Revistas Eletrônicas da UFPI (Univ. Federal do Piauí)
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“Quebrando os velhos moldes, a era nova necessita de elementos para fortificar-se”. O advento da República e sua construção na imprensa cearense (1889-1892)
Resumo: No Ceará, durante os primeiros anos da República, grupos com culturas políticas distintas compartilhavam o mesmo espaço social. Por meio da imprensa, uma prática letrada, esses grupos compartilhavam com seus (e)leitores ideias, anseios e ações referentes à nova ordem em construção. Neste artigo, objetivamos perceber qual era o contexto político do Ceará no ano da proclamação da República e, principalmente, como distintas agremiações políticas, presentes na sociedade cearense, no recorte temporal de 1889 a 1892, construíram a república em seus jornais. Para isso, analisamos os jornais Libertador, Cearense e O Estado do Ceará, órgãos de imprensa de três distintas agremiações políticas cearenses. As reflexões teóricas que nos auxiliam na análise do nosso objeto de pesquisa estão inseridas no campo da História Cultural do Político.Palavras-chave: Ceará; Imprensa; República
Violência, conflitos e resistência no Piauí escravista de oitocentos: revisionando a memória e o esquecimento na escrita da história piauiense
Resumo: O sistema escravagista no Piauí foi um reflexo a seu modo da escravidão instaurada no Brasil no período colonial. Esse sistema de cativeiro tem despertado o fascínio de muitos historiadores que a luz das fontes se debruçaram nesses estudos, onde um grande número de produções historiográficas foram e ainda são escritas, repensando as relações senhor/escravo tanto nas fazendas, engenhos e nas cidades. Nesse artigo tentaremos propor a luz das produções historiográficas como Gilberto Freyre (2008), Solimar de Oliveira Lima (2018), Monsenhor Chaves (1998), Tanya Brandao (1999), Jóina Freitas Borges (2004), dentre outros não menos importantes, que nos darão suporte para tratarmos mesmo que, grosso modo, das relações senhor/escravo no Piauí de oitocentos, tendo como fonte os anúncios de escravos em Jornais de alguns periódicos que circularam no Piauí nesse período, em cidades como Teresina, Oeiras, dentre outras, bem como, pensando os anúncios como espaços de resistência e representação do escravo. Palavras Chave: Escravidão. Jornais. Anúncios. Historiografia
Biografias improváveis: o si mesmo de um outro como imaginação historiadora
A ausência de autobiografias dos escravizados no Brasil é o ponto de partida para a reflexão que introduz a possibilidade de escrever sobre suas vidas passadas usando também a imaginação na produção de uma escritura que de ausente se transforme em presença. Os modos de comunicação, a produção de diálogos com os tempos idos, a percepção de vidas duplamente excluídas no passado e no futuro, e, sobretudo, a premissa da reconstrução do biográfico/autobiográfico pela produção de vínculos, permitem o exercício de reconstruir vidas passadas cujas vozes foram duplamente silenciadas: no seu tempo e no futuro/presente. Estamos propondo, assim, a reescrita de vidas a partir de modos de comunicação produzidos no passado por estes agentes da história, mas cujo registro de suas vozes nem sempre estiveram presentes. Biografias de escravizados como imaginação historiadora
Drenagem de Tórax em pacientes com COVID 19
Objetivos: descrever a experiência e os resultados da equipe cirúrgica do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU UFPI) na realização de drenagem torácica na unidade de terapia intensiva (UTI) covid. Métodos: estudo retrospectivo que se analisou os prontuários médicos dos pacientes submetidos à drenagem torácica no período de abril a agosto de 2020. Durante esse período, 13 pacientes com exames positivos para Covid 19 foram submetidos ao procedimento. Variáveis estudadas: idade, gênero, indicação da drenagem de tórax, uso ou não de ventilação mecânica, desfecho (alta da UTI ou óbito). A drenagem de tórax foi realizada sempre por um residente de cirurgia geral, sob orientação de um cirurgião geral. Resultados: idade média dos pacientes foi de 67.7 anos, sendo que 69.2% eram do sexo masculino. A indicação mais frequente foi pneumotórax espontâneo com 61.5% dos casos, pneumotórax secundário 15.38% e derrame pleural em 15.38%. Uso de ventilação mecânica em 84.6%. Melhoria do padrão respiratório e da expansibilidade pulmonar ocorreu em 61.5%. Não houve complicações e mortalidade relacionada ao procedimento. Tais pacientes tiveram como desfecho óbito em 76.9% e melhora clínica em 23.1% dos casos. Conclusão: concluímos que a drenagem de tórax, quando realizado com base em protocolos, é segura e altamente eficaz para o tratamento de complicações pulmonares do Covid-19, como pneumotórax e derrame pleural
A Roda da Central: a capoeira de rua carioca, décadas de 1950 a 1970
A Roda da Central acontecia durante o carnaval no Rio de Janeiro desde os anos 1950 até a construção do sambódromo, em 1983. A roda não parava – eram 24 horas por dia, durante os três dias e noites do carnaval, em um local improvisado, entre o glamoroso desfile oficial das escolas de samba na Avenida Presidente Vargas e a estação de trens Central do Brasil, que liga a cidade a seus subúrbios, e por onde circulava grande parte dos foliões. Apesar da farta documentação sobre os desfiles, nenhum registro ou foto documenta a Roda da Central. Este artigo se baseia no testemunho precioso de quinze mestres que protagonizaram essa roda. Suas memórias documentam os tipos de ritmos tocados e os jogos duros e frequentemente violentos que aconteciam num contexto volátil de repressão e clientelismo. Trabalhadores portuários, na sua maioria negros, foram inicialmente os principais personagens, gradualmente substituídos por uma geração mais jovem e diversificada, para quem jogar seu primeiro jogo na Roda da Central era um rito de passagem. O exemplo da Roda da Central mostra como a história oral pode reequilibrar a narrativa da história da capoeira, muitas vezes centrada em sua modalidade oficial mais próxima da ginástica desportiva
AS CONTRIBUIÇÕES E APROPRIAÇÕES DOS ESTUDOS CULTURAIS PARA O CAMPO DA POLÍTICA CURRICULAR: EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO E CULTURA
O objetivo desse artigo é contextualizar e articular os Estudos Culturais e a política de currículo nos diferentes contextos das múltiplas formas das subjetividades na sociedade. A partir dessas proposições, problematiza-se e contextualiza-se brevemente duas discussões. No primeiro momento, abordo contribuições teóricas e discussões dos Estudos Culturais. No segundo momento, uma breve discussão a partir da política curricular em torno da cultura e ensino. A partir dessa explanação teórica e contextualizada, nossa intenção é possibilitar um diálogo entre esses dois campos complexos, mas, com contribuições e análises significativas que permitem pensar numa perspectiva da educação na relação com a cultura.
O SENTIMENTO INVISÍVEL DO SUJEITO DIASPÓRICO: O IMIGRANTE NO CONTO “GRINGUINHO”, DE SAMUEL RAWET
Os processos migratórios, intensificados nos últimos anos, acabam provocando certa fragilidade identitária no imigrante, pois lhe é exigido constantemente uma negociação permanente entre sua cultura autóctone e a nova cultura em que está inserido. Nesse hibridismo, embora muito se tenha a ganhar, o imigrante vê-se num momento totalmente instável, de perda de identidade. É nesse momento de transformações, moldadas no “liquidificador modernizante do ocidente”, na metáfora do mosaico, que a literatura aparece como um portal que permite lidar com a história desses espaços, desse novo sujeito. Sob esse viés, o estudo pretende analisar o conto “Gringuinho”, de Samuel Rawet, buscando observar como é descrito o sentimento de pertencimento do imigrante no novo país e o impacto da mudança em sua identidade cultural. Para tanto, buscamos ancoragem nos pressupostos teóricos de Stuart Hall, Renato Ortiz, Chiara Pusseti entre outros autores de relevância para o estudo
Efeito do Extrato Etanólico da Casca do Caule de Magonia pubescens (Sapindaceae) na Cicatrização de Feridas Palatais em Ratos
O processo de cicatrização envolve as fases inflamatória, proliferativa e de maturação. A fase inflamatória se inicia logo após a lesão, sendo essencial para o processo de cicatrização em virtude da vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e quimiotaxia de células defensivas. As plantas medicinais do cerrado brasileiro têm atraído a atenção de pesquisadores em função de suas propriedades benéficas para a cicatrização. A espécie Magonia pubescens A. St.-Hil. (Sapindaceae) apresenta componentes fitoquímicos relacionados à atividade antiulcerativa e antitumoral, os quais podem ser candidatos a aceleradores do processo cicatricial. O objetivo deste trabalho foi avaliar o processo de cicatrização de feridas orais de ratos após o tratamento com extrato etanólico de Magonia pubescens em creme-base Lanette na concentração de 5%. Foram utilizados 36 ratos, distribuídos em grupos Tratamento (T) e Controle (C). Após a confecção da ferida cirúrgica, o creme com o extrato da planta foi aplicado diariamente no grupo Tratamento, enquanto que o grupo Controle recebeu o creme sem extrato. As eutanásias foram realizadas no 2º, 4º e 6º dias pós-operatórios, gerando os subgrupos 2T e 2C, 4T e 4C, 6T e 6C, com seis ratos cada um. As feridas foram excisadas e processadas pela técnica histológica e coradas com tricrômico de Masson. Observou-se que a contração da área da ferida foi levemente maior no grupo 2C do que no 2T, entretanto, ao longo do tempo, houve tendência de aumento progressivo no grupo Tratamento, embora sem diferença estatística no período analisado. A análise histológica demonstrou que a fase inflamatória no grupo 2T foi mais acentuada que no 2C, mas, nos demais tempos operatórios, o processo cicatricial evoluiu de maneira semelhante. Os resultados evidenciam que o extrato de M. pubescens acentua a fase inflamatória da cicatrização e demonstra, ao longo do tempo, potencial aumento da contração da área da ferida.
Capoeira em Feira de Santana (1970-1990)
O artigo busca contribuir para a compreensão das práticas relacionadas à capoeira no sertão da Bahia, mais especificamente em Feira de Santana, no período de 1970 a 2010. Para tanto, propomos uma reflexão etnográfica e historiográfica sobre a mobilização de vestígios históricos, dos lugares e personagens, para entender tensões relacionadas aos usos dos espaços públicos na cidade. Tomamos como base de análise fontes históricas que permitem acessar o universo simbólico e político do contexto feirense, das práticas concretas dos sujeitos e do espaço imaginário que lhe confere sentido. Assim, mobilizamos material de arquivo, inclusive de natureza oral, bem como fotografias e a literatura específica. Feira de Santana, que abrigou a maior feira ao ar livre do Nordeste até 1977, tomou esta ambiência como um dos palcos para exibições de rodas de capoeira desde, ao que tudo indica, meados do século XX. Após a extinção da feira, contudo, observamos que novos arranjos foram sendo delineados na prática da capoeira na cidade, sublinhando o caráter disputado do território urbano