Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Modelagem da Adsorção do Biochar por Meio de Inteligência Artificial

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    O biochar é um material carbonáceo obtido a partir da pirólise de biomassa, amplamente estudado por seu potencial como adsorvente de contaminantes orgânicos e inorgânicos (Lehmann & Joseph, 2015). Sua elevada área superficial, estrutura porosa e grupos funcionais na superfície conferem características que favorecem a interação com moléculas poluentes. A eficiência de remoção, entretanto, está fortemente associada às condições de produção, como tempo e temperatura de pirólise, métodos de ativação, pH da solução, concentração inicial do contaminante e propriedades estruturais específicas do material. Assim, compreender e prever o desempenho do biochar é um desafio relevante tanto para pesquisas acadêmicas quanto para aplicações ambientais em larga escala. Neste trabalho, buscou-se aplicar métodos de inteligência artificial (IA) para predizer a porcentagem de remoção do corante azul de metileno (%R) em diferentes formulações de biochar produzidas a partir de resíduos de madeira. Essa escolha contribui para o aproveitamento de um resíduo abundante e de baixo custo, alinhando-se a princípios de sustentabilidade e economia circular. A pesquisa foi conduzida no Laboratório de Ciências e Engenharia de Materiais da UTEC, onde os dados experimentais foram coletados. O objetivo central foi desenvolver modelos preditivos que, a partir de variáveis de entrada como tempo de contato, pH e concentração inicial, pudessem antecipar o desempenho adsorvente do material sem a necessidade de repetir exaustivos testes laboratoriais, otimizando recursos e tempo de desenvolvimento. A primeira etapa metodológica consistiu no tratamento e normalização dos dados obtidos, aplicando a técnica Min-Max (Han et al., 2012), que padroniza os valores em uma mesma escala. Em seguida, foi utilizado o aplicativo Regression Learner do MATLAB, ferramenta que possibilita avaliar diferentes algoritmos de regressão de forma prática e visual. Foram testados mais de vinte modelos, incluindo regressão linear, ensembles, árvores de decisão, máquinas de vetor de suporte (SVMs), redes neurais artificiais e métodos baseados em processos gaussianos. Os modelos foram comparados com base em indicadores de desempenho fornecidos pela ferramenta, como o erro quadrático médio (RMSE), o coeficiente de determinação (R²) e a análise de gráficos de dispersão. O melhor resultado foi alcançado pelo modelo de Regressão Gaussiana com kernel Squared Exponential, que apresentou R² superior a 0,96, demonstrando alta capacidade de previsão e justificando sua seleção para as etapas seguintes. Após a validação no MATLAB, o modelo foi replicado em ambiente Python, no Google Colab, o que permitiu ajustar hiperparâmetros, calcular incertezas das previsões e testar a entrada de novos dados reais. Além da regressão gaussiana, foram treinadas duas redes neurais artificiais adicionais: uma rede estreita, com única camada oculta (narrow neural network), e uma rede multicamada clássica (feedforward neural network), conforme descrito por Goodfellow et al. (2016). A comparação entre os modelos confirmou a superioridade da regressão gaussiana, que manteve os melhores indicadores (MSE = 0,0008; R² = 0,9662). A rede multicamada obteve desempenho próximo (R² ≈ 0,94), revelando-se uma alternativa promissora, enquanto a rede estreita foi consideravelmente menos eficaz (R² ≈ 0,59), evidenciando a influência da complexidade arquitetural na capacidade de generalização das redes neurais. Conclui-se que a integração entre MATLAB e Regression Learner foi essencial para realizar uma triagem inicial eficiente dos modelos, permitindo identificar rapidamente a abordagem mais promissora. A replicação em Python consolidou os resultados, reforçando a robustez das análises e demonstrando a viabilidade de prever o desempenho de adsorção do biochar com elevada confiabilidade. Essa metodologia, além de otimizar recursos laboratoriais, pode ser aplicada a outros materiais porosos ou sistemas de adsorção, contribuindo para acelerar a inovação em tecnologias de tratamento de água. O uso de IA nesse contexto reforça sua relevância como ferramenta de apoio à pesquisa aplicada, com potencial para reduzir custos, aumentar eficiência e orientar estratégias sustentáveis (Sharma et al., 2022)

    Êxodo Rural da Juventude Gaúcha: Desafios Percebidos Pelos Jovens do Campo

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    O êxodo rural representa um fenômeno emergente e multifacetado que vem se intensificando ao longo das últimas décadas. De acordo com os últimos levantamentos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística entre 2017 e 2022 o êxodo rural brasileiro correspondeu a 3,05%, evidenciando que atualmente 12,59% da população residem no campo. No Estado do Rio Grande do Sul, apesar da migração do meio rural para o urbano ter sido menor ao longo desse período (2,40%), uma parcela ainda menor da população mora no campo, totalizando 12,50% dos gaúchos. Não obstante, evidencia-se ainda que este fenômeno contribui para o envelhecimento da população rural, reverberando preocupações latentes a respeito do êxodo rural da juventude. A Lei nº. 12.852, de 5 de agosto de 2013, dispõe acerca do Estatuto da Juventude, definindo como jovem o indivíduo entre 15 e 29 anos. Nesse sentido, a pesquisa realizada objetivou identificar os desafios enfrentados pela juventude rural gaúcha para a sua permanência no campo. Para tanto, empregou-se um estudo quantitativo e descritivo operacionalizado por meio de uma survey com corte transversal. O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado composto por questões pautadas em escala likert de cinco pontos conforme o grau de concordância/discordância, bem como variáveis categóricas nominais e ordinais. Salienta-se que o questionário foi aplicado com o auxílio da ferramenta Google Forms entre os dias 14 e 24 de julho de 2025. A amostragem foi do tipo não-probabilística por conveniência, obtida por meio de compartilhamentos em mídias sociais. Para compor a amostra, o indivíduo deveria ter entre 15 e 29 anos e residir no meio rural do Estado do Rio Grande do Sul, o que resultou em 72 respondentes válidos. Como procedimento analítico foram empregadas análises estatísticas univariadas por meio de verificação de frequência (relativa e absoluta) e medidas de tendência central (média) e variabilidade (desvio padrão e coeficiente de variação). Para auxiliar na organização dos dados e na operacionalização das análises foi utilizado o Software Microsoft Excel®. Os resultados obtidos demonstraram que o perfil de respondentes é composto sobretudo por pessoas que residem no meio rural a mais de 15 anos (68,06%), evidenciando indivíduos que moram no campo a vida toda ou a maior parte dela. Esse achado elucida a existência de vínculos duradouros com o meio rural, potencialmente marcados por laços sociais, afetivos, culturais e econômicos estabelecidos ao longo do tempo. Quanto a faixa etária, tem-se 22,22% com idade entre 15 e18 anos, 20,83% entre 19 e 21 anos, 27,78% situados na faixa etária de 22 a 25 anos e 29,17% com idade entre 26 e 29 anos, evidenciando um perfil majoritariamente composto por jovens-adultos. No que corresponde ao gênero constata-se a predominância de mulheres entre os respondentes (57%) em comparação aos homens (43%). A respeito do nível de escolaridade, a maioria dos participantes do estudo indicou ensino superior incompleto (27,78%) e ensino médio (26,39%). Quanto aos desafios percebidos pelos jovens que residem no meio rural, observa-se que a variável relacionada a valorização de melhorias de condições de infraestrutura rural, como transporte, internet e saúde, é percebida como fundamental para reter os jovens no campo, apresentando a maior média (4,58) e o menor desvio padrão (0,801). A menor média observada diz respeito a variável existência de suporte suficiente para os jovens que desejam iniciar seus próprios negócios no campo (2,51), o que é corroborado pela percepção de que o cooperativismo e o empreendedorismo no meio rural figuram como alternativas eficazes para fortalecer a economia local e melhorar a qualidade de vida dos jovens (média 4,06). Nesse sentido, os achados evidenciam que os jovens detêm aspirações orientadas à práticas empreendedoras, sendo que políticas públicas, sobretudo de acesso à crédito, tendem a impulsionar os negócios e maximizar a possibilidade de permanência dos jovens no meio rural. Apesar de relatarem falta de incentivo, praticamente dois terços (62,5%) da amostra investigada afirmaram não participar de nenhum grupo, associação ou coletivo rural. Logo, evidencia-se a existência de um contraponto, de modo que a inserção do jovem rural em tais ações pode oportunizar que este recebam maior incentivo e condições de permanência no campo, o que incluem informações e acesso à políticas públicas, por exemplo. Ante a este panorama, reverbera-se que o estudo realizado corresponde a uma das ações desenvolvidas no âmbito de um macroprojeto de pesquisa, o qual sistematiza informações, reúne indicadores e promove reflexões a respeito da juventude rural gaúcha, a fim de oportunizar a análise das múltiplas dimensões desse fenômeno e estrategicamente ponderar sobre o futuro do meio rural

    Pongterapia 2.0 Uma Proposta de Jogo Sério para Reabilitação Física com Godot

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    A fisioterapia é a área da saúde dedicada ao diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças, lesões, dores e ou dificuldades por meio de métodos físicos, como massagem, exercícios e outros. Neste contexto, no caso de pacientes com amputação, que na maioria das vezes são individuos com mobilidade reduzida, a fisioterapia executa papel fundamental na questão da reabilitação física do paciente. Por meio da reabilitação física o paciente pode readquirir força muscular, mobilidade e readequar sua capacidade física em função de sua realidade corporal. Entretanto, esse processo constuma ser difícil e desmotivador por vários motivos, como por exemplo, os exercícios são repetitivos, entediantes e várias vezes frustantes pois são movimentos que antes o paciente conseguia realizar com facilidade. Além da dificuldade inerente ao processo, muitas vezes os pacientes ainda estão fragilizados psicologicamente processando a situação que os levou a perda de movimento ou membro. Nesse cenário, surgem diversas oportunidades para computação, em especial a área de Informática Médica propor soluções que possam mitigar os problemas quanto a motivação dos pacientes nas sessões de reabilitação física. Uma das ferramentas mais utilizadas atualmente são os jogos sérios. Jogos sérios são soluções que utilizam mecânicas de jogos mas possuem como propósito principal a aprendizagem e o treino no lugar do entretenimento. Jogos sérios exploram as várias qualidades de jogos, que os fazem ótimo entretenimento como a interativade, capacidade lúdica, imersiva e de aprendizado, essas qualidades não são úteis apenas para entretenimento mas sim para atividades como a reabilitação física. Assim, pensando em explorar essa capacidade de mecânicas de jogos na reabilitação física que o ambiente da ferramenta Physio Games foi criado. O Physio Games possui um ambiente que utiliza um jogo sério desenvolvido em Godot, dispositivos Internet das coisas (do inglês, Internet of Thnigs IoT), e uma interface de auxílio ao profissional da saúde. A proposta tem como objetivo não apenas garantir a evolução e engajamento do paciente, mas também, de permitir ao fisioterapeuta a possibilidade de monitorar, personalizar e sugerir alterações para a melhora do processo de reabilitação. Contudo, embora a ferramenta já tenha atingido um certo nível de maturidade estando em estágio de experimentação, ainda é possível elencar algumas limitações, como por exemplo: a pouca diversidade de jogos (apenas dois: Asteroideterapia e Pongterapia). O jogo Asteroideterapia é uma dinâmica baseada no jogo Space Invaders do console Atari onde é necessário explodir asteroides com uma nave equipada com armamento, tanto a dinâmica com o elemento sensor utilizado para controlar a nave e os elementos de jogo e engajamento estão em estágios avançados de maturidade e desenvolvimento. Já o jogo Pongterapia foi uma pequena adaptação para prova de conceito da ferramenta. Essa adaptação foi efetuada de um jogo open source, e não foi aprimorado em nenhum aspecto para o processo de reabilitação física. Considerando esse cenário, esse trabalho busca criar um novo jogo para substituir o Pongterapia no Physio Games, substituindo o jogo existente aprimorando dinâmica de jogo e criando elementos mais lúdicos ao processo de reabilitação melhorarando assim a qualidade do jogo no ambiente, algo essencial para manter o paciente engajado por várias sessões. O Pongterapia anterior, apresentava algumas limitações, como por exemplo, o jogo era construído em três dimensões (3D) o que criava a necessidade do uso de perspectiva, que causa distorções dificultando a inferencia da posição e velocidade da bola, deixando a atividade mais frustante. Além do uso excessivo de cores escuras. O novo jogo Pongterapia 2.0, foi proposto em duas dimensões (2D), com a estrutura para implementar um sistema de cenários, sistema de power-ups (recompensas) e obstáculos de diferentes tipos. O sistema de obstáculos é um elemento que não havia no primeiro jogo mas que é muito importante, pois diminui a previsibilidade do jogo que é um fator que amplia o sentimento de repetição que se busca evitar. Os novos cenários mudaram o jogo visualmente e sonoramente, mas além disso, podem ser combinados com desafios temáticos próprios. O uso de cenários é importante pois aumenta a variedade de jogos, tornando o jogo interessante por mais tempo além de oferecer uma seleção de desafios pré-definidos para o fisioterapeuta, sendo possívem também realizar a configuração manual. Portanto, o novo Pongterapia 2.0 para o Physio Games está em processo de desenvolvimento e propôe-se a melhorar alguns pontos de seu antecessor e aumentar a variedade do ambiente com o objetivo de tornar mais engajador, e a reabilitação física de uma tarefa frustante para uma atividade prazerosa e engajante acelerando o processo de recuperação e ajudando a melhorar a qualidade de vida do paciente

    Do Fogo Negro do Golfo S Cinzas de Gaza: o Oriente Médio em Colapso Ambiental

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    Este artigo analisa como os recorrentes conflitos bélicos provocados na região do Oriente Médio, especificamente no Kuwait e Faixa de Gaza, afetam o meio ambiente, agindo como catalisadores de colapsos ambientais, acelerando as mudanças climáticas na região. Como aspecto norteador desta pesquisa, faz-se a seguinte pergunta: De que forma guerras distintas, em momentos diferentes, repetem padrões de destruição ambiental? A hipótese é que a Guerra do Golfo e o conflito em Gaza utilizam da natureza como alvo estratégico, gerando catástrofes duradouras. A pesquisa, baseada em revisão bibliográfica, relatórios internacionais, reportagens, artigos científicos e análises comparativas apresenta como as guerras no Oriente Médio têm deixado rastros de destruição que vão muito além das alianças políticas e perdas humanas. Os conflitos armados na região provocam impactos ambientais severos, em sua maioria, irreversíveis, ocasionando o aumento do Aquecimento Global e comprometendo a saúde pública da população. Um dos marcos mais evidentes foi a Guerra do Golfo de 1991, quando as tropas iraquianas começaram a se retirar do Kuwait após a perda da guerra diante da ofensiva liderada pelos Estados Unidos. Saddam Hussein, então líder do Iraque, ordenou a incineração deliberada de mais de 700 poços de petróleo kuwaitianos como forma de retaliação e destruição econômica. Esse evento gerou uma grande nuvem de fumaça que cobriu a região desértica por meses, bloqueando a radiação solar e liberando milhares de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera, sendo considerado um dos maiores desastres ambientais causados por ação humana em contexto de guerra. Três décadas depois, o genocídio na Faixa de Gaza (2023-atual), mostra novamente a estreita relação entre os conflitos e o colapso ambiental no Oriente Médio. A destruição das infraestruturas civis em Gaza, associada ao uso de armamentos militares modernos, tem gerado uma enorme emissão de carbono e gases de efeito estufa que provocam alterações climáticas na região. Além da poluição no solo, tornando-o infértil e inutilizável para a agricultura local, foi registrado no Kuwait a contaminação de aquíferos que representavam fontes estratégicas de água potável em uma região já marcada pela escassez hídrica. Tal processo gerou o risco de bioacumulação de substâncias tóxicas na cadeia alimentar, comprometendo a segurança ambiental e a saúde humana a longo prazo. O exemplo do Kuwait demonstra de forma contundente que a degradação do solo e da água subterrânea causada por conflitos bélicos não se limita ao período imediato da guerra, mas perpetua danos que atravessam gerações. A dificuldade de descontaminação e a lenta regeneração natural desses ecossistemas tornam-se obstáculos quase intransponíveis, reforçando a ideia de que a guerra impõe uma herança ambiental devastadora e duradoura, muitas vezes invisível aos olhos, mas profundamente sentida pelas populações locais. A devastação ambiental provocada por esses conflitos mostra que os impactos da guerra não se limitam ao campo de batalha, ampliam os efeitos das mudanças climáticas para além da escala local, atingindo a esfera regional e global. O colapso ecológico da região revela um cenário no qual o meio ambiente se torna mais vítima da guerra, comprometendo a saúde, a subsistência e o futuro das populações locais. Além dos danos causados na região, esses impactos se projetam globalmente, intensificando as mudanças climáticas e a crise ambiental de todo o planeta. A destruição da biodiversidade e poluição atmosférica que ultrapassa fronteiras. Mesmo com os efeitos evidentes, as mudanças ambientais das guerras seguem sendo negligenciadas nos principais acordos internacionais. O Acordo de Paris e o Protocolo de Kyoto, por exemplo, não obrigam os países a reportarem as emissões geradas por atividades militares, embora estas sejam um dos principais contribuidores para o aquecimento global. A invisibilidade desses danos provocados pelos conflitos nos tratados internacionais de clima e guerra revela um vazio normativo internacional que reforça a impunidade ambiental e a ausência da responsabilização estatal. É fundamental repensar políticas de segurança para incorporar a proteção ambiental e dar visibilidade aos impactos causados pela guerra, criando uma prevenção para as crises armadas e reconstrução pós-conflito. A ausência dessa regulamentação internacional reflete uma falha institucional e também interesses políticos e econômicos. Muitos países, especialmente os que compõem o Conselho de Segurança da ONU, possuem indústrias militares altamente desenvolvidas e não demonstram interesse em restringir e tornar transparentes os impactos ambientais de suas operações. Essa lacuna jurídica faz com que emissões massivas decorrentes de bombardeios, movimentação de tropas, uso de combustíveis fósseis em larga escala e destruição de infraestrutura energética fiquem fora das estatísticas globais de clima, subestimando a real dimensão da crise

    Letramento Científico: Uma Análise das Atividades Práticas em Livros Didáticos de Ciências

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    Os LD são vistos como ferramentas complementares importantes no sistema educacional do país, sendo de acesso democrático, para qualquer aluno ou professor, entre suas variadas qualidades, principalmente, ao observarmos as possibilidades do quanto eles podem potencializar o letramento científico. Podemos observar nos LDs variados métodos e explicações sobre diferentes fenômenos, além de imagens, gráficos e dados que ilustram esses conteúdos para complementar e facilitar o entendimento e a interpretação dos indivíduos. Todas essas propostas podem ser incluídas no conceito de Atividades práticas, que englobam atividades nas quais os estudantes sejam ativos na resolução da atividade. Para analisar com mais profundidade o letramento científico e seus diferentes níveis, realizou-se uma análise documental, onde foram examinados, com foco exclusivo em suas atividades práticas propostas em LDs de 6°ano. Cada uma dessas AP foi categorizada conforme a seguinte tipologia: Atividades Experimentais (AP1), Investigativas (AP2), Lúdicas (AP3), Saída de Campo (AP4), Pesquisa de Campo (AP5), Dinâmicas em Grupo (AP6), Interpretação de Texto (AP7), Análise de Material (AP8), Atividades Digitais (AP9) e Construção de Materiais de Divulgação (AP10). Estas, por sua vez puderam ser estas classificadas conforme o nível de letramento científico desenvolvido, a saber letramento nominal (LN) cujo foco está na identificação e nomeação de fenômenos e processos; o letramento funcional (LF) que promove o entendimento a aplicação de conceitos com o cotidiano; o letramento conceitual (LCon), que solicita o uso do conhecimento científico para explicar, compreender e tomar decisões em sua vida, por fim, o letramento multidimensional (LM) que pede conhecimento científico para explicar, compreender e tomar decisões em sua vida de forma interdisciplinar. Após a classificação, os dados foram analisados por métodos quantitativos, considerando a frequência de cada AP e nível de LC, e qualitativos, observando padrões e predominância das atividades, com o objetivo de compreender como cada uma contribui para o desenvolvimento do letramento científico. O total de atividades práticas presentes nos livros de 6° ano analisadas foi de 658 atividades práticas. Destas, uma está voltada à promoção do letramento nominal, 404 forma categorizadas com potencial para desenvolver o letramento funcional; 144 favorecem a promoção do letramento conceitual e 109 foram classificadas como promotoras do letramento multidimensional. Dessa observação, constata-se a quase ausência de atividades práticas que desenvolvem o letramento nominal, que é uma etapa importante para a progressão nos demais níveis do letramento científico. Além disso, compreender o conhecimento científico em termos de identificar ou nomear processos é importante, especialmente no 6° ano. Com relação ao tipo de atividade prática, observou-se que Atividades Experimentais (n=200) são as mais numerosas, seguidas das atividades práticas de Construção de materiais de divulgação (n=192). Observou-se que nestas, predominam as atividades que promovem o letramento funcional. A pesquisa evidenciou que os LDs de 6° ano contém atividades práticas diversas, porém não existe um equilíbrio entre todos os tipos possíveis. Uma possível explicação é de que são atividades voltadas para estudantes que estão saindo dos anos iniciais do ensino fundamental. Com relação aos níveis de letramento científico, atividades práticas para promover o nível de letramento nominal estão praticamente ausentes nos livros, o que representa uma fragilidade

    Desempenho Fermentativo de Leveduras Autóctones de Licuri

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    O licuri (Syagrus coronata) é uma palmeira endêmica da Caatinga, cujas amêndoas possuem elevado valor nutricional e socioeconômico. Sua microbiota autóctone é pouco explorada, mas pode conter leveduras com características fermentativas relevantes. Plantas do semiárido abrigam microrganismos adaptados a condições extremas, revelando cepas com características funcionais diferenciadas e potencial de aplicação na biotecnologia, indústria alimentícia e farmacêutica. Este trabalho avaliou o desempenho fermentativo de leveduras isoladas de amêndoas de licuri, com foco nas condições de cultivo e na evolução de parâmetros físico-químicos. O licuri foi coletado no centro-norte da Bahia, o endocarpo foi quebrado e o albúmen separado em dois grupos conforme a integridade: amêndoas quebradas (CQ) e inteiras (CI). Porções de 10 g de cada grupo foram diluídas em água peptonada 0,1% e semeadas em BDA, sendo incubadas a 28 °C por 5 dias para isolamento de leveduras. Cada isolado foi identificado combinando o grupo de amêndoa e o número do isolado. As leveduras isoladas foram avaliadas em ensaios curtos, em tubos Falcon, e prolongados, em frascos Erlenmeyer, visando acompanhar a evolução de parâmetros físico-químicos e a tolerância a pH baixo. Inicialmente, as culturas foram incubadas em frascos Erlenmeyer contendo 50 mL de solução de D-frutose e D-glicose a 40% em água, estaticamente a 28 °C, com monitoramento periódico de pH e sólidos solúveis totais (SST, °Brix) ao longo de até 12 dias. Para verificar a formação de CO₂, no 3º dia de observação, aproximadamente 9 mL de cultura foram transferidos dos Erlenmeyer para tubos Falcon com tampa meia-rosca e tubo de Durham invertido. Durante as leituras subsequentes, confirmou-se a presença de gás, e o pH das amostras já estava em aproximadamente 3,00. As leituras nos Falcons foram realizadas nos dias 5º, 7º e 9º, contados a partir do dia da transferência. Nos Falcons, observou-se pH uniforme em 3,00 na primeira leitura, com alterações entre 3,00 e 3,08 ao longo do período total avaliado. Em conjunto com os registros prévios nos Erlenmeyer, que apresentaram queda de pH de 4,50 para aproximadamente 3,00 entre os dias 3 e 4, esses dados indicam que a acidificação foi majoritariamente de origem metabólica das próprias leveduras, e que, após atingir esse patamar, ocorreu um aparente equilíbrio entre produção e consumo de compostos ácidos nesse período. O SST apresentou redução mensurável em apenas quatro dias nos Falcons, com valores médios baixando de 20,30 para 19,80 °Brix no grupo CQ e de 20,68 para 20,04 °Brix no grupo CI, demonstrando consumo de açúcares. Em alguns isolados, como CQ-3B, CI-3B e CI-3D, houve redução de aproximadamente 0,80 °Brix durante quatro dias, enquanto CQ-3E manteve o teor de SST estável em 20,80 °Brix, evidenciando heterogeneidade metabólica entre as cepas avaliadas. A análise comparativa com os Erlenmeyer sugere que a cinética em frascos maiores apresenta período de latência seguido de aumento da atividade após o 3º dia, enquanto os Falcons, iniciando já em pH baixo, exibem resposta mais imediata na conversão de SST durante a janela de observação. Esse comportamento pode decorrer das diferenças na proporção entre ar e líquido nos recipientes, que afetam a transferência de oxigênio, o acúmulo e escape de CO₂ e o comportamento térmico. Além disso, o estado fisiológico das células no momento da transferência influencia a cinética observada. Os resultados devem ser entendidos como uma etapa inicial, fornecendo evidências consistentes da atividade fermentativa em condições de alta acidez, embora ainda não incluam análises de metabólitos fermentativos (etanol), identificação molecular (sequenciamento ITS/26S) ou parâmetros de escalonamento. Esses elementos, previstos para trabalhos futuros, permitirão consolidar o rendimento e a robustez das cepas avaliadas. Portanto, os dados dos Falcons demonstram que determinadas leveduras autóctones isoladas do licuri toleram e atuam de forma consistente em pH baixo, consumindo açúcares em curto prazo e gerando CO₂, observada qualitativamente. Isso as torna candidatas promissoras para investigações complementares, sendo necessários estudos subsequentes com replicatas adequadas e controles, quantificação de metabólitos, identificação taxonômica molecular, medição da produção de CO₂ e ensaios de tolerância em gradientes de pH e SST para validar rendimento e robustez antes de qualquer aplicação em escala experimental ou industrial

    Aproveitamento de Bagaço de Malte em Cookies Funcionais: Uma Alternativa Saudável e Sustentável

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    Os cookies representam uma categoria de alimentos de ampla aceitação entre os consumidores brasileiros, devido ao seu baixo custo, praticidade e versatilidade de consumo. No entanto, a maior parte dos produtos industrializados apresenta elevado teor de açúcares, gorduras e baixo conteúdo de fibras, o que gera preocupação em relação ao impacto nutricional. Paralelamente, a indústria cervejeira produz anualmente grandes quantidades de bagaço de malte, subproduto rico em fibras e proteínas, que geralmente é destinado à alimentação animal ou descartado, acarretando impactos ambientais. Diante desse cenário, este estudo objetivou desenvolver cookies funcionais à base de bagaço do malte. A matéria-prima utilizada, o bagaço de malte, foi obtida de um único lote da produção de chopp Pilsen após a etapa de filtragem do mosto.A metodologia envolveu a elaboração de três formulações: padrão (FP, 0% de bagaço), experimental 1 (FE1, 25% de bagaço) e experimental 2 (FE2, 50% de bagaço), processadas artesanalmente em laboratório. A FP dos cookies foi composta pelos seguintes ingredientes: farinha de trigo (58 g), açúcar cristal (9 g), mel (8 g), manteiga sem sal (17 g), sal (0,1 g), fermento químico em pó (2 g), chocolate meio amargo (6 g) e água em quantidade suficiente para se obter consistência esperada. A FE1 manteve a mesma receita, com substituição de 25% da farinha de trigo por bagaço de malte, enquanto a FE2 utilizou a formulação padrão com 50% da farinha substituída por bagaço de malte. Foram desenvolvidas fichas técnicas contemplando ingredientes, utensílios, modo de preparo, rendimento, valor nutricional e custo. A composição nutricional foi calculada com base na Tabela Brasileira de Composição Alimentar - TACO (2011) e Tabela de Composição Alimentar - IBGE (1999). O valor nutricional do resíduo de bagaço de malte foi utilizado a partir das contribuições de Almeida (2014). O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente ao acaso com três repetições e os dados foram submetidos à análise da variância (ANOVA) e as médias dos tratamentos, comparados pelo teste de Tukey (p<0,05). Como resultado, as formulações dos cookies foram preparadas conforme as fichas técnicas: FP (0% de bagaço de malte), FE1 (25%) e FE2 (50%), garantindo padronização, controle de insumos, volumes e custos entre as preparações. Com relação a composição nutricional das formulações de cookies (FP, FE1 e FE2) por 100 g de alimento, observa-se que o valor calórico diminuiu progressivamente com o aumento do teor de bagaço de malte, sendo 435 Kcal em FP, 405 Kcal em FE1 (25% de bagaço) e 371 Kcal em FE2 (50% de bagaço). O teor de carboidratos também reduziu significativamente conforme a substituição, de 63,86 g em FP, 53,35 g em FP1, a 42,10 g em FE2. Por outro lado, a proteína apresentou aumento significativo, de 6,08 g em FP, 7,48 g em FP2, e 8,60 g em FE2. Em relação aos lipídios, apresentaram pequenas diferenças significativas, com valores de 17,21 g (FP), 17,98 g (FE1) e 18,67 g (FE2). As gorduras saturadas e a gordura trans não mostraram diferenças significativas entre as formulações, permanecendo próximas de 9,7 g e 0 g, respectivamente. O teor de fibra alimentar aumentou significativamente com a adição do bagaço, sendo 0,98 g em FP, 7,88 g em FP1 e 13,65 g em FE2. O sódio não apresentou diferença significativa entre as formulações, variando de 241,67 a 241,89 mg. Ao comparar os produtos com bagaço de malte a formulação padrão, verificou-se que os cookies funcionais apresentam melhor qualidade nutricional, especialmente pelo elevado conteúdo de fibras alimentares e menor aporte calórico. Assim, o bagaço de malte demonstrou ser uma alternativa viável e sustentável para o desenvolvimento de alimentos funcionais, favorecendo tanto o aproveitamento de resíduos agroindustriais quanto a promoção de uma alimentação mais saudável. Conclui-se que a incorporação de até 50% de bagaço de malte em formulações de cookies é tecnicamente viável e nutricionalmente superior ao produto padrão, representando uma estratégia inovadora de valorização de subprodutos e de incentivo a novos hábitos de consumo

    Perfil de Ácidos Graxos do Leite Sob Diferentes Processos Térmicos

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    O setor leiteiro brasileiro representa um dos principais sistemas agroindustriais, sendo relevante tanto pelo consumo expressivo quanto pelo seu potencial de crescimento. No entanto, questões relacionadas à composição nutricional do leite, especialmente seu teor de ácidos graxos, despertam interesse devido à associação dos saturados com doenças cardiovasculares e ao potencial efeito benéfico de compostos como o ácido linoléico conjugado (CLA). Os produtos de origem animal exercem papel essencial na dieta, estudos recentes demonstram que, apesar da presença de ácidos graxos saturados, o leite também contém componentes bioativos com potencial cardioprotetor, como o CLA e os ácidos graxos poli-insaturados da família ômega-3. Entretanto, o leite cru não é adequado para consumo humano direto devido à presença de microrganismos patogênicos, tornando os tratamentos térmicos, como pasteurização e esterilização, indispensáveis para garantir a segurança alimentar. Nesse contexto, este estudo objetivou avaliar o efeito da do tratamento térmico industrial sobre o perfil de ácidos graxos do leite produzido na região central do Rio Grande do Sul. Foram coletadas amostras de leite in natura, pasteurizado e esterilizado, durante 11 meses consecutivos, captado e processado por uma cooperativa. As amostras foram coletadas em frascos de vidro âmbar, acondicionadas em gelo e encaminhadas ao laboratório, onde permaneceram armazenadas a 10 °C até a análise, assegurando a preservação da composição lipídica. Para a determinação do perfil de ácidos graxos, os lipídios foram extraídos pelo método de Bligh e Dyer (1959) e convertidos em ésteres metílicos (Christie, 1982), sendo posteriormente analisados por cromatografia gasosa em equipamento Agilent equipado com detector de ionização em chama (FID). A identificação dos picos foi feita pela comparação dos tempos de retenção com padrões de ésteres metílicos e com o padrão interno tricosanoato de metila (23:0); a quantificação foi expressa em mg g-¹ de lipídeos em relação ao padrão interno, aplicando fator de correção e conversão para ácido graxo (Visentainer, 2012). Determinou-se o somatório dos ácidos graxos pertencentes aos grupos de saturados (SFA), monoinsaturados (MUFA), poli-insaturados (PUFA), total de ácido linoléico conjugado (CLA Total), somatório dos ácidos graxos n-6 (n-6) e n-3 (n-3), relação entre n-6 e n-3 (n6:n3), ácidos graxos poli-insaturados e saturados (PUFA:SFA), entre ácidos graxos insaturados e saturados (UFA:SFA), ácidos graxos desejáveis (AD), índice de aterogenicidade (IA), índice de trombogenicidade (IT), razão entre ácidos graxos hipercolesterolêmicos e hipocolesterolêmicos (Hh). Para análise estatística os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e as médias comparadas pelo teste de Tukey (P<0,05), em aplicativo Statistical Analysis System, SAS®. Na comparação entre os tipos de leite, a maioria dos parâmetros do perfil lipídico não apresentou diferença significativa. Os teores de SFA, MUFA e PUFA permaneceram semelhantes entre os tratamentos, indicando que o processamento térmico não afetou significativamente essas frações. De modo semelhante, não foram verificadas alterações relevantes nas proporções de ácidos graxos n-6, n-3, e na razão n-6/n-3, indicando estabilidade do equilíbrio entre essas famílias de PUFA frente às etapas de pasteurização e esterilização. Os valores de CLA Total mostraram tendência de redução com o aumento da intensidade do processamento térmico, passando de 6,46 g/100 g de ácidos graxos no leite in natura para 4,88 g/100 g no leite esterilizado, embora sem significância estatística. Esse resultado sugere que a esterilização pode favorecer perdas desse componente bioativo de reconhecido potencial funcional. Quanto à razão PUFA:SFA, verificou-se diferença significativa, sendo observados valores mais elevados no leite in natura (0,05) e pasteurizado (0,05), enquanto o leite esterilizado apresentou menor proporção (0,04). Esse achado indica que o tratamento mais severo pode reduzir a participação relativa de ácidos graxos poli-insaturados frente aos saturados, o que pode impactar negativamente a qualidade nutricional da gordura do leite, já que uma maior razão PUFA:SFA está associada a benefícios cardiovasculares. Por outro lado, índices relacionados ao risco aterogênico e trombogênico (IA e IT), bem como a razão de ácidos graxos insaturados em relação aos saturados (UFA:SFA) e outros indicadores de qualidade lipídica (AD e Hh), não diferiram significativamente entre os tratamentos, sugerindo que o processamento não comprometeu de forma relevante esses parâmetros. Dessa forma, conclui-se que, apesar da estabilidade dos ácidos graxos frente aos diferentes tratamentos, a esterilização pode comprometer aspectos da qualidade nutricional da gordura do leite, especialmente no que se refere ao equilíbrio entre frações saturadas e insaturadas

    Elaboração de Espumantes Tintos de Uva Tannat

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    A produção de vinhos e espumantes no Brasil tem se diversificado nos últimos anos, acompanhando tendências globais e buscando oferecer produtos inovadores ao consumidor. Dentro desse cenário, os espumantes se destacam como um dos segmentos mais promissores, sendo amplamente apreciados pela refrescância, versatilidade e potencial de harmonização gastronômica. Embora a maior parte da produção de espumantes seja voltada para variedades brancas e rosadas, cresce o interesse na elaboração de espumantes tintos, segmento ainda pouco explorado no Brasil, mas com grande potencial de mercado, considerando a preferência do consumidor por vinhos de maior corpo e intensidade aromática. Nesse contexto, a variedade Tannat (Vitis vinifera L.), originária do sudoeste da França e amplamente cultivada no Uruguai e no sul do Brasil, apresenta-se como uma alternativa promissora pela sua adaptação ao terroir local. Reconhecida por sua elevada concentração de compostos fenólicos e cor intensa, a Tannat é tradicionalmente utilizada na elaboração de vinhos tranquilos estruturados e de grande longevidade. A aplicação dessa variedade na produção de espumantes tintos pode resultar em bebidas com características sensoriais diferenciadas, unindo frescor e complexidade, além de ampliar a diversidade da vitivinicultura nacional. Com isso, o objetivo deste trabalho foi elaborar um espumante tinto a partir da uva Tannat, descrevendo as etapas de vinificação e avaliando os resultados sensoriais obtidos após a produção, de modo a verificar o potencial enológico dessa variedade para este tipo de produto. As uvas Tannat utilizadas foram doadas pela Vinícola Guatambu e são oriundas de Dom Pedrito-RS (Campanha Gaúcha), safra 2025. A vinificação foi realizada na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), na vinícola experimental do Campus Dom Pedrito. Após desengace e prensagem leve, obtiveram-se 15 L de mosto com descarte imediato das cascas, transferido para um garrafão de 20 L. Ao mosto foram adicionados metabissulfito de potássio (1,5 g), nutriente Super Start (3,0 g) e levedura seca ativa Fruit Red (4,5 g). As análises físico-químicas iniciais indicaram densidade de 1,095 g/ cm³, açúcar Babo 18,83°, sólidos solúveis de 22,15 °Brix, acidez total de 128 meq.L⁻¹, acidez volátil de 4 meq.L⁻¹ e pH 2,51. Durante a fermentação do vinho base a densidade foi monitorada periodicamente. Ao final da fermentação, observou-se baixa intensidade de cor para classificação de espumante tinto. Assim, o trabalho foi conduzido com dois tratamentos experimentais: T1, consistindo no vinho base de Tannat com adição de 2 kg de cascas da variedade Petit Verdot (obtidas a partir da descuba do vinho após 7 dias de maceração) para intensificar a extração de compostos fenólicos, e T2, composto apenas pelo vinho base de Tannat (controle). As cascas no tratamento T1 permaneceram 12 h em contato com vinho antes de serem removidas. Posteriormente, procedeu-se à adição do licor de tiragem (levedura, açúcar e água) para conduzir a segunda fermentação (tomada de espuma), através do método Champenoise. Após o término da segunda fermentação, procedeu-se o dégorgement, obtendo-se seis unidades de espumante rosé (T2) e seis unidades de espumante tinto (T1). Foi realizada a análise sensorial, com julgadores treinados, através de formulários estruturados do tipo perfil descritivo quantitativo. Os resultados indicaram que o espumante rosé (T2) apresentou descritores aromáticos predominantes de morango, cereja e amora, obtendo nota de 90 pontos, enquanto o espumante tinto (T1) destacou-se pelos descritores de frutas vermelhas, amora e framboesa, com nota também de 90 pontos. O estudo demonstrou que a uva Tannat possui aptidão para a produção de espumantes tanto rosés e tintos, gerando espumantes com perfil aromático expressivo e boa aceitação sensorial. Esses resultados reforçam seu potencial para ampliar e inovar o mercado brasileiro de espumantes

    Valorização do Leite por Meio da Elaboração de Trufa com Doce de Leite e Ameixa

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    O desenvolvimento de produtos inovadores de origem animal é uma estratégia importante para agregar valor ao leite e seus derivados, diversificar aplicações na indústria alimentícia e atender a consumidores que buscam qualidade, sabor e originalidade. O setor lácteo tem destaque na economia nacional e internacional pela produção expressiva e pela versatilidade de seus derivados, adaptáveis a diferentes mercados e perfis de consumo. Nesse contexto, o presente trabalho objetivou desenvolver e analisar sensorialmente uma trufa artesanal de chocolate recheada com doce de leite e ameixa desidratada, resultando em um produto que alia tradição regional, inovação tecnológica e identidade cultural, destacando-se pelo equilíbrio entre dulçor, cremosidade e notas frutadas. O desenvolvimento desse produto foi de março a julho de 2025, por acadêmicos do Curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário da Região da Campanha (URCAMP), Campus Bagé. Para compor a formulação da trufa, foi escolhida a ameixa, fruta presente na culinária gaúcha, associada ao doce de leite, sobremesa de grande valor simbólico, reforçando a conexão entre inovação e preservação da identidade cultural. O doce de leite, obtido a partir do cozimento controlado do leite condensado, é um ingrediente de grande representatividade cultural e econômica no Brasil e em países latino-americanos. Sua inclusão valoriza o leite bovino e amplia as possibilidades de derivados lácteos, incentivando micro e pequenas empresas a explorar alternativas criativas. A combinação do doce de leite com a ameixa, além de diferencial sensorial, agrega fibras, minerais e antioxidantes, alinhando-se à demanda por alimentos funcionais. A produção envolveu etapas como fusão e temperagem do chocolate, moldagem, inclusão do recheio, resfriamento e fechamento. As trufas foram acondicionadas em embalagens individuais e também em caixas de 10 unidades, com rótulo informativo e identidade visual, ressaltando a importância da apresentação como fator de conservação e de valorização simbólica. Para avaliar a aceitação, realizou-se análise sensorial com avaliadores não treinados da comunidade acadêmica, e foi considerado como itens avaliativos, cor, sabor, textura, aparência e aroma, por meio de ficha com escala hedônica de 5 pontos e como escores foram utilizadas 5 alternativas (5 gostei muito, 4 gostei, 3 indiferente, 2 desgostei, 1 desgostei muito). A intenção de compra foi avaliada de forma direta (sim ou não). Os resultados apontaram elevada aceitação em todos os atributos, destacando-se o sabor como principal fator de diferenciação. Além disso, os participantes indicaram unanimemente a intenção de compra, evidenciando o potencial de inserção do produto no mercado. A participação de avaliadores de diferentes faixas etárias da comunidade acadêmica fortaleceu a confiabilidade dos resultados e simulou de maneira eficaz o comportamento do consumidor real. Do ponto de vista tecnológico, o produto contribui para a inovação em alimentos de origem animal, aplicando técnicas de controle de qualidade no doce de leite, padronização da textura e equilíbrio entre ingredientes. Esse estudo demonstrou como o conhecimento técnico pode transformar matérias-primas tradicionais em produtos diferenciados, reforçando a importância da pesquisa e do desenvolvimento no setor alimentício. Sob a perspectiva econômica, a trufa de ameixa com doce de leite representa alternativa para micro e pequenas indústrias, cooperativas e produtores artesanais, que podem agregar valor ao leite, diversificar a produção e alcançar novos nichos de mercado. Essa abordagem fortalece a cadeia produtiva regional, gera oportunidades de renda e fomenta o empreendedorismo local, aproximando o consumidor de alimentos que traduzem identidade cultural e inovação. Conclui-se que investir em estratégias que conciliem qualidade sensorial, apelo nutricional e potencial econômico fortalece a competitividade da cadeia láctea e oferece ao consumidor um alimento diferenciado, atrativo e culturalmente representativo

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