso, todavia, em casos refratários, faz-se necessário intervenção cirúrgica. O presente trabalho tem como objetivo relatar dois casos de IMEU, cujas manifestações clínicas e condutas terapêuticas apresentaram semelhanças, permitindo a comparação e avaliação da resposta ao tratamento instituído. Foram atendidos no Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pampa, dois caninos fêmeas, sem raça definida, castradas, sendo a paciente 1 com três anos de idade e Escore de Condição Corporal (ECC) de 7/9, indicativo de sobrepeso, e a paciente 2 com cinco anos e ECC de 5/9. A queixa principal de ambas era a incontinência urinária, a qual ocorria sempre de maneira inconsciente, em momentos de descanso, principalmente durante o sono. A paciente 1 apresentava escapes de urina todos os dias, enquanto a paciente 2 a cada 3-4 dias. Os tutores relataram ainda que não havia hematúria, disúria e estrangúria. O exame físico geral, a avaliação vulvar, mamária e neurológica não apresentaram alterações. O diagnóstico da IMEU é baseado no histórico e sinais clínicos, porém a exclusão de diagnósticos diferenciais faz-se necessária em muitos casos. Portanto, foi solicitado hemograma, bioquímico, ultrassonografia abdominal e urinálise, os quais não apresentaram alterações significativas. Diante da associação entre sinais clínicos, histórico de castração e exclusão de diagnósticos diferenciais, estabeleceu-se o diagnóstico de IMEU. O tratamento medicamentoso foi instituído, sendo de escolha o estriol (Incurin®, 1 mg/cão, VO, SID) devido ao acesso facilitado no Brasil e resposta eficiente. Para a paciente 1, também foi indicado realizar o controle de peso, uma vez que a obesidade pode agravar os sinais clínicos e dificultar o manejo da doença. A paciente 1 alcançou a remissão por completo cinco dias após o início da administração da medicação, enquanto a paciente 2 apresentou um escape após quatro dias do início, porém depois ficou continente. Considerando-se assim que ambas obtiveram remissão com cinco dias de tratamento. O medicamento pode ocasionar alguns efeitos adversos como edema vulvar, desenvolvimento da glândula mamária e atratividade a machos. Ademais, é indicado realizar hemograma antes do início do tratamento e um mês após, em decorrência do risco de supressão medular irreversível, ainda que raro. Quatro semanas após o início do tratamento, as pacientes foram reavaliadas clinicamente e com exames laboratoriais, ambos sem alterações. A dose foi reduzida para 0,5 mg/cão, visto que o tratamento objetiva encontrar a menor dose efetiva possível para cada paciente, uma vez que este deverá ser de uso contínuo ao longo da vida do animal. Após o ajuste, ambas apresentaram recidiva da incontinência, sendo necessário aumento para 0,75 mg/cão. No caso da paciente 1, a tutora optou por permanecer na dose de 0,5 mg/cão, observando que, quando a administração era realizada estritamente no horário recomendado, a continência era restabelecida, razão pela qual a dose foi mantida. As pacientes permanecem contendo a urina com essa posologia até os dias atuais e novas tentativas de redução serão realizadas futuramente. A paciente 1 realizou o controle de peso concomitante ao início da terapia, alcançando o ECC desejado, o que pode ter contribuído no manejo da doença. Portanto, é possível concluir que nos casos supracitados a resposta à terapia medicamentosa foi efetiva, sem necessidade de associar outros fármacos ou realizar intervenção cirúrgica. Apesar dos bons resultados, ambos os casos apresentaram recidiva da incontinência após redução da dose, demonstrando ser dose dependente, e alguns fatores como a pontualidade na administração e manejo da obesidade podem ser cruciais para um tratamento efetivo

    Atividade Antimicrobiana do Mel e Bougainvillea Glabra Choisy Contra Staphylococcus Spp.

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    O mel produzido por abelhas Apis mellifera é amplamente utilizado como suplemento alimentar devido ao seu valor nutricional e por apresentar propriedades terapêuticas reconhecidas, sendo tradicionalmente empregado em comunidades rurais e indígenas por sua ação cicatrizante, antimicrobiana e antioxidante. Já planta a Bougainvillea glabra Choisy, conhecida popularmente como primavera, é comumente cultivada de forma ornamental, mas também possui relevância medicinal em diferentes culturas, sendo suas folhas, flores e brácteas utilizadas em preparações com atividade antimicrobiana e antioxidante, atribuída à presença de compostos bioativos como flavonoides e alcaloides. Ambos os produtos naturais se destacam por seu potencial na redução do crescimento microbiano e, com o aumento da resistência bacteriana aos antibióticos, torna-se necessária a busca por alternativas terapêuticas, justificando o interesse em sua investigação científica. Este trabalho teve como objetivo avaliar a ação antimicrobiana do mel de abelhas africanizadas e dos extratos de B. glabra. contra isolados de Staphylococcus spp. isolados de amostras animais. O estudo foi realizado no Laboratório de Diagnóstico de Doenças Infectocontagiosas Bacterianas e Fúngicas Animais do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). As linhagens empregadas foram isoladas de amostras de rotina encaminhadas ao laboratório e provenientes de animais com suspeita de otite bacteriana, atendidos no Hospital Universitário Veterinário da universidade. Os discos de papel filtro utilizados no ensaio foram preparados a partir de cortes de 6 mm, esterilizados em autoclave e secos em estufa, servindo como suporte para a impregnação com as amostras de mel e extratos vegetais. O mel foi coletado na Escola Agrícola, armazenado a 5 ºC em frascos âmbar estéreis até o uso e, posteriormente, diluído (proporção 1:3) para aplicação nos discos. Os extratos de Bougainvillea glabra Choisy., cedidos gentilmente pelo curso de Farmacologia da Unipampa, foram obtidos por maceração, semi-purificação por cromatografia em coluna de sílica gel e fracionamento em quatro frações: E0, extrato bruto contendo a matriz vegetal completa; E1, fração roxa semi-purificada a 50%, enriquecida em betacianinas; E2, fração roxa semi-purificada total, com maior concentração de betalaínas; e E3, fração amarela composta por derivados fenólicos e cinâmicos. As frações foram preparadas em diluições adequadas (proporção 1:1) para o experimento. Para fins de comparação, também foi realizado teste de susceptibilidade com antibióticos de uso clínico (enrofloxacino, ciprofloxacino, amoxicilina associada a clavulanato, cloranfenicol, tobramicina e norfloxacino) permitindo avaliar a eficácia relativa dos produtos naturais. O teste de sensibilidade foi conduzido pela técnica de difusão em disco (Kirby-Bauer). As bactérias foram cultivadas em meio apropriado e ajustadas ao padrão de turbidez 0,5 de McFarland. Em seguida, a suspensão foi semeada em placas de ágar Mueller Hinton e, sobre a superfície, foram dispostos os discos contendo mel, extratos e antibióticos. As placas foram incubadas a 37 ºC por 24 horas e, após esse período, foram avaliados os halos de inibição, medidos em milímetros e interpretados segundo os critérios do CLSI. Nos ensaios de difusão em disco, verificou-se que o mel apresentou atividade antimicrobiana em aproximadamente 27% dos isolados de Staphylococcus spp., enquanto a maioria (cerca de 73%) foi classificada como resistente. Entre os extratos de B. glabra, a fração E0 destacou-se, com sensibilidade observada em cerca de 43% dos isolados e halos de até 18 mm, configurando-se como a fração mais promissora do estudo. Por outro lado, o extrato E1 apresentou baixa atividade, com sensibilidade registrada em 19% dos isolados, enquanto o E2 e E3 mostraram efeitos ainda mais limitados, não ultrapassando 15% de sensibilidade. Os resultados deste estudo indicam que, embora a maioria dos isolados de Staphylococcus spp. apresentem resistência aos produtos naturais testados, o mel e, especialmente, o extrato E0, demonstraram algum potencial antimicrobiano, sugerindo que podem ser considerados como alternativas terapêuticas complementares, atuando como tratamento coadjuvante em associação ao uso de antibióticos, embora a eficácia limitada observada reforce a necessidade de investigações adicionais, incluindo testes quantitativos e avaliações de mecanismos de ação, para validar seu uso clínico e determinar concentrações efetivas

    Desempenho da Aveia Preta Comum Sob Doses de N em Sucessão Lavoura de Arroz

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    A aveia é uma das culturas de inverno mais adotada nas regiões de terras altas do sul do Brasil. Há no mercado materiais melhorados geneticamente para produção de grãos ou forragem e palhada. Destes a aveia preta é indicada para elevadas produções de matéria seca, sendo implantada geralmente em sucessão às lavouras de soja. Entretanto, embora esteja disseminada por diversas regiões do sul do Brasil, com vasta rede de informações científicas ao seu respeito, recomendações técnicas e resultados de pesquisa sobre seu uso em terras baixas ainda é incipiente. Neste contexto, visando conhecer a adaptabilidade e o potencial de produção forrageira da aveia preta nas condições edafoclimáticas da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, conduziu-se um ensaio experimental em parceria entre a Unipampa e o Instituto Riograndense do Arroz em Uruguaiana-RS. Neste, adotou-se o delineamento em blocos casualizados, com quatro doses de nitrogênio (0, 50, 100 e 150 kg/ha de N) e cinco repetições. A semeadura foi realizada em 30 de abril de 2021, com densidade de 70 kg/ha de sementes e adubação de base de 200 kg/ha do adubo químico formulado 05-30-15 (N: P2O5: K2O). A adubação nitrogenada foi aplicada manualmente nas parcelas aos 27 dias após a semeadura da aveia. Foram realizadas três avaliações que ocorreram aos 65, 100 e 135 dias após a semeadura. Nestas, adotou-se a técnica de dupla amostragem com uso de quadrado metálico com área conhecida para coleta das plantas e secagem em estufa permitindo estimar a produção de matéria seca (PMS). Após cada amostragem, as parcelas foram roçadas e o material remanescente removido, visando a simulação da realização de pastejo. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas por análise de regressão testando-se os modelos linear e quadrático. Nas três avaliações realizadas constatou-se que as PMS se ajustaram ao modelo linear positivo de regressão. No primeiro ciclo de crescimento forrageiro da aveia caracterizado com a avaliação realizada aos 60 dias após a semeadura, na ausência de adubação a PMS foi de 727 kg, porém, elevou-se linearmente em 5,075 kg de MS para cada kg de nitrogênio aplicado. No primeiro rebrote que durou 35 dias, e correspondeu ao segundo ciclo de crescimento, na dose zero de nitrogênio a PMS obtida foi de 1213 kg/ha, com aumento 6,640 kg de MS para cada kg de N aplicado. No entanto, os resultados mais expressivos foram obtidos na terceira avaliação, que correspondeu ao segundo rebrote. Neste, mesmo sem adubação a aveia preta produziu 2339 kg/ha de MS de forragem, acrescidos de 11,963 kg a cada kg de N aplicado em cobertura. As produções obtidas no tratamento sem a aplicação da adubação nitrogenada, demonstram a adaptabilidade da aveia preta e expressividade do seu potencial mesmo sob condições inóspitas. Estas são caracterizadas pela baixa fertilidade dos solos da Fronteira Oeste, com baixos estoques de matéria orgânica e nitrogênio e pela densa palhada da cultura antecessora, que foi o arroz, e que possui elevada relação C:N, causando retenção de nutrientes, especialmente nitrogênio para a cultura subsequente. Tão positivos quanto os resultados da aveia preta na ausência da adubação nitrogenada foram suas respostas às doses de N aplicadas. Apesar dos menores incrementos de MS na primeira e segunda avaliações, na terceira obteve-se quase o dobro de aumento de PMS em resposta à cada kg de N. Esse comportamento produtivo da aveia preta também confirma sua elevada adaptabilidade às condições do estudo. Outra constatação relevante é que mesmo com a aplicação de elevadas doses de N (até 150 kg/ha) não houve saturação da capacidade de resposta da aveia. Ou seja, caso tivessem sido aplicadas doses superiores a 150 kg/ha ainda poderiam ser obtidas respostas positivas com a adubação nitrogenada. Este resultado sugere a condução de novos estudos sob condições semelhantes para verificação da dose de máxima PMS da aveia preta. A aveia preta comum possui elevado potencial produtivo quando cultivada em sucessão à lavoura de arroz nas condições edafoclimáticas da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, com aumento da produção forrageira até a aplicação de 150 kg/ha de nitrogênio nos três ciclos de crescimento avaliados

    Avaliação do Poder Germinativo em Uma Cultivar de Trevo-persa

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    O trevo-persa (Trifolium resupinatum) é uma leguminosa anual de estação fria que se destaca pela elevada produção de forragem, competitividade, boa adaptação a solos hidromórficos, além de apresentar persistência por ressemeadura natural. A cultivar Lightning, comercializada pela empresa PGG Wrightson Seeds (PGW Sementes), apresenta hábito de crescimento ereto, ausência de sementes duras e elevado vigor inicial. Originário da Pérsia, essa cultivar caracteriza-se como uma forrageira altamente digerível, podendo ser utilizada em consorciação com gramíneas anuais de inverno, devido ao seu excelente vigor inicial, capacidade de rebrote e adaptação ao sistema de pastoreio. Destaca-se, ainda, pela resistência às intempéries climáticas e pela boa adaptação a diferentes tipos de solos. Os solos de várzea caracterizam-se pela formação em condições de hidromorfismo (Pauletto et al., 1998). Embora a maioria das espécies de grãos, exceto o arroz, apresente baixa adaptação ao excesso hídrico. Atualmente há áreas produtivas de soja em solos de várzea na região da Campanha. O cultivo de soja em rotação com o arroz irrigado nessas áreas tem se expandido ano após ano, impulsionado pelos preços da commodity. Considerando que o município de Dom Pedrito possui expressiva área cultivada com soja, atualmente com cerca de 160.000 hectares plantadas na safra 2024/2025 (Adam et al., 2025), torna-se relevante o estudo de forrageiras adaptadas a essas condições, visando à formação de pastagens de inverno em áreas destinadas à integração lavoura-pecuária, prática em franca expansão no Rio Grande do Sul. Nesse contexto, estruturou-se o presente trabalho. O objetivo foi avaliar e comparar a germinação de sementes da cultivar Lightning, em estádio inicial de desenvolvimento. Paralelamente, testaram-se bioinsumos oriundos de outro projeto, com a finalidade de verificar possível efeito tóxico sobre a germinação. O experimento foi conduzido entre abril e maio de 2025, em um laboratório da Universidade Federal do Pampa campus Dom Pedrito (RS, Brasil). As sementes foram submetidas a testes de germinação em câmara de crescimento tipo B.O.D., sob temperatura constante de 20 °C, condição que simula a média do outono e sendo o período usual de semeadura em campo. As câmaras estavam equipadas com lâmpadas fluorescentes brancas, em fotoperíodo de 12 h de luz e 12 h de escuro. Os testes foram realizados em caixas Gerbox contendo papel germitest umedecido. Cada tratamento foi composto por três repetições de 25 sementes, totalizando 75 sementes por tratamento (n = 75). As unidades experimentais foram avaliadas por 21 dias. O delineamento incluiu três tratamentos de umedecimento: a) testemunha: água destilada (AD); b) AD misturada a extrato de composto elaborado com resíduos domiciliares enriquecido com blend de algas comerciais; e c) apenas extrato de composto orgânico. Para verificar possível interferência de patógenos, realizou-se teste de detecção e incidência de fungos. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Os resultados não indicaram diferenças estatísticas significativas entre os tratamentos, embora tenham sido observadas variações numéricas. As taxas de germinação foram de 92%, 95% e 95% nos tratamentos a, b e c, respectivamente. Esses valores evidenciam a excelente qualidade inicial do lote comercial da cv. Lightning, além de termos observado um arranque inicial bastante rápido para emissão das primeiras radículas. Além do mais, no que se refere à sanidade, as sementes avaliadas não apresentaram alterações visuais nem colorações atípicas, evidenciando elevado padrão de qualidade fisiológica e fitossanitária, aspecto altamente favorável para o potencial de utilização. Referências Bibliográficas ADAM, B. et al. A importância dos recursos hídricos na bacia hidrográfica do Rio Santa Maria: perspectivas de desenvolvimento no município de Dom Pedrito e região. 1. ed. - Porto Alegre: Freepress, 2025. 284p. PAULETTO, E.A.; SOUSA, R.O.; GOMES, A.S. 1998. Caracterização e manejo de solos de várzea cultivados com arroz irrigado. In: Produção de arroz irrigado. PESKE,S.T.; NEDEL, J.L.; BARROS, A.C.S.A. (ed.). Universidade Federal de Pelotas, Pelotas-RS. 659p. Agradecimentos: O presente trabalho foi realizado com o apoio da Universidade Federal do Pampa Campus Dom Pedrito

    IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DE FASCIOLA HEPATICA EM BOVINOS CRIADOS EXTENSIVAMENTE

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    A fasciolose, também conhecida como baratinha-do-fígado, é uma doença parasitária de grande importância sanitária e econômica, causada pelo trematódeo Fasciola hepática. Esse helminto apresenta como hospedeiros definitivos alguns animais domésticos, especialmente bovinos e ovinos, além do próprio ser humano. Sua transmissão está diretamente associada à presença de ambientes úmidos e à ocorrência do molusco do gênero Lymanea, que atua como hospedeiro intermediário. No Rio Grande Do Sul, caracterizado por extensas áreas de campos nativos, clima úmido e solos frequentemente encharcados, encontram-se condições ambientais favoráveis para manutenção e disseminação da doença. A criação extensiva de bovinos é uma das principais atividades econômicas e cultural do estado, destacando ainda mais a importância do diagnóstico de fasciolose, uma vez que a doença compromete a saúde animal, reduz a produtividade (ganho de peso, produção de leite e lã) e ocasiona perdas significativas devido à condenação de fígados em frigoríficos. Dessa forma, identificar o parasita é essencial para o desenvolvimento de estratégias de manejo sanitário, o que pode ser realizado através de técnicas parasitológicas das fezes dos animais por onde os ovos de Fasciola são eliminados na fase crônica da enfermidade. Diante disso, o trabalho teve o objetivo de demonstrar a importância do diagnóstico parasitológico de Fasciola hepática em bovinos criados extensivamente. Foram coletadas amostras de fezes de bovinos machos e fêmeas no período de março de 2024 a agosto de 2025 proveniente de propriedades particulares do município de Dom Pedrito, RS. As amostras fecais foram coletadas direto da ampola retal dos animais, identificadas, mantidas em caixas térmicas e encaminhadas ao Laboratório de microscopia e parasitologia da Unipampa, campus Dom Pedrito, as mesmas foram submetidas a análise parasitológica para detecção de ovos de Fasciola hepatica através da técnica de quatro tamises, onde utilizou-se telas metálicas de 100, 180, 200 e 250 malhas/polegada, com aberturas de 174, 96,87 e 65 µm, respectivamente e examinadas com o auxílio de estereomicroscópio. Foram analisados 431 bovinos, sendo destes 308 machos e 123 fêmeas. Os animais eram mantidos em sistema extensivo de criação, com alimentação de campo nativo e pastagens cultivadas. No exame foi possível verificar a presença de ovos de Fasciola hepatica em 37% das amostras avaliadas (158/431), sendo nos machos verificado em 29% (89 amostras) e nas fêmeas em 35,7% ( 44 das amostras). A prevalência de Fasciola hepatica em bovinos no Rio Grande do Sul é um desafio sanitário e econômico para a pecuária da região, especialmente no bioma Pampa, onde as condições ambientais favorecem o ciclo do parasita. Contudo, observa-se que muitos proprietários ainda não realizam exames laboratoriais como ferramenta de diagnóstico e prevenção, baseando-se apenas em alguns sinais clínicos ou em achados do abate. Essa frequência encontrada ainda pode ser maior uma vez que o parasita é eliminado nas fezes na fase crônica da enfermidade. A falta de monitoramento dificulta a detecção precoce, contribui para o aumento de casos da doença e limita a adoção de estratégias eficazes de controle. Portanto, é essencial conscientizar os produtores sobre a importância do diagnóstico coproparasitológico, aliado a práticas de manejo adequadas, visando reduzir as perdas produtivas e econômicas, garantindo o bem estar e sustentabilidade dos rebanhos bovinos no Estado

    Influência da Esquila Pré-encarneiramento no Peso Ao Nascimento de Cordeiros

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    A ovinocultura no Brasil, apesar de ter um número menor de animais em comparação com a bovinocultura, vem apresentando um grande desenvolvimento devido ao seu potencial de crescimento e o aumento da procura por carne ovina. Em 2022 o rebanho apresentou quase 21,5 milhões de cabeças no território brasileiro, com as regiões do nordeste e sul como as maiores produtoras de ovinos (IBGE, 2022), sendo o Rio Grande do Sul o terceiro maior produtor, com 15,6%. Com a desvalorização da lã e a baixa procura pelo produto, a técnica de esquila passou a ser usada como uma prática para o bem-estar animal e melhorias no desenvolvimento dos ovinos. A esquila pré-parto, em particular, proporciona um aumento na taxa de sobrevivência e o desenvolvimento dos cordeiros, sendo uma ferramenta de baixo custo que eleva a eficiência produtiva dos animais. A pesquisa se fundamenta na hipótese de que a técnica da esquila quando aplicada no momento prévio ao acasalamento pode resultar no melhor desempenho da fêmea e maior acúmulo de peso no cordeiro ao nascimento, desta forma o objetivo deste trabalho foi avaliar e comparar o peso do nascimento de cordeiros provenientes de ovelhas esquiladas no pré-encarneiramento e ovelhas não esquiladas. Adicionalmente, para acompanhar o desempenho da esquila, foi mensurado o Escore de Condição Corporal (ECC) das fêmeas no início do experimento e no momento pós-parto. O experimento foi elaborado em uma propriedade rural particular localizada no município de Lavras do Sul - RS, onde foram usadas 20 ovelhas sem raça definida, classificadas em dois grupos: (i) com idade entre 18 a 24 meses e (ii) 36 a 48 meses, que foram distribuídas de modo aleatório entre os dois tratamentos, sendo eles, Tratamento I esquiladas no pré-encarneiramento e o Tratamento II não esquiladas, no qual foi mensurado o ECC inicial das ovelhas e o ECC pós-parto, em uma escala de 1 a 5 pontos. Em seguimento, o estudo também avaliou o peso do nascimento dos cordeiros de ambos os tratamentos. Dentre os resultados obtidos no estudo, os valores de ECC inicial e final, avaliados na pesquisa não mostraram diferenças estatísticas (P>0,05) entre os tratamentos I e II. Os valores médios encontrados nos tratamentos foram: Tratamento I ECC inicial de 3,1 pontos e 2,7 pontos no ECC final, e para o Tratamento II o inicial de 3,0 e final de 2,6, ainda que, em ambos tratamentos os valores não diferem estatisticamente entre si (P>0,05), as médias de ECC apresentaram um decréscimo numérico, apresentando uma perda de -0,5 pontos. Os valores obtidos nas avaliações de peso ao nascimento dos cordeiros também não apresentaram diferenças significativas (P>0,05), ainda que, os pesos médios dos cordeiros no presente estudo foram superiores aos encontrados na literatura. Os valores médios encontrados no Tratamento I foram de 5,602 kg e no Tratamento II de 5,512 kg. Dessa forma, a esquila no pré-ecarneiramento no influenciou no ECC das matrizes ao parto e no peso ao nascimento dos cordeiros. O estudo partiu da hipótese de que a utilização da técnica da esquila em ovelhas, em momento prévio ao encarneiramento, impactaria em um maior acúmulo de peso do cordeiro ao nascimento em comparação às ovelhas não esquiladas. Todavia, esta hipótese foi negada através dos resultados obtidos nas análises dos dados. Com isso, pode-se considerar que o uso da técnica de esquila pré-encarneiramento não influenciou nas variáveis discutidas, sendo assim, não apresentando vantagens ou desvantagens ao serem usadas no período prévio à reprodução

    Impacto da Imunocastração Sobre o Perfil de Ácidos Graxos Poli-insaturados em Suínos: Uma Meta-análise

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    Os ácidos graxos poli-insaturados (PUFA), em especial o linoleico (ômega-6) e o α-linolênico (ômega-3), desempenham funções fundamentais na saúde humana, estando relacionados à manutenção das atividades cerebrais e visuais, ao fortalecimento do sistema imunológico e à prevenção de doenças cardiovasculares. Por serem considerados essenciais, já que não podem ser sintetizados pelo organismo, a ingestão adequada desses nutrientes depende diretamente da dieta, tornando a escolha dos alimentos uma estratégia decisiva para a saúde. A carne suína, além de ser uma das proteínas animais mais consumidas no mundo, também representa uma fonte relevante de PUFA, contribuindo para o equilíbrio nutricional da população. No entanto, a quantidade e a proporção desses ácidos graxos na carcaça não são fixas, sendo influenciadas por fatores como nutrição, manejo e caetgoria sexual dos animais. Nesse contexto, a imunocastração surge como uma alternativa moderna e eficaz à castração cirúrgica, promovendo alterações hormonais que impactam o metabolismo lipídico. Essas mudanças refletem diretamente na deposição de gordura e podem modificar a composição dos ácidos graxos na carne, tornando o tema especialmente relevante para compreender como estratégias de manejo reprodutivo influenciam não apenas a produção animal, mas também a qualidade nutricional do alimento ofertado ao consumidor. Com o objetivo de avaliar de forma sistemática o impacto da imunocastração sobre os níveis de ácidos graxos poli-insaturados em suínos, foi conduzida uma meta-análise reunindo evidências publicadas entre 2010 e 2020. Para isso, foram realizadas buscas criteriosas nas bases ScienceDirect, PubMed e SciELO, utilizando como termos de indexação Fatty acids AND Immunocastration AND Pig OR Swine. Foram considerados apenas os estudos que atendessem a critérios de inclusão previamente definidos, como avaliação da qualidade da carne entre animais imunocastrados e castrados cirurgicamente. Após a triagem inicial, cinco artigos foram considerados elegíveis, os quais, em conjunto, reuniram 13 estudos. Resultando uma base com 744 suínos machos, sendo 374 submetidos à imunocastração e 370 à castração cirúrgica. Esse conjunto de dados proporcionou uma base sólida e representativa para comparar os dois métodos, permitindo observar de forma mais abrangente como a imunocastração pode interferir na deposição de gordura e, consequentemente, na composição de PUFA da carne suína. Foram coletados dados sobre concentrações de PUFA nas regiões da gordura subcutânea, barriga e papada, bem como sobre seus representantes individuais, linoleico e α-linolênico. A análise dos resultados mostrou que os suínos castrados cirurgicamente apresentaram concentrações significativamente mais elevadas de PUFA em comparação aos imunocastrados, refletindo uma maior deposição de gordura corporal e intramuscular. Entre os ácidos poli-insaturados avaliados, tanto o linoleico quanto o linolênico foram encontrados em níveis superiores nos animais castrados cirurgicamente, indicando que o perfil hormonal desses animais pode favorecer acúmulo lipídico mais insaturado. Essa diferença pode estar associada ao fato de que, antes da segunda dose da vacina de imunocastração, a atividade androgênica estimula maior síntese proteica e reduz a deposição de gordura, limitando assim a incorporação de PUFA nas carcaças. Do ponto de vista nutricional, a presença de PUFA é considerada benéfica, sendo recomendada a ingestão equilibrada de ácidos graxos ômega-6 e ômega-3. A literatura ressalta a importância de manter uma proporção adequada entre esses dois ácidos graxos, uma vez que o excesso de ômega-6 em relação ao ômega-3 pode induzir efeitos pró-inflamatórios. Apesar das diferenças observadas entre os grupos experimentais, os níveis de PUFA na carne suína, tanto em animais imunocastrados quanto em castrados cirurgicamente, permanecem dentro dos padrões aceitos para consumo humano, assegurando seu padrão nutricional. A meta-análise também revelou elevada heterogeneidade entre os estudos avaliados, próxima de 96%, atribuída principalmente às diferenças de dietas experimentais, uma vez que a alimentação exerce influência direta sobre a deposição de PUFA na carne suína. Dessa forma, conclui-se que a imunocastração modifica o perfil de ácidos graxos poli-insaturados em suínos, reduzindo sua concentração em relação aos animais castrados cirurgicamente, mas sem comprometer a qualidade nutricional da carne. Esses achados reforçam a relevância dos PUFA para a saúde humana e destacam a necessidade de estratégias nutricionais adequadas na suinocultura para otimizar a presença desses ácidos graxos benéficos nas carcaças

    Reuso de Efluente Suino na Floricultura: Impactos no Crescimento Vegetativo da Margaridinha (chrysanthemum Paludosum)

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    A floricultura, setor em constante crescimento dentro da agricultura, desempenha papel relevante tanto na geração de renda quanto na valorização estética e ambiental. O cultivo de flores ornamentais, como a margaridinha (Chrysanthemum paludosum), exige práticas de manejo que conciliem produtividade e sustentabilidade, sobretudo no que se refere ao consumo hídrico. Considerando que a água é um recurso em crescente escassez, alternativas como o uso de água residuária da suinocultura vêm ganhando destaque como estratégia viável para irrigação. Nesse contexto, o presente estudo buscou avaliar a influência de diferentes concentrações de água residuária da suinocultura na produção de margaridinha, adotando a lâmina de irrigação correspondente a 100% da capacidade de vaso (cv). O experimento foi conduzido em casa de vegetação, na área experimental do curso de Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Pampa Campus Alegrete/RS. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro repetições, sendo testadas cinco concentrações da água residuária da suinocultura: 100% efluente (T1), 75% efluente + 25% água (T2), 50% efluente + 50% água (T3), 25% efluente + 75% água (T4) e 100% água (T5). Durante o ciclo da cultura foram realizadas semanalmente as seguintes avaliações: altura de planta, número de nós, número de folhas, número de brotos, número de flores, área foliar e diâmetro de nó. Parâmetros essenciais para compreender a resposta da margaridinha frente às distintas concentrações de água residuária. Os dados coletados, foram processados, com o auxílio do software livre (Sisvar/Assistat). A análise foi baseada no delineamento inteiramente casualizado, a 5% (p<0,05) de probabilidade pelo teste F. Os resultados evidenciam que a adição de efluente da suinocultura exerceu efeito positivo em variáveis vegetativas da margaridinha, refletindo a contribuição nutricional desse recurso hídrico alternativo. Observou-se para o número de nós que todos os tratamentos com efluentes suínos apresentam valores estatisticamente superiores ao tratamento controle (T5), indicando que a presença de nutrientes disponíveis favorece a emissão de estruturas vegetativas essenciais para a sustentação do desenvolvimento da planta. De forma semelhante, o número de folhas e a área foliar apresentaram melhor desempenho nos tratamentos com maiores proporções de efluente, destacando-se os tratamentos com 25% e 75% de efluente, respectivamente. Esse resultado sugere que concentrações equilibradas de nutrientes presentes no efluente estimulam a expansão foliar, aumentando a superfície fotossintética e, consequentemente, a capacidade de produção de fotoassimilados. A ampliação da área foliar em sistemas irrigados com água residuária já foi relatada em outras espécies ornamentais, atribuída à maior disponibilidade de macro e micronutrientes essenciais ao crescimento vegetal. O diâmetro de caule também apresentou diferença significativa, sendo superior nos tratamentos com maior proporção de efluente em comparação ao tratamento controle, sem concentração de efluente. Esse comportamento é relevante, pois caules mais espessos conferem maior sustentação estrutural às plantas, fator desejável em espécies ornamentais destinadas tanto ao uso em vaso quanto como flor de corte. Por outro lado, variáveis ligadas ao potencial reprodutivo, como número de brotos, flores e altura de planta, não apresentaram diferenças estatísticas entre os tratamentos. Isso indica que, embora o efluente tenha contribuído de maneira evidente para o crescimento vegetativo, sua influência sobre o florescimento da margaridinha não foi significativa no período avaliado. É possível que o estímulo à floração dependa de fatores adicionais, como condições de fotoperíodo, regulação hormonal ou manejo específico de adubação. De acordo com a metodologia e nas condições em que o experimento foi conduzido conclui-se que a utilização de efluente da suinocultura, em diferentes concentrações, contribuiu para o vigor vegetativo da cultura, especialmente em parâmetros relacionados à formação foliar e à robustez estrutural. Isso reforça o potencial do reuso agrícola de efluentes como prática sustentável na floricultura, reduzindo a dependência de adubos químicos e otimizando o uso da água, sem comprometer o desempenho produtivo da cultura

    Influência Hídrica na Produção de Margaridinha Cultivada em Vasos

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    A produção de flores ornamentais tem se destacado cada vez mais no cenário agrícola, seja para fins de corte ou cultivo em vasos. Entre os aspectos essenciais para o sucesso dessa atividade, o manejo adequado da irrigação merece atenção, visto que a água é um recurso limitado e de grande valor. Nesse contexto, o presente trabalho teve como propósito avaliar o efeito de diferentes lâminas de irrigação na produção da margaridinha (Chrysanthemum paludosum), cultivada exclusivamente com água de abastecimento, em ambiente protegido. O experimento foi conduzido em casa de vegetação pertencente à área experimental do curso de Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Pampa Campus Alegrete/RS. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, em esquema unifatorial, considerando três níveis de reposição hídrica: 100%, 70% e 30% da capacidade de vaso (CV), com quatro repetições. A semeadura da margaridinha foi realizada em bandejas de isopor, com três sementes por célula. Cada célula da bandeja de isopor estava totalmente preenchida com substrato comercial. O monitoramento da irrigação das mudas, na semeadura, foi realizado diariamente. Nesta fase a quantidade de água utilizada não foi quantificada, para tal utilizou de umidificação do substrato em todas as células. O transplante das mudas, para os vasos de plásticos, foi realizado após as plantas atingirem 10 cm de altura. Os vasos utilizados no experimento foram de material plástico de cor escura (preta), com capacidade de 2,6 litros. Durante o ciclo de cultivo, foram realizadas avaliações semanais dos seguintes parâmetros: altura de planta, diâmetro de caule, número de nós, número de brotos, número de flores, número de folhas e área foliar. Todos os dados coletados, foram processados e analisados com o auxílio de software livre (Sisvar/Assistat), a 5% (p<0,05) de probabilidade pelo teste F. Através dos resultados não observou-se diferença estatística significativa, entre as variáveis estudadas. A altura das plantas respondeu de forma linear ao incremento da disponibilidade hídrica, variando de 14,32 cm no tratamento de 30% CV para 16,52 cm em 100% CV, com coeficiente de determinação (R²) de 0,82. O diâmetro do caule seguiu a mesma tendência, aumentando de 0,316 cm para 0,352 cm à medida que a irrigação foi intensificada, com forte ajuste linear (R² = 0,95). O número de nós também foi positivamente influenciado pelas lâminas, crescendo de 12,44 (30% CV) para 19,11 (100% CV), resultado sustentado por regressão linear de alta precisão (R² = 0,96). Em contrapartida, o número de brotações apresentou comportamento quadrático, com máxima eficiência técnica (MET) na lâmina com reposição de 84,08 % da CV, com 7,33 número de brotos. Notou-se para o florescimento que os valores se adequaram a uma equação polinomial quadrática, ajustando-se a um R2 de 1. A MET no florescimento correspondeu a lâmina de irrigação de 75,93% da CV, obtendo 6,49 flores por planta. Esses resultados sugerem que a condição de irrigação moderada pode favorecer o equilíbrio fisiológico da espécie, otimizando a diferenciação reprodutiva. No que se refere ao número de folhas, verificou-se incremento linear com o aumento da lâmina de irrigação (R² = 0,97), alcançando 180,56 folhas em 100% CV, contra 128,65 folhas em 30% CV. A área foliar, ajustou-se, R2 de 1, à uma equação polinomial quadrática. A MET para esta correspondeu a lâmina de irrigação de 77% da CV, obtendo-se uma área foliar de 11,95cm2. De forma integrada, os resultados demonstram que o fornecimento hídrico pleno (100% da CV) favorece parâmetros relacionados ao crescimento vegetativo, como altura, diâmetro de caule, número de nós e número de folhas, evidenciando maior acúmulo de biomassa e expansão foliar. Contudo, quando se avaliam variáveis de caráter reprodutivo, como número de brotos e flores, a reposição intermediária (70% da CV) apresentou maior equilíbrio, estimulando a emissão de estruturas de renovação e floração. De acordo com a metodologia e nas condições em que o experimento foi conduzido pode-se concluir que a margaridinha, enquanto espécie ornamental de porte reduzido, responde de forma diferenciada às lâminas de irrigação, sendo capaz de ajustar seu metabolismo para privilegiar crescimento ou reprodução conforme a disponibilidade hídrica. Os resultados obtidos reforçam a relevância do manejo racional da água na floricultura, não apenas pela sustentabilidade, mas também pela qualidade do produto final. A condição de 70% da capacidade de vaso mostrou-se promissora para conciliar eficiência hídrica e desempenho produtivo, podendo representar uma estratégia viável para o cultivo de margaridinha em sistemas protegidos

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