Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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Leitura da Realidade Escolar no Contexto do Pibid Educação Física em Uruguaiana-rs
A Educação Física escolar é reconhecida como componente curricular essencial para a formação integral dos estudantes, pois promove o desenvolvimento motor, cognitivo, social e cultural, indo além da prática esportiva tradicional. Em um país marcado por desigualdades socioeconômicas, a disciplina assume ainda maior relevância ao possibilitar experiências que valorizam o corpo e o movimento como formas de expressão, identidade e participação social. Ao aproximar os alunos de práticas corporais diversas, a Educação Física contribui para a construção de valores como respeito, cooperação, cidadania e criticidade, aspectos indispensáveis à formação de sujeitos ativos e conscientes em sua realidade. Nesse cenário, programas de incentivo à docência, como o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), tornam-se fundamentais por promoverem a articulação entre universidade e escola, possibilitando que futuros professores vivenciem de forma concreta os desafios e as potencialidades do ambiente escolar. O programa é uma iniciativa que fortalece a formação inicial docente, amplia o contato com diferentes contextos sociais e pedagógicos e contribui para a construção de práticas inovadoras, críticas e inclusivas. Este trabalho apresenta a experiência vivida como acadêmica do curso de Licenciatura em Educação Física, participante do PIBID, em uma escola pública situada na periferia de Uruguaiana-RS. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência. A instituição atende estudantes do Ensino Fundamental, nos turnos da manhã e tarde, e a modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA) à noite, contemplando significativa diversidade social e etária. A realidade observada evidenciou que grande parte dos alunos vive em situação de vulnerabilidade social, o que repercute em desafios pedagógicos e de aprendizagem, mas também em possibilidades de construção coletiva. Apesar dessas condições, a escola dispõe de materiais adequados para as aulas de Educação Física, ainda que a quadra coberta apresente limitações estruturais por ser aberta nas laterais, característica que não impede seu uso comunitário, reforçando o vínculo entre escola e sociedade. A metodologia empregada no desenvolvimento do trabalho foi de caráter qualitativo, priorizando a observação participante, diálogos constantes com a comunidade escolar e registros sistemáticos em diário de campo, o que permitiu a imersão no cotidiano educativo e a escuta ativa das necessidades locais. Essa abordagem viabilizou maior articulação entre teoria e prática, além de favorecer a compreensão dos múltiplos contextos que atravessam a vida escolar. Como resultados, destacou-se a parceria construída entre pibidianos e o professor supervisor, a qual possibilitou a realização de projetos esportivos e culturais que contemplaram modalidades como vôlei, corrida e jiu-jitsu. Essas iniciativas contribuíram para o desenvolvimento integral dos alunos, ampliando não apenas suas capacidades motoras, mas também dimensões sociais, críticas e reflexivas, aspectos fundamentais da formação humana. A experiência revelou ainda que a Educação Física escolar deve superar o caráter meramente técnico ou esportivizado, sendo entendida como prática pedagógica que valoriza o corpo e o movimento enquanto expressões culturais e políticas. Nessa perspectiva, fundamentada em autores como Paulo Freire e Libâneo, o ensino assume papel de estímulo à leitura crítica da realidade, promovendo letramento e transformação social. Outro aspecto observado foi a receptividade dos estudantes a novas propostas pedagógicas que incorporam práticas corporais diversificadas, jogos e atividades lúdicas, as quais favorecem o sentimento de pertencimento, ampliam a participação nas aulas e fortalecem vínculos de cidadania, mesmo em um cenário de dificuldades socioeconômicas. Conclui-se que a participação no PIBID contribuiu de maneira decisiva para a formação docente, reforçando a importância de um trabalho pedagógico pautado pelo diálogo, pela reflexão crítica e pela ética. O contato direto com a escola e a comunidade possibilitou compreender a dimensão política da educação e o papel transformador da Educação Física, inspirando futuros professores a desenvolver práticas inclusivas, inovadoras e comprometidas com a realidade concreta das escolas públicas brasileiras
Acolhimento de Estudantes Nordestinos em Uma Universidade Federal do Sul do Brasil: Vivências de Inclusão e Xenofobia
As vivências de estudantes nordestinos que migraram para cursar o ensino superior em uma Universidade Federal no Sul do Brasil evidencia como as desigualdades históricas e regionais do país impactam o acesso, o acolhimento e a integração acadêmica. Embora a universidade deva ser um espaço de respeito à diversidade (Freire, 1996), ainda persistem estereótipos e práticas discriminatórias que afetam os estudantes nordestinos. A literatura (Santos, 2000; Caldwell, 1974; Holston, 2008) aponta que tais disparidades remontam ao período colonial e se intensificaram com a industrialização e a construção simbólica do Nordeste como região atrasada, em contraste com a imagem de progresso atribuída ao Sul. Esse cenário revela não apenas barreiras de adaptação, mas também a reprodução de preconceitos regionais e raciais dentro do ambiente acadêmico. Nesse contexto, este estudo analisa as experiências de estudantes nordestinos no ensino superior no Sul do Brasil, com foco nos desafios de adaptação, nas formas de acolhimento e nas manifestações de preconceito regional e racial. Além disso, pretende-se refletir sobre como essas vivências podem subsidiar práticas institucionais voltadas à construção de uma universidade mais inclusiva e equitativa. Para isso, a título de realizar o trabalho final de uma disciplina do segundo semestre de um curso da área da saúde, foi realizada uma pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa, por meio de entrevistas semiestruturadas com 18 estudantes nordestinos, sendo 15 online e 3 presenciais, com idades entre 19 e 35 anos, oriundos de Alagoas, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte. As entrevistas, buscaram explorar experiências de acolhimento, discriminação e adaptação ao contexto universitário, com perguntas sobre preconceito, sotaque e tratamento diferenciado. Os relatos foram analisados qualitativamente, com abordagem temática com foco na interseção entre preconceito regional e racial. A maioria dos participantes se declarou parda e pertencente à classe baixa, alguns se identificaram como negros e poucos como brancos. Os relatos revelaram experiências ambivalentes. Parte dos estudantes descreveu ter sido bem acolhido por colegas e professores, com inclusão em atividades e reconhecimento de sua trajetória. Contudo, comentários aparentemente elogiosos frequentemente reforçaram estereótipos sobre o Nordeste, como a ideia de distância cultural e cultura diferente. Paralelamente, surgiram experiências de xenofobia explícita, como insultos (cabeça chata, baiano) e episódios de exclusão. Casos mais graves incluíram ofensas virtuais, como mensagens sugerindo que os estudantes voltassem para sua terra. Outrossim, a identidade dos alunos foi frequentemente reduzida à sua origem regional, sendo chamados apenas por Bahia ou Nordestino, o que apaga suas individualidades. Entre os entrevistados negros o preconceito foi intensificado pela sobreposição de estigmas raciais, regionais e de classe, evidenciando a pertinência da interseccionalidade (Crenshaw, 1991). Em contrapartida, redes de apoio entre os próprios nordestinos emergiram como estratégias de resistência e fortalecimento identitário. Dessa forma, portanto, esse estudo demonstra que as vivências de estudantes nordestinos em uma universidade do Sul do Brasil são marcadas pela dualidade entre acolhimento e discriminação. Embora alguns encontrem integração, muitos enfrentam barreiras estruturais sustentadas por estereótipos regionais e raciais. A análise confirma o objetivo inicial de compreender como desigualdades históricas e culturais afetam a adaptação acadêmica e social desses estudantes. Conclui-se que a ausência de políticas institucionais eficazes para valorização da diversidade, combate à xenofobia e promoção de práticas inclusivas contribui para perpetuar desigualdades. Assim, reforça-se a necessidade de ações que reconheçam a pluralidade cultural, enfrentem preconceitos e promovam uma universidade mais justa e acolhedora, garantindo que a trajetória acadêmica de estudantes nordestinos seja pautada pelo respeito e pela equidade
Influencer Alice Pataxó no TikTok e a mobilização dos valores de sua identidade indígena.
A representação dos povos indígenas na mídia brasileira, ao longo da história, esteve marcada pela propagação de estereótipos, apagamentos e visões folclóricas, o que acabou limitando a visão da sociedade em relação à diversidade cultural, linguística e social desses grupos. No entanto, com o crescimento das redes sociais digitais, especialmente o TikTok, surgiram novas possibilidades. Essas plataformas passaram a ser espaços onde os indígenas podem ocupar a cena midiática, produzir conteúdo, dialogar diretamente com o seu público-alvo e construir narrativas próprias que abrem possibilidades de ressignificar os estereótipos comumente apresentados na mídia tradicional. Dentro desse contexto, este trabalho procura responder à seguinte pergunta-problema: como o conteúdo da influencer indígena Alice Pataxó, veiculado no TikTok, mobiliza valores de sua identidade indígena? A ideia é entender de que maneira a atuação dessa influenciadora contribui para afirmar sua identidade indígena no espaço digital e, ao mesmo tempo, ampliar o debate sobre representações midiáticas, refletindo sobre o papel das redes sociais na construção de novas visibilidades. Para atingir esse objetivo, o estudo realizou uma pesquisa com abordagem qualitativa e exploratória, tomando como corpus quatro vídeos publicados no perfil de Alice Pataxó entre os anos de 2023 e 2024. O referencial teórico teve como base Munanga (2025) e Stuart Hall (2024), para embasar o conceito de identidade; e Angthichay, Arariby, Jassanã, Manguadã e Kanátyo (1997) para identificar aspectos da cultura indígena Pataxó. Hall (2024) explica que, diante do racismo estrutural e da exclusão, muitas comunidades minoritárias acabam adotando identidades mais defensivas. Esse movimento pode se expressar no fortalecimento dos vínculos com suas culturas de origem, na criação de contra etnias, no resgate de tradições culturais e religiosas ou até mesmo em posicionamentos políticos de separação, destacando que a identidade também pode se consolidar em processos de enfrentamento e resistência. Nessa mesma perspectiva, a noção de cultura auxilia na compreensão do fenômeno, pois segundo Munanga (2025), a cultura pode ser entendida como o conjunto de elementos materiais e simbólicos que garantem a vida cotidiana de um grupo, incluindo as instituições que organizam suas atividades e as representações coletivas que formam sua visão de mundo, sua moral e sua arte, sendo transmitida de geração em geração por meio do processo educativo. Durante o estudo, foi possível identificar padrões narrativos e recursos expressivos utilizados para valorização da ancestralidade e de elementos culturais na desconstrução de estereótipos. Foram observados aspectos ligados à cultura Pataxó, trazendo como força em sua comunicação o reforço às lutas sociais indígenas e a aproximação com um público jovem, por meio de uma linguagem digital própria do TikTok, que mistura humor, música, performance visual e apelo estético. Além disso, a produção de Alice Pataxó incorpora estratégias de denúncia das violências e invisibilização estruturais enfrentadas pelos povos originários, transformando a rede social em um espaço que não é apenas de entretenimento, mas também de ativismo político e cultural. Como resultado, a análise mostrou que a influencer reforça sua identidade indígena a partir de um discurso de valorização da diversidade indígena. Conclui-se que o perfil da influenciadora cria um espaço de resistência e visibilidade, ressignificando a presença indígena no ambiente digital, desafiando narrativas estereotipadas ainda presentes na mídia e na sociedade, promovendo um processo de autorrepresentação. Ao dar visibilidade às vozes indígenas, perfis como o de Alice Pataxó mostram que as redes digitais podem se tornar arenas de afirmação identitária, educação social e mobilização política. Com isso, entender sua atuação ajuda a perceber a força da comunicação digital na construção de narrativas contra-hegemônicas e no reposicionamento dos povos originários no imaginário coletivo brasileiro
Comunicação Aplicada na Extensão Rural: Meio de Divulgação dos Processos de Política Pública no Campo
A atuação conjunta da comunicação com a extensão rural desempenha um papel importante para o desenvolvimento rural, especialmente quando se trata da difusão de informações relacionadas às políticas públicas destinadas ao campo. No entanto, a realidade brasileira ainda apresenta grandes desafios nesse processo: muitos agricultores familiares, assentados da reforma agrária e trabalhadores rurais enfrentam dificuldades em acessar informações sobre programas governamentais de incentivo, crédito, assistência técnica e sustentabilidade. Paralelamente, a população urbana carece de maior visibilidade sobre a importância dessas políticas para o fortalecimento da segurança alimentar, da economia local e da preservação ambiental. A ausência de estratégias comunicacionais eficazes gera um distanciamento entre as ações governamentais e seus beneficiários, comprometendo o impacto das políticas. Por isso, é essencial desenvolver iniciativas inovadoras que aproximem campo e cidade, tornando a informação clara, acessível e atrativa. Assim, o presente trabalho buscou utilizar recursos audiovisuais para registrar e divulgar experiências do instrumento de política pública do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, contribuindo para a valorização do campo e para a construção de uma ponte comunicativa entre sociedade, produtores e poder público. O Programa de Fomento foi criado em 2011 com o objetivo de contribuir para a redução da pobreza rural, onde o governo federal contribui com auxílio financeiro, no valor de R$4.600,00 dividido em duas parcelas para aplicação a projetos produtivos realizados por famílias rurais em situação de pobreza registradas no CadÚnico, além de assistência técnica especializada. O projeto é coordenado pelo órgão Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) com parceria com institutos de assistência técnica, de institutos federais de educação, além de universidade federais, como o caso da Universidade Federal do Pampa. Para este presente trabalho, o objetivo central foi registrar e divulgar, por meio de um videodocumentário, as ações e os resultados de uma política pública, ressaltando a relevância da comunicação aplicada na extensão rural como ferramenta de democratização do acesso à informação. Pretendeu-se também analisar a eficácia da comunicação audiovisual na aproximação entre as esferas pública, acadêmica e comunitária. O trabalho foi desenvolvido como uma prática de comunicação aplicada em extensão rural. A metodologia adotada integrou quatro etapas: Levantamento de dados mapeamento da política pública em questão, identificação dos públicos beneficiários e coleta de informações em fontes governamentais e institucionais; Produção empírica realização de entrevistas com agricultores familiares a assentados da reforma agrária, técnicos e gestores envolvidos, registro audiovisual das atividades em campo e acompanhamento de ações implementadas; Pós-produção edição do videodocumentário, organização das narrativas e aplicação de recursos de linguagem audiovisual para tornar a comunicação mais atrativa e acessível; Divulgação publicação do conteúdo em redes sociais, canais institucionais e apresentação em eventos acadêmicos, com a intenção de avaliar a recepção do público. A abordagem híbrida da metodologia combinou pesquisa documental e prática audiovisual, resultando em um material comunicativo com potencial de alcance ampliado. O videodocumentário produzido mostrou-se uma ferramenta eficaz de divulgação, permitindo traduzir informações técnicas em narrativas simples, visuais e atrativas. As entrevistas com produtores evidenciaram a importância da política pública para a melhoria da produção agrícola, geração de renda e fortalecimento da agricultura familiar. A publicação do material em redes sociais possibilitou um alcance expressivo, ampliando a visibilidade das ações e despertando interesse não apenas entre agricultores, mas também entre estudantes, pesquisadores e consumidores urbanos. Observou-se, ainda, que a utilização de linguagens acessíveis e multimídias contribui para reduzir desigualdades no acesso à informação e fortalece a participação social na implementação de políticas públicas. O processo demonstrou que a comunicação, quando aplicada de forma crítica e planejada, pode potencializar o impacto das ações governamentais, gerando resultados concretos no campo. O documentário produzido por este trabalho pode ser acessado através do link: https://www.youtube.com/watch?v=dS6OweMS6e
Documentário: Libras e Seu Impacto Transformador no Mercado de Trabalho
O resumo busca apresentar a aplicação de um trabalho acadêmico desenvolvido no componente Projeto de Extensão em Comunicação que vincula extensão universitária, inclusão social e produção audiovisual no curso de Publicidade e Propaganda do Campus São Borja da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). O trabalho foi desenvolvido em parceria com o projeto de extensão Café com Libras, que tem como principal objetivo a difusão da cultura da Língua Brasileira de Sinais (Libras) na comunidade local, promovendo a inserção da população surda em novos espaços de convívio social. A iniciativa busca também despertar, nos estudantes universitários e na população jovem, novas competências comunicacionais, com foco na realidade da pessoa surda. Nesse contexto, o grupo de discentes visualizou um caminho de solução nesse espaço que existe entre uma sociedade em que as pessoas com deficiência têm menor acesso à educação, ao trabalho e à renda, como assim diz a Agência IBGE (2024) e a possibilidade de uma produção que buscasse relatar essa realidade e retomar a Libras através seu impacto nas pessoas que estão no mercado de trabalho. Através disso, foi elaborada a obra audiovisual Libras e seu Impacto Transformador no Mercado de Trabalho, Nessa experiência, os acadêmicos puderam exercitar o uso de ferramentas voltadas à acessibilidade na produção audiovisual. A produção audiovisual reuniu relatos de professores(as), antigos(as) participantes do projeto de extensão e profissionais formados que usam a Libras em situações específicas em seu ambiente de trabalho, buscando ampliar a visibilidade do projeto e o impacto das experiências que ele gera. O documentário foi escolhido como ferramenta de registro e disseminação para reforçar o papel da Unipampa na promoção da inclusão e na valorização da diversidade linguística e cultural. A metodologia adotada, tanto no projeto quanto na produção do documentário, baseou-se na perspectiva etnográfica, buscando a compreensão do significado das ações humanas em seu contexto social e cultural, a partir da perspectiva dos sujeitos envolvidos. Essa concepção se materializou nos encontros mensais do projeto, realizados em espaços públicos e informais, e na produção do documentário, que registrou, por meio de entrevistas e imagens, relatos reais e cotidianos sobre o impacto da Libras na vida dos participantes. As entrevistas foram realizadas de forma presencial durante os encontros do projeto e em sala de aula, além de ocorrerem de forma remota via Google Meet. Após o planejamento e criação do material proposto, foi realizada uma Mostra Pública com A exibição do documentário no estúdio de TV do campus,no dia 26 de junho de 2025. Para avaliar o impacto da ação, fichas de avaliação foram distribuídas ao final das sessões, com perguntas objetivas e espaço para comentários. Os resultados da avaliação indicaram que o documentário foi bem recebido pelo público, que o classificou como excelente e destacou sua relevância para a compreensão da Libras como ferramenta de inclusão. Muitos participantes relataram sentir-se motivados a aprender Libras e a se envolver em iniciativas inclusivas. O trabalho demonstrou o potencial do audiovisual como ferramenta de sensibilização e reforçou a importância da Libras na formação acadêmica e humana. Como conclusão, a realização do documentário representou uma experiência significativa de integração entre ensino, extensão e prática social, atingindo os objetivos de produzir um material de relevância social, que provocou o engajamento do público e valorizou o projeto Café com Libras
Projeto Receita para o Futuro: Engenharia Ambiental e Sanitária + Extensão na Formação Discente
A crescente presença de fármacos em corpos hídricos, decorrente do alto consumo de medicamentos e do descarte incorreto de produtos não utilizados, representa uma preocupação ambiental significativa. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei nº 12.305/2010, prevê a logística reversa como um mecanismo para viabilizar o retorno desses resíduos, garantindo uma destinação final ambientalmente adequada. Neste contexto, farmácias se destacam como pontos de contato direto com o consumidor final, mas a falta de conhecimento da população sobre seu papel na logística reversa permanece um obstáculo. Diante disso, o Projeto de Extensão Receita para o Futuro: Sensibilização sobre a Logística Reversa no Descarte Responsável de Medicamentos foi desenvolvido com o objetivo de promover informações sobre os direitos da população e a prática adequada do descarte de medicamentos na comunidade, de acordo com as diretrizes da PNRS. Este trabalho relata uma experiência discente de aplicação de ação extensionista durante a Semana do Meio Ambiente. As atividades foram desenvolvidas no auditório do Instituto Municipal de Educação Augusta Maria de Lima Marques, no Município de Caçapava do Sul RS, para alunos de diversos anos do Ensino Fundamental e Médio de escolas da região e seus respectivos professores. A metodologia da atividade partiu da elaboração de um roteiro detalhado, visando incluir um momento formativo com uma explicação inicial sobre a natureza dos medicamentos como moléculas de atividade biológica, e os processos envolvidos em sua metabolização e excreção, dando enfoque nas rotas de entrada no meio ambiente, sendo destacado que parte dessas substâncias é eliminada na urina e nas fezes, podendo contaminar a água e o solo. Em seguida, foram apresentadas as consequências da contaminação ambiental por fármacos, mencionando casos como a morte de urubus após contato com diclofenaco descartado indevidamente, além do aumento de relatos de doenças metabólicas em animais aquáticos. A atividade prosseguiu com a demonstração de que o tratamento de água convencional não é suficiente para remover os fármacos. Para tornar essa informação mais clara, foi realizada uma dinâmica com sistemas visuais e olfativos em galões de 5 L água, sendo: i) sistema água, solo e sedimentos, representando a água captada antes do tratamento; ii) sistema com água contendo um pouco de amaciante, representando o fator visual claro porém com fator olfativo presente para avivar memória afetiva de conforto e limpeza; e iii) sistema de água e fármaco dissolvido, visando representar um sistema aquoso incolor e inodoro. Os sistemas foram disponibilizados ao público para análise sensorial e observacional, permitindo que os alunos avaliassem suas características e elaborassem suas próprias interpretações. Após realizada esta etapa, a plateia foi questionada e por meio de votação elegeu a ordem de potabilidade dos sistemas, relatando que o sistema iii seria mais potável que o sistema ii e, por fim, o sistema i. A partir destas observações, foi revelado ao público que o sistema iii continha uma mistura com água e fármaco, reforçando a ameaça dos fármacos invisíveis e a importância do descarte correto. Também foi realizada uma explicação sobre cada um dos sistemas e sua relação com os processos utilizados nas Estações de Tratamento de Água, sendo ressaltado que a cloração pode reagir com os resíduos de medicamentos, formando subprodutos ainda mais tóxicos. Na sequência, a PNRS e o Decreto nº 10.388/2020, que trata especificamente da logística reversa para medicamentos vencidos ou em desuso, foram apresentados. Para reforçar as informações, finalizou-se com uma dinâmica interativa de separação de resíduos, na qual os participantes puderam classificar cartões com diferentes tipos de resíduos em recipientes distintos. Foram distribuídos cartões com figuras dos resíduos para os alunos, e os voluntários então fizeram a coleta em caixas devidamente identificadas. A atividade foi corrigida coletivamente, sendo solicitado aos alunos que batessem palmas se a destinação estivesse correta, o que permitiu a explicação sobre o que é reciclável, não reciclável e o que representa risco ambiental ou biológico. Por fim, foram fornecidas orientações claras sobre como realizar o descarte adequado de medicamentos, cartelas e caixinhas, enfatizando a necessidade de levá-los a pontos de coleta. A atividade permitiu ao discente do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária visualizar as possibilidades de atuação dentro da Educação Ambiental, demonstrando que o papel do engenheiro vai além da visão do profissional focado apenas em projetos e dimensionamentos de estruturas
Projetos Aromas do Mundo: Extensão Universitária e Promoção da Cultura do vinho
O projeto Aromas do Mundo, desenvolvido desde 2017 pela professora Ângela Marcon juntamente com alunos voluntários do curso de Enologia, tem como finalidade aproximar a comunidade acadêmica e regional, promovendo a cultura do vinho e ampliando o repertório sensorial e educativo dos participantes por meio de experiências de degustação. Trata-se de uma ação de extensão universitária que estabelece diálogo constante com a sociedade, compartilhando conhecimento científico e, ao mesmo tempo, valorizando saberes locais relacionados à tradição vitivinícola. O objetivo central consistiu em integrar a comunidade acadêmica e a comunidade externa, estimulando o consumo consciente, a valorização da produção vitivinícola brasileira e a formação de um público apreciador mais qualificado e crítico. Nesse sentido, o projeto buscou criar um ambiente de aprendizado coletivo, no qual a degustação se tornasse também uma prática de sociabilidade e de construção de identidades culturais vinculadas ao vinho, onde a troca de experiências e conhecimentos se torna a base para o desenvolvimento do projeto. A metodologia adotada baseou-se na realização de encontros temáticos, divulgados previamente nas redes sociais, que combinaram conteúdos teóricos sobre análise sensorial com atividades práticas de degustação de vinhos e espumantes de diferentes regiões, safras, variedades e países. Os encontros foram realizados em espaços cedidos por parceiros locais, o que favoreceu não apenas a aproximação com diferentes públicos, mas também a criação de vínculos institucionais importantes para a continuidade e expansão da iniciativa. A condução dos encontros ficou sob responsabilidade dos alunos extensionistas, supervisionados pela professora responsável pelo projeto, o que garantiu tanto o rigor técnico quanto a valorização da autonomia estudantil. No ano de 2025 foram realizados 6 encontros, com uma média de 13 participantes por encontro, totalizando cerca de 65 pessoas no período analisado (março a julho). Destaca-se a predominância feminina, com 47 mulheres (72% do público total) e 18 homens. Essa maior participação de mulheres evidencia não apenas uma tendência crescente de consumo de vinhos, mas também o protagonismo feminino em espaços de sociabilidade, aprendizado e apreciação cultural. Tal dado dialoga com pesquisas recentes que apontam a presença cada vez mais expressiva das mulheres em atividades de consumo de vinhos e experiências enoturísticas, seja pela busca de novos conhecimentos, seja pelo interesse em vivências que associam lazer, cultura e socialização, as mulheres vêm assumindo papel de destaque no consumo de vinhos, passando de consumidoras ocasionais para protagonistas, especialmente em contextos sociais e culturais vinculados ao enoturismo (IWSR, 2025, p. 12). Além da transmissão de conhecimento técnico, os encontros favoreceram a troca de opiniões e experiências entre os participantes, contribuindo para a criação de um ambiente acolhedor, colaborativo e dinâmico. O projeto despertou interesse pela enologia, fortaleceu vínculos sociais e revelou o potencial educativo e cultural do vinho como elemento de identidade regional. O caráter ritualístico das degustações foi frequentemente ressaltado pelos consumidores, que afirmaram que o ritual de degustação [...] é uma experiência de sensações [...] Presentear pessoas [...] é uma forma de disseminar a cultura do vinho (GOMES; ALCÂNTARA; GONÇALVES, 2023, p. 45). Conclui-se que o Projeto Aromas do Mundo apresenta elevado potencial de expansão, configurando-se como espaço de educação, lazer, integração social e cultural. A iniciativa demonstra como a extensão universitária pode atuar de forma estratégica como ponte entre teoria e prática, permitindo que a universidade ultrapasse seus muros e estabeleça diálogos com diferentes setores da sociedade. Ao mesmo tempo, é reforçada a formação de um público mais consciente, crítico e valorizador da produção vitivinícola nacional, fortalecendo a identidade regional e estimulando práticas de enoturismo. Dessa forma, o projeto reafirma o papel essencial da universidade na difusão do conhecimento e no fortalecimento de comunidades locais, consolidando o vinho não apenas como produto de consumo, mas como patrimônio cultural, social e educacional, capaz de unir tradição e inovação, ciência e prazer, aprendizado e convivência
Uhsã Uku´úsé: Experiências em Um Programa de Rádio Protagonizado por Estudantes Indígenas e Quilombolas
Considerando a necessidade de respeito aos direitos de ser, permanecer e perpetuar das populações tradicionais e povos originários, o programa de rádio Uhsã Uku´Úsé (Nossas Vozes) - ação de extensão promovida pelo projeto A grande saúde dos povos, da Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana - visou promover o diálogo entre estudantes indígenas e quilombolas, a comunidade de Uruguaiana, Rio Grande do Sul, e região, buscando desfazer os estereótipos e preconceitos quanto aos modos de viver dessa população. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência vivenciada por uma estudante de Enfermagem, indígena do povo Tukano, como mediadora desses encontros. A primeira fase da ação foi realizada entre agosto e dezembro de 2023 em parceria com a Rádio São Miguel, em seu espaço físico. Já entre junho e dezembro de 2024, a ação foi desenvolvida em parceria com o programa de rádio web Vozes Urbanas. As sete edições do programa se constituíram em encontros, gravados ao vivo, e ocorreram quinzenalmente, à noite, com a presença da mediadora e seus convidados. Foram entrevistados cinco estudantes indígenas de diferentes grupos étnicos, entre eles: povo Arapasso (AM), povo Tariano (AM), povo Kaingang (RS), povo Baré (AM) e povo Pankará (PE). Além desses, foram entrevistados dois discentes oriundos de comunidades quilombolas: Comunidade Quilombola Ituquara (AM), Comunidade Quilombola Maria Joaquina (RJ). Os/as entrevistados/as estão vinculados/as aos cursos de Enfermagem, Medicina e Medicina Veterinária. Ao longo das transmissões, os participantes compartilharam suas vivências nos mais diversos cenários: em suas aldeias de origem, suas tradições e crenças, quanto a sua culinária e os desafios enfrentados na atualidade. Além disso, também foram destacadas as barreiras quanto ao percurso escolar e as dificuldades enfrentadas dentro da universidade, bem como a importância de abordar a cultura e a medicina tradicional desses povos no ambiente acadêmico, a fim de promover novos saberes do fazer saúde. Foi manifestada também a importância da constituição do Coletivo de Acolhida Permanente de Estudantes Indígenas e Quilombolas, criado no campus Unipampa Uruguaiana, que proporciona a continuidade de vivências coletivas por esses/as estudantes, o que se mostra ferramenta fundamental para o respeito ao direito à educação intercultural e também como estratégia de luta política pela permanência desses/as estudantes na universidade. O programa de rádio, portanto, contribuiu de forma positiva para a formação acadêmica e pessoal dos envolvidos, pois proporcionou um espaço seguro para expressão e para o conhecimento de outras realidades. As trocas com o público ouvinte foram majoritariamente positivas, com reverberações de surpresa e encantamento com a proximidade e o intercâmbio da população local com os povos tradicionais em questão. A mediadora contou com interpelações de apoio, receptividade e solidariedade, por parte de ouvintes que a reconheciam nos lugares públicos, meios de transporte, em diferentes espaços de sociabilidade e participações nos movimentos sociais de Uruguaiana - uma estudante indígena e uma quilombola passaram a integrar o Fórum das Equidades de Uruguaiana. Diante do exposto,conclui-se que o projeto trouxe contribuições significativas para a comunidade acadêmica e regional ao criar uma plataforma de diálogo intercultural com grupos historicamente silenciados. Através das ondas transfronteiriças do rádio, o projeto não apenas desconstruiu estereótipos, mas também fortaleceu a autoestima e representatividade dos estudantes participantes. A ação serve assim como exemplo de como a universidade pode atuar como catalisadora de transformação social, fomentando a ocupação de espaços políticos, econômicos e sociais por esses grupos, para que possam, finalmente contar suas próprias histórias e seus próprios termos, rumo à construção de uma sociedade verdadeiramente plural e democrática
Teatro de Sombras e Reflexões Ambientais: Percepções do Público a Partir de Ailton Krenak
O presente resumo consiste em apresentar o processo de elaboração e construção de material, apresentação e consequente análise da visão dos espectadores acerca de um teatro de sombras intitulado Ecos do mundo: Sombras que sonham e transformam a Terra que teve como inspiração a obra Ideias para adiar o fim do mundo de Ailton Krenak. O teatro de sombras faz parte das ações desenvolvidas no Projeto de Extensão INSPIRA: Inovação e Sustentabilidade em Práticas Interdisciplinares para Reflexão e Aprendizagem e foi apresentado durante a Semana Acadêmica do Curso de Matemática - Licenciatura da Universidade Federal do Pampa, Campus Bagé. No livro de inspiração, Ailton Krenak aborda a necessidade urgente de repensar o modelo de vida, que desconsidera os limites da natureza e ameaça a continuidade da vida no planeta. Ele propõe reflexões sobre a crise ambiental, social e espiritual que vivemos, ressaltando a importância de recuperar a conexão do homem com a natureza. O autor defende a diversidade cultural e a valorização dos saberes ancestrais como caminhos para resistir à destruição e construir modos de vida mais sustentáveis e coletivos. Dessa maneira, buscou-se representar a visão do autor em uma abordagem cultural a fim de sensibilizar os espectadores e fazê-los refletir sobre a importância do cuidado com a Terra. Para tecer esse sentimento ao público, o teatro de sombras foi apresentado numa instalação pedagógica, com elementos relacionados à cultura indígena, fazendo relação à origem do autor do livro usado como referência para a proposição desta atividade. As cenas do teatro abordaram temas como a ideia de separação entre o homem e a natureza, em que o homem é o centro do universo, o Antropoceno, e, também, a crescente dos números no que diz respeito aos impactos no meio ambiente. Além disso, as cenas reverenciavam à ancestralidade para lembrar ao público de que tudo é natureza e que o homem não é superior aos demais seres vivos, bem como defende o Biocentrismo. Convém destacar que para a construção do cenário e demais elementos para compor as sombras foram utilizados materiais recicláveis, a iluminação foi criada para dar efeito de sombra utilizando uma fonte de luz fixa posicionada atrás de uma tela translúcida. Desse modo, após a exibição do teatro, foi solicitado que os espectadores transcrevessem suas percepções sobre a mensagem transmitida na apresentação. Inicialmente, poderiam expressar frases ou desenhos que viriam a concluir um varal de frases previamente elaborado com alguns trechos do livro de Krenak. Destaca-se, portanto, neste recorte, a ênfase subjetiva, afetiva e artística da ação. As manifestações recolhidas revelaram, sobretudo, sensibilidades individuais. Muitos recorreram a desenhos e frases curtas para expressar sentimentos de esperança e de reconexão com a natureza, representando árvores, rios e animais como símbolos de vida e continuidade. Essas expressões evidenciaram o impacto emocional da encenação, que despertou lembranças afetivas em contato com o ambiente natural e reforçou a necessidade de cultivar pequenos gestos de cuidado no cotidiano. As expressões artísticas prevaleceram e fizeram referência, em sua maioria, à natureza. Além disso, os espectadores responderam a um questionário online com perguntas abertas com o intuito de ampliar a análise qualitativa do impacto da atividade. Foram obtidas 22 respostas, que confirmaram percepções semelhantes sobre distanciamento da natureza e preocupação com o futuro demonstradas na elaboração coletiva do varal. Um dos questionamentos versou sobre a sensação de viverem separados da natureza, a maioria relatou já ter sentido essa separação. Situações como desmatamento, urbanização crescente, poluição, desperdício de recursos e a vida corrida nas cidades foram apontadas como evidências claras deste distanciamento. Alguns citaram momentos específicos quando a natureza parecia querer retomar o seu espaço. A experiência demonstrou que a arte pode ser um caminho eficiente para provocar reflexões sensíveis e subjetivas, favorecendo a mobilização de sentimentos e a reconfiguração da percepção individual sobre os modos de vida. O resultado mais relevante foi a capacidade de gerar experiências afetivas que possibilitaram ao público repensar sua própria relação com a Terra, a partir de uma perspectiva íntima, estética e emocional
Uma Rede de Afeto: Extensão, Gerações e Cuidado com Mães e Bebês em Vulnerabilidade
A extensão universitária, compreendida como um processo educativo, cultural e científico que articula a universidade com a sociedade, tem se mostrado um espaço privilegiado para a promoção da solidariedade e da cidadania. Nesse sentido, o projeto em questão constitui uma ação que há mais de uma década articula gerações em prol da primeira infância em situação de vulnerabilidade. A iniciativa teve início com um grupo de senhoras artesãs e costureiras aposentadas que, movidas por um sentimento de solidariedade e cuidado, começaram a confeccionar roupinhas e artigos de crochê para recém-nascidos. Ao longo de mais de dez anos, essas peças vêm sendo doadas ao Hospital de Caridade e Beneficência (HCB), onde o Serviço Social as destina a mães em condições socioeconômicas fragilizadas. O gesto simples de doar um enxoval é, para muitas dessas famílias, o primeiro contato com uma rede de apoio que transcende o material, alcançando também o simbólico e afetivo. Com o passar do tempo, a ação ampliou seu impacto social e formativo. O projeto também se alinha às diretrizes nacionais de proteção à infância, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que assegura prioridade absoluta ao direito à vida, à saúde e à dignidade, nesse sentido, cada enxoval entregue transcende o aspecto material, pois simboliza a efetivação de um direito fundamental: o de nascer em condições de cuidado e acolhimento, mesmo em contextos de vulnerabilidade social. Há cerca de cinco anos, jovens de escolas locais, por meio da Pastoral da Educação, passaram a integrar o projeto, assumindo a responsabilidade de angariar itens básicos como fraldas, mamadeiras e bicos, de modo a complementar os enxovais preparados pelas artesãs. Essa integração intergeracional tem gerado um aprendizado mútuo: de um lado, os jovens exercitam valores de empatia, responsabilidade social e solidariedade; de outro, as artesãs encontram na convivência com a juventude um espaço de reconhecimento e continuidade de sua contribuição social, fortalecendo seu sentimento de pertencimento e utilidade. Como lembra Boff (2012, p. 15), cuidar é mais que um ato; é uma atitude, portanto, abrange mais que um momento de atenção, representa uma atitude de ocupação, de preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro, do ponto de vista acadêmico, a extensão universitária revela-se aqui como prática formativa, pois promove a aprendizagem de valores éticos e sociais, tanto para os jovens quanto para os demais envolvidos. A literatura ainda reforça a importância de ações que unam diferentes gerações em torno de causas sociais, como destaca Paulo Freire (1996, p. 25), a solidariedade é o exercício do amor, a comunhão de forças na luta por um mundo mais justo. Essa perspectiva evidencia que a prática extensionista não se limita à entrega de donativos, mas se configura como um espaço de formação humana, cidadã e transformadora, em que todos os envolvidos experimentam processos de aprendizado e ressignificação de suas vivências. Com o relato do Serviço Social do HCB, que diz que essas doações chegam em um momento em que as famílias estão fragilizadas, é um gesto que traz esperança junto com o cuidado, fica claro o impacto positivo dessa rede solidária, tanto no alívio imediato de necessidades materiais quanto no fortalecimento da autoestima das mães atendidas. Ao documentar essa experiência, pretende-se registrar não apenas a operacionalização dessa rede solidária, mas o seu significado humanitário e educativo. Trata-se de uma ação que ultrapassa a dimensão assistencialista, configurando-se como prática extensionista transformadora, capaz de articular gerações, despertar consciências e contribuir para a formação de uma cultura de cuidado com a primeira infância em situação de vulnerabilidade