Portal Periódicos da UFRRJ (Univ. Federal Rural do Rio de Janeiro)
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REFLEXÕES SOBRE OS FATORES QUE INFLUENCIAM A QUALIDADE DO ENSINO PÚBLICO BRASILEIRO
A qualidade da educação enfrenta desafios encontrados tanto dentro como fora da escola, os quais interferem de maneira significativa na aprendizagem. Por isso, a pesquisa propõe uma reflexão sobre os fatores que influenciam a qualidade da educação pública no Brasil, com base em uma revisão bibliográfica de documentos oficiais e estudos acadêmicos. Os dados analisados indicam que, embora tenham ocorrido avanços, a qualidade é frequentemente associada aos resultados de avaliações em larga escala, relegando a segundo plano outros aspectos intra e extraescolares igualmente relevantes para a aprendizagem. Conclui-se, portanto, que a ideia a noção de qualidade deve ir além de metas numéricas, devendo ser fundada na promoção de um ensino significativo, contextualizado às realidades locais e às necessidades dos alunos
A PRETAGOGIA POR CAMINHOS INSURGENTES: dois estudos de caso
Este artigo busca repensar a relação entre a educação das relações étnico-raciais e as religiões de matriz africana em sala de aula. Como essas religiões poderiam contribuir na educação das relações étnico-raciais? De fato, as religiões afro-brasileiras, sendo o caldeirão onde pessoas oriundas de diferentes lugares interagem entre elas, promovem e incentivam interações étnico-raciais das mesmas. Assim, como as duas caras da mesma moeda, as relações étnico-raciais e as religiões de matriz africana se influenciam mutualmente. A partir da noção da educação de Amadou Hampaté Bâ, de conceito como Ubuntu, a pretagogia, trazemos algumas pistas de reflexões como suporte as relações étnico-raciais com base daquilo que é considerado como saberes ancestrais milenares encontrados nas religiões de matriz africana. O artigo visa mostrar como as religiões de matriz africana como o Candomblé atua no fortalecimento das relações étnico-raciais, apresentando dois estudos de casos de duas instituições presentes em duas diferentes cidades do Brasil. São elas: o Instituto de Arte e Cultura Yoruba (Belo Horizonte), e o memorial do Ilê Axé Oya Bagan (Brasília). Em ambos os casos, o método usado foi a observação participante resultando em aquisição de conhecimentos, demistificações dos saberes e do espaço do terreiro, um olhar diferente por parte dos alunos presentes nas oficinas. Por fim, conclui-se que a pretagogia é um instrumento necessário no combate contra o preconceito, contra o racismo religioso, mais do que indispensável para o equilíbrio das relações étnico-raciais. 
A MATEMÁTICA IMPLÍCITA NO PROCESSO DE PREPARO DO ACAÇÁ: um olhar a partir da Etnomodelagem
Este artigo tem como objetivo investigar os conceitos matemáticos presentes — ainda que de forma implícita — no processo de preparo do Acaçá, alimento ritualístico de matriz afro-brasileira, analisando seus procedimentos sob a perspectiva da Etnomodelagem. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de abordagem etnográfica, realizada por meio de entrevista narrativa com uma Yalorixá do Recôncavo Baiano. A análise revelou a presença de conceitos matemáticos no processo de confecção do Acaçá, como medidas, proporções, tempos de cozimento e formas geométricas. Tais elementos evidenciam que práticas culturais tradicionais carregam saberes matemáticos que, muitas vezes, permanecem invisibilizados nos currículos escolares. O estudo contribui para o fortalecimento de uma Educação Matemática intercultural e para a valorização dos conhecimentos oriundos das culturas afro-brasileiras, em consonância com a Lei nº 10.639/2003. Conclui-se que práticas socioculturais, como o preparo do Acaçá, podem ser integradas ao ensino da Matemática na Educação Básica, desafiando estigmas religiosos e promovendo aprendizagens mais contextualizadas, significativas e inclusivas
A FORMAÇÃO INICIAL EM SOCIOLOGIA E A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: experiências e aprendizagens em uma comunidade tradicional de matriz africana
Este artigo tem como objetivo analisar de que maneira experiências formativas, como a visita de campo a uma comunidade tradicional de matriz africana, podem contribuir para ampliar os conhecimentos de futuros professores de Sociologia, especialmente no que diz respeito à educação das relações étnico-raciais e ao enfrentamento do racismo religioso no contexto escolar. A pesquisa foi realizada no âmbito do Curso de Formação em Educação das Relações Étnico-Raciais, promovido pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal do Espírito Santo (NEAB/Ufes) em parceria com o Programa de Pós-Graduação Profissional em Educação (PPGMPE/Ufes). A abordagem metodológica adotada é qualitativa, com inspiração etnográfica, e utilizou como procedimentos a observação participante, diário de campo e entrevistas com licenciandos do curso de Ciências Sociais participantes do Programa Residência Pedagógica. Os resultados indicam que a visita ao terreiro contribuiu significativamente para a desconstrução de estigmas associados às religiões afro-brasileiras, promovendo a ampliação do repertório cultural dos cursistas e o fortalecimento de práticas pedagógicas antirracistas. Conclui-se que vivências formativas desse tipo são fundamentais para a efetivação da Lei nº 10.639/2003 e para a construção de uma escola comprometida com a valorização da diversidade religios
ESTÁGIOS DE VIVÊNCIA: música, dança e resistência na perspectiva da educação para as relações étnico-raciais
O presente artigo apresenta os resultados da terceira edição de uma experiência bem-sucedida de formação continuada de educadores antirracistas, empreendida pelo Instituto de Ciências Humanas do Pontal (Universidade Federal de Uberlândia) e o Ilè Àse Tobi Obatalá, comunidade candomblecista localizada na cidade de Ituiutaba, MG. Este projeto recebeu em 2024, pela segunda vez, o Prêmio “Paulo Freire” de Atividades Extensionistas da UFU. Teve como objetivo a realização de um estágio de vivência em terreiro de Candomblé/Umbanda (enquanto um dos microterritórios detentores de inúmeros saberes e fazeres relacionados às tradições afro-brasileiras) para professores das redes pública e privada de Ituiutaba e região, assim como alunos de cursos de Licenciatura. A interlocução no espaço sagrado foi realizada pelos membros da comunidade religiosa, que além de repassar conhecimentos, ofereceram alimentação (culinária tradicional afro-brasileira) e atividades lúdico-instrutivas. Como resultado, realizamos por meio do projeto um dia de vivência cultural que possibilitou a organização de duas oficinas em escolas de Ituiutaba. Publicações sobre a estratégia da vivência foram produzidas e mais de 100 docentes e estudantes de graduação puderam ser qualificados. Um evento de culminância foi realizado para socialização dos resultados, além de oferta de uma palestra e uma mesa redonda
EDUCAÇÃO FÍSICA, ESPORTE E MÍDIA: NARRATIVAS DE UMA PRÁTICA DOCENTE EM CURSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES(AS) DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Trata-se de um relato de experiência na disciplina “Educação Física, esporte e mídia” da Universidade Federal de Sergipe, realizada entre 23 de novembro de 2023 a 11 de abril de 2024. O objetivo é compartilhar vivências do estágio docente, analisando a relação entre esporte e mídia no contexto da formação docente. Foram utilizados diário de campo e dois formulários via Google Forms. O primeiro, com 12 alunos, coletou dados sobre perfil e uso de mídias; o segundo, com 9 participantes, analisou a mediação tecnológica e as mudanças na percepção sobre as mídias ao cursarem a disciplina. A experiência docente evidenciou o impacto das mídias na Educação Física (EF), bem como, suas possibilidades, além de contribuir para a formação docente e reforçar a importância da mídia-educação também na EF.
 
A FORMAÇÃO CONTINUADA COMO ESTRATÉGIA DE CONSTRUÇÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: uma revisão da literatura
O artigo discute concepções que articulam os estudos sobre Política Educacional, Projeto Político Pedagógico (PPP) e Formação Continuada de professores na educação infantil. Parte-se do pressuposto de que o PPP expressa o processo complexo de colocar as políticas em prática, por meio da formação continuada como estratégia de reflexão crítica e troca de experiências. Trata-se de estudo teórico, com revisão de literatura, a partir de buscas nas bases BDTD e periódicos CAPES, entre 2019 e 2024. Após critérios de elegibilidade, foram selecionados sete trabalhos. As pesquisas evidenciam a formação continuada como espaço de construção coletiva e de negociação sobre melhorias do PPP. Destacam-se os grupos de estudo-reflexão como mediação entre teoria e prática e decisões coletivas docentes
NÚCLEO DE EDUCAÇÃO INFANTIL CRIANÇA ESPERANÇA: história, arquitetura e materialidades
Este estudo analisa a constituição histórica e material do Núcleo de Educação Infantil Criança Esperança, em Balneário Camboriú (SC), compreendendo sua arquitetura e a organização dos espaços educacionais como expressões das políticas públicas e das concepções de infância que atravessam a Educação Infantil no contexto municipal. A pesquisa, de abordagem histórico-documental, examina o Projeto Político-Pedagógico da unidade, articulando documentos nacionais e locais. Fundamentado em Roger Chartier e Jacques Le Goff, o estudo problematiza práticas sociais, representações e registros documentais como expressões culturais que configuram a história, a memória e a materialidade da instituição
A TRANSVERSALIDADE DAS LINGUAGENS ARTÍSTICAS NA EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA: experiências com o Baião de Princesas da Casa Fanti Ashanti em São Luís do Maranhão
O presente artigo tem como objetivo refletir sobre a transversalidade das linguagens artísticas como via de fortalecimento da educação antirracista, conforme orienta a Lei 10.639/03. A análise parte do ritual do Baião de Princesas, realizado em 13 de dezembro de 2022, na Casa Fanti Ashanti, em São Luís do Maranhão, enfatizando a presença e os significados das linguagens visuais, musicais, corporais e performáticas. Este texto constitui um recorte da pesquisa desenvolvida na tese de doutorado Arte-Educação no Terreiro: a possibilidade de práticas pedagógicas antirracistas do/a professor/a de Arte por meio do ritual de Baião de Princesas da Casa Fanti Ashanti. Defende-se que as expressões artísticas presentes nesse ritual promovem uma experiência estética e política capaz de tensionar o racismo religioso e o epistemicídio, abrindo caminhos para uma educação sensível às ancestralidades africanas, às religiosidades afro-brasileiras e à crítica das hierarquias culturais impostas pela colonialidade