Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    A Hora do Conto: Uma Proposta de Incentivo Experiência Literária na Educação Infantil

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    Este estudo é resultado de uma pesquisa realizada no Mestrado Profissional em Ensino de Línguas, da Universidade Federal do Pampa, campus Bagé/RS. Trata-se de uma narrativa sobre as estratégias de Letramento Literário (COSSON, 2009) que favorecem a Experiência Literária (LARROSA, 2011) a partir da contação de histórias. A pesquisa reflete sobre como promover momentos que oportunizem à criança experiência com a literatura e de que forma o desenvolvimento de um projeto de letramento literário pode colaborar nesse propósito? O estudo foi desenvolvido em uma turma de Pré-escola II, da Educação Infantil, em uma Escola Municipal de Ensino Fundamental em Bagé, que já possuía uma biblioteca itinerante e inaugurou uma "Sala Literária" dedicada à leitura e contação de histórias, equipada com recursos como livros, fantoches e aventais. O objetivo geral da pesquisa foi investigar e analisar as vivências dos alunos com a leitura para considerá-las na elaboração de um projeto de letramento literário, oportunizando experiência literária e favorecendo a formação de uma comunidade de leitores na Educação Infantil, tendo como objetivos específicos apresentar e descrever estratégias de letramento literário que visem favorecer a experiência literária; discutir o uso dos recursos multimodais para a formação de uma comunidade leitora; propor, via sequência expandida de letramento literário, momentos que oportunizem experiência literária a partir da contação de histórias e elaborar um produto pedagógico que promova a formação do leitor literário. O produto pedagógico será uma unidade didática com orientação para professores sobre o desenvolvimento de um projeto de letramento literário. A unidade didática será organizada pelas sete etapas da sequência expandida de Cosson (2014) e tem como objetivo geral que os professores possam orientar os alunos a reconhecerem a leitura literária como uma prática importante e prazerosa, valorizando a produção literária como patrimônio cultural. Os objetivos específicos incluem o planejamento de momentos para os alunos vivenciarem a experiência literária por meio da leitura e contação de histórias, em consonância com as práticas sociais mediadas por diferentes linguagens (BNCC, 2018). Nosso estudo é uma pesquisa do tipo qualitativa no campo da linguística aplicada (HEBERLE, 2005) com estratégia metodológica de pesquisa-ação (TRIPP, 2005), por compreender o letramento literário como um processo de apropriação da linguagem literária, que acontece com a língua em movimento através da construção literária dos sentidos e da intencionalidade das escolhas linguísticas (COSSON, 2009); e por objetivar a produção de um material didático que incentiva o processo de construção e descrição da aprendizagem. Como aporte teórico para dialogar sobre Literatura infantil na escola: do direito à experiência literária, trazemos Zilberman (2003) e Larrosa (2011); refletimos sobre a Hora do Conto: por que e como contar histórias? a partir de Abramovich (1993) e Benjamin (1998); discutimos o letramento literário como metodologia de ensino com Cosson (2009), Paulino e Cosson (2009) e Colomer (2007); por fim tratamos das multimodalidades dialogando com Rojo e Moura (2019) e com a Base Nacional Comum Curricular (2018). Primeiramente as crianças foram motivadas a participarem da realização das atividades, logo após conheceram sobre o tema a ser trabalhado e depois realizaram leituras, sempre expondo suas construções de sentido ao longo das atividades realizadas. As sete etapas do desenvolvimento da sequência expandida proposta por Cosson (2009), relacionam os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento previstos na BNCC para a etapa da Educação Infantil, no campo de experiência Escuta, fala, pensamento e imaginação, com as estratégias de letramento literário mobilizadas. Contudo, as crianças percorreram um caminho de construção a partir das experiências com a literatura, iniciando como expectadoras nas contações de histórias e finalizando como autoras, contando histórias para os colegas. Como encaminhamentos parciais da pesquisa, percebemos que do processo de preparação das crianças até a confecção do livro da turma, houve espaço e muito estímulo para a criação, reflexão e autoria, oportunizando que as crianças passassem do papel de expectadores para o papel de autores. Assim, esperamos que o que foi construído ao longo deste estudo possa colaborar para que outros professores reflitam e se conectem às estratégias de ensino propostas para uma prática pedagógica que contemple a literatura infantil, e que pretenda, de fato, contribuir para a formação de uma comunidade leitora no ambiente escolar

    Elaboração de Aplicativo para Dispositivos Móveis dos Códigos Culturais Materiais de São Borja - RS

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    O avanço das tecnologias digitais e a expansão do uso de aplicativos móveis impactaram profundamente a sociedade contemporânea, modificando formas de comunicação, lazer, consumo e turismo. No Brasil, essa tendência é expressiva, com altas taxas de uso e uma integração cada vez maior de serviços digitais ao cotidiano. Inserido nesse contexto, a presente pesquisa, ainda em andamento, tem como objetivo desenvolver um aplicativo turístico para o município de São Borja - RS, cidade de importância histórica, cultural e política, reconhecida no contexto das Missões Jesuítico-Guarani como patrimônio mundial pela UNESCO. O município se destaca por ser a 'Terra dos Presidentes', berço de Getúlio Vargas e João Goulart, e também pela intensa vida cultural, que inclui manifestações tradicionais, como a cultura gaúcha e o fandango, além de eventos que reúnem milhares de pessoas da cidade e de outras localidades, como o Festival de Bandas Escolares e o Carnaval, conhecido como Cais Folia, considerado um dos mais famosos da região. Além disso, a presença de instituições de ensino público, tais como a Universidade Federal do Pampa (Unipampa), a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e o Instituto Federal Farroupilha (IFFar) reforçam a relevância acadêmica e cultural da cidade, transformando-a em polo educacional e científico. Essas instituições contribuem não apenas com formação e pesquisa, mas também com projetos de extensão que promovem a preservação do patrimônio missioneiro e estimulam o turismo acadêmico, complementando os fluxos turísticos históricos, culturais e de fronteira. A cidade também se beneficia da Ponte Internacional que a liga a Santo Tomé, na Argentina, estrutura estratégica que facilita o intercâmbio cultural e econômico e amplia o fluxo de turistas internacionais. Esse ponto de conexão fortalece o caráter transnacional de São Borja, tornando-a porta de entrada para visitantes estrangeiros e consolidando sua relevância no turismo de fronteira. A metodologia da pesquisa está estruturada em etapas sequenciais. Primeiramente, realizou-se revisão bibliográfica e documental sobre turismo e tecnologias digitais aplicadas ao setor, a partir de artigos científicos, relatórios institucionais e dados de órgãos oficiais. Na segunda etapa, conduziu-se pesquisa exploratória qualitativa em São Borja, com visitas a atrativos históricos, culturais e naturais, acompanhadas de registros fotográficos e observações de campo. Em paralelo, foi realizado levantamento histórico e documental em museus, bibliotecas e acervos, com o objetivo de sistematizar narrativas sobre cada ponto turístico. Os dados coletados foram organizados em fichas padronizadas e georreferenciados, permitindo a estruturação preliminar de roteiros temáticos interativos. Como resultados parciais, obteve-se um banco de informações robusto, reunindo descrições históricas, registros visuais e localização de atrativos, que servirá como base de conteúdo para o aplicativo. A etapa seguinte, considerada fase central da pesquisa, consistirá no desenvolvimento do aplicativo multiplataforma (Android, iOS e web), priorizando a gratuidade e a facilidade de uso. O sistema deverá oferecer recursos como mapas interativos, rotas personalizadas e fichas descritivas ilustradas, configurando-se como guia prático para visitantes e também como ferramenta educativa para a comunidade local, que muitas vezes desconhece aspectos relevantes de sua própria história. Além do caráter técnico, a pesquisa considera o impacto do arcabouço jurídico que regulamenta os aplicativos no Brasil. Destacam-se o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), a Lei Geral de Proteção de Dados - LGPD (Lei nº 13.709/2018), o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) e a Lei do Software (Lei nº 9.609/1998), legislações que garantem proteção à privacidade, aos direitos do usuário e à propriedade intelectual, ao mesmo tempo em que estabelecem deveres para desenvolvedores e provedores. De forma provisória, conclui-se que o projeto apresenta potencial para integrar inovação tecnológica e valorização cultural, promovendo a preservação da memória coletiva, ampliando a experiência turística e fortalecendo a identidade regional. Com apoio das instituições acadêmicas locais e da comunidade, espera-se que a finalização do aplicativo represente não apenas um avanço na oferta de serviços turísticos, mas também um instrumento de educação patrimonial e dos códigos culturais materiais de São Borja, assim como a inclusão digital para o município

    MACHISMO EM CANÇÕES GAÚCHAS E SUA RELAÇÃO COM A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES NA FRONTEIRA OESTE

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    O presente trabalho aborda a violência contra a mulher na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, analisando a forma como o tradicionalismo gaúcho e suas manifestações musicais reproduzem e naturalizam práticas machistas. O estudo integra o projeto de pesquisa intitulado O crime e a arquitetura do medo na região de fronteira do Rio Grande do Sul: uma análise da criminalidade sob a luz das instâncias urbanas, no qual se analisa como a criminalidade e a violência se manifestam em cidades de fronteira do estado, e como os espaços urbanos estão ligados a essas dinâmicas. Parte-se da premissa de que a música molda identidades culturais e, quando transmite mensagens de dominação masculina, reforça a violência contra a mulher. Para o levantamento de dados, foram utilizados os indicadores da Secretaria de Segurança Pública (SSP) nos municípios de São Borja e Uruguaiana nos anos da pandemia (2020-2021) e o ano de 2024, nos meses de janeiro a outubro, levando em consideração todos os tipos de violência que a SSP conceitua. Os registros evidenciam a realidade concreta da violência nas cidades da fronteira marcadas pela alta incidência de agressões e feminicídios, especialmente no período da pandemia de COVID-19. No universo tradicionalista gaúcho, letras de canções tradicionais e nativistas frequentemente reforçam estereótipos de gênero, tratando a mulher como objeto de posse, associando-a à submissão e justificando violências. Categorias como "coisificação", "contemplação da mulher", "animalização", "abandono" e "sofrimento" revelam como as letras perpetuam a lógica patriarcal. Exemplos de músicas conhecidas, como Ajoelha e Chora (Tchê Garotos) e O último baile (Musical JM), ilustram como a violência física, psicológica e até o feminicídio são banalizados em nome da tradição cultural. No contexto dos festivais nativistas, acontecem eventos como a Califórnia da Canção Nativa, em Uruguaiana, e o Festival da Barranca, em São Borja. O primeiro, considerado patrimônio cultural, serviu de espaço tanto para críticas políticas quanto para a perpetuação de valores conservadores. O segundo, realizado de forma restrita e exclusivamente masculina, reforça a exclusão histórica das mulheres do espaço público e artístico. Esses festivais de música tradicionalista acabam reforçando desigualdades de gênero em suas representações culturais. Durante a pandemia, São Borja registrou 476 casos de violência contra a mulher, incluindo 4 feminicídios consumados e 2 tentativas, enquanto Uruguaiana apresentou 1.171 ocorrências, com 4 feminicídios consumados e 9 tentativas. Em ambos os municípios, os números caíram em 2024 (216 casos em São Borja e 409 em Uruguaiana), mas ainda assim permanecem altos e preocupantes. Os dados sugerem que o período de isolamento social acirrou a violência, uma vez que muitas mulheres ficaram confinadas com seus agressores, sem acesso efetivo às redes de apoio. Em regiões de fronteira, a situação é ainda mais crítica devido ao tráfico de drogas e pessoas, à possibilidade de fuga dos agressores para países vizinhos e ao medo das vítimas de denunciar em comunidades pequenas e conservadoras. (Meneghel, et al, 2022) O estudo conclui que a violência contra a mulher na fronteira oeste gaúcha resulta de uma combinação de fatores culturais, sociais e estruturais. Nas músicas gauchescas, ainda se reforçam estereótipos que legitimam a submissão feminina e a violência de gênero. Os dados mostram que, embora os índices tenham diminuído após a pandemia, o problema continua e demanda políticas públicas específicas para a região. Ao mesmo tempo, iniciativas como a eleição da primeira patrona de um CTG (Centro de Tradições Gaúchas) revelam que mulheres que desafiam padrões tradicionais conseguem abrir espaço para mudanças significativas. O enfrentamento da violência contra a mulher requer tanto a desconstrução de discursos culturais machistas, presentes na música e no tradicionalismo gaúcho, quanto o fortalecimento de redes de apoio e campanhas de conscientização voltadas à proteção das mulheres. Assim, a pesquisa representa uma contribuição importante para os estudos de gênero e cultura popular brasileira, oferecendo uma análise crítica de como as manifestações artísticas podem influenciar comportamentos sociais e perpetuar desigualdades. O trabalho também destaca a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre o papel da cultura popular na formação de valores sociais e na promoção de uma sociedade mais igualitária

    Produção e Caracterização de Compactado Verde de Matrizes de Alumínio com Adição de Grafeno

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    A metalurgia do pó é uma técnica de fabricação que permite a produção de peças metálicas a partir da compactação de pós, seguida de sinterização. Este processo é amplamente utilizado na indústria devido à sua capacidade de produzir componentes com geometrias complexas e propriedades controladas. A adição de aditivos, como o grafeno, em matrizes metálicas tem sido objeto de crescente interesse devido ao potencial de melhoria das propriedades mecânicas e funcionais dos materiais resultantes. O grafeno, um material bidimensional com propriedades excepcionais de resistência mecânica, condutividade elétrica e térmica, é um reforço promissor para a fabricação de compósitos metálicos. O objetivo principal deste trabalho é fabricar e caracterizar matrizes metálicas de Alumínio (MAl) com adição de 1% de grafeno, com respeito ao peso de Al. Assim como, compreender o impacto da adição de grafeno nas características microestruturais e morfológicas das MAl, pré-compactadas, que são cruciais para as etapas subsequentes de processamento, como a sinterização. Para cumprir, como este objetivo, a metodologia usada consistiu, em fabricar amostras cilíndricas de Al puro e com adição de 1% em peso de grafeno. Para isto o pó de Al puro foi misturado manualmente com o grafeno em um pote até ficar homogêneo. Em ambos os casos (Al puro e Al+grafeno), 1% em peso de ácido esteárico foi incorporado à mistura. O ácido esteárico atua como um lubrificante durante o processo de compactação, reduzindo o atrito entre as partículas de pó e entre o pó e as paredes da matriz, facilitando a densificação e a ejeção da peça compactada. A compactação foi realizada em uma prensa do tipo IMEC sob uma pressão de 200 MPa. Este processo resulta na formação de um "compactado verde", que é uma peça coesa, mas ainda porosa, que adquire sua resistência final após a etapa de sinterização. As amostras foram cortadas manualmente com uma serra, a fim de obter imagens da seção transversal, sem a realização de lixamento, de modo a evitar qualquer risco de contaminação. Posteriormente as amostras foram caracterizadas por espectroscopia Raman, Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV), com o intuito de ter informação das propriedades químicas estruturais e morfológicas das MAl com e sem grafeno. Resultados Raman desta análise, revelaram a presença de grafeno nas MAl, o qual foi constatado através de pontos escuros nas imagens MEV das amostras contendo grafeno. A observação desses pontos é fundamental para avaliar a dispersão do grafeno na matriz de alumínio. Foi notado que, em algumas regiões, o grafeno apresentava uma distribuição homogênea, indicando uma boa dispersão durante o processo de mistura e compactação. No entanto, em outras áreas, o grafeno mostrou-se aglomerado. A aglomeração de nanopartículas, como o grafeno, é um desafio comum na metalurgia do pó e pode ter implicações significativas nas propriedades mecânicas finais do material. Aglomerados podem atuar como pontos de concentração de tensões, reduzindo a resistência mecânica e a tenacidade do material compactado e, posteriormente, sinterizado. Em conclusão, a adição de 1% de grafeno ao Al, compactado a 200 MPa, demonstra a viabilidade de incorporar este nanomaterial em matrizes metálicas. As análises MEV indicam que, embora a dispersão homogênea seja possível em algumas regiões, a aglomeração ainda é um desafio. A compreensão e o controle da dispersão do grafeno são cruciais para maximizar os benefícios de suas propriedades mecânicas e térmicas

    Matrizes Poliméricas (pva, Pla e Pcl) para o Desenvolvimento de Filmes Orodispersíveis

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    A necessidade de adequação das formas medicamentosas existentes a fim de atender objetivos específicos como a administração à crianças, idosos, pacientes com disfagia (pessoas com dificuldade de deglutição) e demais grupos populacionais vulneráveis (Alzheimer, Parkinson, entre outros), trouxe avanços tecnológicos na área farmacêutica. Filmes para a administração oral de medicamentos têm se tornado de grande interesse por apresentarem vantagens exclusivas em comparação com a administração oral tradicional através de comprimidos e cápsulas incluindo maior taxa de absorção do medicamento, maior biodisponibilidade e melhor adesão do paciente. Os filmes orodispersíveis (ODFs), ou de desintegração oral, são filmes finos, mecanicamente resistentes e flexíveis que são desenvolvidos para se dissolver ou desintegrar rapidamente na cavidade oral. Eles são compostos por uma matriz polimérica, um solvente e um princípio ativo, além da incorporação de aditivos capazes de conferir características específicas como plastificantes, desintegrantes, estabilizantes, surfactantes e aroma/sabor. A escolha da matriz polimérica é um dos fatores mais determinantes e influencia diretamente em propriedades como solubilidade, resistência mecânica e estabilidade. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo comparar o potencial dos polímeros sintéticos biodegradáveis PVA (álcool polivinílico), PLA (ácido polilático) e PCL (policaprolactona) como bases estruturais para a produção de ODF. Foram elaboradas três formulações, com cada um dos polímeros investigados, usando a mesma proporção de polímero e solvente (15% polímero e 85% solvente). Os filmes foram obtidos pela técnica de tape casting m temperatura de 70°C, tempo de cura de 35 min, altura da lâmina de 0,04 mm e velocidade da lâmina de 200 mm/min. Os filmes foram submetidos a caracterizações físico-químicas e mecânicas sendo a espessura determinada por micrômetro digital, a solubilidade avaliada em meio aquoso, a permeabilidade ao vapor de água (PVA) por gravimetria e as propriedades mecânicas, elongação e tensão máxima suportada, por meio de ensaio de resistência à tração, utilizando texturômetro. Foram obtidos valores de espessura de 0,0420 mm ± 0,0041 para PLA, 0,0430 mm ± 0,0047 para PCL e 0,0455 mm ± 0,0143 para PVA. A solubilidade foi de 1,25 % ± 1,34 para PLA, 3,01 % ± 3,37 para PCL e 84,48 % ± 1,19 para PVA. A permeabilidade ao vapor de água foi de 2,12 x 10-12 ± 1,02 x 10-12 para o PLA, 6,30 x 10-15 ± 4,83 x 10-16 para o PCL e 3,82 x 10-12 ± 2,32 x 10-12 para o PVA. A elongação foi de 2,77 % ± 0,18 para PLA, 52,88 % ± 87,49 para PCL e 1,87 % ± 0,42 para PVA e a tensão máxima suportada foi 27,8 MPa ± 1,74 para PLA, 16,4 MPa ± 2,08 para PCL e 72,6 MPa ± 1,19 para PVA. Com base em estudos científicos da área, o parâmetro de solubilidade é o mais relevante para a determinação do polímero a ser utilizado. Em relação aos valores apresentados pode-se observar que PLA e PCL demonstraram limitações quanto à solubilidade além de maior rigidez, o que os tornam menos adequados para essa finalidade. Contudo, o PVA apresentou um equilíbrio entre a solubilidade e a resistência mecânica, configurando-se como uma base viável para ODFs. Dessa forma, conclui-se que a seleção do polímero influencia no desempenho de filmes orodispersíveis e que na comparação o PVA mostrou-se mais promissor para o desenvolvimento dessas novas formas medicamentosas sendo o selecionado para a etapa futura da pesquisa de incorporação de princípio ativo

    Concreto Armado Sob Ataque: o Papel do Aditivo Cristalizante na Corrosão Acelerada

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    O concreto armado é um dos materiais construtivos mais utilizados no mundo devido à sua resistência mecânica, versatilidade e capacidade de ser moldado. Entretanto, apesar de sua ampla aplicação e vantagens, esse material apresenta vulnerabilidades relacionadas à sua durabilidade, especialmente quando exposto a ambientes agressivos. Entre os principais problemas que comprometem a integridade e a vida útil das estruturas de concreto armado está a corrosão das armaduras, processo que pode ser intensificado pela presença de microfissuras. As microfissuras atuam como pontos de entrada para agentes agressivos, como cloretos, sulfatos e dióxido de carbono, que aceleram o processo de degradação das armaduras e, consequentemente, da própria estrutura. Diante do exposto, torna-se interessante a busca por soluções inovadoras que possam reduzir os efeitos deletérios da penetração de agentes agressivos e, ao mesmo tempo, aumentar a durabilidade das estruturas de concreto armado. Uma alternativa que tem despertado crescente interesse na comunidade científica é a utilização de aditivos cristalizantes. Esses aditivos possuem a capacidade de reagir com os produtos da hidratação do cimento e com a umidade presente no interior da matriz cimentícia, formando cristais insolúveis que preenchem poros e microfissuras. Esse mecanismo não apenas reduz a permeabilidade do concreto, dificultando a penetração de agentes agressivos, como também contribui para a autocicatrização do concreto (self-healing), definida como a capacidade das matrizes cimentícias de reparar microfissuras, por meio da hidratação tardia de grãos anidros, da formação de carbonatos ou da ação de aditivos cristalizantes e adições minerais. Apesar do potencial promissor dos aditivos cristalizantes, ainda existem lacunas significativas no que diz respeito à avaliação de sua eficiência em condições reais de exposição e, principalmente, em elementos estruturais fissurados. A literatura científica apresenta avanços consistentes quanto ao estudo de autocicatrização em concretos e argamassas, mas há escassez de pesquisas focadas em estruturas de concreto armado submetidas a pré-carregamentos que induzam microfissuras, seguidas de exposição a ambientes agressivos que favoreçam a corrosão das armaduras. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a influência da adição de um aditivo cristalizante no processo de autocicatrização de microfissuras em prismas de concreto armado. Para alcançar esses objetivos, foram moldados dois traços de concreto: um considerado de referência, sem aditivo cristalizante, e outro com a incorporação do aditivo cristalizante. Em ambos os casos, parte dos corpos de prova foi submetida a um processo de pré-carregamento, com o intuito de induzir microfissuras que simulassem condições de fissuração precoce em estruturas reais. Essa etapa foi fundamental para avaliar a capacidade do aditivo em atuar de forma efetiva na selagem de microfissuras e na prevenção de processos corrosivos subsequentes. Os ensaios experimentais incluíram a determinação da resistência à tração na flexão, a absorção de água por capilaridade e a corrosão acelerada por imersão modificada (CAIM). A escolha desses métodos se justificou pela relevância em caracterizar tanto o desempenho mecânico quanto a resistência do concreto frente à ação de agentes agressivos. Os resultados obtidos demonstraram que o aditivo cristalizante contribuiu de maneira significativa para a selagem de microfissuras e para a redução da permeabilidade do concreto. Esse efeito foi particularmente expressivo nos corpos de prova submetidos ao pré-carregamento, indicando que o material apresenta potencial para favorecer a autocicatrização em situações de fissuração precoce. Além disso, constatou-se uma redução significativa na absorção de água nos concretos com aditivo, o que sugere maior resistência à penetração de substâncias agressivas, reforçando a hipótese de aumento da durabilidade do material. Outro aspecto relevante foi a análise da corrosão das armaduras. Observou-se uma tendência de redução da perda de massa das barras de aço inseridas nos concretos com aditivo, quando comparadas às do traço de referência. Embora esse efeito ainda demande estudos complementares para ser comprovado em longo prazo, os dados sugerem que o uso do aditivo cristalizante pode oferecer uma barreira adicional à progressão da corrosão, aumentando a vida útil das estruturas. Diante dos resultados alcançados, conclui-se que a utilização de aditivos cristalizantes representa uma alternativa viável para promover a autocicatrização de microfissuras e melhorar a durabilidade de estruturas de concreto armado. Essa solução se mostra especialmente relevante em ambientes agressivos, nos quais a penetração de agentes deletérios é um dos principais fatores de deterioração, e em casos nos quais microfissuras precoces surgem devido a solicitações estruturais

    Aquilombar para Resistir: a Experiência do Neabi Quilombo do Pampa

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    A universidade como instituição fundada pelo sistema colonial e a sua branquitude dirigente é um ambiente feito de brancos para brancos. No Brasil, esse modelo foi importado, transformando a universidade em um lugar de privilégios da branquitude, de fortalecimento e uso de narrativas europeias e norte-americanas através de seus currículos (OLIVEIRA, 2019). É complexo alterar tal realidade, pois uma mudança no perfil das pessoas que frequentam o ambiente acadêmico da elite intelectual nacional e que produzem conhecimento científico requer o enfrentamento de um poder hegemônico que tem ciência sobre seus privilégios e não pretende abdicar deles (MORAIS, 2021). Por isso, por longos períodos, as políticas educacionais estatais restringiram o acesso de pessoas de cor à educação básica e superior por muitas partes do globo (BEST COLLEGES, 2021; OLIVEIRA, 2019). Apesar de tentar democratizar a universidade através das ações afirmativas, o Estado esquece haver mais questões a serem superadas para além do ingresso, como a permanência e a conclusão. Assim como, esquece que nessas instituições há uma cultura de exclusão que cria um ambiente pouco acolhedor para esses alunos negros, onde estes são constantemente lembrados de forma implícita ou explicita de que ali não é o seu lugar. Devido a isso, observa-se a persistência dos crimes de ódio contra pessoas não brancas, em particular pessoas pretas, em diversas universidades pelo mundo (BEST COLLEGES, 2021). O que resta então para esses sujeitos resistirem a esse sistema que os rejeita é o aquilombamento (NASCIMENTO, 1989). Sob essa conjuntura, esse escrito é elaborado por duas mulheres negras estudantes, hoje pesquisadoras. Que encontraram no NEABI Quilombo do Pampa acolhimento, pertencimento, conhecimento sobre os marcadores que as atravessam e motivação para dar continuidade nas suas pesquisas. E que ainda resistem à estrutura da "Casa Grande" se aquilombando. Em vista disto, o principal objetivo desta pesquisa é descrever a experiência das (dos) alunas (os), pretas (os) e pardas (os) dentro do Neabi Quilombo do Pampa, da UNIPAMPA Campus Sant'Ana do Livramento, e a importância deste núcleo na suas construções enquanto sujeitas (os) negras (as) pesquisadoras (as). Para atingir tal objetivo, esta pesquisa utiliza como ferramenta metodológica primordial, a escrevivência, conceito cunhado por Conceição Evaristo, que se refere à experiência de escrever a partir da vivência pessoal e coletiva de sujeitos negros, especialmente mulheres negras (EVARISTO, p. 26-46, 2020). Além disso, foi utilizada para realização deste estudo a técnica da entrevista narrativa. Esta técnica de coleta de dados, permite maior liberdade de expressão, ocorrendo de forma individualizada e natural, possibilitando ao indivíduo expor seus pensamentos, experiências, vivências e sentimentos (ALCARÁ; BORTOLIN;SANTOS, 2019). As entrevistas ocorreram com um roteiro semiestruturado composto por quatro perguntas de descrição de perfil e 4 perguntas abertas sobre o tema. Quanto ao roteiro de entrevista semiestruturada, Silva e Russo (2019) explicitam que este roteiro é previamente elaborado, mas permite o surgimento de perguntas durante a interação entre o entrevistador e o entrevistado. Assim, as perguntas não podem limitar o entrevistador, deixando-o disposto a abandoná-las e adotar outras ao longo da entrevista. Dessa forma, este artigo que ainda se encontra na fase de desenvolvimento, é também uma forma de deixar a história do NEABI Quilombo do Pampa registrada, de catalogar o esforço daqueles que construíram esse espaço de luta e daqueles que ainda fazem parte dele e seguem dando continuidade na resistência negra dentro da Unipampa. Para que as próximas gerações de universitários negros entendam a importância desse espaço nessa universidade, e que possam compreender que nesse ambiente tudo que nóis tem é nóis (EMICIDA, 2019)

    O Impacto do Mundo Virtual na Primeira Infância: Percepções e Evidências Sobre o Uso de Telas

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    O uso excessivo de telas na primeira infância constitui um dos grandes desafios do século XXI, uma vez que a tecnologia, embora traga inegáveis benefícios no acesso à informação, à comunicação e ao lazer, também apresenta riscos quando introduzida de forma precoce e desregulada. Diante da recente publicação da Lei 15.100/25, que restringe o uso de celulares nas escolas, como forma de buscar informações sobre a rotina das crianças com as telas, é imperioso buscar essas informações como forma de auxílio à adaptação. Diversos organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), orientam que crianças menores de dois anos não tenham qualquer contato com dispositivos eletrônicos e que, a partir dessa idade, o tempo de exposição seja rigidamente limitado a uma hora por dia, sempre com supervisão de um adulto. Apesar dessas recomendações, o cotidiano das famílias contemporâneas revela uma realidade diferente: crianças ainda em fase de desenvolvimento neurológico passam longos períodos diante de televisões, tablets e celulares, muitas vezes como forma de distração ou até de substituição da presença ativa dos cuidadores. Esse cenário levanta preocupações acerca de impactos no sono, na aprendizagem, nas habilidades sociais e até na saúde mental e física, incluindo risco de obesidade, ansiedade e depressão. A pesquisa realizada buscou compreender tais efeitos por meio de uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório, desenvolvida em uma escola infantil da cidade de Bagé-RS. Foram aplicados questionários estruturados de múltipla escolha a pais e cuidadores de 85 alunos entre 2 e 6 anos, abrangendo turmas do Infantil 2 ao Infantil 5, além de observações práticas com dinâmicas lúdicas. Essas atividades incluíram pinturas com giz de cera, danças, brincadeiras como morto e vivo e elefante colorido e exercícios de respiração, permitindo avaliar aspectos como concentração, interação social, criatividade e autorregulação emocional. O objetivo foi não apenas levantar dados quantitativos sobre tempo de uso e idade de início do contato com as telas, mas também observar na prática as repercussões desse hábito na rotina e comportamento das crianças. Dos 85 questionários enviados, apenas 31 retornaram preenchidos, representando 36% da amostra, o que já evidencia uma baixa participação dos responsáveis e sugere certo desinteresse em relação ao tema. Os dados coletados mostram que 67% das crianças utilizam telas todos os dias e 32% de forma eventual, enquanto apenas uma pequena parcela respeita as orientações de tempo máximo indicadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A idade de início do contato também é alarmante: 29% foram expostas antes de completarem 1 ano, 58% entre 1 e 3 anos, e apenas 12% após os 3 anos. No que se refere ao tempo de exposição, 64% permanecem mais de uma hora diária em frente a telas e 9% têm acesso livre, situação que estudos da Universidade de Cambridge relacionam à queda no desempenho escolar. Quanto ao tipo de dispositivo, 22% das crianças já possuem aparelho próprio, 32% utilizam apenas televisão e 45% têm acesso por meio de aparelhos de familiares, o que amplia o risco de conteúdos inadequados e de exposição a crimes virtuais, tema sensível diante do aumento de 190% das denúncias registradas pela Polícia Federal em 2021, conforme dados da Safernet Brasil. Os resultados apontam ainda que 45% dos cuidadores notaram mudanças comportamentais nos filhos, como impaciência, irritabilidade e dificuldade de concentração. Tais achados dialogam com estudos da Fiocruz, que evidenciam que a estimulação imediata das telas pode prejudicar o desenvolvimento da atenção, aumentar impulsividade e dificultar a autorregulação emocional. Nas atividades práticas, observou-se que muitas crianças apresentavam dificuldade em seguir regras, manter a atenção ou esperar a sua vez, além de demonstrarem inquietação e resistência a limites, o que reforça o impacto direto do uso precoce e intenso da tecnologia. Embora parte dos alunos tenha demonstrado entusiasmo e criatividade durante as dinâmicas, uma parcela considerável mostrou sinais de desinteresse ou irritação quando não podiam controlar as atividades, o que remete ao modo como as telas oferecem gratificação instantânea, moldando comportamentos menos tolerantes à espera e à frustração. Em discussão, conclui-se que a introdução precoce e não regulada das telas compromete múltiplas dimensões do desenvolvimento infantil: a cognitiva, pelo prejuízo no aprendizado e na linguagem; a social, pelo afastamento das interações presenciais e pelo risco de isolamento; e a emocional, pelo aumento de ansiedade, impulsividade e possíveis transtornos futuros. Além disso, a pouca devolutiva dos formulários e a falta de envolvimento dos pais refletem a terceirização do cuidado para os dispositivos tecnológicos, fenômeno que contribui para a naturalização do uso abusivo. O estudo, portanto, reforça a urgência de ações conjuntas entre família, escola e soci

    Desenvolvimento e Análise Sensorial de Um Produto Alimentício Inovador a Base de Charque Bovino

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    O setor alimentício é uma área de crescimento continuo e exponencial, visto que desenvolve um importante papel no contexto mundial, especialmente em questões sociais e econômicas, portanto a busca pela inovação no setor está em constante desenvolvimento. Neste sentido, inovar também pode significar resgatar receitas tradicionais apresentando novas formas de consumo, que visam uma maior conexão ao cliente, este que se encontra cada vez mais exigente nas escolhas dos produtos. Tendo em vista esse contexto, o presente estudo teve como objetivo desenvolver um produto alimentício inovador denominado Chuvinha de Charque, bem como promover uma análise sensorial, a fim de verificar sua aceitação perante o mercado consumidor. Seu desenvolvimento buscou oferecer uma versão atualizada do tradicional bolinho de chuva doce, que agora conta com uma versão de recheio salgado com carne bovina em forma de charque. Sendo esta proteína, uma matéria prima de grande valor cultural, nutricional e econômica para o estado do Rio Grande do Sul, o intuito da pesquisa e desenvolvimento do produto foi proporcionar aos consumidores uma experiência sensorial inovadora e ao mesmo tempo familiar ao paladar. Sua produção foi composta dos seguintes ingredientes: farinha de trigo enriquecida com ferro ácido fólico, charque dessalgado, leite pasteurizado integral, ovos, açúcar refinado, óleo vegetal, fermento químico, sal marinho, alho desidratado, cebola desidratada e tempero verde. Seu modo de preparo consiste em dessalgar e cozinhar o charque, e posteriormente depositar o restante dos ingredientes em um recipiente e homogeneizar bem até adquirir uma consistência que possibilite moldar em formato arredondado (o mesmo que se encontraria presente na embalagem para comercialização), por fim pré-assar em forno à uma temperatura de 180ºC por 10 ou 15 minutos. Em relação a sua apresentação na embalagem disponível ao consumidor, foi desenvolvido um formato que pudesse apresentar as potencialidades do produto, a embalagem era uma forma com tampa de plástico forneável, com capacidade de 5 unidades do produto, contendo 70g cada unidade e apresentava o produto pré-assado e congelado, proporcionando um modo de preparo acessível e amplo, como fornos a gás, fornos elétricos, fritadeiras elétricas ou utilizando gordura vegetal. Todas as informações para comercialização, ingredientes, preparo e forma de conservação, também foram apresentadas aos avaliadores e encontravam-se na parte inferior da bandeja. A logomarca localizada na parte superior da tampa, contendo o nome do produto, nas cores do estado do Rio Grande do Sul, caracterizando ainda mais a sua cultura e identidade. O desenvolvimento do produto ocorreu no período de março a julho de 2025, no componente curricular de Tecnologia de Produtos de Origem Animal, do curso de Medicina Veterinária, do Centro Universitário da Região da Campanha (URCAMP), Campus Bagé, RS. O Chuvinha de Charque, como foi denominado o produto inovador, foi apresentado juntamente a outros produtos com a mesma finalidade, à comunidade acadêmica do Centro Universitário da Região da Campanha (URCAMP) no dia 24 de junho de 2025. O processo de análise sensorial para apresentação do produto contou com participação de 20 avaliadores não treinados, realizando assim uma avaliação a partir do seu próprio processo cognitivo, entre eles, professores, alunos e colaboradores da instituição. A avaliação sensorial foi conduzida utilizando uma ficha estruturada com escala hedônica de 5 pontos, visando mensurar a aceitação dos produtos alimentícios pelos consumidores. Os atributos analisados incluíram, cor, aparência, aroma, sabor, textura e intenção de compra. Cada atributo foi avaliado segundo a seguinte escore: 1 desgostei muito, 2 desgostei, 3 indiferente, 4 gostei, 5 gostei muito. A intenção de compra foi avaliada por meio de uma pergunta direta, com resposta dicotômica ("sim" ou "não"), aplicada após a análise sensorial dos produtos. Essa abordagem permitiu identificar o potencial de aceitação comercial dos alimentos testados, complementando os dados obtidos pela escala hedônica. Os resultados obtidos demonstraram uma ampla aceitação do produto, obtendo uma média aritmética geral de 4,85, sendo cor e aroma de 4,9 e textura e sabor de 4,75, obtendo-se uma porcentagem média de 97% de aceitação do produto. Em relação ao quesito da intenção de compra, todos os avaliadores responderam que sim, teriam a intenção de adquirir este produto. Portanto, mesmo realizando uma alteração considerável em um produto doce e tradicional, para um produto salgado e com a adição de uma proteína animal. Conclui-se com esse estudo, que através das diversas etapas de elaboração até o desenvolvimento completo do produto inovador, juntamente ao seu valor cultural e principalmente a análise sensorial realizada, o produto Chuvinha de Charque apresenta grande potencial de aceitação para possível comercialização e diversificação de derivados cárneos

    Baralho Missioneiro

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    São Borja, fundada em 1682 por padres jesuítas espanhóis e indígenas, representa o primeiro dos Sete Povos das Missões. Em 2026, comemoram-se os 400 anos das Missões Jesuíticas Guarani, conforme os Decretos Estaduais nº 57.369/2023 e nº 57.751/2024, instituídos para promover a valorização cultural e o desenvolvimento regional. Entretanto, grande parte da população ainda desconhece aspectos fundamentais da história missioneira, limitando-se a lembranças superficiais, como Sepé Tiaraju, a Guerra Guaranítica e São Miguel das Missões. Segundo Pinto (2011), as identidades missioneira, pampeana, ribeirinha, trabalhista e fronteiriça convivem em São Borja. Destaca-se que a identidade missioneira se constitui a partir de um repertório de marcadores materiais e imateriais, de representações sociais e de referências geográficas e históricas. Esse conjunto de elementos contribui para a construção de vivências que, muitas vezes, tornam a identidade missioneira nublada e complexa, em virtude da trama de realidades vividas. Ainda assim, tais identidades frequentemente não são reconhecidas pela própria comunidade como patrimônio cultural. Nesse cenário, a Educação Patrimonial torna-se essencial, pois estimula a preservação da memória coletiva e forma agentes multiplicadores entre crianças e adolescentes (IPHAN, 2000). O projeto Baralho Missioneiro nasceu dessa necessidade, com o objetivo de promover o ensino patrimonial por meio de uma metodologia lúdica aplicada na Escola Padre Francisco Garcia. A proposta buscou valorizar elementos materiais e imateriais de São Borja, como casas antigas, vestígios arqueológicos e manifestações culturais, além de reforçar múltiplas identidades locais. O projeto foi desenvolvido em duas etapas. Primeiramente, os docentes apresentaram aos alunos conceitos básicos sobre patrimônio cultural (material e imaterial), utilizando recursos audiovisuais. De acordo com Leenhardt (2011), a educação patrimonial deve aliar teoria e prática para gerar identificação com os bens culturais. Na sequência, os estudantes participaram de oficinas práticas com o Baralho Missioneiro, composto por 20 cartas (10 pares). Cinco pares destacavam patrimônios materiais, comparando imagens históricas e atuais como a pia batismal de pedra grés e a fonte de São Pedro , enquanto os demais pares apresentavam patrimônios imateriais, como a corrida de chalana no Rio Uruguai e a festa do peixe. A atividade consistia em relacionar corretamente as cartas, permitindo identificar transformações, permanências e significados do patrimônio. Para Schmitz (2006), compreender o patrimônio em sua dimensão histórica e arqueológica é essencial para construir vínculos de pertencimento entre gerações. O Baralho Missioneiro proporcionou resultados significativos tanto no campo pedagógico quanto no cultural. Os estudantes, ao interagirem com o jogo, demonstraram maior interesse pela história local e pelo patrimônio missioneiro de São Borja. O recurso lúdico favoreceu a participação ativa, despertando a curiosidade e estimulando a pesquisa sobre os elementos apresentados nas cartas. Também foi constatado um aumento no empréstimo de livros na biblioteca da escola com temas relacionados ao município. Além disso, a atividade fortaleceu o pertencimento identitário e aproximou a comunidade de sua própria história. Como destaca Noelli (2015), a ocupação indígena e jesuítica no território sul-brasileiro deixou marcas profundas que necessitam ser ressignificadas para não se perderem no tempo. O Baralho Missioneiro consolidou-se, assim, como uma ferramenta inovadora, capaz de unir conhecimento e diversão, estimulando a preservação da memória coletiva e a valorização cultural entre os jovens são-borjenses. Referências: COLVERO, Ronaldo Bernardino; MAURER, Rodrigo Ferreira. Olhares sobre o patrimônio móvel missioneiro. 2014. LEENHARDT, Jacques. Bens Culturais: Temas Contemporâneos. Unisalle, 2011. PINTO, Muriel; SILVA, Vitor Jardel. História, memória e as paisagens culturais da cidade histórica de São Borja. 2015. PINTO, Muriel. As identidades culturais em São Borja. 2011

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