Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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Materiais Manipuláveis em Sala de Aula: Um Relato de Experiência do Pibid
O uso de materiais manipuláveis em sala de aula apresenta-se como uma estratégia pedagógica que busca promover engajamento dos alunos no processo de aprendizagem e compreensão de conteúdos matemáticos que, muitas vezes, são vistos pelos estudantes como de difícil entendimento. Em uma turma de segundo ano do ensino médio de uma escola pública de Caçapava do Sul RS, no âmbito das atividades desenvolvidas pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), foi planejada e executada uma sequência didática orientada ao estudo de progressão aritmética, mais especificamente à construção e interpretação de gráficos. A proposta foi construída para atender a demanda do currículo escolar de abordagem das diferentes representações de sequências do tipo progressão aritmética. Ao considerar que alguns estudantes da turma apresentavam dificuldade em traçar e interpretar gráficos e levando em conta que o tempo destinado às aulas é limitado, buscou-se uma alternativa que pudesse facilitar a compreensão dos alunos e otimizar o uso do tempo em sala. Nesse contexto, foram confeccionados gráficos manipuláveis, impressos em folhas no formato A3 e colados sobre chapas de isopor do mesmo tamanho, com quadriculado pronto para o uso e pontos marcados por alfinetes, possibilitando que os estudantes construíssem retas com o auxílio de barbantes, sem a necessidade de desenhar manualmente todos os elementos. Com objetivo de otimizar os recursos materiais disponíveis, optou-se por realizar a atividade em grupos, sendo a turma dividida em três equipes, cada uma com aproximadamente cinco integrantes. Cada equipe recebeu um kit composto por um gráfico manipulável, uma lista de exercícios, papéis quadriculados para quem preferisse desenhar, alfinetes e barbantes. As atividades propostas incluíam desde a representação de diferentes progressões aritméticas no gráfico, até a representação de termos específicos e o encontro da fórmula geral de determinadas sequências. A realização da atividade foi antecedida por uma aula teórica, na qual foram apresentados conceitos fundamentais sobre gráficos de progressões aritméticas e estabelecidas relações com funções afins, conteúdo já estudado no ano anterior. Essa etapa introdutória foi importante para que os alunos percebessem as semelhanças entre os dois tipos de gráficos e compreendessem a dinâmica da atividade. Durante o desenvolvimento da prática, os bolsistas do PIBID acompanharam cada grupo, orientando, esclarecendo dúvidas e mobilizando a participação. Observou-se que os estudantes demonstraram interesse e envolvimento na atividade, participando das discussões e da manipulação do material, ainda que com diferentes níveis de autonomia. Pode-se considerar que a atividade contribuiu para uma aprendizagem significativa, pois uma das condições para essa ocorrência é que o aluno esteja ativamente envolvido no processo de aprendizagem. Entre as dificuldades recorrentes, destacou-se a confusão em identificar os eixos x e y, bem como o significado de determinados pontos no gráfico. No entanto, de forma geral, verificou-se que a utilização dos gráficos manipuláveis contribuiu significativamente para o processo de ensino-aprendizagem, proporcionando uma experiência diferenciada em relação às aulas convencionais, que costumam se restringir à exposição no quadro. Os materiais manipuláveis facilitam a conexão entre o real e o simbólico, promovendo a aprendizagem por meio da experimentação. A atividade permitiu que os estudantes operassem de maneira concreta, uma interface com conceitos abstratos, além de mobilizar o trabalho em equipe e a troca de ideias entre colegas. Conclui-se, portanto, que o uso de materiais manipuláveis potencializa o engajamento no processo de ensino-aprendizagem. Este engajamento ganha novos contornos quando articulada ao contexto da iniciação à docência proporcionado pelo PIBID, que busca aproximar futuros professores da realidade escolar e incentivar a construção de práticas inovadoras. Assim, a experiência vivenciada não apenas favoreceu o aprendizado dos estudantes, mas também contribuiu para a formação docente dos bolsistas envolvidos, ao possibilitar a reflexão sobre metodologias diferenciadas e seu impacto no processo educativo
Gamificação Desplugada em Matemática: Uma Experiência com Frações Geratrizes no Ensino Fundamental
A gamificação é uma estratégia que utiliza elementos típicos de jogos para tornar a aprendizagem mais interessante e participativa. Na intervenção descrita neste resumo, a gamificação foi aplicada de forma desplugada, ou seja, com materiais físicos, o que torna a proposta acessível a qualquer escola, mesmo sem laboratório de informática ou internet. De acordo com Karl Kapper, gamificar não é apenas dar pontos aos alunos, mas criar experiências envolventes, com desafios, regras claras e feedback imediato. Essa estratégia ajuda a desenvolver a autonomia, a competência e o relacionamento entre colegas. A versão desplugada permite que a atividade ocorra por meio de trocas e interações diretas entre os estudantes. A experiência prática, realizada com 25 alunos do 8º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública municipal de Caçapava do Sul, RS, teve por objetivo revisar frações geratrizes e suas respectivas dízimas periódicas, conteúdo já estudado anteriormente, mas sobre os quais os alunos ainda apresentavam dúvidas e dificuldades. A atividade utilizou um jogo de tabuleiro Trilha das Frações Geratrizes, como estratégia de gamificação desplugada, ou seja, sem o uso de recursos digitais. Desenvolvida por bolsistas do Programa Institucional de Iniciação à Docência - PIBID, a proposta uniu elementos lúdicos, pensamento computacional e resolução colaborativa de problemas. Durante o jogo, os alunos decompuseram problemas, separando a conversão da dízima periódica para a fração geratriz; reconheceram padrões numéricos nas dízimas periódicas para identificar a fração correspondente; aplicaram um algoritmo para transformar dízimas periódicas simples e compostas em frações geratrizes. O jogo foi planejado e construído especialmente para a aula, com os seguintes elementos: Tabuleiro: colorido, com uma trilha numerada e algumas casas especiais (avançar ou retroceder); Cartas de perguntas: cada carta trazia um problema envolvendo a identificação da fração geratriz a partir de uma dízima periódica, com enunciado e instruções extras (como avançar ou voltar casas); Materiais: peões coloridos, dado e envelope com as cartas. Os alunos foram divididos em quatro grupos. Cada grupo recebeu seu próprio conjunto de jogo. O jogador lançava o dado e avançava as casas correspondentes. O grupo sorteava uma carta e todos resolviam a questão individualmente no caderno. Depois, o grupo discutia a resposta e chamava os bolsistas para fazer a conferência. Se acertassem, podiam jogar novamente. Se errassem, sofriam uma penalidade (ficar parado ou voltar casas). Ganhava o grupo que chegasse primeiro ao final da trilha. Durante a atividade: o clima foi de competição saudável, com risadas e comemorações a cada avanço. Mesmo os alunos mais tímidos participaram, ajudando o grupo a resolver problemas que envolviam encontrar a fração geratriz de uma dízima periódica. Em alguns momentos, houve debate sobre a melhor forma de resolver um exercício, o que incentivou a argumentação matemática. Quando um grupo errava, outro grupo aproveitava para reforçar o próprio raciocínio, comparando métodos. O jogo durou cerca de 60 minutos, e todos os grupos conseguiram terminar a trilha. Os resultados mostraram que a atividade desplugada aumentou a participação, a motivação e a compreensão do conteúdo. O formato lúdico ajudou a fixar o algoritmo de conversão da dízima periódica para a fração geratriz, pois os alunos repetiram o procedimento várias vezes ao longo da partida. A cooperação dentro dos grupos fez com que todos aprendessem, independentemente do nível inicial de conhecimento. Além disso, a gamificação trouxe energia positiva para a aula, transformando a revisão em uma experiência divertida e produtiva. A gamificação desplugada se mostrou uma estratégia eficiente para revisar conteúdos e aumentar a participação dos alunos, pois combina diversão, desafio e colaboração, o que ajuda a manter o interesse e melhora a compreensão de frações geratrizes e dízimas periódicas. A proposta pode ser adaptada para outros temas da Matemática, como porcentagem ou equações, sempre com o cuidado de adequar o jogo com os objetivos pedagógicos
Parque Natural Municipal Bioma Pampa-uruguaiana: Um Mergulho na Biodiversidade S Margens do Rio Uruguai
O Parque Natural Municipal Bioma Pampa, localizado no distrito de São Marcos, em Uruguaiana, é o único espaço de conservação ambiental do município e desempenha um papel fundamental tanto na valorização do bioma quanto na educação ambiental. Ao abrigar uma diversidade de ecossistemas proporciona o contato direto com a biodiversidade da região e evidencia a importância de conscientizar a população sobre a necessidade de preservação ambiental. Nesse contexto, o Grupo de Estudos e Extensão Movimento e Ambiente GEEMA, da Universidade Federal do Pampa, realizou uma expedição em 2025 à Trilha da Formosa, atividade que integrou ações de pesquisa e extensão voltadas à observação do ambiente e dos impactos resultantes da ação humana no território. A atividade iniciou com o deslocamento até o distrito de São Marcos, seguido da caminhada pelo percurso que leva até a Praia de Formosa. No entanto, devido às condições do solo encharcado e à presença de lama em grande parte do trajeto, não foi possível concluir a trilha até seu ponto final. Durante reuniões do GEEMA são realizadas leituras de obras selecionadas pelo Docente responsável, entre as quais se destaca o Vingança de Gaia de James Lovelock nesta obra o autor discute a hipótese de que a terra responde aos desequilíbrios ambientais provocados pelas ações humanas, estabelecendo um sistema que evidencia a fragilidade da relação entre sociedade e natureza. Esta perspectiva pode ser percebida de maneira prática durante a realização da trilha da formosa, em que foram observados sinais de enchentes, desmatamento e alagamento de certas regiões. O GEEMA permite vivenciar na prática as leituras e discussões que são realizados no projeto de pesquisa e extensão, como vimos na relação entre as teses de Lovelock e os impactos observados na Trilha da Formosa Durante o trajeto, foram identificados sinais das cheias do Rio Uruguai, como vegetação acumulada sobre cercas e solos encharcados, além da constatação da utilização irregular de áreas de mata para plantio, prática proibida dentro de espaços de conservação, observou-se também um aumento desta prática ao decorrer dos anos em comparação com expedições anteriores. Esse quadro local tem relação com com os dados do Map Biomas de 2023, que apontam uma perda de cerca de 20% dos pastizales do Pampa entre 1985 e 2022, sobretudo em função da expansão agropecuária. Neste sentido, propostas legislativas recentes, como o Projeto de Lei nº 2159/21, que flexibiliza a proteção da vegetação nativa do Bioma Pampa, podem agravar a degradação ambiental já identificada em campo, reforçando a necessidade de fiscalização, conscientização e valorização de unidades de conservação como o Parque Natural Municipal Bioma Pampa. Apesar disto a experiência também permitiu ver a importância da beleza singular do Parque Natural Municipal Bioma Pampa, a diversidade das paisagens, a presença de diferentes formas de vida e o contato direto com a natureza com reflexões e caminhada reforçam o valor desse espaço não apenas como local de pesquisa e extensão, mas também como patrimônio ambiental e cultural do Rio Grande Do Sul. Além disso, a experiência tornou mais visíveis os desafios que envolvem a conservação do Bioma Pampa, um território ainda pouco representado em unidades de proteção e cada vez mais pressionado pela expansão das atividades agropecuárias. Nesse cenário, iniciativas como a Trilha da Formosa mostram-se fundamentais, pois aproximam a universidade e a comunidade, fortalecendo vínculos e transformando o conhecimento científico em vivência prática. Ao mesmo tempo, reforçam a importância da preservação do patrimônio natural e cultural do Pampa e despertam uma consciência coletiva voltada à sustentabilidade em Uruguaiana e em toda a região
A GEOPOLÍTICA DA CORRIDA ESPACIAL: UMA PROPOSTA DIDÁTICA SOBRE A GUERRA FRIA
O presente trabalho relata e analisa uma experiência pedagógica desenvolvida na disciplina de Geografia do curso Técnico em Meio Ambiente do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) - Campus Bagé, que utilizou a minissérie From the Earth to the Moon (1998) como recurso didático para aprofundar a compreensão da organização do espaço mundial no Pós-Guerra. A iniciativa buscou transcender a abordagem expositiva tradicional sobre a Guerra Fria, oferecendo aos discentes um estudo de caso imersivo sobre como a disputa geopolítica entre Estados Unidos e União Soviética extrapolou as fronteiras terrestres, transformando o espaço sideral em uma arena de competição tecnológica e ideológica. A relevância da proposta reside em conectar um conteúdo fundamental da Geografia com a formação técnica em Meio Ambiente, ao demonstrar como grandes projetos de Estado, impulsionados por fatores políticos, redefinem as fronteiras da ciência, da tecnologia e do próprio espaço geográfico, gerando legados que impactam a sociedade contemporânea, incluindo as tecnologias de monitoramento ambiental. A metodologia adotada consistiu na exibição de episódios selecionados da série, seguida por debates mediados em sala de aula e pela produção de registros escritos individuais, nos quais os alunos expressaram suas percepções e análises. O material selecionado abrangeu momentos cruciais do Programa Apollo, desde o discurso de John F. Kennedy, que estabeleceu o desafio lunar como meta nacional, passando pela tragédia da Apollo 1, que evidenciou os riscos do empreendimento, até o pouso histórico da Apollo 11, que simbolizou o ápice da conquista norte-americana. A análise qualitativa dos registros discentes, que serviram como fonte primária para esta pesquisa, foi realizada por meio da identificação de temas recorrentes, permitindo avaliar a eficácia da abordagem na construção de saberes críticos. Os resultados obtidos foram significativos e evidenciam uma profunda assimilação dos conceitos centrais da unidade curricular sobre o Mundo Bipolar. Os estudantes identificaram com clareza a corrida espacial não como um evento isolado, mas como um grande conflito entre URSS (União Soviética) e EUA (Estados Unidos) por seus modelos econômicos, conforme expresso em seus textos. A análise de suas anotações revela que eles compreenderam o espaço como um novo território em disputa, onde a supremacia tecnológica funcionava como um instrumento de poder e propaganda no cenário da Guerra Fria. A percepção sobre a dimensão estatal do projeto, com menções a prazos e orçamentos dados pelo governo, demonstra o entendimento da complexa articulação entre poder político, investimento público e avanço científico-tecnológico. Além disso, os alunos foram capazes de articular o peso simbólico da missão, reconhecendo o famoso pequeno passo como um grande salto não apenas tecnológico, mas geopolítico, consolidando a hegemonia de um dos polos de poder. A experiência demonstrou que a utilização de uma narrativa audiovisual complexa foi capaz de traduzir o conceito abstrato de Geopolítica Mundial em uma trama histórica tangível e humana, facilitando a compreensão das dinâmicas de poder que moldaram o século XX. Em síntese, a abordagem pedagógica provou ser altamente eficaz para o desenvolvimento de uma compreensão crítica sobre como os conflitos políticos e ideológicos são motores de transformações científicas e territoriais. A atividade fomentou competências analíticas essenciais para os futuros técnicos em Meio Ambiente, que precisarão compreender as raízes históricas e políticas das tecnologias que utilizam. A continuidade de práticas que integram recursos midiáticos ao ensino de Geografia se apresenta como uma perspectiva promissora para engajar os estudantes e aprofundar a análise das complexas relações entre sociedade, técnica e espaço
Atendimento Aos Alunos Atípicos com Laudos e em Processo de Triagem na Sala de Atendimento Educacional Especializado (aee).
Durante o ano de 2025, a sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE) tem se configurado como um espaço fundamental para a promoção da inclusão e do desenvolvimento pedagógico de alunos com laudos diagnósticos já definidos, bem como daqueles que se encontram em processo de triagem, de modo a assegurar que cada estudante tenha suas especificidades respeitadas e suas potencialidades estimuladas em um ambiente acolhedor e estruturado para atender às suas necessidades; nesse contexto, a atuação dos pibidianos, sob supervisão direta e contínua da professora responsável pelo AEE, revela-se de grande relevância, pois são eles que realizam a busca dos alunos em suas respectivas turmas regulares, conduzindo-os até o espaço especializado para a execução das atividades planejadas, as quais são cuidadosamente pensadas para ir além de um simples atendimento pedagógico, constituindo-se em estratégias intencionais que visam estimular habilidades cognitivas, motoras, sociais e emocionais; o trabalho realizado contempla uma diversidade de propostas, incluindo jogos que favorecem o raciocínio lógico, atividades lúdicas que promovem a interação entre pares, brincadeiras que despertam o prazer em aprender e materiais pedagógicos confeccionados pelos próprios pibidianos, muitas vezes adaptados ou personalizados de acordo com a realidade de cada aluno, garantindo assim maior efetividade no processo de ensino-aprendizagem; esses materiais, que variam desde recursos visuais até instrumentos de apoio tátil e manipulativo, são fundamentais para despertar a curiosidade, facilitar a compreensão de conteúdos e proporcionar experiências concretas que colaboram com a construção do conhecimento de forma significativa; além disso, as propostas elaboradas não se restringem a aspectos puramente acadêmicos, mas abrangem também momentos de socialização, nos quais as crianças são estimuladas a interagir umas com as outras, compartilhar experiências, desenvolver vínculos afetivos e compreender a importância do respeito às diferenças, criando um ambiente em que a convivência se torna um aprendizado diário; cabe destacar que a professora do AEE exerce papel indispensável nesse processo, uma vez que sua orientação constante aos pibidianos possibilita a elaboração de estratégias mais assertivas, assegurando que as práticas estejam alinhadas às diretrizes da educação inclusiva e aos princípios que norteiam o atendimento especializado; a parceria entre pibidianos e professora resulta em uma atuação dinâmica e colaborativa, em que a troca de experiências, reflexões e ajustes contínuos permitem que o trabalho esteja sempre em aprimoramento; outro ponto importante refere-se ao olhar sensível que permeia todas as ações desenvolvidas: cada aluno é visto como sujeito único, com histórias, ritmos e modos de aprender diferentes, o que exige dos pibidianos não apenas criatividade na elaboração das propostas, mas também empatia e escuta atenta às necessidades manifestadas pelas crianças durante os atendimentos; assim, a sala de AEE não se configura apenas como um espaço físico, mas como um ambiente simbólico de valorização da diversidade, no qual o objetivo maior é garantir que todos os estudantes, independentemente de suas condições, tenham acesso a oportunidades de aprendizagem que contribuam para seu pleno desenvolvimento e para a construção de sua autonomia; as atividades, portanto, vão muito além de um caráter compensatório, assumindo um papel essencial na promoção da equidade dentro do espaço escolar, uma vez que possibilitam que as crianças compreendam e vivenciem que aprender é um direito de todos e que cada pessoa pode contribuir com suas singularidades para o enriquecimento coletivo; ao longo do ano, percebe-se que os atendimentos realizados na sala de AEE repercutem diretamente na sala de aula regular, pois os avanços observados nas habilidades dos alunos, como maior concentração, melhor organização nas tarefas, desenvolvimento da linguagem, ampliação do repertório de conhecimentos e fortalecimento de vínculos sociais, refletem-se em sua participação nas atividades cotidianas da turma, fortalecendo também a parceria entre professoras regulares e a equipe do AEE; desse modo, o atendimento aos alunos atípicos com laudos e em processo de triagem em 2025 tem se mostrado não apenas uma ação pontual, mas parte de um projeto educativo maior, que reconhece a importância da inclusão, do respeito às diferenças e da construção de uma escola verdadeiramente democrática, onde cada sujeito tem vez, voz e espaço para aprender e ensinar, numa caminhada coletiva que reafirma o compromisso com uma educação de qualidade e com a formação integral dos estudantes
Frankenstein em sala de aula: leitura, discussão e gamificação no ensino de Língua Inglesa
O presente trabalho relata a experiência vivenciada por alunos da 3ª série do Ensino Médio em aulas de Língua Inglesa, centradas na leitura do livro Frankenstein, de Mary Shelley, e na produção de jogos educativos baseados no enredo da obra. Para a estudante, a escolha do livro representou não apenas um desafio linguístico, mas também uma oportunidade de mergulhar em discussões sobre temas universais, como ética, responsabilidade, identidade e relações humanas, percebendo a língua inglesa como meio de acesso à cultura, à reflexão crítica e à expressão pessoal. A experiência iniciou-se com a leitura orientada de capítulos selecionados semanalmente. Durante essas atividades, foram identificados personagens, o desenvolvimento do enredo e analisados os conflitos e elementos narrativos centrais. Esse momento foi essencial para a compreensão da narrativa e percepção das relações causais e significados implícitos, tornando a leitura mais envolvente e significativa. Cada capítulo lido se transformava em um convite à interpretação e à discussão em grupo, estimulando a troca de ideias e a reflexão coletiva sobre o conteúdo e suas implicações culturais e sociais. A tradução colaborativa de trechos do livro constituiu uma etapa desafiadora e muito enriquecedora. Ao discutir possíveis equivalências semânticas e sintáticas, enfrentamos dificuldades e aprendemos a buscar soluções que mantivessem o sentido original. Esse processo nos ajudou a compreender melhor a gramática, ampliar o vocabulário e perceber nuances culturais da língua inglesa, além de desenvolver habilidades de cooperação, argumentação e negociação linguística. Trabalhar juntos na tradução mostrou-nos que aprender um idioma também envolve compartilhar perspectivas e construir significados coletivamente. Paralelamente, cada um de nós manteve um portfólio individual, registrando respostas às atividades, reflexões pessoais sobre a obra e comentários sobre nosso próprio processo de aprendizagem. Esse registro nos permitiu acompanhar nosso progresso, identificar dificuldades e estratégias pessoais de estudo e perceber a evolução ao longo das semanas. O portfólio se tornou uma ferramenta de autoconhecimento, permitindo-nos refletir sobre como interpretamos, compreendemos e produzimos textos em inglês, fortalecendo nossa autonomia e responsabilidade pelo próprio aprendizado. A etapa final da experiência envolveu a criação de jogos educativos baseados nos capítulos lidos. Participar da construção coletiva das perguntas, regras e dinâmicas transformou o conteúdo estudado em uma atividade lúdica e interativa, unindo aprendizagem e diversão. Esse momento foi particularmente marcante, pois além de revisar os conteúdos, estimulou a criatividade, a cooperação e o planejamento coletivo, promovendo engajamento, motivação e senso de pertencimento ao grupo. A criação do jogo também nos permitiu experimentar diferentes formas de comunicação e resolução de problemas, mostrando como o aprendizado pode ser construído de forma dinâmica e prática. Ao longo do trabalho, percebemos impactos significativos em nosso desenvolvimento linguístico e pessoal. A tradução colaborativa aumentou nossa confiança no uso da língua inglesa e aprimorou a capacidade de interpretar textos complexos. O portfólio nos ajudou a organizar pensamentos e acompanhar nosso progresso individual. A elaboração do jogo destacou-se como uma experiência única, consolidando conhecimentos e promovendo interação, criatividade e entusiasmo. Evidencia-se que trabalhar com Frankenstein em língua inglesa foi uma experiência transformadora. Para nós, estudantes, a atividade integrou literatura, tradução, reflexão crítica e gamificação, mostrando que aprender uma língua envolve vivenciar sua dimensão cultural, histórica e criativa. O trabalho reforçou a importância de metodologias inovadoras, colaborativas e centradas no aluno, demonstrando que a literatura pode ser utilizada como ferramenta eficaz para tornar o aprendizado significativo, engajador e enriquecedor, ao mesmo tempo em que desenvolve competências linguísticas, cognitivas e sociais
Experiências com o Pibid/espanhol
A partir de nossa experiência como professoras em formação de língua espanhola na condição de bolsistas vinculadas ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) , observamos que a maioria dos materiais didáticos disponíveis e utilizados em nosso contexto referentes a esta língua adicional apresentam, em geral, poucas referências de caráter linguístico e cultural relacionadas aos países latino-americanos. Esse aspecto nos chamou a atenção de forma significativa, sobretudo porque o Brasil compartilha fronteiras geográficas diretas com sete países cuja língua oficial é o espanhol, o que torna ainda mais evidente a necessidade de um ensino que contemple essa diversidade cultural e linguística. Em outras palavras, apesar de uma proximidade territorial tão expressiva, a presença da América Latina nos livros e nas práticas pedagógicas ainda aparece de modo bastante reduzido, quase sempre limitada a menções pontuais, o que empobrece a compreensão do espaço que habitamos. Dessa forma, o objetivo principal deste trabalho é analisar os conhecimentos que estudantes do primeiro ano do ensino médio possuem a respeito da América Latina, ao mesmo tempo em que buscamos compreender e discutir as percepções identitárias desses jovens em relação ao fato de se reconhecerem ou não como sujeitos latino-americanos. Os participantes da pesquisa foram estudantes de uma escola pública localizada em uma região central da cidade de Bagé, RS, cuja faixa etária variava entre 15 e 17 anos. Ressaltamos ainda que esse município apresenta uma localização estratégica, por estar situado a apenas 60 km da fronteira com o Uruguai, condição geográfica que, em tese, poderia favorecer um maior contato e uma maior identificação dos jovens com o universo hispano-falante. Para a realização da pesquisa e a consequente geração de dados, optamos pela aplicação de um questionário composto por um mapa da América Latina, acompanhado de treze perguntas abertas durante o 2º semestre de 2025. Essa estratégia nos pareceu pertinente porque possibilita ao estudante não apenas indicar elementos objetivos, como a localização geográfica, mas também elaborar suas próprias percepções, narrativas e interpretações sobre o tema. No que diz respeito aos procedimentos metodológicos, adotamos uma abordagem qualitativa de análise, já que nosso interesse não esteve voltado para a quantificação das respostas, mas sim para a compreensão do contexto sócio-histórico-cultural em que esses sujeitos estão inseridos. Essa escolha metodológica se justifica porque compreendemos que as identidades, inclusive a latino-americana, não são dadas de forma natural ou universal, mas construídas em meio a práticas sociais, discursos e experiências coletivas, o que reflete diretamente no modo como os alunos percebem suas realidades e constroem sentidos sobre si mesmos. A análise dos quinze questionários respondidos revelou alguns pontos importantes que merecem destaque. Em primeiro lugar, constatamos que os alunos, de modo geral, não demonstram conhecer a localização geográfica da maioria dos países vizinhos, com exceção do Uruguai, país cuja proximidade física é mais imediata. Esse desconhecimento vai além da simples dificuldade em identificar países no mapa: ele expressa uma ausência de familiaridade com o espaço latino-americano como um todo. Outro aspecto significativo observado é que os estudantes não se reconhecem como latino-americanos. Além disso, verificamos que os alunos apresentam pouco conhecimento cultural sobre a América Latina, especialmente no que se refere à literatura, à produção artística e a manifestações culturais diversas. Esse dado é particularmente relevante, pois a literatura, como forma de expressão e preservação de identidades, poderia desempenhar um papel fundamental no processo de aproximação entre os estudantes e a noção de pertencimento a um espaço maior, plural e partilhado. Todos esses elementos revelam, portanto, a necessidade de repensarmos as práticas pedagógicas e os conteúdos trabalhados em sala de aula. Acreditamos que cabe a nós, professores em formação, buscar estratégias que contribuam para inserir a América Latina de forma mais significativa nas disciplinas escolares. Isso pode ocorrer não apenas nas aulas de língua espanhola, que já oferecem um espaço privilegiado para essa discussão, mas também em outras áreas do conhecimento, como a história, a geografia e até mesmo a literatura em língua portuguesa, que frequentemente dialoga com produções de países vizinhos. Trabalhar a América Latina como lugar de pertencimento, de produção de conhecimento e de identidades plurais é, portanto, um passo essencial para formar sujeitos críticos, conscientes de sua realidade e capazes de valorizar a riqueza cultural e linguística que compõem nossa região
Feira de Ciências Como Estratégia de Construção de Saberes dos Alunos em Uma Escola Rural
O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), vinculado ao curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus Dom Pedrito-RS, constitui-se como uma política pública de grande relevância para a formação de futuros professores. Seu principal objetivo é promover a inserção dos licenciandos na realidade escolar desde o início do curso, articulando teoria e prática e possibilitando vivências pedagógicas que ampliam o olhar sobre os desafios e potencialidades da Educação Básica, em especial no contexto das escolas do campo. Nesse cenário, a realização de Feiras de Ciências representa uma estratégia pedagógica eficaz, capaz de estimular a curiosidade, fomentar o pensamento crítico e desenvolver habilidades de investigação científica entre os estudantes da Educação Básica. Ao mesmo tempo, constitui-se como espaço formativo para os acadêmicos do PIBID, que têm a oportunidade de planejar, acompanhar e refletir sobre práticas educativas inovadoras. Assim, este trabalho tem como objetivo relatar as experiências vivenciadas por acadêmicos do curso de Educação do Campo durante a participação em uma Feira de Ciências realizada em uma escola pública rural do município de Dom Pedrito-RS, destacando os aprendizados proporcionados tanto para os discentes da escola quanto para os licenciandos em formação. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, configurado como relato de experiência. A atividade ocorreu em uma escola rural que atende alunos dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. A Feira de Ciências foi organizada de forma coletiva, envolvendo a escola, os acadêmicos bolsistas do PIBID e seus supervisores. Os licenciandos atuaram no processo de planejamento e execução das atividades, orientando os estudantes na construção dos experimentos, na pesquisa de conceitos científicos e na elaboração das apresentações. A metodologia utilizada baseou-se na aprendizagem pela investigação, estimulando que os alunos explorassem fenômenos naturais, elaborassem hipóteses, realizassem experimentos com materiais acessíveis e discutissem os resultados obtidos. Esse processo aproximou ciência e cotidiano, possibilitando a integração de diferentes áreas do conhecimento. A Feira de Ciências envolveu uma diversidade de trabalhos, desde experimentos simples de Química e Física, adaptados com materiais recicláveis, até pesquisas mais aprofundadas sobre a biodiversidade local e os impactos das mudanças climáticas na região. Esse conjunto de práticas demonstrou como o ensino de Ciências pode ser significativo quando articulado ao contexto social e ambiental dos estudantes. Entre os trabalhos apresentados, dois merecem destaque. O primeiro, desenvolvido por alunos do 8º ano, intitulou-se Geração e distribuição de energia em hidrelétrica. Com o auxílio dos acadêmicos do PIBID, os estudantes construíram uma maquete representando o funcionamento de uma usina hidrelétrica, utilizando uma miniturbina movida pela força da água conectada a um pequeno gerador. O experimento permitiu compreender, de maneira prática e acessível, como ocorre a conversão da energia hidráulica em energia elétrica, evidenciando alternativas sustentáveis de geração energética e despertando reflexões sobre a preservação ambiental. O segundo trabalho, realizado por estudantes do 9º ano, foi intitulado Agricultura familiar na mesa dos educandos. Nesse projeto, os alunos trouxeram alimentos cultivados em suas próprias propriedades rurais, enfatizando a importância da agricultura familiar para a alimentação cotidiana das famílias e da escola. O trabalho destacou como essa prática, enraizada no campo, contribui para a segurança alimentar, para a subsistência das famílias de baixa renda e para o fortalecimento da economia local. Além de valorizar a produção rural, o projeto possibilitou o reconhecimento da agricultura familiar como parte fundamental da identidade cultural e social da comunidade. Conclui-se que a realização da Feira de Ciências, com a participação dos acadêmicos do PIBID, proporcionou múltiplos benefícios. Para os alunos da escola, representou a oportunidade de aprender ciência de forma prática, contextualizada e criativa, ao mesmo tempo em que valorizava sua realidade e seus saberes cotidianos. Para os acadêmicos da Licenciatura em Educação do Campo, a experiência possibilitou um contato direto com a prática docente, fortalecendo sua formação profissional e ampliando suas perspectivas sobre o papel do professor, pois promove a articulação entre universidade e escola, ciência e prática, teoria e realidade social
Construção de Um Plano de Ensino de Física com Unidades de Ensino Potencialmente Significativas
O ensino de Física no Ensino Médio apresenta-se historicamente como um campo de grandes desafios pedagógicos, marcado pelas dificuldades dos estudantes em compreender conceitos abstratos e pela aparente distância entre os conteúdos escolares e situações concretas do cotidiano. Esse quadro contribui para o desinteresse, a falta de engajamento e, em alguns casos, a evasão, tornando necessária a busca por metodologias capazes de promover aprendizagens mais significativas. As Unidades de Ensino Potencialmente Significativas (UEPS), fundamentadas na Teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel, surgem como uma alternativa promissora, pois organizam a aprendizagem em etapas que partem dos subsunçores dos estudantes, avançam para situações-problema que provocam reflexão e culminam em sistematizações que reforçam a ancoragem de novos conceitos. Este trabalho, desenvolvido no âmbito do estágio supervisionado do curso de Ciências da Natureza, Licenciatura da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), apresenta a elaboração de um plano de ensino em Física estruturado segundo os oito passos das UEPS, contemplando os conteúdos de plano inclinado, trabalho, energia e conservação da energia. A proposta foi organizada para oito semanas de aula, distribuindo momentos conceituais e práticos de forma equilibrada. O planejamento prevê o início com uma avaliação diagnóstica para levantar os conhecimentos prévios dos estudantes, seguida da problematização central Por que usar rampas?, que funcionará como situação desencadeadora para uma atividade exploratória inicial. Nessas atividades, serão utilizados materiais de baixo custo e fácil acesso, como carrinhos, tábuas, canos e cronômetros, de modo a viabilizar a experimentação em um contexto escolar de infraestrutura limitada. A introdução teórica ocorrerá após esse primeiro contato, permitindo que os alunos formulem hipóteses e construam interpretações próprias antes da formalização conceitual. O processo de elaboração da UEPS constituiu também um momento de reflexão para o professor em formação, uma vez que exigiu analisar criticamente como os conteúdos poderiam ser organizados de modo a respeitar os conhecimentos prévios e promover situações de aprendizagem mais autênticas. A organização metodológica incluirá ainda roteiros de prática, slides de apoio e momentos de socialização coletiva, reforçando a perspectiva de aprendizagem significativa e a função mediadora do professor. A avaliação foi planejada como contínua e processual, com registros individuais realizados por meio de rúbricas pedagógicas que permitem acompanhar dimensões como participação, clareza nas observações, comparação de resultados e capacidade de formular um juízo crítico diante das situações investigadas. Além da avaliação formativa, está prevista uma etapa somativa, com atividades de síntese e questões finais que permitirão verificar a consolidação dos conceitos. Os resultados parciais concentram-se até o momento na consolidação de uma proposta metodológica viável, na elaboração dos planos de aula detalhados, dos roteiros de prática e das fichas de avaliação, bem como na preparação das estratégias de ensino a serem aplicadas. Esse processo já evidencia a relevância da UEPS como ferramenta de planejamento, pois possibilitou ao bolsista refletir sobre o próprio percurso formativo e sobre a construção de sequências didáticas coerentes com os princípios da TAS. Espera-se que, durante a execução em sala de aula, a proposta favoreça o engajamento e a curiosidade dos estudantes, promovendo a aproximação entre teoria e prática e incentivando a capacidade de refletir, argumentar e aplicar os conceitos aprendidos em diferentes contextos. Conclui-se que a utilização das UEPS como eixo estruturante do plano de ensino constitui um caminho promissor para a inovação pedagógica em Física, promovendo aprendizagens mais significativas e desenvolvendo competências associadas à reflexão crítica, à observação e à argumentação científica. Mais do que um exercício acadêmico, a construção deste plano de ensino reflete a paixão pelo ato de ensinar e o compromisso em transformar a sala de aula em um espaço de diálogo, descoberta e crescimento mútuo. Ao articular fundamentação teórica, práticas acessíveis e um processo avaliativo contínuo, este trabalho pretende contribuir para a consolidação da identidade docente em formação e oferecer subsídios que possam inspirar outras iniciativas voltadas à melhoria da qualidade do ensino de Ciências da Natureza
Neuromitos em sala de aula: estratégia de ensino em docência orientada na disciplina de Neurociência
O presente trabalho apresenta um relato de experiência realizado no âmbito da docência orientada, vinculada à disciplina de Neurociência aplicada à Educação, ofertada no curso de Educação Física da Universidade Federal do Pampa (Unipampa). A experiência descrita teve como objetivo relatar a prática de ensino desenvolvida em uma aula sobre neurônios, utilizando como recurso metodológico a discussão dos chamados neuromitos, entendidos como concepções equivocadas ou incompletas amplamente disseminadas a respeito do funcionamento cerebral. A proposta pedagógica surgiu da necessidade de tornar o conteúdo mais atrativo e significativo para os estudantes, ao mesmo tempo em que buscou estimular o pensamento crítico e a valorização do conhecimento científico em contraposição às crenças populares. Para a preparação da aula, foi elaborado um material de apoio em forma de folha impressa, com o título Neuromitos, contendo alguns dos equívocos mais recorrentes no imaginário coletivo, como a crença de que seres humanos utilizam apenas 10% do cérebro, a ideia de que o hemisfério esquerdo seria responsável exclusivamente pelo raciocínio lógico enquanto o direito concentraria apenas a criatividade, ou ainda de que escutar música clássica tornaria as pessoas mais inteligentes. A estratégia adotada teve como finalidade provocar os alunos, despertando curiosidade e engajamento por meio da confrontação entre senso comum e ciência. No desenvolvimento da aula, os estudantes foram convidados a analisar e debater cada neuromito apresentado, discutindo sua origem, sua permanência no discurso social e os fatores que explicam sua popularização. Em seguida, procedeu-se à explanação dos conhecimentos científicos atualizados, de forma a estabelecer a correção conceitual e ampliar a compreensão sobre o funcionamento dos neurônios e do sistema nervoso. Essa dinâmica de confronto entre mito e ciência mostrou-se eficaz para facilitar a aprendizagem, pois os alunos puderam ressignificar informações prévias e consolidar novas noções a partir da problematização. Observou-se grande participação da turma, com intervenções orais, perguntas e exemplos trazidos pelos próprios estudantes, demonstrando interesse e envolvimento com a atividade. Do ponto de vista formativo, a docência orientada possibilitou ao acadêmico responsável vivenciar todas as etapas do processo educativo, desde o planejamento pedagógico, a seleção de materiais, a condução da aula até a avaliação dos resultados obtidos. Entre os principais desafios enfrentados, destacaram-se a necessidade de gerenciar o tempo para que todos os neuromitos fossem discutidos, bem como a adaptação da linguagem para garantir compreensão acessível sem perder o rigor científico. Ao mesmo tempo, foi possível experimentar os ganhos da mediação pedagógica fundamentada em metodologias ativas, nas quais o estudante é protagonista da construção do conhecimento. Além disso, a prática reforçou a relevância da disciplina de Neurociência aplicada à Educação para a formação do futuro profissional de Educação Física, uma vez que o entendimento sobre o funcionamento do sistema nervoso é fundamental para compreender o aprendizado motor, o desenvolvimento humano e a elaboração de estratégias pedagógicas adequadas em diferentes contextos educacionais. Em termos de resultados, a utilização da discussão de neuromitos como recurso metodológico mostrou-se um caminho viável e eficaz para aproximar a neurociência do cotidiano escolar, tornando o conteúdo mais acessível e promovendo reflexões críticas sobre a circulação de informações não científicas. Conclui-se, portanto, que a experiência contribuiu tanto para a aprendizagem dos estudantes da disciplina quanto para a formação do docente em formação, que pôde exercitar sua prática pedagógica, refletir sobre seu papel enquanto mediador do conhecimento e compreender de forma mais ampla a importância da docência orientada no processo de desenvolvimento profissional