U.Porto - Revistas Cientificas
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    Centralidades e periferias nos quotidianos escolares e não-escolares de jovens distinguidos na escola pública

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    Discute-se neste texto a pertinência heurística da tipologia clássica do universo tripartido de educação (Formal, Não-Formal e Informal), tendo por referência os constrangimentos e os dilemas que o público juvenil se vê confrontado na atualidade. O autor mobiliza as noções de centralidade e de periferia para dar conta das relações de forças entre os diversos contextos e possibilidades educativas da cidade, para ilustrar a crescente hegemonia da educação escolar e para sublinhar as dificuldades em construir um corpus sociológico sólido no âmbito da educação não-escolar. Apresentam-se dados de investigação sobre a excelência académica na escola pública, com os quais se reflete sobre as dimensões constitutivas dos quotidianos e das experiências (escolares e não-escolares) de um grupo de jovens-alunos distinguidos. Sendo os mais bem-sucedidos na cultura escolar e mesmo prevalecendo a diversidade (por género e origens sociais) no que respeita às práticas de estudo e aos lazeres e atividades extraescolares, estes jovens tendem a atribuir à escola e aos professores as razões do seu sucesso

    Infância e Ludicidade: o texto e o contexto

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    No presente estudo ficam, num primeiro momento, clarificados os conceitos em que hoje se sustentam as culturas da infância e, dentro destas, a cultura lúdica enquanto sua primordial expressão. Detalham-se, também, na sua tridimensionalidade, as configurações que pautam os quotidianos das crianças, quer quando respeitam à sua vida institucionalizada, escolar ou para escolar, quer, ainda, quando se referem ao usufruto de um tempo para seu uso discricionário onde a presença direta do adulto se encontra dele arredia. Regista-se, nestas formas, a incompatibilidade entre a vertente lúdica da vida das crianças e a agenda formal e não formal que vai assoberbando os seus quotidianos.Os dados extraídos de um estudo qualitativo ajudam-nos a perceber o percurso histórico que a presença da informalidade das vivências societais conheceu na vida das crianças, com o seu declínio marcado pela presença avassaladora com que os adultos vão pautando agora as suas vidas. E cada vez menos a forma condiz com o formato a que as coisas chegaram

    “Estas memórias que os retratos nos dão” – análise de um programa de inclusão digital aplicado em contexto de lar de terceira idade

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    O envelhecimento populacional combinado com a inovação tecnológica reforça a infoexclusão entre a população idosa, enfatizando a necessidade de promover a inclusão digital como estratégia de envelhecimento ativo.Em contexto informal, desenvolveu-se um programa de inclusão digital, ancorado na fotografia enquanto prática pedagógica, dirigido a idosos residentes em lar de terceira idade. Este trabalho tem como objetivo explorar a perceção do idoso sobre a inovação tecnológica, assim como a dimensão social do lembrar.Através de uma metodologia de investigação-ação, 77 idosos com idades entre os 50 e os 100 anos participaram ao longo de 5 meses em diversas atividades. Os dados foram recolhidos através de fotografias, notas de campo, registos audio e observações. Os resultados ilustram a contribuição desta prática pedagógica na valorização da aprendizagem, da socialização entre o grupo e do sentido de identidade entre os idosos

    O uso de uma ferramenta web 2.0 para um ensino-aprendizagem colaborativo

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    Em educação, os wikis têm ganho uma crescente popularidade. A presente investigação pretende analisar o uso de cadernos de laboratório virtuais, realizados com recurso a um wiki, numa instituição de ensino superior em Portugal. Neste artigo, foca-se a atenção no tipo de interação que se desenvolveu entre os estudantes, em grupos de trabalho de 2 ou 3 elementos, aquando da elaboração do caderno de laboratório virtual. Com esse objetivo, analisou-se o tipo de edição e compararam-se versões sucessivas de páginas do caderno, de uma amostra de grupos que frequentaram uma unidade curricular de biologia, no âmbito da formação inicial de educadores e professores dos 1.º e 2.ºciclos. Procedeu-se à categorização de contribuições individuais para o wiki e os dados obtidos foram analisados usando uma combinação de métodos qualitativos e quantitativos. Os resultados contribuem para enriquecer a compreensão acerca do uso dos wikis em projetos educacionais de cariz colaborativo

    A Wikipédia como Recurso Educacional Aberto: Contributos para a compreensão do Programa Wikipédia na Universidade, um fenómeno digital glocal

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    A Wikipédia apresenta-se na atualidade como um elemento incontornável quando se faz uma pesquisa na internet, sendo um projeto universal que tem angariado fervorosos seguidores ou opositores, numa relação amor/ódio. Mais do que banir ou aceitar sem restrições a inclusão da Wikipédia em contexto educativo e académico, importa compreender este fenómeno digital, que entendemos como recurso educacional aberto.Neste sentido, e com o intuito de contribuir para uma reflexão que julgamos urgente e pertinente, enquadramos a Wikipédia na educação aberta, explorando o Programa Wikipédia na Educação, em particular o Programa Wikipédia na Universidade. E, da análise destes referenciais, emerge a utilização da Wikipédia como ferramenta de ensino e de investigação, que defendemos ser uma estratégia pedagógica, a considerar, nomeadamente, no ensino superior, incluindo com estudantes online

    Governação através de feedback: Da orientação nacional para o posicionamento global

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    O objetivo deste artigo é argumentar que a evidente necessidade e o intercâmbio de informações comparativas devem ser considerados como sintoma de um novo modo de governação que vem instalar relações de poder menos evidentes. O artigo pretende focar-se primeiramente em mecanismos de "governação através de feedback", e, especificamente, em avaliar como a política educacional e as autoridades estatais racionalizam (e justificam) cada vez mais o seu papel na recolha e provisão de informação de feedback. Em segundo lugar, o objetivo do artigo é atingir a compreensão dos novos mecanismos de poder que se repartem pelos modos de governação atuais. Argumenta-se que, no lugar do poder da vigilância (no panótico) e do poder dos exemplos/exceções (no sinóptico), acaba por ser um feedback de 360º que vem, hoje, facultar uma articulação paradigmática de novas formas de poder

    Os dispositivos digitais no governo da educação: um tema relevante para a análise das políticas educativas em Portugal

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    As tecnologias digitais estão a adquirir um papel significativo nos processos políticos de educação, no quadro de formas emergentes de governo fortemente apoiadas na produção sistemática de dados quantitativos comparáveis. Este artigo visa apresentar e discutir este tema e argumentar em favor da relevância de o estudar empiricamente em contexto nacional. Começa por descrever o fenómeno tendo em consideração dispositivos digitais de âmbito transnacional, da responsabilidade de reconhecidos atores da educação transnacional atual, assim como uma variedade de dispositivos digitais de recolha, tratamento e difusão de dados da educação existentes em Portugal. Discute depois a literatura que vem interpelando o papel que as tecnologias digitais estão a ter no contexto da emergência de novas modalidades de regulação e apresenta uma proposta de inquirição que inscreve o estudo de dispositivos digitais num campo de estudos analíticos e críticos sobre políticas educativas que vem adotando uma visão complexa e policêntrica das políticas

    Género e TIC: representações e práticas de docentes de TIC

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    As tecnologias da informação e comunicação (TIC) estão cada vez mais presentes e incorporadas nos objetos do quotidiano, constituindo um aspeto relevante das identidades sociais. No entanto, dados de diversas investigações continuam a revelara existência de desigualdades de género ao nível das práticas digitais e das profissões relacionadas com as TIC. O projeto de pós-doutoramento "Gender@ICT", enquadrado no projeto “Literacia digital no contexto da educação científica: Questões de Género”,tem como objetivo explorar como é que as TIC afetam e são afetadas pelas práticas de género, isto é, como é que as pessoas constroem as suas relações com as TIC e como é que o género faz a diferença nessa construção. A abordagem metodológica foiqualitativa, baseada em entrevistas individuais semiestruturadas, atividades interativas em contexto de sala de aula e grupos focais com crianças, adolescentes e docentes de TIC. O projeto teve várias fases, primeiro foram realizadas atividades com alunos/as do 9º ano de escolaridade, depois com crianças em idade pré-escolar e finalmente com docentes da disciplina de TIC. Este artigo apresenta a fase final do projeto, os grupos focais com docentes de TIC, relacionando os resultados com as fases anteriores do projeto. As/Os docentes de TIC têm uma visão privilegiada sobre as práticas digitais dos jovens e neste projeto analisamos as suas experiências deobservação de raparigas e rapazes a utilizarem tecnologias. Os grupos focais realizados com as/os docentes de TIC também nos permitem identificar e explorar práticas educativas que promovem a equidade de género nas TIC

    As imagens nos livros didáticos: ensino de história indígena e os cânones

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    Os livros didáticos são produtos culturais com relevante papel na História da Educação, pois possuem informações sobre as sociedades que os pensaram, produziram e utilizaram. Potentes à cultura letrada, têm/tiveram importante papel na definição dos saberes escolares e na fundamentação de alguns cânones no ensino. No que concerne a memória histórica nacional, os livros didáticos de História, responsáveis pela difusão de perceções memorialísticas, de eventos e personagens, corroboraram para que, ao longo dos processos de didatização, alguns sujeitos fossem preteridos socialmente. À vista disso, este texto discute, a partir das obras escolares em uso no Brasil, a manutenção de alteridades, especialmente, pelo cânone imagético associado à memória visual dos indígenas brasileiros. Perpassando as pautas indígenas, a construção de alteridades e a busca por equidade, discuto a formação do cânone e como algumas reformulações nesses são vislumbradas no cenário brasileiro, sobretudo após a implantação da lei nº 11.645, de 2008, que interfere diretamente no livro didático e no ensino de História. Para tanto, a compilação de um corpus imagético é realizada nas duas coleções didáticas aprovadas nos trâmites do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) 2017, dedicado aos anos finais do ensino fundamental. Assim, os exemplares do Projeto Araribá História, e os volumes do Projeto Teláris História, compõe o escopo de análise deste texto. A escolha pelas coleções se mostra atenta às mudanças do mercado editorial brasileiro nas últimas décadas, marcada pelo investimento das editoras em livros no formato projeto e a substituição da figura do professor/autor

    Educação artística no Estado Novo: uma biopolítica do cinema e do seu espectador pela Juventude Escolar Católica

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    O artigo debruça-se sobre a construção de uma investigação historiográfica acerca das propostas da Juventude Escolar Católica durante o Estado Novo, muito concretamente entre 1937 e 1939, durante a Campanha de Moralização do Cinema lançada nas páginas do seu órgão de imprensa. Nas páginas da Flama (1937-1976), dirigida pela Juventude Escolar Católica, verifica-se como é acionado o mecanismo que, desde a encíclica Vigilantis Cura, enunciada pelo Papa Pio XI em 1936, se vinha reclamando nos setores do ativismo católico. Os nomes de Jacinto do Prado Coelho, Luís de Macedo ou Paiva Boléo misturam-se entre os inúmeros hoje ilustres desconhecidos e anónimos que colaboraram ativamente nesta campanha que procurava fazer do jovem católico alguém profundamente autoeducado, a ponto de saber ver na programação em vigor a diferença entre o bom e o mau cinema, com consciência das questões éticas e estéticas. Este espectador parece-nos entrar em colisão direta com o espectador passivo almejado pelas instâncias de poder. Deste modo, este pequeno ensaio exploratório, que parte de um plano empírico, aponta para uma investigação que carece agora de um aprofundamento conceptual e de um apoio nas grelhas teóricas que permitam compreender melhor em que medida a Educação Artística se vai integrar, e muito concretamente, a educação informal que se propugnava durante o Estado Novo através do cinema

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