U.Porto - Revistas Cientificas
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Do discurso da criança “no” centro à centralidade da criança na comunidade
O presente trabalho debruça-se de forma crítica sobre o discurso dominante de “a criança no centro”, des-construíndo este discurso neo-liberal à luz de uma teoria crítica e pós-moderna. Sugere o regresso ao conceito de criança membro de uma comunidade, demonstrando, através de um conjunto de conceitos teóricos – “conjuntos complexos”, “fronteira” e “agência relacional” – como a criança, quando inserida num conjunto intrincado de interações, deve substituir a criança “no centro”.Tece-se um conjunto de propostas para uma educação inscrita no futuro
Lifelong Learning Comes of Age: Intergenerational Perspectives
Embora sujeito a um considerável debate, o potencial da aprendizagem ao longo da vida para promover a inclusão social e a coesão das populações idosas pas-sou a figurar num vasto leque de políticas públicas e em diferentes níveis.. Neste enquadramento, a aprendizagem intergeracional tem um apelo particular, embora, diferentes conceitos de geração tenham originado uma literatura científica diversi-ficada.. Assiste-se também a um número crescente de relatos de práticas em distintos países. São discutidas novas formas de aprendizagem intergeracional, como a aquisição de competências de literacia digital, e novos contextos de aprendizagem, como as universidades e o local de trabalho. Argumenta-se que o que agora é necessário é um quadro teórico que seja apropriado para explorar questões emergentes juntamente com um melhor entendimento das mudanças cognitivas que ocorrem com o envelhecimento. Também são abordadas questões relacionadas com a transmissão de conhecimento e com o poder, bem como a problemática da sensibilidade cultural na aprendizagem intergeracional. Conclui-se que a aprendizagem intergeracional tem muito para oferecer no contexto da aprendizagem ao longo da vida
Esboço de um programa para o estudo antropológico, patológico e demográfico do povo português
Esboço de um programa para o estudo antropológico, patológico e demográfico do povo português In Obra Etnográfica. Festas, costumes e outros materiais para uma etnologia de Portugal (pp. 681 – 701). Lisboa: Publicações Dom Quixote. Texto transcrito sem notas de rodapé
Caminhos da formação: inscrever na sociedade os caminhos da auto-organização, da autonomia e da identidade
Tradução do texto da comunicação apresentada por Teresa Ambrósio no âmbito do “Atelier 07: Education et Formation: Le complexe action-recherche décision politique-régulation sociale » integrado no Colóquio « Intelligence de la complexité, Epistémologie et Pragmatique » que teve lugar em Cerisy (França) em Junho de 2005. Uma versão posterior deste texto foi publicada como capítulo de livro : Ambrósio, T. (2006), Chemins de Formation: Inscrire dans la société les chemins de l’auto-organisation, de l’autonomie et de l’identitité” In Teresa Ambrósio & Frédérique Lerbet-Sereni (eds.), Les sciences de l’éducation à la croisée des chemins de l’auto-organisation, Paris: L’Harmattan, pp. 185-203
Identidade(s), mudança e desenvolvimento profissional
Neste artigo pretende-se refletir, no contexto de uma escola básica e secundária, sobre a relação entre as marcas identitárias, ou culturas de escola, e as situações de mudança, nomeadamente as que, na atualidade, não só implicam o desenvolvimentoprofissional, mas dele dependem inexoravelmente. As mudanças, em educação, para traduzirem, de facto, evolução nas conceções dos intervenientes no processo educativo e reajustes não só no modo de pensar, mas de agir, são lentas, implicando uminvestimento voluntário e consciente dos docentes na sua valorização pessoal e profissional, nomeadamente em termos de formação e de colegialidade. O presente trabalho surge no contexto de um estudo de caso que teve como finalidade primeira a análise e a reflexão sobre as lideranças intermédias e as práticas de trabalho colaborativo. Trata-se de um estudo de índole qualitativa que, de uma perspetiva etnográfica, parte de catorze entrevistas em profundidade realizadas a professores da escola em análise, situada na zona de Setúbal, compaginadas com outras fontes, como notas de campo resultantes da observação e a consulta de documentos. Da análise e tratamento dos dados resultaram reflexões que decorrem da caracterização das culturas de escola e das marcas identitárias do corpo docente, mas que também se prendem com a estratégia de lançamento e implementação da mudança. As questõescom que nos debatemos relacionam-se com a implicação dos docentes na mudança, bem como com a eventual contribuição das lideranças, formais e informais, para a construção de uma via de desenvolvimento profissional simultaneamente integradora e proficiente
A contextualização do currículo nas aulas de língua portuguesa: o caso de duas escolas do meio rural na Guiné-Bissau
O currículo incorpora um conjunto de saberes e experiências de aprendizagem, essenciais para que os alunos adquiram habilidades e conhecimentos gerais (Marsh, 2009). A sua relevância constrói-se na relação bem conseguida entre os conteúdos curriculares e as estratégias de ensino-aprendizagem, para estabelecer uma ligação cognitivamente eficaz (Roldão, 2013). Por isso, a contextualização do ensino é um elemento fundamental para a harmoniosa relação entre os saberes académicos e as experiências, permitindo a ligação entre o conhecimento escolar, os contextos locais e os conhecimentos e experiências de vida (Morgado, Leite, Fernandes, & Mouraz, 2013). No sistema de ensino guineense, os professores têm vindo a ter dificuldades de recorrer a métodos de ensino adequados, tanto do ponto de vista pedagógico como sociocultural, deparando-se com a pouca objetividade, clareza e articulação entre as disciplinas e a extensão dos programas (Sané, 2018). Apesar de ser língua oficial e de escolarização, a língua portuguesa é pouco falada e a sua utilização é limitada aos círculos oficiais e a um pequeno número de guineenses que possuem um alto nível de educação (MEN, 2015a). Com recurso à análise de conteúdo de entrevistas semiestruturadas e à observação naturalista e participante (Estrela, 1994) de aulas de língua portuguesa no 4.º ano de escolaridade, de três docentes que lecionam em duas escolas do meio rural na Guiné-Bissau, pretendemos compreender como contextualizam as aulas e respondem aos desafios do ensino da língua portuguesa, que nos seus discursos, é um dos entraves à aquisição de conhecimentos desta e das outras disciplinas
Da celebração das diferenças culturais à busca das semelhanças: intervenção e educação mediadoras
A diversidade cultural e a complexidade do mundo contemporâneo, existente na escola, obriga a que esta construa estratégias para que os seus professores e alunos aprendam a lidar com outras identidades pessoais, sociais e culturais. A escola deverá, assim, responder, de forma atenta e contextualizada, à crescente heterogeneidade da sociedade contemporânea. Mas como fazer a gestão da diversidade na escola e na sala de aulas? Como tirar partido da multiculturalidade para construir uma escola mais intercultural? Apesar dos discursos e das reivindicações, o respeito pela diferença, por vezes, fica apenas por uma certa folclorização e comemoração da diversidade em determinadas datas festivas. Provavelmente, as práticas pedagógicas deverão passar, fundamentalmente, por buscar semelhanças entre as diversidades que habitam os alunos, as turmas e a escola, ao invés de acentuar as diferenças celebrando-as. A escola é um espaço e um tempo de cruzamento de culturas, atravessado por encontros e desencontros de pontos de vista, por tensões e conflitos não só internos, mas, também, entre a escola e as famílias, entre a escola e a comunidade, entre a escola e a sociedade em geral, aos quais nenhum território educativo e seus protagonistas poderão ficar indiferentes. Muito menos poderão considerar a diferença como deficiência. Por isso, a educação não pode ser pensada como monocultural e praticável num processo homogeneizador. A educação tem de ser sempre mediadora se quiser ser emancipadora e autonomizadora
Formadores de professores em contexto escolar: uma profissionalidade em questão
A formação de professores é uma das linhas investigativas mais exploradas nos estudos realizados por organizações internacionais e instituições nacionais dedicadas à pesquisa em Educação. Em geral, os estudos produzidos nessa linha se debruçam sobre os sujeitos em formação e sobre as didáticas e pedagogias desenvolvidas em algumas das etapas da formação docente. Entretanto, já é possível identificar, de modo ainda incipiente, um interesse crescente sobre os agentes educativos responsáveis por formar os professores. O presente trabalho tem como objetivo identificar quem são esses formadores e descrever o papel desempenhado por eles. Assim sendo, nosso interesse recai, especificamente, sobre os profissionais designados para atuarem nas fases onde a prática é a base da formação docente e a Escola é o espaço onde essa etapa prática se desenvolve. Para isso, centraremos a atenção nos orientadores cooperantes (período de estágio) e os professores acompanhantes (período probatório), que correspondem a parte dos formadores de professores em contexto escolar no sistema educativo português. O trabalho visa caracterizar aspectos como a identidade, a formação e a profissionalidade desses sujeitos, suportados por uma metodologia de investigação que busca combinar estudos teóricos e empíricos na intenção de responder questões como: Quem são esses profissionais? Como realizaram e/ou realizam suas formações? Quais são suas crenças e atitudes em relação à formação e docência? E em que condições de trabalho realizam suas tarefas? Além de outras que, porventura, apareçam ao longo desse estudo que está em andamento, acolhido como um plano de tese de doutoramento em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
RESSIGNIFICANDO CONCEPÇÕES E PRÁTICAS FORMATIVAS NO INSS: UM PROJETO PILOTO NA SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DO NORDESTE BRASILEIRO
Esta comunicação refere-se a um trabalho piloto, desenvolvido no período de junho a agosto/2021, pela Equipe Especializada das Ações Educacionais e Reuniões Técnicas Superintendência Nordeste, vinculada, a época, à Coordenação – Geral de Qualidadede Vida, Saúde e Desenvolvimento do Servidor - CGQSD, no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. Trata-se de uma ação formativa, voltada para aos/às servidores/as que compõem as equipes de educação desta Regional, em última instância formadores/as que atuam em ações continuadas de profissionalização nesta Autarquia Federativa. Neste sentido, o trabalho tem como objetivo central "Desenvolver competências necessárias às equipes especializadas de educação com vistas à atuação formativa, numa perspectiva de promoção da aprendizagem e desenvolvimento dos servidores/as públicos/as federais brasileiros/as ativos/as no INSS". A metodologia utilizada compreendeu uso de técnicas como: exposição dialogada, estudo dirigido, word café, resolução de situações problema, palestras, rodas de conversa, sala de aula invertida, entre outras. A fundamentação teórica que embasa este trabalho, essencialmente, são as ideias de Freire (1968) acerca de Educação e Chiavenato (2008) em relação à Administração Pública Brasileira. A ação foi avaliada positivamente (63% ótimo e 37% bom), com relevância para a metodologia utilizada, domínio técnico do conteúdo pelos/as formadores/as e relações interpessoais estabelecidas. Destaca-se, pois, alguns aspectos revelados: atingimento dos objetivos propostos (25% ótimo, 63% bom e 12% regular) e utilização dos conhecimentos na melhoria de desempenho (25% ótimo e 75% bom). Os achados dessa investigação revelam quão importante tem sido a formação de formadores/aspara o atingimentoda missão social do INSS junto ao cidadão.  
Auto-avaliação de escola: um meio de inovação e de aprendizagem
O sistema educativo português atribui uma crescente importância à escola, enquanto lugar privilegiado quer para a implementação das prescrições oriundas da Administração Central, quer para o desenvolvimento da qualidade e, consequentemente, para a transformação das práticas curriculares.
O reconhecimento de uma certa autonomia à escola, não somente na gestão dos recursos humanos, mas também na organização do trabalho e na determinação do currículo, exige dela a conciliação entre a autonomia e a inscrição numa política nacional ou local e, por outro lado, entre autonomia e inovação.
Neste contexto, a escola vê-se impelida a aderir a uma cultura de avaliação que justifique o seu mandato, reduza inércia e fomente a sua criação enquanto organização aprendente.
Neste artigo, apresentamos alguns resultados de uma investigação cujo objetivo maior foi o de compreender e problematizar as práticas de auto-avaliação das escolas públicas abrangidas pela Direção Regional de Educação do Norte (DREN) (N=406