Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Agricultura de Precisão em Arroz Irrigado: Relação Entre Evi e Produtividade de Grãos

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    O avanço da agricultura de precisão tem sido impulsionado pelo uso de tecnologias de sensoriamento remoto e pela integração de dados provenientes de máquinas agrícolas, permitindo análises mais apuradas da variabilidade espacial e temporal da produtividade das culturas. Porém, observa-se que o arroz irrigado é uma das culturas com o menor emprego dessas tecnologias, quando comparamos com culturas como soja e milho, por exemplo. Entre os diferentes índices espectrais derivados de imagens de satélite, o Enhanced Vegetation Index (EVI) destaca-se por apresentar maior sensibilidade às variações de biomassa e melhor desempenho em áreas de alta densidade foliar em comparação ao NDVI, sendo uma ferramenta promissora para monitoramento do vigor das lavouras de arroz irrigado. Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a relação entre o EVI e a produtividade do arroz irrigado, durante a safra 2024/2025, explorando o potencial de uso de dados espectrais como preditores do rendimento agrícola. Os dados utilizados nesse trabalho são oriundos de uma lavoura de arroz irrigado, localizada no município de Alegrete-RS, nas coordenadas geográficas 29° 39′ 44,64″ S 56° 15′ 22,48″ O. Para tanto, foram utilizados dados de produtividade obtidos por uma colhedora New Holland TX 5.9, equipada com monitor de colheita, possibilitando a geração de mapas detalhados de rendimento. Os dados foram baixados do terminal da máquina e inicialmente lidos pelo software AgroCAD® e então convertidos para formato de texto separado por virgula (.csv). Os dados foram então filtrados por meio do software Mapfilter®, com o intuito de remoção de outliers, de modo a melhorar a qualidade de processo de interpolação e geração do mapa de produtividade da cultura. A interpolação foi feita no software Qgis®, com o auxílio do plugin SmartMap®. O processo de interpolação consistiu na geração do semivariograma, seguido de uma validação cruzada (r² = 0,76), com posterior interpolação por krigagem. Foi gerado mapa de produtividade com pixel de 10 metros, para que fosse possível sobrepor os pixels de produtividade com os pixels de EVI. Em paralelo, valores médios do EVI, representativos de todo o ciclo da cultura, foram extraídos da plataforma Google Earth Engine, a partir de séries temporais de imagens de satélite processadas para a área de estudo. A análise estatística foi conduzida no software R, por meio de regressão linear simples e cálculo da correlação de Pearson entre as variáveis. A equação ajustada para a regressão foi Ŷ = 4,36 + 11,27·X, em que Ŷ representa a produtividade em t ha⁻¹ e X o valor do EVI. O coeficiente angular positivo e significativo (p < 0,0001) evidencia que incrementos no EVI estão associados a aumentos na produtividade do arroz, reforçando a capacidade desse índice em refletir condições de maior vigor vegetativo e, consequentemente, melhor desempenho da cultura. O teste F da regressão foi igualmente significativo (p < 0,0001). No entanto, o coeficiente de determinação (r² ≈ 0,15) demonstrou que apenas cerca de 15% da variação observada na produtividade foi explicada diretamente pelo EVI, revelando que, embora exista relação positiva entre as variáveis, outros fatores como fertilidade do solo, altura da lâmina de água, elevação do terreno e declividade, manejo de pragas e outras práticas de cultivo exercem alguma influência sobre os resultados. A correlação de Pearson entre EVI e produtividade foi de r = 0,385 (n = 8401 pontos), indicando uma associação positiva de intensidade moderada. Esse valor reforça que áreas com maior vigor vegetativo tendem a apresentar produtividades superiores, mas também sugere que a utilização isolada do EVI não é suficiente para predizer com boa precisão e acurácia a produtividade da cultura. Assim, o índice deve ser considerado como parte de um conjunto de indicadores complementares. Os resultados obtidos demonstram a relevância da integração entre dados espectrais e informações de colheita para a geração de conhecimento aplicado ao monitoramento agrícola. O uso do EVI associado a mapas de produtividade possibilita uma caracterização mais detalhada da variabilidade espacial, contribuindo para a definição de estratégias de manejo localizado, redução de custos e uso mais racional de insumos. Conclui-se que o EVI apresenta relação estatisticamente significativa com a produtividade do arroz irrigado, sendo um indicador útil para análises exploratórias e planejamento agrícola, especialmente quando associado a outros fatores determinantes da produtividade da cultura. Essa abordagem evidencia como ferramentas de análise geoespacial, aliadas ao processamento estatístico, podem subsidiar avanços na agricultura de precisão e fornecer suporte científico para decisões mais eficientes e sustentáveis no cultivo de arroz irrigado

    Crédito de Carbono no Brasil: Desafios e Perspectivas

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    O mercado de créditos de carbono surge como uma alternativa estratégica para conciliar desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental, sendo um mecanismo que estimula a redução de emissões de gases de efeito estufa e ao mesmo tempo fomenta oportunidades de negócios. No Brasil, entretanto, esse campo ainda se encontra em estágio inicial, marcado por complexidades institucionais, regulatórias e técnicas. Ante a esse panorama, a pesquisa desenvolvida buscou analisar os desafios e as perspectivas do processo de adoção e difusão dos créditos de carbono no país, de forma a compreender os elementos que podem viabilizar sua consolidação a longo prazo. Para tanto, empregou-se um estudo aplicado, de abordagem qualitativa e exploratória, cujos dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas aplicadas a seis especialistas e stakeholders que atuam diretamente no setor em âmbito nacional. Dessa maneira, foram captadas as percepções fundamentadas acerca do funcionamento atual do mercado, suas limitações e potenciais de expansão. Como procedimento analítico adotou-se a análise qualitativa de conteúdo. Os resultados obtidos demonstraram que apesar da experiência brasileira no uso do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) durante a vigência do Protocolo de Quioto, a ausência de uma regulamentação clara, a burocracia excessiva, a insegurança jurídica e a insuficiência de capacitação técnica permanecem como entraves significativos à evolução do mercado tanto voluntário quanto regulado de créditos de carbono. Verificou-se ainda a centralização de iniciativas dispendidas por grandes corporações e setores específicos, o que impacta na redução da inclusão social e minimiza a possibilidade de que comunidades tradicionais e produtores agrícolas familiares acessem os benefícios advindos do mercado de carbono. Desse modo, emerge a necessidade da promoção da democratização de acesso a tal mercado, do fortalecimento da governança institucional, do estímulo à capacitação profissional e da integração de políticas públicas que dialoguem com a realidade socioeconômica brasileira. A análise também evidenciou que a crescente pressão internacional e os compromissos assumidos pelo Brasil em acordos climáticos, como o Acordo de Paris, podem representar fatores decisivos para impulsionar a criação de marcos legais dotados de maior robustez e efetividade, contribuindo para o fortalecimento do mercado nacional. Não obstante, evidencia-se que a consolidação desse mercado depende de uma estruturação eficiente, que envolva clareza regulatória, incentivo à participação de diferentes atores sociais e alinhamento entre objetivos ambientais e econômicos, reforçando o papel estratégico do Brasil no cenário global de transição para uma economia de baixo carbono. Por outro lado, os achados evidenciaram que as perspectivas se mostram promissoras, especialmente diante da crescente demanda global por práticas sustentáveis e da intensificação dos compromissos internacionais orientados à redução de emissões de gases de efeito estufa e a preservação ambiental. Ademais, o fortalecimento de políticas públicas, o aprimoramento dos mecanismos de certificação e o estímulo à cooperação entre os setores público e privado figuram como estratégias fundamentais para ampliar a difusão dos créditos de carbono no país. Desse modo, reverbera-se que o avanço na adoção e na difusão do crédito de carbono no Brasil dependerá de um esforço integrado que considere aspectos regulatórios, econômicos, sociais e ambientais. Para tanto, tem-se a necessidade de implementação de um ambiente favorável que possibilite que tal mecanismo contribua efetivamente para o desenvolvimento sustentável. Em consonância, destacam-se e se consolidam as preocupações relacionadas à estruturação do mercado de carbono de maneira capaz de proporcionar justiça social. Evidencia-se ainda que além de contribuir para o desenvolvimento sustentável, a consolidação do mercado de créditos de carbono tende a representar uma maneira estratégica de desenvolvimento econômico e liderança global. Logo, as contribuições da pesquisa realizada oportunizam insights acerca do panorama geral do mercado de carbono no Brasil, evidenciando aspectos relacionados a sua estruturação, dinâmica e potencialidades. Entretanto, reconhecem-se as limitações do estudo no que corresponde ao não aprofundamento das preocupações apontadas pelos respondentes, bem como a escassez de dados atualizados e a dificuldade de acesso a informações mais específicas sobre projetos de crédito de carbono no Brasil. Outro fator limitante diz respeito ao fato de que as ações mais estruturadas no âmbito do mercado de carbono no país ocorreram mediante atividades de silvicultura, o que dificulta a análise em um contexto amplo haja vista a heterogeneidade agrícola do país

    Efeito de Bioestimulantes no Desenvolvimento de Cultivares de Alface

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    A realização de pesquisas que avaliam diferentes cultivares de alface é fundamental para identificar genótipos mais adaptados às condições edafoclimáticas locais, garantindo maior produtividade e qualidade. Além disso, estudos comparativos permitem orientar produtores sobre as melhores opções para sistemas convencionais ou agroecológicos, contribuindo para maior sustentabilidade e rentabilidade da cadeia produtiva da alface. Por outro lado, a utilização do extrato pirolenhoso associado ao cultivo de alface apresenta grande relevância, pois esse subproduto da carbonização da madeira contém compostos orgânicos com propriedades bioestimulantes, antimicrobianas e repelentes, capazes de promover maior vigor das plantas e reduzir a incidência de pragas e doenças. Pesquisa que investiguem diferentes doses desse insumo é essencial para determinar concentrações seguras e eficientes, evitando fitotoxicidade e maximizando seus efeitos benéficos no crescimento e desenvolvimento das hortaliças. Tais estudos contribuem para a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis, reduzindo a dependência de agroquímicos e promovendo a produção de alimentos mais saudáveis e ambientalmente responsáveis. Diante disso, o presente trabalho teve como objetivo avaliar o desempenho agronômico de diferentes cultivares de alface submetidas a doses crescentes de extrato pirolenhoso, visando identificar a combinação mais eficiente para promover crescimento, qualidade e sustentabilidade na produção. Para tanto, o experimento foi realizado na área experimental da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) Campus Itaqui, RS. O cultivo de alface em canteiros com dimensões de 8m de comprimento e 1m de largura, cobertos com sombrite de 50% de densidade, se deu nos meses de abril a junho, com transplantio das mudas no dia 14 de abril de 2025. O experimento foi conduzido em um esquema bifatorial 5 x 3, onde cinco (5) consistiram nas doses do extrato pirolenhoso e três (3) em três cultivares de alface, totalizando assim 15 tratamentos. As doses do extrato pirolenhoso foram: dose 0 - testemunha, sem aplicação do produto; dose 1, onde foi aplicado extrato pirolenhoso a 1% de concentração; dose 2, onde foi aplicado extrato pirolenhoso a 2% de concentração; dose 3, onde foi aplicado extrato pirolenhoso a 3% de concentração e dose 4, onde foi aplicado extrato pirolenhoso a 4% de concentração. Já as cultivares de alface escolhidas para a condução do experimento foram, lisa STELLA MANTEIGA, crespa BS AC0155 e roxa BOCADO 7,5 MX. Adotou-se o delineamento de blocos ao acaso (DBA), com 15 tratamentos e três repetições, totalizando 45 unidades experimentais/parcelas. Em cada parcela foram plantadas 9 mudas de alface, espaçadas umas das outras a 25 cm. Os caracteres analisados foram: número de folhas e massa fresca de folhas e raízes. Os dados obtidos foram submetidos a análise de variância a 5% de probabilidade de erro e, quando significativo o efeito das interações, desdobraram-se as mesmas por meio de análise de regressão. Após análise de variância foi possível constatar significância para a interação dose x cultivar (doses de extrato pirlenhoso x cultivares de alface) para os três caracteres observados. Para todos os caracteres, na dose de 3% de extrato pirolenhoso, foram obtidos os maiores números de folhas, massa de folhas e massa de raízes, indicando que esta dosagem acarretou maior desenvolvimento das plantas e consequentemente, maior produtividade. Desta forma, é possível concluir que as diferentes doses de extrato pirolenhoso exercem influências significativas sobre o desenvolvimento das diferentes cultivares de alface, sendo 3% a dose que mostrou-se mais promissora

    Compostos Alternativos no Cultivo de Chrysanthemum Coronarium

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    O Chrysanthemum coronarium é uma espécie de planta da família Asteraceae, popularmente conhecida como crisântemo. Caracteriza-se por ser uma planta herbácea, ereta e ramificada, podendo medir de 30 cm à 90 cm de altura, com folhas simples e lobuladas; com flores reunidas em capítulos vistosos. Essa planta se adapta em canteiros e vasos, o solo para seu cultivo precisa estar bem drenado e rico em matéria orgânica, sendo que as plantas necessitam de pleno sol e temperaturas amenas, entre 15º e 25º C. Dentre os compostos que são utilizados no cultivo de olerícolas, encontra-se a casca de ovo, borra de café, farinha de osso e torta de mamona. A casca de ovo é rica em cálcio, disponibilizando também os nutrientes potássio e magnésio. A borra de café contém nutrientes essenciais, como o carbono e nitrogênio. A farinha de osso é fonte de fósforo e cálcio, fornecendo também magnésio, potássio e enxofre. A torta de mamona é obtida da prensagem das sementes da planta, com altos teores de nitrogênio, fósforo e potássio. Estes são alguns dos compostos alternativos disponíveis no mercado que podem ser incorporados no substrato para o cultivo de crisântemo, porém pouco se sabe a respeito da interferência dos mesmos no crescimento vegetativo e na floração dessas plantas. De acordo com o exposto, o objetivo deste trabalho foi avaliar o crescimento vegetativo de Chrysanthemum coronarium cultivado com diferentes compostos alternativos, em ambiente protegido. As sementes adquiridas comercialmente de crisântemo (Chrysanthemum coronarium), foram semeadas em bandeja de poliestireno expandido de 128 células, previamente preenchidas com substrato comercial para produção de mudas. A bandeja permaneceu em ambiente protegido, com sua irrigação feita diariamente. O experimento foi conduzido em delineamento experimental inteiramente casualizado, em esquema de parcelas subdivididas no tempo, com 4 repetições, onde o fator da parcela foram os tratamentos (4 compostos orgânicos e alternativos) e o fator da subparcela foram os dias após o transplante (14 e 49 dias). Os tratamentos foram: T1 - testemunha (sem aplicação de compostos), T2- 3,8 g de casca de ovo, T3- 11 g de borra de café, T4- 1,7 g de farinha de ossos e o T5- 1,7 g de torta de mamona. A casca de ovo foi utilizada seca e triturada no liquidificador e os demais compostos foram adquiridos no comércio. As mudas foram transplantadas aos 27 dias após a semeadura para 20 vasos com capacidade de 4kg, que foram preenchidos com substrato composto por 60% solo peneirado, 20% de areia, 10% de casca de arroz carbonizada e 10% de esterco bovino curtido (triturado no moinho de facas). Os tratamentos foram aplicados na cova de cada planta, em cada vaso, e levemente misturados com o substrato. Os vasos permaneceram em ambiente protegido e irrigados diariamente. As variáveis avaliadas foram altura de planta e número de folhas, aos 14 e 49 dias após o transplante. Os dados foram submetidos à análise de variância e posteriormente, quando necessário, ao teste de Scott-Knott, ambos ao nível de 5% de significância. As análises foram realizadas no software Sisvar. Para a variável altura de plantas de crisântemo não houve efeito significativo da interação entre tratamentos e DAT (p > 0,05), ou seja, os fatores são independentes. Ao mesmo tempo que não houve efeito significativo dos tratamentos com diferentes compostos alternativos na altura média das plantas. Para a variável número de folhas de crisântemo houve efeito significativo na interação entre tratamentos e DAT (p < 0,05), ou seja, os fatores são dependentes. Observou-se que aos 14 dias após o transplante, não houve diferença significativa entre os efeitos dos tratamentos. Porém, aos 49 dias após o transplante, observou-se que as plantas que receberam torta de mamona, apresentaram número médio de folhas (95,5 folhas) superior às demais, 45% maior do que o encontrado no tratamento testemunha (65,75 folhas) e 107,6 % maior do que o encontrado para borra de café (46,0 folhas), que foi a menor média do experimento. A torta de mamona foi o composto que estimulou o aumento no número de folhas nas plantas de crisântemo, pois é fonte de nutrientes e de matéria orgânica, enriquecendo o solo e melhorando sua estrutura. Os demais produtos testados, farinha de osso, casca de arroz e borra de café não foram eficientes, sendo que a borra de café inibiu o aumento no número de folhas das plantas. Dessa forma, pode-se inferir que outros trabalhos podem ser realizados com crisântemo e com outras espécies de ornamentais cultivadas com diferentes dosagens dos compostos alternativos usados neste experimento. De acordo com as condições do presente experimento, conclui-se que a torta de mamona foi o composto alternativo que estimulou a produção de folhas em crisântemo

    Fluxo de Óxido Nitroso em Planossolo Cultivado com Milho Sob Diferentes Fertilizantes Nitrogenados em Cobertura

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    O Nitrogênio (N) é um macronutriente essencial para o crescimento e desenvolvimento das plantas. A Ureia constitui a fonte de adubação nitrogenada mineral mais amplamente utilizada, porém, em função das condições climáticas, podem ocorrer perdas expressivas desse fertilizante por meio da volatilização de Amônia (NH3) para a atmosfera. Como alternativa para mitigar esse problema, destacam-se outras fontes de N mineral, como a ureia com inibidor de uréase e o nitrato de amônio. Porém, ainda se sabe pouco sobre os efeitos destes nos fluxos de emissão de Óxido Nitroso (N2O) no solo. Com isso, o principal objetivo do estudo é avaliar as emissões de N2O em cultivo de milho com diferentes fontes de adubação nitrogenada em cobertura em um Planossolo mal drenado do Pampa. O experimento foi conduzido à campo na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), localizada no munícipio de São Gabriel, no ano agrícola de 2024/25. O solo do local é classificado como Planossolo Háplico Eutrófico típico, caracterizando-se como mal drenado. Em um delineamento em blocos inteiramente casualizados (n=4), quatro tratamentos foram aplicados a lanço no momento em que a cultura do milho encontrava-se no estágio fenológico V5 e consistem em 160 kg de N ha -1 na forma de: T1. Ureia (U); T2: Ureia com inibidor de urease (U+NBPT); T3. Nitrato de amônio (NA); e o T4. tratamento controle (C), onde não foi feita a adubação nitrogenada em cobertura. Para a avaliação das emissões, foi utilizado o método de câmaras estáticas e as análises para a quantificação do N2O foram realizadas por cromatografia gasosa. Variáveis de clima, N mineral do solo, umidade do solo e profundidade do lençol freático foram monitoradas para avaliar a relação de cada uma com os fluxos de N2O. Os resultados foram avaliados estatisticamente com análise de variância, se atendidos os pressupostos, e teste de Tukey (P<0,05%). No primeiro mês do experimento, observou-se um pico acentuado de emissões, que atingiram aproximadamente 5.000 µg de N m-² h-¹, coincidindo com o período subsequente à aplicação das fontes nitrogenadas. Após a fase inicial, as emissões reduziram-se a níveis quase negligíveis, o que pode estar associado à baixa precipitação, uma vez que a umidade do solo é um fator determinante para a produção de Óxido Nitroso. Outro ponto a ser destacado é que, no estágio avançado de crescimento do milho, a absorção de N do solo pela cultura favoreceu menores taxas de emissão. Entre os tratamentos avaliados, o Nitrato de Amônio (T3) apresentou maior emissão acumulada ao longo do ciclo, alcançando aproximadamente 10 kg de N na forma de N2O/ha, não diferindo estatisticamente das outras duas fontes de N, mas sendo superiores em relação à emissão do solo sob tratamento controle. Nos tratamentos com N em cobertura, o fator de emissão (FE) de N na forma de N2O equivaleu a 2,81, 1,90 e 4,22% do N aplicado, respectivamente, na forma de U, U+NBPT e NA. Estes valores são maiores do que o FE de 1,60% utilizado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) na elaboração dos inventários de emissão de gases de efeito estufa mundialmente. Isto se deve ao fato de que o solo do estudo é um solo mal drenado, onde a maior anaerobiose favoreceu a desnitrificação do nitrato do solo, gerando maior emissão de N2O como composto intermediário no processo, principalmente nos períodos subsequentes à aplicação do N em cobertura. Ao se estimar a intensidade de emissão, em kg de equivalente-carbono por ton de grão de milho produzido, não houve diferença estatística entre os tratamentos, com um valor médio de 264 kg CE/ton. Conclui-se que as diferentes fontes nitrogenadas não diferiram entre si quanto à emissão de Óxido nitroso pelo solo no ano agrícola avaliado

    Produtividade de Arroz Irrigado em Função de Diferentes Épocas de Dessecação de Azevém

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    A cultura do arroz (Oryza sativa) desempenha um papel estratégico na agricultura do Rio Grande do Sul, sua produção estadual é realizada predominantemente no sistema de arroz irrigado, abrange cerca de 900.203 hectares, respondendo por aproximadamente 70% da produção nacional de arroz. Contudo, o sistema produtivo predominante na região baseado na sucessão arroz-arroz é frequentemente antecedido por um período de pousio no outono-inverno. Esse intervalo apresenta baixa contribuição de matéria orgânica e retorno econômico, além de favorecer o aumento da incidência de doenças, elevar a demanda por insumos externos e gerar impactos ambientais preocupantes, especialmente em razão do uso intensivo de insumos e do revolvimento frequente do solo. A integração com azevém (Lolium multiflorum), em rotação ou sucessão, pode trazer benefícios ao sistema, contudo, a dessecação tardia e a fermentação da palhada residual do azevém têm sido atrelada a produção de ácidos orgânicos e intoxicação da cultura do arroz. Nesse contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar a produtividade do arroz irrigado em função de diferentes épocas de dessecação do azevém. O experimento foi conduzido na estação experimental do Instituto Rio Grandense do Arroz (IRGA), em Uruguaiana, durante o ano agrícola 2024/25, utilizando o delineamento de blocos ao acaso (DBC), com cinco tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos corresponderam a cinco épocas de dessecação: 25, 10 e 0 dias antes da semeadura (DAS) e 6 e 8 dias após a semeadura (DSS) no estádio S3 (ponto de agulha). As dessecações foram realizadas com herbicidas sistêmicos, utilizando glifosato (Roundup 560 Plus®) na dose de 4 L ha⁻¹ nos primeiros tratamentos, exceto para o último (8 DSS), que recebeu aplicação em associação com glifosato (3,5 L ha⁻¹), Gamit® (1,2 L ha⁻¹) e Kifix® (140 g ha⁻¹). Para padronizar a biomassa, foi realizado corte uniforme do dossel uma semana antes de cada dessecação, com remoção do material vegetal das parcelas. A cultivar de arroz utilizada foi a IRGA 424 RI, sob sistema de irrigação por inundação. Os materiais para as avaliações de produtividade e peso de mil grãos (PMG) foram coletados manualmente em uma área de 8 m² por parcela, onde os grãos colhidos foram trilhados, pré-limpos em uma máquina limpadora e submetidos à determinação da umidade com auxílio de um medidor portátil. O peso dos grãos por parcela foi registrado e os dados foram extrapolados para produtividade em kg ha⁻¹, corrigidos para a umidade padrão de 14%. Os resultados indicaram que o PMG aumentou progressivamente até a dessecação próxima à semeadura do arroz, com valores variando de 22,65 g (25 DAS) para 23,45 g (0 DAS), seguido por leve redução em épocas mais tardias (23,2 g aos 6 DAS). Esses dados sugerem que a dessecação apropriada favorece a formação e o enchimento dos grãos. No entanto, não houve diferença estatística na produtividade de grãos entre os tratamentos, variando de 5.432 kg/ha (8 DAS) a 6.225 kg/ha (10 DAS). A menor produtividade no tratamento mais tardio pode estar associada à competição por recursos ou à dinâmica de liberação de nutrientes pela palhada. Assim conclui-se que a cultura do azevém não exerceu efeitos negativos sobre o arroz, independentemente da época de dessecação. Além disso, a dessecação realizada próxima à semeadura mostrou-se mais favorável à qualidade dos grãos, reforçando o potencial do azevém para contribuir positivamente para a estruturação do ambiente de cultivo, desde que bem manejado

    Uso de Área de Banhado por Roedores na Região Central do Pampa Gaúcho.

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    Banhados são áreas alagadas ou úmidas que, no Pampa, apresentam uma vegetação mais campestre, com gramíneas, herbáceas e arbustos, além da presença marcante de tipos vegetais como os gravatás (Eryngium sp.). São ambientes fundamentais para um ecossistema equilibrado, servindo de habitat para aves, anfíbios, répteis e o grupo de amostragem abordado nesse estudo: os pequenos mamíferos. Estudos anteriores, nesse ambiente e região, evidenciaram Scapteromys tumidus, como o roedor dominante. No presente trabalho visamos avaliar a riqueza, composição e abundância de roedores em uma área de banhado e beira de curso dágua, além de avaliar a eficiência de dois tipos de armadilhas e avaliar o padrão de deslocamento das espécies observadas. As amostragens foram realizadas em um banhado na região de Santa Margarida, (30°2115/ 54°0906) entre os dias 12 à 16 de maio de 2025. Foram dispostas 30 armadilhas para pequenos mamíferos dos tipos Sherman (em dois tamanhos) e tipo Tomahawk, iscadas com uma mistura de banana, creme de amendoim, farinha de milho e essência de baunilha. As armadilhas permaneceram abertas por quatro noites, totalizando 120 armadilhas noite de esforço amostral. Os indivíduos capturados foram marcados com brincos metálicos numerados. Para tanto, foi realizada uma contenção física dos indivíduos, com um manuseio minimamente invasivo e seguro para o animal. Com a individualização foi possível o monitoramento de movimentação, permanência e recaptura dos indivíduos ao longo do estudo. Esses dados ajudam a compreender a dinâmica populacional e a fidelidade ao habitat das espécies capturadas. No total foram obtidas 33 capturas entre as quais os roedores do gênero Akodon foram os mais frequentes, correspondendo a 57,6% das capturas. Foi observado um deslocamento médio de 55,6 metros (chegando até 100m de deslocamento) entre capturas e recapturas. A segunda espécie mais comumente capturada foi Oxymycterus nasutus, correspondendo a 39,4% das capturas. Essa espécie apresentou um deslocamento médio de 39,75 metros (com o registro de até 79 metros de deslocamento) entre capturas. Além dessas, houve a captura de mais uma espécie de roedor do gênero Oligoryzomys. Se considerado como uma estimativa do raio da área de vida desses indivíduos, é possível que esses roedores apresentem áreas de vida de mais de 2 hectares, o que é surpreendente para animais de menos de 50g. As armadilhas Sherman de tamanho pequeno foram as mais eficientes, responsáveis por 52,5% das capturas, seguidas das Sherman de tamanho médio com 27,5% e Tomahawk com 20%. Os resultados mostraram uma alta abundância de Akodon sp., contrastando com resultados anteriores nesse tipo de ambiente onde a presença de Scapteromys tumidus era marcante. Novas amostragens incluindo o uso de armadilhas do tipo interceptação e queda (Pitfall), podem ser interessantes para esse ambiente, pois apresentam uma maior eficiência e menor seletividade na amostragem de pequenos mamíferos, de forma a gerar dados complementares sobre as espécies que habitam esses ambientes. Tais informações são essenciais para fomentar estratégias de conservação e manejo da fauna silvestre. Considerando a escassez de estudos sistemáticos nessa região, ampliar o conhecimento sobre os pequenos mamíferos do Pampa é uma etapa crítica para garantir a preservação de sua biodiversidade e o funcionamento equilibrado desses ecossistemas, dessa forma, fica clara a necessidade de uma melhor compreensão da diversidade e dinâmica das populações de pequenos mamíferos do Bioma Pampa

    Suplementação de Creatina Como Estratégia Complementar no Transtorno Bipolar: Pesquisa Experimental em Modelo Animal.

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    O transtorno bipolar (TB) é uma condição psiquiátrica de longa duração, que afeta entre 1 a 2% da população global e é caracterizada por episódios sucessivos de mania humor eufórico ou irritável, hiperatividade, impulsividade e redução da necessidade de sono e a depressão, caracterizada por humor deprimido, anedonia, lentificação psicomotora e ideação negativa. Embora existam opções de tratamento farmacológico, como lítio e anticonvulsivantes, um número considerável de pacientes ainda apresenta respostas parciais, recaídas frequentes e efeitos colaterais, o que sublinha a necessidade de desenvolver novas abordagens terapêuticas. Nesse panorama, a creatina, devido ao seu papel no metabolismo energético atuando como reservatório e transportador de fosfato de alta energia através do sistema creatina-fosfocreatina, mantendo a homeostase de ATP em tecidos de alta demanda energética como o cérebro, na função mitocondrial e suas propriedades neuroprotetoras, desponta como uma potencial moduladora das vias envolvidas no humor, como PI3K/AKT/mTOR e GSK-3β. O objetivo deste estudo foi investigar os efeitos da suplementação de creatina sobre os comportamentos maníacos e as alterações moleculares associadas ao transtorno bipolar em um modelo experimental de ratos Wistar. Para o estudo, foram utilizados 48 ratos Wistar machos adultos, que foram mantidos em ambientes controlados. Os procedimentos realizados foram autorizados pela Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA/UNIPAMPA, protocolo n° 002/2021). Todos os animais passaram por cirurgia estereotáxica para a fixação de cânulas intracerebroventricular, posicionadas no ventrículo lateral (0,9 mm para trás do bregma, 1,5 mm lateral, 2,6 mm em direção ventral). A suplementação consistiu na administração de creatina monoidratada via oral (300 mg/kg, gavagem). A rapamicina (0,2 nmol/local, i.c.v.) foi administrada 15 minutos antes da ouabaína (10⁻³ M, 5 μL, i.c.v.), que atuou como inibidor da Na+/K+-ATPase para a indução da mania. O comportamento foi avaliado através do teste de campo aberto, em arena quadrada (60x60 cm) sob iluminação moderada. Cada animal foi colocado no centro da arena e filmado por 10 minutos, com análise automatizada da distância percorrida, número de rearings, latência para início da hiperatividade e duração dos episódios maníacos. Entre os teste, arena foi higienizada para evitar influência de odores. Após, os animais foram sacrificados por decapitação e os hipocampos foram dissecados para análise da atividade da Na+/K+-ATPPase e da expressão das proteínas envolvidas na sinalização intracelular. Os dados obtidos foram analisados por meio de ANOVA de duas vias e do pós-teste de Tukey, sendo considerado significativo p<0,05. A administração de ouabaína resultou em um aumento significativo da locomoção, diminuição da latência para o início dos episódios maníacos, além de uma extensão na sua duração. A suplementação com creatina impediu esses efeitos, levando a uma redução da hiperatividade locomotora (p < 0,05), a um aumento da latência para os episódios (p < 0,05) e a uma diminuição em sua duração (p < 0,05). O tratamento com rapamicina reverteu os efeitos comportamentais induzidos pela creatina, confirmando a participação da via mTOR. Os resultados indicam que a creatina possui efeitos estabilizadores de humor que são comparáveis aos de medicamentos tradicionais, porém com mecanismos complementares.Portanto, a creatina surge como uma opção terapêutica adjuvante de baixo custo, segura e facilmente disponível, com potencial para o tratamento do transtorno bipolar. A suplementação aguda de creatina diminui comportamentos maníacos provocados pela ouabaína, corroborando seu papel de proteção. Os resultados corroboram a hipótese de que a Na +/K+-ATPase e a GSK-3β estão envolvidas no transtorno bipolar, e posicionam a creatina como uma solução promissora para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas

    Cultura, Cotidiano e Skate: diálogos antropológicos sobre os fazeres sociais

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    O skate, enquanto prática esportiva, social e cultural, foi introduzido no Brasil na década de 1960 e desde então, vem em uma exponencial popularização entre grupos distintos, principalmente entre crianças e adolescentes. No entanto, este esporte se encontra dividido entre a esportivização e a marginalização, tendo em vista que é uma prática pouco citada no âmbito escolar, por conta de uma visão social muitas vezes distorcida e precipitada. O objetivo deste resumo é compreender de que forma o skate se relaciona com os fazeres sociais dos praticantes, com foco em contextos escolares, e a prática cultural da modalidade. Foi realizada uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter exploratório e com inspiração antropológica, de forma online, com praticantes da modalidade da cidade de Santiago, Rio Grande do Sul. Todos os participantes eram do sexo masculino, com idade entre 18 e 36 anos. Foi disponibilizado um formulário com os seguintes questionamentos: identificação básica dos participantes, há quanto tempo praticavam a modalidade, se já haviam experienciado em algum momento o skate durante a Educação Física escolar, se já haviam se sentido menos motivados em fazer seus afazeres do dia a dia, tais como ir á escola por preferirem estar andando de skate, e como eles se sentiriam se o skate fosse implementado nas aulas de Educação Física, no período em que estavam na escola. Ao final do formulário, foram incentivados a refletir e expor o impacto que o skate proporcionou e proporciona em suas vidas, e como isso os influenciou a serem quem são nos dias atuais. Como resultado da pesquisa, notou-se que 100% dos participantes responderam que não haviam experienciado nenhuma aula teórico-prática de skate durante o período em que estiveram na escola, tendo em vista que a totalidade dos participantes também gostaria de ter vivenciado essa experiência. Ademais, 76,9% deles já haviam se sentido desmotivados ou até mesmo deixaram de frequentar alguma das aulas de Educação Física realizadas na escola pela ausência da temática do skate e/ou pela monotonia dos esportes trabalhados durante as aulas, tais como futebol, vôlei e basquete. Ainda com relação ao impacto que o esporte proporciona em suas vidas, grande parte citou a sensação de liberdade trazida pelo Skate, assim como a melhora da socialização com construção de novas amizades, superação própria, aumento do foco nos objetivos, e consequentemente, torna-se uma fuga dos problemas do cotidiano, aliado a uma forma de se movimentar ao praticar uma atividade física. A partir dos resultados obtidos, nota-se que não há um alinhamento pleno entre os fazeres sociais e a modalidade, por conta da carência de estímulo por parte das instituições de ensino e da sociedade como um todo, levando em consideração o quão marginalizado ainda é o esporte que vem evoluindo e conquistando cada vez mais o seu espaço no mundo popular. No entanto, foi constatado uma mudança positiva na vida dos praticantes após o primeiro contato com a modalidade, tendo em vista que adotaram o esporte como um marco de superação, quebrando barreiras sociais e pessoais, tornando o Skate um estilo de vida. Diante desses apontamentos, conclui-se que é possível relacionar o quanto as culturas corporais e as subjetividades dos sujeitos praticantes estão interligadas, expressando o universo do Skate como atividade estimulante das práticas motoras, que precisa ser investido, enquanto conteúdo das aulas de Educação Física escolar, considerando a valorização dos saberes envoltos na modalidade, em meio aos afazeres sociais dos praticantes

    Ambiente Urbano e Funções Cognitivas: Impactos da Poluição e Fatores Ambientais em Doenças Neurodegenerativas

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    A relação entre a qualidade ambiental urbana e a saúde cognitiva tem despertado crescente interesse científico, especialmente diante do envelhecimento populacional acelerado e da maior prevalência de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Pesquisas evidenciam que a exposição contínua à poluição atmosférica, sobretudo a partículas finas (PM2.5), dióxido de nitrogênio e ozônio, pode desencadear processos inflamatórios e estresse oxidativo no sistema nervoso central, comprometendo a integridade das células neuronais e favorecendo alterações estruturais no cérebro que aceleram o declínio cognitivo (BLOCK; CALDERÓN-GARCIDUEÑAS, 2009; CONTI et al., 2021). Populações que vivem em áreas urbanas poluídas apresentam risco aumentado de desenvolver comprometimento cognitivo leve e demência, reforçando a importância do ambiente urbano como determinante da saúde cerebral (OUDIN et al., 2016; LIU et al., 2022). Além da poluição do ar, outros aspectos do ambiente urbano também exercem influência significativa. O excesso de ruído constante, a escassez de áreas verdes e a sobrecarga de estímulos visuais contribuem para o estresse crônico, que afeta diretamente a saúde mental e cognitiva. A falta de espaços que favoreçam o contato com a natureza limita a restauração psicológica, reduz a interação social e dificulta a prática regular de atividades físicas, fatores reconhecidamente protetores contra doenças neurodegenerativas (KAPLAN; KAPLAN, 1989; PUC-PR, 2023). Em contrapartida, cidades que investem em planejamento urbano sustentável, com arborização adequada, transporte ativo e incentivo ao convívio comunitário, apresentam maior capacidade de promover qualidade de vida, bem-estar mental e preservação das funções cognitivas na população idosa (GREEN SÃO PAULO, 2023). Isso mostra que a saúde do cérebro não depende apenas de fatores individuais, como genética e estilo de vida, mas também de condições coletivas, relacionadas ao espaço em que se vive. Do ponto de vista biológico, os efeitos da poluição atmosférica na progressão do Alzheimer podem estar relacionados ao acúmulo de β-amilóide e à hiperfosforilação da proteína tau, ambos processos centrais no desenvolvimento da neurodegeneração (CALDERÓN-GARCIDUEÑAS et al., 2020; KIM et al., 2021). Esses mecanismos comprometem a transmissão sináptica e a plasticidade neural, prejudicando a memória e outras funções cognitivas superiores, como a linguagem, a atenção e a tomada de decisões. Além disso, estudos sugerem que fatores ambientais podem potencializar predisposições genéticas, tornando indivíduos com vulnerabilidade hereditária ainda mais suscetíveis à manifestação precoce da doença (GONZÁLEZ-MACIEL et al., 2017). Essa interação entre herança biológica e ambiente reforça a necessidade de compreender o Alzheimer não apenas como uma condição clínica isolada, mas como resultado de múltiplos determinantes sociais e ambientais. Nesse sentido, a análise da influência da qualidade ambiental urbana sobre a saúde cognitiva ultrapassa o campo clínico da Medicina e insere-se de forma abrangente na Saúde Coletiva, uma vez que considera os determinantes sociais, ambientais e culturais da saúde. Políticas públicas que visam à redução da poluição, à criação e manutenção de áreas verdes, à promoção da mobilidade ativa e ao incentivo de hábitos de vida saudáveis representam ferramentas essenciais de prevenção em larga escala. Ao mesmo tempo, a psicologia ambiental contribui ao destacar a importância da conexão entre o indivíduo e o espaço em que vive, enfatizando como ambientes acolhedores podem favorecer equilíbrio emocional, interação social e funções cognitivas preservadas. Assim, compreender a interação entre qualidade ambiental urbana e saúde cognitiva revela-se fundamental para enfrentar os desafios do século XXI. A urbanização crescente, associada ao envelhecimento populacional, exige novos modelos de cidades que não apenas garantam infraestrutura e desenvolvimento econômico, mas que também promovam saúde, bem-estar e resiliência social. Investir em ambientes urbanos saudáveis significa, portanto, não apenas melhorar a qualidade de vida atual, mas também reduzir o impacto de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer nas próximas gerações. Essa reflexão reforça a importância de integrar Medicina, Psicologia, Urbanismo e Saúde Coletiva na construção de estratégias preventivas e de promoção da saúde que considerem a complexidade da vida urbana

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    Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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