Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
Not a member yet
    25936 research outputs found

    Desvendando a Química por Meio de Estudos dos Cosméticos

    No full text
    O ensino de Química na educação básica enfrenta o desafio de aproximar conceitos abstratos e muitas vezes descontextualizados do cotidiano dos estudantes. Segundo Finger e Bedin (2019), a aprendizagem em química se torna mais significativa quando os conteúdos teóricos são relacionados com sua prática cotidiana, tornando seu entendimento mais real e verdadeiro. A presente sequência didática foi elaborada no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), com o objetivo de aproximar os conteúdos de Química da realidade cotidiana dos estudantes do Ensino Médio por meio da temática Química dos Cosméticos. A escolha deste tema partiu da observação de seu potencial para despertar o interesse dos alunos, ao conectar ciência, tecnologia e sociedade (CTS) de forma crítica e contextualizada. A sequência possui ao todo cinco aulas distribuídas entre teoria, investigação, prática e desenvolvimento de material complementar. Na primeira aula, o estudante será capaz de compreender os conceitos de cosméticos, distinguir cosméticos, medicamentos e produtos de higiene, além de refletir sobre sua relevância para a sociedade. Na segunda, deverá identificar os principais componentes químicos presentes nos cosméticos e relacioná-los às suas funções, como emulsificantes, conservantes, fragrâncias e corantes. A terceira aula abordará conceitos mais específicos de Química, permitindo que o estudante compreenda as propriedades físico-químicas dos cosméticos, o conceito de pH e sua importância para a formulação, além de medir e comparar o pH de diferentes produtos. A quarta aula, de caráter experimental, será realizada no laboratório com a elaboração de um creme hidratante. Nela, o aluno deverá reconhecer a função de cada ingrediente no preparo do cosmético, relacionar propriedades como solubilidade e emulsão ao processo de formulação, aplicar práticas básicas de segurança e manipulação, observar e descrever as transformações físico-químicas ocorridas e avaliar o produto final quanto à estabilidade e aparência. Na quinta e última aula, realizada no laboratório de informática, o estudante confeccionará um folder educativo sobre o cosmético produzido, aplicando conhecimentos químicos para explicar produtos do cotidiano, analisando riscos e cuidados no uso de substâncias e produzindo materiais explicativos com linguagem adequada ao público. A avaliação da sequência será realizada por meio de um questionário aplicado antes e após as aulas, a fim de diagnosticar os conhecimentos prévios e identificar os avanços na aprendizagem. No que se refere aos resultados esperados, a sequência didática tem potencial para aumentar o interesse dos alunos pelo estudo da Química, uma vez que utiliza como ponto de partida um tema de grande proximidade com o cotidiano. Espera-se que os estudantes sejam capazes de reconhecer a presença de compostos químicos em produtos de uso diário, compreender suas funções e refletir criticamente sobre os impactos sociais, econômicos e ambientais do consumo de cosméticos. Além disso, prevê-se o desenvolvimento de habilidades práticas e investigativas, como a análise de rótulos, a manipulação segura de substâncias em laboratório e a produção de materiais de divulgação científica. Em uma aplicação experimental, observou-se que os alunos demonstraram maior engajamento nas atividades práticas, participação ativa nas discussões e curiosidade em relacionar os conteúdos químicos com os produtos que utilizam no dia a dia. Conclui-se que a sequência didática Química dos Cosméticos cumpre seu papel de integrar conceitos químicos com situações reais, tornando o processo de ensino-aprendizagem mais dinâmico e significativo. A proposta valoriza a abordagem CTS ao estimular a reflexão crítica sobre o consumo e o descarte de cosméticos, promovendo uma formação científica que ultrapassa a memorização de conteúdos. Ademais, evidencia a importância do PIBID na formação inicial de professores, ao proporcionar experiências que aproximam o licenciando do ambiente escolar e fortalecem sua prática pedagógica. Como continuidade, sugere-se a aplicação de novas sequências didáticas com outros temas cotidianos, como reciclagem e medicamentos, de modo a consolidar a contextualização como eixo norteador no ensino de Química

    Sequência Didática com Simuladores Digitais: Uma Proposta para o Ensino de Química.

    No full text
    O ensino de química, especialmente no que se refere à estrutura da matéria e conceitos atômicos, apresenta-se muitas vezes como um desafio. Segundo Saldanha e Clemente (2021), a química é um conteúdo abstrato, de difícil compreensão e visualização. Neste contexto, torna-se necessário buscar alternativas didáticas capazes de aproximar o estudante do objeto de estudo, proporcionando uma experiência mais significativa. Uma das estratégias que torna-se cada vez mais relevante é a utilização de simuladores virtuais e educacionais, que além de serem materiais de fácil acesso, permitem a construção e visualização de fenômenos químicos de forma segura. Esse recurso favorece a compreensão de conceitos abstratos, facilitando o procedimento de aprendizagem mesmo com limitações estruturais, como por exemplo: a ausência de laboratórios de ciências devidamente equipados, a escassez de reagentes e materiais de segurança, a inexistência de salas de informática acessíveis a todos os estudantes, a falta de microscópios e equipamentos ou ainda a restrição de tempo para o desenvolvimento de experimentos práticos devido à carga horária reduzida da disciplina. Nessas circunstâncias, os simuladores surgem como alternativas viáveis, uma vez que permitem explorar virtualmente situações que, de outro modo, não poderiam ser realizadas em sala de aula. Considerando essa perspectiva, foi elaborada uma sequência didática (SD) no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) com o objetivo de introduzir o uso de simuladores no estudo dos modelos atômicos. A SD ocorrerá em três etapas com estudantes do primeiro ano do Ensino Médio de uma escola pública estadual de Bagé. No primeiro momento, será realizada uma aula expositiva dialogada, na qual serão apresentados os conceitos e a evolução histórica dos modelos atômicos, destacando os principais cientistas envolvidos e suas contribuições. Também serão abordadas as partículas subatômicas (prótons, nêutrons e elétrons), suas funções e importância na constituição da matéria. Durante essa aula, será construída coletivamente uma linha do tempo, organizada com as contribuições dos alunos. Para complementar a explicação, serão utilizadas analogias e representações gráficas no quadro, com o intuito de tornar os conceitos mais acessíveis e explícitos. Na etapa seguinte, será realizada uma segunda aula destinada à compreensão aprofundada dos modelos atômicos e à evolução da ideia de átomos. Para isso, será utilizado o simulador Monte um Átomo, disponível na plataforma PhET Interactive Simulations, permitindo que os alunos construam átomos virtualmente, visualizando suas estruturas. Por fim, a avaliação ocorrerá por meio da resolução de uma lista de 05 exercícios, distribuída aos alunos, de modo a verificar a assimilação dos conteúdos trabalhados, a compreensão dos conceitos discutidos e a capacidade de aplicá-los em diferentes situações. Essa sequência didática busca oferecer uma alternativa viável para o ensino de conceitos relacionados aos modelos atômicos, considerando a natureza abstrata dos conteúdos. Embora a atividade ainda não tenha sido aplicada, espera-se que sua implementação contribua para uma aprendizagem mais interessante e que os estudantes construam seu conhecimento de forma ativa. Além disso, a proposta pretende estimular o desenvolvimento de habilidades de análise e reflexão principalmente da evolução dos modelos atômicos. Assim, considera-se que essa sequência didática pode se tornar uma ferramenta pedagógica relevante, a ser futuramente aprimorada a partir da reflexão sobre sua aplicação prática

    Aula Prática Como Estratégia para o Ensino de Artrópodes: Uma Intervenção Pedagógica de Biologia

    No full text
    O filo Arthropoda constitui-se em um grupo de animais diversificados, ocupando diversos ambientes tanto terrestres, como aéreos e aquáticos, desempenhando papel fundamental para manutenção da biodiversidade. Dentre os artrópodes, podemos citar as classes Insecta (borboleta, gafanhoto, formiga e besouro), Arachnida (aranhas, escorpiões, ácaros, opiliões e carrapatos), Crustacea (siri, camarão, caranguejo e tatuzinho-de-jardim), Miriápodes (centopéia e piolho-de-cobra). Apesar da sua grande importância, muitos alunos os associam somente a animais peçonhentos e a pragas, gerando percepções negativas. Outro importante aspecto a ser discutido é que a anatomia desse filo acompanha suas necessidades fisiológicas para sobreviver em seu ambiente. Nesse contexto, as atividades práticas surgem como estratégia eficaz para evidenciar a importância e relevância ecológica desse filo e aproximar o aluno da realidade. Esse trabalho relata a aplicação de uma aula prática, a partir de uma intervenção pedagógica, unindo a teoria e a prática, com alunos do 3º ano do Ensino Médio de uma escola privada no município de São Gabriel - RS. O objetivo da atividade foi apresentar e discutir o filo Arthropoda, brevemente acompanhada da teoria composta por aula expositiva dialogada, aplicada com a prática para identificar características anatômicas e fisiológicas, relacionadas ao meio em que vivem, além de possibilitar a compreensão da diversidade presente. Durante a prática, foram apresentados representantes de diferentes classes de artrópodes como crustáceos (siri conservado em álcool e tatu-de-jardim), insetos mantidos em insetário, miriápodes (lacraia), Barata-de-Madagascar e algumas aranhas (sem interesse médico). A atividade foi organizada dentro do planejamento de uma intervenção pedagógica, permitindo que os alunos manipulassem os espécimes e observassem as estruturas anatômicas. Para tanto, os estudantes receberam uma tabela comparativa, preenchida durante o desenvolvimento da atividade no laboratório de Ciências da escola, a qual serviu também como roteiro para o desenvolvimento da intervenção proposta. Com isso, visou-se facilitar a identificação e observação de estruturas corporais dos artrópodes, relacionando-os aos seus ambientes e funções ecológicas. Além disso, a aula prática que foi utilizada contemplou o diagnóstico inicial, o planejamento e a execução, com uso do laboratório, que muitas vezes é pouco explorado. O que despertou a atenção dos alunos e tornou a aula prazerosa, seguida da avaliação da prática pedagógica para verificar a compreensão e o aprendizado obtido. Ao final da aula foi realizado um momento de feedbacks com a turma, a fim de verificar se a estratégia atingiu o objetivo de contextualizar melhor alguns animais que estão longe do nosso cotidiano, como os siris, por exemplo. Além de desmistificar a confusão comum, e frequente, de que aranhas pertencem ao grupo dos insetos. Os resultados demonstraram um grande interesse e engajamento, despertando curiosidade dos estudantes, ao ser possível a manipulação de diferentes espécimes, o que tornou o aprendizado concreto. É possível inferir que os estudantes conseguiram compreender melhor as semelhanças e diferenças entre os diferentes grupos, bem como os papéis que desempenham nos ambientes que habitam. A experiência relatada demonstra que a aula prática é um dos pilares significativos para o ensino de Biologia com temas complexos, como o filo Arthropoda. Além disso, representa uma potente via para ensinar e aprender Ciência, ao permitir que o estudante assuma o protagonismo de sua aprendizagem, por meio da reflexão-ação sobre o objeto cognoscível

    A Importância do Instagram na Divulgação do Pibid e Sua Conexão com a Comunidade Escolar

    No full text
    Este é um trabalho realizado no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Federal do Pampa - Campus Uruguaiana/RS, com o objetivo de analisar a utilização do Instagram como ferramenta estratégica para divulgar as ações desenvolvidas pelos bolsistas do PIBID na Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) José Francisco Pereira da Silva, localizada em Uruguaiana/RS. O PIBID é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que visa aproximar futuros docentes do ambiente escolar, promovendo o compartilhamento dos saberes teóricos da universidade, com os saberes práticos do chão da sala de aula, beneficiando os bolsistas, que compreendem as nuances de uma escola e beneficiando a escola, com novas metodologias e estratégias de ensino. O PIBID vem desenvolvendo várias ações na escola e as publica no Instagram - @pibid_jf. A escolha dessa plataforma justifica-se por sua ampla utilização entre a maioria da população, permitindo uma comunicação de fácil acesso e com muita visibilidade. Além disso, a rede social possibilita que a comunidade que não faz parte da academia, possa vislumbrar um pouco do trabalho realizado, fortalecendo o vínculo entre a universidade, a escola e a comunidade e, quem sabe, até mesmo inspirando os sujeitos que acompanham as postagens, tentar uma inserção no curso de Ciências da Natureza-licenciatura. As postagens no Instagram demonstram como a presença digital do PIBID ampliou o alcance do projeto, incentivando outras instituições a abordarem estratégias semelhantes. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, focando na análise do conteúdo publicado na página do Instagram dedicada ao PIBID na EMEB José Francisco. Foram examinadas postagens, imagens, legendas e métodos de engajamento (como curtidas, comentários, compartilhamentos e número de seguidores), coletadas por meio do painel profissional da plataforma. A interpretação dos dados considerou não apenas a quantidade de interações, mas também o impacto das publicações na percepção da comunidade escolar. A observação direta das reações do público permitiu avaliar como a divulgação digital contribuiu para a valorização do trabalho desenvolvido pelos bolsistas e para a aproximação com alunos, pais e outros educadores. Além disso, a criação do perfil no Instagram resultou em um aumento considerável na visibilidade do PIBID, contribuindo para que seja difundido em outros espaços fora da universidade. As publicações, que incluíam registros de atividades pedagógicas, depoimentos de alunos e informações sobre eventos escolares, alcançaram um público além do esperado, incluindo familiares, profissionais de outras instituições e interessados em educação. Os indicadores analisados revelaram um crescimento constante no número de seguidores e uma taxa relevante de engajamento, demonstrando que o conteúdo produzido era não apenas visualizado, mas também compartilhado e comentado. Além disso, a página serviu como modelo para outras escolas, que passaram a adotar estratégias semelhantes de comunicação digital, o que fez os próprios bolsistas melhorarem suas postagens, visto que a qualidade do que vai para as redes também é convertida em curtidas. Dessa maneira os bolsistas se qualificam no uso das ferramentas para a própria postagem. Ficou evidente que o Instagram mostrou-se uma estratégia eficaz na divulgação das ações do PIBID, fortalecendo a conexão entre a universidade e a comunidade escolar, dando amplitude ao próprio programa, que dessa maneira, se fortalece enquanto política pública. A plataforma contribui com o PIBID, uma vez que facilitou a disseminação de informações de forma interativa e atrativa, ampliando o reconhecimento do projeto e incentivando a participação de outros atores educacionais e contribuiu com os bolsistas no compromisso de alimentar a página, além da aprendizagem no uso de ferramentas adequadas para uma boa postagem. Os dados gerados pelas métricas do instagram evidenciam que o uso de redes sociais pode ser um diferencial na promoção de iniciativas pedagógicas, contribuindo para a valorização da educação básica e para o diálogo entre instituições de ensino e sociedade. Recomenda-se, portanto, que projetos semelhantes adotem estratégias digitais para potencializar seu alcance e impacto

    Ensino da Literatura Afro-brasileira no Pibid: Leitura de Vozes-mulheres e Formação Crítica Escolar

    No full text
    A literatura afro-brasileira configura-se como um campo de resistência, memória e afirmação identitária, desempenhando papel essencial no combate ao racismo estrutural e na valorização da diversidade cultural brasileira. Inserida no contexto escolar, especialmente no ensino público, ela se revela um recurso pedagógico capaz de ampliar a consciência crítica dos estudantes, fortalecendo vínculos identitários e sociais. Como afirma Cosson (2014, p. 23), a literatura é um direito e, como tal, precisa ser garantida a todos os alunos, independentemente de sua origem social. Nesse cenário, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) contribui significativamente para a inserção da literatura afro-brasileira no espaço escolar. Ao aproximar licenciandos da realidade da sala de aula, o programa favorece a criação de práticas inovadoras de ensino que dialogam diretamente com a realidade dos alunos da escola pública. Assim, o PIBID torna-se um elo entre teoria e prática, fortalecendo tanto a formação dos futuros professores quanto a aprendizagem dos estudantes. A proposta metodológica fundamenta-se no letramento literário crítico (COSSON, 2014) e na integração entre ensino, pesquisa e prática docente, princípios que orientam as ações do PIBID. No desenvolvimento da prática pedagógica realizada no Instituto Estadual de Educação Espírito Santo, com uma turma de 3º ano do ensino médio noturno, com alunas na faixa etária de idade entre 17 e 19 anos, foi trabalhada a leitura e análise do poema Vozes-Mulheres de Conceição Evaristo. O texto, que percorre gerações de mulheres negras e suas lutas, serviu como ponto de partida para discussões sobre identidade, memória e resistência. O poema traz versos como: A voz de minha bisavó ecoou criança nos porões do navio. A voz de minha avó ecoou obediência aos brancos-donos de tudo. A voz de minha mãe ecoou baixinho revolta no fundo das cozinhas alheias (EVARISTO, 2017, p. 45). Esses fragmentos foram debatidos em sala por meio de uma roda de conversa, na qual os alunos puderam relacionar o passado de opressão ao presente de luta por reconhecimento e protagonismo da mulher negra. Após a leitura e discussão coletiva, foi proposta a produção de um texto dissertativo-argumentativo com o seguinte tema: Produza um texto dissertativo-argumentativo em que você analise o papel da mulher negra na história e na sociedade brasileira, relacionando o passado de opressão e silêncio à sua luta atual por reconhecimento e protagonismo. Apresente propostas para ampliar a inclusão e a valorização das mulheres negras no Brasil contemporâneo. Essa atividade integrou leitura literária, reflexão crítica e prática de escrita, em consonância com as orientações da BNCC (BRASIL, 2018), que valoriza a produção textual como instrumento de formação cidadã. A prática realizada demonstrou resultados expressivos tanto no ensino de literatura quanto na formação crítica dos estudantes. Durante as rodas de conversa, percebeu-se o engajamento dos alunos, que compartilharam percepções sobre a presença da mulher negra em suas próprias famílias e comunidades. Além disso, na produção escrita, muitos destacaram a importância de reconhecer a luta das mulheres negras não apenas como herança histórica, mas como pauta urgente da sociedade contemporânea. O exercício de escrita dissertativo-argumentativa possibilitou que os estudantes desenvolvessem competências de análise, argumentação e proposição, alinhadas ao gênero exigido nos grandes exames nacionais, como o ENEM. Como ressalta Evaristo (2009, p. 29), a literatura negra é também um ato político, e essa prática evidenciou que o ensino literário pode dialogar diretamente com a formação crítica e cidadã dos alunos. Para os bolsistas do PIBID, a atividade significou a oportunidade de vivenciar o processo de ensino de forma prática e reflexiva, aprendendo a planejar e conduzir atividades que promovem tanto a valorização cultural quanto a formação acadêmica e social dos alunos. Conclui-se que a literatura afro-brasileira, ao ser trabalhada no ensino público com o suporte do PIBID, constitui um instrumento pedagógico potente de valorização cultural e transformação social. A experiência com a leitura de Vozes-Mulheres e a posterior produção de textos dissertativo-argumentativos demonstrou que o ensino literário pode formar leitores críticos e escritores conscientes, capazes de analisar a realidade e propor caminhos para a inclusão e a valorização das mulheres negras no Brasil. Como afirma Cosson (2014, p. 25), a leitura literária, na escola, deve ser uma prática de liberdade e não de submissão. Nesse sentido, o ensino da literatura afro-brasileira em escolas públicas reafirma o compromisso da educação com a construção de uma sociedade mais justa, plural e democrática

    Evasão Escolar na Escola Estadual de Ed. Básica Dr. Celestino Lopes Cavalheiro, São Gabriel, Rs.

    No full text
    O abandono/evasão escolar são expressões dos vários âmbitos da vida do estudante e da escola, portanto um desafio não somente para o campo da educação, mas para os diversos setores de atendimento ao público infanto-juvenil Nesse sentido, considera-se que o aprimoramento de políticas públicas passa por considerar e compreender de forma mais aprofundada as visões dos sujeitos implicados (Ramos e Gonçalves Jr.) A educação é um dos direitos fundamentais contemplados na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente ( Brasil, 1988 , 1990) A efetivação desse direito não consiste somente no acesso, mas também na permanência nas escolas Há uma diferença conceitual entre abandono e evasão escolar: o abandono ocorre quando o estudante deixa a escola antes do final do ano letivo, sendo possível que ele retorne no ano seguinte e matricule-se novamente; já a evasão acontece quando o estudante matriculado não conclui seus estudos naquele ano nem retorna nos anos seguintes ( Santos et al. , 2019 ) O projeto proposto ocorre em parceria com a Escola Estadual de Ed. Básica Dr. Celestino Lopes Cavalheiro buscando entender como os temas dos Direitos Humanos e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, em especial a evasão escolar, estão sendo contemplados no contexto desta instituição de ensino A metodologia adotada está pautada na Pesquisa ação (THIOLLENT, 2008), natureza qualitativa (MINAYO, 1994) e exploratória (VERGARA, 2006) Para tanto, foi utilizado o Design Thinking (IDEO, 2025) para a concepção da estruturação e finalização para as ações desenvolvidas. O Design Thinking possui quatro etapas distintas (IDEO, 2017), divergentes e congruentes, desenvolvidas em sala de aula e na comunidade, sendo elas: Imersão, Idealização, Prototipação e Implementação. Como resultados parciais, são mencionados i) a parceria firmada com a Escola Estadual de Ed. Básica Dr. Celestino Lopes Cavalheiro ; ii) inicialmente, foram realizadas rodas de conversa com a comunidade escolar para abordar os temas dos Direitos Humanos e dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável ; iii) a partir destas conversas junto à direção, coordenação e corpo docente, em conjunto com os alunos da disciplina de extensão, foram listadas as ações existentes na escola dentro destes dos temas; iv) posteriormente, a escola propôs sua dificuldade em manter o seu alunado e sugeriu que o tema da evasão escolar como ponto focal a ser analisado; iv) a partir desta demanda, por meio do Design Thinking, é prototipado e concebido um Encontro na Unipampa para a apresentação do que foi levantado na escola e apontar quais serão as próximas ações a fim de soluções para equalizar a evasão escolar. Desta forma, foram propostas visitas à Unipampa a fim de que os alunos da Escola possam ter acesso ao conhecimento dos cursos ofertados por esta Universidade; cursos de capacitação; organização de eventos, feiras temáticas; participação da Unipampa com a Escola para a organização da Semana da Consciência Negra, elaboração de pesquisas conjuntas para entender a conjectura da evasão escolar, dentre outras. A evasão e o abandono escolar representam um processo muito complexo, dinâmico e cumulativo de saída do estudante do espaço da vida escolar. Nesse sentido, o fracasso escolar implica uma visão contextualizada de ampla abordagem sistêmica para a sua compreensão. Este projeto desenvolve atividades articuladas entre a Universidade e a sua Comunidade de tal forma a ser um espaço de diálogo ativo para e na sociedade. Isto requer a prática educativa participativa e dialógica, que trabalhe a relação prática-teoria-prática, e na qual o cotidiano universitário esteja permeado pela vivência dos direitos humanos, desenvolvimento sustentável, em especial a evasão escolar. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente, Câmara dos Deputados. Diário Oficial da União, Brasília, DF, seção 1, ano 128, n. 135, p. 1, 16 jul. 1990. IDEO. Design Thinking para bibliotecas: um toolkit para design centrado no usuário. Tradução de Adriana Maria de Souza. FEBAB: São Paulo, 2017. Disponível em: http://repositorio.febab.org.br/items/show/1537. Acesso em: 07 ago. 2025. MINAYO, M. C. de S. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 1994. RAMOS, A.C.; GONÇALVES Jr, O. Abandono e evasão escolar sob a ótica dos sujeitos envolvidos. Educ. Pesqui., São Paulo, v. 50, e268037, 2024. SANTOS, Mariana Cristina Silva et al. Programa Bolsa Família e indicadores educacionais em crianças, adolescentes e escolas no Brasil: revisão sistemática. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 24, n. 6, p. 2233-2247, 2019. THIOLLENT, M. 2008. Metodologia da pesquisa-ação. 16. ed. Ed. Cortez, São Paulo. VERGARA, Sylvia C. Projetos e Relatórios de Pesquisa. São Paulo: Atlas, 2006

    Em meio à experimentação e aprendizagem científica: o Clube de Ciências vinculado ao PIBID

    No full text
    O Clube de Ciências da Emeb José Francisco Pereira da Silva, vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), estabelece-se como um espaço de aprendizagem por meio da experimentação, no qual os estudantes realizam experimentos e desenvolvem a capacidade de relacionar os conceitos científicos ao cotidiano. Os bolsistas PIBID são protagonistas desse espaço de aprendizagem, considerando que buscam práticas experimentais que corroboram com os objetos de conhecimento estudados na sala de aula regular conduzidos pela professora de Ciências. Além disso, o Clube é o espaço de fomentar e motivar os estudantes na sua participação para a feira de Ciências da escola, momento em que têm a oportunidade de mostrar suas aprendizagens para a comunidade escolar. Os procedimentos realizados são voltados para a investigação científica, uma vez que buscam instigar a curiosidade dos estudantes acerca do trabalho realizado. As atividades desenvolvidas, assim como por vezes, a própria observação, também contam com registros ou análises de dados por meio de vídeos disponibilizados na internet e escritas, possibilitando momentos de reflexão e discussão entre os estudantes e os bolsistas. Essas conexões, aliadas à elaboração de relatórios das experiências efetuadas no Clube, contribuem para a construção do pensamento científico, além de potencializar a revisão das temáticas e dos fundamentos trabalhados em sala de aula para consolidar uma aprendizagem com maior contextualização. Dentro dessa perspectiva, esse trabalho tem como propósito analisar os registros dos estudantes, bem como o seu discernimento ao discutir e abordar os assuntos que estão presentes nas investigações realizadas. Para tanto, toda quarta-feira, os estudantes participam do clube de Ciências no horário das 10h até meio-dia. A escolha do dia e horário aconteceu pelo fato de que nesse dia os estudantes têm suas aulas regulares das 8h até 10h, estando assim disponíveis para participarem do Clube. Cada participante é voluntário e com consentimento da família e, fazem parte da investigação a cada 15 dias, considerando a grande procura, sendo necessário que fossem divididos em dois grupos de sextos e sétimos anos. Assim, são levados a realizar dinâmicas laboratoriais interdisciplinares, com a oportunidade de executar de forma direta as atividades científicas propostas pelos bolsistas, ampliando os conceitos trabalhados em sala de aula, tornando a compreensão da ciência mais representativa e relevante. As aplicações contam com roteiro de atividade, execução e observação dos dados coletados, culminando com a argumentação coletiva do processo, para construção e integração de ideias. Ao analisar os registros dos estudantes é possível fazer uma reflexão da contribuição do Clube no desenvolvimento da escrita dos estudantes, bem como seu desempenho nas aulas regulares de Ciências, onde a professora consegue perceber um envolvimento mais produtivo nas suas aulas. É uma interpretação inicial, que configura um recorte direcionado para uma pesquisa maior, a ser escrita após uma análise mais aprofundada das evidências obtidas. A partir da análise inicial realizada, é possível perceber como o Clube de Ciências protagonizado pelo PIBID, vem se somando às aulas regulares dos estudantes, à excelência da feira de Ciências, bem como na formação dos bolsistas, uma vez que iniciam seu processo docente em um espaço onde todos os envolvidos são motivados mutuamente pelo conhecimento científico.

    Produção acadêmica e percurso formativo: desafios para o Trabalho de Conclusão de Curso

    No full text
    A escrita do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) marca um momento decisivo na vida universitária, pois demanda do estudante a articulação de habilidades ligadas à produção textual, ao raciocínio crítico e ao domínio metodológico. Apesar de sua relevância, essa etapa expõe fragilidades acumuladas durante a graduação. A ausência de práticas regulares de pesquisa e de estímulos à escrita científica nos períodos iniciais compromete a autonomia do discente e a qualidade do trabalho final, transformando o TCC em um obstáculo mais do que em uma síntese formativa. O objetivo deste estudo foi investigar de que maneira a produção acadêmica durante a graduação repercute no processo de elaboração do TCC, considerando aspectos metodológicos, textuais e organizacionais. A pesquisa foi delineada como qualitativa descritiva, com análise de dados coletados entre 2020 e 2025. Nesse intervalo, foram identificadas quatro categorias recorrentes de dificuldades enfrentadas pelos estudantes: (i) problemas de escrita; (ii) dificuldades de formatação; (iii) falhas na compreensão da estrutura do trabalho; e (iv) falta de organização para pesquisar. Essa classificação permitiu observar como lacunas formativas se materializam no momento em que o aluno precisa conduzir de forma autônoma uma investigação acadêmica. Os resultados indicaram que a dificuldade de escrita esteve fortemente associada à ausência de experiências com práticas de letramento acadêmico. Alunos sem esse contato relataram insegurança, bloqueios criativos e baixa capacidade de argumentação, confirmando análises de Botelho e Silva (2021), que vinculam fragilidade textual à falta de inserção em contextos de pesquisa. Já em relação à formatação, o desconhecimento das normas técnicas, sobretudo as da ABNT, foi relatado como fonte de atrasos e retrabalho, gerando dependência excessiva do orientador. Esse achado dialoga com Peixoto et al. (2014), que destacam a normalização como um dos pontos mais críticos para os concluintes. Outro ponto identificado foi a dificuldade em compreender a lógica estrutural do TCC. Estudantes sem vivência prévia com trabalhos acadêmicos apresentaram problemas na definição de objetivos, na divisão dos capítulos e na coesão entre as seções, o que se aproxima das observações de Petermann e Jung (2020) sobre a importância do contato anterior com práticas científicas para consolidar um raciocínio investigativo. Por fim, a falta de organização para pesquisar mostrou-se decisiva: muitos alunos não dominavam estratégias de busca e análise de fontes, resultando em trabalhos frágeis teoricamente. Leite e Borges (2024) reforçam que experiências em monitorias e grupos de pesquisa favorecem a aproximação do discente com métodos de investigação, ampliando sua capacidade de análise. Apesar dessas dificuldades, verificou-se que estudantes com histórico em projetos de iniciação científica, monitorias ou produção de artigos apresentaram maior confiança e autonomia. Esse grupo demonstrou melhor planejamento, maior domínio metodológico e mais facilidade para lidar com as normas acadêmicas, além de segurança na escrita. Tais constatações convergem com Martins, Bastos e Barreto (2023), que defendem a inserção precoce do aluno em práticas de pesquisa como fator de fortalecimento da autonomia intelectual. Conclui-se que a consolidação da formação investigativa desde os primeiros semestres é condição indispensável para reduzir dificuldades de escrita, de formatação e de organização metodológica. Estimular a produção científica na graduação não apenas prepara o discente para o TCC, mas favorece a construção de competências críticas e investigativas que impactam sua inserção acadêmica e profissional. Instituições de ensino superior que investem em oficinas de escrita, iniciação científica e práticas contínuas de pesquisa ampliam as chances de que o TCC cumpra seu papel formativo, deixando de ser apenas uma exigência burocrática e assumindo a função de síntese e maturidade acadêmica

    Relato de Experiência do Pibid na Escola Indígena: Ciclo Hidrológico

    No full text
    A Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental Gomercindo Jete Tenh Ribeiro, localizada no município de Tenente Portela, Rio Grande do Sul, caracteriza-se por sua forte ligação com a comunidade indígena local e por sua busca constante em oferecer uma educação integral, contextualizada e significativa. Atendendo aproximadamente 200 estudantes, a instituição desenvolve práticas pedagógicas que valorizam a cultura indígena e, ao mesmo tempo, aproximam os alunos do conhecimento científico, promovendo a integração entre saberes tradicionais e saberes acadêmicos. Nesse cenário, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vinculado à Universidade Federal do Pampa (Unipampa) Campus Dom Pedrito, possibilitou aos acadêmicos do curso de Educação do Campo vivenciarem a prática pedagógica na Educação Básica. A experiência proporcionou não apenas a construção de conhecimentos científicos, mas também a compreensão das especificidades culturais da escola indígena, reforçando a importância de metodologias inovadoras que articulem teoria e prática no ensino. O presente relato descreve uma experiência desenvolvida nas turmas finais do Ensino Fundamental, na disciplina de Ciências, cujo tema central foi o ciclo hidrológico. O objetivo desta ação foi oportunizar aos estudantes da Escola Indígena Gomercindo Jete Tenh Ribeiro a compreensão prática e contextualizada do ciclo hidrológico, destacando a importância da água para a manutenção da vida e a necessidade de preservação ambiental. A atividade foi planejada de forma colaborativa, envolvendo pibidianos, professores e estudantes da escola. Optou-se por uma abordagem prática-experimental, de baixo custo, que permitisse aos estudantes visualizar os processos do ciclo da água de maneira concreta e participativa. Foram construídos mini sistemas hidrológicos utilizando materiais acessíveis, como garrafas PET, terra, água e plantas. Esses sistemas simulavam os fenômenos de evaporação, condensação, precipitação e infiltração, permitindo que os estudantes observassem diretamente o movimento da água em seus diferentes estados e interações com o ambiente. Os estudantes foram organizados em grupos, o que favoreceu a cooperação, o diálogo e o desenvolvimento de habilidades sociais. Cada grupo ficou responsável por montar, observar e registrar os experimentos. Para o registro, foram utilizados celulares e Chromebooks disponibilizados pela escola, possibilitando a produção de fotos, vídeos e anotações. Além disso, os estudantes realizaram pesquisas complementares em sites e materiais digitais, aprofundando seus conhecimentos e relacionando-os ao contexto de preservação ambiental. A metodologia também contemplou momentos de diálogo coletivo, nos quais os pibidianos instigaram os alunos a refletirem sobre a importância da água em suas comunidades e sobre práticas sustentáveis de uso desse recurso. Os resultados obtidos foram bastante significativos, tanto no aspecto cognitivo quanto no socioemocional. Durante a execução da atividade, os alunos demonstraram entusiasmo, curiosidade e engajamento. A possibilidade de manipular os materiais e observar diretamente os fenômenos despertou maior interesse pelo conteúdo de Ciências, tornando a aprendizagem mais dinâmica e participativa. No aspecto científico, os estudantes ampliaram sua compreensão acerca do ciclo hidrológico, reconhecendo a importância dos processos de evaporação, condensação, precipitação e infiltração. Também refletiram sobre a relevância da água para os ecossistemas e para a vida humana, associando o conteúdo estudado às questões de sustentabilidade e preservação ambiental. Como produto final, os materiais construídos e os registros gerados foram expostos em murais da escola e em eventos de divulgação científica, ampliando o alcance do projeto para além da sala de aula. A construção dos mini sistemas hidrológicos possibilitou que os estudantes visualizassem e compreendessem de forma prática os processos do ciclo da água, ao mesmo tempo em que refletiam sobre a importância da preservação ambiental em suas próprias realidades. Para nós, acadêmicos do curso de Educação do Campo, a atividade representou uma oportunidade valiosa de inserção na escola indígena, permitindo compreender suas especificidades culturais e refletir sobre práticas pedagógicas contextualizadas. O PIBID, nesse sentido, reafirmou seu papel fundamental como elo entre a formação inicial docente e a realidade escolar, contribuindo para o desenvolvimento de professores críticos, reflexivos e comprometidos com uma educação transformadora. Conclui-se que ações como esta fortalecem não apenas o processo de ensino-aprendizagem dos alunos da Educação Básica, mas também a formação dos futuros docentes. Além disso, contribuem para o diálogo intercultural, para a valorização da identidade indígena e para a construção de uma escola mais inclusiva, crítica e cidadã. Palavras-chave: ciclo hidrológico, PIBID, prática pedagógic

    Percepções de estudantes do Ensino Médio sobre metodologias de ensino

    No full text
    A presente pesquisa tem como objetivo compreender de que forma estudantes do Ensino Médio de uma escola da rede estadual da cidade de Bagé/RS percebem as metodologias de ensino utilizadas em sala de aula, especialmente no que se refere à sua eficácia, à capacidade de motivar os discentes e ao incentivo à participação ativa no processo de aprendizagem. O estudo parte do reconhecimento de que a educação tradicional, ainda predominante em muitas instituições, se caracteriza pela centralidade no professor e pelo foco excessivo na exposição de conteúdos e na reprodução de anotações, elementos frequentemente apontados como limitadores do engajamento estudantil. Nesse contexto, buscou-se investigar como os alunos interpretam tais práticas, quais críticas apresentam e que alternativas consideram mais eficazes para a construção de uma aprendizagem significativa. A abordagem metodológica adotada foi qualitativa, de caráter descritivo, tendo como principal instrumento de coleta de dados a aplicação de entrevistas semiestruturadas com estudantes do Ensino Médio. No total, foram obtidas cem respostas, posteriormente organizadas e analisadas a partir da identificação de categorias emergentes nas falas, o que permitiu compreender as percepções e expectativas dos sujeitos participantes. Os resultados revelam uma visão majoritariamente crítica em relação às metodologias de ensino vivenciadas. Muitos estudantes relataram que as aulas tendem a ser excessivamente repetitivas e pouco estimulantes, caracterizadas pelo uso intensivo de slides e pela escassez de explicações claras e contextualizadas. Além disso, foram destacadas queixas quanto à ausência de interação efetiva, ao distanciamento entre professores e alunos e, sobretudo, ao desinteresse docente, que impacta diretamente a motivação discente. A percepção de que o processo de ensino-aprendizagem se restringe, em grande medida, a práticas expositivas tradicionais, gerou um sentimento de frustração e de falta de vínculo com o conteúdo abordado em sala. Apesar dessas críticas, os estudantes também reconheceram a importância e os impactos positivos de metodologias mais dinâmicas e participativas. Foram citadas, de modo recorrente, experiências em que o uso de tecnologias, a realização de trabalhos em grupo, a organização de debates e a execução de projetos práticos favoreceram maior envolvimento com as atividades escolares. Alguns alunos relataram vivências especialmente marcantes com jogos educativos, feiras temáticas e palestras, destacando que tais iniciativas contribuem para uma aprendizagem mais atraente e significativa. Esse contraste evidencia que os discentes reconhecem o potencial de metodologias inovadoras e, mesmo sem conhecerem formalmente o conceito de metodologias ativas, identificam intuitivamente seus princípios quando descritos. Nesse sentido, compreendem que tais metodologias correspondem a abordagens pedagógicas centradas no estudante, alinhadas a concepções construtivistas e sociointeracionistas, que visam promover a aprendizagem por meio da participação, da colaboração, da investigação e da resolução de problemas. Nessas práticas, o professor assume o papel de mediador, estimulando a autonomia intelectual, o pensamento crítico e a aplicação prática dos conhecimentos em situações reais. Essa perspectiva, ainda pouco difundida no cotidiano escolar investigado, revelou-se como uma possibilidade concreta de superar os limites das aulas expositivas tradicionais, aproximando a escola da realidade dos estudantes e das exigências do mundo contemporâneo. As conclusões do estudo reforçam, portanto, a necessidade de repensar o fazer pedagógico, reconhecendo a importância da escuta ativa das vozes discentes e da incorporação de estratégias que valorizem a experiência do aluno no processo de ensino-aprendizagem. Defende-se que a inovação metodológica, associada à formação continuada dos professores, à revisão crítica das práticas escolares e à construção de ambientes mais inclusivos, colaborativos e motivadores, constitui caminho essencial para uma educação mais humanizada. Ao valorizar a perspectiva dos estudantes, abre-se espaço para práticas pedagógicas mais próximas da realidade, capazes de gerar maior sentido ao aprender e de preparar os jovens para desafios futuros. Nesse contexto, a adoção das metodologias ativas se apresenta não apenas como alternativa promissora, mas como necessidade urgente para transformar o ensino em uma experiência mais significativa, engajadora e prazerosa para todos os envolvidos

    0

    full texts

    25,936

    metadata records
    Updated in last 30 days.
    Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
    Access Repository Dashboard
    Do you manage Open Research Online? Become a CORE Member to access insider analytics, issue reports and manage access to outputs from your repository in the CORE Repository Dashboard! 👇