Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Verificação da Conformidade com Boas Práticas em Serviços de Alimentação Pela Portaria Ses Nº 799/2023

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    A adequação das Boas Práticas em Serviços de Alimentação é imprescindível para garantir a segurança dos alimentos e, consequentemente, a saúde dos comensais. Os serviços de alimentação são responsáveis pela produção de refeições coletivas e podem ser prestados em diferentes tipos de serviços de alimentação. Para que a produção e demais fatores, como armazenamento, estejam adequados, faz-se necessária uma verificação sistemática. Neste contexto, a componente curricular Higiene de Alimentos e Legislação desenvolveu uma atividade prática em uma unidade de alimentação para avaliação da conformidade, baseada nos critérios estabelecidos pela Portaria SES nº 799/2023. Esta lista de verificação, dividida em tópicos que abordam transporte, documentação, higienização, conservação, entre outros fatores, permite identificar o atendimento às exigências legais e as oportunidades de melhoria no serviço. A aplicação dessas práticas colabora para a efetividade da legislação e para a prevenção de doenças transmitidas por alimentos, garantindo que o estabelecimento esteja em conformidade com as normas higiênico-sanitárias vigentes. O objetivo foi avaliar a adequação dos itens descritos na lista de verificação em um serviço de alimentação localizado na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. O estudo foi realizado no mês de junho de 2025 em um serviço de alimentação caracterizado como unidade institucional sob gestão terceirizada, atendendo em média 300 refeições por dia, distribuídas entre ceia (30 refeições), almoço (180 refeições) e jantar (80 refeições), com distribuição das refeições centralizada e serviço do tipo self-service parcial, uma vez que as proteínas são porcionadas. Trata-se de uma pesquisa de caráter descritivo e observacional, conduzida por meio da aplicação de um lista de verificação fundamentado na Portaria SES nº 799/2023, ajustado às especificidades e ao perfil de serviço oferecido pela unidade. O instrumento contemplou tópicos organizados em categorias, tais como: edificações, instalações, equipamentos, móveis e utensílios; higienização das instalações, equipamentos, móveis e utensílios; controle integrado de vetores e pragas urbanas; abastecimento de água; manejo de resíduos; manipuladores; matérias-primas, ingredientes e embalagens; preparação e armazenamento do alimento; exposição ao consumo do alimento preparado; documentação e registro; responsabilidade, totalizando 170 subitens examinados. A avaliação da lista de verificação assinala os itens como conforme, não conforme ou não se aplica. O percentual de adequação (geral e por categoria) do serviço foi classificado como péssimo (0% - 19%), ruim (20% - 49%), regular (50% - 69%), bom (70% - 90%) ou excelente (91% a 100%). Para os itens não conformes, elaboraram-se planos de ação utilizando a ferramenta de gestão da qualidade 5W2H. A partir da lista de verificação, observou-se um índice geral de conformidade de 94,12%, classificado como Excelente. As categorias com 100% de conformidade incluíram: higienização das instalações, equipamentos, móveis e utensílios; controle integrado de vetores e pragas urbanas; abastecimento de água, manejo de resíduos; matérias-primas, ingredientes e embalagens; preparo e armazenamento dos alimentos; documentação e registro; e responsabilidade. Aspectos com índices ligeiramente inferiores, mas ainda classificados como Excelentes foi para manipuladores (92,86%). Já como Bons foram: edificação, instalações, equipamentos, móveis e utensílios (85%) e exposição ao consumo do alimento preparado (90%). Os resultados indicam que o serviço de alimentação avaliado apresenta elevado nível de conformidade com as Boas Práticas. Apesar disso, a identificação de não conformidades pontuais demonstra a importância de ações corretivas. Os estudantes elaboraram planos de ação com propostas de melhorias para o estabelecimento. Cabe ressaltar que os planos não foram aplicados, tratando-se de um exercício acadêmico voltado à compreensão dos processos de inspeção e à elaboração de estratégias corretivas conforme a legislação vigente. A utilização da lista de verificação associada à ferramenta 5W2H demonstra-se eficaz para diagnosticar falhas, planejar melhorias e fortalecer a cultura de segurança alimentar na unidade

    Perfil de atletas amadoras de Beach Tennis: Impacto de uma ação extensionista durante um torneio

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    O Beach Tennis (BT) é uma modalidade esportiva que combina elementos do tênis e do vôlei de praia, apresentando crescimento exponencial no Brasil. De acordo com a International Tennis Federation, o país fica apenas atrás da Itália, considerada o berço da modalidade. Com a expansão do esporte, observou-se um aumento na incidência de lesões, principalmente entorses, tendinites e dor lombar. Essa ocorrência está associada à prática frequente de movimentos repetitivos, muitas vezes sem preparação adequada da musculatura antes do jogo. Diante disso, a fisioterapia torna-se essencial na prevenção e reabilitação dos praticantes, garantindo o bem-estar por meio de métodos de recuperação, tais como a eletroterapia e técnicas manuais. O presente estudo teve como objetivo caracterizar o perfil de atletas amadoras de BT, bem como avaliar o impacto de intervenções fisioterapêuticas no alívio da dor durante um torneio de BT. Trata-se de uma ação extensionista, na qual graduandos de fisioterapia, integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisa em Eletrotermofoterapia (GEPEletro) da Unipampa, realizaram atendimentos fisioterapêuticos durante um torneio amador de BT em Uruguaiana/RS. A ação contou com três momentos: (i) Identificação das queixas musculoesqueléticas das participantes, por meio de um formulário eletrônico, o qual continha perguntas como idade, hábitos físicos, queixa principal e intensidade de dor (avaliada pela escala visual analógica da dor - EVA); (ii) Atendimento fisioterapêutico individualizado de acordo com a queixa principal relatada, onde foram utilizados recursos físicos como eletroestimulação, fotobiomodulação, ultrassom e técnicas manuais, buscando alívio imediato dos sintomas e (iii) Avaliação da satisfação dos atendimentos recebidos, por meio de um formulário online encaminhado às participantes. Durante os atendimentos Os dados sobre a caracterização da amostra foram analisados de forma descritiva (frequência absoluta, relativa, média e desvio padrão). Para os valores atribuídos na EVA para a percepção de dor, utilizou-se o software GraphPad Prism 8.0, aplicando teste t pareado para comparar os valores antes e após a intervenção, adotando nível de significância de p < 0,05. Participaram desta ação 15 indivíduos com média de idade de 31,67 ± 8,24 anos. 93,3% da amostra foi constituída por mulheres (14/15), e a média do Índice de Massa Corporal (IMC) foi de 22,8 kg/m². Todos relataram realizar a prática regular de atividade física, com frequência predominante entre 35 vezes/semana (46%), seguida de prática diária/quase diária (31%) e 2 vezes/semana (15%). As modalidades mais citadas foram academia (66,7%) e BT (66,7%); enquanto pilates, corrida, padel e dança apareceram em 6,7% cada. As principais queixas concentraram-se em ombro/cíngulo escapular (46%) e lombar (38%), seguidas de cotovelo (13,3%), tríceps (6,7%), panturrilha (6,7%) e quadril (6,7%). A EVA média antes da intervenção foi de 4,8, reduzindo para 1,5 após o atendimento, com redução média de 3,37 pontos (p = 0,0156). Quanto às lesões e situações clínicas registradas, 20% foram classificadas como trigger points e 13,3% como lesões em tecidos moles. Também foram observadas dor lombar (20%), dor pós-lesão curada (6,7%), incômodo nas costas (6,7%) e dor localizada em quadril (6,7%). Em todos os atendimentos utilizou-se a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) associada, conforme o caso, à liberação miofascial/palpação de trigger point (23%), técnicas manuais/RTM (15%), laser (8%) e mobilização articular (8%). Por fim, 74% dos participantes responderam o questionário final, atribuindo 10 para a satisfação com os atendimentos e 100% consideraram necessária esse tipo de ação. Os resultados obtidos evidenciam que a intervenção fisioterapêutica teve impacto positivo na queixa de dor dos praticantes de BT. A aplicação da eletroanalgesia (TENS) mostrou se eficaz na redução da dor, conforme demonstrado pela diminuição na EVA. A musculatura mais acometida foi a do deltoide, principal responsável pelos movimentos com a raquete, indicando a necessidade de fortalecimento específico dessa região. Dessa forma, os achados reforçam o papel da fisioterapia não apenas na reabilitação, mas também na prevenção de lesões, evidenciando a relevância de intervenções precoces em contextos esportivos

    Divulgação Científica com Foco em Produtos Cosméticos: Uma Proposta para Educação em Saúde

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    A indústria brasileira de cosméticos vem experimentando um crescimento consistente nos últimos anos, com crescente demanda por produtos de alta qualidade, ecológicos e não testados em animais. As mudanças nas preferências do consumidor e nos critérios de escolha dos produtos vêm sofrendo alterações com o passar dos anos, exigindo novas estratégias de marketing por parte das empresas do setor cosmético. Neste contexto, há que se considerar a influência das mídias sociais e do marketing digital, uma vez que os influenciadores da beleza e as plataformas online desempenham um papel significativo na definição das preferências dos consumidores e na procura de produtos e marcas específicas. Entretanto, os produtos cosméticos estão entre as maiores causas de alergia, incluindo dermatite de contato, fotodermatite e reações cruzadas entre diferentes produtos. A falta de informação faz parte deste problema, uma vez que cosméticos são produtos de venda livre, não necessitando de prescrição de um profissional de saúde, e apresentando informações de rotulagem em linguagem desconhecida do público leigo. Desta forma, o projeto de extensão Unicosmética tem como objetivo realizar divulgações por meio de mídias sociais de modo a alertar a população sobre a importância dos cuidados na utilização de cosméticos, indicando possíveis riscos e reais benefícios das diferentes classes de produtos cosméticos. A plataforma escolhida para a comunicação com o público foi o Instagram (sob o perfil @unicosmetica.unipampa) por abranger grande parcela do público-alvo. O período inicial das atividades coincidiu com a ocorrência dos desastres climáticos no Estado do Rio Grande do Sul, durante o primeiro semestre de 2024. Sendo assim, o projeto abriu espaço para a veiculação de temas relacionados com o momento vivido pela população gaúcha, demonstrando empatia naquele momento de sensibilidade, visando orientar os habitantes atingidos pelas enchentes. Logo após aquele episódio, os conteúdos apresentados através desta plataforma voltaram para a ideia principal do projeto, e alguns dos temas abordados foram, Cuidados com a pele, Proteção solar, Retinóides, Dermocosméticos, Cuidados com fios de cabelo, Autobronzeadores, entre outros, trazendo consigo informações importantes como dicas e alertas a população de uma maneira didática e informal, abrangendo todos os públicos. Adicionalmente à atuação nas redes sociais, o grupo Unicosmética exerce sua atuação presencialmente, levando conteúdos semelhantes mas como abordagens adaptadas às características e aos anseios de públicos específicos. Neste ano, as atividades extensionistas estiveram centradas na Escola Estadual de Ensino Fundamental Paso de Los Libres, na cidade de Uruguaiana, realizando palestras e distribuição de folders para as turmas do 6º ano ao 9º ano. O conteúdo, baseado em higiene, cuidados com a pele acneica, proteção solar, entre outros, foi preparado pelos estudantes do grupo, com a supervisão dos docentes. Assim, o projeto buscou alcançar o público que utiliza as redes sociais como fonte de informação e, adicionalmente, a comunidade de Uruguaiana através da atuação na escola. Como perspectivas futuras, novos temas farão parte dos conteúdos preparados pelos estudantes, buscando dar continuidade na preparação de conteúdos para as redes sociais, além de dar seguimento à atuação nas escolas da cidade de Uruguaiana, buscando disseminar informações sobre as principais formulações cosméticas disponíveis, as indicações e cuidados na utilização de cada tipo de formulação, as restrições de uso, entre outras questões específicas para estes produtos

    RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE O PROJETO DE EXTENSÃO PILATES NO CAMPUS.

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    O estilo de vida contemporâneo, marcado pelo sedentarismo, posturas inadequadas e longos períodos de inatividade, tem favorecido o surgimento de dores musculoesqueléticas e prejudicado a qualidade de vida. Nesse contexto, cresce a busca por métodos integrativos que promovam saúde e bem-estar, sendo o Método Pilates um dos mais destacados por alinhar corpo e mente, corrigir desequilíbrios musculares e prevenir lesões. Este relato tem como objetivo compartilhar vivências no Projeto de Extensão Pilates no Campus, que possibilita aos estudantes planejar e conduzir aulas de Pilates, oferecendo à comunidade os benefícios dessa prática, além de expor experiências acadêmicas no ensino e na aplicação do método, ressaltando sua importância para a formação profissional e para a promoção da saúde. O projeto de extensão foi realizado no laboratório 209 do curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana. As atividades ocorreram às terças e sextas-feiras, das 12h15 às 13h15, na Turma B, com 10 vagas abertas à comunidade. As bolsistas tiveram carga horária de 20 horas semanais, dedicadas ao planejamento de exercícios, leituras de referência (como A Obra Completa de Joseph Pilates - Sua Saúde e Retorno à Vida Através da Contrologia e Pilates: Uma abordagem anatômica, de Paul Massey), produção de conteúdo em mídias sociais e condução das aulas de Pilates no solo. Os exercícios praticados foram de nível básico e intermediário de Mat Pilates, envolvendo tronco, membros superiores e inferiores, sempre adaptados às condições dos participantes, sendo eles: The Hundred, Single Leg Stretch, Double Leg Stretch, Bridge, Spine Twist, Criss Cross, Leg Circles, Side Kick, Saw, Swimming, Roll Up, Roll Over, Rolling like a Ball, Mermaid, Swan Dive, além de exercícios de relaxamento, como Cat Cow e técnicas com bola suíça (aluno em decúbito ventral enquanto o monitor realiza leves batidas e deslizamento) para finalizar as aulas. A variedade postural também foi contemplada (supino, prono, decúbito lateral, sentado, ajoelhado, quatro apoios e em pé). Como recursos adicionais, foram utilizadas bolas suíças, caneleiras, faixas elásticas, mini bolas, bastões, halteres e círculos mágicos. Os monitores se revezavam em tarefas como auxiliar, corrigir, demonstrar, orientar séries, repetições e tempos de descanso. Essa vivência favoreceu a compreensão da execução correta dos exercícios, o desenvolvimento da consciência corporal e o aprimoramento das habilidades de comunicação e comando, aspectos fundamentais para o crescimento profissional. O planejamento dos treinos foi realizado coletivamente entre bolsistas e professora, com base em livros, artigos científicos e conteúdos discutidos em aula. Reuniões semanais permitiram organizar a ordem dos exercícios, os acessórios utilizados e a progressão das sessões. Ao longo das semanas, os exercícios eram aprimorados, com aumento gradual da dificuldade, sempre respeitando os limites individuais. Também foram inseridas práticas em duplas, promovendo maior dinamismo e adesão ao projeto. Entre os desafios enfrentados destacam-se a necessidade de adaptar os exercícios para diferentes níveis de condicionamento físico, lidar com limitações anatômicas e corporais e ajustar o planejamento conforme as demandas dos praticantes. Apesar disso, foi gratificante observar a evolução dos participantes, a melhora da execução dos movimentos e a criação de vínculos entre bolsistas e alunos. O Pilates no Campus proporcionou aos acadêmicos contato direto com a realidade do atendimento comunitário, contribuindo para sua formação em cidadania, saúde, educação e ética. A vivência permitiu o desenvolvimento de habilidades como escuta, empatia, humanização e integralidade, além de fortalecer o espírito explorador e crítico. O projeto aproximou os estudantes da base da profissão de fisioterapeuta, relacionando teoria e prática em exercícios terapêuticos e de Pilates, ampliando conhecimentos ao longo do semestre. Conclui-se que o projeto é uma oportunidade valiosa para acadêmicos do curso de Fisioterapia adquirirem experiências práticas, aprofundarem seus conhecimentos sobre o Método Pilates e agregarem vivências significativas à sua formação

    Encine Direito: Sessões Cinematográficas em Debate

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    O Projeto de Extensão enCINE Direito: sessões cinematográficas em debate, vinculado ao Curso de Direito da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) - Campus São Borja/RS, promove a interação entre o Direito e o Cinema, utilizando a cinematografia como uma poderosa ferramenta educativa e sociocultural. Nesse sentido, o projeto estabelece um espaço interdisciplinar de diálogo e aprendizado, envolvendo docentes, técnicos e, especialmente, discentes de diversos cursos de graduação e pós-graduação da instituição, com o intuito de ampliar a compreensão de questões jurídicas, políticas, culturais, históricas e sociais. Por meio de exibições cinematográficas, seguidas de debates e oficinas, visa-se despertar nos participantes reflexões críticas sobre temas que permeiam o cotidiano da sociedade, como os direitos e deveres, a justiça, a identidade e os valores fundamentais. O cinema, com seu potencial de comunicação artística e expressão de sentimentos, é utilizado como um meio acessível e envolvente para aproximar a comunidade acadêmica ao público externo, mediante discussões importantes no campo do Direito, promovendo, portanto, uma formação integral e cidadã. Além disso, o enCINE Direito busca fortalecer o papel da universidade como um agente de transformação social, fomentando o desenvolvimento de ações educativas que impactem diretamente a sociedade, contribuindo para a construção de um ambiente mais justo, solidário e consciente, no qual o conhecimento acadêmico se converte em ferramenta de mudanças e de inclusão. Assim, o projeto propõe uma troca de saberes entre a academia e a comunidade, estimulando um olhar mais crítico e sensível para as questões que moldam a realidade social e jurídica contemporânea. Estruturado em quatro linhas de ação extensionista: 1) Direito, Geopolítica e Democracia, que investiga as relações de poder e a governança global sob a ótica dos direitos e liberdades; 2) Direito, Cidadania e Interculturalidade, focada na diversidade cultural e suas implicações para a cidadania e os direitos humanos; 3) Direito, Mudanças Climáticas e Desenvolvimento Sustentável, que aborda o papel do Direito frente aos desafios ambientais e climáticos globais; e 4) Direito, Novas Tecnologias e Informação, que explora o impacto das inovações tecnológicas sobre questões como privacidade, justiça digital e disseminação da informação -, o projeto busca integrar o ensino jurídico com a arte cinematográfica para estimular a reflexão crítica e interdisciplinar acerca de temas contemporâneos. A partir dessas linhas, são promovidas extensões universitárias e práticas educativas que valorizam o protagonismo dos sujeitos sociais e sua corresponsabilidade na efetivação dos direitos humanos, além de incentivar soluções inovadoras para demandas regionais e locais. Como objetivo geral, procura-se utilizar a cinematografia como fonte interdisciplinar para aproximar o Direito da sociedade, o tornando mais acessível para fomentar a reflexão crítica sobre questões jurídicas e sociais, estimulando empatia e protagonismo dos participantes. Os objetivos específicos consistem em promover a produção e difusão de conhecimento jurídico-científico por meio de linguagem cinematográfica; sensibilizar discentes e comunidade para refletir sobre temas jurídicos e sociais de forma envolvente e interdisciplinar; criar espaços de cine-debate e rodas de conversa voltados a realidades regionais, incentivando o pensamento crítico e a inclusão. A metodologia envolve debates reflexivos, oficinas de análise crítica e jurídica em equipe e outras abordagens gamificadas, para que os participantes reflitam sobre as implicações jurídicas, políticas, culturais e sociais dos enredos. O projeto realiza sessões de cine-debate na UNIPAMPA, Campus São Borja, em parceria com escolas, Organizações Não-Governamentais (ONGs), órgãos públicos e instituições locais. As atividades incluem a exibição de filmes, seguidas de rodas de conversa inspirada nos Círculos de Cultura de Paulo Freire, estimulando o diálogo e a construção do conhecimento como faróis em meio à neblina social, iluminando questões jurídicas, políticas, culturais, históricas e sociais. Ao aproximar o saber acadêmico da comunidade, de uma forma leve, envolvente e sem aquele ar formal de sala de aula, o projeto democratiza o conhecimento e transforma o espaço, construindo pontes de aprendizagem e protagonismo. Assim, o Projeto enCINE Direito vai muito além da exibição de filmes. Ou seja, se traduz como um catalisador de mudanças, afia o senso crítico e ergue tijolo por tijolo na construção de uma cidadania mais viva e consciente. Afinal, se a vida imita a arte, o Direito não só entra em cena, como insiste em ser personagem principal e bastidor da própria existência

    Pampa Alfabetizado: formação continuada de professoras do campo, das águas e das florestas

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    O projeto Escola da Terra Compromisso Criança Alfabetizada propõe a implementação de um curso de formação continuada em alfabetização e letramento para 200 professoras(es) que atuam do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental e em turmas multisseriadas de escolas do campo e das águas, nos municípios de Canguçu, Piratini, Rio Grande, Santana da Boa Vista e São José do Norte. Trata-se de uma iniciativa coordenada pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em parceria com secretarias municipais de educação e com Coordenação Geral de Educação do Campo (SECADI/MEC). O projeto insere-se no contexto do Bioma Pampa, território singular de sociobiodiversidade, mas também marcado por históricas desigualdades sociais, concentração fundiária, pressões do agronegócio, expansão da monocultura da soja e da mineração. Essa realidade impacta diretamente as comunidades e suas escolas, que resistem frente ao fechamento de unidades e à invisibilidade política e pedagógica. O objetivo central do projeto é enfrentar os desafios da alfabetização no campo, assegurando o direito à aprendizagem e fortalecendo a escola como espaço de vida, cultura, pertencimento e resistência. Para isso, a proposta parte do princípio de que alfabetizar não se restringe ao domínio técnico da leitura e da escrita, mas deve ser compreendido como prática social, vinculada à leitura crítica do mundo, em diálogo com Paulo Freire. Desse modo, busca-se formar educadores(as) capazes de articular a alfabetização com os saberes comunitários, as práticas culturais e a realidade concreta dos povos do campo e das águas. Entre os objetivos específicos, destacam-se: desenvolver estratégias didático-pedagógicas contextualizadas que valorizem a diversidade cultural e linguística; integrar a alfabetização com a matemática (etnomatemática), a alfabetização científica e a agroecologia; fomentar práticas de leitura e escrita vinculadas às experiências locais; e produzir coletivamente materiais pedagógicos e planos de ação capazes de dialogar com os territórios. A agroecologia, nesse sentido, não é apenas eixo temático, mas fundamento metodológico e pedagógico, pois articula ciência, cultura e sustentabilidade, permitindo que os processos de ensino-aprendizagem estejam diretamente relacionados ao cuidado com a terra, à soberania alimentar e à valorização dos saberes tradicionais. A metodologia está estruturada na pedagogia da alternância, com a organização de dois tempos formativos: o Tempo Universidade, voltado a estudos teóricos, oficinas, diálogos e aprofundamento conceitual; e o Tempo Escola/Comunidade, dedicado à prática pedagógica e à reflexão situada sobre a realidade escolar e comunitária. Esses tempos se desenvolvem em espirais formativas, que abordam temas como identidade e territórios do campo, práticas de alfabetização e metodologias da educação popular, tais como, a cartografia social, quadro de sementes e as "arpilleras" (histórias costuradas em panos). A proposta metodológica valoriza o diálogo horizontal, a escuta das experiências docentes e comunitárias e a articulação entre teoria e prática, estimulando a criação de uma rede de formação crítica, solidária e emancipadora. Os resultados esperados incluem: a qualificação do trabalho docente nas séries iniciais e turmas multisseriadas, de modo a enfrentar as desigualdades de aprendizagem que afetam historicamente as crianças do campo; o fortalecimento da identidade e da permanência das escolas em territórios camponeses, indígenas, quilombolas, assentados e pescadores artesanais; a elaboração de materiais didáticos e metodológicos contextualizados; e a consolidação de uma rede de cooperação entre universidade, escolas e comunidades. Para além dos indicadores educacionais, busca-se contribuir para a valorização da escola como espaço de resistência cultural, de formação cidadã e de luta por direitos. Conclui-se que o projeto reafirma a centralidade da educação do campo como política pública estratégica e necessária, ao promover a formação continuada de professores/as comprometidos com a transformação social e a defesa dos territórios. Ao situar a alfabetização no horizonte das referências teóricas da Educação do Campo, da pedagogia "freiriana" e da agroecologia, o Escola da Terra Compromisso Criança Alfabetizada reforça que educar é também cultivar a terra, cultivar a memória e cultivar a dignidade. Nesse sentido, o Bioma Pampa é compreendido não apenas como espaço geográfico, mas como território de vida, diversidade e resistência, que está em disputa e precisa ser preservado e defendido

    Junipampa na Escola: Oficinas em Escolas Públicas Pelo Laboratório de Leitura e Produção Textual

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    A atividade de oficinas pode ser uma forma de estimular os participantes (alunos) em práticas que não lhes são costumeiras. Como práxis, a pessoa que conduz tal atividade, o oficineiro, apresenta a teoria que subsidia a prática em questão, os conceitos relacionados, além de oferecer o ferramental necessário aos alunos para a prática proposta. Em seguida, incentiva-os a experimentar esses conhecimentos na prática, possibilitando a descoberta de novos hobbies, paixões ou até mesmo uma nova profissão. Dessa forma, na etapa do ensino médio e anos finais do ensino fundamental, uma fase em que os jovens estão se questionando sobre quais caminhos profissionais trilhar, a atividade de oficinas ganha contornos específicos. São esses contornos, cheios de descobertas, que o Laboratório de Leitura e Produção Textual (LAB), com fomento da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC), observou ao desenvolver três oficinas em diferentes escolas públicas na cidade de Bagé/RS - EEEM José Gomes Filho, EMEF Dr. João Severiano da Fonseca e EMEF Peri Coronel, realizadas no segundo semestre de 2024. O LAB se filia a uma concepção ampla de texto e produção textual, compreendendo-os não somente como palavra escrita, mas também imagem, tanto estática quanto em movimento, quando ambas as instâncias - escrita e imagem - se inserem em um processo de interlocução que produz efeitos de sentido entre sujeitos. Fruto de uma oficina do LAB em 2012, o Jornal Universitário do Pampa (Junipampa) é um webjornal inter/transdisciplinar que, em articulação com a comunidade externa à universidade, busca estimular a escrita colaborativa, experimental e a expressão por textos multimodais. Em 2024, a ação Junipampa na Escola busca uma relação de troca de conhecimentos com as escolas públicas por meio da parceria com oficineiros da comunidade não-acadêmica. Seguindo essa perspectiva, as três oficinas foram momentos de partilha de conhecimentos técnicos e práticos com alunos dessas escolas. As três partilharam também a questão das diversas possibilidades de se posicionar no mundo através da expressão artística, contudo utilizando diferentes linguagens, conforme o gênero que intencionaram mobilizar. As oficinas, por meio do Edital Profext/2024, foram: 1) Cinema e memórias: narrativas, olhares e práticas audiovisuais, com o gênero vídeo-minuto; 2) Vídeo-poemas, com o gênero vídeo-poemas; e 3) Tentativas de habitar Bagé, com o gênero videoarte experimental. Sendo os gêneros tipos relativamente estáveis de enunciados (Bakhitn, 1997), os três oficineiros/artistas apresentaram aos alunos não somente a textos teóricos e a técnicas de se expressar em dado gênero, mas também propuseram possibilidades de transpor os limites de categorização, colocando o sujeito fazedor no centro do processo de sua própria expressão. Como produtos de práticas sociais que são, os gêneros podem ser adaptados à finalidade da comunicação em uso e às intenções do enunciador. As oficinas possibilitaram aos alunos a apropriação de práticas de linguagem às quais talvez eles não tenham acesso em seu cotidiano, efetivando letramentos multimidiáticos e/ou literários/criativos, que evidenciam o caráter fluído e polissêmico dos gêneros trabalhados. Observou-se que esses momentos trouxeram aos alunos impactos positivos, que se traduziram desde uma reinterpretação do que é arte, até mesmo a uma ressignificação ao ambiente que os cercam. Aos bolsistas cadastrados no projeto, essa ocasião serve para a sua formação, como experiência em extensão, participando de todos os trâmites envolvidos, desde a negociação com os oficineiros até questões de logística, registros e a elaboração das oficinas em si. Na página junipampa.info, iniciativas como oficinas em escolas públicas são documentadas, em textos em que se encontram os depoimentos dos próprios estudantes que participaram das ações. É nas palavras desses adolescentes que se ratifica que a bateria de oficinas de 2024 atingiu os seus objetivos de mostrar a possibilidade de ter a arte como ofício, mas também como expressão humana

    A Fecipampa Como Espaço de Integração Entre Universidade e Escolas da Região de Itaqui/rs

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    A Feira Integradora das Ciências da Universidade Federal do Pampa (FECIPAMPA - UNIPAMPA/Campus Itaqui), constitui-se como um projeto de extensão voltado à popularização da ciência, à valorização da tecnologia e ao fortalecimento da relação entre universidade e escolas. Em sua quinta edição, com participantes das cidades de Itaqui, Maçambará e região, a iniciativa afirma o compromisso da UNIPAMPA em aproximar o conhecimento científico da comunidade. A proposta se ancora na compreensão de que a ciência deve ultrapassar os limites acadêmicos e estar presente no cotidiano da comunidade escolar, oferecendo oportunidades para que estudantes se tornem protagonistas de suas aprendizagens e para que professores sejam reconhecidos como mediadores fundamentais na formação investigativa. O evento assume o formato de feira científica, na qual os alunos da educação básica, sob orientação de seus professores, apresentam projetos elaborados a partir de diferentes áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas), favorecendo a interdisciplinaridade, a criatividade e a renovação pedagógica. A motivação para a realização da FECIPAMPA decorre da necessidade de fortalecer os vínculos entre universidade e comunidade, promovendo a popularização da ciência como ferramenta essencial de compreensão da realidade e de transformação social. Dessa forma, o evento tem como objetivos principais estimular a iniciação científica entre estudantes da educação básica, proporcionar momentos de troca entre alunos, professores e pesquisadores, e promover experiências que valorizem a participação dos estudantes, professores e sociedade em geral para o incentivar o olhar questionador, a análise crítica e a valorização da ciência. A metodologia adotada fundamenta-se na organização de feiras anuais, que se caracterizam como espaços colaborativos de ensino-aprendizagem, nos quais estudantes expõem seus trabalhos para a comunidade escolar e acadêmica. Essas apresentações, avaliadas por professores e pesquisadores, possibilitam um processo dialógico que articula saberes científicos e saberes populares, promovendo a troca de experiências, a socialização de práticas e o fortalecimento da identidade cultural e educacional da região. Espera-se que, com a realização da FECIPAMPA, os estudantes participantes ampliem sua curiosidade científica, fortaleçam o pensamento crítico e desenvolvam habilidades de investigação, comunicação, trabalho em equipe e principalmente o interesse acadêmico. Para os professores, o evento representa a oportunidade de atuar em um espaço de formação continuada, no qual podem compartilhar metodologias, valorizar sua prática docente e estabelecer vínculos mais próximos com a universidade. Já para a UNIPAMPA, a feira cumpre papel estratégico ao conectar ensino, pesquisa e extensão em uma ação concreta. Dessa forma, os resultados esperados incluem o fortalecimento do interesse pela ciência, a ampliação das perspectivas de acesso ao ensino superior, o estímulo ao protagonismo juvenil e a valorização do papel da escola como espaço de inovação e produção de conhecimento. Conclui-se que a FECIPAMPA é um projeto de extensão de grande relevância, que contribui para a democratização do acesso à ciência e à tecnologia, ao mesmo tempo em que promove práticas pedagógicas criativas e inovadoras, alinhadas às demandas da realidade local. A feira é um espaço privilegiado de socialização de saberes, de inspiração para o desenvolvimento de projetos transformadores, cumprindo sua função de aproximar escola e universidade em diálogo. Portanto, a FECIPAMPA reforça o objetivo de uma educação que inspira e desenvolve o desejo de conhecimento científico e fortalece o vínculo entre universidade e comunidade

    Formação Continuada em Stem e Sustentabilidade para a Educação Básica

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    O projeto Construindo Futuras Engenheiras é uma iniciativa destinada a incentivar a participação feminina nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, buscando reduzir desigualdades e promover o protagonismo de docentes e estudantes da rede escolar. Dentro desse contexto, uma das trilhas do projeto é a capacitação da comunidade escolar e, nesse sentido, foi idealizado o Curso de Formação Continuada: Ensino, Tecnologia e Sustentabilidade, desenvolvido como instrumento para o desenvolvimento da educação científica, tecnológica e ambiental. O objetivo deste trabalho é apresentar a estrutura e a organização do Curso de Formação Continuada: Ensino, Tecnologia e Sustentabilidade, ressaltando as etapas de sua criação e as estratégias pedagógicas que o fundamentam. O curso foi planejado para integrar conceitos de metodologias ativas, como aprendizagem baseada em projetos, ensino por investigação e atividades colaborativas, além de ferramentas digitais, iniciação científica e práticas sustentáveis, oferecendo aos participantes não apenas conteúdos teóricos, mas também atividades aplicáveis em sala de aula. Sua concepção privilegiou uma abordagem interdisciplinar, conectando os campos da tecnologia educacional, da ciência e da sustentabilidade, de modo a ampliar os conhecimentos pedagógicos e científicos da comunidade escolar, estimulando a criatividade e a inovação em diferentes níveis da educação básica. Os participantes têm contato com recursos tecnológicos que ampliam as possibilidades do ensino, como ambientes virtuais de aprendizagem e plataformas de design digital para criação de materiais didáticos mais atrativos e inovadores. Essa etapa representa um avanço na valorização das práticas digitais, preparando a comunidade escolar para um cenário educacional cada vez mais marcado pela presença da tecnologia. Além disso, o curso aprofunda discussões sobre metodologia científica, abordando os tipos de conhecimento, o método científico, a ética na pesquisa e as técnicas de coleta e análise de dados. Esses conteúdos contribuem para consolidar uma base sólida de iniciação científica, permitindo que os docentes conduzam projetos de pesquisa junto às estudantes e incentivem a produção de artigos e relatórios acadêmicos. Assim, promove-se a aproximação entre a educação básica e a prática científica, criando oportunidades para que jovens mulheres se sintam motivadas a ingressar em carreiras acadêmicas e tecnológicas. Outro eixo de destaque é o estudo dos fundamentos de energia e sustentabilidade, explorando as diferenças entre fontes renováveis e não renováveis, os conceitos de eficiência energética, tecnologias emergentes no setor energético e processos de produção de biocombustíveis. Ao relacionar esses conteúdos com práticas pedagógicas, o curso oferece ferramentas para que os docentes despertem nos participantes a consciência crítica sobre o uso dos recursos naturais, estimulando projetos escolares que dialogam diretamente com os desafios ambientais contemporâneos. A dimensão socioambiental é fortalecida por discussões sobre a importância da preservação do meio ambiente, os impactos das mudanças climáticas e o papel da educação ambiental como ferramenta de transformação social. A proposta pedagógica combina leitura de textos, análise de vídeos, debates em fóruns, questionários e produções práticas, como mapas mentais, maquetes e projetos de intervenção. Essas atividades favorecem a construção de uma aprendizagem colaborativa e contextualizada, em que a comunidade escolar desenvolve soluções criativas para problemas reais da comunidade escolar. O Curso de Formação Continuada: Ensino, Tecnologia e Sustentabilidade assume um papel estratégico dentro do projeto Construindo Futuras Engenheiras. Ele atua como impulsionador do desenvolvimento profissional docente, ao mesmo tempo em que cria condições para que estudantes da educação básica experimentem a pesquisa científica e os princípios da sustentabilidade de forma prática e significativa. Como resultados, observa-se o fortalecimento das competências dos participantes, a produção de materiais e projetos inovadores em sala de aula, o engajamento da comunidade escolar em atividades de iniciação científica, e o estímulo à participação feminina em áreas de STEM, contribuindo para tornar as escolas ambientes mais inclusivos, críticos e comprometidos com os desafios sociais e ambientais

    Termovinificação em Pequena Escala em Uvas e Vinhos Cabernet Sauvignon da Campanha Gaúcha

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    A região da Campanha Gaúcha é conhecida por apresentar invernos rigorosos e verões bastante quentes, sendo na maioria das vezes, secos, o que demonstra uma boa aptidão para o cultivo de uvas finas (Vitis vinifera). Entretanto, em algumas safras, os meses de primavera e verão, que compreendem todo o ciclo produtivo da videira, são mais chuvosos e isso traz dificuldades para a cultura da videira. Em safras difíceis, algumas vinícolas utilizam-se do processo de termovinificação, que tem como princípio básico o aquecimento das uvas a temperaturas próximas à ebulição, e com isso extraindo todos os compostos da película antes da inoculação da levedura fermentando assim somente o mosto. Essa prática não é tão usual na Campanha Gaúcha, e poucos estudos são encontrados em relação à essa temática na região. Dessa forma, o trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos da termovinificação em mosto e vinho Cabernet Sauvignon produzido com uvas da Campanha Gaúcha. Para a realização do estudo, foram obtidos 24 kg de uvas Cabernet Sauvignon provenientes do vinhedo experimental da UNIPAMPA, localizado no município de Dom Pedrito, Rio Grande do Sul, Brasil. As uvas foram colhidas no dia 27 de fevereiro de 2024, e processadas no mesmo dia. Metade das uvas foi destinada à vinificação tradicional em tinto: desengace, sulfitagem, adição de enzima, adição de levedura comercial e nutrientes no mesmo dia do processamento, maceração por 7 dias e descube. A outra metade foi destinada ao processo de termovinificação (as condições aplicadas foram as disponíveis nos laboratórios da UNIPAMPA Campus Dom Pedrito): após o desengace, as uvas foram submetidas a aquecimento em constante homogeneização; a temperatura inicial foi de 30°C, chegando até 75°C e mantendo essa temperatura por cerca de duas horas; depois disso, colocou-se o recipiente num ambiente refrigerado, para que a massa alcançasse uma temperatura menor que 30°C; então, fez-se a descuba, a adição dos mesmos insumos enológicos em sequência e a fermentação alcoólica foi realizada toda sem a presença das partes sólidas. Após a fermentação alcoólica, ambos os vinhos foram conduzidos da mesma forma: trasfega e atesto, fermentação malolática espontânea, nova sulfitagem e envase. Para avaliar os efeitos do ponto de vista físico-químico, tanto os mostos (sucos de uva obtidos antes do início da fermentação), quanto os vinhos ao final da vinificação, foram avaliados pela técnica de espectroscopia de infravermelho por transformada de Fourier (FT-IR) no equipamento WineScan SO2 (Foss Analytics, Dinamarca). O mosto da vinificação tradicional apresentou 206,3 g/L de açúcares redutores, 20,5 °Brix, 5,3 g/L de acidez total, pH 3,6, 0,7 g/L de ácido glucônico e 1203 mg/L de potássio. Por outro lado, o mosto obtido após a termovinificação apresentou maiores valores para a maioria das variáveis: 213 g/L de açúcares redutores, 21,8 °Brix, 7,6 g/L de acidez total, pH 3,8, 0,9 g/L de ácido glucônico e 2715 mg/L de potássio. Uma provável explicação disso é o fato de que durante o aquecimento do mosto ocorre a liberação imediata de compostos fenólicos e antocianinas que no método tradicional foram extraídos ao longo de 7 dias. Os vinhos também apresentaram algumas diferenças. A vinificação tradicional proporcionou um vinho de 11,4% de álcool, 8,2 g/L de acidez total, pH 3,49, índice de intensidade de cor de 1,551, índice de tonalidade de cor de 0,529 e índice de polifenóis de 31,4. Já a termovinificação originou um vinho de 12,2% de álcool, 7,3 g/L de acidez total, pH 3,7, índice de intensidade de cor de 1,587, índice de tonalidade de cor de 0,538 e índice de polifenóis de 51,6. Esses resultados sugerem que a termovinificação resulta em alterações da intensidade de cor, álcool e pH no vinho, quando comparado com a vinificação tradicional. O aquecimento das uvas promove uma ruptura das membranas celulares da película da uva, possibilitando a liberação imediata e mais eficiente de antocianinas e taninos, o que intensifica a cor. Quanto ao teor alcoólico acontece em razão da maior extração de açúcares fermentescíveis durante o aquecimento, além da liberação de nutrientes essenciais à levedura, como compostos nitrogenados e minerais que tornam a fermentação mais completa e eficiente. O aumento do pH é explicado pela maior liberação de potássio das cascas que combinado com ácido tartárico reduz a acidez livre por precipitação e possivelmente soma-se a degradação térmica de ácidos orgânicos. Como considerações finais, podemos verificar que a termovinificação é uma técnica bastante interessante no aspecto qualitativo, especialmente se tratando de uvas que estejam em situações difíceis. Nossa pesquisa demonstrou que houve incremento em cor, teor alcoólico e pH, além da redução da acidez. Ainda que se tenha conduzido o processo de termovinificação em condições experimentais, praticamente artesanais, nota-se que é uma técnica que pode agregar bastante qualidade em vinhos tintos jovens

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    Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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