U.Porto - Revistas Cientificas
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A perceção dos participantes em Processos de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências de Nível Secundário: Estudo de Caso
Os Centros Novas Oportunidades (CNO) foram o centro do desenvolvimento do Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) no âmbito da Iniciativa Novas Oportunidades (INO). Entre 2005 e 2011 foi uma das grandes apostas do governo português para transformar o nível secundário no patamar mínimo da qualificação da população, introduzindo a possibilidade dos adultos evoluírem na sua qualificação e certificação.Esta investigação teve como objetivo principal conhecer a perceção dos adultos acerca das implicações que a frequência no Processo de RVCC de Nível Secundário teve quer na dimensão profissional, quer formativa e pessoal. O trabalho procurou, com base em um Estudo de Caso, e por meio de questionários, entrevistas e análise documental, respostas para as nossas questões de investigação. Espera-se poder contribuir para a melhoria das práticas profissionais nos centros de qualificação profissional e, também, para o crescimento do conhecimento científico no âmbito do reconhecimento de adquiridos
A "máquina do empreendedorismo": Teatro do Oprimido e educação crítica em tempo de crise
O empreendedorismo tem vindo a instalar-se como discurso dominante,através da produção e difusão de uma série de narrativas que se interligam - “oemprego é coisa do passado”, “não podemos estar amarrados ao Estado”, “o que contaé a atitude”, “o desemprego é uma oportunidade” - e da sua transposição para aspolíticas públicas, para as escolas, para as organizações não-governamentais, para asuniversidades. Este artigo, inserido numa investigação ativista e enquadrada numaperspetiva de sociologia pública e educação crítica, procura, através de uma iniciativacom o Teatro do Oprimido, contribuir para desconstruir a “máquina do empreendedorismo”,em particular em contexto de crise: as suas estratégias e objetivos, mastambém as suas contradições. Argumenta-se que esta ideologia do empreendedorismotem contribuído para uma reconfiguração das formas de exploração, dominaçãoe controlo, na sociedade e, em particular, nos mundos do trabalho e da escola
Ensinar aos “pequenininhos”: o cotidiano do jardim de infância Francês
Ao longo do século XX, a escola materna/jardim de infância francesa afirmou-se progressivamente em sua singularidade. Esta instituição, no limiar do século XXI, carrega um projeto que demonstra não só a importância cada vez maior que a criança adquire nas sociedades contemporâneas, como também novas perspectivas educativas e pedagógicas. Porém, para além do lado “materno” e “terno” que se pode imaginar quando se refere à escola materna/jardim de infância o destaque dado às competências precoces das crianças, seguido de uma ênfase sobre o papel determinante da escola materna/jardim de infância na sequência do percurso escolar e pessoal de cada um parece causar mal-estares entre os professores/educadores. As entrevistas e observações realizadas em instituições de Paris e de sua periferia (trabalho empírico, de tipo socioclínico) mostram, passo a passo, as diferentes maneirasde abordar a vivência prática na escola materna/jardim de infância francesa
Perceções de estudantes seniores sobre os desafios de ler o mundo em contexto universitário
O presente artigo propõe a reflexão sobre a procura de educação formal, em idade adulta avançada, por sujeitos de uma geração que experimentou, direta ou indiretamente, melhorias significativas ao nível da expectativa e qualidade de vida. Esta reflexão será construída a partir de dados recolhidos por entrevista, no âmbito de um estudo exploratório sobre as vivências de cinco estudantes, com idades compreendidas entre os 67 e os 83 anos, que optaram pela frequência de cursos convencionais de uma universidade pública portuguesa.A diversidade das condições e disposições que justificou o investimento destes estudantes no percurso académico revela a importância de dimensões ainda pouco valorizadas na reflexão do ensino superior. A convivência intergeracional surge como condição fundamental para a reconstrução sócio identitária e de novas formas de solidariedade intergeracional, por quem procura realizar projetos educativos significativos, na fase da reforma, através da busca de entendimento e inserção no mundo contemporâneo
Licenciados da Universidade Aberta: Percursos, Motivações e Aprendizagens em ambiente digital
Quem são os estudantes que escolhem o ensino superior a distância? De onde vêm? Porque escolhem uma universidade a distância? Como se caracterizam os per-cursos académicos daqueles que realizam licenciaturas nesta modalidade? Quais as dificuldades que enfrentam, as competências que desenvolvem e as relações que esta-belecem?Com o resultado de um inquérito aos diplomados da Universidade Aberta pretendemos responder a estas questões a partir de um conjunto de abordagens teóricas sobre educação a distância aberta e em rede que procuramos relacionar com a Aprendizagem ao Longo da Vida
As narrativas da indústria da interculturalidade (1991-2016): Desafios para a educação e as lutas anti-racistas
Neste artigo, argumento que foi constituído no contexto português das últimas décadas o que passo a designar por indústria da interculturalidade, que veicula um conjunto de concepções, diagnósticos e medidas relativas à diversidade que ajudam a legitimar certas intervenções políticas e perpetuam as desigualdades étnico-raciais na educação. Proponho analisar quatro narrativas do complexo discursivo “Portugal Intercultural” que considero fulcrais para compreender os debates contemporâneos sobre (multi)cultura na educação: 1) a narrativa que despolitiza o colonialismo para atestar uma vocação histórica para a interculturalidade; 2) a construção de Portugal como um país homogéneo subitamente tornado heterogéneo; 3) a sobre-ênfase do papel da imigração, projectando o país como europeu; 4) a relação causal entre mudanças demográficas e respostas políticas e institucionais, com vista à visibilização da diferença. Nesta análise, proponho que o sucesso da indústria da interculturalidade assenta no obscurecimento dos legados coloniais relativamente às construções sociopolíticas contemporâneas de raça, ilustrando os debates analisados no âmbito da educação
Como sobreviver numa sociedade mediatizada e digital? O caso de (i)literacia de pessoas Ciganas em Portugal
O objetivo deste artigo é refletir sobre o acesso, conhecimento e uso de ferramentas digitais por parte de pessoas ciganas em Portugal partindo do facto de que continuam a ser sinalizadas como as mais pobres, excluídas e marginalizadas socialmente (FRA, 2012); apresentam as mais altas taxas de analfabetismo, de abandono escolar precoce e insucesso escolar (Mendes, Magano & Candeias, 2014); têm baixas qualificações escolares e profissionais e são também as mais infoexcluídas (Castells, 2007).São usados dados provenientes de várias fontes (bibliografia nacional e internacional e resultados de alguns projetos de investigação recentes) e centramos o nosso foco nos desafios colocados às pessoas de origem cigana, às instituições educativas e à sociedade do conhecimento no sentido de questionar se as políticas públicas e práticas educativas têm sido capazes de reduzir o analfabetismo e promover o sucesso escolar e a literacia funcional.Sabemos que o analfabetismo e o abandono escolar precoce não permitem que esta população esteja preparada para fazer face aos desafios colocados por uma sociedade digital e digitalizada, devido ao somatório de handicaps em termos de aquisição de competências escolares e de literacia (em sentido clássico e também digital). No entanto, a nova geração de crianças e jovens ciganos mas também pessoas mais velhas revelam predisposição para uso de novas tecnologias e estar "em rede" , o que vai sendo incorporado na vida quotidiana, dos indivíduos e das famílias mas que é condicionado pela pouca escolaridade que impede o uso pleno e efetivo (Medinas, 2018)
O Conselho Municipal de Educação e a descentralização educativa
A opção pela descentralização do sistema educativo impõe-se cada vez mais como a realidade de muitos países europeus, que têm vindo a pensar e a adotar sistemas mais flexíveis e próximos da comunidade. Portugal não é exceção e tem desbravado caminho com a mesma intenção.Nas últimas décadas assiste-se à aposta no local, idealizado com capacidade de conceção e decisão autónoma, dentro dos limites da intervenção local definidos por lei. É neste âmbito que, com o Decreto-Lei n.º 7/2003, as estruturas locais de educação se tornam obrigatórias, com a designação de Conselho Municipal de Educação.A nossa investigação tem como finalidade compreender como é que o Conselho Municipal de Educação amplia a descentralização educativa, nomeadamente: conhecer as competências municipais ao nível da educação, analisar localmente o processo de descentralização educativa, compreender como é que o Conselho Municipal de Educação articula a sua ação com os vários parceiros locais e compreender a relação do Conselho Municipal de Educação com os Projetos Educativos das Escolas. Assume-se como um estudo de caso, no município de Óbidos.Termina-se realçando que a emergência do local não tem como consequência a aniquilação do poder do sistema central, nem lhe depositam as esperanças de resolução de todos os problemas que o poder central não consegue mais suportar. No entanto, não se pode ignorar que os agentes locais estão mais conscientes da realidade onde se inserem e, dessa forma, podem agilizar recursos no sentido de responder rápida e eficazmente às necessidades da população
ESTUDANTES EGRESSOS DA EJA NA UNIVERSIDADE: DIREITOS POSSÍVEIS?
A Educação de Jovens e Adultos, ainda com demanda substantiva na cidade de Porto Alegre, compõe possibilidade de acesso de seus egressos a cursos superiores? E, tendo acesso, quais são as condições objetivas dessa presença na universidade? Essas perguntas compõem a pesquisa realizada com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS), que busca conhecer diferentes aspectos das trajetórias escolares e estratégias de egressos e estudantes em processo de conclusão do nível médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) para acessar e/ou permanecer no campo universitário, com foco na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e na Pontifícia Universidade Católica (PUC/RS), ambas instituições de Educação Superior localizadas na capital do estado do Rio Grande do Sul- Porto Alegre. O referencial teórico baseia-se no Estruturalismo Construtivista de Pierre Bourdieu e outros autores do campo intelectual francês e brasileiro. Trata-se de uma visão relacional que prioriza a superação de dualismos tradicionais das ciências humanas e sociais (macro/micro, indivíduo/estrutura, sujeito/objeto), propõe a condição inseparável entre teoria e metodologia, sendo então privilegiado o trabalho com dados quantitativos e qualitativos. No presente trabalho, são apresentados resultados de entrevistas realizadas com estudantes, disposições de suas trajetórias que ora os aproximam, ora os afastam da conclusão do curso superior
POR QUE RAZÃO AS ESCOLAS (NÃO) APRENDEM? OS FATORES QUE ATIVAM E OS QUE OBSTACULIZAM A APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL
A Escola assume como missão primeira, estimular nos seus alunos a capacidade, o gosto e a curiosidade por aprender. Contudo, verifica-se que a escola, confrontada com a massificação do ensino, manifestou dificuldades em responder aos múltiplosdesafios da contemporaneidade. Por outro lado, não obstante o investimento da Administração Central, durante as últimas décadas, na produção de reformas que pretendem estimular a implementação de novas práticas nas escolas, existe vasta literatura evidenciando que, habitualmente, as escolas resistem à aprendizagem organizacional, o que nos leva a questionar a eficácia desta abordagem top-down e prescritiva. Para nós constitui um problema existirem no sistema educativo escolas que aprendem mais do que outras, porque consideramos que será um fator gerador de desigualdades no seio de um sistema educativo altamente centralizado. Para tal, definimos como questão de partida por que razão as escolas (não) aprendem? Considerando esta questão de investigação, este artigo pretende apresentar um projeto de investigação, ainda na sua fase inicial, que tem como propósito conhecer os fatores que ativam a aprendizagem organizacional e aqueles que a obstaculizam, produzindo conhecimento científico que possa configurar um contributo para que as escolas possam aprender, contribuindo para a aprendizagem e desenvolvimento integral dos alunos, desenvolvimento profissional e social dos professores e ascensão social das famílias. O artigo incidirá, portanto, na abordagem concetual na qual assenta a problemática de investigação.