Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos (UNICAMP)
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Camões antiliteratura? Um tópico e algumas questões teórico-historiográficas
To read Camões’ poetry as if it were a discursive act similar to the contemporary “literature” is somewhat anachronistic. This epistemic limitation feeds on the lack of a strong counter-concept. The attempt to compensate for the pragmatic defectiveness of written communication through the hermeneutical filling of historical gaps is also an ungrateful task, for it submits all of its findings to the rule of current literary studies, their theoretical as well as institutional inertia. Not only that, but also Camões’ very work seem to “require” not to be confused among others: it accuses the lyrical poets of being “sophists”, in the well-known “Sôbolos rios que vão”; it mocks, through Duriano’s speech, a platonic “love fine like a melon” to which the passionate Filodemo gave himself; in the ridiculous figure of the unhappy Satyre, it represents the despair of love as a “depiction” of what “roughness and savage science had taught him.” These figures become all the more important when we intend to conceive the ethic-rhetorical coordinates of poetic writing in the 16th Century. Our article poses some questions around this “Anti-literary Camões” as a small contribution to the reconstruction of the pragmatic space of his poetry, perhaps also applicable to pre-bourgeois poetry in general.É algo anacrônico ler a lírica de Camões como se fosse um ato discursivo afim à contemporânea “literatura”. Essa limitação epistêmica se nutre da ausência de um “contraconceito” rigoroso. Corrigir a defectividade pragmática da escrita por meio do preenchimento hermenêutico de lacunas históricas é uma tarefa ingrata, pois tudo submete à regra dos atuais estudos literários, suas inércias teórico-institucionais. Não bastasse isso, a própria obra camoniana em diversos passos exprime um non confundar: acusa, nas conhecidas redondilhas “Sôbolos rios que vão”, os poetas que cantaram o amor profano de “sofistas”; ironiza, na boca dum Duriano, o “amor fino como melão” a que o apaixonado Filodemo se entregava; representa, na figura ridícula do infeliz sátiro da égloga, o desespero amoroso como “imaginação” do que “a rudeza e a ciência agreste lhe ensinara”. Essas figuras ganham importância quando reimaginamos as coordenadas ético-retóricas da escrita de Quinhentos. Nosso trabalho propõe algumas questões à volta desse “Camões antiliteratura” como pequena contribuição para a reconstrução do espaço pragmático de sua obra, aplicável talvez à poesia pré-burguesa
O ocidente – uma prescrição ou proscrição dialógica
The taxonomy of humanity can be dictated by numerous categories: civilization, race, ethnicity, tradition, culture and so on. While often perceived only as descriptive and "fixed naturally", none of these categories is able to specify the identity of a particular group without committing some conceptual inconsistency or offering a reasonably coherent and systematic classification of the human species in general. Still, it is impossible to say that they are unreal or merely illusory. On the contrary, they constitute the social reality and play significant roles in the discrimination of one group of people from and in opposition to others. The West – likewise, with its symmetrical opposite, the Rest of humanity – is one of those clearly defective categories in the rationality of its conceptual coherence. She has no consistency unit. Rather, it presents itself as a putative unit, and contains contradictions in itself, so that it can be unified only in the future. It is a social imaginary that functions primarily as a myth on a global scale, such as race. Still, unlike race, it tends to present a cartographic association. Due to this affinity with cartographic imagination, the dichotomy between the West and the Rest is often invoked as a schematic trope of dialogue in order to denote and understand various instances of social conflict and distancing in spatial terms, but with the result of postulating the West and the Rest as territories, as geographical delimitations. This article then questions how can the West exist?La taxonomía de la humanidad puede ser dictada por numerosas categorías: civilización, raza, etnia, tradición, cultura, etc. Aunque a menudo se percibe sólo como descriptiva y "fijada naturalmente", ninguna de estas categorías es capaz de especificar la identidad de un grupo en particular sin cometer alguna incoherencia conceptual u ofrecer una clasificación razonablemente coherente y sistemática de la especie humana en general. Sin embargo, es imposible decir que son irreales o simplemente ilusorios. Por el contrario, constituyen la realidad social y desempeñan un papel importante en la discriminación de un grupo de personas de y en oposición a los demás. Occidente– igualmente, con su opuesto simétrico, el Resto de la humanidad – es una de esas categorías claramente defectuosas en la racionalidad de su coherencia conceptual. No tiene unidad de consistencia. Más bien, se presenta como una unidad putativa, y contiene contradicciones en sí misma, para que sólo pueda ser unificada en el futuro. Es un imaginario social que funciona principalmente como un mito a escala global, como la raza. Sin embargo, a diferencia de la raza, tiende a presentar una asociación cartográfica. Debido a esta afinidad con la imaginación cartográfica, la dicotomía entre Occidente y el Resto a menudo se invoca como un tropo esquemático de diálogo con el fin de denotar y entender diversos casos de conflicto social y distanciamiento en términos espaciales, pero con el resultado de postular el oeste y el resto como territorios, como delimitaciones geográficas. Este artículo entonces se pregunta ¿cómo puede existir Occidente?A taxonomia da humanidade pode ser ditada por inúmeras categorias: civilização, raça, etnia, tradição, cultura e assim por diante. Enquanto percebidas frequentemente apenas como descritivas e “fixadas naturalmente”, nenhuma dessas categorias é capaz de especificar a identidade de um grupo particular sem cometer alguma inconsistência conceitual ou oferecer uma classificação razoavelmente coerente e sistemática da espécie humana em geral. Ainda assim, é impossível dizer que elas são irreais ou meramente ilusórias. Ao contrário, constituem a realidade social e cumprem papéis significativos na discriminação de um grupo de pessoas de e em oposição a outros. O Ocidente – da mesma forma, com seu oposto simétrico, o Resto da humanidade – é uma dessas categorias claramente defeituosas na racionalidade de sua coerência conceitual. Ela não tem unidade de consistência. Antes, se apresenta como uma unidade putativa, e contém em si contradições, de modo a poder ser unificada apenas no futuro. É um imaginário social que funciona principalmente como um mito em escala global, tal como a raça. Ainda assim, ao contrário da raça, ela tende a apresentar uma associação cartográfica. Devido a essa afinidade com a imaginação cartográfica, a dicotomia entre o Ocidente e o Resto é frequentemente invocada como tropo esquemático de diálogo a fim de denotar e compreender diversas instâncias de conflito social e distanciamento em termos espaciais, mas com o resultado de postular o Ocidente e o Resto como territórios, como delimitações geográficas. Este artigo questiona, então, como pode o Ocidente existir
A literatura e as artes depois da virada icônica
El examen de las relaciones entre las obras literarias y las obras de artes plásticas siempre ha sido uno de los enfoques centrales de lo que conocemos como literatura comparada, de hecho, incluso mucho antes de que se constituya como una rama relativamente autónoma de los estudios literarios: Vea el tema clásico de Paragone o la rivalidad entre las artes.O exame das relações entre obras literárias e obras de artes plásticas sempre foi uma das abordagens centrais do que conhecemos como Literatura Comparada – aliás, mesmo muito antes que esta se constituísse como ramo relativamente autônomo dos estudos literários: veja-se o tema clássico do paragone ou da rivalidade entre as artes
Paixão e filologia
This article addresses the untimely relationship between criticism and language that emerged in Pasolini’s youth, which will be a changeable constant throughout his brief life. Giorgio Agamben points out that the young Pasolini does not subdue the Friulian dialect to the constitutional language, as he wants to say with the dialect high, difficult things, with greater freshness and power. Thus, the criticism operated by Pasolini mobilized eruptive debates, in which language shocked as inventum (institutional language) and language as inventio (language-poetry), for this confrontation to arise a critical and inventive philology.Este artículo analiza la relación prematura entre la crítica y el lenguaje que surgió ya en la juventud de Pasolini, que será una constante cambiante a lo largo de su breve vida. Giorgio Agamben señala que el joven Pasolini no somete el dialecto friulano al lenguaje constitucional, porque quiere decir con el dialecto cosas altas y difíciles, con mayor frescura y potencia. Así, la crítica operada por Pasolini movilizó debates eruptivos, en los que conmocionó el lenguaje como inventum (lenguaje institucional) y el lenguaje como inventio (lenguaje-poesía), para que esta confrontación emergiera una filología crítica e inventiva.Este artigo aborda a intempestiva relação entre crítica e linguagem que emergiu já na juventude de Pasolini, a qual será uma constante mutável por toda sua breve vida. Giorgio Agamben aponta que o jovem Pasolini não subjuga o dialeto friulano à língua constitucional, pois deseja dizer com o dialeto coisas elevadas, difíceis, com maior frescor e potência. Assim, a crítica operada por Pasolini mobilizou eruptivos debates, nos quais colocava em choque a língua como inventum (língua institucional) e a língua como inventio (língua-poesia), para desse confronto insurgir-se uma filologia crítica e inventiva.
Das tragédias à crítica: momentos de crise
The present essay intents approach certain specificities of the intellectual engagement in face of life. Therefore, it is initially organized from a reading of The spirit of science fiction, of Roberto Bolaño, and, in sequence, it interpellates how these specificities present themselves in the film that Pier Paolo Pasolini makes from the Oresteia, of Aeschylus. It analysis the question of the tragedy both from Nietzsche and the manners in which Pasolini unfolds the problems he reads in the opera of Aeschylus in his ways of looking at his time. Lastly, it proposes a reading of how this pasolinian procedure, in addition to indicates a mode of intellectual engagement, it loads a potentiality of questioning the operation – and the collapse – of the representative contemporary politics.Este ensayo tiene como objetivo abordar ciertas especificidades de la participación intelectual frente a la vida. Para ello, se organiza, en un primer momento, a partir de la lectura de El Espíritu de ciencia ficción de Roberto Bolaño, para luego cuestionar cómo se presentan estas especificidades en la lectura cinematográfica que Pier Paolo Pasolini hace de la Oresteia de Esquilo. Rastrea algunos análisis del tema de la tragedia tanto de Nietzsche como de la manera en que Pasolini desarrolla los problemas que lee en Esquilo en sus formas de ver su tiempo. Por último, propone leer cómo este procedimiento pasoliniano, además de señalar una forma de involucrarse intelectualmente, tiene el poder de cuestionar el funcionamiento –y la bancarrota– de la política representativa contemporánea.O presente ensaio pretende abordar certas especificidades do engajamento intelectual diante da vida. Para tanto, organiza-se, de início, a partir da leitura de O espírito da ficção científica, de Roberto Bolaño, para, na sequência, interpelar como essas especificidades se apresentam na leitura cinematográfica que Pier Paolo Pasolini faz da Oresteia de Ésquilo. Traça algumas análises da questão da tragédia tanto a partir de Nietzsche como nos modos com os quais Pasolini desdobra os problemas que lê em Ésquilo em suas maneiras de enxergar seu tempo. Por fim, propõe-se a ler como esse procedimento pasoliniano, além de apontar para um modo de engajar-se intelectualmente, carrega uma potência de questionamento do funcionamento – e da falência – da política representativa contemporânea
O coração lacerado: a poesia brasileira em direção a Pasolini
Through the practice of compared literature, this article aims to comprehend how the work of contemporary poets, such as Ricardo Domeneck and Carlito Azevedo, (amongst other Brazilian poets,) relate to the poetic works, thought, and life of Pier Paolo Pasolini. Between celebration and mourning, the works of these esteemed writers are imbued with the presence of the Italian poet, whose work echoes through the aesthetic and political demands to which Domeneck and Azevedo are committed.
A partir de un ejercicio de literatura comparada, este artículo busca entender la relación que muchos poetas contemporáneos de Brasil mantienen con la obra poética, el pensamiento y la vida de Pier Paolo Pasolini. Entre la celebración y la obra de luto, la obra de importantes escritores como Ricardo Domeneck y Carlito Azevedo, entre otros, está atravesada por la presencia del poeta italiano, cuya obra parece encontrar eco en ciertas exigencias estéticas y políticas asumidas por ellos.A partir de um exercício de literatura comparada, este artigo procura compreender a relação que muitos poetas contemporâneos do Brasil mantêm com a obra poética, o pensamento e a vida de Pier Paolo Pasolini. Entre a celebração e o trabalho de luto, a obra de escritores de relevo como Ricardo Domeneck e Carlito Azevedo, entre outros, se vê atravessada pela presença do poeta italiano, cujo trabalho parece encontrar eco em certas demandas estéticas e políticas assumidas por eles
Negritude e criação como devir no pós-colonialismo, segundo de Souleymane Bachir Diagne
This text aims at introducing Postcolonial Bergson (2018), by the Senegalese philosopher Souleymane Bachir Diagne, which investigates how two different intellectuals, Léopold Sédar Senghor and Muhammad Iqbal, were influenced by Bergsonian notions of duration, vitalism and intuition to review identity as a fixed category and Islam as a stagnant religious thought, respectively. Senegalese statesman and poet Senghor proposed a perspective of blackness as an open question, formulated by praxis, and of African art as an earthy and Dionysian force. On the other hand, Indian thinker and poet Iqbal combined his knowledge of Qu’ran with Western philosophy in order to suggest a cosmology in continuous process of transformation and sharing of the Creation activity between man and divinity.Este texto pretende presentar el libro del filósofo senegalés Souleymane Bachir Diagne Bergson postcolonial (2018), en el que investiga cómo la duración, el vitalismo y la intuición del autor de Materia y Memoria llevaron a dos distinguidos intelectuales, Léopold Sédar Senghor y Muhammad Iqbal, a revisar la identidad como categoría fija y el Islam como religión estancada. respectivamente. Estadista y poeta senegalés Senghor propuso una perspectiva de la negritud como una pregunta abierta, formulada por la praxis, y el arte africano como una fuerza telúrica y dionisíaca. A su vez, el indio Iqbal combinó el conocimiento del Corán con la filosofía occidental para sugerir una cosmología en un proceso continuo de transformación y el intercambio de la actividad creativa entre el hombre y la divinidad.Este texto visa a apresentar o livro do filósofo senegalês Souleymane Bachir Diagne Bergson pós-colonial (2018), no qual investiga como a duração, o vitalismo e a intuição do autor de Matéria e memória levaram dois intelectuais distintos, Léopold Sédar Senghor e Muhammad Iqbal, a rever a identidade como uma categoria fixa e o Islã como uma religião estagnada, respectivamente. Estadista e poeta, o senegalês Senghor propôs uma perspectiva da negritude como questão em aberto, formulada pela práxis, e da arte africana como força telúrica e dionisíaca. Por sua vez, o indiano Iqbal combinou o conhecimento do Corão com a filosofia ocidental para sugerir uma cosmologia em processo contínuo de transformação e a partilha da atividade criadora entre o homem e a divindade
Adorno's poetics of form
The object of this review is the book Adorno’s poetics of form, by Josh Robinson, Lecturer of English Literature at Cadiff University, in the United Kingdom. The work develops an investigation around the concept of form, as uderstood by the thought of Theodor Adorno, investigating also the script of the german philosopher and the way the very presentation of what Adorno understands as form is itself a way of approaching the concept.El objeto de esta reseña es el libro Adorno's poetics of form, de Josh Robinson, profesor de literatura inglesa en la Universidad de Cadiff en el Reino Unido. La obra desarrolla una investigación en torno al concepto de forma, tal como lo entiende el pensamiento de Theodor Adorno, investigando también la escritura del filósofo alemán y la forma en que la propia presentación de lo que Adorno entiende como forma ya es en sí misma una forma de abordar el concepto.O objeto desta resenha é o livro Adorno’s poetics of form, de Josh Robinson, professor de literatura inglesa na Universidade de Cadiff, no Reino Unido. O trabalho desenvolve uma investigação em torno do conceito de forma, como entendido pelo pensamento de Theodor Adorno, investigando também a escrita do filósofo alemão e o modo como a própria apresentação do que Adorno entende como forma já é em si uma maneira de se aproximar do conceito
Literatura: da psicologia à forma, do indivíduo à uma realidade mais complexa
With this article we intend, first, to demonstrate that every mimetic gesture undertaken by literature, every artistic form, is also the expression of a mode of subjectivity, as well as revealing a worldview. Then, that it would be mainly through formal aspects, and not necessarily discursive, that literature captures and represents reality more complexly, which in turn must be understood in a more subjective and less factual sense. Finally, reconciling the reaffirmation of the formal expressiveness of literature with a more subjective and complex conception of reality, we problematize the possibility of literature producing a less conclusive, assertive and much more autoironic, admittedly paradoxical, inconclusive and much more autoironic type of knowledge in relation to the world. metaphorical.Con este artículo pretendemos, en primer lugar, demostrar que cada gesto mimético emprendido por la literatura, cada forma artística, es también la expresión de un modo de subjetividad, así como revelar una visión del mundo. Entonces, sería principalmente a través de aspectos formales, y no necesariamente discursivos, que la literatura aprehendería y representaría la realidad de manera más compleja, lo que a su vez debería entenderse en un sentido más subjetivo y menos fáctico. Finalmente, conciliando la reafirmación de la expresividad formal de la literatura con una concepción más subjetiva y compleja de la realidad, problematizamos la posibilidad de que la literatura produzca en relación con el mundo un tipo de conocimiento menos concluyente, asertivo y mucho más autoirónico, ciertamente paradójico, inconcluso y metafórico.Com este artigo pretendemos, primeiro, demonstrar que todo gesto mimético empreendido pela literatura, toda forma artística, é também a expressão de um modo de subjetividade, assim como revelador de uma visão de mundo. Depois, que seria principalmente através dos aspectos formais, e não necessariamente discursivos, que a literatura apreenderia e representaria mais complexamente a realidade, que por sua vez deve ser entendida num sentido mais subjetivo e menos factual. Por fim, conciliando a reafirmação da expressividade formal da literatura com uma concepção mais subjetiva e complexa da realidade, problematizamos a possibilidade de a literatura produzir em relação ao mundo um tipo de conhecimento menos conclusivo, assertivo e muito mais autoirônico, admitidamente paradoxal, inconcluso e metafórico
"Se eu pensava, eu existia": autoria e animalidade em Memórias de porco-espinho, de Alain Mabanckou
The story of Memoirs of a porcupine consists in confessions made by a porcupine to a baobab about his life and the crimes he has committed in the name of his human master Kibandi. Openly announcing his animality, the porcupine mocks human classificatory and generalist practices and standards, mobilizing several elements that call into question certain binaries such as culture and nature, animate and inanimate beings, as well as the very inadequacy of such classifications with respect to animal diversity and complexity. This article analyses the ways in which this animal autobiography calls us to rethink concepts such as human and non-human, the categorization in specific and well-limited literary genres, science’s dominant paradigm and the relationship between reality and fiction, with significant implications for examining the relations between human and non-human.La trama de Memórias de porco-espinho consiste en confesiones hechas por un puercoespín a un baobab sobre su vida y los crímenes que cometió en nombre de su amo humano Kibandí. Anunciando abiertamente su animalidad, el puercoespín se burla de la clasificación y los patrones generalistas de los humanos, movilizando una serie de elementos que cuestionan ciertos binarismos como naturaleza y cultura, seres animados y seres inanimados, y cuestionan la insuficiencia de estas clasificaciones frente a la diversidad y complejidad animal. Este artículo busca analizar las formas en que esta autobiografía animal llama a repensar conceptos como humanos y no humanos, la categorización en géneros literarios específicos y bien delimitados, los paradigmas dominantes de la ciencia y las relaciones entre ficción y realidad, con implicaciones significativas para examinar las relaciones entre humanos y animales.O enredo de Memórias de porco-espinho consiste em confissões feitas por um porco-espinho a um baobá sobre sua vida e os crimes que cometeu em nome de seu mestre humano Kibandí. Anunciando abertamente sua animalidade, o porco-espinho ironiza os padrões classificatórios e generalistas dos humanos, mobilizando uma série de elementos que colocam em xeque certos binarismos como natureza e cultura, seres animados e seres inanimados, e questionam a inadequação dessas classificações frente à diversidade e à complexidade animal. Neste artigo, busca-se analisar os modos através dos quais essa autobiografia animal convoca a repensarmos conceitos como humano e não-humano, a categorização em gêneros literários específicos e bem delimitados, os paradigmas dominantes da ciência e as relações entre ficção e realidade, com implicações significativas para examinarmos as relações entre humanos e animais