Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Desafios na Gestão e Execução do Cursinho Popular de Uruguaiana

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    O presente trabalho descreve a experiência e os desafios na gestão de um projeto de extensão criado no curso de Medicina da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus Uruguaiana, que busca contribuir para a diminuição das desigualdades educacionais ao oferecer um cursinho popular preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). O projeto, atualmente em seu terceiro ano de existência, é desenvolvido majoritariamente por discentes do curso de Medicina, contando também com a participação de alunos de outros cursos, em caráter voluntário. As atividades ocorrem em espaços cedidos por escolas públicas da cidade, sendo a Escola Normal Elisa F. Valls a instituição parceira em 2025. O público atendido é formado por estudantes e ex-estudantes da rede pública, especialmente da própria escola onde o cursinho é realizado, e o foco das aulas é o ENEM, aproveitando a experiência da maioria do corpo docente na prova. Os monitores auxiliam os professores durante as aulas, oferecendo suporte na aplicação do conteúdo, esclarecendo dúvidas, corrigindo erros e garantindo maior participação dos alunos. As ações incluem aulas regulares ministradas à noite, três vezes por semana, aulões e simulados aos sábados, utilizando materiais produzidos pelos próprios professores, como resumos e apresentações. Entre os principais desafios enfrentados pelo projeto, observa-se inicialmente a dificuldade de disponibilidade dos professores universitários, uma vez que o curso de Medicina apresenta uma carga horária extensa e intensa, o que limita a possibilidade de ministrar aulas em outros períodos do dia, exigindo que toda a programação seja concentrada no turno da noite; essa limitação impacta a frequência dos alunos, que muitas vezes precisam conciliar o cursinho com outras atividades escolares e pessoais. Outro obstáculo relevante é a carência de recursos materiais, já que a infraestrutura do cursinho depende quase integralmente do que é disponibilizado pela escola parceira, resultando em restrições como ausência de projetores adequados, livros didáticos, materiais de apoio e outros instrumentos que poderiam tornar as aulas mais dinâmicas e eficientes, exigindo dos professores e monitores uma criatividade constante para contornar essas limitações. Soma-se a isso a inexperiência do corpo docente e da coordenação, formado majoritariamente por estudantes nos primeiros semestres da graduação, que, embora engajados e motivados, ainda carecem de experiência pedagógica e organizacional; isso se reflete em variabilidade na qualidade das aulas, erros de planejamento, dificuldades na gestão de turmas e na execução das atividades administrativas necessárias para o bom funcionamento do cursinho. Por fim, a baixa permanência dos alunos ao longo do semestre constitui um desafio contínuo, já que muitos precisam conciliar os estudos no cursinho com suas responsabilidades escolares e pessoais, e a realidade socioeconômica de boa parte dos participantes limita sua capacidade de manter a assiduidade; essa situação evidencia a necessidade de estratégias que incentivem a permanência e a motivação dos estudantes. Apesar desses obstáculos, observam-se resultados positivos relevantes, como aprovações de alunos em processos seletivos, relatos de reconhecimento e agradecimento pela qualidade das aulas, e o fortalecimento do vínculo entre universidade e comunidade, promovendo impactos positivos para ambas as partes. O projeto foi recentemente selecionado pela Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), o que possibilitará a concessão de bolsas aos professores, auxílio financeiro para os alunos continuarem no projeto e verba para estruturação e expansão do cursinho. O projeto também contribui para a formação cidadã e social dos discentes universitários, ao proporcionar experiências de ensino, gestão e tomada de decisão em um contexto real. Como perspectiva, busca-se ampliar e consolidar a estrutura do cursinho, garantindo maior sustentabilidade, recursos adequados e continuidade do impacto educacional na comunidade local

    Socialização de Saberes Sobre Plantas Medicinais em Assentamentos em Hulha Negra, Rs

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    O uso de plantas medicinais e o compartilhamento de saberes a respeito de suas propriedades são práticas enraizadas em diversas comunidades tradicionais, incluindo camponeses, indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Neste contexto, a sabedoria popular tem sido um pilar para a saúde e o bem-estar dessas populações ao longo de gerações. O trabalho do frei franciscano Wilson Zanatta destaca-se como um exemplo notável de dedicação ao tema. Por décadas, ele se dedicou ao estudo e ao uso dessas plantas, realizando um esforço fundamental de transcrição da tradição oral e convertendo-a em livros, garantindo a preservação desse valioso patrimônio cultural e imaterial. Considerando o papel da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em especial na região sul do Rio Grande do Sul, foi proposto o projeto de extensão "Do chá de carqueja da Maria aos capões de mato do Antônio: utilização de plantas medicinais e conservação da biodiversidade em assentamentos rurais". As ações do projeto foram desenvolvidas com agricultoras do município de Hulha Negra, RS, e tiveram como objetivo principal promover a interlocução entre o conhecimento popular e o científico, além de colaborar para a melhoria de boas práticas de cultivo, extração e uso seguro de plantas medicinais. A metodologia adotada foi participativa e dialógica. As atividades foram discutidas e planejadas em rodas de conversa na comunidade, permitindo que os próprios moradores expressassem suas experiências e seus interesses em relação às plantas que utilizam. Inicialmente, o projeto focou nas formas de uso mais comuns na comunidade, como chás e xaropes caseiros. As oficinas didáticas foram estruturadas para abordar tanto o saber popular quanto o conhecimento técnico e científico. Para isso, foram utilizados materiais de fácil obtenção, ao mesmo tempo que materiais de laboratório foram levados à comunidade, com o intuito de demonstrar como certas análises são realizadas na universidade. Durante as atividades, a equipe do projeto elucidou a importância de utilizar plantas saudáveis, realizar a lavagem prévia das partes a serem utilizadas e diferenciar as plantas obtidas por cultivo daquelas por extrativismo. Aspectos técnicos da extração de compostos bioativos foram abordados, incluindo a importância da secagem e redução do tamanho das partes vegetais, a temperatura da água e as diferentes formas de preparo de chás (infusão, decocção e maceração). No caso dos xaropes, foram avaliados parâmetros como a relação entre grau brix e a quantidade de açúcar, bem como a densidade, viscosidade e o uso de banho-maria. O projeto seguiu as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de manuais de órgãos oficiais para garantir a segurança das práticas. As plantas selecionadas para as oficinas foram aquelas tradicionalmente utilizadas pelos moradores para disfunções dos sistemas digestório e respiratório, como alecrim, guanxuma, oliveira, sálvia, tansagem, malva, manjericão, pitangueira, hortelã, sálvia-da-gripe e guaco. Previamente, os chás e xaropes foram preparados no laboratório da Unipampa para a caracterização dos parâmetros físicos e para a determinação dos teores de alguns compostos bioativos. Durante as oficinas na comunidade, os produtos foram elaborados em conjunto, e o momento de preparo se transformou em uma oportunidade de compartilha de saberes. Os participantes relataram suas experiências e a relação cultural com o uso das plantas, enquanto o conhecimento científico foi socializado por meio das práticas, da distribuição de folders informativos e, principalmente, da conscientização sobre os cuidados no uso dessas plantas, em especial para os grupos de risco. O projeto também buscou que o conhecimento científico não ficasse restrito ao ambiente acadêmico. Com esse intuito, foi criada a página no Instagram Plantas Medicinais: Compartilhando Saberes, que divulga as atividades do projeto e informações sobre o uso e estudos acadêmicos relacionados às espécies em questão. A iniciativa tem propiciado uma interlocução horizontal entre diferentes atores sociais, em que nenhuma forma de conhecimento se sobrepõe à outra. Para os discentes envolvidos, as ações de extensão tem sido uma oportunidade de aplicar na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula e na pesquisa, além de desenvolver produtos e ferramentas tecnológicas que beneficiam o produtor rural. As próximas ações programadas incluem visitas das agricultoras ao campus Bagé da universidade, oficinas para produção de óleos vegetais e essenciais, pomadas caseiras e xampus artesanais com extratos vegetais. Este projeto representa uma aproximação fundamental entre a Universidade e os assentamentos rurais, um setor agrário frequentemente desfavorecido em termos de políticas públicas e acesso a informações qualificadas

    O Serviço de Ater no Programa Fomento S Atividades Produtivas Rurais

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    Entende-se como Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) um conjunto de serviços essenciais que busca gerar o desenvolvimento rural através da transmissão de conhecimentos e tecnologias. A Extensão Rural (ER) pode ser definida como o ato de transmitir conhecimentos ao público rural, a ER também pode possuir um sentido amplo do processo de comunicação de conhecimentos técnicos, visando resolver problemas específicos. Por possuir um caráter educativo, este serviço habitualmente é exercido por instituições de Ater (Peixoto, 2008, p. 7), tornando-se um serviço contínuo no meio rural que busca estimular e promover o desenvolvimento das comunidades agrícolas compreendidas como um processo educacional. Com o passar do tempo a ATER buscou através de uma abordagem educativa e participativa a promoção ao acesso a conhecimentos, tecnologias e apoio técnico para agricultores familiares, contribuindo para o aumento da produção, renda e inclusão social. Como afirma Caporal e Costabeber: A pura difusão de tecnologias já se mostrou insuficiente como prática da Extensão Rural. Portanto, trata-se, sim, de revolucionar as bases teóricas, redimensionando seu papel, rever seu público prioritário e apossar-se de um novo referencial metodológico, mecanismos capazes de abrir caminho para uma Extensão Rural apta a ocupar o espaço no qual ainda poderá mostrar-se socialmente útil. (Caporal; Costabeber, 1994 pág. 9). Neste contexto, o Programa de Fomento às Atividades Rurais, instituído pela lei n°12.512/2011 e regulamentado pelo Decreto 9.221/2017, surge como instrumento de política pública nacional que almeja que as famílias beneficiárias possam se estruturar ou ampliar a sua capacidade produtiva em busca da superação da situação de extrema pobreza em que estão inseridas, através da disponibilização de apoio técnico e recursos financeiros não reembolsáveis. O TED 22/2023 é um termo de execução descentralizada do programa fomento no estado do rio grande do sul que está em vigência desde o ano de 2024. Seus objetivos dialogam com uma concepção participativa de Extensão Rural. O trabalho desenvolvido pelos técnicos também proporcionam à inclusão produtiva e social dessas famílias. O programa que combina ações sociais e financeiras proporciona o acompanhamento técnico especializado às famílias com o objetivo principal de auxiliar no processo do desenvolvimento de projetos produtivos que possam ser capazes de solucionar problemas originários da desigualdade no campo e da pobreza rural. A metodologia utilizada pelos técnicos responsáveis na aplicação do Programa de Fomento Rural tornou-se extremamente importante uma vez que exerce uma função crucial ao identificar as famílias que necessitam deste serviço, garantindo a distribuição igualitária dos recursos disponíveis, objetivando alcançar as comunidades mais vulneráveis e promovendo o desenvolvimento socioeconômico de maneira justa e inclusiva. Após a identificação da família efetua-se de modo participativo, a escolha do projeto produtivo para o investir o recurso. Afins de exemplificação dos trabalhos realizados pelos técnicos durante a aplicação do programa fomento, traze-se falas dos beneficiários que foram visitados in loco pelos pesquisadores do grupo GIEDER: Daiane, beneficiária e moradora do município Vale Do Sol afirma: (...) O auxílio do técnico foi muito importante, ele soube nos direcionar no que iríamos aplicar o dinheiro do projeto, nos auxiliou no que comprar e o que comprar. A família de Adriane Neugebauer Retzloff, também aponta a importância dos técnicos: ()O auxílio do técnico foi muito importante, pois ele soube nos direcionar no que iríamos aplicar o dinheiro do projeto, nos auxiliou no que comprar e o que comprar. A melhora que tivemos com o projeto está proporcionando uma renda a mais para a minha família. O técnico foi de suma importância na escolha e na execução do projeto da família de Evelin: (...)Sou suspeito para falar sobre o técnico, pois são 100%, nos ajudam a achar o melhor caminho, pesquisar e nos ajudar, nos dão acesso à informação e muita atenção", elogia o esposo de Evelin. Analice Teixeira, moradora de Hulha Negra destaca que o ponto fundamental do projeto foi o apoio técnico oferecido, que ajudou a família a tomar decisões e esclarecer dúvidas ao longo do processo: (...)Acho importante a presença do técnico de assistência rural para tirar nossas dúvidas, pessoalmente ou por mensagem", comenta Analice. Os relatos evidenciam a importância da escolha dos técnicos responsáveis pela aplicação do programa, mostrando que uma boa assistência pode oferecer conhecimento e suporte necessários para que famílias rurais possam expandir suas atividades, promovendo sua inclusão socioeconômica e garantindo a essas famílias dignidade, oportunidades e uma voz ativa na criação do próprio futuro e no desenvolvimento da região

    O acesso à Universidade Pública- uma realidade para poucos? A realidade no município de Uruguaiana

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    O acesso ao ensino superior, especialmente nas Universidades Públicas, melhorou nos últimos anos, mas as desigualdades ainda permanecem mesmo após a ampliação de políticas inclusivas, pois estudantes de escolas públicas, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, ainda enfrentam muitas barreiras no acesso. Infelizmente, o diploma universitário ainda é visto como um marcador social e assegura, às classes mais privilegiadas, vantagem educacional. Nesse contexto, o Projeto Comunica realiza palestras e rodas de conversa, com alunos(as) do terceiro ano de escolas públicas do Município de Uruguaiana, sobre a importância do ensino universitário, as diferentes formas de ingresso e os Cursos de Graduação ofertados pela UNIPAMPA, a fim de promover, despertar o interesse e incentivar o ingresso na Universidade Pública. Foi aplicado um questionário composto de perguntas fechadas a fim de identificar: a) quantidade de alunos que iriam realizar o ENEM; b) nível de conhecimento sobre a Unipampa; c) interesse em ingressar no ensino universitário; d) curso de interesse. Além disso, fez-se a identificação dos participantes que declararam interesse em realizar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para posterior verificação do êxito no ingresso nos cursos da Unipampa. Foram realizadas, no ano de 2024, visitas em quatro escolas e 345 estudantes participaram das palestras / rodas de conversa. Destes, 45,5% responderam o questionário, dos quais, 74,5% afirmaram que iriam realizar o ENEM. Destes, 61,5% manifestaram interesse em ingressar na Unipampa e nos cursos Fisioterapia, Farmácia, Medicina Veterinária, Enfermagem, Ciências da Natureza, Educação Física e Medicina. Após o final do processo de seleção realizado pela Universidade Federal do Pampa incluindo chamada regular e consecutivas listas de espera, obtivemos como resultados que dos 157 interessados, somente 11,5% dos estudantes foram aprovados. No entanto, dentre eles, sete estudantes não conseguiram ingresso devido a falha na documentação, ocasionando a perda da vaga conquistada. Portanto, apenas 7% iniciaram sua jornada acadêmica na Unipampa no ano de 2025, nos respectivos cursos: Ciências da Natureza (5 alunos), Fisioterapia (1 aluno), Educação Física (1 aluno), Farmácia (2 alunos) e Enfermagem (2 alunos). Apesar dos avanços no acesso ao ensino universitário, ainda é baixa a taxa de ingresso de alunos da rede pública local nas universidades, o que permanece um desafio a ser enfrentado. Confirma-se a necessidade de projetos e ações que promovam um vínculo de comunicação da Unipampa com estudantes de escolas públicas do Município de Uruguaiana, tendo como principal objetivo ampliar o acesso, desta população, a Universidade Pública. Além disso, o esclarecimento sobre os auxílios-permanência ofertados pela Unipampa, como auxílio-alimentação, transporte e moradia, incentiva ainda mais os jovens em contexto de vulnerabilidade a buscar uma graduação. No projeto COMUNICA os dados mostram um aumento de 11,2% na inscrição de estudantes para realização do ENEM em 2025 quando comparado a 2024 e de 38% em relação a 2022, o que evidencia que o interesse pela continuidade da trajetória acadêmica dos estudantes é crescente. Conclui-se que as ações extensionistas realizadas pelo projeto Comunica - Universidade e Ciência na Comunidade impactaram positivamente na aproximação dos estudantes com a Universidade, despertando a pretensão de continuar a caminhada acadêmica, desmistificando a cultura enraizada na região de que Universidade é coisa de rico

    Desvendando os Alimentos: Ações Educativas para Escolhas Saudáveis Entre Adolescentes

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    Diante dos desafios alimentares enfrentados por crianças e adolescentes, especialmente o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, torna-se essencial promover ações educativas que estimulem o olhar crítico sobre as escolhas alimentares. Esse cenário é reflexo de mudanças sociais e culturais, em que a praticidade muitas vezes se sobrepõe à qualidade, e em que a publicidade direcionada a esse público exerce forte influência sobre preferências e comportamentos. Assim, a escola e os projetos de extensão universitária assumem um papel estratégico, pois possibilitam o diálogo, a troca de saberes e a construção de práticas alimentares mais conscientes. Este trabalho teve como objetivo capacitar estudantes a reconhecer e classificar alimentos de acordo com os graus de processamento definidos pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, valorizando a comida de verdade e práticas alimentares saudáveis, respeitando a cultura, o território e o contexto dos indivíduos. A intervenção foi realizada no âmbito do projeto de extensão SimplificaNutri Aprendendo com o Guia Alimentar na Escola (Código 4314), como atividade vinculada ao componente curricular obrigatório Educação Alimentar e Nutricional (EAN), do curso de Nutrição da UNIPAMPA, entre os dias 17 e 24 de junho de 2025. Participaram 23 adolescentes do 9º ano do Colégio Estadual São Patrício (CESP), em Itaqui/RS, sendo 14% do sexo feminino, com idades entre 13 e 14 anos. Essa faixa etária é marcada por mudanças importantes no corpo e na mente, com forte influência do grupo social e da mídia, o que torna as ações de EAN fundamentais para apoiar a construção de hábitos que podem se manter ao longo da vida adulta. Fundamentada na pedagogia de Paulo Freire, a atividade foi dividida em três momentos: ativação dos saberes prévios, construção do conhecimento e avaliação participativa. Inicialmente, os alunos foram organizados em grupos e receberam imagens de alimentos classificados como in natura, minimamente processados, processados e ultraprocessados, sendo convidados a discutir quais deveriam ser consumidos com frequência ou ocasionalmente. Em seguida, foi realizada uma roda de conversa com perguntas que estimularam a reflexão sobre os alimentos e suas origens. Nesse momento, surgiram debates espontâneos sobre a diferença entre alimentos produzidos localmente e aqueles industrializados, além da importância de se valorizar a agricultura familiar e as refeições preparadas em casa. Esse diálogo evidenciou o interesse dos adolescentes em compreender melhor como as escolhas alimentares impactam tanto a saúde quanto o meio ambiente e a cultura alimentar. Na etapa seguinte, os estudantes participaram de uma oficina teatral, encenando falas de alimentos com base em suas características, enquanto os demais grupos tentavam identificar e classificar corretamente os itens apresentados. Essa dinâmica lúdica gerou risadas, entusiasmo e cooperação entre os colegas, reforçando o aprendizado de forma criativa e divertida. A teatralização, além de fixar conceitos, contribuiu para desenvolver habilidades de expressão, comunicação e trabalho coletivo, tornando o processo mais significativo. Por fim, na avaliação participativa, os estudantes, divididos em dois grupos, competiram em um jogo que consistiu em responder à classificação dos alimentos mencionados oralmente. A atividade foi recebida com entusiasmo e grande envolvimento, demonstrando que a competição saudável pode ser um estímulo para a aprendizagem. A atividade demonstrou alto engajamento dos alunos, que acertaram todas as classificações propostas, evidenciando a apropriação do conhecimento construído. A intervenção permitiu aos estudantes compreender, de forma lúdica e colaborativa, a classificação dos alimentos conforme o grau de processamento, promovendo a reflexão sobre o consumo consciente e a importância de escolhas alimentares saudáveis. As dinâmicas estimularam o trabalho em grupo, o pensamento crítico e a construção coletiva do conhecimento, evidenciando o potencial transformador da Educação Alimentar e Nutricional no ambiente escolar. Além disso, mostrou como metodologias participativas, quando aplicadas no espaço escolar, podem gerar impacto positivo, favorecendo a autonomia dos adolescentes, fortalecendo sua capacidade de análise e incentivando mudanças que contribuem para uma vida mais saudável e conectada à realidade social e cultural

    Oficina de Análise da Qualidade da GUa na Escola Estadual Santa Izabel

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    O presente trabalho resulta das atividades de extensão realizadas, vinculadas ao Projeto Caminho das Águas, especificamente por meio da realização de uma Oficina de Análise de Água na Escola Estadual de Ensino Fundamental Santa Izabel, em Candiota, no Assentamento São Miguel. A atividade envolveu alunos dos anos iniciais até os anos finais da escola, nos períodos da manhã e tarde, e contemplou a parceria existente entre o projeto Caminho da Águas e o Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ), pelo qual a atividade de Oficina de Análise de Água foi requisitada com o intuito de promover a experiência prática de análises da água de caráter qualitativo e lúdico, aproximando ciência, escola e comunidade. Além disso, buscou-se mobilizar os alunos e seus familiares, envolvendo-os de forma ativa no processo da coleta e interpretação dos resultados das análises das águas utilizadas em suas próprias casas. A atividade também estimulou a reflexão sobre a qualidade da água, a dependência da água para a subsistência agrícola e qualidade de vida na região do Pampa. A região do Pampa é historicamente marcada pela escassez hídrica, com períodos prolongados de estiagem, fenômeno que impacta o desenvolvimento local, a produção agrícola e a segurança hídrica das comunidades. Esse cenário reforça a importância da parceria com o ICPJ para ações educativas que promovam a conscientização sobre o uso sustentável da água e a valorização de políticas públicas voltadas à preservação desse recurso essencial. A atividade baseou-se no planejamento prévio e na preparação dos materiais e equipamentos portáteis necessários para a montagem de um laboratório improvisado para a realização das análises físico-químicas. Ademais, os estudantes foram orientados a seguir o guia de limpeza do material, assim eles deveriam higienizar uma garrafa PET, limpando-a com detergente de louça, enxaguar bem, deixar secar naturalmente e encher e descartar a água três vezes antes de coletar a amostra definitiva, fechar e deixar na geladeira. Nesse sentido, os alunos responderam a um questionário sobre a origem do recurso de água de suas casas, registrando se era proveniente de uma nascente, uma cisterna, um poço artesiano ou de uma rede municipal, também se possui caixa dágua, e se a água que é utilizada na casa passava por algum tratamento ou da rede municipal, ou caseiro com cloro (hipoclorito de sódio 2,5 %). Durante a oficina, os testes foram realizados de forma conjunta entre a equipe do projeto e os estudantes, que puderam acompanhar os procedimentos e observar os resultados. Foram feitos parâmetros físico-químicos básicos, mas de grande importância para a análise de água como o pH, condutividade elétrica, turbidez, cloro, flúor e oxigênio dissolvido. Vale ressaltar que a atividade de análises físico-químicas têm caráter meramente qualitativo e lúdico, pois dispensa todos os protocolos e metodologias de manuseio, coleta e armazenamento de amostras, visto que os alunos e familiares que fizeram a higienização do recipiente e a coleta de água, sem preocupação com armazenamento das amostras de água. O objetivo principal foi proporcionar uma experiência prática aos estudantes, permitindo que eles observassem e interpretassem os resultados de forma direta, sem comprometer a segurança ou a confiabilidade dos procedimentos laboratoriais formais. Ao final da atividade, cada participante recebeu um relatório do ensaio com os resultados da amostra que haviam trazido. Esse documento simples possibilitou que os estudantes e suas famílias observassem a qualidade da água utilizada por sua família. A experiência evidenciou a importância de práticas de extensão entre a universidade, a escola e as comunidades, ao oferecer conhecimentos práticos sobre a qualidade da água e incentivar reflexões críticas sobre os recursos hídricos. A oficina fortaleceu a consciência ambiental e reforçou a necessidade de ações educativas que contribuam para a preservação da água e a valorização de políticas públicas voltadas ao acesso a esse recurso básico

    A MATEMÁTICA DESVENDADA NA PRÁTICA: ATIVIDADES EXTENSIONISTAS

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    A Matemática, frequentemente vista como um desafio, é na verdade, uma ferramenta poderosa para o entendimento do mundo ao nosso redor. Como disciplina, a Matemática desenvolve habilidades essenciais, como o raciocínio lógico, a interpretação de dados, a resolução de problemas e a capacidade de análise. Tais habilidades são fundamentais para a formação de cidadãos críticos e atuantes na sociedade. Nessa visão, o presente trabalho objetiva uma análise da ação do autor como bolsista no Programa de extensão universitária em Centros Socioeducativos de Itaqui, desenvolvido no Centro Socioeducativo Teresiano Crescendo com a Arte, localizado na cidade de Itaqui-RS, o qual atende famílias locais, em específico mulheres e crianças. Quanto às crianças, variando entre 12 a 25 participantes, com idades de 11 a 13 anos, esse centro, em parceria com a Unipampa, disponibiliza a elas aulas de reforço de Matemática, no turno inverso à escola. No exercício desta função, em busca de uma maior atenção dos participantes recorreu-se a estratégias para que houvesse uma melhor concentração e entendimento das atividades. Sendo encontrado êxito em uma forma de ensino que consiste em iniciar as atividades do encontro com uma palavra, frase, sentimento ou história com o seu significado, sua importância e sua aplicação prática. Esse ato acalma e traz a atenção do aluno para a fala do educador e em consequência para a atividade planejada, para a qual se usa uma abordagem diferenciada, seja através de jogos ou material manipulável. A fim de especificar a realização dessas atividades, segue o relato de uma das práticas da Matemática vivenciadas no projeto. A atividade envolveu unidades de medidas (massa, comprimento e capacidade). Após uma breve chamada para o tema, os alunos foram logo apresentados a uma bancada composta de balança mecânica, balança digital, fita métrica, réguas e copo medidor. Começando com as balanças e uma sacola com compras de alimentos como feijão, massa, milho pipoca, leite em pó, amendoim, etc foi pedido para realizarem a pesagem dos produtos e fazerem somas e subtrações aleatórias, para que entendessem o funcionamento das mesmas. Também foi feita a comparação entre os tipos de pesagem (mecânica e digital) ficando atestada a precisão da balança digital. Também pesaram seus aparelhos celulares (até então, guardados), descobrindo que embora fossem o mesmo produto, possuíam pesos diferentes. O mesmo aconteceu ao pesarem cadernos, quanto a objetos bem menores como lápis, caneta e borracha perceberam a grande baixa nos marcadores. Na sequência, fazendo uso de fita métrica e réguas descobriram as medidas da bancada (comprimento, largura e altura) comparando com as mesmas medidas das classes. Tiveram a curiosidade de saber as medidas das circunferências de suas cabeças, constatando o quanto eram mínimas as diferenças. Finalizando, com o uso do copo medidor descobriram a capacidade de uma caneca e assim a soma e subtração de algumas medidas da água utilizada. Foi somente após essa prática que realizaram as atividades escritas. Em um outro encontro, foi realizada uma breve revisão dos conceitos, para que educadores pudessem avaliar o grau de entendimento da classe e também foi solicitado aos alunos que se expressassem sobre a dinâmica da aula e com isso foi concluído que todos dos que opinaram e avaliaram, gostaram da forma como a aula foi apresentada e conduzida, pois consideraram empolgante estar aprendendo de uma forma alegre e divertida e que a oportunidade de praticar antes, favoreceu o entendimento do tema e tornou mais fácil a realização das tarefas escritas, na sequência. Vivenciar essa prática leva à conclusão de que essa abordagem pode transformar uma disciplina de memorização de regras, a Matemática, em uma ferramenta para desenvolver o raciocínio lógico, encontrando soluções na prática. Com criatividade, o aluno pode, quando conectado com realidades do mundo, desvendar a Matemática de uma forma significativa, vendo a sua presença no nosso dia a dia e até em mínimas/simples coisas e que será extremamente relevante na vida adulta. Essas dinâmicas são um incentivo, em especial aos que têm uma certa restrição para com a disciplina, para que se sintam mais motivados e que pela prática consigam interagir, interpretar e construir o seu próprio conhecimento desse mundo, de uma forma mais eficaz e bem fundamentada. Como bolsista do programa de extensão, aprendo na prática o quanto é vasto e diferenciado o campo do conhecimento, que esse caminho de aprendizado complementar é muito significativo e atrativo. A experiência de aprender ensinando amplia a visão e a evolução do futuro almejado, trazendo crescimento não só nos estudos, mas também social, cultural, das habilidades específicas e da autonomia. Estar presente e em estreito contato nas comunidades é uma vivência construtiva e ímpar

    experienciar, Demonstrar e Construir no Ensino de Ciências.

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    Este trabalho relata a Mostra Científica denominada Experienciar, demonstrar e construir no Ensino de Ciências. Este evento ocorreu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Alexandre Vieira, parceira do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid) do curso de Ciências da Natureza Licenciatura da Unipampa (campus Dom Pedrito). Foram apresentados trabalhos de 6° ao 9° ano pelo turno da manhã, com o objetivo de promover, divulgar e desenvolver a cultura científica de forma multidisciplinar. O evento foi promovido pelos pibidianos como uma das atividades previstas em seu projeto. Esta ação mobilizou todos os docentes, das diferentes áreas do conhecimento, supervisores e equipe diretiva, trazendo para a escola um momento de troca de conhecimentos e saberes que vão para além da sala de aula, em que os estudantes trouxeram consigo suas curiosidades e seus interesses, muitas vezes pessoais. A construção desta mostra científica desafiou os estudantes à participação e envolvimento em todas as etapas da produção dos trabalhos, iniciando em sala de aula e contemplando a apresentação no dia designado. A divulgação ocorreu nas redes sociais, por meio de panfletos e confecção de cartazes informativos em que toda a comunidade foi comunicada sobre o evento. A mostra contou com 19 trabalhos de iniciação científica envolvendo 53 estudantes e 5 professores orientadores da escola em diferentes áreas, a saber: Ciências da Natureza, Matemática, Linguagens e Ciências Humanas. O Ensino de Ciências obteve 16 trabalhos inscritos, a área de Matemática contou com um trabalho e Ciências Humanas, com dois. Considera-se, por meio da fala dos estudantes e docentes da escola, que o número expressivo de trabalhos foi vinculado ao Ensino de Ciências devido à inserção do Pibid na escola. Com relação ao trabalho de Matemática, a indicação ocorreu através do incentivo da professora regente e a área de Ciências Humanas foi pela curiosidade dos estudantes em relação aos temas que estavam sendo estudados. Vale destacar, que propostas como esta são consideradas de grande potencial para despertar o interesse dos estudantes pela ciência, uma vez que estes tinham o poder de escolha a partir de seu gosto e curiosidade, quebrando assim o antigo estigma do Ensino de Ciências, ou seja não ser atraente ou mesmo sem sentido na visão dos estudantes. A avaliação dos trabalhos foi realizada por uma professora do ensino superior e um funcionário da própria escola, graduado em Ciências da Natureza Licenciatura pela Unipampa. Os trabalhos destaques foram selecionados para a Feira Municipal e para a Feira da Unipampa. O evento teve por objetivo aproximar o estudante e a comunidade, demonstrando a importância do conhecimento científico para desenvolver pesquisas com criatividade, vinculando teoria e prática ao aprendizado escolar com situações reais do cotidiano, contribuindo para a formação integral do estudante. Indica-se também que os estudantes, tendo a informação de que os trabalhos desenvolvidos tem como intenção expor os seus conhecimentos aos outros colegas, eles por consequência tornaram seus trabalhos mais criativos, acessíveis e interessantes, o que auxiliou no compartilhamento de suas descobertas com os seus colegas e com a comunidade em geral. O evento também possibilitou à comunidade escolar a troca de experiências evidenciando a capacidade de cada aluno. Por fim, durante o processo foi possível analisar que a proposta na configuração de Mostra Científica foi mais atraente e funcional do que os antigos eventos como a Feira de Ciências vinculados somente ao Ensino de Ciências. Desse modo, esse formato integra os estudantes ao conhecimento científico, configurando um evento mais abrangente e com maior liberdade de escolha em relação aos temas. Destaca-se que o interesse e familiaridade do estudante por uma área não comumente ligada às ciências como a Arte por exemplo, o faz querer participar ativamente durante a construção e finalização dos trabalhos. Assim, a mostra não apenas valorizou o esforço individual, mas também o coletivo, incentivando os alunos e professores a investigar, questionar e buscar soluções

    Clube de Ciências: Formando Protagonistas na Cultura Científica

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    O ensino de ciências na escola deve ir além da teoria. Na Educação Básica muitos estudantes, por vezes, se vêem sem saber onde utilizarão certos conhecimentos. Diante disso, este trabalho visa descrever e tecer reflexões acerca da implementação de um Clube de Ciências em uma escola pública da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. A iniciativa se alinha à visão de Mancuso (2008), que defende os clubes como espaços privilegiados de cultura científica, configurando-se como um local de resistência ao ensino puramente expositivo e de fomento à vocação para as ciências. O projeto vem sendo desenvolvido na EMEB Rui Barbosa (Uruguaiana-RS), vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID. O Clube de Ciências vem sendo desenvolvido com dois grupos discentes, um formado por estudantes dos 6º e 7º anos e o outro por estudantes dos 8º e 9º anos do Ensino Fundamental. O projeto tem como objetivo tornar a ciência mais acessível e prática para os estudantes através da investigação e fomento ao protagonismo dos mesmos. Para tanto, a abordagem metodológica centrou-se no desenvolvimento de conhecimentos procedimentais de ciências, inspirada pela prática investigativa. Desde os primeiros encontros foram estabelecidas normas para o progresso do clube, a principal delas aborda que os temas dos encontros quinzenais seriam escolhidos a partir de propostas levadas pelos clubistas, através de um consenso entre eles e as atividades acerca do assunto planejadas e coordenadas pelos pibidianos, porém sempre com o foco da realização da atividade pelo estudante. Dentre as atividades realizadas, é possível citar desde a leitura de textos de apoio e fragmentos de artigos científicos, a confecção de mapas mentais e roteiros para vídeos de divulgação científica, a elaboração de perguntas para pesquisas, a confecção de questionários digitais e físicos para aplicação como instrumento de coleta de dados, até a análise e a confecção de lâminas de tecido muscular bovino com a utilização de corantes simples como azul de metileno para melhorar observação no microscópio. Os estudantes foram instigados constantemente durante os processos investigativos: no levantamento de hipóteses, nas leituras, na execução dos procedimentos, nos testes e nos ajustes necessários. Decorridos alguns meses desde a implementação do Clube de Ciências, observou-se uma nítida evolução no engajamento dos participantes do grupo dos 6º e 7º anos. A postura passiva está gradualmente sendo substituída por uma atitude de curiosidade ativa e colaboração, evidenciada quando os alunos passaram a testar novas hipóteses e formular perguntas que conectavam os experimentos com fenômenos do seu cotidiano. Os estudantes não apenas construíram artefatos, mas também propuseram assuntos, questionaram os resultados e passaram a se enxergar como agentes capazes de investigar o mundo ao seu redor. Entretanto no grupo dos 8º e 9º anos, a consolidação do protagonismo encontrou desafios como a infrequência e a baixa adesão dos estudantes. Nas reuniões iniciais do Clube de Ciências haviam apenas oito estudantes e já nos primeiros encontros as faltas e desistências foram alarmantes. Essa observação dialoga com os estudos na área da psicologia da educação, que apontam que estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental tendem a enfrentar um aumento da pressão acadêmica e social, o que pode impactar a participação em atividades extra curriculares (Bzuneck, 2001; Oliveira, 2010). Compreender este fenômeno tornou-se, portanto, um dos focos de reflexão do projeto. A partir disso estão sendo avaliadas estratégias para aumentar o engajamento dos estudantes dos 8º e 9º anos e a proposição de novas práticas. Apesar disso, nos encontros que tivemos, mesmo com poucos integrantes, foi possível trabalhar principalmente em assuntos relacionados à vida aquática, o que nos remetia ao rio Uruguai (rio que beira à cidade de Uruguaiana), conhecimentos esses que posteriormente irão embasar as pesquisas da feira de ciências da escola que tem como tema geral a vida marinha. Conclui-se, portanto, que a articulação entre os procedimentos e o pensamento científico no ambiente do Clube de Ciências é uma ferramenta potente para a construção do protagonismo estudantil. A experiência demonstra que, ao transformar problemas em projetos, é possível mover os alunos da teoria à bancada, consolidando um ensino de ciências significativo e duradouro, essencial à sua formação integral

    IV FEIRA DE CIÊNCIAS DO PAMPA: DIFUNDINDO CIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA

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    A Feira de Ciências do Pampa (FECIPAMPA) é um evento de abrangência estadual vinculado ao PROFECIPAMPA - Programa de Feiras de Ciências da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), que recebe trabalhos de Feiras de Ciências Integradoras, que são as realizadas nos Campi da Unipampa e de Feiras Afiliadas, realizadas por instituições de ensino público e privado com abrangência municipal, estadual, nacional ou internacional. Alguns dos objetivos da FECIPAMPA são, promover o desenvolvimento da ciência na comunidade onde a Unipampa está inserida, incentivar o instinto investigativo, o raciocínio científico e a capacidade de inovação dos alunos da educação básica, corroborando para a difusão do conhecimento e popularização das ciências, considerando as especificidades locais e regionais. O evento foi realizado de maneira remota, com os trabalhos sendo apresentados em forma de vídeo, expostos no canal do Youtube da FECIPAMPA. Os trabalhos podem ser de qualquer nível da Educação Básica e são divididos nas seguintes categorias: Ensino Infantil, Ensino Fundamental Anos Iniciais (do 1º ao 5º ano), Ensino Fundamental Anos Finais (do 6º ao 9º ano), Ensino Médio, Ensino Técnico Integrado (ETI), Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Inclusiva. A IV Feira de Ciências do Pampa contou com 130 trabalhos inscritos oriundos de 19 municípios do país. Dentre as Feiras de Ciências Integradoras participantes da quarta edição estão as feiras de ciências dos Campus: Alegrete, Bagé, Caçapava do Sul, Dom Pedrito, Itaqui e São Gabriel. As quatro Feiras Afiliadas foram: Feira de Ciências do Decolar e Naipce, de Nova Mutum/MT, Feira de Tecnologia Engenharias e Ciências do Mato Grosso do Sul (FETECMS), realizada no município de Naviraí (MS), Feira Brasileira de Iniciação Científica (FEBIC), de Pomerode (SC), e a Mostra Internacional de Ciências e Tecnologia, MOSTRATEC, ocorrida em Novo Hamburgo (RS). Dos 121 trabalhos apresentados, 14 foram da categoria Educação Infantil, 24 dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, 36 dos Anos Finais do Ensino Fundamental, 36 do Ensino Médio, 5 do ETI e 6 da EJA. As Feiras Integradoras inscreveram 113 trabalhos, enquanto que 8 (oito) trabalhos foram procedentes das Feiras Afiliadas. A avaliação dos trabalhos é realizada pela Comissão Avaliadora, formada por docentes e técnicos administrativos em educação que fazem parte das Comissões Organizadoras das Feiras de Ciências Integradoras ou convidados por elas. A avaliação ocorre a partir da análise do resumo enviado no ato da inscrição e do vídeo enviado após a homologação. Cada trabalho é avaliado por, no mínimo, dois avaliadores. A avaliação é composta por 40% da avaliação do resumo e 60% da avaliação do vídeo. Os dois trabalhos melhor avaliados receberam destaque da categoria. Também foram atribuídos os destaques do público externo, por categoria, a partir da contagem do número de curtidas do vídeo no canal do Youtube, sendo o número de comentários o critério de desempate. O destaque inclusivo foi conferido aos dois melhores trabalhos com participação de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e/ou altas habilidades/superdotação. Como premiação, os trabalhos destaques foram selecionados para representar a FECIPAMPA em feiras externas, e os integrantes dos trabalhos destaques da categoria Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio, contemplados com uma bolsa de Iniciação Científica Júnior - IC-Jr, proveniente do fomento recebido pelo PROFECIPAMPA através do CNPq. Todos os envolvidos nos trabalhos apresentados recebem certificados de participação. O projeto reforça a importância da educação científica e da popularização da ciência como ferramentas essenciais para o desenvolvimento educacional e o avanço da sociedade. O programa gera impacto tanto na Educação Básica, onde os objetivos propostos como o desenvolvimento do senso crítico, autonomia, pensamento lógico e o mais importante, o desenvolvimento do gosto pela ciência dos alunos, que são refletidos nas apresentações e preparo dos trabalhos. Já no ensino superior o programa reforça a importância da extensão universitária como ferramenta formadora de cidadãos com valores socioeducacionais sólidos. Destaca-se também o papel inovador do PROFECIPAMPA que tem como fundamento a integração de Feiras de Ciências e Mostras Científicas do Pampa e do estado como um todo

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