Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Nanotecnologia Aplicada Ao Encapsulamento de Proteínas Bioativas Produzidas por Lactobacillus Sakei

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    As bacteriocinas são peptídeos produzidos por diversas espécies bacterianas, especialmente bactérias lácticas (BAL), com um amplo espectro de ação contra bactérias deteriorantes e patógenos de origem alimentar. No entanto, quando a caracterização completa da sequência nucleotídica e do gene correspondente não for realizada, a substância é classificada como substâncias inibidoras do tipo bacteriocina (BLIS), mantendo seu reconhecimento pelo potencial de biopreservação e aplicação em alimentos. Fatores ambientais como temperatura, pH e composição do meio de cultura influenciam significativamente os níveis de produção. O caldo MRS é amplamente utilizado para o crescimento de BAL. Contudo, a atividade antimicrobiana de bacteriocinas frequentemente é inativada pelo contato com moléculas lipídicas e protéicas, o que limita seu uso direto em alimentos complexos. Essas limitações motivaram o desenvolvimento de estratégias para proteger e estabilizar as substâncias bioativas, permitindo sua aplicação em diferentes matrizes alimentares. Para contornar essas limitações, adotou-se o encapsulamento da BLIS utilizando lipossomas. Lipossomas são vesículas esféricas compostas por uma ou mais bicamadas lipídicas que isolam compartimentos aquosos internos, permitindo a incorporação e proteção de substâncias bioativas. Sua natureza anfifílica e versatilidade possibilitam modificações em tamanho, lamelaridade, composição lipídica e conteúdo interno, favorecendo a estabilidade e a liberação controlada das moléculas encapsuladas, tornando-os uma abordagem promissora em nanotecnologia aplicada à biopreservação alimentar. No presente estudo, Latilactobacillus. sakei foi fermentado por 96 horas em caldo MRS, seguido de centrifugação e neutralização do sobrenadante de células com NaOH. Os lipossomas foram preparados pelo método de hidratação de filme fino, utilizando lecitina dissolvida em clorofórmio, com posterior evaporação do solvente em rota-evaporador e secagem a vácuo para remoção completa do solvente. O encapsulamento ocorreu em duas condições: uma amostra em solução tampão (fosfato monobásico + fosfato dibásico) como controle e outra com sobrenadante livre de células contendo BLIS, a 60°C, sob agitação constante por 15 minutos intercalados por pausas, seguida de ultrassonificação por 5 minutos para homogeneização dos lipossomas. Essa abordagem permitiu avaliar a proteção da substância bioativa e a manutenção de sua estabilidade frente a condições externas. A atividade antibacteriana da BLIS encapsulada foi avaliada por análises microbiológicas preliminares utilizando o método de difusão em disco em ágar Mueller-Hinton. Discos de papel continham: controle, sobrenadante livre de células com BLIS e BLIS encapsulada, sendo todos testados contra Escherichia coli (Gram-negativa) e incubados por 24 horas a 35,5°C. Observou-se a formação de halos de inibição com cerca de 8,42 ± 0,47 mm para a BLIS encapsulada, 7,5 ± 0,00 mm para o sobrenadante livre de células contendo BLIS e ausência de atividade antimicrobiana no controle. A maior zona de inibição observada na BLIS encapsulada pode ser explicada pela proteção conferida pelo lipossoma, que evita a degradação da substância bioativa e possibilita a amplitude da sua ação antimicrobiana. A comparação com a BLIS não encapsulada e o controle demonstrou que o encapsulamento em lipossomas é uma estratégia eficiente para proteger a substância bioativa, preservando sua atividade frente a matrizes complexas e ampliando seu potencial de aplicação na indústria de alimentos. Em conclusão, o estudo evidencia que o encapsulamento de BLIS em lipossomas constitui uma abordagem inovadora, mantendo a eficácia antimicrobiana preservada e contribuindo para o desenvolvimento de alternativas naturais de biopreservação em produtos alimentares. O uso de nanotecnologia aplicada a lipossomas apresenta vantagens significativas, como maior estabilidade, proteção contra inativação e a possibilidade de aplicação em diferentes sistemas alimentares. Esses resultados destacam o potencial da BLIS encapsulada como uma estratégia promissora para a indústria de alimentos, promovendo segurança microbiológica e preservação de qualidade de forma natural

    Produção Forrageira do Azevém em Sipas: Sucessão Ao Arroz, Soja Ou Capim Sudão (2022)

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    Sistemas integrados de produção agropecuária (SIPAs) contemplam a produção de grãos e forragem numa determinada área com rotações de culturas ao longo dos anos. Na campanha ocidental do Rio Grande do Sul as culturas usualmente adotadas para os SIPAs são o arroz e o azevém, cultivados em sucessão. Entretanto, a obtenção dos máximos benefícios de um SIPA requer a rotação de culturas ao longo do tempo, sugerindo a necessidade de culturas alternativas ao arroz. Porém, além da resistência à adoção de novas culturas de verão, a falta de informações sobre o desempenho forrageiro do azevém em sucessão limita a adoção de novos modelos de SIPAs pelos pecuaristas. Visando gerar informações que subsidiem recomendações técnicas, encontra-se implantado em área experimental pertencente ao Colégio Agrícola Municipal de Uruguaiana e sob condução do Instituto Riograndense do Arroz e Unipampa Uruguaiana um experimento de longa duração que contempla novos modelos de produção para lavoura do arroz, integrada com a produção pecuária. O ensaio experimental está implantado sob o delineamento de blocos casualizados, com quatro tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos consistem de diferentes sistemas de produção, os quais contemplam no verão o cultivo das lavouras de arroz, soja e capim sudão, e no inverno a condução do azevém sob pastejo em sucessão, porém, com rotação das culturas nas áreas ao longo dos anos. Neste trabalho objetivou-se a apresentação de discussão dos dados mensurados quanto à capacidade de produção forrageira do azevém sob pastejo cultivado em sucessão ao arroz, soja e capim sudão. Para tal, adotou-se o delineamento em blocos casualizados em parcelas subdivididas no tempo 3x5, com as três culturas antecessoras (arroz, soja e capim sudão) e as cinco avaliações (iniciadas com 65 dias e repetidas a cada 21 dias). Cada unidade experimental correspondeu à uma área de um hectare e recebeu a alocação de três animais experimentais, que corresponderam à novilhas Bradford com peso vivo médio de 150 kg, e quando necessário utilizou-se animais reguladores (CEUA-Unipampa 015/2019). A carga animal foi calculada e ajustada semanalmente visando uma oferta forrageira de quatro quilogramas de matéria seca para cada 100 kg de peso vivo. Na mensuração da produção forrageira adotou-se a técnica de gaiolas para exclusão de pastejo com amostragem pareada. Assim, estimou-se a produção forrageira e carga animal em cada intervalo de avaliação e também a taxa de acúmulo de forragem ao longo do período experimental. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas por Tukey (5%). Não houve significância da interação dos fatores e das culturas antecessoras nos parâmetros estudados (p>0,05). Porém, as avaliações realizadas ao longo do período experimental revelaram diferenças na taxa de acúmulo de forragem (p<0,00), produção de matéria seca de forragem (P<0,001) e carga animal (p<0,00). As taxas médias de acúmulo de forragem foram de 46,5; 49,7 e 46,5 kg/ha/dia para as pastagens de azevém que cresceram em sucessão à lavouras de arroz, soja e capim sudão, respectivamente. Ao serem comparadas as avaliações, as maiores taxas de acúmulo forrageiro foram obtidas na quarta (58,8 kg/ha/dia) e quinta avaliação (54,7 kg/ha/dia). Resultados semelhantes foram obtidos com a produção de forragem, onde as médias para as pastagens de azevém em sucessão às lavouras de arroz, soja e capim sudão foram 3232; 3368 e 3231 kg/ha, respectivamente. Assim como para a taxa de acúmulo de forragem, na produção forrageira, as menores produções foram obtidas na primeira (2231 kg/ha) e segunda (2659 kg/ha) avaliações. Em se tratando das cargas animal suportadas, obteve-se média de 808 kg/ha para o azevém após o arroz e o capim sudão e 842 kg/ha no azevém após a soja. Com as avaliações obteve-se a carga animal máxima na quarta avaliação (1110 kg/ha) seguida da terceira (911 kg/ha) e quinta avaliações (852 kg/ha). A ausência de significância para as diferenças entre as culturas antecessoras nos parâmetros estudados confirma que nenhum dos modelos produtivos estudados limita o desempenho forrageiro do azevém. Desta forma, o azevém poderia ser cultivado em sucessão ao arroz, soja ou capim sudão visando a obtenção de altas produtividades de forragem. Os efeitos observados das avaliações sequencias nas taxas de acúmulo forrageiro, produção de forragem e carga animal suportada são explicadas pela fenologia da cultura do azevém. Como o desenvolvimento inicial da cultura é lento, nas avaliações iniciais foram observados os menores valores, que se tornaram mais expressivos na terceira e quarta avaliação. Nestas, o azevém atingiu a fase fenológica do alongamento dos colmos e emborrachamento, enquanto na quinta avaliação o florescimento limitou o crescimento das plantas. O cultivo do azevém em sucessão à lavouras de arroz, soja ou capim sudão permite a obtenção de expressivas taxas de acúmulo de forragem, produção forrageira e carga animal

    Alteração Eletrocardiográfica Associada ao Uso de Dexmedetomidina em Um Cão

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    A dexmedetomidina é um agonista α2-adrenérgico amplamente empregado na medicina veterinária por suas propriedades sedativas, analgésicas e ansiolíticas. Apesar dos benefícios, seu uso está associado a efeitos cardiovasculares adversos, como bradicardia, bloqueios atrioventriculares (BAV) e pausas sinusais, que podem comprometer a segurança anestésica. Tendo em vista as possíveis complicações inerentes ao uso de dexmedetomidina, o objetivo deste relato é descrever o manejo frente a complicação anestésica atrelada ao uso deste fármaco em um cão. Por tanto, as informações do ocorrido foram coletadas a partir da análise da ficha anestésica do animal, que havia sido submetido a orquiectomia eletiva, realizada no contexto de um estudo experimental em hospital universitário veterinário, cujo objetivo era avaliar padrões eletrocardiográficos decorrentes do uso da dexmedetomidina. O paciente, macho sem raça definida, de 5 anos de idade e 9 kg, passou por avaliação pré-anestésica composta por anamnese, exame físico, hemograma e eletrocardiograma, todos sem apresentar alterações relevantes. Classificando-o, segundo a Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA), como ASA I, sugestivo de menor risco anestésico durante o procedimento. O protocolo anestésico empregado consistiu em administração de dexmedetomidina (8 µg/kg, IM) como medicação pré-anestésica, indução anestésica com propofol (2,1 mg/kg, IV) e manutenção da anestesia com sevoflurano. Para analgesia, realizou-se bloqueio local dos cordões espermáticos e da linha de incisão com lidocaína (0,1 mL/ponto). No pós-operatório, administrou-se meloxicam (0,2 mg/kg, IM). A monitorização multiparamétrica foi realizada de forma contínua durante todo o procedimento. Possibilitando a visualização contínua de frequência cardíaca, respiratória, ETCO², Saturação parcial de Oxigênio, pressão arterial média, sistólica e diastólica e do traçado eletrocardiográfico, além de verificação contínua de coloração de mucosas, temperatura e rotação ocular. Desde a indução, observou-se bradicardia não compensatória no animal em questão, que evoluiu para bloqueio atrioventricular de primeiro grau e episódio de pausa sinusal (sinus arrest), detectados imediatamente pela monitoração do eletrocardiograma. Frente ao quadro, optou-se pela reversão da dexmedetomidina que consequentemente reverteram seus efeitos adversos. O reversor atipamezole foi administrado (0,08 mg/kg, IV), o que resultou em aumento significativo da frequência cardíaca (de 44 bpm para 79 bpm), possibilitando a continuidade do ato cirúrgico, que teve duração de 25 minutos. Cinco minutos após o término do procedimento, a frequência cardíaca estava em 40bpm, portanto, foi administrada atropina (0,022 mg/kg, IV), com o objetivo de garantir estabilidade no período de recuperação. O animal apresentou evolução satisfatória, sem complicações adicionais. Dos 67 animais submetidos ao mesmo protocolo experimental, este foi o único que necessitou de reversão farmacológica e suporte adicional, demonstrando uma variação individual em resposta à dexmedetomidina. Este relato reforça que, embora a dexmedetomidina seja considerada uma opção segura e eficaz em protocolos anestésicos rotineiros, seu uso pode desencadear efeitos cardiovasculares graves. O caso demonstra a importância do monitoramento contínuo e da atuação rápida da equipe frente a intercorrências, sendo a reversão com atipamezole e o uso de atropina essenciais para a manutenção da estabilidade cardiovascular e para a recuperação anestésica segura neste caso. Desta forma, é de extrema importância que sempre que agonistas α2-adrenérgicos forem empregados, haja disponibilidade de fármacos de reversão e suporte cardiovascular previamente calculados, bem como equipe capacitada para detecção e intervenção imediata. Prática que contribui para a segurança individual dos pacientes na anestesiologia veterinária

    Adubação Nitrogenada Potencializa a Produção Forrageira da Aveia Taura em Sucessão Ao Arroz

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    O azevém é a pastagem predominantemente adotada na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul para produção forrageira no inverno. Seu cultivo é normalmente realizado em sucessão às lavouras de arroz, com baixa adoção de tecnologias, ou seja, sem o uso de adubações. Entretanto, ao longo do seu ciclo vegetativo, o azevém apresenta o pico de produção forrageira tardio, gerando baixa oferta forrageira nos primeiros pastejos. Nesse contexto, alternativas forrageiras manejadas sob maior nível tecnológico poderiam permitir maior produção forrageira no outono-inverno para uso escalonado com o azevém. Destas alternativas, a aveia poderia ser indicada, pois é adotada na região sul do Brasil com ótimos resultados. No entanto, para a Fronteira Oeste os resultados de pesquisa ainda são incipientes. Assim, objetivou-se estudar a produção forrageira da aveia Taura, cultivada em sucessão à lavoura de arroz sob doses de nitrogênio (N). Adotou-se o delineamento em blocos casualizados com cinco tratamentos e quatro repetições. Como tratamentos, aplicou-se na aveia cinco doses de nitrogênio (0; 50; 100 e 150 kg/ha), distribuídas manualmente, em cobertura, na fase fenológica do terceiro trifólio (V3), usando-se como fonte de N a uréia. A semeadura foi realizada com semeador tratorizada de fluxo contínuo adotando-se 80 kg/ha como densidade de sementes e 200 kg/ha do adubo químico formulado 05-30-15 (N: P2O5: K2O) como adubação de base. Foram realizadas três avaliações, iniciadas aos 60 dias, quando as plantas atingiram altura do dossel forrageiro de 30 cm, e repetidas com intervalos de 35 dias. Nestas adotou-se a técnica de dupla amostragem com uso de quadrado metálico com área conhecida para coleta das plantas e secagem em estufa para estimar a produção de matéria seca (PMS). Os dados foram submetidos à análise de variância e as doses de N comparadas por análise de regressão testando-se os modelos linear e quadrático com uso do teste T de Student (5%). Nos três ciclos de crescimento forrageiro, as PMS se ajustaram ao modelo linear positivo de regressão. No 1º Ciclo (Ŷ=11,091x+1098; R²=0,97) a PMS na ausência de adubação nitrogenada foi de 1098 kg/ha, com incrementos de 11,091 kg de MS para cada kg de N aplicado. Resultados mais expressivos foram obtidos no 2º Ciclo de crescimento (Ŷ=12,970x+1678; R²=0,93), onde o ganho de MS para cada kg de N aplicado foi de 12,970 kg e a PMS na ausência de N em cobertura foi de 1678 kg. Na última avaliação (3ºCiclo Ŷ=4,049x+742,6; R²=0,94) os incrementos na PMS em resposta às doses de N foram menores (4,049 kg de MS para cada kg de N) e a PMS na ausência de adubação também (742,6 kg de MS/ha). Os resultados obtidos como resposta à adubação nitrogenada evidenciam a importância da adubação nitrogenada para a produtividade de gramíneas forrageiras. No metabolismo vegetal o N participa da composição de aminoácidos, proteínas e da clorofila, que são essenciais para a fotossíntese. Ainda, sabe-se que a fotossíntese é o processo pelo qual as plantas capturam CO2 da atmosfera e o fixam na sua estrutura celular na forma de acúmulo de MS. Assim, o aumento da disponibilidade de N no solo por meio da adubação nitrogenada potencializa a fotossíntese, contribuindo com o acúmulo de MS nas plantas e a PMS de forragem. Aumentos na PMS de pastagens são promissoras para a produção pecuária porque além de maior oferta de forragem aos animais em pastejo também contribuem para maior carga animal, podendo resultar em maior produção pecuária por unidade de área. Entretanto, neste estudo não foram observadas diferenças somente em função da adubação estudada, mas também, em cada um dos ciclos de crescimento da aveia. Essas diferenças devem-se às fases fenológicas da aveia, que coincidiram com o afilhamento no 1º Ciclo, crescimento vegetativo pleno no 2º Ciclo e elongamento de colmos e emborrachamento no 3º Ciclo. Por tratar-se de cultivar forrageira, melhorada geneticamente para produção de folhas, no 2ºCiclo houve maior crescimento vegetativo, com maior PMS, que foi potencializada pelas doses de N. No 1º Ciclo, durante o afilhamento a aveia ainda não se encontrava com todas suas unidades de produção de folhas (perfilhos) funcionais, por isso a PMS foi inferior ao 2º Ciclo, porém, superior ao 3º, em todas as doses de N. No último ciclo, ao entrar na fase reprodutiva, a aveia cessou a emissão de novas folhas, pois o meristema apical dos perfilhos iniciou sua diferenciação em estruturas reprodutivas, limitando a PMS. A adubação nitrogenada em cobertura na aveia Taura promove aumento da produção forrageira até a dose de 150 kg/ha, porém, com intensidades de resposta diferentes ao longo dos ciclos de desenvolvimento da cultura

    Dinâmica de Fermentação Ruminal In Vitro em Suplementos com Farelo de Arroz

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    A fronteira oeste no estado do Rio Grande do Sul apresenta elevada produção de arroz e de seus subprodutos, possuindo tradição na criação de bovinos de corte mantidos a pastagens naturais e de baixa produtividade. Para compensar o consumo insuficiente de nutrientes o fornecimento de grãos de cerais como o milho potencializam o ganho de peso dos animais. A utilização da técnica de produção de gases in vitro pode ser empregada para avaliar o impacto da substituição do milho pelo farelo de arroz no aproveitamento ruminal e na cinética da fermentação. Foram avaliados cinco tratamentos com níveis crescentes de farelo de arroz (0, 100, 200, 300 e 400 g/kg de matéria seca) em substituição ao milho na dieta. Os ensaios de fermentação in vitro foram conduzidos após a coleta e processamento do conteúdo ruminal (protocolo CEUA: 004/2023), com filtração das frações líquidas e sólidas através de duas camadas de gaze sob injeção contínua de CO2. As amostras (1g) foram incubadas anaerobicamente em triplicatas em frascos de vidro de 282 mL, sendo realizadas medições de pressão em 15 tempos diferentes (2, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 18, 22, 24, 36, 42, 48, 72 e 96 horas) utilizando transdutor de pressão. Os valores de pressão foram convertidos em volume de gases através de equação previamente determinada, com correção das produções utilizando frascos brancos como controle negativo. O modelo bicompartimental de France et al. (1993) foi utilizado para descrever o perfil cumulativo de produção de gases, considerando duas frações distintas de fermentação: P(t)=Af×[1-exp(-kf×t)]+As×[1-exp(-ks×max(0, t-max(0, Ls)))], onde P(t) representa o volume de gás produzido no tempo t (mL), Af é o volume de gases da fração de fermentação rápida (mL), As é o volume de gases da fração de fermentação lenta (mL), kf e ks são as taxas específicas de produção de gases das frações rápida e lenta (h⁻¹), respectivamente, Ls é o tempo de latência da fração lenta (h), e t é o tempo em horas. A degradabilidade da matéria orgânica in vitro foi determinada através da filtração do conteúdo total após 24 e 48 horas de incubação. Os dados de digestibilidade in vitro nas 48 horas foram analisados em delineamento inteiramente casualizado, aplicando-se contrastes polinomiais ortogonais (linear, quadrático, cúbico e quártico) para avaliar o comportamento em função dos níveis crescentes de farelo de arroz. No tratamento controle (0 g/kg), o valor estimado de Af foi de 33,82 ± 2,36 mL (P<0,0001). Para o nível de inclusão de 100 g/kg, Af foi de 29,60±3,07 mL (P<0,0001), com um contraste (b_Af) de -4,22 ± 3,87 mL (P=0,2765), indicando uma redução não significativa em relação ao controle. No nível de 200 g/kg, Af aumentou para 65,50±13,08 mL (P<0,0001), com um contraste (b_Af) de 31,67±13,29 mL (P=0,0181), evidenciando um aumento significativo. Para 300 g/kg, Af foi estimado em 59,70±7,35 mL (P<0,0001), com um contraste (b_Af) de l25,87±7,72 mL (P=0,0010), também significativo. No maior nível de inclusão, 400 g/kg, Af foi de 54,24±4,05 mL (P<0,0001), com um contraste (b_Af) de 20,41±4,68 mL (P<0,0001), confirmando um aumento altamente significativo em relação ao controle. Os resultados indicam que a inclusão de FA em níveis de 200, 300 e 400 g/kg MS reduziu significativamente o volume de gases da fração lenta (As) em relação ao controle, com a maior redução observada em 400 g/kg MS de FA (46,81 mL). A inclusão de 100 g/kg MS de FA, no entanto, não resultou em diferença significativa (P=0,4457). A taxa de produção da fração rápida (kf) diminuiu de 0,65±0,21 mL/h no controle para 0,49 ± 0,18 mL/h (100 g/kg), atingindo o menor valor em 200 g/kg (0,11±0,03 mL/h), seguido de recuperação parcial em 300 g/kg (0,16±0,04 mL/h) e 400 g/kg (0,24±0,05 mL/h), todos com P<0,0001. Os contrastes em relação ao controle foram significativos para 200 g/kg (-34,70±0,2169 mL/h; P=0,012) e 300 g/kg (-34,34± 0,2176 mL/h; P=0,028), enquanto 100 g/kg (-5,18±0,2846 mL/h; P=0,5620) e 400 g/kg (-46,81±0,2192 mL/h; P=0,056) não apresentaram diferenças significativas. Para a fração lenta (ks), as reduções foram menores, sendo significativas apenas em 200 g/kg (0,001± 0,004 mL/h; P=0,012) e 300 g/kg (0,009±0,003 mL/h; P=0,009). Os resultados obtidos indicam que a substituição do milho pelo farelo de arroz aumentou significativamente o tempo de latência para o inicio da fermentação da fração lenta a partir do nível 200 g/kg de MS em 4,5 horas em relação ao controle, fazendo com o que a degradação microbiana seja mais lenta inicialmente do farelo de arroz. Níveis moderados de inclusão de farelo de arroz em substituição ao milho, situados entre 100 e 200 g/kg de matéria seca, representam a faixa ótima para minimizar os impactos negativos sobre a digestibilidade in vitro e preservar os padrões fermentativos adequados

    Produtividade da Bucha Vegetal (luffa Cylindrica) Sob Diferentes Lâminas de Irrigação por Gotejamento

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    A bucha vegetal (Luffa cylindrica), pertencente à família das Cucurbitaceae, é uma planta anual, herbácea, com hábito de crescimento trepador. A fibra do fruto maduro é amplamente utilizada em todo o mundo para limpeza geral, higiene, artesanato, fabricação de estofamentos, dispositivos de filtragem, isolamentos acústico e térmico, entre outras aplicações. A produção brasileira é realizada em pequena escala em todo o território nacional, principalmente pela agricultura familiar. Entretanto, embora o cultivo venha sendo ampliado e profissionalizado nos últimos anos, ainda são escassas as estatísticas sobre sua produção. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo determinar a produtividade da bucha vegetal submetida a diferentes lâminas de irrigação via gotejamento. O experimento foi conduzido na área experimental do curso de Engenharia Agrícola da Universidade Federal do Pampa, Campus Alegrete. Inicialmente, foram coletadas amostras de solo deformadas do local, para realização da análise química e posterior adubação. Foram preparados quatro canteiros com 30 metros de comprimento e 3 metros de distância entre si, nos quais foram dispostas 8 plantas por canteiro, com espaçamento de 3 metros entre plantas e 3 metros entre linhas. O sistema de condução das plantas foi do tipo espaldeira, com altura de 1,80 m, contendo três fios de arame espaçados a cada 0,3 m. A semeadura foi realizada em bandejas de isopor contendo substrato comercial, e, após as mudas atingirem a quarta folha verdadeira, foram transplantadas para as covas da área experimental. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, composto por quatro tratamentos de irrigação (25%, 50%, 75% e 100% de reposição da evapotranspiração da cultura ETc), com oito repetições cada. Para o sistema de irrigação, foram utilizadas quatro mangueiras de ¾ x 2,5 mm (uma para cada tratamento), contendo 110 emissores cada. A vazão de cada emissor era de 1,016 L/h, e o coeficiente de uniformidade de distribuição foi estimado em 94,5%. O turno de rega foi de dois dias, e o manejo da irrigação foi realizado com base na coleta diária dos dados de evapotranspiração de referência (ETo) e no coeficiente de cultura (Kc) de cada fase do ciclo: 0,21 (fase inicial), 1,21 (fase intermediária) e 0,98 (fase final). Os tratos culturais, como o controle de plantas daninhas e pragas, foram realizados manualmente, de forma uniforme para todos os tratamentos. Para a adubação, utilizou-se 370 kg.ha⁻¹ de fosfato diamônico no transplante (na cova), e 230 kg.ha⁻¹ de cloreto de potássio e 73,4 kg.ha⁻¹ de nitrogênio em cobertura, respectivamente aos 25, 32, 39, 46, 53 e 60 dias após o transplante (DAT). A análise estatística foi realizada por meio de regressão, utilizando o software Sisvar 5.8. As médias de ETo e ETc durante o ciclo da cultura foram de 5,56 e 3,21 mm.dia⁻¹, respectivamente, e a precipitação pluvial acumulada foi de 753,2 mm no mesmo período. Observou-se o desbaste natural de flores a partir do período reprodutivo da cultura, assim como seu hábito de crescimento indeterminado. Os resultados obtidos mostraram que não houve diferença estatística significativa entre os tratamentos, sendo que a média dos tratamentos com 100%, 75% e 50% da ETc foi de 3.055,56 frutos.ha⁻¹, enquanto o tratamento com 25% da ETc apresentou média de 2.633,33 frutos.ha⁻¹. Por meio da regressão, observou-se comportamento quadrático, sendo a lâmina de 77,5 mm considerada ideal para o manejo da cultura. Durante o ciclo, alguns períodos de estiagem ou de excesso de precipitação, aliados a baixas temperaturas, podem ter contribuído para o abortamento dos frutos, reduzindo as médias de produtividade da cultura

    Calibração Preliminar do Modelo Swat na Bacia do Arroio Olaria em Itaqui-rs

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    A gestão integrada de recursos hídricos em bacias hidrográficas com múltiplos usos do solo, como a do Arroio Olaria em Itaqui-RS caracterizada por uma complexa interface entre zonas urbanas, atividades rurais e fragmentos de vegetação natural demanda ferramentas de simulação robustas e cientificamente validadas para apoiar processos decisórios de diagnóstico e prognóstico ambiental. O modelo hidrológico SWAT+ (Soil and Water Assessment Tool), em sua versão mais recente, destaca-se como uma ferramenta computacional avançada para essa finalidade, permitindo a representação física detalhada dos processos do ciclo hidrológico, erosão do solo e transporte de poluentes. No entanto, a confiabilidade de suas simulações é intrinsecamente dependente de um processo de calibração e validação criterioso, que ajuste seus parâmetros internos para representar fielmente as condições hidro-pedológico-climáticas específicas da bacia em estudo. Este estudo, realizado no âmbito do projeto de pesquisa SAP4691, da plataforma SIMAGAIA, Sistema Integrado de Monitoramento Ambiental do Grupo UniGAIA, objetivou realizar a calibração preliminar do modelo SWAT+ para a bacia do Arroio Olaria, reconhecendo explicitamente as limitações inerentes à etapa inicial de trabalho, com uma série temporal de dados monitorados ainda enxuta. A metodologia envolveu a estruturação de um banco de dados espaciais e temporais inicial, compreendendo um Modelo Digital de Elevação de média resolução para definição da rede de drenagem e declividades, mapas detalhados de uso e cobertura do solo, classificados a partir de imagens de satélite, mapas pedológicos e séries climatológicas históricas de precipitação, temperatura, umidade, velocidade do vento e radiação solar de estações regionais. O processo de geoprocessamento para a delimitação precisa da bacia, sub-bacias e, crucialmente, das Unidades de Resposta Hidrológica (HRUs) que agregam áreas homogêneas em termos de solo, uso e declive foi realizado integralmente com o auxílio da interface QSWAT+ integrada ao software QGIS. Para a etapa crucial de calibração, foram utilizados dados observados de vazão fluvial coletados pela equipe do projeto em pontos estratégicos da bacia. O processo de calibração, ainda em etapa de ajuste manual, consistiu na modificação consistente de parâmetros sensíveis do modelo previamente identificados em análise de sensibilidade global. Dentre os parâmetros mais impactantes ajustados, destacam-se o número de curva (CN2), que controla a partição entre escoamento superficial e infiltração; a condutividade hidráulica do solo (SOL_K), que define a velocidade de percolação da água no perfil; e o parâmetro de tempo de resposta do aquifer (GW_DELAY), fundamental para simular adequadamente a vazão de base. Considerando o caráter preliminar da calibração e o volume ainda limitado de dados observados, os coeficientes estatísticos de desempenho foram interpretados com expectativas realistas e ajustadas ao contexto de uma fase inicial de modelagem. Os valores obtidos um NSE (Nash-Sutcliffe Efficiency) na faixa de 0,40 a 0,55, um R² (coeficiente de determinação) entre 0,50 e 0,65, e um PBIAS (viés percentual) consistentemente dentro de ±20% são considerados satisfatórios e academicamente válidos para esta etapa inicial. Estes valores indicam que o modelo já é significativamente superior à simples utilização da média dos dados observados (NSE > 0), consegue capturar de forma adequada a tendência geral e a dinâmica temporal da vazão (R² aceitável), e não apresenta um viés sistemático grave na estimativa do volume total de água escoada (PBIAS controlado). Este resultado configura uma base sólida, promissora e metodologicamente transparente para iterações futuras de calibração mais refinadas. Conclui-se que o modelo SWAT+ calibrado em sua fase preliminar já se constitui em um instrumento científico valioso para a plataforma SIMAGAIA, permitindo a execução de simulações aceitáveis de cenários de mudanças no uso e cobertura do solo e de alterações climáticas, e fornecendo subsídios técnicos informados e válidos para a reflexão sobre o planejamento urbano integrado e a gestão sustentável dos recursos hídricos no município de Itaqui, com a clara ressalva de que sua acurácia e precisão serão incrementadas com a contínua aquisição de dados monitorados e o refinamento dos parâmetros do modelo. Entendemos que o próprio processo e sua progressiva evolução já são, em si mesmos, ferramentas de discussão e reflexão sobre temas estratégicos para o presente e futuro regionais

    Compatibilidade física da mistura de herbicidas pós-emergentes para aplicação aérea de baixo volume no trigo

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    A cultura do trigo (Triticum aestivum L.) é a cultura de inverno mais cultivada no estado do Rio Grande do Sul, com uma previsão de produção de 8.472,3 mil toneladas e produtividade média de 3,05 kg/ha. Nesse contexto, para se alcançar altos índices produtivos no manejo da cultura, o uso de agrotóxicos é uma ferramenta importante para eliminar patógenos, insetos e plantas daninhas que prejudicam o desenvolvimento das plantas cultivadas. No âmbito do manejo de plantas daninhas da cultura do trigo destaca-se o azevém (Lolium multiflorum), aveia preta (Avena strigosa) e o nabo (Raphanus raphanistrum e R. sativus). Estas plantas daninhas podem reduzir drasticamente a produtividade do trigo e para controlá-las comumente são utilizados herbicidas como principal método de controle devido à boa eficiência e praticidade. Porém, para aplicação na pós-emergência, existem poucos produtos registrados. Para aumentar o espectro de ação e reduzir o número de operações no campo, muitas vezes os agricultores utilizam misturas de tanque. Infelizmente, são escassos os dados científicos sobre a compatibilidade de calda envolvendo dois ou mais agrotóxicos. Outro aspecto também importante, é considerar a tecnologia de aplicação, que devido à popularização da aplicação aérea com veículos não tripulados, tem ganhado muito espaço atualmente. A partir disso, o objetivo do trabalho foi testar a compatibilidade física da mistura de herbicidas pós-emergentes utilizados no trigo considerando baixos volumes de aplicação. Foram testados herbicidas individualmente e misturados dois a dois, para um volume de 10 L/ha, visando simular uma aplicação aérea com drone agrícola. O método utilizado consiste na atribuição de notas e está descrito pela técnica estática na norma ABNT NBR 13875, com adaptação proposta pelo Centro Brasileiro de Bioaeronáutica. O experimento foi conduzido na Universidade Federal do Pampa, Campus Itaqui, no Laboratório de Entomologia e Plantas Daninhas. Foram utilizadas as maiores doses descritas nas bulas de cada produto com registro para a cultura do trigo As avaliações foram realizadas logo depois do preparo de calda (DPC) nos tempos de 1, 5, 10, 30 minutos e 2, 6 e 24 horas DPC. No processo de preparo de calda, foi utilizado um balão volumétrico de 1L, onde foi adicionado 250 mL de água destilada, na sequência foi(ram) adicionado(s) o(s) produto(s) previamente diluído(s) em béquer de 25 mL e finalmente foi completado com água para atingir o volume de 500 mL. Inicialmente, todos os herbicidas utilizados neste experimento foram ensaiados individualmente. As combinações testadas foram Topik® + Zartan®(1); Topik® + Basagran®(2); Topik® + DMA®(3); Axial® + Zartan®(4); Axial® + Basagran®(5); Axial® + DMA®(6); Tricea® + DMA®(7); Tricea® + Zartan®(8); Hussar® + Axial®(9); Hussar® + Topik®(10); Raptor® + Axial®(11); Raptor® + Topik®(12); DMA® + Zartan®(13). Os produtos Hussar®, Raptor®, Topik®, apresentaram sedimentação após 10 minutos, o Tricea® apresentou o mesmo aspecto em avaliação realizada após 2, 6 e 24 horas DPC. Os demais produtos quando preparados de forma individual apresentaram plena compatibilidade física. Para as misturas as interações observadas foram mais expressivas, fato que já era previsto devido a proximidade de moléculas de diferentes produtos. Para as misturas 3, 5, 7 e 12 foi verificada incompatibilidade no ato do preparo da calda, sendo os três primeiros formação de espuma e o último ocorrência de sedimentação. As misturas 8, 9 e 10 tiveram sedimentação a partir de 5 minutos DPC. As combinações 9 e 11 precisam de agitação constante após 5 minutos e 2 horas de repouso, respectivamente, pois ocorre sedimentação. As únicas misturas que apresentaram compatibilidade durante todo o processo, ou seja, após ter decorrido 24 horas depois do preparo de calda foi a 4, 6 e 13, evidenciando que dentre as combinações deste experimento essas são as únicas misturas que podem ser recomendadas sem observações para o volume de calda de 10 L/ha e para aplicações no período de até um dia após o preparo da calda. Portanto, fica notória a necessidade de realizar testes prévios a fim de visualizar o comportamento dos produtos após adicioná-los nos tanques de pulverização, de maneira individual ou não, pois essas misturas podem danificar os componentes do equipamento de pulverização além de reduzir a eficácia do produto no controle das plantas daninhas no campo

    Physcomitrium acutifolium Broth. Como Organismo Modelo para o Bioma Pampa.

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    As briófitas, um dos grupos de plantas terrestres mais antigos, surgiram há cerca de 300 milhões de anos e são o segundo maior grupo de vegetais no planeta. Incluem hepáticas, antóceros e musgos, e são avasculares, o que significa que não possuem raízes nem tecidos condutores verdadeiros, limitando seu porte a cerca de 20 cm e tornando-as dependentes de ambientes úmidos para o transporte de água e nutrientes, realizado célula a célula. Apesar disso, são incrivelmente adaptáveis, ocupando habitats variados, de pântanos a desertos, e atuam como sensíveis bioindicadores de mudanças ambientais. Seus pigmentos fotossintéticos incluem clorofilas a e b, carotenos e xantofilas, com os carotenóides desempenhando um papel crucial na fotoproteção, especialmente sob estresse hídrico, ao proteger contra as espécies reativas de oxigênio (EROs). A capacidade de tolerar a dessecação varia entre as espécies; as tolerantes, como alguns musgos, podem re-absorver água rapidamente e retomar o metabolismo em poucas horas, enquanto as intolerantes perdem pigmentos e capacidade fotossintética. O fechamento estomático, a redução do crescimento e o acúmulo de solutos como açúcares e prolina são estratégias de adaptação para reduzir o potencial osmótico e estabilizar processos celulares sob estresse. Além disso, as briófitas são reconhecidas por seu potencial em biomonitoramento e fitorremediação de metais pesados, dependendo da sua produção de biomassa e tolerância aos contaminantes. O musgo Physcomitrium acutifolium, nativo do Rio Grande do Sul e presente na Mata Atlântica e no sul do Brasil, foi escolhido como organismo modelo para investigar seus mecanismos de adaptação ao estresse abiótico, devido à sua resiliência e rápido crescimento em cultivo in vitro. O objetivo deste trabalho focou em três pontos principais: a resposta ao estresse hídrico, a toxicidade por ferro e a influência de fitorreguladores. Para o cultivo do musgo P. acutifolium, foram testados três meios de cultura (KNOP, MS e BCD), sendo o meio KNOP o selecionado por promover melhor crescimento. Em seguida, a espécie foi submetida a diferentes condições de estresse e estímulo. O estresse hídrico foi induzido usando cinco concentrações de PEG 6000, com avaliações após 2 e 24 horas. A toxicidade por ferro foi testada com quatro concentrações de Fe-EDTA. A resposta a fitorreguladores foi avaliada com cinco compostos, em quatro concentrações. Para medir o crescimento e as respostas, foram usados microscopia, paquímetro e balança. A extração de pigmentos fotossintéticos foi comparada entre dois solventes, DMSO e acetona. Finalmente, o DNA foi extraído para análise genética via PCR com primers ISSR, e todos os dados foram analisados estatisticamente com ferramentas como ANOVA e testes de Tukey e Shapiro-Wilk no software RStudio. Os resultados revelaram que o método de extração com DMSO foi mais estável e eficaz para pigmentos ao longo do tempo. Em relação ao estresse hídrico, o P. acutifolium demonstrou resistência de curta duração, com aumento da expressão de pigmentos após 2 horas de estresse, mas com degradação significativa e perda de pigmentos após 24 horas, indicando uma limitação fotossintética sob seca prolongada. A queda dos carotenóides sugere uma sobrecarga dos mecanismos de fotoproteção, levando à oxidação das clorofilas. A espécie também mostrou alta tolerância ao ferro, resistindo a concentrações elevadas com apenas um leve bronzeamento dos gametófitos. A correlação de Pearson não mostrou relação significativa entre o teor de ferro e os parâmetros de crescimento, o que reforça o seu potencial como bioacumulador e para a fitoextração, em contraste com a sensibilidade observada em plantas vasculares. A análise de polimorfismos demonstrou a eficácia dos primers ISSR para mapear a diversidade genética e a resposta aos fitorreguladores, abrindo caminho para a manipulação genética e a produção de metabólitos de interesse. A indução de polimorfismos com ácido abscísico (ABA), auxinas e citocininas revelou a base genética para a adaptação da espécie. Em suma, a pesquisa valida Physcomitrium acutifolium como um promissor organismo modelo para estudos no Bioma Pampa, com potencial em biotecnologia, genética e fitorremediação. Sua resistência ao estresse hídrico de curta duração, notável tolerância ao ferro e a facilidade de manipulação em laboratório, somadas ao conhecimento de sua genética, abrem caminho para o desenvolvimento de culturas mais resistentes e para a utilização da espécie em projetos de biorremediação de ambientes contaminados

    Uma Nova Localidade Fossilífera com Rincossauros no Triássico Superior do Rio Grande do Sul, Brasil

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    Os rincossauros foram répteis herbívoros do grupo dos arcossauromorfos que habitavam ambientes continentais durante o Triássico. Eram caracterizados por crânios robustos e curtos, além de dentes especializados para a alimentação vegetal, desempenhando papel ecológico fundamental como herbívoros primários em diversos ecossistemas. Representaram um dos grupos de vertebrados mais abundantes do período, com ampla distribuição geográfica que inclui América do Sul, América do Norte, Europa, Índia e África. No Rio Grande do Sul, os rincossauros neotriássicos estão representados principalmente pelos gêneros Hyperodapedon, Macrocephalosaurus e Teyumbaita, sendo Hyperodapedon reconhecido como um fóssil-guia global do Carniano, o que possibilita correlacionar depósitos sul-americanos com camadas equivalentes da Índia, Europa e África. A importância bioestratigráfica desses animais está diretamente associada à sua abundância e curta distribuição temporal, fornecendo uma referência cronológica confiável, especialmente para o Triássico Superior. Assim, os rincossauros auxiliam na correlação de afloramentos da Formação Santa Maria com outros depósitos gondwânicos, consolidando sua relevância científica. A Formação Santa Maria, pertencente à Supersequência Gondwana II, compreende depósitos do Triássico Superior relacionados a ambientes fluviais e lacustres, e está dividida em três sequências principais. A sequência intermediária, que inclui a Zona Hyperodapedon, corresponde ao intervalo de maior abundância e diversidade desse grupo, datado do Carniano Superior (~233231 Ma). Nela, observa-se a transição para sistemas fluviais mais desenvolvidos, com depósitos de arenitos, siltitos e lamitos, que preservaram uma fauna variada composta por cinodontes, arcossauromorfos (incluindo os próprios rincossauros), temnospôndilos aquáticos e os primeiros dinossauros. O paleoambiente dessa biozona é interpretado como mais úmido e ácido em comparação às biozonas inferiores, refletindo o Evento Pluvial do Carniano, um período de intensificação das chuvas que impactou profundamente as comunidades vegetais e animais do Gondwana. Nesse contexto, destaca-se uma nova localidade fossilífera de grande relevância: o Sítio do Germano, situado no município de Santa Cruz do Sul. Esse afloramento, aparentemente pertencente à Zona Hyperodapedon, é composto por arenito conglomerático na base, seguido de granodecrescência e siltito maciço no topo. A presença de clastos de argila e concreções calcíticas tabulares sugere um ambiente de suspensão de grãos, associado a planícies de inundação. A localidade já revelou abundantes fósseis de rincossauros ainda em estudo, com afinidades ao gênero Hyperodapedon. Até o momento, foram recuperados mais de uma dezena de espécimes, incluindo vértebras isoladas, fragmentos cranianos e ossos apendiculares, além de dois esqueletos quase completos que preservam crânio, esqueleto axial e apendicular, com apenas alguns elementos ausentes. A preservação de esqueletos quase completos é rara em rincossauros, uma vez que, em outros afloramentos, eles são frequentemente encontrados fragmentados. Isso torna o Sítio do Germano especialmente promissor, pois permite análises morfológicas detalhadas. Atualmente, os fósseis encontram-se em preparação no Laboratório de Paleobiologia da Unipampa, com foco inicial nos ossos maxilares, que possuem grande relevância para a identificação taxonômica das espécies devido à dentição altamente diagnóstica desse grupo. Assim, o novo afloramento se consolida como um dos mais importantes sítios fossilíferos do Triássico do Rio Grande do Sul, com potencial de fornecer informações inéditas sobre a diversidade, a morfologia e a paleoecologia dos rincossauros e da fauna associada

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