Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
Not a member yet
25936 research outputs found
Sort by
Ler, Refletir e Compartilhar: a Jornada do Café com Histórias
A leitura pode ser compreendida como o ato de interpretar e atribuir significado às informações, contribuindo para o desenvolvimento da criatividade, da capacidade analítica e do senso crítico. Apesar de sua relevância, observa-se que, embora esse hábito seja estimulado desde a infância, tende a se enfraquecer ao ao longo da formação acadêmica Esse fenômeno pode ser explicado, em grande medida, pela mudança de caráter que a leitura assume no ensino superior, quando passa a ser predominantemente obrigatória e de natureza técnica, direcionada à análise de artigos científicos, manuais e textos especializados. Nesse cenário, o prazer associado à leitura literária é frequentemente substituído por uma prática utilitária, voltada unicamente à aquisição de conhecimento específico. Diante desse contexto, o grupo de pesquisa do Laboratório de Biotecnologia da Reprodução (BIOTECH) da Universidade Federal do Pampa, idealizou o projeto de ensino Café com Histórias. A iniciativa foi concebida com o propósito de resgatar o caráter lúdico e prazeroso da leitura, além de fomentar a reflexão crítica e a socialização de ideias por meio de discussões coletivas a respeito das obras selecionadas. O presente estudo tem como objetivo apresentar dados referentes aos encontros do projeto, evidenciar sua contribuição para o estímulo à leitura e destacar os avanços alcançados ao longo de sua execução.O projeto teve início em novembro de 2024 e, até o momento, contou com a participação de nove integrantes, em sua maioria membros da equipe do laboratório. Os encontros ocorrem mensalmente e os convites permanecem abertos ao público, sendo divulgados nas redes sociais do laboratório, com informações sobre a obra a ser discutida e o local do encontro. Até o momento, foram lidas e debatidas três obras: Avesso da Pele (Livro A), Ainda Estou Aqui (Livro B) e A Cabeça do Santo (Livro C). Após cada leitura, os participantes receberam um formulário eletrônico para registrar impressões individuais, sugestões e contribuições para o aprimoramento das próximas edições. Entre as principais perguntas do questionário em múltipla escolha, destaca-se Antes do Café com Histórias, você já tinha o hábito de ler?. As respostas mostraram que 62,5% dos participantes liam apenas ocasionalmente, quando necessário; 25% afirmaram ler dependendo do interesse pelo tema; e 12,5% declararam ter o hábito de leitura espontânea. Já na questão Você conhecia essa obra ou esse autor antes?, 87,5% dos participantes responderam que não conheciam os Livros A nem C, enquanto, no caso do Livro B, 40% já tinham conhecimento prévio. Na sequência, em Recomendaria essa leitura para outras pessoas?, 100% dos membros afirmaram que recomendariam os Livros A e C, mas apenas 20% recomendariam o Livro B. Em relação ao grau de dificuldade, 87,5% avaliaram os Livros A e C como acessíveis e envolventes, enquanto 60% relataram dificuldades de compreensão e manutenção do ritmo da leitura no Livro B. De maneira geral, quando questionados sobre possíveis melhorias no projeto Café com Histórias, algumas sugestões levantadas foram: associar a leitura a uma série ou filme relacionado ao tema; aplicar um quiz ou questionário antes e depois da discussão, a fim de verificar o entendimento da obra com e sem o debate coletivo; e incluir uma dinâmica introdutória para contextualizar o livro no início dos encontros. Portanto, os resultados indicam que o projeto Café com Histórias cumpre seu objetivo de estimular o hábito da leitura e fomentar a reflexão crítica entre os participantes. Observa-se que, mesmo com diferentes níveis de familiaridade com os autores e algumas dificuldades de compreensão, a maioria demonstrou engajamento e apreciação pelas discussões. As sugestões evidenciam interesse em aprimorar a experiência, incorporando dinâmicas e avaliações pré e pós-encontro. Dessa forma, o projeto se caracteriza como uma estratégia efetiva para resgatar o caráter prazeroso da leitura, muitas vezes perdido durante a graduação, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo, crítico e cultural dos membros
Efeitos Tóxicos da Aflatoxina B1 na Saúde Humana
A aflatoxina B1 (AFB1) é uma micotoxina produzida por fungos filamentosos dos gêneros Aspergillus flavus e Aspergillus parasiticus que se desenvolvem em condições de alta umidade e temperatura. A legislação brasileira define a AFB1 como a principal e mais tóxica micotoxina produzida por fungos, com potencial mutagênico e cancerígeno para humanos. É frequentemente encontrada em alimentos do grupo dos cereais e das oleaginosas, como milho, amendoim, arroz e castanhas, devido à contaminação fúngica durante o cultivo e o armazenamento pós-colheita. Possui alta toxicidade e potencial carcinogênico, sendo classificada pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) como carcinogênica para humanos (Grupo 1). A exposição prolongada à AFB1 pode causar alterações na imunossupressão, toxicidade hepática, alterações no desenvolvimento infantil e outros distúrbios sistêmicos. Este cenário é agravado pela vulnerabilidade de populações que dependem de alimentos propensos à contaminação e pela dificuldade de controle em regiões de clima quente e úmido. Populações de países em desenvolvimento são mais vulneráveis à exposição devido à escassez de tecnologias de armazenamento adequado. O estudo teve como objetivo apresentar os mecanismos de toxicidade, analisar os principais efeitos da aflatoxina B1 na saúde humana, as doenças associadas à sua exposição e a importância do controle e monitoramento dos alimentos. O trabalho resultou de um seminário de revisão bibliográfica desenvolvido na disciplina de Toxicologia dos Alimentos do curso de Nutrição. Foi elaborado por meio de pesquisa bibliográfica, sendo consultados artigos científicos, dissertações, teses, livros e publicações governamentais. Os critérios de inclusão envolveram estudos que abordaram os efeitos da AFB1 em humanos, seus mecanismos de ação e implicações para a saúde pública. A seleção dos materiais considerou a relevância científica e a atualidade dos dados, sendo considerados apenas trabalhos com data de publicação nos últimos 10 anos. A partir da ingestão de um alimento contaminado com AFB1, esta substância alcança o trato gastrointestinal e, por ser lipossolúvel, atravessa facilmente a membrana celular da parede intestinal por difusão passiva. Após, segue pela corrente sanguínea até o fígado, onde ocorre a metabolização via sistema enzimático citocromo P450. O produto dessa metabolização é o epóxido aflatoxina B1-8,9-epóxido, um composto altamente reativo e genotóxico que se liga ao DNA das células, desencadeando mutações e lesões celulares. O principal órgão atingido é o fígado sendo que a exposição crônica pode provocar alterações celulares no tecido desse órgão, aumentando o risco de desenvolvimento de carcinoma hepatocelular. O epóxido reativo derivado da metabolização se liga ao DNA dos hepatócitos formando adutos de DNA, os quais promovem erros de incorporação de bases quando as células se multiplicam. Mutações são desencadeadas, assim como a proliferação descontrolada de células cancerígenas. A AFB1 também possui efeito imunossupressor, podendo alterar a produção de citocinas (reduz a produção de citocinas promotoras da imunidade e aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias), diminuir os níveis de linfócitos, suprimir a formação de linfoblastos e diminuir os níveis das imunoglobulinas IgM, IgA e IgG. Essas interferências prejudicam o sistema imunológico e deixam o organismo vulnerável, diminuindo a sua capacidade de combater infecções. Com relação à legislação, quem regulamenta a presença da AFB1 em alimentos no Brasil é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), através da Resolução nº 7, de 18 de fevereiro de 2011. No entanto, a resolução não prevê limites isolados para a AFB1, estipulando apenas o quantitativo para aflatoxinas totais (B1+B2+G1+G2). O limite máximo permitido de aflatoxinas totais em alimentos varia entre 1 e 20 μg/kg. A AFB1 não altera o sabor, o aroma e a aparência do alimento contaminado, por isso representa um risco à saúde pública, uma vez que impossibilita o consumidor de distinguir um alimento contaminado de outro próprio para o consumo. Diante disso, é possível afirmar que a aflatoxina B1 é uma das micotoxinas mais tóxicas que se desenvolvem em alimentos, a qual, mesmo em baixas concentrações, representa um risco significativo à saúde da população. Sua ação mutagênica e carcinogênica pode causar diversas patologias, em especial, no sistema hepático. É essencial promover políticas de vigilância, prevenção e controle ao longo da cadeia produtiva, assim como durante o armazenamento e comercialização dos alimentos, através de programas e incentivos a pesquisa e melhorias no sistema de produção e armazenamento dos alimentos
Uso de Inteligência Artificial em Projetos de Engenharia de Requisitos
O presente trabalho aborda um estudo sobre o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no contexto do ensino de Engenharia de Requisitos (ER). Considerando o crescente uso de IA em atividades acadêmicas e profissionais, torna-se relevante compreender os impactos positivos e negativos de sua adoção nesse campo específico. O objetivo do estudo é analisar como estudantes de graduação utilizaram a IA durante o desenvolvimento de projetos de ER, verificando frequência de uso, percepções sobre ética, impactos no aprendizado e desafios enfrentados. A problemática que motivou este estudo consiste em avaliar se o uso da IA contribui para a aprendizagem ou se pode gerar dependência e acomodação, comprometendo o desenvolvimento de habilidades críticas (Bernardino et al., 2024, Silva et al., 2025).
O trabalho se baseia em uma pesquisa quantitativa e qualitativa, realizada a partir da aplicação de um Survey (Molleri et al., 2016) usando um questionário online como coleta de dados, realizado de forma assíncrona no componente curricular de Resolução de Problemas I (RP I) respondido por estudantes de diferentes grupos. A coleta de dados foi feita a partir de 23 questões distribuídas em cinco seções: perfil, uso de IA em geral, uso no projeto de ER, percepções sobre aprendizagem, e questões éticas e críticas. O formulário foi organizado incluindo perguntas fechadas (múltipla escolha e escalas de frequência) e perguntas abertas (descrição de exemplos de prompts, preocupações e sugestões). A análise foi conduzida a partir de estatísticas descritivas (frequência, média de idades, distribuição por grupo e sexo) e de uma avaliação das respostas abertas por meio de seus temas.
Ao analisar os resultados, percebe-se que a IA esteve constantemente presente nas diferentes etapas do projeto de ER, sendo naturalmente usada pelos estudantes como uma ferramenta de apoio às suas produções. Sobre a percepção do uso da IA, nota-se que a maioria dos participantes relatou um aumento significativo na produtividade de suas tarefas, com avaliações que variaram entre razoável e extremamente produtivo, evidenciando a percepção de que o tempo gasto nas tarefas foi reduzido. Já em relação à qualidade os artefatos produzidos podem ser considerados positivos, visto que a maior concentração de respostas se deu na opção razoável, seguida por alguns apontamentos que indicaram qualidade bastante ou extremamente satisfatória, mas também há presença de uma minoria que classificou os resultados como fracos. Essas percepções diversificadas demonstra que, enquanto a produtividade foi quase unanimemente reconhecida como um aspecto fortalecido, a qualidade dos artefatos ainda gera divergências, podendo significar que embora as IA tenham facilidade em gerar uma grande quantidade de conteúdo, nem tudo produzido é confiável, assim como dito por Mellqvist e Mozelius (2024): embora muitos tenham considerado que a IA produziu requisitos de qualidade superior aos feitos manualmente, também reconheceram que a revisão humana era indispensável para garantir clareza e relevância. Outro ponto relatado foi que, mesmo quando desnecessário, ainda assim foi usado IA em tarefas mais simples devido a sua praticidade e produtividade, o que acabou reduzindo o esforço de raciocínio, trazendo a sensação de dependência sobre a ferramenta.
Os resultados demonstram que a IA foi amplamente utilizada pelos estudantes e teve impacto positivo na compreensão de conceitos e ganhos de produtividade. Entretanto, surgiram preocupações com dependência e perda de autonomia intelectual, principalmente em tarefas mais simples. O resultado obtido através desta pesquisa remete a mesma problemática citada por Vieriu e Petrea (2025), em que é dito no tópico de discussões com base neste estudo, concluímos que a IA oferece benefícios significativos, como aprendizagem personalizada, melhores resultados educacionais e maior engajamento dos alunos. No entanto, também apresenta desafios, como dependência excessiva da tecnologia, diminuição do pensamento crítico e risco de fraude acadêmica" este fato bate com os resultados obtidos por meio da pesquisa de monitoria feita no componente curricular de RP I, dando embasamento aos dados adquiridos. A discussão revela que, embora a IA seja um recurso útil, sua utilização deve ser acompanhada de orientações pedagógicas claras para evitar que substitua etapas essenciais da aprendizagem prática. Além disso, postula-se a forma de uso ético da IA de forma didática. As sugestões dos estudantes indicam a importância de usar IA como ferramenta de apoio, não como substituto do aprendizado, mas como auxiliar do próprio, e de registrar de forma transparente quando essa tecnologia é utilizada em projetos acadêmicos
A Aprendizagem Matemática Sob o Olhar dos Monitores
O presente relato visa abordar a experiência vivida pelos monitores do projeto de monitoria de matemática no primeiro semestre do ano de 2025 na Universidade Federal do Pampa UNIPAMPA - Campus Bagé, no qual participaram seis discentes do curso Matemática-Licenciatura do mesmo campus e de semestres variados como monitores, atendendo os seguintes componentes: Álgebra Linear, Cálculo A, B e C, Elementos de Matemática, Fundamentos de Lógica e Contagem. Fundamentos de Matemática Elementar, Geometria Analítica, Geometria Espacial, Geometria Plana, Teoria Elementar das Funções. Diante dos constantes desafios do meio acadêmico, projetos como o de monitoria se consolidam como ferramentas de apoio pedagógico, contribuindo para a superação de dificuldades acadêmicas, impactando também no fortalecimento do vínculo entre os alunos e conteúdos curriculares. Com isso em evidência, é intuitiva a percepção de que nossa aprendizagem acontece, em grande parte, por meio de interações sociais, o que torna expoente a relevância da cooperação em ambientes acadêmicos, como ocorre na monitoria e em grupos de estudo. Os monitores desempenham aqui um papel de suma importância ao facilitar a comunicação entre docentes e estudantes, contribuindo para a construção de um espaço mais acolhedor e menos hierárquico. Em disciplinas com altos índices de evasão, como Cálculo A, essa intervenção pode ser decisiva, implicando na permanência e bom desempenho dos alunos que buscam esse tipo de apoio. O início dos trabalhos foi se dando individualmente, já que as atividades ocorriam sob demanda, com horários marcados para e por cada um dos orientadores. Objetivamos oferecer suporte aos alunos interessados em um apoio direcionado. Doze disciplinas foram divididas entre os seis participantes do projeto, com atendimentos pré-agendados nos horários de disponibilidade de cada monitor. Nossa oferta era ampla, o que acabou por gerar posteriormente a percepção da maior demanda efetiva em disciplinas específicas como Cálculo e Elementos de Matemática, e por conseguinte, a falta de procura nas demais. Em alguns componentes como Fundamentos de Lógica e Contagem, Fundamentos da Matemática Elementar e Teoria Elementar das Funções tivemos baixa ou nenhuma procura, o que de maneira alguma implica a ausência de dificuldades das turmas nessas outras disciplinas, levando ao questionamento de qual o critério para a busca do recurso das monitorias. Um dos aspectos que pode ter vindo a impactar significativamente é a presença dos monitores na rotina acadêmica dos alunos que buscaram o recurso. Evidenciou-se também que os alunos tendem a buscar a ajuda de alguém já conhecido e próximo, se provando factual tal inferência, poderíamos ter um aproveitamento melhor das monitorias se conseguíssemos aumentar a sensação de proximidade com os alunos de todos os semestres do curso. O projeto foi implementado de maneira a exigir participação ativa dos envolvidos, desde a busca por ajuda, o tempo dedicado aos estudos e o vínculo criado com os monitores para que houvesse assim um ganho considerável nas aptidões dos monitorados. Contudo, também se observou um desafio recorrente: muitos alunos apresentam resistência em manter uma rotina de estudos e em buscar auxílio nas monitorias, mesmo reconhecendo suas dificuldades. De maneira geral, uma pequena parcela dos discentes procura esse recurso, em sua maioria apenas dias antes das avaliações, enquanto outra parte sequer recorre ao suporte ofertado. Essa realidade demonstra a necessidade de estratégias que estimulem o amadurecimento dos estudantes, tendendo a compreensão da importância da participação contínua nas monitorias, o respeito a uma rotina de estudos que não vise apenas a aptidão momentânea para as avaliações, mas como uma estratégia a longo prazo, como parte essencial do processo de aprendizagem. Tendo em vista os pontos discutidos, fica evidente que as monitorias exercem um papel fundamental no processo de aprendizagem, promovendo um ambiente colaborativo e de apoio entre os envolvidos. Ao facilitar a troca de conhecimentos, reforçar conteúdos e estimular a proatividade dos estudantes, a monitoria contribui significativamente para o fortalecimento da compreensão dos conteúdos e para o desenvolvimento acadêmico dos alunos, tanto dos monitores quanto dos monitorados. Assim, iniciativas como esta devem ser valorizadas e incentivadas, pois enriquecem a formação universitária e fortalecem a qualidade do ensino
Experimentação Como Estratégia Didática no Ensino de Química no Pibid: Enfoque na Atividade Experimental Problematizada
Nos dias atuais, é de exímia relevância que a experimentação esteja presente no planejamento pedagógico dos professores da área das Ciências da Natureza, sobretudo da Química. O papel da experimentação não deve limitar-se apenas à comprovação de conceitos teóricos, mas criar espaços para debates e reflexões por meio de situações-problemas reais, associando-as à realidade dos alunos, favorecendo sua compreensão dos problemas relacionados ao seu cotidiano (Leite, 2018). As práticas experimentais apresentam como objetivo promover o aprendizado significativo, e não se tornar apenas mais um material de estudo linear e mecanizado. De acordo com Peruzzi e Fonfonka (2021), a experimentação deve unir a teoria à prática e possibilitar o desenvolvimento da pesquisa e da problematização em sala de aula, despertando a curiosidade e o interesse do aluno. O presente trabalho contempla um relato de experiência de uma prática experimental balizada pela Atividade Experimental Problematizada (AEP) (Silva; Moura, 2018), realizada em uma turma do 2º ano do Ensino Médio na modalidade integrada ao Curso Técnico em Agropecuária de uma escola pública estadual no Rio Grande do Sul no município de Caçapava do Sul. Para isso, este objetiva descrever e avaliar as contribuições de uma AEP sobre soluções químicas, visando a compreensão significativa dos conceitos científicos. A intervenção faz parte das atividades desenvolvidas na escola no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Caçapava do Sul. Os conhecimentos explorados contemplam o estudo das soluções químicas no que se refere aos componentes e o preparo de soluções, solubilidade, concentração e diluição. A intervenção foi planejada e desenvolvida, inicialmente, na esfera teórica dos conceitos e, em um segundo momento, com uma prática experimental nos pressupostos da AEP. A atividade organizou-se a partir de um problema proposto elencado no início do processo, seguido pelo objetivo experimental e diretrizes metodológicas da prática. A metodologia foi balizada pelos pressupostos da AEP, na qual um dos critérios para desenvolver a prática experimental é o desenvolvimento de um problema, que deve anteceder a atividade. O experimento, objeto da prática experimental em questão, deve dialogar com o problema proposto. A intervenção foi organizada de modo que o conteúdo de soluções fosse desenvolvido antes de todo o restante da programação, com a intervenção do PIBID logo em seguida. A AEP desenvolvida pelos bolsistas foi idealizada na reunião semanal do grupo, com o objetivo de construir uma atividade que fosse aplicável e próxima do cotidiano dos estudantes. Neste contexto, a AEP contemplou dois experimentos desenvolvidos em duas horas/aula de 45 minutos, junto a dezoito alunos, sendo que estes dividiram-se em três subgrupos de trabalho para execução das atividades. Para avaliar as atividades no que tange ao objetivo deste trabalho, utilizou-se os seguintes critérios: participação e envolvimentos dos estudantes, discussões entre o grupo de trabalho das questões propostas e possíveis resoluções para o problema proposto. Iniciou-se a AEP organizando todos os materiais e deixando-os prontos para os estudantes antes que os mesmos chegassem. Posteriormente, foi solicitado que eles se dividissem em 3 subgrupos para dar início aos experimentos. Após a conclusão de cada experimento, os estudantes foram desafiados a resolver os cálculos com os dados obtidos, com a utilização das seguintes expressões: C = m/V, onde C é a concentração comum (em g/L), m é a massa do soluto (em gramas) e V é o volume da solução (em litros). C1V1 = C2V2, onde C1 e V1 são a concentração e o volume da solução inicial, respectivamente, e C2 e V2 representam a concentração e o volume da solução final. Como conclusão da AEP, os subgrupos construíram possíveis respostas para o problema proposto no início do processo. Os resultados foram avaliados de maneira qualitativa, considerando a autoria dos estudantes no que compreende a sua aprendizagem sobre os conceitos explorados, os debates e reflexões promovidos durante a atividade e seu nível de interatividade com a atividade proposta. Com as observações e registros realizados é possível destacar a relevância da proposta no que se refere a construção dos conhecimentos sobre soluções, de maneira significativa e contextualizada com situações cotidianas. Nas discussões dos subgrupos de trabalho, verificou-se a curiosidade e o envolvimento positivo dos estudantes, tanto na execução dos cálculos quanto na construção de respostas para o problema em questão. Em síntese, reitera-se a importância de inserir a experimentação no Ensino de Química de forma contextualizada, problematizada e investigativa, como uma possibilidade de despertar o olhar curioso e crítico dos estudantes pelos fenômenos científicos
Jykre Kar: Aprendizagens Interculturais e Educação Escolar Indígena na Perspectiva da Sustentabilidade
O projeto Jykre Kar:aprendizagens Interculturais, desenvolve ações que buscam ampliar a compreensão sobre a diversidade cultural e promover o diálogo entre professores, acadêmicos e comunidades, a partir de diferentes metodologias interculturais. A proposta está em consonância com a Lei 11.645/2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena nos currículos escolares, e se articula com a missão da universidade pública de fomentar processos educativos que valorizem a pluralidade de saberes e modos de vida. O curso conta com dez encontros, que abordam temas relacionados à arte, memória, território e educação escolar indígena, entendida como espaço de fortalecimento da identidade, da língua e dos conhecimentos tradicionais de cada povo. Essas atividades constituem oportunidades de reflexão crítica, troca de experiências e fortalecimento das identidades culturais, gerando impactos positivos, tanto para a formação acadêmica dos participantes, quanto para a valorização das comunidades envolvidas. Durante a trajetória desta edição, participei de dois encontros que marcaram significativamente meu percurso formativo. O primeiro deles, intitulado A arte pedagógica Guarani (FAPEU), destacou o papel da arte como elemento central na pedagogia indígena, revelando a potência das práticas artísticas como caminho de ensino, aprendizado e resistência cultural. O segundo, correspondente ao 3º encontro, foi realizado no Museu das Culturas Indígenas e contou com a presença de Cristine Takuá, liderança indígena do povo Maxakali e coordenadora do museu, residente na Terra Indígena Rio Silveira (Bertioga/SP). Sua fala trouxe reflexões sobre a importância da memória e do patrimônio cultural como fundamentos da sustentabilidade indígena, reforçando que a preservação da cultura, da língua e das práticas tradicionais está diretamente vinculada à sustentabilidade ambiental e social. A metodologia adotada pelo projeto, fundamentada em encontros interculturais e rodas de conversa, possibilita um aprendizado dialógico, em que os saberes acadêmicos e tradicionais se entrelaçam, fortalecendo a interculturalidade como prática educativa. Os resultados dessas ações evidenciam não apenas a ampliação de conhecimentos sobre os povos indígenas, mas também o fortalecimento das identidades, o reconhecimento da diversidade e a sensibilização dos participantes para a importância da educação escolar indígena como política pública de inclusão, resistência e valorização cultural. Enquanto bolsista do projeto, reconheço que a participação nas atividades fortalece meu pertencimento e identidade, aproximando-me da história e das experiências do meu povo e de meus parentes. Essa vivência amplia horizontes acadêmicos e pessoais, reafirmando a relevância da universidade como espaço de construção coletiva e de diálogo intercultural. Nesse sentido, o projeto Jykre Kar dialoga diretamente com o tema do SIEPE 2025 Ciência, Comunidades e Sustentabilidade: Aquífero Guarani como elo transfronteiriço, ao propor uma visão de sustentabilidade que integra natureza, território e saberes tradicionais, reconhecendo que a preservação da água, da terra e da cultura é inseparável do futuro das comunidades. Assim, o Jykre Kar se consolida como uma ação de extensão que articula ciência, educação e memória, reafirmando a importância da interculturalidade na formação acadêmica e na construção de sociedades mais justas e plurais
Plantas Medicinais da Nossa Região: Tradições, Benefícios e Cuidados
No Rio Grande do Sul a utilização de plantas medicinais pela população é muito frequente, sendo estas tradicionalmente inseridas em rituais sociais, como o chimarrão, ou para amenizar sintomas de resfriados, diabete, entre outras doenças. Na nossa região, o uso de chás, infusões ou preparados caseiros à base de ervas como boldo, camomila, hortelã e erva-doce é uma prática bastante frequente. Tanto a transmissão oral quanto a estrutura agrária da região Sul, marcada pela predominância da agricultura familiar e das culturas de imigrantes, indígenas e quilombolas, contribuem para a divulgação e produção de conhecimentos empíricos sobre plantas medicinais. Assim, com o objetivo de resgatar alguns desses conhecimentos e divulgar os benefícios e tipos de preparações das plantas medicinais, buscou-se elaborar uma sequência didática para o Ensino Fundamental, a fim de elucidar sobre os cuidados e os potenciais riscos associados ao seu uso. Isso se justifica, pois muitas plantas medicinais possuem compostos bioquímicos que exigem atenção às dosagens e as contraindicações, especialmente para pessoas com condições de saúde que requerem maior cuidado e atenção. Desse modo, foi elaborada uma sequência didática vinculada ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), do núcleo Biologia, do Campus São Gabriel da Unipampa. Na primeira aula foi utilizada a metodologia expositiva dialogada, com o auxílio da sala de recursos audiovisuais da escola-campo Presidente João Goulart, na qual foram apresentados slides com informações sobre formas de uso, propagação, indicações e contra indicações. Uma segunda aula, de abordagem prática, foi realizada na semana seguinte, na qual os estudantes plantaram mudas de plantas medicinais em vasos e canteiros da escola. Divididos em grupos, eles realizaram essa atividade sensorial, dividindo tarefas cooperativamente. Para introduzir o tema, na primeira aula realizamos uma roda de conversa com a turma debatendo sobre as plantas que os estudantes já utilizavam e suas experiências pessoais e hábitos familiares de uso. Apresentamos brevemente as indicações e contra indicações dos usos medicinais, bem como partes utilizadas e forma de preparo. Uma das bolsistas responsáveis pela execução da intervenção levou para a sala de aula várias plantas medicinais que cultiva em seu jardim, assim os estudantes tiveram a oportunidade de explorar as plantas através dos sentidos (cheirar e tocar), como forma de memorização e ativação de outros processos cognitivos. No momento em que as plantas foram trocadas entre os estudantes houve muito diálogo e curiosidade para descobrir as espécies das plantas, seus possíveis usos, cheiros e sabores. No dia 9 de julho deste ano houve a finalização da sequência didática, com a realização de uma oficina de cultivo de plantas medicinais em vasos. Para tanto, no dia anterior foi preparada uma área do canteiro no anexo da escola que já era utilizada como jardim, a atividade foi aplicada com os alunos da turma 60 e 61, no espaço da frente da escola. Em cada turma, os estudantes foram separados em grupos de 3 a 4 alunos para trabalhar conjuntamente em cada vaso. Nos vasos foram usados material decomposto e solo rico em matéria orgânica e as plantas (mudas) foram transplantadas para os mesmos. Os vasos foram dispostos na lateral da escola para serem cuidados pelos estudantes. Durante a atividade os estudantes demonstraram muito interesse e tiveram a oportunidade de desmistificar conceitos errôneos, bem como de perceber que as substâncias presentes nessas plantas podem representar riscos à saúde ou, se usadas corretamente, trazer inúmeros benefícios. Considera-se de suma relevância que temáticas como estas sejam trabalhadas com os estudantes em suas atividades; visto que, fazem parte de seus cotidianos e representam uma forma efetiva de promoção de alfabetização científica destes estudantes, aliando a oportunidade de aproximação da ciência com saberes-fazeres tradicionais e o contexto sociocultural da comunidade escolar
Água: Essencial e Escassa. Uma Intervenção Didática com Alunos do Sexto Ano do Ensino Fundamental
Este trabalho apresenta os resultados de uma intervenção pedagógica realizada com alunos do sexto ano do ensino fundamental de uma escola pública no município de São Gabriel, no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). A ação, com o tema "Água: Essencial e Escassa", teve como objetivo principal promover a conscientização sobre a importância e a limitação da água, bem como estimular a reflexão sobre o impacto das ações humanas na sua disponibilidade e qualidade. O estudo buscou testar o impacto de uma abordagem que combina a exposição teórica com atividades práticas e contextualizadas, alinhadas aos objetivos de pesquisa previamente definidos. A intervenção foi concebida com base na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), especificamente na área de Ciências da Natureza, que aborda a competência socioambiental e de investigação científica, e na habilidade (EF06CI06) que foca na importância do saneamento básico e da qualidade da água. Complementarmente, o planejamento integrou o Referencial Curricular Gaúcho (RCG), valorizando a compreensão e o engajamento com as questões socioambientais específicas da região do Rio Grande do Sul. A estratégia didática foi concebida para uma intervenção total de aproximadamente quarenta e cinco e cinquenta minutos, dividida em três momentos distintos para maximizar o engajamento e a aprendizagem. O primeiro momento, de Sondagem e engajamento com um tempo de dez minutos, teve o propósito de ativar o conhecimento prévio dos alunos e despertar o interesse para o tema. O professor iniciou a atividade com perguntas abertas, como: "O que vem à mente de vocês quando falamos em 'água'?", "Onde encontramos água no nosso dia a dia? Para que a usamos?" e "Vocês acham que a água que usamos é infinita, ou pode acabar um dia?". A intenção era incentivar a participação ativa e a livre expressão de ideias, criando um ambiente de diálogo. O segundo momento, de Apresentação do Assunto e Conhecimento, disponibilizou-se um tempo de vinte a trinta minutos, consistiu na transmissão do conteúdo teórico de forma clara, didática e visualmente atraente. Foram utilizados slides que abordaram tópicos essenciais como a distribuição da água no planeta com foco na diferença entre água salgada e doce, a escassez da água potável disponível, o ciclo da água como evaporação, condensação, precipitação, infiltração e escoamento, as principais fontes de poluição citando-se lixo, esgoto, agrotóxicos e a importância do uso consciente e do saneamento básico. A exposição foi complementada com a exibição de um vídeo educativo curto, disponibilizou-se de três a cinco minutos para este momento, a fim de reforçar os conceitos de maneira visual e auditiva. O terceiro e último momento, de verificação do aprendizado, disponibilizou-se dez minutos, foi a etapa de maior relevância prática e avaliativa. Os alunos foram organizados em grupos para a produção de cartazes, respondendo a perguntas-chave sobre o tema e propondo ações de economia de água e de cuidado com o meio ambiente. Esta atividade buscou consolidar o aprendizado de forma prática e colaborativa, permitindo que os estudantes aplicassem os conceitos teóricos adquiridos à sua própria realidade. Os objetivos de pesquisa foram centrados em três eixos sendo o primeiro identificar o nível de compreensão dos alunos sobre a escassez hídrica. O segundo observar a capacidade de relacionar suas práticas de consumo com a poluição. E o terceiro avaliar o potencial da intervenção em estimular a mudança de hábitos. A avaliação do projeto, baseada na observação da participação e no engajamento dos estudantes na confecção dos cartazes, demonstrou que a intervenção facilitou a aprendizagem e a assimilação dos conceitos. O entusiasmo manifestado pelos alunos ao longo da atividade evidenciou o sucesso da abordagem em captar a atenção da turma e em gerar uma consciência inicial sobre a importância do uso consciente da água. Os cartazes, ricos em ilustrações e propostas concretas, serviram como evidência de que os alunos conseguiram conectar a teoria à prática, reconhecendo a importância de suas ações individuais e coletivas. Conclui-se que a abordagem pedagógica aplicada, ao combinar a transmissão de conhecimento com atividades práticas e contextualizadas, foi eficaz para o aprendizado e para a promoção da conscientização dos participantes. Durante intervenção demonstrou-se que a mobilização dos estudantes, a partir de um tema relevante para a sua realidade, é fundamental para que o conhecimento científico seja assimilado e transformado em atitudes e comportamentos mais sustentáveis no dia a dia
Desmistificando Pseudociências: o Papel da Ciência na Sociedade
O presente trabalho de iniciação à docência foi desenvolvido durante o desenvolvimento do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação a Docência, o PIBID, por um estudante do curso de Ciências Biológicas-Licenciatura providenciado pela Universidade Federal do Pampa, UNIPAMPA (Campus São Gabriel), na Escola Municipal Carlota Vieira da Cunha, com educandos de uma turma de 7º ano do ensino fundamental. Dentre as atividades que a equipe do PIBID propôs para a produção na escola, foi elaborada uma atividade que visou diferenciar conceitos da ciência, seus múltiplos métodos e bases teóricas, de maneira razoavelmente aprofundada, da pseudociência. Com o intuito de levar pensamento crítico à sala de aula de uma maneira estruturada, ajudando na compreensão epistemológica da prática e produção do conhecimento científico, relativos à natureza da ciência, e buscando afastar mitos e concepções inadequadas sobre a forma como a ciência é feita por pesquisadores e como são comumente disseminados na nossa cultura popular. A atividade foi feita com o interesse especial em manter alguns elementos lúdicos na forma de apresentação, com animações entre slides e exemplos mais interessantes e cativantes, para manter o interesse dos alunos, além disso, se buscou de manter pontos em que interação mais direta, com um espaço mais amplo dado para as possíveis perguntas dos alunos poderiam ter mantido ao final de cada etapa, ou slide crucial. Os exemplos se mantiveram principalmente descontraídos e de interesse para alunos que vivem na era da tecnologia e das telecomunicações, e focaram principalmente em fornecer uma capacidade mais embasada de analisar a credibilidade de produtos e das informações disseminadas, e os perigos de alguns pontos de venda pseudocientíficos, com exemplos recentes, além da disseminação não crítica da pseudociência pelos meios de comunicação, como em específico os meios audiovisuais populares com a demográfica como no Youtube e no Tiktok. A atividade teve também grande interesse na aquisição de dados concretos, e específicos, sobre tanto o conhecimento prévio adquirido pelos alunos sobre a ciência, seus métodos e conceitos, e como estes eram compreendidos na pratica por eles, além de dados úteis sobre o rendimento dos alunos após a atividade ser realizada e finalizada, abrangendo se houve desenvolvimento de uma visão mais crítica e consciente sobre a ciência e seus métodos após a atividade, comparada a antes. Isso foi feito a princípio com a produção anterior de dois questionários impressos de múltipla escolha, dados aos alunos, cada um com cinco perguntas de marcar, em que havia overlap entre um número de perguntas anteriores e posteriores, além de perguntas distintas com o intuito de mensurar o desenvolvimento de alguns conceitos nos alunos, e nível de conhecimento geral esperado pela demográfica. As respostas foram dadas de maneira anônima pelos alunos a lápis e recolhidas e comparadas depois da intervenção acabar. Esta atividade foi proposta, por múltiplos motivos, não só para aumentar o conhecimento dos alunos sobre tópicos importantes na ciência e pesquisa, de maneira engajante, levando ao interesse, mas também, mais concretamente devido à observada carência de embasamentos dados aos alunos na escola e lar, para navegar de maneira segura o oceano de informações encontrado nos dias de hoje, na internet como meio de comunicação, visando providenciar bases para a diferenciação mais analítica de informações confiáveis e não confiáveis que esta pode providenciar. Foi observado, com a finalização da atividade, grande interesse dos estudantes durante a apresentação de exemplos mais concretos fornecidos, demonstraram engajamento e aplicação funcional dos critérios debatidos para distinção entre ciência e pseudociência. O que nos leva a concluir que a intervenção logrou o sucesso desejado concernente aos seu objetivos, promovendo um amadurecimento epistemológico em relação à natureza da ciência e maior capacidade crítica de reconhecimento de informações não-confiáveis, como perspectivas negacionistas e pseudocientífica
Poesia e literatura: sentimentos, escuta e empatia
Este trabalho busca apresentar a prática dentro do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Tanto para os alunos quanto para o professor, trabalhar com textos literários em sala de aula tem se revelado uma experiência transformadora. A poesia e a literatura fazem despertar sentimentos profundos, as crianças ampliam a escuta e acabam refletindo mais sobre o mundo e sobre nós mesmos, demonstrando empatia ao se colocarem no lugar de quem sente fome, não apenas de alimento, mas de esperança e dignidade. Como no texto A Fome Comeu¨ de Cecília Meireles, trabalhado no 4º ano do ensino fundamental de uma escola pública. Quando leem poemas que abordam a fome, a desigualdade ou a saudade, os alunos tendem não apenas a compreender com racionalidade, mas também sentem a força que essas palavras têm. Muitos acabam contando lembranças pessoais, histórias familiares ou alguma situação que vivenciaram. Essa aproximação entre a palavra poética e a vida real aumenta a consciência e a construção de uma forma de ver a sociedade mais crítica. Além de aproximar as crianças entre si, pois ao compartilharem esses momentos, sentimentos e reflexões, elas percebem que não viveram isso sozinhas, seja nas suas alegrias ou angústias. A sala de aula acaba se transformando em um espaço de encontro onde as diferenças deixam de ser um problema ou até mesmo barreiras e passam a ser pontes para uma conversa amigável, nos mostrando que a diversidade não é um obstáculo e que com a literatura transforma-se em um caminho potente para desenvolver valores humanos. A participação ativa dos alunos surpreende e faz perceber como é possível despertar a consciência social desde cedo. A cada encontro, nota-se nas crianças uma abertura sincera para discutir diversos temas. A proposta de desenhar e escrever sobre o que gostam em si mesmos promove autoestima e orgulho pessoal. Não tem como não reparar no brilho dos olhos deles, o poder de se reconhecerem como únicos e valiosos ao trabalhar com o texto Menino de todas as cores de Luiza Ducla Soares, onde os alunos responderam: O que o menino branco aprendeu nas viagens? O que cada cor representa no poema? Por que é importante respeitar e valorizar as diferenças? O momento de partilha tem como objetivo estimular a escuta ativa e o respeito às falas dos colegas, promover a valorização da desigualdade cultural e étnica, desenvolver habilidades de oralidade, memória e afetividade. Transformando a sala de aula em um momento acolhedor e cheio de descobertas. Essa aula reforça no professor a importância de valorizar a diversidade e trabalhar com temas que tocam a alma. As histórias e os poemas se tornam pontes entre o conteúdo e a vida, revelando memórias, afetos e compreensões singelas, mas potentes. É tocante perceber como os alunos se emocionam, se identificam, se escutam e começam a se respeitar. Trabalhar o texto Amoras de Emicida faz despertar o prazer pela leitura, desenvolve habilidades de compreensão e interpretação de texto, além de ampliar o vocabulário, promovendo a reflexão e a análise. Essas aulas reafirmam a importância de uma educação sensível, que acolhe e valoriza cada voz e cada cor que compõem o nosso coletivo. Sinto que plantamos pequenas sementes de empatia e valorização do outro. Percebe-se que a literatura vai além do simples ato de ler e sim, ela é um convite para sentir, para imaginar e também se reconhecer na experiência do outro. A forma com que eles escrevem sobre si mesmo, de poder olhar pra dentro e se reconhecer com todas as suas qualidades é muito poderosa, pois em casa frase escutada tem uma certeza se criando, uma afirmação de identidade: Eu gosto do meu sorriso, Eu gosto de ser amigo, Eu gosto de desenhar. Esses pequenos gestos ajudam a construir de forma positiva e genuína. A literatura, nessa forma, serve como espelho e janela: espelho que reflete quem já somos e a janela que vai abrindo possibilidades para ver além do que já sabemos que somos. Percebe-se que trabalhar a poesia explora o poder da linguagem de uma forma criativa, com ritmo, imagens, metáforas e até mesmo sensações que os versos provocam. Mesmo num verso curto dizer tanto com tão poucas palavras, despertando o prazer pela leitura e pela escrita, criando uma outra forma de comunicação. Sem deixar de destacar o quão importante é a escuta com atenção, fortalecendo o diálogo entre o educador e o aluno, que é transformador e transforma a escola em um ambiente mais humanizado, onde não se aprende apenas por conteúdos e sim com valores que sustentam a vida em comunidade. Essas experiências mostram que a literatura é um recurso pedagógico muito potente, capaz de formar leitores críticos e seres humanos mais empáticos e conscientes, capazes de sonhar e de transformar a realidade