Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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    Utilização de Atividades Competitivas das Engenharias para Aumentar a Visibilidade da Universidade nas Escolas de Ensino Médio

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    O declínio constante no número de matrículas em universidades federais, frequentemente associado tanto às dificuldades de acesso ao ensino superior quanto à falta de informações claras sobre as oportunidades existentes, evidencia a necessidade de fortalecer o vínculo entre universidade e comunidade. Nesse cenário, as ações de extensão tornam-se ferramentas estratégicas para ampliar o diálogo e reduzir distâncias. O projeto descrito neste trabalho buscou identificar, dentro de um conjunto de alternativas, uma atividade lúdico-participativa que pudesse ser aplicada no contexto escolar como forma de divulgação ativa da universidade. Partiu-se do entendimento de que metodologias que unem criatividade e experimentação prática tendem a despertar o interesse dos estudantes, ao mesmo tempo em que criam condições para uma interação mais próxima com a instituição. O caminho metodológico adotado combinou pesquisa bibliográfica e levantamento de práticas já utilizadas em competições estudantis, com destaque para atividades de caráter experimental e de baixo custo. Esse processo foi conduzido a partir de uma abordagem qualitativa-quantitativa, de natureza exploratória e descritiva, que envolveu a análise de materiais científicos e pedagógicos sobre dinâmicas lúdicas, além da observação de experiências amplamente difundidas em plataformas digitais. Foram investigadas iniciativas como AeroDesign, Solar Decathlon, Aparato de Proteção ao Ovo, Concreto Colorido de Alta Resistência, Concrebol, ponte de palito de picolé, ponte de macarrão e ponte de papel. A seleção ocorreu por meio de critérios previamente estabelecidos, como tempo necessário para execução, custo estimado, logística, facilidade de implementação em ambiente escolar e potencial de engajamento dos alunos. A partir dessa triagem, três atividades mostraram-se mais compatíveis com a realidade local: a ponte de palito de picolé, a ponte de macarrão e a ponte de papel. O grupo responsável pelo projeto então avançou para análises práticas, simulando aspectos como tempo de secagem das colas, resistência estrutural obtida, praticidade de montagem e grau de exploração criativa que cada alternativa possibilitava. As competições de pontes de macarrão têm como vantagem o fato de serem realizadas por diversas instituições, no Brasil e no exterior, geralmente seguindo regras padronizadas. No entanto, como essa atividade já havia sido executada várias vezes na Unipampa, decidiu-se descartá-la em razão do alto custo e do tempo necessário para sua realização, ainda que houvesse possibilidade de adaptação com redução de medidas e pesos, como em experiências de outras instituições. Esse processo indicou que a ponte de palito de picolé e a ponte de papel eram as opções mais viáveis, mas a segunda destacou-se pela simplicidade, menor custo, rapidez de construção e possibilidade de múltiplas variações estruturais. Com a decisão consolidada, passou-se à elaboração do modelo da competição. Foram utilizadas as regras básicas da competição de pontes de macarrão, porém com medidas e pesos reduzidos à metade daqueles amplamente adotados. Definiu-se um conjunto padronizado de materiais a ser entregue aos participantes: folhas brancas, cola branca e cola em bastão de silicone, régua de cinquenta centímetros, estilete, dois tubos de PVC de doze centímetros e uma haste de aço de mesmo comprimento. Estabeleceram-se regras claras para a montagem, incluindo restrições quanto ao uso de outros materiais e critérios de desempate, priorizando a estrutura mais leve entre aquelas que apresentassem a mesma capacidade de resistência. Para a execução dos testes, projetou-se ainda um palco em madeira, criado especialmente para sustentar as pontes durante o processo de carregamento. Esse dispositivo contava com uma haste de apoio destinada à aplicação dos pesos, permitindo a aferição objetiva do desempenho estrutural de cada construção. A análise desse percurso evidencia que a escolha da ponte de papel como atividade central atendeu de forma satisfatória aos objetivos iniciais do projeto. Além de oferecer uma solução de fácil replicação em diferentes contextos escolares, a atividade mostrou-se alinhada ao propósito de divulgar a universidade de modo criativo, acessível e engajador. O detalhamento de materiais, regras e procedimentos de teste fortalece o caráter metodológico da proposta, garantindo tanto a viabilidade prática quanto a transparência do processo. Nesse sentido, a experiência contribui para o debate sobre estratégias de extensão universitária que busquem aproximar a instituição da comunidade, ao mesmo tempo em que fornece um modelo passível de adaptação em iniciativas futuras

    Práticas Extensionistas: Leitura e Escrita com Escolas de Jaguarão e Arroio Grande/rs

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    Este relato tem como foco apresentar a prática didática extensionista, desenvolvida no Componente Curricular (CC) Extensão I Língua Portuguesa, no segundo semestre de 2024, de acordo com a ementa do Projeto Pedagógico Curricular (PPC) do Curso de Letras - Português e Literaturas de Língua Portuguesa, da Universidade Federal do Pampa, campus Jaguarão/RS. A proposta vinculou-se com o Projeto de Extensão Leituras nas Escolas, registro n. 3673, coordenado pela docente, também responsável pelo CC e orientadora do presente trabalho. O objetivo geral referia-se ao desenvolvimento de uma atividade de extensão que envolvesse a interpretação textual com a temática do futebol a partir do Conto Empate, de Aldyr Garcia Schlee (2011), autor jaguarense, escolhido durante as aulas pelo grupo de seis acadêmicos matriculados no Componente Curricular. Como objetivos específicos elencaram-se, a partir dos conteúdos leitura e interpretação de textos, intertextualidade, texto narrativo, escrita criativa e oralidade, os seguintes: estimular a leitura e a interpretação textual de textos verbais e não-verbais; identificar e recuperar a intertextualidade presente nos textos; produzir um texto narrativo observando os direcionamentos dados; incentivar a escrita criativa; e, valorizar as produções por meio da apresentação oral dos textos. Para tanto, foi construída uma sequência didática matriz, durante as aulas previstas no Plano de Ensino, a partir de um processo colaborativo, sempre (re)direcionado e planejado de acordo com o contexto da prática. Esse movimento foi inspirado em Paulo Freire (2001; 2005), educador brasileiro que acreditava que a educação deve ser um espaço de diálogo e defendia que a educação deve ser um processo dinâmico e transformador, em que a teoria e a prática estão intimamente relacionadas. Dessa forma, com respaldo freiriano, reconhecemos que a teoria orienta a prática e, por sua vez, a prática retroalimenta a teoria, criando um ciclo contínuo de aprendizagem e qualificação do ensino. Portanto, a metodologia utilizada na sequência elaborada dividiu-se em momentos organizados desde o aquecimento até o fechamento da temática. As atividades realizadas nas ações extensionistas foram revisitadas nas aulas seguintes dos acadêmicos, na universidade, o que permitiu aprimorar a sequência matriz para a próxima oportunidade, por meio de um espaço dialógico e sensível em que a docente responsável e o grupo discente puderam interagir de maneira crítica e reflexiva sobre a atividade e a experiência, para uma proposta significativa a cada instituição e turmas atendidas. Ao final do semestre letivo, com respeito ao Componente, foi preparada uma roda de conversa para a conclusão das atividades em que os acadêmicos, futuros professores, puderam retomar as ações realizadas, as habilidades desenvolvidas, os interesses em foco, com possibilidade, inclusive, de avaliação do docente e da ementa curricular. Tal proposta demonstrou-se satisfatória e necessária, pois insere o acadêmico na realidade escolar e em atividades de ensino, antes mesmo do estágio curricular supervisionado, incentivando-o ao desenvolvimento de uma postura reflexiva e crítica sobre o fazer docente no ensino de Língua Portuguesa. Com base nesse processo contínuo, foi proposto não somente a qualificação da prática docente, mas a própria reflexão sobre ela, o que contribui para a formação de professores mais responsáveis, conscientes e preparados para atuar na sociedade. Por fim, considera-se que as ações que neste relato foram materializadas, possibilitam o reconhecimento do que foi realizado, nas condições e no conhecimento que se tinha sobre a necessidade de implementação da extensão universitária, para que se possa justamente abrir um horizonte para a melhoria das práticas extensionistas curriculares, fortalecendo a indissociabilidade entre pesquisa, ensino e extensão

    Pint of Science Alegrete 2025: aproximando universidade e comunidade em ambientes descontraídos

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    A aproximação entre ciência e sociedade tem se consolidado como um dos maiores desafios da contemporaneidade. Nesse cenário, iniciativas que levam o conhecimento acadêmico para ambientes informais têm se mostrado estratégicas para fomentar o diálogo entre pesquisadores e a comunidade. O Pint of Science, festival internacional de divulgação científica criado em 2012 e realizado anualmente, surge como uma alternativa de impacto, por possibilitar a popularização da ciência em espaços cotidianos. No Brasil, a edição de 2025 ocorreu em 169 cidades, contando com a participação de instituições de ensino e pesquisa de diferentes regiões. Entre elas, destacou-se a atuação da Unipampa, que, por meio de diferentes campi, organizou atividades vinculadas ao evento. No município de Alegrete, as ações foram realizadas em parceria com dois estabelecimentos locais nos dias 19, 20 e 21 de maio. As palestras abordaram temas diversos, ministrados por professores dos campi de Alegrete, Bagé e Uruguaiana da Unipampa, além de docentes do Instituto Federal Farroupilha (IFFar) de Alegrete. A organização do Pint of Science em Alegrete contou com a utilização da plataforma ExtensiPro como ferramenta para o gerenciamento do evento. Trata-se de um sistema digital voltado para ações de extensão em instituições de ensino superior, que possibilita a inscrição de participantes, o registro de presença e a emissão de certificados. Para avaliar a experiência do público, foi desenvolvido um formulário eletrônico disponibilizado aos participantes ao final do evento. O instrumento continha questões sobre diferentes aspectos, como clareza das apresentações, relevância dos conteúdos abordados, qualidade dos materiais visuais e habilidade de comunicação dos palestrantes, além de campos abertos para sugestões de melhorias e indicação de temas de interesse para futuras edições. O fluxo de participação consistiu em quatro etapas principais: consulta ao cronograma de atividades, solicitação de participação na palestra pelo ExtensiPro, comparecimento às palestras com registro de presença via QR Code e preenchimento da avaliação. O evento contou com a participação de 49 respondentes no formulário de avaliação, representando uma amostra significativa do público presente nas palestras realizadas ao longo dos três dias. A análise dos dados para cada uma das 12 atividades realizadas revelou uma predominância de avaliações positivas, sendo que a categoria Muito Satisfeito somou 117 menções e Satisfeito obteve 110 registros, enquanto as opções Neutro e Insatisfeito tiveram, respectivamente, 44 e 20 indicações, e apenas 3 registros corresponderam à resposta Muito Insatisfeito. Esse panorama evidencia o elevado grau de aprovação do público em relação à clareza das apresentações, relevância dos conteúdos abordados e habilidades de comunicação dos palestrantes. Além das respostas ao questionário, os registros obtidos na plataforma ExtensiPro forneceram dados sobre a quantidade de participantes em cada palestra. No dia 19/05, as atividades reuniram públicos variando entre 25 e 35 pessoas por sessão. No dia 20/05, observou-se o maior número de participantes do evento, com destaque para a palestra O Pulo do Gato nos Estudos: Dicas Práticas para Estudar Melhor com Inteligência Artificial, ministrada por Paulo Silas Severo de Souza (Unipampa Alegrete), que contou com 100 participantes, e para O que o seu streaming tem a ver com compressão de dados? Spoiler: tudo!, apresentada por Fabio Livi Ramos (Unipampa Bagé), que reuniu 92 pessoas. Já no dia 21/05, os números variaram entre 24 e 53 presentes, sendo a palestra Energia Eólica: tecnologia a favor da sustentabilidade, ministrada por Felipe Grigoletto (Unipampa Alegrete), a que registrou o maior público da noite, com 53 participantes. Os comentários qualitativos dos participantes reforçam esses achados, destacando aspectos como o ambiente descontraído dos espaços escolhidos e a diversidade temática das palestras. Os resultados obtidos demonstram a relevância do Pint of Science como estratégia de aproximação entre universidade e sociedade, evidenciando o potencial da divulgação científica em ambientes informais e acessíveis. A utilização da plataforma ExtensiPro mostrou-se eficiente para o gerenciamento das atividades, garantindo controle de inscrições, registros de frequência, emissão de certificados e disponibilização de dados para análise do evento. A adesão da comunidade, com destaque para as palestras que reuniram mais de 90 participantes, confirma o interesse da sociedade em discussões científicas contemporâneas. Nesse sentido, a experiência do Pint of Science em Alegrete em 2025 contribuiu para fortalecer a extensão universitária como instrumento de democratização do conhecimento e estimulou a continuidade de ações que valorizem o diálogo entre ciência e sociedade

    LLAMAMIENTO DE LA TIERRA: O PROJETO ESQUINAS DEL SUR COMO PRÁTICA EXTENSIONISTA INTERDISCIPLINAR

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    Este trabalho configura-se como um relato de experiência a partir do desenvolvimento do projeto de extensão Esquinas del Sur, vinculado à Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) - Campus Jaguarão. O projeto surge com a proposta de promover encontros que integrem arte, pensamento crítico e engajamento social para refletir sobre os desafios contemporâneos que afetam nossas sociedades e o planeta. Na segunda edição, realizada em 2024, o eixo central foi a representação do meio ambiente da América na literatura e na música, especialmente diante da constante intervenção humana marcada pela exploração das riquezas latino-americanas. Para a coleta de dados, foram utilizados diferentes instrumentos: observação direta das atividades; registros fotográficos e audiovisuais; materiais gráficos produzidos durante o evento (como painéis, bordados e performances artísticas); além dos resumos e comunicações apresentados nas sessões temáticas. Destaca-se a significativa participação da comunidade de Rio Branco, departamento de Cerro Largo/Uruguay, município fronteiriço a Jaguarão, cuja presença foi expressiva ao longo de toda a programação. A divulgação foi intensificada por meio das redes sociais e de veículos de comunicação locais de Jaguarão e Rio Branco, contando ainda com a transmissão ao vivo realizada pela Rádio Positiva FM de Rio Branco, por iniciativa dos próprios comunicadores. No que se refere à avaliação, adotou-se um procedimento qualitativo, baseado na coleta de depoimentos de participantes de diferentes perfis, com ênfase na análise da expressão artística como recurso pedagógico para a problematização da crise ambiental e climática. Em 2024, o evento adotou o título Llamamiento de la Tierra, em referência tanto à crise climática quanto à obra homônima dos músicos fronteiriços Hélio Ramirez e Martim César Gonçalves, que dialoga com a urgência ambiental. Realizado em uma região de fronteira entre Brasil e Uruguay, o evento reafirmou a função social da universidade em democratizar o acesso à cultura e ao conhecimento, ao mesmo tempo em que resgatou vínculos históricos e culturais do território. A programação ocorreu nos dias 8 e 9 de outubro de 2024 e contemplou diferentes atividades. A abertura contou com a performance Gambano e os Aventureiros Ambientais, voltada ao público infanto-juvenil, seguida de uma mesa-redonda interdisciplinar com pesquisadores e artistas, que discutiram patrimônio, memória social e meio ambiente. O segundo dia foi marcado pelo "I Simpósio Interdisciplinar da Unipampa", no qual foram apresentados dez trabalhos acadêmicos nas áreas de literatura, história, antropologia, música e ensino, todos relacionados ao tema ambiental. O encerramento ocorreu no Theatro Esperança, patrimônio histórico de Jaguarão, com o Sarau Artístico América Latina - El Llamamiento de la Tierra, que reuniu músicos brasileiros e uruguaios e consolidou a dimensão fronteiriça e coletiva do projeto. Em 2024, o projeto foi contemplado com recursos financeiros da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Unipampa (PROACC), o que possibilitou a ampliação do evento e garantiu a manutenção do acesso gratuito a todas as atividades. Além desse apoio fundamental para a execução de uma proposta ampla e aberta à comunidade, a organização contou também com a parceria da Secretaria Municipal de Cultura (SECULT), do Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica) e de empresas locais de Jaguarão. A ação buscou estimular a produção artística local, especialmente aquela que estabelece conexões entre as culturas fronteiriças, além de valorizar as artes em suas diferentes manifestações no processo educativo. Outro aspecto relevante foi o incentivo ao diálogo entre diferentes gerações por meio das artes e da cultura, assim como a integração entre universidade e comunidade, favorecendo a construção de novos projetos culturais. Como resultado, foi produzido um vídeo com o registro completo do evento, ampliando o alcance e a memória das atividades realizadas. A equipe do projeto pôde vivenciar de forma concreta a integração entre ensino, pesquisa e extensão, utilizando as atividades do evento como instrumentos formativos para o corpo discente. Essa reciprocidade ficou evidente nos elogios de docentes, técnico(a)s e estudantes, que destacaram a importância e a qualidade das ações desenvolvidas, reforçando a necessidade de edições futuras. O expressivo volume de registros produzidos (escritos, audiovisuais e fotográficos) está sendo incorporado em uma publicação específica sobre o evento, atualmente em elaboração, com a proposta de reunir essa diversidade de materiais e valorizar a experiência realizada. Além de cumprir seus objetivos iniciais, a segunda edição ampliou as perspectivas de continuidade do projeto, apontando para futuras edições que poderão aprofundar ainda mais a articulação entre cultura, memória, arte e educação ambiental

    Jovens em Ação: Transformação Social e Desenvolvimento Humano nas Práticas Extensionistas em Cachoeira do Sul

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    Há mais de uma década, jovens do Curso de Liderança Juvenil (CLJ) da Diocese de Cachoeira do Sul desenvolvem projetos sociais em instituições de acolhimento, hospital, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), escolas e demais espaços comunitários, com foco na promoção da cidadania e no fortalecimento da dimensão espiritual integral. Essa dimensão, entendida de forma distinta da religiosidade, constitui-se como campo essencial do desenvolvimento humano, contemplando valores universais como empatia, resiliência, solidariedade e propósito de vida, reconhecidos pela Ciência como determinantes do equilíbrio físico, emocional e social. Respeitando a individualidade e as crenças de cada pessoa, essas ações vêm favorecendo o protagonismo juvenil, a formação ética e a construção de vínculos comunitários significativos. Nos últimos três anos, a iniciativa foi ampliada por meio de parceria formal com o Lar Transitório Bem Me Quer, autorizada pelo Poder Judiciário, integrando adolescentes institucionalizados, às atividades extensionistas. Esse público apresenta vulnerabilidades específicas, como isolamento social, estigmatização e dependência estrutural, que limitam a autonomia e comprometem a elaboração de projetos de vida. São frequentes sentimentos de abandono, insegurança em relação ao futuro e angústia diante da saída compulsória ao atingir a maioridade, o que evidencia a necessidade urgente de estratégias de cuidado integral que incluam suporte educacional, afetivo, ético e espiritual. A integração entre jovens institucionalizados e jovens que residem com suas famílias gerou experiências de troca profundamente significativas: enquanto uns aprendem sobre superação e valorização da vida, os outros encontram referências positivas, desenvolvem autoestima e ressignificam suas trajetórias. Entre as atividades realizadas destacam-se rodas de conversa, reforço escolar, oficinas, sessões de cinema com debates e viagens, sempre acompanhadas por equipe multiprofissional composta pelo Serviço Social e tutores legais da instituição. A participação desses jovens em espaços como asilos, hospital e APAE amplia a experiência extensionista, promovendo o diálogo intergeracional e a partilha de saberes; nessa convivência, desaparecem rótulos e pertencimentos institucionais, pois não se trata mais de jovens do Lar Transitório ou de um movimento juvenil, mas de jovens, integrados em um mesmo processo de transformação social e humana. Ressalta-se que, embora o Estado brasileiro seja laico, conforme prevê a Constituição Federal, experiências desse tipo não apenas são compatíveis com o princípio da laicidade, como também têm sido autorizadas e estimuladas pelo poder público, uma vez que promovem valores universais, fortalecem políticas de direitos humanos e contribuem para a construção da cidadania. Os resultados alcançados evidenciam avanços concretos: jovens institucionalizados apresentam melhora expressiva na autoestima, no autocuidado, na capacidade de projetar o futuro e no engajamento em atividades coletivas; por sua vez, os extensionistas ampliam habilidades socioemocionais, desenvolvem senso crítico, rompem estereótipos e aprendem a conviver com a diversidade, fortalecendo atitudes de respeito e não discriminação. A experiência confirma o potencial das práticas extensionistas como processos educativos, culturais e sociais que transcendem o assistencialismo e se constituem como modelo eficaz de inclusão e transformação comunitária. Essa prática está em consonância com o Estatuto da Juventude (Lei 12.852/2013) e alinha-se, ainda, às demais políticas públicas de juventude e de direitos humanos, pois fomenta a participação social, fortalece vínculos comunitários e promove uma cultura de paz e solidariedade. Além do impacto direto na comunidade, a experiência também se consolida como prática extensionista ao aproximar-se do espaço universitário. A atuação de uma mestranda em Ensino de Ciências, vinculada à UNIPAMPA, possibilita articular a vivência comunitária com reflexões acadêmicas, produzindo registros, análises e relatos de experiência que retornam à universidade como fonte de estudo e formação. Essa relação entre jovens, instituição de acolhimento e universidade amplia o alcance do projeto, reforçando a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e pode garantir que o conhecimento produzido na prática social seja compartilhado em espaços científicos e educativos. Conforme relato da direção do Lar Transitório, a parceria trouxe mudanças perceptíveis: adolescentes mais responsáveis, colaborativos e atentos ao bem-estar coletivo, refletindo a importância do convívio com pares que se tornaram referências positivas. Tal evolução tem sido confirmada por registros sistemáticos da equipe técnica da instituição, demonstrando que a extensão, articulada ao protagonismo juvenil, pode impactar profundamente o desenvolvimento humano e a reinserção social digna de adolescentes em situação de vulnerabilidade

    Projeto do Parque Urbano Várzea do Cacaréu: da Extensão a Política Pública

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    Há 14 anos, o Grupo de Estudos Movimento e Ambiente (GEEMA), vinculado à Universidade Federal do Pampa (Unipampa), desenvolve atividades de campo às margens do rio Uruguai e seus afluentes, com o intuito de integrar práticas da Educação Física à Educação Ambiental. As ações visam fomentar a sensibilização ecológica e o sentimento de pertencimento territorial, dois princípios fundamentais da educação ambiental crítica. A Várzea do Cacaréu, situada na zona urbana de Uruguaiana/RS, destaca-se como um dos principais espaços estudados pelo grupo, em razão de sua biodiversidade, beleza paisagística e relevância ecológica, apesar de se encontrar em processo de degradação. Observam-se problemas ambientais recorrentes, como o despejo irregular de lixo, desmatamento de mata ciliar, esgoto lançado diretamente no arroio e ocupações irregulares, configurando um cenário de abandono por parte do poder público. Neste contexto, propõe-se a criação do Parque Urbano Várzea do Cacaréu como política pública de conservação ambiental e requalificação urbana. O projeto visa à recuperação da área degradada, à criação de infraestrutura voltada à educação ambiental, ao lazer e ao ecoturismo sustentável, bem como à promoção da cidadania ambiental e ao fortalecimento da economia local por meio do turismo responsável. A metodologia adotada baseia-se em abordagem qualitativa e participativa, a partir de inúmeras saídas de campo realizadas pelo GEEMA ao longo dos anos, observação sistemática, registros fotográficos e anotações de campo. Além disso, foram realizadas ações de articulação comunitária, especialmente com a Escola Estadual de Ensino Médio Senador Salgado Filho, localizada nas proximidades da várzea, estabelecendo-se uma parceria para o desenvolvimento de atividades pedagógicas integradas ao projeto. O projeto foi apresentado em reunião para a comunidade escolar e posteriormente para o Conselho Municipal do Meio Ambiente. Também articulou-se reuniões com a Câmara de Vereadores e hoje a proposta está na Lei de Diretriz Orçamentária do município, prevendo recursos para a implementação do Parque No mês de outubro estará acontecendo O Seminário de mobilização no campus e a audiência pública onde apresentaremos o projeto Parque Urbano Várzea do Cacaréu. Desta forma estamos viabilizando uma política pública ambiental em Uruguaiana atingindo o último estágio em termos de resultado em projetos de extensão. Os dados coletados permitiram a elaboração de um diagnóstico ambiental preliminar, evidenciando a importância de conservar e recuperar a várzea do arroio Cacaréu. A proposta contempla ainda a criação de trilhas ecológicas, estações de coleta de dados, áreas de observação e espaços para oficinas e palestras, transformando o local em um ambiente de aprendizagem, pesquisa e lazer. Os resultados já alcançados incluem o engajamento de estudantes, professores e membros da comunidade, a mobilização social em torno da pauta ambiental e o desenvolvimento de ações de extensão universitária com impacto direto na realidade local. Acredita-se que a implantação do parque permitirá a valorização do patrimônio natural, o incremento da biodiversidade, a melhoria da qualidade ambiental urbana e a criação de oportunidades de pesquisa interdisciplinares. Conclui-se que a criação do Parque Urbano da Várzea do Cacaréu configura-se como uma iniciativa estratégica de ordenamento territorial e proteção ambiental, aliando conservação da natureza, educação, saúde pública e desenvolvimento socioeconômico sustentável. A extensão universitária exerce papel fundamental nesse processo, ao traduzir o conhecimento científico em ações concretas e transformadoras, fortalecendo os laços entre universidade, sociedade e meio ambiente. O projeto, portanto, representa uma contribuição significativa para a promoção de políticas públicas voltadas à sustentabilidade, à valorização dos espaços naturais urbanos e à formação de uma consciência crítica e ecológica na população

    Cicatrização por Segunda Intenção de Ferida com Ruptura do Tendão Extensor Digital Longo em Potro

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    Os equinos detêm de um temperamento ágil, o que os torna vulneráveis a acidentes, podendo ocorrer devido a instalações inadequadas e práticas de manejo inconvenientes, resultando frequentemente em lesões, principalmente nos membros, com possíveis limitações em sua biomecânica musculoesquelética. Entre as principais afecções envolvendo os membros distais, a ruptura traumática dos tendões extensores digitais é bastante comum. Os sinais clínicos são principalmente a perda da capacidade de extensão das falanges e déficit de propriocepção, levando o animal a fazer uma hiperflexão exacerbada da articulação metatarsofalangeana. Essas lacerações tendíneas tem um prognóstico reservado, e dependendo da extensão da lesão, podem ocorrer complicações como osteomielites, comprometimento de fluxo venoso por compressão e até mesmo avulsão do casco. Nesses casos, inúmeros tratamentos podem ser instituídos, como cirúrgico ou conservativo. A escolha do tratamento depende principalmente do tempo da evolução da ruptura, gravidade da laceração ou quantidade de estruturas envolvidas. O objetivo desse estudo é de relatar a terapia utilizada na reabilitação de um potro com ruptura completa do tendão extensor digital longo do membro pélvico esquerdo. Foi encaminhado para Clínica Médica de equinos El Corralero, localizada na cidade de Santo Ângelo - RS, um potro de seis meses apresentando ruptura completa no tendão extensor digital longo (TEDL) do membro pélvico esquerdo, com evolução de 72 horas. Na inspeção estática o animal apresentava dificuldade de apoiar o membro, áreas de tecido com presença de necrose, supuração, edema na região lacerada e exposição óssea. Na inspeção dinâmica havia hiperflexão da articulação metatarsofalangeana, resultando em uma instabilidade de apoio do membro. Como exames complementares foram instituídos o ultrassom para avaliação do TEDL, radiografia digital avaliando comprometimento do periósteo por possíveis infecções secundárias, além de coleta em swab (meio Stuart) para avaliação microbiológica. A ferida foi, inicialmente, tricotomizada e limpa com cloreto de sódio 0,9% no lavador de feridas Kruuse®, em virtude da adequada pressão de fluídos que o mesmo proporciona para pele e tecidos moles nos equinos. As áreas de tecido necrótico foram desbridadas de forma cirúrgica, incluindo os cotos expostos do tendão. A ferida não apresentava viabilidade para promoção de sutura e, em v para virtude de todas as características apresentadas, optou-se então, pelo manejo por segunda intenção. No primeiro dia após o manejo inicial da ferida, a mesma foi fechada com penso curativo, utilizando alginato de cálcio em gel, gaze não aderente, evitando agressão local nos tecidos, gaze queijo e bandagem coesiva evitando pressão excessiva, permitindo que o tecido viável prolifere. Além disso, optou-se pela colocação de ferradura modificada com extensão dorsal, de onde partiu um elástico, sendo fixado a uma peiteira improvisada para o tamanho do paciente, com a intenção de manter a função extensora durante o processo de cicatrização do tendão. Como protocolo medicamentoso foi utilizado Meloxicam Gel® na dose de 1,8 mg/kg VO (via oral) SID (uma vez ao dia) durante 5 dias, Firocoxib Gel® na dose de 0,1 mg/kg VO SID durante 10 dias e Doxiciclina pasta na dose de 10 mg/kg VO BID (duas vezes ao dia) durante 10 dias. A peiteira foi removida junto da ferradura modificada no 40º dia de tratamento, quando não se observou mais a hiperflexão do membro, passando assim para um casqueamento e ferrageamento corretivo, pensado na melhora da biomecânica do animal. O reestabelecimento da função do membro acometido e a completa epitelização cutânea ocorreu em 65 dias, quando o mesmo recebeu alta clínica. Segundo a literatura, o manejo por segunda intenção de uma ferida deve levar em consideração o tempo de evolução (contaminadas e infectadas, com mais de 12 horas de evolução), assim como no caso mencionado, havendo um resultado satisfatório, porém um tempo de recuperação mais prolongado quando comparado a cicatrização por primeira intenção. É sabido que os tendões possuem capacidade regenerativa por meio de proliferação celular do tecido conjuntivo que os envolvem, sendo assim, a capacidade de cicatrização ocorre mesmo sem a tenorrafia. Um adjuvante de extrema importância nos casos de ruptura do TEDL, quando a ferida receberá manejo por segunda intenção é a ferradura modificada com o extensor, pois este modelo de fisioterapia auxilia a extensão do membro, evitando o atrito da hiperlexão ocasionada pela ruptura. Além disso, torna-se menos oneroso quando comparada a outras técnicas de imobilização. Mediante o caso relatado, conclui-se que a cicatrização por segunda intenção na ruptura do TEDL quando não houver viabilidade do emprego de sutura, é eficaz quando associada a técnicas de fisioterapia, como, a ferradura modificada com extensor, o que permitiu que o animal reestabelecesse suas funções locomotoras fisiológicas

    Primeira Feira das Profissões Como Ferramenta de Divulgação Científica para a Comunidade Externa

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    Os projetos de extensão desempenham um papel essencial na construção de pontes entre a universidade e a sociedade, promovendo a democratização do conhecimento e aproximando a comunidade das atividades acadêmicas. Por meio dessas iniciativas, torna-se possível divulgar pesquisas, compartilhar experiências e estimular a participação cidadã, fortalecendo a compreensão sobre a relevância do ensino superior no desenvolvimento social e científico. Nesse contexto, a realização de feiras, oficinas e eventos educativos surge como uma oportunidade de integração, permitindo que a comunidade fora do meio acadêmico tenha contato direto com os cursos e áreas de atuação do campus. Esse tipo de atividade contribui não apenas para a formação de uma visão mais clara sobre as possibilidades profissionais, mas também para a valorização da ciência como instrumento de transformação social. A atividade se mostra ainda mais significativa quando voltada para estudantes da educação básica, em especial aos estudantes do ensino médio, que enfrentam a pressão da escolha profissional. Além disso, a participação de residentes de outros municípios é relevante, considerando que inúmeros indivíduos desistem de ingressar no ensino superior em razão de fatores socioeconômicos e, ainda, pelo desconhecimento da existência de uma instituição federal de ensino superior em um município tão próximo. Nesse sentido, a Primeira Feira das Profissões do Campus São Gabriel da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) foi planejada com o intuito de aproximar e integrar a comunidade gabrielense e região às atividades acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão. O evento buscou, ainda, apresentar para a comunidade os diferentes campos de atuação dentro dos cursos de Biotecnologia, Ciências Biológicas, Engenharia Florestal, Fruticultura e Gestão Ambiental, destacando suas diferentes possibilidades de atuação profissional e sua relevância para o mundo contemporâneo. A feira foi realizada com a colaboração da Prefeitura de São Gabriel e o Sexto Batalhão de Engenharia de Combate (6º BE CMB) na praça central da cidade (Fernando Abbott), que disponibilizaram gazebos para a estrutura e realização do evento. A escolha de um espaço público central também representa a abertura da universidade para a comunidade, reforçando ainda mais o caráter inclusivo e democrático da ação. Diferentes setores acadêmicos como grupos de pesquisa, extensão e programas institucionais tiveram a oportunidade de apresentar suas atividades de maneira descontraída e interativa por meio de banners, práticas, modelos tridimensionais e materiais didáticos do cotidiano universitário. Os discentes tiveram protagonismo ativo, explicando suas próprias experiências acadêmicas, contando com o apoio de docentes e técnicos para uma maior rede de informação, exemplificando os trabalhos desenvolvidos e detalhando as competências para a execução dos projetos. Nesse cenário, a participação do Programa de Educação Tutorial Ciências Biológicas (PETBio) foi de grande relevância, atuando na organização, divulgação e realização do evento. A interatividade nas mais diversas atividades desenvolvidas diferenciaram a Feira das Profissões de outras ações mais convencionais de divulgação científica, pois colocou os visitantes em contato direto com situações reais de aplicação do conhecimento e com o mundo acadêmico, despertando curiosidade e estimulando questionamentos e discussões. Ao possibilitar o contato direto com as práticas acadêmicas, cursos e pesquisas realizadas, o evento contribuiu não apenas para a orientação vocacional dos estudantes da Educação Básica, como também para a valorização do papel social da universidade. Além disso, mostrou-se um espaço de grande relevância para a divulgação do conhecimento científico e para o fortalecimento do vínculo entre a instituição e a comunidade local. A experiência positiva da primeira edição reforçou a importância desta iniciativa e impulsionou a realização de uma nova edição do evento, com a intenção de consolidar a Feira das Profissões como uma atividade anual. Dessa forma a feira não se limita a uma ação pontual, mas se prolonga como um espaço de diálogo, orientação e incentivo a formação cidadã, ampliando progressivamente seu alcance e impacto social

    Aprendizado Inicial do Handebol no 6º Ano: Desafios e Conquistas nas Aulas de Educação Física

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    A formação integral dos alunos, que envolve aspectos motores, cognitivos, sociais e emocionais, constitui-se como um dos eixos centrais da Educação Física escolar, visto que a disciplina ultrapassa a dimensão do movimento corporal e possibilita aprendizagens significativas para a vida cotidiana. Além de contribuir para o desenvolvimento físico, a área também favorece a valorização cultural, a socialização, o respeito às diferenças e a criação de vínculos entre os estudantes, tornando o ambiente escolar mais dinâmico, atrativo e menos restrito a uma lógica exclusivamente formal. Nesse contexto, a introdução de modalidades esportivas diversas torna-se fundamental para ampliar o repertório dos alunos e romper com a centralidade de práticas já consolidadas, como o futebol. O presente relato descreve a experiência pedagógica de ensino do handebol para estudantes do 6º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Alceu Wamosy, sendo a única escola de tempo integral do município de Uruguaiana (RS) que fica na zona rural, destacando as conquistas alcançadas, os desafios enfrentados e as estratégias utilizadas pela professora para promover uma participação efetiva de toda a turma. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência. O objetivo principal foi refletir sobre como uma abordagem flexível, inclusiva e pautada no incentivo e na paciência pode contribuir para o engajamento dos alunos, mesmo diante de dificuldades iniciais de coordenação, timidez ou pouca familiaridade com a modalidade. As aulas foram organizadas em dois momentos complementares. No primeiro, realizado em sala de aula, a professora apresentou os conteúdos teóricos do handebol, abordando as regras básicas, o número de jogadores, as técnicas fundamentais (passe, recepção, arremesso e dribles), bem como as marcações da quadra e noções estratégicas gerais da modalidade. Essa etapa possibilitou que os estudantes compreendessem as bases conceituais do jogo e participassem ativamente das discussões, mesmo que muitos mantivessem preferência declarada pelo futebol, esporte de maior presença em seu cotidiano. No segundo momento, já na quadra, ocorreram as práticas corporais. A professora organizou atividades que envolviam a execução de movimentos básicos do handebol, permitindo observar as diferenças individuais entre os alunos. Enquanto alguns apresentaram maior desenvoltura devido a experiências prévias em esportes coletivos, outros evidenciaram dificuldades relacionadas à coordenação motora, à timidez diante do grupo ou à assimilação das regras. A postura da professora, entretanto, foi determinante para o progresso da turma, pois circulava entre os grupos oferecendo correções individualizadas, reforço positivo e estímulos constantes, valorizando cada tentativa de execução, mesmo quando os gestos técnicos não estavam perfeitos. Os resultados demonstraram que o ambiente encorajador favoreceu o envolvimento dos alunos. Aqueles que inicialmente demonstravam resistência ou insegurança começaram a se arriscar e a participar com mais entusiasmo, reforçando a ideia de que a confiança construída por meio do incentivo é essencial para o aprendizado esportivo. Outro aspecto relevante foi a semelhança estrutural entre o handebol e o futebol, já que ambos são jogos invasivos cujo objetivo é avançar em direção à meta adversária. Essa familiaridade ajudou na compreensão das estratégias coletivas e facilitou o engajamento da turma, embora o uso predominante das mãos tenha representado um desafio inicial para alguns. Ao longo da prática, foi possível observar que mesmo os alunos com maiores dificuldades passaram a se soltar, tentar os movimentos e experimentar progressos, o que reforça a importância de respeitar os ritmos individuais e de criar um espaço descontraído para a aprendizagem. Conclui-se que o ensino do handebol no 6º ano da EMEF Alceu Wamosy evidenciou a relevância da Educação Física escolar não apenas para o desenvolvimento técnico, mas também como promotora da socialização, do trabalho em equipe, do respeito às diferenças e do fortalecimento da autoestima dos estudantes. A experiência mostra que práticas pedagógicas flexíveis, inclusivas e lúdicas são capazes de superar barreiras e motivar todos os alunos a participarem ativamente, independentemente de suas dificuldades iniciais. Assim, o handebol revelou-se uma ferramenta pedagógica potente, capaz de ampliar habilidades motoras, favorecer a integração social e contribuir para a construção de valores importantes na formação cidadã. Recomenda-se que futuras intervenções explorem estratégias ainda mais criativas e lúdicas, visando facilitar a assimilação de conceitos por parte dos alunos menos familiarizados com a modalidade e consolidar a prática esportiva como espaço de inclusão, respeito e aprendizado coletivo dentro da escola

    Educação Alimentar e Nutricional: Vivências Lúdicas e Reflexivas em Contextos Escolares e Universitários

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    A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) configura-se como uma estratégia fundamental para a promoção da saúde e prevenção de doenças, uma vez que os hábitos alimentares são construídos ao longo da vida e sofrem forte influência de fatores sociais, culturais e midiáticos. A adolescência e o ingresso na universidade são períodos críticos para a formação de comportamentos alimentares, pois os indivíduos se deparam com maior autonomia de escolha, mas também com a exposição a informações contraditórias, muitas vezes sem respaldo científico, difundidas especialmente pelas redes sociais. Nesse contexto, emergem desafios como a valorização de alimentos ultraprocessados, a prática de refeições rápidas e distraídas e a desinformação nutricional. Com o intuito de ampliar o conhecimento e estimular escolhas mais conscientes, foram desenvolvidas três intervenções educativas: Saúde no Prato, Desvendando o Prato e Comer, sentir e Nutrir, que objetivam, a partir dos princípios do Guia Alimentar para a População Brasileira e da pedagogia libertadora de Paulo Freire, buscam desmistificar informações equivocadas, incentivar a reflexão crítica e promover práticas como a atenção plena e a comensalidade. As atividades foram realizadas no âmbito do projeto de extensão, intitulado: SimplificaNutri Aprendendo com o Guia Alimentar na Escola e vinculadas ao componente curricular Educação Alimentar e Nutricional do curso de Nutrição da UNIPAMPA Campus Itaqui, entre os meses de março e junho de 2025. Contando com a participação de 24 adolescentes do 8º ano do ensino fundamental (13-14 anos) e do 9º ano (14-15 anos), além de 24 estudantes ingressantes do curso de Nutrição (18-19 anos). As etapas das intervenções, ocorreram da seguinte maneira: primeiramente com a ativação dos saberes prévios, com perguntas que problematizaram sobre a alimentação saudável, mitos alimentares, hábitos cotidianos e conceitos de comensalidade e atenção plena. Posteriormente com a construção do conhecimento, por meio de metodologias ativas e lúdicas, como: dinâmicas de Mitos e Verdades, jogo de classificação de alimentos conforme o grau de processamento, exposição dialogada com slides interativos, prática de atenção plena ao comer, adaptada do exercício de Kabat-Zinn. E finalizando com a validação participativa, realizada através do jogo competitivo e colaborativo Desafio Saudável: Você topa?, e de formulários digitais de satisfação e aprendizagem. As intervenções apresentaram elevada participação e receptividade dos diferentes públicos, no caso dos adolescentes do ensino fundamental, observou-se entusiasmo nas dinâmicas e debates, além de significativa correção de equívocos sobre mitos alimentares. No jogo avaliativo, aproximadamente 80% acertaram as questões propostas. Entre os universitários, a prática da atenção plena e da comensalidade foi amplamente aceita, resultando em 100% de acertos nas avaliações conceituais. A avaliação de satisfação indicou boa aceitação em todos os grupos, onde mais de 70% classificou as atividades como excelentes e os demais como boas. Os depoimentos espontâneos evidenciaram que os participantes se sentiram motivados a repensar seus hábitos alimentares, destacando a relevância de incorporar momentos de maior consciência e criticidade em suas escolhas diárias. As experiências demonstraram que estratégias pedagógicas participativas e interativas são eficazes para o ensino de nutrição em diferentes contextos, tanto escolares quanto universitários. O uso de jogos, dinâmicas e práticas vivenciais favoreceu a construção coletiva de saberes, a valorização dos conhecimentos prévios e a ampliação do pensamento crítico sobre a alimentação. Além disso, ressaltou-se o papel do nutricionista como educador e agente de transformação social, contribuindo para aproximar o conhecimento científico da realidade cotidiana. Como desafios, destacam-se a necessidade de aperfeiçoar a explicação sobre a classificação dos alimentos para evitar interpretações equivocadas e de adotar estratégias de mobilização mais eficazes para ampliar a adesão dos participantes. Em síntese, as intervenções não apenas transmitiram conteúdos, mas promoveram reflexões e mudanças de percepção, constituindo-se em ferramentas potentes para a formação de hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis

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    Publica-se Portal de Periódicos Científicos da Universidade Federal do Pampa
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