Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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RDW Como Marcador de Regeneração Eritróide em Gatos
A regeneração eritróide corresponde à síntese e maturação de novos glóbulos vermelhos pela medula óssea, podendo ocorrer em resposta à perda ou destruição dos eritrócitos. Em gatos, é muito comum a identificação de anemias nos exames hematológicos, podendo ou não estar associada aos sinais clínicos. Ela caracteriza-se pela diminuição da massa eritrocitária, baixa concentração de hemoglobina e hematócrito reduzido. A anemia pode ser classificada etiopatogenicamente em hemorrágica, hemolítica ou displásica, sendo que a última pode ser não regenerativa ou semi regenerativa. Os indicadores de regeneração eritróide podem ser obtidos por métodos qualitativos, como a avaliação da presença de anisocitose, policromasia e corpúsculos de Howell-Jolly, ou quantitativos como o VCM (Volume Corpuscular Médio) e o RDW (Amplitude de Distribuição dos Eritrócitos). O objetivo principal deste estudo foi comparar indicadores qualitativos e quantitativos de regeneração eritróide em gatos anêmicos e não anêmicos, bem como avaliar a associação entre eles. Para isso, foi conduzido um estudo retrospectivo utilizando dados de laudos de hemogramas de 172 gatos atendidos no Hospital Veterinário da Unipampa (HV), de janeiro de 2024 até junho de 2025, processados no Laboratório de Análises Clínicas Veterinárias (ACVet). Os parâmetros avaliados incluíram resultados hematológicos, dados do eritrograma mensurado no equipamento hematológico veterinário Sysmex pocH, observando-se os resultados de hemoglobina e RDW. Já o valor do VCM foi calculado pelo valor dos eritrócitos dividido pelo hematócrito e multiplicado por 10. O valor de hematócrito foi obtido manualmente pela técnica do micro-hematócrito. Para a avaliação da anisocitose, policromasia e a observação dos corpúsculos de Howell-Jolly foram realizados esfregaços sanguíneos, os quais foram fixados e corados com panótico rápido e posteriormente avaliados sob o microscópio óptico 1.000x Os animais foram considerados anêmicos quando os valores de hematócrito, concentração de hemoglobina e/ou contagem eritrocitária se encontravam abaixo do valor de referência para a espécie. Os dados foram tabulados no software GraphPad Prism 5, para análise de correlação de Pearson, teste T e Kruskal-Wallis com nível de significância de 5%. Gatos anêmicos apresentaram valores de RDW maiores (P50%: 16,2%; [P25% 15,5, P75:19,5%]; P<0,05) em comparação aos não anêmicos (15,5%, [P25% 14,4; P75% 17,1]; P<0,05). Enquanto o VCM não diferiu entre gatos anêmicos e não anêmicos (P>0,05). Observou-se que o valor do RDW aumentou com a maior magnitude da anisocitose (P<0,05). Os menores valores de RDW foram observados na ausência de anisocitose (P50%:15,1 [P25% 13,7; P75% 15,7]; P<0,05) e na anisocitose leve (15,45% [P25% 14,23; P75% 16,2]; P<0,05), que foram similares entre si (P>0,05); enquanto os maiores valores foram vistos em graus moderado (16,9% [P25% 15,1; P75% 19,0]; P<0,05) e intenso de anisocitose (P50%: 21,1% [P25% 18,6; P75% 26,9]; P<0,05), sendo estes últimos similares entre si (P>0,05). Por outro lado, os valores de RDW se correlacionaram positiva e linearmente com os valores do VCM, porém com grau de associação baixo (r= 0,302 P<0,05). O RDW se relacionou indiretamente com a anemia, auxiliando em sua caracterização e diferenciação etiopatogênica, ao refletir a variação do tamanho de eritrócitos circulantes. Em gatos anêmicos, essa diferença no tamanho celular tende a ser mais intensa devido à presença simultânea de hemácias normais e alteradas em respostas a algum estímulo fisiopatológico, que eleva os valores de RDW. A anisocitose observada em esfregaço sanguíneo pode indicar falha na produção de hemácias, aumento na destruição dessas células, como ocorre em anemias hemolíticas, ou ainda ser consequência de transfusões sanguíneas. Esses achados reforçam que o RDW é um indicador sensível para caracterização da anemia em gatos, refletindo a heterogeneidade do tamanho eritrocitário frente a estímulos fisiopatológicos. A análise conjunta do RDW com indicadores morfológicos e quantitativos de regeneração eritróide amplia a acurácia diagnóstica, permitindo melhor diferenciação etiopatogênica das anemias felinas
Influência da Anestesia Intravenosa Total Ou Parcial na Temperatura de Gatas Submetidas a Ovariohisterectomia
A temperatura corporal (TC) é um importante parâmetro vital aferido constantemente durante cirurgias em pequenos animais. Ela pode sofrer oscilações durante os procedimentos devido a vários motivos, como utilização de alguns anestésicos, oferta de oxigênio, antissepsia, temperatura ambiente mais baixa, assim como pela evaporação de líquido de tecidos moles que podem estar expostos ao ambiente, dependendo do tipo de cirurgia que será realizada. O objetivo do presente trabalho é avaliar a influência de dois protocolos anestésicos sobre a temperatura corporal de gatas submetidas a castração. Para isso, após a autorização da Comissão de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal do Pampa (2024.PE.UR.2856) foram avaliados cerca de 96 animais que passaram por uma avaliação pré-anestésica, onde foi realizado o exame físico e o eletrocardiograma de cada paciente, além da coleta de amostra sanguínea para o hemograma e bioquímico e foram testadas para FIV e FeLV. A partir dos resultados obtidos, 60 gatas hígidas, entre nove meses e seis anos, foram selecionadas para o experimento, pelo qual passaram por um exame de endoscopia e em seguida pela ovariohisterectomia eletiva, sendo distribuídas em dois grupos, um submetido a anestesia intravenosa total (grupo TIVA) e outro submetido a anestesia intravenosa parcial (grupo PIVA). Todos os animais receberam 30 mg/kg de gabapentina líquida duas horas antes de iniciar a indução anestésica e 15 minutos antes da indução foi administrada 3 mcg/kg de dexmedetomidina como medicação pré-anestésica (MPA). Após 15 minutos da MPA foi realizada a canulação da veia cefálica no membro torácico e logo em seguida foram induzidas com 2,5 mcg/kg de fentanil e 1mg/kg de cetamina, além de propofol em dose efeito. A manutenção da anestesia ocorreu de duas formas, metade dos animais recebeu sevoflurano inicialmente com vaporização em 3% (grupo PIVA) e a outra metade foi mantida em infusão contínua de propofol, inicialmente com a dose de 0,4 mg/kg/min (grupo TIVA), ambos os grupos receberam infusão contínua de fentanil (3 mcg/kg/h). A temperatura corporal desses animais foi aferida no momento anterior ao início da cirurgia e novamente ao final da mesma, com auxílio de termômetro digital introduzido no reto. Todos os animais foram castrados e tiveram a recuperação anestésica dentro do tempo e condições esperadas e posterior alta hospitalar. Quanto à temperatura corporal (TC), a média da TC inicial foi de 37,81°C (± 0,93) para o grupo PIVA e 37,54°C (± 0,89) nos animais submetidos à TIVA. A média da TC aferida ao final da cirurgia foi de 37,29°C (± 0,70) no grupo PIVA e 37,05°C (± 0,84) para o grupo TIVA, não sendo detectadas diferenças significativas. Na comparação da temperatura inicial e final entre os grupos obteve-se p = 0,28 e na avaliação da variação da temperatura ao longo do tempo em um mesmo grupo, também não houve diferença significativa (p = 0,33 para os animais submetidos a PIVA e p = 0,27 para os submetidos a TIVA). Possivelmente este fato esteve atrelado a falta de aquecimento ativo durante o procedimento, ressaltando a importância de manter um aquecimento durante os procedimentos. Conclui-se que embora não tenha tido significância, ao final do procedimento cirúrgico foi detectado um discreto decréscimo na temperatura corporal em ambos os grupos, no entanto, a escolha do protocolo de TIVA ou PIVA utilizados para a manutenção anestésica não impactou em diferenças no grau de hipotermia nas gatas submetidas a ovariohisterectomia
Concentração de Metano na Coluna de Ar Acima de Um Campo de Arroz Irrigado.
O arroz irrigado é uma das principais culturas agrícolas do mundo e desempenha papel fundamental na segurança alimentar. No Brasil, destaca-se em regiões como a Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, onde o cultivo irrigado em sistema de taipas é predominante. Embora seja fundamental para a economia e para a produção de alimentos, o arroz é frequentemente associado à emissão de gases de efeito estufa (GEE), em especial o metano (CH₄). Esse gás que possui um alto potencial para o aquecimento global, sendo considerado o segundo mais importante, atrás apenas do CO2. Em áreas de arroz irrigado, as condições de alagamento favorecem a decomposição anaeróbia da matéria orgânica no solo, intensificando a liberação de CH₄ para a atmosfera. Essa realidade torna o monitoramento das concentrações atmosféricas desse gás um aspecto relevante para avaliar os impactos ambientais do cultivo de arroz irrigado. Porém, o ferramental necessário ao monitoramento de GEE é demandante de investimentos elevados. Tecnologias de sensoriamento remoto, permitem acompanhar a concentração de CH4 no ar ao longo do tempo, possibilitando análises mais detalhadas. Assim, compreender a concentração de metano na coluna de ar acima de áreas de cultivo de arroz irrigado é fundamental para planejar estratégias de manejo mais sustentáveis e aliviar os efeitos das emissões agrícolas nas mudanças climáticas. O trabalho tem como objetivo avaliar a evolução da concentração de CH4 na coluna de ar sobre uma área cultivada com arroz irrigado, utilizando dados obtidos por sensoriamento remoto, identificando o comportamento temporal e verificando qual os padrões e tendências. Uma área cultivada com arroz irrigado na Fronteira Oeste foi selecionada para o estudo, em função de adotar o sistema de cultivo mais frequente na região. A área está localizada nas coordenadas geográficas 29° 39′ 44,64″ S 56° 15′ 22,48″ O. nessa área o arroz irrigado é cultivado em sistema de taipas, onde a declividade natural do terreno é mantida e as taipas servem para manter a lâmina de água. A base de dados utilizada é proveniente da plataforma Sentinel-5P, obtida através de um script dedicado dentro do Google Earth Engine (GEE). A plataforma Sentinel-5P utiliza informações de absorção da banda-A do oxigênio (760 nm) e da faixa espectral do SWIR para monitorar as concentrações de CH₄ na atmosfera terrestre. Desta forma, é possível obter a concentração de CH4 na coluna de ar, em partes por bilhão (ppb). Os dados foram obtidos entre os dias 08/02/2019 e 25/08/2025, de forma que representam uma série temporal da concentração de CH4 na coluna de ar. Esse lapso temporal representa a disponibilidade de dados, já que a plataforma Sentinel-5P entrou em operação em fevereiro de 2019. O período compreende períodos com cultivo de arroz irrigado intercalados com períodos em que a área era mantida com pastagem natural com lotação animal média de 1 cabeça de gado/hectare. Cada leitura da concentração de CH4 representa uma média a cada 10 dias. Para verificar a adequação da série temporal ao uso de modelos de regressão, foram realizados testes de estacionalidade e estabilidade. A estacionalidade foi avaliada a partir de dois testes complementares: o Dickey-Fuller Aumentado (ADF), cuja hipótese nula é a presença de raiz unitária (não estacionalidade), e o KPSS (KwiatkowskiPhillipsSchmidtShin), cuja hipótese nula é a estacionalidade. Ainda, para verificar possíveis alterações na estrutura da série ao longo do tempo, foi utilizado o teste CUSUM (Cumulative Sum of Recursive Residuals), que avalia a estabilidade dos parâmetros do modelo e possibilita a identificação de quebras estruturais. O teste ADF apresentou p-valor de 0,21, não permitindo rejeitar a hipótese nula de raiz unitária, indicando ausência de estacionalidade. De forma complementar, o teste KPSS resultou em p-valor inferior a 0,01, levando à rejeição da hipótese nula de estacionalidade. A combinação desses dois resultados confirma que a série não é estacionária, ou seja, apresenta tendência de aumento da concentração de CH4 ao longo do tempo. No que se refere à estabilidade dos parâmetros, o teste CUSUM apresentou p-valor de 0,62, não indicando evidências de quebras estruturais significativas. No período avaliado, área selecionada foi cultivada com arroz irrigado nas safras 2019/2020, 2020/2021, 2023/2024 e 2024/2025, sempre em um período compreendido entre início de outubro e final de março. A emissão de CH4 nessas áreas tem sido atribuída unicamente ao arroz, que atua como ponte para o gás que é produzido no solo. Desta forma, espera-se que aumentos na concentração do gás aconteçam apenas durante o ciclo da cultura. Porém, os dados demonstram que o padrão de aumento não é necessariamente ligado ao arroz irrigado. O padrão de aumento pode estar mais relacionado a característica inerente aos solos da região, que são mal drenados e passam boa parte do ano em condições anaeróbicas, favorecendo o aumento do CH4 no ar
Avaliação da Precisão de Aferições de Alturas e Reas Realizadas com Vant
Aferir alturas e áreas são algumas das práticas mais recorrentes na vivência de diferentes profissionais, do engenheiro civil ao florestal, todos fazem emprego de variadas técnicas e ferramentas para obterem estas grandezas espaciais. Dentre as tecnologias de aferições dimensionais, algumas das mais convencionais são as estações totais, trenas e hipsômetros, ferramentas que fornecem medidas precisas e acuradas, contudo havendo para isso, a necessidade de um trabalho muitas vezes oneroso considerando grandes áreas em que haja um elevado número de medições a serem efetuadas, além de despesas relacionadas ao deslocamento de funcionários e a inconveniência constante de terrenos irregulares.
Pensando nesta conjuntura, a tecnologia emergente dos veículos aéreos não tripulados (VANTs) vem sendo notável no que tange em ser uma alternativa para estes óbices, pois já é possível na atualidade empregá-los na elaboração de ortomosaicos e modelos 3D, permitindo a medição de alturas e áreas em um ambiente digital, inerentemente otimizando este processo, além disso os VANTs denotam ainda de uma capacidade de cobrir grandes espaços, vários terrenos e englobam muitos objetos de interesse de serem medidos ao mesmo tempo, inclusive reduzindo o deslocamento.
Com base nesta oportunidade de repensar processos, nasceu o presente estudo, que por meio da avaliação dos produtos obtidos por VANT, pretende verificar a influência da qualidade do processamento desses produtos na estimativa final; a altura de voo ideal para obtê-los; a ferramenta do software que melhor estima alturas e áreas; e se são precisos e acurados os valores de alturas e áreas de edificações e vegetação provenientes dos produtos oriundos do drone, nestas circunstâncias tendo a pretensão de contribuir assim para a compreensão dos limites e possibilidades desta promissora ferramenta.
A pesquisa efetuada foi de natureza aplicada e abordagem quantitativa, uma vez que teve objetivos de caráter descritivos e comparativos: comparar valores de alturas e áreas mensuradas em um ambiente digital aos seus respectivos valores reais, empregando para tanto, métodos experimentais.
Primeiramente foi efetuado o voo sob o campus de São Gabriel da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) com o drone DJI Mavic 3M (DJI, Shenzhen, China,) em duas alturas, 80 e 120 metros, totalizando dois voos, com o intuito de se obter as fotos aéreas do campus que posteriormente foram introduzidas no software Agisoft Metashape® (Agisoft LLC, versão trial 2.2.1), este que realizou o seu processamento: alinhando as fotos, criou nuvens de pontos esparsas e densas, criou também o modelo 3D no qual se mediram as alturas com duas ferramenta do programa chamadas de Ruler e Measure Profile, e o ortomosaico que possibilitou a mensuração de áreas a partir da ferramenta Draw Polygon. Todas essas etapas anteriormente descritas são partes do processamento das imagens, ou seja, a partir delas há a criação de outros produtos, estes que podem ser processados em qualidades maiores, que requerem mais capacidade computacional e mais tempo ou qualidades menores, que entregam produtos mais simples contudo não requisitam tanto tempo de processamento.
Ao todo foram definidos 8 tratamentos de altura: voo a 120 metros, processado em qualidade média e elevada, voo a 80 metros com processamento em qualidade media e elevada, em ambos sendo utilizada as ferramentas do programa, Ruler e Measure Profile, totalizando 224 medições realizadas no programa e 140 medidas reais feitas em campo com o clinômetro eletrônico, 10 repetições que constituíram uma média para cada uma das 14 alturas a serem medidas. Para a área, foram mensuradas digitalmente 108 áreas: três aferições dos nove objetos ou estruturas, vezes quatro tratamentos: voo a 120 metros com processamento médio e elevado e voo a 80 metros com processamento médio e elevado, enquanto as áreas reais foram obtidas com a trenas de fibra de vidro de 30 metros.
Os resultados obtidos indicam que o tratamento que melhor descreveu as medidas reais de altura foi na altura do voo de 80 metros, com um processamento médio, utilizando a ferramenta de medição Measure Profile, tendendo a subestimar as alturas em média 0,662 cm, já o tratamento menos fidedigno foi aquele em que a altura do voo foi 80 metros de altura, com um processamento elevado, utilizando a ferramenta de medição Ruler, onde superestimou as alturas em 20,571 cm. As áreas foram melhores estimadas na altura de 120 metros, sem diferença significativa entre as duas qualidades de processamento, apresentando 41,328 cm² de erro em comparação com a área total real para a estimada. No geral as principais deficiências das estimativas de área se concentraram em objetos e estruturas pequenas, e a ferramenta Ruler, que foi a possível comprometedora da precisão da altura, pois permitiu muita subjetividade na escolha de qual ponto selecionar na estrutura para medir, principalmente em qualidades inferiores de textura e processamento
Métodos de Conservação de Colletotrichum Spp. Associados Cultura da Oliveira (olea Europaea L.)
O Rio Grande do Sul configura-se como o maior produtor de azeitonas do Brasil, impulsionado por condições edafoclimáticas favoráveis e pelo desenvolvimento contínuo da cadeia produtiva da olivicultura no estado. A antracnose é considerada uma das doenças mais importantes da cultura da oliveira em diversas regiões produtoras do mundo. A doença é causada por fitopatógenos do gênero Colletotrichum, entre os principais agentes estão as espécies pertencentes aos complexos de espécies como C. acutatum e C. gloeosporioides. Os sintomas característicos da antracnose são observados principalmente nos frutos. Eles podem apresentar manchas escuras, lesões deprimidas, necrose e apodrecimento, que levam à mumificação ou queda precoce. A doença compromete fortemente a produção e a qualidade do azeite, uma vez que frutos infectados apresentam aumento da acidez e alteração no perfil químico do óleo, reduzindo seu valor comercial. Em situações mais severas, podem ocorrer cloroses, necroses foliares e seca de ramos, afetando a vitalidade das plantas. Nesse contexto, o estudo de fitopatógenos como Colletotrichum spp., agentes etiológicos da antracnose da oliveira, torna-se necessários, tais como estratégias eficazes de armazenamento e ativação de isolados fúngicos utilizados em ensaios para interações planta-patógeno e o desenvolvimento de métodos de controle eficientes. Diante do exposto, o objetivo com este trabalho foi testar métodos de armazenamento de isolados de Colletotrichum spp. obtidos de lesões de folhas jovens de oliveira. ​ Os Isolados de Colletotrichum spp. foram obtidos de lesões em folhas de oliveira cultivar Koroneiki . Para esporulação, as folhas foram acondicionados em caixas plásticas do tipo Gerbox, previamente esterilizadas e forradas com duas camadas de papel filtro umedecido com água destilada estéril em temperatura de 25 ± 2 °C, sob regime de 12 horas de luz e 12 horas de escuro. O período de incubação variou de 48 a 72 horas. Após esse período, foi feito o isolamento indireto, cortando fragmentos entre a área da lesão e a parte sadia das folhas. Os fragmentos passaram por tríplice lavagem (Álcool 70%, hipoclorito de Sódio 0,5% e lavagem dos fragmentos com água destilada estéril por três vezes) e depositados em meio ágar-agua (2%).Em sequência, os isolados e cultivados em meio Batata-Dextrose-Ágar (BDA) por sete dias, sob temperatura controlada de 25 ± 2 °C. Para preservação e armazenamento, discos de papel de filtro foram fragmentados em unidades de 5 mm, autoclavados e, posteriormente, posicionados sobre placas de Petri com meio BDA e ao centro disco de micélio das colônias com sete dias de crescimento. Após crescimento das colônias, os discos de papel foram transferidos para placas de Petri estéreis e submetidos à secagem em dessecador contendo sílica até completa desidratação. Em seguida, os fragmentos foram acondicionados em tubos tipo Eppendorf contendo sílica-gel e armazenados sob refrigeração a aproximadamente 15 °C. Para o método Castellani, discos de micélio de 5 mm foram retirados de novas placas contendo colônias com sete dias de crescimento e depositados em frascos de vidro contendo água destilada estéril. Os recipientes foram hermeticamente vedados e mantidos em temperatura ambiente, em ambiente escuro. Após a reativação dos isolados, verificou-se que os isolados mantidos em água destilada apresentaram índice de contaminação, com 85% das amostras contaminadas. Esse resultado indica que a técnica, embora classicamente utilizada, pode não oferecer condições adequadas de conservação em longo prazo, favorecendo a colonização por microrganismos contaminantes. Em contrapartida, os isolados preservados em discos de papel sob refrigeração permaneceram livres de contaminação, demonstrando maior eficácia na manutenção da pureza das culturas. Os resultados obtidos demonstram que as condições de armazenamento exercem influência direta sobre a qualidade dos isolados, possibilitando a continuidade de estudos sobre interação entre estes isolados de Colletotrichum spp. e a oliveira
Comunidades Microbianas de Musgos Antárticos: Uma Abordagem Genômica e Bioinformática
A Antártica, apesar de seu ambiente extremo, abriga formas de vida surpreendentemente resistentes, como os musgos. Espécies como Bryum amblyodon Müll Hal, Polytrichum juniperinum Wild ex Hedw. e Sanionia uncinata (Hewd.) Loeske demonstram uma notável capacidade de sobrevivência a temperaturas extremas, escassez de água e radiação intensa. A vitalidade desses musgos está intrinsecamente ligada às complexas associações que mantêm com comunidades microbianas, as quais são essenciais para os ciclos de carbono e nitrogênio em ecossistemas frios. Evidências recentes, inclusive de espécies nativas do Bioma Pampa como Physcomitrium acutifolium Broth., sugerem que a identidade da espécie hospedeira é o fator mais determinante na composição da comunidade bacteriana, superando até mesmo as condições ambientais locais. Esta pesquisa teve como objetivo caracterizar e analisar as comunidades microbianas associadas a quatro espécies de musgos antárticos (incluindo P. acutifolium) com base em dados genômicos. A metodologia empregada envolveu a análise de sequências genômicas, utilizando ferramentas bioinformáticas para a detecção e classificação taxonômica de comunidades microbianas. Minimap2 foi usado para alinhamento das leituras de DNA contra um banco de referência de sequências de bactérias, fungos e vírus. Em seguida, o Kraken2 realizou a classificação taxonômica, permitindo a identificação dos grupos microbianos. Por fim, as ferramentas Krona e Pavian foram utilizadas para visualizar e organizar os resultados, possibilitando a análise da distribuição relativa dos microrganismos. Os resultados obtidos revelaram uma variação significativa na diversidade e composição das comunidades microbianas entre as espécies de musgo. Na amostra de Bryum amblyodon, a maior parte das sequências classificadas pertencia a bactérias, com predominância dos filos Proteobacteria e Actinobacteria, e gêneros como Hyphomicrobium e Methylobacterium. Já o Physcomitrium acutifolium apresentou uma comunidade microbiana mais rica e variada, com sequências convergindo para Bacteria e Cyanobacteria, e destaque para os filos Firmicutes e Proteobacteria, com gêneros como Bacillus, Paenibacillus, Vibrio e Halomonas. Para o Polytrichum juniperinum, a análise mostrou uma comunidade microbiana complexa, majoritariamente composta por bactérias, com as famílias Paenibacillaceae e Bacillaceae e os gêneros Vibrio, Stenotrophomonas e Pseudomonas. Em contraste, a amostra de Sanionia uncinata revelou uma comunidade menos diversa e menos abundante, com predominância de Gammaproteobacteria e identificação de Escherichia e Vibrio. Esses grupos bacterianos encontrados desempenham papéis ecológicos cruciais. As Proteobacteria e Actinobacteria, por exemplo, estão envolvidas na fixação de nitrogênio, ciclagem de nutrientes e interações simbióticas, enquanto as Cyanobacteria contribuem na fixação de carbono. A variação da diversidade microbiana de acordo com a espécie de musgo hospedeiro reforça a hipótese de que cada musgo estrutura de forma única sua microbiota, funcionando como um "microecossistema" que seleciona parceiros específicos. Compreender a natureza dessas associações não apenas contribui para a redução de interferências em futuros experimentos, mas também oferece subsídios para a prospecção de microrganismos com funções ecológicas e biotecnológicas ainda inexploradas. Este estudo evidencia, portanto, a importância da integração de análises bioinformáticas e microbiológicas para uma compreensão mais completa das interações entre plantas e microrganismos, especialmente em ambientes extremos
Efeitos da Gordura Interesterificada e Sinefrina no Peso e Estresse Oxidativo Hepático de Ratos Wistar
A gordura interesterificada (GI) é produzida industrialmente por meio de rearranjos nas moléculas de ácidos graxos, o que altera as propriedades físico-químicas dos óleos vegetais. Por esse motivo, tem sido amplamente utilizada pela indústria alimentícia como substituta das gorduras trans. Entretanto, a GI está cada vez mais presente em alimentos ultraprocessados, e estudos indicam que seu consumo excessivo está associado à obesidade e a impactos negativos no metabolismo. Nesse sentido, o papel da gordura interesterificada no metabolismo e em fatores relacionados à obesidade tem sido objeto de investigação, embora seus efeitos metabólicos e hepáticos ainda não estejam totalmente esclarecidos. A sinefrina é um composto alcaloide extraído de frutas cítricas, estudado por seus potenciais efeitos na oxidação de gorduras e amplamente utilizado em suplementos dietéticos. Seus efeitos estão relacionados, principalmente, à atuação como agonista de receptores adrenérgicos. A estimulação dos receptores beta-adrenérgicos, por sua vez, está associada ao aumento da termogênese, à lipólise, ao metabolismo da glicose e do colesterol e, possivelmente, à redução da ingestão alimentar. Tendo em vista a necessidade de pesquisas in vivo que avaliem os efeitos da GI no organismo e considerando o potencial da sinefrina em modular o metabolismo energético, escolhemos o modelo de ratos Wistar para a realização deste trabalho. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da administração de gordura interesterificada e sinefrina sobre o ganho de peso e os marcadores hepáticos de estresse oxidativo em ratos Wistar. Para essa pesquisa, foram utilizados 30 ratos machos Wistar, com 60 dias de vida, no qual foram randomicamente separados em quatro grupos experimentais : G1- óleo de soja; G2 - óleo de soja + sinefrina; G3 - Gordura interesterificada; G4- Gordura interesterificada + sinefrina. Os grupos controles (G1) e G2 receberam por gavagem 3g/kg de óleo de soja; e os grupos G3 e G4 receberam a mesma dose de gordura interesterificada e esse protocolo se estendeu por 90 dias, após a suplementação, foi administrado pela mesma via a sinefrina 1,5 mg/kg por 19 dias. Todos os animais ficaram em temperatura e umidade padrão, com água e ração ad libitum e foram mantidos em ciclo claro/escuro de 12 horas. Durante o experimento, a ração e o peso corporal foram registrados diariamente em todos os grupos. Ao final do protocolo, todos os ratos foram eutanasiados e efetuou-se a dissecação do tecido hepático para a realização das análises de estresse oxidativo. Foram realizadas as análises de quantificação de espécies reativas (RS), atividade da catalase (CAT) e a avaliação da atividade da superóxido dismutase (SOD). A dieta com GI levou a um maior aumento de peso comparado aos grupos G3 e G4, possivelmente por alterações na digestibilidade ou metabolismo lipídico da gordura. Desse modo, durante o período de gavagem de gorduras a gordura interesterificada apresentou maior ganho de peso em relação ao óleo de soja. Após a administração do composto, os grupos que receberam sinefrina apresentaram maior ganho de peso em comparação aos demais grupos, especialmente no grupo G4, resultado inesperado, entretanto, não significativo. Quanto às análises de estresse oxidativo, as enzimas CAT e SOD, apresentaram redução das suas atividades no grupo G3, possivelmente indicando estresse oxidativo, entretanto, a sinefrina restaurou parcialmente os níveis dessas enzimas nos grupos suplementados com o composto. Os níveis de RS foram elevados nos grupos G3 e G4, hipotetizando uma lesão hepática por estresse oxidativo, porém a sinefrina reduziu significativamente esses marcadores. Dessa forma, a suplementação com GI aumentou o ganho de peso em relação ao óleo de soja e elevou o estresse oxidativo hepático, enquanto a sinefrina melhorou significativamente a atividade antioxidante hepática e reduziu os danos celulares causados pela suplementação crônica de GI, embora tenha promovido aumento não significativo de peso. Esses achados sugerem que a sinefrina atuou mais como agente antioxidante do que como composto redutor de peso. Ademais, são necessários mais estudos para avaliar os danos no organismo dos ratos
Efeito do Ll95 em Camundongos Que Receberam Dieta de Cafeteria
A obesidade é reconhecida como uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. Apresenta alta prevalência, causando inúmeros problemas de saúde, tais como, distúrbios metabólicos e cardiovasculares. Essa condição está associada a múltiplos fatores, incluindo aspectos comportamentais, como o sedentarismo e a ingestão excessiva de alimentos ricos em carboidratos e gorduras. A relação entre microbiota intestinal e a obesidade é um aspecto importante, uma vez que alterações na composição microbiana podem influenciar a absorção, o armazenamento e o gasto energético dos nutrientes. Neste sentido, estudos com o uso de probióticos poderiam ter um efeito positivo, melhorando os prejuízos causados por uma dieta hipercalórica. Diversos estudos têm mostrado efeitos benéficos de cepas de Lactococcus lactis subsp. cremoris. Apesar disso, não está claro se este probiótico poderia melhorar os efeitos deletérios observados na obesidade. Com isso, o objetivo deste estudo foi avaliar o potencial benéfico da cepa probiótica Lactococcus lactis subsp. cremoris LL95 (LL95), em reverter os efeitos causados pelo consumo de uma dieta de cafeteria em camundongos. Este estudo foi aprovado pela Comissão de Ética no Uso de Animais da Unipampa (protocolo nº021/2024). O LL95 foi isolado de queijo mussarela no laboratório de microbiologia da Unipampa, Campus Itaqui. O experimento teve duração de 8 semanas e foram utilizados 40 camundongos C57BL/6 machos. Os animais tiveram livre acesso a água e comida, ciclo claro-escuro de 12 horas e temperatura adequada. Após a etapa de adaptação que durou 1 semana, os animais foram divididos em 4 grupos diferentes (n =10). O grupo controle (C) recebeu dieta padrão e água, o grupo LL95 recebeu dieta padrão e LL95, o grupo cafeteria (CAF) recebeu dieta de cafeteria e água, e o grupo CAF + LL95 recebeu dieta de cafeteria e LL95. A dieta dos grupos CAF e CAF + LL95 consistiu de uma dieta rica em carboidratos e gorduras, composta por ração para roedores, amendoim, chocolate ao leite e biscoito doce na proporção de 3:2:2:1, enquanto os demais grupos receberam dieta padrão durante as 8 semanas. Os grupos LL95 e CAF + LL95 receberam diariamente uma dose oral (por gavagem) de 1x10(9) UFC/100 µL de LL95, enquanto os demais grupos receberam água no mesmo volume. Todos os camundongos foram pesados semanalmente e o consumo de líquidos e alimentos foram medidos três vezes por semana, para fins de comparação. Ao final das 8 semanas os animais foram anestesiados e eutanasiados e o sangue e gordura foram coletados. As dosagens de triglicerídeos, colesterol total e glicose foram realizadas no plasma utilizando kits comerciais, e os resultados foram calculados em mg/dl. Os resultados foram expressos como média ± erro padrão da média. A análise estatística foi realizada por meio da Análise de Variância (ANOVA) de uma via, seguido de post hoc de Tukey. Em relação ao consumo semanal de alimento, o grupo controle e LL95 tiveram um consumo constante durante as 8 semanas. Os grupos CAF e CAF+LL95 apresentaram diferenças no padrão de consumo. O grupo CAF mostrou elevação entre a 4ª e a 7ª semana, seguida de queda no período final, enquanto o grupo CAF+LL95 manteve níveis inferiores em comparação ao CAF. O peso dos animais ao longo das 8 semanas mantiveram-se constantes no grupo controle e LL95, enquanto no grupo CAF ocorreu uma elevação no peso a partir da 4ª semana. O grupo que recebeu o probiótico junto com a dieta de cafeteria (CAF+LL95) teve um menor ganho de peso quando comparados ao grupo que recebeu apenas a dieta de cafeteria (CAF). Quando analisado o acúmulo de gordura, observou-se que o grupo CAF apresentou um aumento significativo de 75% em relação ao grupo controle. Já o grupo CAF + LL95 apresentou uma redução de 33% no acúmulo de gordura quando comparado ao grupo CAF, mostrando que o LL95 foi capaz de melhorar parcialmente o acúmulo de gordura corporal. Em relação aos parâmetros bioquímicos, houve um aumento significativo nos níveis de triglicerídeos e colesterol total no grupo CAF (32% e 60%, respectivamente) em relação ao grupo controle. O tratamento com o LL95 foi eficaz em melhorar os níveis de triglicerídeos, porém não foi efetivo em melhorar os níveis de colesterol. Em relação aos níveis de glicose, não foram observadas alterações significativas. A partir dos resultados obtidos, conclui-se que a dieta hipercalórica foi capaz de promover distúrbios metabólicos que favoreceram o desenvolvimento de uma dislipidemia e também acúmulo de tecido adiposo e, consequente, aumento de peso corporal, embora o consumo alimentar não tenha sido elevado. O tratamento com a cepa probiótica LL95 foi eficaz em reduzir o acúmulo de tecido adiposo em camundongos alimentados com a dieta de cafeteria, melhorando também os níveis de triglicerídeos. Outras análises estão sendo realizadas a fim de melhor avaliar os prejuízos desta dieta bem como os possíveis benefícios da utilização do LL95
NANOBIOINSETICIDA DE GERANIOL: AVALIAÇÃO DA SEGURANÇA E DA ATIVIDADE INSETICIDA EM MODELOS ALTERNATIVOS
Os agrotóxicos têm sido a principal estratégia no controle de pragas e insetos, mas seu uso resulta em sérios riscos à saúde humana e à biodiversidade. Nesse sentido, práticas agrícolas mais sustentáveis, como o emprego de moléculas naturais, representam alternativas promissoras. O geraniol, um monoterpeno presente em óleos essenciais, destaca-se pela atividade repelente e larvicida, porém sua aplicação é limitada pela volatilidade e baixa solubilidade em água. A nanotecnologia surge como solução ao permitir sua nanoencapsulação em diferentes polímeros, aumentando a estabilidade, eficácia e liberação controlada. Modelos alternativos como Caenorhabditis elegans (organismo não-alvo) e Drosophila melanogaster (organismo alvo) são úteis na avaliação da segurança e da toxicidade de nanopartículas, sendo ferramentas de baixo custo e fácil manuseio. Em vista disso, avaliamos a segurança de nanopartículas com diferentes polímeros contendo geraniol em C. elegans e D. melanogaster, visando avaliar sua toxicidade para organismos não-alvo e alvo, respectivamente, e comparar se os diferentes polímeros empregados na nanoencapsulação influenciam os níveis de toxicidade e a eficácia inseticida. Vermes no estágio L1 foram expostos cronicamente por 48 horas a nanoemulsões de geraniol/pluronic e geraniol/lignina (0,08, 0,16, 0,24 e 0,32 mg/mL), após tratamento inicial em meio líquido com tampão M9 por 30 minutos e posterior transferência para placas NGM contendo E. coli OP50. O mesmo protocolo foi aplicado para nanopartículas de zeína/pluronic contendo geraniol (NZPG), nanopartículas de zeína/pluronic controle (NZPC), nanopartículas de zeína/lignina contendo geraniol (NZLG) e nanopartículas de zeína/lignina controle (NZLC). A taxa de sobrevivência foi avaliada após 48 horas e, a partir dos dados de mortalidade das nanomulsões, foi calculada a LC50. Também foram realizados ensaios de reprodução pela contagem da ninhada, análises de desenvolvimento por mensuração de tamanho e área corporal e teste de locomoção. Em Drosophila melanogaster, a exposição ocorreu via alimentação líquida contínua em capilares, durante cinco dias, utilizando as mesmas concentrações. A sobrevivência foi monitorada diariamente e parâmetros locomotores foram avaliados por ensaio de geotaxia negativa e campo aberto. Todos os experimentos foram conduzidos em cinco repetições independentes e a análise estatística foi realizada após teste de normalidade para definir o mais adequado. Nossos resultados mostram que a taxa de mortalidade causada pelas nanoemulsões de geraniol/pluronic e geraniol/lignina foi atenuada quando o geraniol foi nanoencapsulado. Houve diminuição dos movimentos natatórios apenas nos vermes expostos à nanoemulsão de geraniol/pluronic na maior concentração. Esse efeito não foi observado com as NPs, uma vez que estas proporcionam liberação controlada do geraniol, reduzindo sua toxicidade. Além disso, não observamos alterações no desenvolvimento, reprodução e comportamento dos animais expostos tanto às nanoemulsões quanto às nanopartículas. Dessa forma, as NPs poliméricas contendo geraniol e as NPs brancas apresentaram-se seguras em C. elegans. No organismo-alvo D. melanogaster, as NPs contendo geraniol provocaram maior mortalidade ao longo de cinco dias de exposição, mostrando sua ação inseticida, sem alterações comportamentais. Com isso, a nanoencapsulação demonstrou potencial para diminuir a toxicidade em organismos não-alvo e, ao mesmo tempo, manteve a atividade inseticida em D. melanogaster, reforçando sua aplicação como alternativa promissora para práticas agrícolas mais seguras e sustentáveis
Efeitos do Kombuchá Associado Ao Exercício Aeróbico Sobre Análises de Fermentação Fecal em Ratos Wistar.
O kombuchá é uma bebida fermentada tradicionalmente produzida a partir de chá, geralmente preto ou verde, adoçado com açúcar e submetido à fermentação pela ação de uma cultura simbiótica de bactérias e leveduras (SCOBY). Durante o processo fermentativo, a sacarose é metabolizada, originando diversos compostos bioativos, como ácidos orgânicos (glucônico, acético, láctico e glucurônico), polifenóis derivados do chá, vitaminas do complexo B, vitamina C, aminoácidos, além de microrganismos com potencial efeito probiótico. Essa composição confere ao kombuchá propriedades funcionais associadas a efeitos antioxidantes, antimicrobianos, hepatoprotetores, cardioprotetores e moduladores do metabolismo glicídico. Entre os benefícios mais estudados, destacam-se a neutralização de radicais livres e a redução do estresse oxidativo, a promoção do equilíbrio da microbiota intestinal e a possível regulação dos níveis de glicose e lipídios, contribuindo para a prevenção de doenças metabólicas, cardiovasculares e inflamatórias. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos do kombuchá, isolado ou associado ao exercício aeróbico moderado, sobre análises de fermentação fecal em ratos Wistar saudáveis. Foram utilizados 60 ratos machos, com 90 dias de idade, mantidos em condições controladas de ambiente, ração padrão e água ad libitum. Este procedimento foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Pampa (CEUA-UNIPAMPA) com número de protocolo 27/2022. Os animais foram distribuídos aleatoriamente em seis grupos de dez indivíduos: controle, kombuchá 1 mL/100 g peso animal, kombuchá 2 mL/100 g peso animal, exercício aeróbico moderado, kombuchá 1 mL/100 g peso animal associado ao exercício e kombuchá 2 mL/100 g peso animal associado ao exercício. O kombuchá foi preparado a partir de chá preto com açúcar e fermentado por sete dias a 28 ± 1 °C em condições assépticas. Cinco vezes na semana, durante quatro semanas, os ratos foram previamente habituados à esteira ergométrica. Em seguida, foi realizado o teste de consumo máximo de oxigênio (VO₂máx) com o objetivo de determinar a intensidade do exercício. Durante o teste a velocidade da esteira foi aumentada progressivamente a cada 3 minutos, até que o animal não conseguisse mais manter a atividade. A partir da intensidade máxima obtida neste protocolo, estabeleceu-se o exercício em intensidade moderada, correspondente a 6070% do VO₂máx. As fezes foram coletadas no início e nos últimos seis dias do protocolo, secas em estufa para obtenção de matéria parcialmente seca e matéria seca, e avaliadas quanto à umidade e ao pH. Os dados obtidos mostraram que o consumo de kombuchá, isolado ou combinado com exercício aeróbico, não promoveu alterações significativas nos parâmetros de fermentação fecal nos animais saudáveis, assim como não houve variações estatisticamente relevantes no pH e na umidade das fezes ao longo do período de estudo. Esses resultados indicam que a suplementação com kombuchá e a prática de exercício aeróbico moderado são metabolicamente seguras e não interferem negativamente na saúde gastrointestinal de ratos saudáveis. Comparativamente, estudos anteriores realizados em modelos de obesidade observaram redução significativa da glicemia com o uso de kombuchá, sugerindo que seus efeitos podem ser dependentes do estado fisiológico do indivíduo. Assim, este estudo evidencia que o kombuchá, isolado ou associado ao exercício, não altera parâmetros fecais em animais saudáveis, reforçando a segurança de sua utilização e destacando a importância de investigações futuras em modelos com desequilíbrio metabólico, como obesidade, para avaliar o potencial terapêutico da bebida em condições patológicas