Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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Experiências Formativas: Intervenção Pedagógica Sobre a Crise Climática no Rio Grande do Sul
A intensificação das mudanças climáticas no Rio Grande do Sul tem se revelado uma realidade alarmante, especialmente diante dos eventos extremos registrados em 2024. As enchentes que atingiram 478 dos 497 municípios do Estado evidenciam os impactos diretos da crise climática sobre a população, com alagamentos, deslizamentos de terra, destruição de moradias, prejuízos econômicos e interrupções em serviços essenciais como educação e saúde. Em São Gabriel, município da região da Campanha, os efeitos foram particularmente severos: escolas foram afetadas, famílias desabrigadas e a infraestrutura urbana sofreu danos significativos. Esses fenômenos estão diretamente relacionados ao agravamento do efeito estufa, impulsionado por práticas humanas como a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento, a agricultura intensiva e o consumo excessivo de recursos naturais. A elevação da temperatura média global altera padrões de chuva, intensifica eventos extremos e compromete ecossistemas inteiros. No contexto regional, os desequilíbrios ambientais afetam tanto áreas urbanas quanto rurais, exigindo respostas urgentes e articuladas. Nesse cenário, a escola se configura como espaço estratégico para a formação cidadã e o enfrentamento da crise climática. Com o objetivo de fomentar a compreensão dos estudantes sobre os fenômenos que desencadeiam as mudanças climáticas, seus impactos na sociedade e nos ecossistemas (com ênfase no contexto do Rio Grande do Sul). Bem como, desenvolver propostas para enfrentar estes desafios, os bolsistas do Programa de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) propuseram uma intervenção pedagógica em uma escola-campo do Programa em São GabrielRS. Esta intervenção foi desenvolvida durante o mês de junho de 2025, com estudantes do 7º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Presidente João Goulart. O trabalho foi desenvolvido em três momentos distintos. Na primeira etapa, utilizamos slides para apresentar e explicar o que são as mudanças climáticas, suas principais causas e consequências. Foi um momento de diálogo, no qual também debatemos sobre as enchentes ocorridas no Rio Grande do Sul em 2024, que impactaram fortemente várias cidades do estado, trazendo perdas humanas e materiais. A partir dessa contextualização, os estudantes puderam relacionar o tema com acontecimentos próximos de sua realidade. Em seguida, os alunos foram convidados a construir cartazes ilustrativos que representassem ideias de soluções e atitudes capazes de reduzir os impactos ambientais, como a economia de água e energia, a separação correta do lixo, a preservação das áreas verdes e a valorização do transporte coletivo. Essa atividade possibilitou que os estudantes expressassem suas percepções de forma criativa e colaborativa, ao mesmo tempo, em que refletiam sobre como pequenas ações cotidianas podem contribuir para grandes mudanças. E, por fim, aplicamos um jogo didático (quiz) sobre mudanças climáticas, o que proporcionou um aprendizado mais dinâmico e interativo. Essa etapa incentivou a troca de ideias entre os estudantes e gerou entusiasmo, já que muitos participaram ativamente, demonstrando curiosidade e compartilhando exemplos de suas próprias vivências relacionadas ao tema. O jogo, além de consolidar os conhecimentos adquiridos, contribuiu para despertar o senso crítico e o engajamento coletivo, transformando o aprendizado em uma experiência leve, porém significativa. Durante as atividades, os alunos participaram, demonstraram curiosidades, relacionando os conteúdos discutidos com situações cotidianas, como o uso consciente da água em casa, a preocupação com os resíduos gerados e até mesmo relatos de familiares que foram diretamente afetados pelas enchentes de 2024. Essas trocas enriqueceram as atividades e mostraram que a educação ambiental, quando trabalhada de forma crítica e reflexiva, pode mobilizar os estudantes para a ação cidadã e responsável. É fundamental que os estudantes compreendam as interseções entre justiça social e justiça ambiental, reconhecendo que os impactos das mudanças climáticas afetam desigualmente diferentes grupos sociais. A formação docente é elemento central nesse processo, para os professores estarem capacitados para abordar questões ambientais com sensibilidade e profundidade. Isso reforça a importância do PIBID para a formação docente e o incentivo a projetos que aproximem a ciência, a universidade, a escola e a comunidade. Essa aproximação torna o conhecimento científico mais acessível e significativo, mostrando que a ciência não está distante da realidade dos alunos, mas sim presente em questões urgentes que afetam suas vidas. Dessa forma, concluímos que trabalhar o tema das mudanças climáticas em sala de aula não somente contribui para a construção de saberes acadêmicos, mas também para a formação de cidadãos críticos e conscientes, capazes de reconhecer sua responsabilidade diante da crise ambiental global
A Ortografia no Processo de Alfabetização: Práticas Pedagógicas no 5º Ano do Ensino Fundamental.
A alfabetização representa um dos momentos mais significativos da escolarização, pois é nesse período que ocorre a apropriação inicial do sistema de escrita alfabético - SEA. Dentro desse processo, a ortografia assume um papel central, uma vez que está relacionada às convenções linguísticas que possibilitam a comunicação escrita de maneira clara, coerente e socialmente aceita. Enquanto a alfabetização envolve a compreensão do princípio alfabético e da relação fonema-grafema, o domínio ortográfico exige aprendizagens mais amplas e graduais, que se estendem ao longo da trajetória escolar e demandam intervenções pedagógicas intencionais e sistemáticas. O levantamento de informações incluiu a análise de experiências em sala de aula que contemplaram tanto o desenvolvimento da consciência fonológica e da relação entre sons e grafias, quanto práticas didáticas que favorecem a compreensão das convenções ortográficas. O estudo fundamentou-se em autores que discutem a aquisição da escrita e a aprendizagem ortográfica, como Ferreiro e Teberosky, Morais e Soares, além de documentos oficiais como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A coleta de dados ocorreu por meio da aplicação de testes diagnósticos realizados com alunos do 5° ano do Ensino Fundamental no âmbito do PIBID da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Jaguarão, em parceria com a Escola Municipal de Ensino Fundamental Marcílio Dias, consistindo em um ditado de quatro palavras e uma frase no qual a professora distribuiu uma folha aos alunos e, em seguida, iniciou a atividade, conduzindo primeiramente o ditado de palavras e, posteriormente, o ditado de uma frase, sem interferir no desenvolvimento da tarefa pelos estudantes, que tinha como objetivo compreender os desafios e as hipóteses formuladas pelos estudantes em relação à escrita ortográfica. Assim, podemos compreender os desafios e as possibilidades pedagógicas vinculadas ao ensino da ortografia, o que é fundamental para o fortalecimento das práticas de alfabetização. Os resultados evidenciaram que a aprendizagem ortográfica acontece de forma gradual e ultrapassa o ciclo inicial da alfabetização, ainda que encontre nele sua base fundamental. Verificou-se que o papel do professor é decisivo nesse percurso: práticas como a leitura diária, a produção de textos autorais, o trabalho com padrões silábicos e atividades lúdicas mostraram-se eficazes para o avanço no domínio da escrita. Outro aspecto relevante observado foi a forma como os erros ortográficos foram compreendidos. Longe de serem interpretados apenas como falhas, os desvios revelaram hipóteses elaboradas pelas crianças acerca do funcionamento do sistema da escrita, fornecendo indícios valiosos para o planejamento pedagógico. Além disso, notou-se que a oralidade influencia fortemente a produção escrita: os alunos frequentemente registram as palavras conforme as percebem sonoramente, o que gera trocas e simplificações. Isso reforça a necessidade de um trabalho sistemático que auxilie na compreensão das regras da escrita. Constatou-se também que a diversidade de gêneros textuais tem papel determinante no processo. Quando os estudantes leem e escrevem em contextos reais e significativos, a aprendizagem ortográfica torna-se mais consistente do que em atividades centradas apenas na memorização de regras. Nesse ponto, o letramento se apresenta como elemento articulador, pois insere as convenções ortográficas em práticas sociais significativas e cotidianas. Conclui-se que a ortografia, no contexto da alfabetização, não deve ser tratada como um conjunto estático de normas a serem decoradas, mas como um conhecimento linguístico e social em constante construção, pois não se esgota no final do 3° ano do ensino fundamental e por isso, neste trabalho, falamos de alfabetização em uma turma de 5° ano do ensino fundamental. Nesse sentido o ensino ortográfico precisa ser pautado em práticas reflexivas, contextualizadas, significativas que valorizem os erros como indicadores do desenvolvimento, estimulem a leitura e a produção textual e bem como contemplem a diversidade de gêneros. Dessa forma, os estudantes poderão compreender gradualmente as regularidades e irregularidades da língua, desenvolver autonomia e segurança na escrita e utilizar a ortografia como ferramenta de inserção social e de participação ativa na cultura escrita
Dossiê socioantropológico: Contexto familiar e participação em projetos escolares científicos
A compreensão do contexto familiar é fundamental para o desenvolvimento de projetos educacionais que valorizem a participação ativa dos estudantes e de suas famílias. Em muitas escolas públicas brasileiras, a relação entre família e instituição escolar representa um fator determinante para o engajamento acadêmico, a permanência dos alunos e o fortalecimento de iniciativas de inclusão social, científica e cultural. Nesse sentido, o presente trabalho apresenta um dossiê socioantropológico que analisa detalhadamente a importância do núcleo familiar na trajetória de estudantes da Escola Municipal Professor Bernardino Tatu, localizada em Dom Pedrito/RS, e destaca a contribuição da comunidade no incentivo a projetos educacionais e científicos, especialmente no Clube de Ciências, espaço que vem se consolidando como um polo de aprendizagem prática e de estímulo à curiosidade investigativa. A pesquisa parte do princípio de que a escola, ao se articular com a família, potencializa significativamente a aprendizagem, promovendo o desenvolvimento humano integral e fortalecendo a relação dos estudantes com o conhecimento. Além disso, busca-se compreender como o incentivo familiar impacta na participação dos alunos em atividades extracurriculares, com destaque para projetos inovadores, experimentações científicas e o envolvimento no Clube de Ciências. A interação entre escola e família é, portanto, essencial para o fortalecimento da cidadania, para a construção de competências socioemocionais e para o desenvolvimento de habilidades cognitivas e de protagonismo estudantil. A pesquisa adotou um caráter qualitativo, exploratório e descritivo, com base em um levantamento socioantropológico da realidade familiar dos estudantes. O estudo foi desenvolvido em parceria com a gestão escolar e os professores da Escola Municipal Professor Bernardino Tatu, utilizando métodos de entrevista semiestruturada e questionário aberto, entregues aos alunos em sala de aula e estes direcionando aos familiares. As turmas foram escolhidas de forma aleatória, entre o 1º e o 9º ano do Ensino Fundamental, totalizando 71 questionários respondidos. Também houveram registros documentais e observação participante nas atividades do Clube de Ciências. Essa abordagem permitiu compreender de forma aprofundada as dinâmicas familiares, os hábitos de participação e o envolvimento das famílias nos processos educativos. Os resultados apontam que a participação familiar exerce influência direta no desempenho acadêmico e no engajamento dos estudantes. Identificou-se que as famílias mais próximas do ambiente escolar tendem a apoiar de forma mais efetiva a participação em projetos educacionais e científicos, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, cognitivas e para o protagonismo estudantil. Além disso, observou-se que, mesmo em contextos de vulnerabilidade social, quando a escola estabelece canais de diálogo consistentes com a família, há maior adesão dos estudantes a atividades extracurriculares, sendo o Clube de Ciências destacado como espaço estratégico para essa integração. Ele proporciona vivências práticas, estimula a curiosidade científica e fomenta o interesse pela pesquisa, permitindo que os alunos experimentem, explorem e compreendam conceitos teóricos de maneira aplicada. Além disso, a articulação entre professores, comunidade e familiares fortalece o sentimento de pertencimento e a valorização da escola como um centro de formação integral. O estudo reforça a importância da relação entre escola e família como elemento central no processo educativo. O incentivo familiar se mostrou essencial para o engajamento dos estudantes, principalmente em projetos científicos, como o Clube de Ciências. A análise socioantropológica evidencia que, ao considerar o contexto familiar no planejamento pedagógico, a escola amplia sua capacidade de inclusão, promove igualdade de oportunidades e fortalece o protagonismo juvenil. A experiência da Escola Municipal Professor Bernardino Tatu serve como exemplo concreto de que a integração entre comunidade e instituição escolar é decisiva para o sucesso dos projetos educacionais e para a formação de cidadãos críticos, conscientes, participativos e preparados para os desafios da sociedade contemporânea
A LUDICIDADE COMO FERRAMENTA PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DA LÍNGUA PORTUGUESA
O presente trabalho resulta das experiências vivenciadas durante o Estágio Supervisionado no Ensino Fundamental. As atividades ocorreram na turma do 8º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Pérola Gonçalves. Foram desenvolvidas 15 h/a de regência, organizadas em sequências didáticas que privilegiaram a ludicidade como recurso metodológico para o ensino dos conteúdos de Língua Portuguesa. Os conteúdos abordados foram o estudo do sentido denotativo e conotativo e das figuras de linguagem (metáfora, metonímia, hipérbole, antítese, aliteração, assonância e personificação). A proposta partiu da compreensão de que o aprendizado da língua materna deve ultrapassar o caráter normativo e tornar-se mais significativo por meio da interação, da criatividade e da intencionalidade pedagógica. Nesse sentido, Martins (2016) argumenta que trazer o lúdico para a escola implica reconhecer a seriedade do processo de aprender, ao mesmo tempo em que promove interesse por esse desafio. Com base nisso, as aulas foram fundamentadas em pressupostos teóricos que destacassem o papel ativo dos alunos na construção do conhecimento. Nestes termos, Piaget (1986) ressalta a importância da assimilação e acomodação para o desenvolvimento cognitivo; Vygotsky (2001) enfatiza a dimensão social e a mediação da linguagem no processo de aprendizagem; Ausubel (2003) valoriza a aprendizagem significativa, que ocorre quando novos conteúdos se conectam a saberes prévios; Wallon (2007) evidencia a relevância dos aspectos afetivos e emocionais para o engajamento. A metodologia empregada consistiu na elaboração de sequências didáticas (Dolz; Schneuwly, 2004) articuladas em etapas progressivas. Cada uma foi planejada de maneira a promover a participação ativa dos alunos em atividades diversificadas. A título de exemplo, foram utilizadas atividades como: questionários diagnósticos e de sondagem, jogos de cartas com charadas e memes, atividades de reescrita criativa, paródias musicais e Rap, produções poéticas, construção de slogans publicitários, minipeça de teatro. Além disso, aplicou-se um teste de personalidade lúdico que vinculava as figuras de linguagem a arquétipos de animais. Esses recursos estimularam a oralidade, a escrita, a leitura crítica, o raciocínio linguístico e a expressão criativa dos estudantes, permitindo que os conteúdos ministrados tradicionalmente considerados abstratos fossem ressignificados por meio de práticas lúdicas. Como resultado, observou-se um maior engajamento da turma, com expressiva participação nas atividades propostas, maior motivação para explorar a aplicação das figuras de linguagem e dos sentidos conotativo e denotativo em diferentes contextos. Apesar de dificuldades pontuais em distinguir algumas figuras de linguagem, como metáfora e metonímia ou aliteração e assonância, os estudantes demonstraram uma evolução progressiva na compreensão e no uso desses recursos. Esse progresso ficou evidente com o passar das aulas, especialmente quando os conteúdos foram estrategicamente trabalhados de maneira a integrar o cotidiano dos alunos com elementos de humor e liberdade criativa. Acredita-se que as atividades lúdicas também favoreceram o desenvolvimento da autoestima criativa, do trabalho colaborativo em grupo e da sensibilidade interpretativa. Diante disso, a ludicidade não se restringe a momentos de recreação, mas constitui uma estratégia pedagógica essencial para o fortalecimento da aprendizagem significativa. Assim, Kishimoto (1996) observa que, quando as práticas lúdicas são intencionalmente planejadas pelo professor para estimular a aprendizagem, o lúdico revela seu potencial pedagógico. Dessa forma, conclui-se que o estágio supervisionado possibilitou a articulação efetiva entre teoria e prática, confirmando o potencial da ludicidade como ferramenta para o ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa. Ademais, destaca sua relevância para a formação integral do estudante, que passa a perceber a língua não apenas como objeto de estudo gramatical, mas como um espaço de expressão, criação e interação social. De acordo com Brasil et al (2025) a aprendizagem deve ir além dos aspectos formais e normativos, contemplando também o desenvolvimento de competências interpretativas e argumentativas essenciais para a comunicação social. Nesse sentido, este trabalho evidencia que práticas pedagógicas inovadoras, fundamentadas no processo de aprendizagem ativa e significativa podem transformar as experiências de aprendizagem dos alunos no Ensino Fundamental. Além de favorecer a compreensão de conteúdos tradicionalmente considerados desafiadores, a ludicidade também amplia horizontes ao despertar a autonomia intelectual e fortalecer vínculos afetivos em sala de aula. Entende-se que esses aspectos apontam, assim, para caminhos promissores em futuras pesquisas e práticas docentes que desejem reconhecer a linguagem como potência criadora e agente de transformação humana
Letramento Literário e Valorização da Cultura Afro-brasileira e Indigena no Repositório Institucional da Unipampa
As leis federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008 tornaram obrigatório o ensino sobre a história e a cultura afro-brasileira e indígena, mas ainda existe uma distância considerável entre o que está na lei e o que realmente acontece nas escolas. O ensino da Língua Portuguesa, na educação básica, no campo artístico-literário, tem o potencial de contribuir significativamente para a conscientização da diversidade étnico-racial brasileira, a construção da identidade e o respeito às diferenças culturais. Nesse cenário, o letramento literário surge como uma forma de promover a valorização da diversidade cultural e de ajudar a formar leitores que sejam críticos, sensíveis e conscientes de quem são. Esta pesquisa busca analisar de forma crítica como as culturas afro-brasileira e indígena têm sido abordadas no ensino de Língua Portuguesa, com base em materiais disponíveis no Repositório Institucional da Universidade Federal do Pampa (RIU). Para isso, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa e exploratória, com base em revisão de literatura e pesquisa bibliográfica. Para desenvolvê-la, têm-se as seguintes etapas: 1. estudo da fundamentação teórico-metodológica ensino de Língua Portuguesa, letramento literário e orientações da Base Nacional Comum Curricular (BNCC); 2. pesquisa de trabalhos relacionados no Portal de Periódicos CAPES (https://www.periodicos.capes.gov.br/), com apoio da string de busca cultura AND (afro-brasileira OR indígena) AND "letramento literário", legislação e normas curriculares; 3. redação de relato pessoal; 4. pesquisa bibliográfica no RIU com a mesma string de busca já mencionada; 5. tabulação dos dados; 6. análise crítica dos dados; e 7. elaboração do artigo científico. Até o momento, foram conduzidas as etapas 1 a 4. Importante observar que a BNCC define diretrizes claras para fortalecer uma educação que valorize a diversidade cultural como um alicerce da formação. Entre suas habilidades gerais, destacam-se: valorizar a variedade de saberes, expressões e vivências culturais; desenvolver a capacidade de se conhecer, ter empatia e respeitar a diversidade; incentivar a autonomia e uma postura crítica diante de conteúdos discriminatórios. Essas habilidades são cruciais para a escola que almeja formar leitores literários críticos, capazes de compreender a linguagem como uma ferramenta de construção de identidade e participação social. Quanto à pesquisa por trabalhos relacionados no Portal de Periódicos da CAPES, conduzida no final do semestre letivo 2025/1, identificaram-se apenas três estudos. Estes abordam o letramento literário na educação infantil e no ensino médio, não havendo menção a estudos que tratem do letramento literário no ensino fundamental II. Além disso, percebeu-se que, embora os trabalhos identificados reconheçam a importância da legislação, sua aplicação prática ainda enfrenta dificuldades, como políticas ineficazes, despreparo dos professores, falta de materiais pedagógicos adequados e predominância de currículos eurocêntricos. Seus resultados também evidenciam que as práticas de letramento literário ajudam a aumentar a autoestima de alunos negros e indígenas, a quebrar preconceitos e a incentivar a formação de leitores críticos, em consonância com as habilidades previstas na BNCC. Já no RIU, foram identificados 10 trabalhos, dentre os quais 6 dissertações de mestrado, 1 relatório crítico-reflexivo de mestrado e 3 trabalhos de conclusão de curso. A partir da leitura desses trabalhos, serão conduzidas as etapas 5 e 6 desta pesquisa e, finalmente, elaborado um artigo científico. Assim, espera-se, além de promover um letramento literário que valorize a negritude e os povos originários, contribuir para reflexões sobre educação antirracista junto ao ensino da Língua Portuguesa e na formação de novos professores na área. Em conclusão, fortalecer práticas pedagógicas que incluam de forma consistente a literatura afrodescendente e indígena é fundamental para construir uma educação inclusiva e antirracista, que valorize as identidades culturais e promova o respeito à diversidade
Language In Action (lia): Ensino-aprendizagem de Língua Adicional
O projeto Language in Action (LIA), da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), propõe a criação e manutenção de um grupo de estudos colaborativo voltado ao ensino e aprendizagem da língua inglesa e espanhola como língua adicional, sendo sua execução no Campus Bagé. A proposta emerge da necessidade de oferecer um espaço inovador de ensino colaborativo, em que discentes de diferentes semestres do curso de Letras Línguas Adicionais possam desenvolver a proficiência linguística, aprimorar a prática pedagógica e explorar o letramento digital de maneira integrada e reflexiva. O projeto alinha-se ao Plano de Desenvolvimento Institucional da UNIPAMPA (PDI) e ao Projeto Pedagógico do Curso, ambos fundamentados em uma concepção que valoriza práticas colaborativas e a constante renovação das necessidades cognitivas no processo de ensino-aprendizagem. Nesse sentido, o LIA busca estimular a atuação dos estudantes tanto na condição de aprendizes quanto na de futuros professores, promovendo experiências que integrem teoria, prática docente e produção de materiais didáticos situados na realidade regional. Entre os objetivos principais, destacam-se: a) oferecer aos discentes colaboradores um espaço de exercício da prática docente, auxiliando estudantes interessados em ampliar sua proficiência em inglês e espanhol e em letramento digital; b) apoiar a elaboração e o planejamento de materiais didáticos para contextos diversos de ensino, contemplando miniaulas, workshops, atividades colaborativas, reforço acadêmico; c) criar um ambiente de reflexão pedagógica, em que os acadêmicos experimentem o papel docente e, simultaneamente, aperfeiçoem sua proficiência na língua inglesa e língua espanhola; d) fortalecer vínculos entre estudantes de diferentes semestres e cursos, fomentando a cooperação acadêmica e social. A metodologia prevê encontros semanais de 1h00, presenciais (com possibilidade de realização online em casos específicos) ou sob demanda, conduzidos por discentes do curso de Letras sob supervisão docente. Antes de cada semestre, serão definidos tópicos e atividades de acordo com as necessidades do público-alvo, com acompanhamento contínuo por meio de autoavaliações e discussões reflexivas. Além das práticas didáticas, os participantes deverão apresentar trabalhos em eventos acadêmicos e elaborar materiais pedagógicos contextualizados. No campo dos resultados esperados, projeta-se: (i) o desenvolvimento e aprimoramento da proficiência linguística e da prática pedagógica dos estudantes; (ii) a criação de materiais didáticos adequados ao contexto regional e social; (iii) a complementação da formação inicial docente com experiências práticas inovadoras; (iv) a ampliação das capacidades cognitivas e atitudinais dos discentes; e (v) a geração de dados que poderão subsidiar projetos de pesquisa vinculados. Outro ponto central é o estímulo ao protagonismo estudantil, em consonância com perspectivas de aprendizagem colaborativa que destacam a importância da construção conjunta do conhecimento e da autorreflexão crítica (SCHLATTER; GARCEZ, 2012; JOHNSON; JOHNSON; SMITH, 1998; WIERSEMA, 2000). A justificativa do projeto ressalta que há, no Campus Bagé, grande interesse de discentes em aprender inglês e espanhol para além do modelo tradicional de sala de aula, demandando espaços criativos e colaborativos. O LIA, nesse sentido, oferece um ambiente que une prática docente, reflexão pedagógica e interação social, preparando futuros professores para contextos de diversidade cultural e linguística. Ademais, o projeto contribui para a internacionalização da instituição e para a valorização da formação de professores críticos e engajados. Com sua ênfase em aprendizagem colaborativa, prática reflexiva e integração entre teoria e prática, o LIA constitui-se em um espaço formativo diferenciado para a comunidade acadêmica, contribuindo para o fortalecimento da qualidade do ensino de línguas adicionais na UNIPAMPA e para a preparação de profissionais mais críticos, criativos e engajados.Em relação a metas atingidas,em 2024, o projeto Language in Action (LIA) contou com: 19 alunos diferentes que compareceram às atividades registradas com um total de 72 presenças ao longo do ano (somando todos os encontros). Em 2025, o projeto começou com um total de 14 alunos, em sua maioria calouros e demais alunos do curso de Letras Línguas Adicionais e continua em andamento
Dossiê socioantropológico do Pibid: Perspectivas docentes sobre a realidade escolar
O presente trabalho foi desenvolvido durante a execução da regência vinculada ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), no curso de Ciências da Natureza Licenciatura, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus Dom Pedrito. O PIBID tem como principal finalidade contribuir para o aperfeiçoamento da formação inicial de professores da educação básica, promovendo experiências pedagógicas que aproximam os licenciandos da realidade escolar e possibilitam compreender a percepção de familiares sobre a instituição e seus processos educativos. O programa oportuniza vivências em sala de aula e em diferentes espaços escolares, buscando integrar teoria e prática e permitindo que os futuros professores compreendam os desafios da educação básica. Nesse sentido, este estudo tem como objetivo elaborar um dossiê socioantropológico de uma Escola Estadual do município de Dom Pedrito-RS, bem como apresentar a visão dos familiares, relatada pelos bolsistas do PIBID em parceria com a Unipampa. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de questionários elaborados na plataforma Google Forms, aplicados de duas formas: em formato digital, através de link, e de modo impresso, entregues diretamente aos participantes, essa estratégia possibilitou um maior alcance e inclusão dos familiares que apresentam diferentes níveis de acesso à tecnologia e/ou entendimento do processo em questão. A participação ativa dos familiares contribuiu para a obtenção de informações relevantes, favorecendo uma análise ampla e representativa da realidade escolar. A escolha pela abordagem do dossiê socioantropológico justifica-se pela necessidade de compreender a escola em sua totalidade, considerando seus aspectos estruturais, culturais, sociais e pedagógicos que compõem o cotidiano, daquela instituição. Os dados obtidos foram analisados qualitativamente, permitindo identificar elementos relacionados à comunicação entre escola e família, à participação dos responsáveis nas atividades escolares e à percepção do ambiente educativo, além de reunir informações sobre a infraestrutura, as práticas pedagógicas desenvolvidas, a interação entre professores e estudantes e o relacionamento dos familiares, para com a comunidade escolar de modo geral. O processo de coleta foi realizado de forma colaborativa pelos bolsistas, que vivenciaram e refletiram sobre a prática docente em uma perspectiva crítica. Foram coletadas 110 respostas para seis perguntas, sendo que 81,1% dos participantes declararam ser mães dos estudantes. Entre as principais questões levantadas, destacam-se a necessidade de melhorias na estrutura física da escola, a busca por estratégias pedagógicas mais inclusivas e participativas e a valorização da aproximação entre escola e comunidade. O contato direto dos licenciandos com esse contexto mostrou-se essencial para compreender a especificidade da instituição, marcada por uma dinâmica própria de organização social e cultural. Conclui-se que a experiência proporcionada pelo PIBID contribui não apenas para a formação inicial dos futuros professores, mas também para o fortalecimento da relação entre universidade e escola. O desenvolvimento do dossiê socioantropológico revelou-se uma ferramenta importante para a análise crítica do ambiente escolar, possibilitando a proposição de melhorias e o reconhecimento da escola como espaço formativo e de transformação social, reafirmando o caráter formativo do PIBID e sua relevância como política de valorização da licenciatura e da educação básica
Bioética: Biotecnologia na Sociedade
O presente trabalho aborda o tema Bioética e Biotecnologia na Sociedade, um assunto ainda pouco explorado, que conecta aspectos científicos, éticos e humanos, sendo relevante tanto para grandes instituições farmacêuticas quanto para laboratórios universitários. Conforme De Bonis (2008), a biotecnologia levanta novas interrogações éticas, exigindo uma abordagem interdisciplinar capaz de contemplar preocupações humanitárias, científicas e culturais. O estudo visa discutir o uso de animais e seres humanos em pesquisas científicas, com ênfase em biotecnologia, analisando a aplicabilidade e os desafios enfrentados pelos Comitês de Ética no Uso de Animais (CEUAs) e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP). A pesquisa foi estruturada em quatro partes: Introdução, onde são apresentados o tema, objetivos e metodologia; Metodologia, detalhando os procedimentos adotados para obtenção dos resultados; Resultados, apresentando as descobertas da investigação; e Conclusão, que analisa criticamente os resultados obtidos. Adotou-se uma metodologia bibliográfica e estatística, utilizando fontes confiáveis, como artigos acadêmicos do Scielo e Google Scholar, PDFs de universidades renomadas (UFRGS, UFS, FURG), sites como Jusbrasil e Iberdrola, além de um questionário aplicado a 20 pessoas sobre o uso de animais em pesquisas científicas. A metodologia seguida foi baseada em Severino (2013), garantindo clareza e rigor no processo científico. Os resultados do questionário mostraram que apenas 35% dos participantes conhecem o melhor método alternativo para pesquisas, e 33% compreenderam corretamente os princípios dos 3Rs (Redução, Refinamento e Substituição), propostos por Russel e Burch (1959). Quanto à confiança da população em instituições que utilizam animais em pesquisas, 66% consideram um ponto negativo, enquanto 44% discordam, demonstrando percepções divergentes. Opiniões sobre o uso de animais variaram entre "deve ser restrito a ratos", "desnecessário" e "necessário para avanço científico". A pesquisa bibliográfica destacou que os CEUAs têm função crítica na análise e regulamentação dos protocolos de pesquisa, incluindo a utilização de animais em aulas, treinamentos e demais procedimentos científicos (Paixão, 2011). Os CEUAs surgiram em resposta às atrocidades nazistas na Segunda Guerra Mundial, assumindo papel central na promoção de julgamentos morais e éticos. No Brasil, pesquisas envolvendo genética humana, reprodução, novos medicamentos, vacinas, equipamentos e procedimentos ainda não consolidados, estudos com populações indígenas e envio de material biológico ao exterior necessitam de aprovação do CONEP, vinculado ao Ministério da Saúde. A Resolução 196/96 incorporou os princípios da bioética autonomia, beneficência, não maleficência e justiça à legislação brasileira, promovendo práticas científicas mais responsáveis. Observa-se, contudo, que ainda existem desafios significativos, como julgamentos conflitantes nas CEUAs, necessidade de maior investimento, fortalecimento das comissões e ampliação do debate público sobre bioética e experimentação animal. A análise realizada evidencia a importância da bioética e da biotecnologia na sociedade contemporânea, demonstrando que, apesar do crescente interesse e das regulamentações, há desconhecimento populacional sobre conceitos essenciais, como os 3Rs, e sobre o papel das comissões de ética. A sociedade mantém percepções divergentes quanto à experimentação animal, refletindo a necessidade de um equilíbrio entre avanço científico e respeito à dignidade da vida. Conclui-se que a bioética, integrada à biotecnologia, constitui um campo em constante evolução, fundamental para o desenvolvimento científico e social. É imprescindível incentivar o diálogo contínuo entre ética, ciência e sociedade, garantindo que o progresso tecnológico esteja sempre acompanhado de responsabilidade moral, respeito à vida e compromisso ético, de modo a promover uma prática científica sustentável, transparente e humanizada
Modelo Didático de Expositor de Fungos: Construção de Artefato Pedagógico para o Ensino de Ciências.
Como sabemos, ensinar Ciências na Educação Básica é um desafio constante, principalmente quando se trata de conteúdos que, por mais que sejam presentes no nosso dia a dia, acabam sendo pouco explorados dentro de sala de aula. É o caso do estudo da micologia, organismos que geram curiosidade, ao mesmo tempo que existe uma certa resistência entre os estudantes, já que na grande maioria das vezes os fungos são só lembrados por seus aspectos negativos, como intoxicações alimentares e doenças. No entanto, com essa visão limitada acabam deixando de lado grande importância ecológica e biológica, mas sabemos que possuem um papel crucial, atuando na decomposição de matérias orgânicas, para manutenção da vida, no equilíbrio de ecossistemas, produções de alimentos, bebidas e de medicamentos, além de fazerem parte da biodiversidade que sustenta os ecossistemas. Considerando esta brecha, nota-se a necessidade de novas estratégias pedagógicas que despertem o conhecimento científico da realidade dos estudantes, promovendo o engajamento, curiosidade e despertando o interesse. Neste trabalho, pretende-se apresentar os fungos por meio de um Modelo Didático de expositor de Fungos, proporcionando uma abordagem acessível, visual e lúdica. Esse artefato foi desenvolvido na componente curricular de Microbiologia, na qual os discentes deveriam escolher um dos temas abordados em aula e elaborar um artefato pedagógico, capaz de ser utilizado em diferentes contextos e níveis, favorecendo tanto o ensino de Ciências como em outras áreas tornando-se uma ferramenta interdisciplinar. Nesse sentido, emerge a ideia do expositor em forma de miniatura, com modelos que foram confeccionados manualmente com isopor e massa de modelar, representando com modelos tridimensionais de espécies diferentes e com grande relevância, como Candida albicans, Cordyceps militaris, Cryptococcus neoformans, Amanita phalloides, Sarcoscypha coccinea e Clavulina cristata. Para elaborar a sua elaboração foi necessário pesquisas bibliográficas, levantamento de informações científicas, seleção das espécies, produção artesanal dos modelos e a montagem do expositor, simulando uma exposição científica. O produto educacional, permitiu que os estudantes envolvidos vivenciassem as etapas da investigação, socialização e produção do conhecimento. Ao ser utilizado em atividades didáticas, foi possibilitado que os acadêmicos manipulassem e observassem os modelos, sendo fundamental para estimular debates, reflexões e perguntas sobre a diversidade fúngica. Criando este contato com modelo concreto, foi possível ainda, superar a abstração que se apresenta em livros e aulas expositivas, gerando participação e despertando maior atenção. O artefato se mostrou um recurso prático e visual que auxilia na articulação da teoria com a prática. Tendo em vista que foi produzido manualmente, despertou olhares curiosos e gerou engajamento, reforçando o sentimento de pertencimento no processo de ensino-aprendizagem. Os resultados evidenciam que o artefato facilitou a compreensão, reduziu a abstração do conteúdo e principalmente incentivou os alunos a relacionar os fungos com situações do cotidiano. Conclui-se que, o Modelo Didático de Expositor de Fungos é uma estratégia eficaz e inovadora para unir ludicidade, compreensão de conceitos complexos, ciência, de forma prática e manual, unindo em um único artefato pedagógico. Desta forma, reforça a necessidade que os estudantes aprendam de forma crítica, dinâmica, lúdica e a viabilizando a aplicação de metodologias diferentes que façam o ensino de Ciências ser mais atrativo, interdisciplinar e que se conecte com a realidade dos alunos
Gamificação em Sala de Aula: Relato com o Jogo "Passa ou Repassa"
A gamificação surge como uma proposta pedagógica promissora para incentivar os estudantes na consolidação dos saberes. Através disso, este relato de uma atividade pedagógica realizada em aula, busca analisar uma estratégia de gamificação e sua eficácia para a construção de saberes e conhecimentos sobre o tema ensino de química. Pensando nisso foi utilizado à ferramenta pedagógica Jogo Passa ou Repassa como uma estratégia de ensino-aprendizagem para consolidação dos saberes. A atividade de ensino, de natureza qualitativa, utilizou da ferramenta Jogo Passa ou Repassa durante dois momentos na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Uruguaiana, no seminário do componente Transformações da Matéria e Quantidades e no Clube de Astronomia, no curso de Licenciatura em Ciências da Natureza. A metodologia da atividade consistia em separar a turma em dois grandes grupos os quais iriam competir entre si. Após a separação dos grupos foi selecionado dois estudantes de cada equipe para ficarem posicionados a frente de um mecanismo com botões e luzes devidamente instalados, cada um em uma extremidade, a seguir o coordenador da atividade formulava uma pergunta sobre os temas já estudados em aula. As perguntas poderiam ser de múltipla escolha ou não. O estudante que pressionasse o botão mais rapidamente ativaria um mecanismo da mesa fazendo com que uma luz posicionada a frente de seu botão se acendesse. A partir de então o estudante deveria responder corretamente a questão ou poderia passar a pergunta para o seu adversário, este poderia repassar a pergunta ou responder, se o aluno respondesse corretamente a pergunta o grupo ganhava um ponto, caso contrário nenhuma das equipes ganharia os pontos e a questão seria respondida por quem estivesse orientando a atividade. Após cada pergunta os alunos que ficaram frente a mesa se revezaram com seus colegas de equipe, o grupo com a maior pontuação ao final da atividade ganharia o jogo. Os resultados da observação indicam um elevado engajamento e participação dos discentes. Identificou-se que a estratégia fomentou a cooperação entre as equipes, com os membros se auxiliando para chegar às respostas corretas. Desenvolveu habilidades de debate rápido e raciocínio sob pressão. Tornou o ambiente de aprendizagem mais dinâmico e participativo, rompendo com a tradicional passividade da sala de aula convencional e criando um ecossistema de aprendizagem colaborativo e estimulante. A metodologia mostrou-se particularmente eficaz na revisão de conteúdos complexos, permitindo identificar e sanar dúvidas de forma lúdica e interativa, além de promover uma avaliação formativa instantânea tanto para discentes quanto para docentes. A flexibilidade da ferramenta permite sua aplicação em diversos contextos educacionais, desde o ensino fundamental até a educação superior. Conclui-se então que a ferramenta Jogo Passa ou Repassa que traz uma estratégia de gamificação pode ser utilizada como uma metodologia de ensino válida para qualquer área do saber, já que as perguntas podem ser facilmente adaptadas de acordo com a necessidade da aula e da turma. A ferramenta demonstrou potencial singular para transformar positivamente a dinâmica de sala de aula, promovendo de forma sinérgica e simultânea a aquisição sólida de conhecimento específico e o desenvolvimento prático de habilidades socioemocionais cruciais para a formação integral, tais como trabalho em equipe, comunicação assertiva, pensamento estratégico sob pressão e gestão emocional