Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Classificação de Fácies Sedimentares da Sequência Balbuena Iv, Bacia de Salta, Usando Redes Neurais Convolucionais

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    A caracterização de fácies e elementos arquiteturais em sistemas sedimentares é crucial para a análise estratigráfica, interpretações paleoambientais, modelagem de reservatórios, entre outros. Tais análises podem ser realizadas a partir do registro geológico exposto na superfície ou a partir de dados de subsuperfície. Os afloramentos geológicos são exposições rochosas na superfície, que permitem analisar a relação tridimensional entre as diferentes rochas de uma região. Os métodos tradicionais de análise de fácies dependem da experiência do analista, que possuem limitações intrínsecas à análise por intérprete humano, como a falta de reprodutibilidade e escalabilidade e não permitem calcular as incertezas, além de ser necessário despender tempo para interpretar grandes volumes de dados. Com a digitalização dos afloramentos geológicos, é possível obter modelos 3D da superfície com resolução espacial de até 1 mm/pixel. Estudos recentes têm empregado técnicas de inteligência artificial para reduzir o tempo, escalar e aumentar a reprodutibilidade da interpretação faciológica a partir de modelos 3D de afloramentos, surgindo como uma nova ferramenta para a análise faciológica. Destaca-se o uso de Redes Neurais Convolucionais para a classificação de fácies em afloramentos, testemunhos de sondagem, lâminas delgadas e registros sísmicos, demonstrando uma versatilidade das técnicas. Este estudo utiliza Redes Neurais Convolucionais para a classificação de fácies sedimentares, combinando técnicas de inteligência artificial - deep learning, com fotogrametria digital. O objetivo é classificar associações de fácies a partir de imagens 2D e construir nuvens de pontos 3D, por fotogrametria. Para isso, o afloramento Lomito foi usado como estudo de caso. Nesse afloramento, ocorrem as sequências Balbuena III e IV da Bacia de Salta, Argentina. A metodologia integra levantamento de dados em campo, aplicação de Redes Neurais Convolucionais e fotogrametria digital. As imagens foram captadas em campo com aeronave pilotada remotamente transportando uma câmera full-frame com lente de 35 mm. Essas imagens foram processadas utilizando o histogram matching, uma função de processamento de imagens da biblioteca scikit image, em Python, para equalizar todas as imagens do banco de dados a partir de uma imagem de referência. Posteriormente, foi realizada a rotulação manual de cerca de 10% das imagens do banco de dados no software Adobe Photoshop. A rotulação foi baseada em critérios sedimentológicos, como textura, composição e estrutura. A partir das imagens rotuladas, foram criados dois conjuntos de dados, de treino e de teste. Foi gerado um modelo de Rede Neural Convolucional utilizando a arquitetura U-Net a partir do conjunto de imagens de treino. As imagens de teste foram utilizadas para avaliar a acurácia do modelo. O parâmetro de acurácia é utilizado para avaliar quantas imagens são necessárias para estabilizar o modelo, à medida que mais imagens são utilizadas para o treino. A partir da estabilização da acurácia, o modelo é considerado apropriado para os dados e a Rede Neural é treinada novamente com todas as imagens, de treino e teste. Técnicas de aumento de dados são utilizadas para aumentar a quantidade de imagens utilizadas no treinamento da rede. A partir da rede treinada, todas as imagens do banco de dados são segmentadas por fácies. Finalmente, as imagens segmentadas são processadas pelo fluxo de trabalho da fotogrametria digital para a geração de nuvens de pontos 3D classificadas por fácies. Os resultados mostram a eficácia do fluxo de trabalho proposto. Os resultados mostraram uma acurácia (F1 score) de aproximadamente 80%. O modelo 3D resultante é georreferenciado, reprodutível e preciso, servindo como uma ferramenta valiosa para análises estratigráficas e como um análogo para sistemas de reservatórios, auxiliando na compreensão das heterogeneidades laterais e verticais do registro geológico. Em conclusão, este estudo demonstra a viabilidade da integração de inteligência artificial com fotogrametria digital para a classificação automatizada de fácies. A metodologia permite criar modelos 3D com nível de detalhe e precisão que superam os métodos tradicionais, facilitando a análise do empilhamento e da variação lateral de fácies. O trabalho contribui para o avanço da pesquisa geológica, proporcionando uma ferramenta para a análise de afloramentos e transformando dados 2D em um modelo geológico dinâmico e preciso, com potencial para ser aplicado em diversas bacias sedimentares

    Petrogênese dos Metabasaltos da Formação Arroio Mudador, Caçapava do Sul: Discussão Sobre Sua Evolução Geotectônica

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    O Bloco São Gabriel (BSG) é um terreno suspeito juvenil no W do Escudo Sul-Rio-Grandense, com rochas máficas e ultra-máficas interpretadas como ofiolitos, cristalizadas entre 920-890 Ma e deformadas entre 800-700 Ma, associadas à rochas com assinatura geoquímica de ambiente de arco magmático (850-720 Ma). A Formação Arroio Mudador (FAM) aflora no limite E do BSG, na porção S da chamada Sutura de Caçapava do Sul. A FAM é formada por metabasaltos de baixo grau metamórfico, que se destacam por estruturas pillow lavas e mineralogia típica de metamorfismo de assoalho oceânico. A FAM se encontra entre rochas de baixo grau metamórfico do Complexo Passo Feio (CPF), como metapelito, metarenito, mármore negro (ca. 800 Ma), metavulcanoclástica e metagrauvaca, além de estar associada à metachert. Destaca-se a escassez de dados sobre as rochas da FAM, incluindo o caráter inconclusivo de duas datações U-Pb em zircão, em que idades de ca. 1,5 Ba são consideradas herança nos metabasaltos ou idade de cristalização. O presente trabalho integra mapeamento geológico, petrografia, geologia estrutural e geoquímica (Fluorescência de Raio X e Espectrometria de Massa com Plasma Indutivamente Acoplado). Os objetivos são compreender a natureza do protólito, assim como os processos tectono-metamórficos pelos quais as rochas foram submetidas, culminando na discussão de hipóteses de evolução. Os metabasaltos são subdivididos em: metabasalto foliado, com textura equigranular ou inequigranular muito finas; e metabasalto maciço, por vezes com pillow lavas. Os metabasaltos são estruturalmente concordantes com o restante do CPF, com foliação (N=58) de baixo/médio ângulo para S e lineações (N=8) de baixo caimento para SW, paralelas ao eixo da dobra regional. As pillow lavas são arredondadas a ovais (0,5-1 m), com bordas constituídas de um material preto muito fino, interpretado como possível vidro vulcânico substituído por clorita, com contatos evidenciados por interpillow branco, geralmente com forma triangular, formado por prehnita e quartzo. Na microscopia, os metabasaltos maciços têm granulometria muito fina, com fenocristais reliquiares de albita acicular (0,5 mm), com terminação em rabo de andorinha e por vezes de augita (0,2-1 mm) com textura subofítica. A matriz é formada por clorita e em algumas amostras por pumpellyita fibro-radial de 0,2 mm. Amígdalas (1-2 mm) esparsas são preenchidas por clorita, quartzo, epidoto e prehnita, com forma arredondada nos metabasaltos maciços e achatada nos foliados. Associado às pillow lavas, ocorrem metacherts maciços, esverdeados, com quartzo microcristalino, epidoto e opacos submilimétricos. A análise geoquímica de 7 amostras da FAM é comparada com a literatura, plotada em diagramas multielementares e geotectônicos. No spidergram multielementar normalizado por NMORB (Basalto de Dorsal Mesoceânica) foram identificadas anomalias negativas de Nb, Ti, Ta e P, elementos imóveis durante a fusão parcial (permanecem no manto), e positivas de Nd, Pb e Ba, elementos móveis. No spidergram de elementos terras-raras (ETR) normalizado pelo condrito, apresenta um enriquecimento em ETR leves em relação aos ETR pesados. Sugere-se uma origem a partir da fusão da cunha do manto contaminada por fluidos de crosta oceânica, características de uma zona de suprasubducção. Nos diagramas de ambiente geotectônico, Zr-Ti-Y, Ti-Mn-P e Zr/Y-Zr, as amostras variam entre os campos MORB, Basalto Toleítico de Arco de Ilha e Basalto de Arco Continetal. Essa transição é típica de ofiolitos de arco vulcânico ou de zona de suprasubducção. Analisando os dados geoquímicos e o contexto geológico, propõe-se a possível formação da FAM no contexto do Oceano Charrua, entre o Cráton Rio de La Plata (à W) e o Terreno Nico Perez (TNP - à E), com subducção ≤920 Ma da placa oceânica sob o TNP. Durante o processo de convergência, ocorreu a formação de arcos magmáticos, com abertura de bacia de retroarco. O rifteamento da crosta condicionou a ascensão e fusão da astenosfera enriquecida por fluidos da placa oceânica subductada, seguido por derrames basálticos, além de deposição de carbonatos e sedimentos siliciclásticos em ambiente marinho. Enquanto isso, sedimentos provenientes do arco foram depositados à W, representados por rochas metavulcanoclásticas e metagrauvacas. A obducção ocorreu durante o fechamento da bacia de retroarco (≤800 Ma) associado à fase acrescionária. Uma hipótese alternativa, considerando as idades de ca. 1,5 Ba, inicia com rifteamento continental e abertura de crosta oceânica, relacionado com a tafrogênese caliminiana. Esta hipótese é desfavorecida pelos resultados geoquímicos e contexto regional. Além disso, pillow lavas bem preservadas não são uma característica comum em rochas tão antigas. Os modelos propostos ainda estão em discussão. A correlação da petrografia com a geoquímica, além de estudos geocronológicos e isotópicos da FAM, em andamento, permitirão uma melhor compreensão da evolução geotectônica local e regional

    Modelagem de Dados Aeromagnéticos em Perfil Geofísico Regional (NW-SE) no Complexo Intrusivo Lavras do Sul

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    A pesquisa foi realizada no município de Lavras do Sul, RS, associado ao contexto do Complexo Intrusivo de Lavras do Sul (CILS), no Escudo Sul-Rio-Grandense, uma região de significativa complexidade geológica, que integra o Cinturão Dom Feliciano, caracterizado por intensa atividade magmática e tectônica durante o Neo-Proterozóico (~604-570 Ma). A área se localiza na região de Lavras do Sul (RS), e se encontra delimitada pelas coordenadas geográficas; longitudes: 53° 54' 29,2" W - 53° 51' 46,2" W, e latitudes: 30° 49' 12,5" S - 30° 46' 29,3" S, (Datum: WGS 84). O CILS é um complexo plutônico formado por sucessivas intrusões magmáticas durante o magmatismo pós-colisional relacionado à fase final da Orogênese Dom Feliciano. A sua gênese está vinculada à subsidência de uma caldeira vulcânica, favorecendo a formação de plutons em estágios sucessivos. O complexo apresenta uma zonalidade típica, com rochas mais diferenciadas, como sienogranitos, situadas nas bordas, enquanto rochas menos diferenciadas, como granodioritos e monzonitos, ocupam o núcleo. O CILS apresenta um contexto tectono-magmático favorável à formação de depósitos do tipo pórfiro, sendo marcado por um padrão de intrusões graníticas e monzodioríticas, e estruturas crustais profundas, como falhas e fraturas de grande amplitude, que servem como condutos para fluidos hidrotermais. Tais estruturas são favoráveis para a ocorrência de mineralizações de metais base e auríferas, uma vez que condicionam a circulação de fluidos mineralizantes responsáveis por alterações hidrotermais, como a sericitização e piritização. O arcabouço tectônico da área é caraterizado pela presença de falhas regionais profundas, com direções preferencias NW-SE e NE-SW, as quais controlam sua evolução estrutural e magmática, assim como condicionam a geometria dos condutos mineralizantes. Estudos geofísicos anteriores, sugerem que a amplitude, a extensão, e a distribuição das anomalias magnéticas na área, estão correlacionadas às variações composicionais mineralógicas e estruturais das rochas, condicionando a geometria das zonas de alteração hidrotermal, associadas a presença de falhas e/ou fraturas, o por consequência a ocorrência de mineralização metálica e/ou aurífera. A pesquisa baseia-se na compilação dos dados do levantamento aerogeofísico realizado pela empresa Prospectors Aerolevantamentos e Sistemas Ltda, (2007). A metodologia de processamento dos dados aeromagnéticos, segue um fluxograma de técnicas de filtragem e de realce das anomalias de interesse, propiciando uma interpretação qualitativa e quantitativa, da modelagem magnetométrica ao longo do Perfil A-A, com o objetivo de identificar zonas de falhas e/ou fraturas, no relevo do embasamento magnético, associadas a processos de alteração hidrotermal com provável presença de mineralização metálica e/ou aurífera. As especificações técnicas dos dados do aerolevantamento são as seguintes: espaçamento das linhas de voo: 100 metros; intervalo das medições magnéticas: 8 metros; direção das linhas de voo: Norte-Sul; espaçamento das linhas de controle: 1000 metros; altura do voo: 100 metros. Foram realizadas medições de suscetibilidade magnética in situ em afloramentos de rochas, ao longo do perfil. O equipamento utilizado foi o Suscetibílimetro KT-10 (Magnétic Sucetibility Meter, Terraplus, Canadá), pertencente à UNIPAMPA. Foram medidos 16 pontos de amostragem. Na confecção das malhas (grids) dos mapas das anomalias magnéticas, foi utilizado o método de interpolação da Gridagem Bi-direcional, com um tamanho de célula de 20 metros. O qual é satisfatório para dados geofísicos aéreos, onde exista uma densidade maior de dados em uma determinada direção, no processo de aquisição. Para modelagem 2,5D dos dados da anomalia magnética residual (AMR), utilizou-se o programa MAG2DC (1993), de acesso livre desenvolvido pela Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul. O processamento e integração da anomalia magnética residual, em conjunto com dados de altitude ortométrica do ASTER GDEM (METI/NASA, 2009), e os dados de susceptibilidade magnética, propiciou a confecção de um modelo geofísico-geológico do Perfil A-A`, delimitando espacialmente em profundidade diferentes litologias, correlacionando-se com a presença de diferentes domínios magnéticos. Ressalta-se no setor central do modelo a presença de um corpo intrusivo com uma extensão de 1600 metros, apresentando no topo um relevo irregular, com profundidade de 130 metros, delimitado lateralmente por blocos em formato de degraus, atingindo uma profundidade de 200 metros. Sugere-se a presença de variações mineralógicas das fácies do pórfiro Biotita-Granodiorito e sua continuidade em profundidade, com provável controle tectônico por falhas profundas. Esse setor é caraterizado pela presença de uma anomalia magnética residual com um sinal positivo de + 7 nT, e um sinal negativo de - 6 nT, coincidindo com um alto da anomalia do sinal analítico (ASA) de amplitude 0,04 nT/m

    Estudo de Viabilidade de Fitorremediação de Recursos Hídricos Contaminados por Compostos Orgânicos

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    Hoje setores de várias áreas têm observado com grande interesse o crescente número de poluentes existentes em todo o mundo. Por esse motivo, aumenta também o interesse por técnicas remediadoras, tendo neste momento um foco maior para a descontaminação de solo e água. Várias técnicas são estudadas e a fitorremediação possui um lugar de destaque devido à sua eficiência na descontaminação de recursos hídricos e solos, e também devido ao seu custo ser mais acessível do que outras técnicas. Os organismos, principalmente as plantas, apresentam maneiras específicas para a remoção, imobilização ou transformação de poluentes específicos. O estudo e a subsequente avaliação da interação entre o solo, a planta e o poluente são necessários e constituem uma promissora área de pesquisa para a remediação do ambiente. Em vista disso, é necessário que mais estudos nessa área sejam realizados para melhor conhecermos a capacidade fitorremediadora das plantas para a sua possível utilização no combate à poluição. O presente trabalho tem por objetivo avaliar o potencial de plantas aquáticas ou terrestres como fitorremediadoras, verificando o tempo de fitorremediação versus os diferentes pH das soluções de azul de metileno (AM). Inicialmente, utilizou-se 18 mudas de Boldo-gambá (Plectranthus neochilus), para o experimento, elas foram cultivadas em tubos Falcon de 50 mL contendo 40 mL de água potável. As plantas levaram 8 semanas para desenvolverem raízes, e após esse período, foram transferidas a soluções de água potável com diferentes pHs, 5, 6, 6,5, 7, 8 e 8,5 em triplicata. As soluções de diferentes pHs foram trocadas quinzenalmente. Em sequência, foi testado qualitativamente o tempo de fitorremediação do AM, utilizando uma pequena quantia do corante suficiente para coloração da água (2 gotas de solução de AM) para 50 ml nas soluções de diferentes pHs. Após esse período, as plantas foram retiradas da solução que continha AM e colocadas em água potável. Ao longo de 93 dias, foi visto um bom desenvolvimento radicular e foliar, e observou-se que, em pHs ácidos, não houve modificações significativas nas folhas ou nas plantas como um todo. Entretanto, as plantas submetidas a pHs alcalinos (8 e 8,5) apresentaram clorose nas folhas, clorose, termo que segundo Malavolta (2006) refere-se à perda da coloração verde, passando à verde‑claro ou amarelado. [] A clorose está associada às alterações fisiológicas resultantes da incapacidade de produzir clorofila ou pela degradação da mesma, ambas decorrentes do desbalanço nutricional. Que é causada principalmente por conta do pH alcalino da solução que diminui a disponibilidade de micronutrientes, uma vez que, "Em meios de cultivo alcalinos, com pH acima de 7,5, a disponibilidade de micronutrientes como ferro, manganês e zinco pode diminuir" (NUTRIÇÃO DE SAFRAS, 2025). Tendo em vista que "A deficiência de ferro em plantas, causada por limitações na absorção ou disponibilidade do nutriente, resulta na clorose internerval, principalmente nas folhas novas" (AGROADVANCE, 2025). Em relação ao efeito do pH na fitorremediação do AM, não houve diferenças significativas decorrentes dos diferentes pHs, no entanto, observou-se que no período de 24 horas após a retirada da solução de AM e colocadas em água potável a água adquiriu coloração azulada, o que demonstra que o processo de fitorremediação utilizado foi o de fitoextração seguido de fitoacumulação. A fitoextração consiste na absorção do contaminante presente no ambiente pela espécie vegetal. A fitoacumulação refere-se ao armazenamento dos contaminantes nas moléculas ou órgãos da planta hospedeira, sem modificação e ocorre após a fitoextração (MELLO, 2020, p. 21). Essa aparente coloração na água mostra que a planta retirou o AM mas manteve em suas raízes, com a liberação posterior em outro meio. O presente trabalho evidencia que a alteração de pH no meio de cultivo não interfere no tempo de fitorremediação do AM o que amplia sua utilização em ambientes sem a necessidade de controle de pH. O próximo passo é quantificar a concentração máxima que a planta suporta e calcular a cinética de remediação

    Analise da Fitorremediação de Cobre Utilizando Boldo-gambá

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    A contaminação ambiental por metais pesados, como o cobre (Cu), tem se tornado um problema crescente por consequência das atividades industriais, uso de pesticidas e descarte inadequado de resíduos. O cobre, embora seja um micronutriente essencial para plantas e organismos, em concentrações elevadas pode causar efeitos tóxicos, afetando a fauna, a flora e a saúde humana. Diante dessa problemática, técnicas de remediação ambiental vêm sendo estudadas, destacando-se a fitorremediação como uma alternativa promissora por seu baixo custo, caráter sustentável e simplicidade de aplicação. A fitorremediação é um processo que utiliza plantas com capacidade de absorver, acumular e volatilizar substâncias tóxicas presentes no solo ou na água. Nesse contexto, o boldo-gambá é de fácil cultivo e adaptabilidade a diferentes condições ambientais. Este trabalho teve como principal objetivo avaliar o comportamento do boldo-gambá em contato com soluções contaminadas por cobre, visando entender sua capacidade de atuar na fitorremediação aquática. Também foram analisados fatores experimentais que influenciam o processo, como a interferência da qualidade da água (destilada versus água da torneira) na secagem do solvente, além de medições espectrofotométricas para avaliar a concentração do metal nas amostras. A pesquisa se insere em um contexto educacional e ambiental. O experimento foi desenvolvido em laboratório e compreende diferentes etapas, desde o preparo das soluções até a montagem do sistema com as plantas. Inicialmente, foram preparadas seis amostras contendo cobre , água destilada e solução de amônio, sendo uma delas utilizada como controle (branco), composta apenas por água e cobre. Após a preparação, todas as amostras foram submetidas a análises em espectrofotômetro para a medição de absorbâncias, que permitem a determinação da concentração de íons cobre presentes nas soluções. Foi realizada também a etapa de secagem de amostras com 500 mL de solução de cobre em água destilada e, posteriormente, em água da torneira, com o objetivo de observar o comportamento do resíduo sólido resultante. Notou-se que a água da torneira provoca interferência significativa, gerando um resíduo escurecido, de coloração preta, diferente do resíduo azul esperado, o que evidencia reações com sais e impurezas presentes na água comum. Com base nos dados obtidos, foram realizados cálculos estequiométricos para definir as concentrações ideais das soluções a serem utilizadas na etapa com plantas. Em seguida, folhas de boldo foram colhidas, padronizadas em quantidade e tamanho, e distribuídas em tubos Falcon de 50 mL, divididos em três grupos experimentais: ● Grupo 1: 4 tubos contendo solução de cobre + folhas de boldo-gambá; ● Grupo 2: 4 tubos contendo apenas solução de cobre (sem planta); ● Grupo 3: 4 tubos contendo folhas de boldo-gambá + água da torneira (controle vegetal). Os tubos foram mantidos sob observação para análises posteriores, como alteração de cor e menor quantidade de solução nos tubos falcon ao longo do tempo. Os resultados iniciais indicaram diferenças significativas entre as amostras secadas com água destilada e água da torneira. A formação de um resíduo escuro nas amostras com água comum aponta para possíveis reações do cobre com sais presentes na água, como o cloreto ou o carbonato de cálcio, comprometendo a precisão dos testes. Já nas amostras com água destilada, o resíduo apresentou coloração azul característica dos sais de cobre hidratados, como o sulfato cúprico. As análises espectrofotométricas revelaram que as amostras com planta apresentaram variações na absorbância ao longo do tempo, sugerindo que o boldo-gambá pode ter interferido na concentração de íons cobre da solução. A presença de plantas em contato com a solução também permitiu observar alterações visuais, como leve descoloração da solução e mudanças no aspecto das folhas, que serão analisadas em etapas posteriores com foco em efeitos fisiológicos. Os tubos contendo apenas planta e água da torneira não apresentaram alterações significativas, servindo como base de comparação para os efeitos específicos do cobre. A partir dos resultados obtidos, pode-se concluir que o boldo-gambá apresenta potencial para uso em processos de fitorremediação, especialmente em ambientes aquáticos contaminados por cobre. Além disso, a padronização das amostras e a aplicação de técnicas como espectrofotometria são fundamentais para a obtenção de dados precisos e reprodutíveis. Embora os resultados sejam preliminares, eles indicam que o boldo-gambá pode ser um bom modelo para estudos de absorção e retenção de metais pesados. Pesquisas futuras poderão investigar a quantificação do cobre acumulado nas folhas e os mecanismos fisiológicos envolvidos nesse processo

    Impacto e Identificação do Bad Smell Broken Hierarchy em Projetos Java de Código Aberto

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    A qualidade do código-fonte é um dos pilares essenciais para a sustentabilidade e evolução de sistemas de software, especialmente em projetos de larga escala que dependem da Programação Orientada a Objetos. Nesse contexto, os chamados bad smells (maus cheiros), que são indícios de falhas recorrentes no design ou na implementação, comprometem atributos de software como legibilidade, facilidade de manutenção e extensibilidade. Entre eles, destaca-se a Broken Hierarchy (Hierarquia Quebrada), caracterizada pela violação do Princípio de Substituição de Liskov, que prega que os subtipos devem ser substituíveis pelos seus tipos de base. Assim, essa anomalia ocorre quando uma subclasse não preserva o contrato semântico da superclasse, tornando o polimorfismo inconsistente e fragilizando o design. O presente estudo tem como objetivo analisar a ocorrência e os impactos da Hierarquia Quebrada em projetos Java de código aberto, bem como discutir estratégias de refatoração para mitigar seus efeitos. Para a condução da pesquisa, foi empregada a ferramenta Designite.Java (https://www.designite-tools.com/products-dj), especializada em análise estática de código, aplicada em 39 repositórios públicos (disponíveis via repositórios do https://github.com/). Para a análise, foram escolhidos os projetos mais populares (avaliados com base nas 'estrelas' da plataforma GitHub, que podem ser atribuídas pelos usuários) da Apache Software Foundation e da Oracle, que apresentam diversidade de domínios, tamanhos e históricos de evolução. A coleta de dados, usando a ferramenta Designite.Java, envolveu a extração de métricas quantitativas, como número de classes, quantidade de bad smells identificados e frequência relativa da Hierarquia Quebrada. Os resultados mostraram que as anomalias de design mais recorrentes foram Unutilized Abstraction (Abstração Não Utilizada), Deficient Encapsulation (Encapsulamento Deficiente), Cyclic-Dependent Modularization (Dependência Cíclica de Módulos) e Broken Hierarchy (Hierarquia Quebrada). Contudo, a Hierarquia Quebrada está presente em 89,74% dos projetos analisados, representando cerca de 9,28% das ocorrências totais de problemas de design, o que aumenta para 19,80% se desconsiderarmos a Abstração Não Utilizada. Esta última anomalia é outra que merece destaque, já que também se mostrou frequente no conjunto de projetos analisados. Esse problema ocorre quando são introduzidas abstrações que não são efetivamente utilizadas, aumentando a complexidade do design. Observou-se que, em diversos casos, tais abstrações estão relacionadas à Hierarquia Quebrada. Isso ocorre porque, ao serem inseridas, podem prejudicar a hierarquia e dificultar a aplicação do princípio de substituição de Liskov. Essa associação sugere que o uso inadequado de abstrações pode ser um fator indutor de hierarquias quebradas, intensificando a degradação estrutural do design. O impacto dessas anomalias é significativo, pois comprometem a coesão e a substituibilidade entre classes (afetando o emprego do polimorfismo), aumentam a rigidez arquitetural, elevam os custos de manutenção e dificultam a testabilidade. Além disso, os referidos problemas de design intensificam o acúmulo de débito técnico, podendo elevar o esforço de evolução do software no longo prazo. A análise empírica também evidenciou que projetos amplamente utilizados, como Apache Camel, Apache Cassandra e Oracle Cloud Infrastructure (OCI) Java SDK, não estão imunes a esse problema, reforçando sua relevância prática e a necessidade de estratégias sistemáticas de mitigação. Nesse sentido, a refatoração, que é entendida como uma alteração na estrutura interna de um software visando à melhoria do design e clareza do código sem, no entanto, alterar o seu comportamento externamente observável, desempenha papel fundamental, sendo recomendada a substituição da herança forçada por delegação (composition over inheritance) nos cenários em que a hierarquia quebrada é identificada. Além disso, recomenda-se o uso de padrões de projeto mais adequados e de testes automatizados que permitam alterações incrementais seguras nos projetos. Conclui-se que a detecção automatizada de bad smells por ferramentas como a Designite.Java é um recurso relevante para apoiar desenvolvedores e arquitetos de software na prevenção do acúmulo de problemas estruturais, contribuindo para a melhoria contínua do design e para a sustentabilidade de sistemas de software complexos. A presente pesquisa, ao quantificar a prevalência da hierarquia quebrada e discutir sua relação com a abstração não utilizada, reforça a importância de monitorar ativamente a qualidade do design e de se adotar metodologias de engenharia de software que se baseiam em princípios sólidos de modelagem orientada a objetos

    Fisiowear: Um Ambiente para Coleta e Visualização de Dados de Saúde com Dispositivos Vestíveis

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    A saúde digital é uma das áreas que mais se transforma no momento, devido às tecnologias de informação e comunicação. O avanço de aparelhos móveis, sensores biomédicos e, mais recentemente, dispositivos vestíveis, como smartwatches e smartbands, tem ampliado as possibilidades de coleta, análise e uso de dados fisiológicos em diversos contextos. Esses dispositivos acabaram se tornando ferramentas cotidianas para acompanhar elementos como frequência cardíaca, nível de oxigênio no sangue, padrões de sono e contagem de passos. No entanto, apesar da difusão desses equipamentos, persiste o desafio de integrar dados de múltiplos fabricantes, sistemas operacionais e plataformas de maneira padronizada, acessível e segura. Contudo, mesmo com a ampla disponibilidade desses dispositivos, ainda existe o desafio de unificar os dados de diferentes fabricantes, sistemas operacionais e plataformas de forma padronizada, acessível e segura. Neste cenário, este estudo propõe simplificar a coleta e o uso prático das informações provenientes de dispositivos vestíveis (do inglês, wearable devices). O projeto propõe uma arquitetura modular que permite a coleta, visualização e disponibilização de dados. Portanto, a importância desta pesquisa reside na intersecção entre a Computação e a saúde digital, campos que, quando combinados, proporcionam soluções que podem melhorar significativamente a vida cotidiana de pacientes, profissionais de saúde e acadêmicos pesquisadores. A ideia principal do estudo é a criação e aplicação de uma arquitetura modular chamada FisioWear. Essa arquitetura é composta por três módulos interdependentes, cada um com funções complementares na coleta, transmissão, processamento e disponibilização dos dados fisiológicos. O primeiro módulo é voltado para smartwatches que utilizam o sistema operacional Wear OS (baseado no sistema operacional Android), e é encarregado de captar os dados dos sensores integrados, como acelerômetro, giroscópio, sensor de batimentos cardíacos, entre outros, e de enviar as informações coletadas. Essa transmissão ocorre por meio de dois protocolos principais: Bluetooth Low Energy (BLE), adequado para comunicação contínua de baixo consumo, e rede Wi-Fi, utilizado em situações de maior disponibilidade de banda. A arquitetura inclui também mecanismos de armazenamento local para garantir que os dados não sejam perdidos em caso de perda de conexão. O segundo módulo abrange um aplicativo Android desenvolvido utilizando o framework Flutter, que funciona como receptor e intermediário dos dados coletados. Além de receber os dados encapsulados, este módulo também os armazena e os disponibiliza em tempo real por meio de painéis de controle e interfaces gráficas interativas (dashboards). A opção pelo Flutter baseia-se em sua habilidade para desenvolvimento multiplataforma e na simplicidade de manutenção. Além disso, este módulo pode fornecer recursos para que outros aplicativos possam acessar os dados coletados de forma direta. Por último, o terceiro módulo é executado em uma plataforma single-board, como o Raspberry Pi, usando a linguagem de programação Python. Esse módulo tem uma função semelhante à do aplicativo Android, porém com a vantagem de poder ser integrado a sistemas computacionais de maior escala ou a aplicações externas para análise e processamento avançado. Dessa forma, o FisioWear assegura que ambientes móveis e sistemas embarcados possam acessar as informações dos usuários de maneira padronizada. A proposta utiliza o padrão arquitetural Model-View-ViewModel (MVVM), que promove a divisão de responsabilidades e auxilia na escalabilidade e manutenção da solução. A utilização do JSON como formato de troca de dados garante a compatibilidade entre diversas linguagens e plataformas. Atualmente a proposta está em fase de desenvolvimento de validação funcional em laboratório dos módulos. Como próxima etapa espera-se realizar uma etapa de experimentos em sessões de fisioterapia, os quais são o escopo do projeto, essa validação será efetuada junto com fisioterapeutas parceiros do projeto. Dessa forma, espera-se que a plataforma FisioWear apresente potencial de aplicação prática em cenários clínicos, esportivos, educacionais e de pesquisa. Com esse conjunto, o trabalho avança não apenas na criação de um software funcional, mas também na proposição de um modelo que pode ser replicado, adaptado e ampliado

    Conflitos e Convergências na Cooperação Ambiental Brasil-noruega

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    Para além das trocas comerciais, a relação entre Brasil e Noruega no século XXI pode ser pautada principalmente pela cooperação ambiental entre os países, proporcionando a criação de laços estratégicos. A política externa norueguesa demonstra um forte vínculo com a questão ambiental, utilizando uma diplomacia de nicho no tema. Sua aplicação envolve fortes investimentos do país na preservação de zonas ambientais e na promoção de acordos que assegurem a proteção de tais ecossistemas. Nesse sentido, além de esse enfoque assegurar o prestígio e os interesses do país nesse setor, também consegue promovê-lo como grande ator da sustentabilidade em uma realidade que possui as mudanças climáticas como grande desafio. No entanto, o país vive em uma linha tênue entre se promover como um país verde e possuir uma economia baseada em hidrocarbonetos. Ao analisar esse fato, alinhado às políticas de financiamento do Estado norueguês a empresas extrativistas em outras regiões do mundo, percebe-se as intenções de expansão econômica do país nórdico. Um caso que evidencia o impacto dessa expansão extrativista foram os vazamentos de resíduos tóxicos em Barcarena-PA, envolvendo a multinacional norueguesa Norsk Hydro. O dilema é materializado quando se observam as relações Noruega-Brasil, em que, mesmo sendo a principal doadora do Fundo Amazônia, ocorre a exploração de recursos em regiões brasileiras sensíveis. Desse modo, por meio de um método de pesquisa descritivo, busca-se realizar um estudo de caso que tem como principal objetivo analisar comparativamente o período de convergência e distanciamento dos países na cooperação ambiental, além de identificar as relações estratégicas norueguesas com a região amazônica. A cooperação ambiental com o Brasil surgiu em um contexto de convergência de interesses entre os países nos anos iniciais do século XXI, durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com políticas mais progressistas, o Brasil passou a adotar uma perspectiva mais proativa nos debates de desenvolvimento sustentável, tentando desvincular-se da imagem de poluidor. Os governos de Lula, entre 2003 e 2010, resultaram em uma postura ambiental diferente para o Brasil, que se mostrou um grande ator internacional do meio ambiente. Grande símbolo disso foi a criação do Fundo Amazônia em 2008, além da implementação de políticas que fortaleceram a legislação ambiental do país. Durante esse período, a Noruega consolidou-se como a maior doadora do Fundo Amazônia, contribuindo com cerca de 90% dos recursos. Contudo, as relações entre os países enfrentaram um período de instabilidade e tensões com o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Essa gestão pode ser caracterizada pelo enfraquecimento e flexibilização de políticas ambientais, o que resultou no aumento das queimadas e do desmatamento de diversos biomas brasileiros. Essa mudança de rumo levou ao descontentamento norueguês e ao cancelamento das doações ao Fundo Amazônia em 2019, após tentativas do governo brasileiro de alterar suas regras. Nesses 10 anos de investimento no Fundo Amazônia, as doações do país equivalem a US$ 1 bilhão. Posteriormente, com a reeleição de Lula para seu terceiro mandato em 2023, a retomada de iniciativas sustentáveis e as promessas em prol do meio ambiente, a Noruega reativou sua participação no Fundo Amazônia. Logo, nota-se que as relações entre os países foram, de fato, benéficas para ambos, auxiliando em fundamentos de política externa, como no caso da Noruega, ou na mudança de perfil internacional, como ocorreu com o Brasil. Em síntese, é possível apontar uma evidente mudança de rumos nas relações entre os países na área ambiental, muito em função da contrastante postura dos tomadores de decisão brasileiros em relação à temática e às políticas sobre ela. Embora seus governos tenham ocorrido em contextos diferentes, é evidente que a postura de Bolsonaro representou um retrocesso para a nova imagem de ator sustentável que o Brasil buscava promover no Sistema Internacional. Lula, por sua vez, conseguiu promover o Brasil como um grande guardião do meio ambiente, além de incorporá-lo como parte estratégica da agenda de política externa brasileira. Entende-se, portanto, que a Noruega conseguiu tirar proveito de sua relação com o Brasil por dois meios: promovendo-se como um Estado verde e realizando a manutenção de sua economia extrativista nos biomas amazônicos. Por fim, observa-se que a relação entre os países reflete um claro dilema enfrentado por diversos Estados atualmente, em que interesses comerciais podem colidir com a preservação ambiental

    A Judicialização da Política de Segurança Publica: Um estudo de caso

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    O trabalho em desenvolvimento aborda o estudo de um ato aplicado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a ADPF 635 ou ADPF das favelas que visava a longo prazo a recuperação de regiões dominadas pelo tráfico de drogas nas comunidades do Rio de Janeiro, bem como também buscava instaurar normas à força de polícia, medidas para avançar por estes territórios sem prejudicar a população civil e diminuir os índices de letalidade policial e crimes interestaduais cometidos pela própria força policial contra os direitos humanos. O estudo de caso foi motivado devido as divergentes opiniões da medida adotada pelo STF que gerou dúvidas tanto pelos seus resultados, quanto pela própria intervenção do órgão supremo do poder judicial do país no poder executivo e legislativo ao advogar e tomar decisões por esferas que não detém e na qual seus membros, segundo a opinião pública, não foram eleitos para tal gerenciamento uma vez que a cúpula de membros do STF não foi eleita democraticamente para advogar por tais assuntos fora da competência jurídica. O estudo a seguir busca relacionar as questões relevantes ao ativismo jurídico encontrado na sociedade brasileira e seu órgão supremo de justiça ao abordar a intervenção do Supremo Tribunal Federal na questão das políticas públicas sobretudo a política de segurança pública e a elaboração e aplicação destas pelo setor do poder judiciário enquanto busca uma avaliação da correlação entre o histórico do país com a violência cometida pelos aparatos estatais contra população civil e a necessidade de uma maior intervenção de um poder acima dos demais para lidar com a problemática da segurança pública. A questão referida ao poder judiciário e sua esfera expandida em assuntos dos demais poderes será abordada através da esfera do neoconstitucionalismo, por autores como Max Möller (2011), Antoine Garapon (1999) e Luís Werneck Vianna (1999) para analisar os impactos da judicialização das questões públicas enquanto também se utiliza de autores que abordam a violência estatal contra áreas e povos mais atingidos, tais como Michel Foucault (1975), Achille Mbembe (2018), Loïc Wacquant (2001) e Juliana Borges (2019), a fim de buscar uma maior compreensão da necessidade da intervenção do STF nas questões relacionadas à violência de estado e à fatalidades ocorridas no país. A pesquisa será desenvolvida com a coleta de dados a respeito da ADPF 635 em seu conteúdo ao buscar compreender os impactos que o ato jurídico elaborado e implantado pelo Supremo Tribunal Federal acaba exercendo no ordenamento dos poderes executivo e legislativo bem como uma breve análise e abordagem do funcionamento histórico dos aparelhos de segurança ligados a máquina estatal para buscar uma maior compreensão do que leva estes aparatos a reprimir e vitimar em excesso uma certa parcela da população brasileira. A pesquisa buscará compreender, ao estudar os efeitos do ato jurídico redigido pelo Supremo Tribunal Federal no local onde foi posta em prática na cidade do Rio de Janeiro quais resultados a ação promoveu, no ordenamento dos três poderes vigentes na República a fim de entender quais os desafios são enfrentados pelo STF, que tipo de oposição o órgão enfrenta por outros poderes na tomada de decisões e quais as questões questões são consideradas graves ou relevantes para sua intervenção. Através do acesso aos dados perante o Anuário do Crime providenciado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública se busca colocar em prática a comparação dos dados dispostos da cidade do Rio de Janeiro desde o momento que o ato entrou em vigor em prol de verificar se a ADPF teve êxito no propósito para qual foi criada, a fim de, buscar a relação entre a intervenção do supremo órgão judiciário brasileiro e o benefício a longo prazo em matéria de segurança pública

    O Sagrado no Discurso Político: Análise do Conteúdo Religioso nas Ferramentas Digitais dos Partidos Brasileiros

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    A internet mudou radicalmente a comunicação política, aproximando partidos e eleitores. A evolução permitiu uma comunicação mais direcionada a grupos específicos. Ao mesmo tempo, a democratização do acesso à internet fez com que a informação se espalhasse mais rapidamente (Gomes et al, 2009). As plataformas digitais se tornaram novas esferas públicas onde há uma troca de ideias bidirecional: os cidadãos apresentam suas demandas aos partidos, e estes usam as redes para divulgar suas propostas (Habermas, 2023; Penteado et al, 2018). Na essência dessa agenda digital, emerge com vigor um debate fundamental para as democracias representativas: a permeabilidade e a influência entre as esferas política e religiosa. O cenário político brasileiro recente oferece exemplos paradigmáticos dessa tendência, tais como o apoio explícito de lideranças religiosas a candidatos e partidos específicos, a formação de partidos de base confessional e o crescimento e atuação coordenada de bancadas parlamentares, como a evangélica, que defendem pautas morais de fundo religioso (Messias, 2018). Com base nesses apontamentos, esta pesquisa busca investigar a presença de conteúdo religioso no discurso político dos partidos brasileiros com maior representatividade parlamentar na Câmara dos Deputados (PL, PT, União Brasil, PP, PSD e Republicanos), analisando suas postagens nas redes sociais Instagram e TikTok. A pesquisa sobre como os partidos políticos atuam na internet é crucial, mas ainda pouco estudada, de acordo com Sampaio (2022). É necessário investigar mais a fundo como as características dessas organizações influenciam suas estratégias digitais e qual o real impacto dessas ações na política e no engajamento dos cidadãos, (Rocha, 2019). A razão para o acontecimento da pesquisa baseia-se na crescente intersecção entre religião e política no Brasil, onde partidos frequentemente mobilizam valores religiosos para engajar eleitores, seja por estratégia ideológica, perfil da liderança ou origem partidária, (Reis et al, 2024). Os objetivos da pesquisa são: a) conceituar o que são discursos religiosos dentro da comunicação partidária a partir do diálogo com a literatura mapeando sua ocorrência; b) verificando sua incidência em relação ao total de postagens dos partidos no Instagram e no TikTok; c) verificar maior engajamento entre as publicações de caráter religioso em relação às demais. A coleta de dados consistirá em uma análise de conteúdo das publicações oficiais (Bardin, 2016), prospectando métricas de engajamento e cruzando-as com variáveis como ideologia partidária das publicações nos perfis oficiais das páginas dos partidos. A princípio, será feita a identificação e categorização dos posts, separando aqueles que contêm conteúdo religioso daqueles que não contêm, a fim de verificar o grau de incidência desse discurso nas redes sociais dos partidos. Em seguida, será realizada a prospecção das métricas de engajamento (curtidas, comentários e compartilhamentos) de todas as publicações do período delimitado, o que permitirá comparar as diferenças de engajamento entre os posts com e sem conteúdo religioso. Por fim, a análise cruzará esses dados para verificar a incidência e o engajamento dos posts com conteúdo religioso em comparação com os demais, especificamente entre partidos de esquerda (PT), centro (PSD e União Brasil) e direita (PL, PP e Republicanos). Os resultados parciais da pesquisa indicam que os partidos de direita (PL, PP e Republicanos) empregam significativamente mais referências religiosas em suas comunicações do que os partidos de esquerda (PT), confirmando a predição inicial de que a incidência de posts com conteúdo religioso seria maior nessa esfera ideológica como resultado levando a maior engajamento. Observou-se também que partidos de centro, como o União Brasil, tendem a evitar discursos religiosos explícitos, confirmando a estratégia de neutralidade esperada e a predição de uma incidência muito baixa nesses grupos. Ademais, os dados preliminares sugerem uma tendência de maior engajamento em postagens com caráter religioso do que naquelas onde não há esse conteúdo, indicando que, além de mais frequentes na direita, essas publicações também potencialmente geram maior interação do público. Portanto, os resultados desta investigação transcendem a mera constatação de uma assimetria ideológica no uso de discursos religiosos, projetando-se sobre o cenário político mais amplo. A prevalência dessas narrativas em partidos de direita, associada a maiores índices de engajamento, sugere a consolidação de uma estratégia eleitoral eficaz que mobiliza identidades e valores religiosos como capital político. Segundo Armstrong (2009) esse fenômeno, porém, acentua uma separação política fundada em divisões de natureza moral e cultural, potencialmente polarizando o eleitorado e reconfigurando os eixos tradicionais de disputa partidária

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