Portal Periódicos da UFRRJ (Univ. Federal Rural do Rio de Janeiro)
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MOVIMENTO FORMATIVO COM PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL SOBRE O CONCEITO DE LOCALIZAÇÃO
O artigo apresenta resultados de pesquisa de mestrado profissional relacionada à formação continuada de professores na área de educação matemática, desenvolvida com docentes da Educação Infantil sobre o conceito de localização. Tem por objetivo evidenciar contribuições de estudos coletivos da abordagem lógico-histórica do conceito para a organização do trabalho pedagógico. Ancora-se em pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Atividade e da Atividade Orientadora de Ensino. O campo empírico foi um curso ofertado em 2021 a docentes da rede pública capixaba, de modo on-line, no âmbito do programa de extensão. As análises sinalizam o movimento de aprendizagens docentes e alterações na atividade pedagógica
O Amor pedagógico: bem-querer, afeto e precarização docente
Fazer o que gosta, amar o que faz. Senso comum e docentes são afeitos à ideia de que a educação é uma atividade ideológica e apaixonada e de que o magistério é uma ação predominantemente “amorosa”. Que dizem os sentimentos em relação à prática docente em nossa sociedade? Para responder a essa questão, este artigo propõe que: 1) os sentimentos sejam considerados como algo culturalmente construído, a partir da análise das discussões das ciências sociais acerca da naturalidade e universalidade das emoções; 2) que se problematize se o amor, alardeado no imaginário popular como indispensável à atuação docente, não seria uma construção social que, enquanto confere uma suposta dignidade inefável aos educadores, também joga sobre seus ombros um fardo demasiadamente pesado. Considera-se, portanto, que o mito do afeto e do carinho, como imprescindíveis à educação, aprisionariam o fazer docente em determinados esteriótipos bastante desvantajosos para os sujeitos, resultando na precarização de sua atividade
Bell Hooks e Sobonfu Somé: PENSANDO PERTENCIMENTO E COMUNIDADE NA DIÁSPORA E EM ÁFRICA
bell hooks, mulher negra estadunidense, uma das intelectuais e ativistas mais importantes dos direitos das mulheres negras na diáspora africana, nos apresenta, em seu livro Pertencimento, uma cultura do lugar, reflexões acerca de se sentir pertencente em sociedades racistas, machistas, sexistas e classistas, às quais ela denomina de sociedades “patriarcais supremacistas brancas capitalistas imperialistas”. Sobonfu Somé, filósofa e professora nascida em Dano, cidade em Burkina Faso, na África Ocidental, reflete, em seu livro O Espírito da Intimidade, ensinamentos ancestrais africanos sobre maneiras de se relacionar, sobre a dimensão espiritual dos relacionamentos a partir de ensinamentos tradicionais de seu povo, os Dagara. Ambas, a partir de perspectivas distintas, mas atravessadas por uma ancestralidade comum, nos oferecem reflexões sobre sentir, se relacionar, pertencer e ser na coletividade. No presente texto, busca-se apresentar, de forma breve, como ambas articulam suas ideias e experiências na atribuição de centralidade à vida comunitária para o resgate e para experiências efetivas de pertencimento das pessoas negras. Para tanto, serão assumidos como focos de análise os dois livros já mencionados, considerando as diferenças territoriais e experienciais de ambas, mas, sobretudo, aspectos de suas narrativas e vivências que reportam a uma perspectiva ancestral comunitária e de pertencimento
EXÚ, VOZ E ENCRUZILHADA: a oralidade como saber-pedagógico nos Terreiros
Este trabalho propõe refletir sobre a oralidade como prática pedagógica. Inspirado nas epistemologias contracoloniais e nas práticas de cuidado e transmissão de saberes que atravessam as Comunidades Tradicionais de Terreiro, o estudo se ancora na figura de Exú, orixá da comunicação, das encruzilhadas e do movimento. A oralidade, nesse contexto, não é apenas método, mas princípio fundante de uma pedagogia que afirma a vida, a ancestralidade e a memória coletiva. Nossa escrita está situada no campo das epistemologias do Sul, especialmente a partir do pensamento de autores como, Muniz Sodré, Sueli Carneiro, Hampâté Bâ e Antônio Bispo, em diálogo com a tradição oral afro-brasileira que constitui os terreiros como espaços de formação integral. A oralidade aqui é compreendida como um campo de disputa simbólica e política frente à hegemonia da escrita e da racionalidade ocidental. Trata-se de reconhecer que a fala, o gesto, o silêncio e o corpo são também arquivos e mecanismos de conhecimento, e que o ensino que se dá na gira, na cozinha, no toque do tambor e nos cantos carrega pedagogias milenares, enraizadas na diáspora e na resistência. Este trabalho, portanto, propõe deslocar o olhar sobre a educação ao reconhecer a potência educativa das comunidades de terreiro, suas cosmologias e seus modos de ensinaraprender. Reivindicando o lugar das epistemologias negras e de matrizes africanas no debate acadêmico e educacional, reafirmando que Exu não é apenas o mensageiro, mas também o caminho
DANÇAR PARA PERTENCER: etnicidade e identidade nos vídeos de dança afro-brasileira no YouTube
A dança afro-brasileira é uma expressão artística e cultural muito importantepara os grupos que recebem os conhecimentos desta arte por transmissão oral ecorporal por parte de seus ancestrais, e que são muitas vezes estigmatizadosdentro de contextos educativos: a comunidade negra. Assim, a construção deuma educação com vistas a uma sociedade mais igualitária faz-se urgente. Estetrabalho objetiva discutir sobre a dança afro-brasileira e suas implicações étnicase identitárias para pensarmos uma educação contemporânea afrocentrada.Metodologicamente, optou-se por abordagem qualitativa centrando-se na seleçãode 7 artefatos culturais (SILVA; MORAES, 2019) escolares em vídeo do Youtubesobre a dança afro. A partir da construção de um quadro descritivo, escolheu-searticular os autores Appiah (1990), Pontignat e Streiff-Fenart (1997) e Hall(2014) em suas discussões sobre etnicidade e identidade, organizando-se asinformações coletadas em um estudo teórico com aporte de autores queatualizam os referidos conceitos. Ao problematizar como essas implicaçõespodem contribuir para uma educação afrocentrada a partir dos materiaiscoletados, percebe-se a importância da dança afro como um caminho para contara história do negro por meio dos movimentos, dos gestos, dos cantos, dassimbologias e dos seus significados. E também ficou muito evidente o empenhodos professores e alunos escolares em difundir seus trabalhos com a culturanegra pelo Youtube. Reconhece-se a Dança afro como uma importantemanifestação viva com forte sentimento de pertença, capaz de construirestratégias de afirmação e de construção simbólica da identidade do ser negro,do ser afrodescendent
RELATO DE EXPERIÊNCIA: OS CAMINHOS FRENTE AOS DESAFIOS NO INÍCIO DA CARREIRA DOCENTE EM EDUCAÇÃO FÍSICA
O objetivo desse trabalho foi evidenciar quais foram os caminhos de apoio frente aos desafios no meu primeiro ano de docência em Educação Física (EF), também com a finalidade de deixar uma escrita de amparo a novos professores. O método escolhido para essa pesquisa qualitativa foi o relato de experiência. Evidenciei como principais caminhos de apoio a formação continuada, o currículo cultural em EF e as relações com os sujeitos escolares em oposição às principais dificuldades que foram, a insegurança, a desvalorização da EF e a precarização das condições de trabalho. Considerei que os aspectos positivos se sobressaíram aos negativos durante meu primeiro ano como professor
O TRATO COM A DANÇA NA ESCOLA: DAS SITUAÇÕES-LIMITES AOS INÉDITOS VIÁVEIS
Este trabalho buscou discutir possibilidades pedagógicas para o trato com o conhecimento dança nas aulas de Educação Física. As propostas desenvolvidas no ensino fundamental e ensino médio apontaram caminhos pedagógicos comprometidos com uma formação pautada no protagonismo dos estudantes e na reflexão ampliada acerca do fenômeno dança, provocando fissuras, questionamentos de situações-limites, e rompendo preconceitos, estereótipos e simplificações sobre tal manifestação da cultura corporal de movimento. Concluímos que mediante as discussões e caminhos traçados para o trato com o conhecimento dança, avançamos no sentido de compreender com maior profundidade e sob a ótica de conceitos de Paulo Freire, alguns desafios presentes no cenário atual na tematização do fenômeno dança
Educação, cultura e relações étnico-raciais: influência da “ciranda” dos ministérios sobre escolas da Baixada Fluminense e na formação de professores.
Considerando o que é estabelecido pela Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDBEN), modificada pela Lei 10.639/03 e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro- Brasileira e Africana, este artigo pretende trazer uma breve reflexão sobre a importância da formação continuada de professores para as Relações Étnico-raciais. O pano de fundo dessa discussão é rede pública estadual de ensino da cidade de Nova Iguaçu-RJ e, como as movimentações políticas que chamamos aqui de “ciranda” afeta diretamente a instituição de políticas públicas nesse sentido. O artigo desenvolve-se no interesse de apresentar a discussão que teve lugar durante a realização das pesquisas de mestrado do PPGEDUC/UFRRJ e dos encontros do grupo de pesquisa GPESURER - Grupo de Pesquisa Educação Superior e Relações Étnico-Raciais, no primeiro semestre de 2023, originada na problematização feita a partir do questionamento das possíveis interfaces entre estes conceitos na observação da estrutura social e cultural nas populações latino-americanas. As discussões foram emergindo diante do corpus de conhecimentos e reflexões sobre as relações possíveis de estudos e suas contribuições como chaves para um pensar/atuar histórica e politicamente e para dialogar com as instituições públicas. O texto desenvolve-se em quatro partes: a introdução que inicia a contextualização da temática em linhas gerais; apresentação da metodologia aplicada na pesquisa original; a seguir apresentamos perspectivas que alimentaram o debate: cronologia das interfaces das esferas federal e estadual do Poder Executivo nas pastas administrativas de Educação e Cultura; e uma parte final com algumas considerações sobre alguns impactos negativos que articulações políticas desassociadas do compromisso primaz da garantia de acesso a Direitos constitucionais que incluam as populações negras e periféricas de forma efetiva com vistas ao pleno exercício da cidadania
Panorama das experiências de luta antirracista na defesa das políticas de ações afirmativas para a população negra no estado do Ceará
No presente artigo traçamos um panorama das discussões sobre ações afirmativas no Brasil trazendo alguns marcos importantes das lutas dos movimentos negros brasileiros. No segundo momento, trazemos informações da agenda de luta antirracista no contexto cearense, apontando experiências importantes que colaboram para a ampliação desse debate nos últimos 15 (quinze) anos. Do ponto de vista metodológico trata-se de uma discussão teórica que toma como base nas produções que acontecem na esteira dos movimentos de luta antirracista no contexto nacional e do Estado do Ceará: (CARVALHO, 2003; CUNHA Jr., 2003; SANTOS e ROCHA, 2022; RATTS, 1996; RIBEIRO, 1995; GOMES e VIEIRA, 2013; NUNES e BEZERRA, 2021; SILVA, 2023). Refletimos sobre o protagonismo do ativismo negro cearense na proposição dessa agenda e nos tensionamentos gerados, como continuidade de uma série histórica, que se intensifica no final do século XX e início do século XXI