Revista Linguagem em Foco
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UMA ANÁLISE SEMIOLINGUÍSTICA DO ENSINO DE LEITURA VEICULADO PELA REVISTA NOVA ESCOLA (2010-2012)
Nesse artigo tem-se como objetivo analisar a atuação da Revista Nova Escola no campo educacional. Através da teoria Semiolinguística proposta por Patrick Charaudeau, propõe-se uma reflexão acerca do discurso dirigido ao professor pela revista. Os periódicos educacionais possuem características que os assemelham a outros periódicos que compõem o gênero revista, porém devem permitir o desvelamento do discurso que articula as práticas e as teorias do sistema educacional. A Revista Nova Escola parece não se enquadrar no perfil de periódicos educacionais, por isso será analisado o contrato de comunicação midiático que Nova Escola instaura com o seu leitor e também serão elucidadas as concepções de leitura da revista nas reportagens analisadas. É utilizada uma abordagem qualitativa, com base em edições que compreendem os anos 2010, 2011 e 2012. A Revista Nova Escola, enquanto periódico educacional parece não corresponder à demanda dos professores por formação continuada, por apresentar características que a aproximam da cultura midiática e a afastamdo propósito pedagógico esperado pela instância de recepção
O JORNAL ESCOLAR DE OLHO NO CARVA: UMA EXPERIÊNCIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE ESCRITA
Este artigo analisa uma proposta de elaboração didática para a prática de produção textual escrita dos gêneros da esfera jornalística através do jornal escolar. Foi realizada uma pesquisa-ação colaborativa com a professora de Língua Portuguesa e 27 estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública de Florianópolis. A base teórica se insere nos estudos do Círculo de Bakhtin e na Linguística Aplicada no âmbito do ensino das práticas de linguagem mediadas pelos gêneros discursivos. Os dados gerados foram o processo de elaboração didática e as edições impressas do jornal escolar. Os resultados da análise apontam que os estudantes construíram os saberes requeridos para a compreensão/ produção textual dos gêneros editorial e notícia
O POVO TAMBÉM GOVERNA: UM ESTUDO DE CASO DO DISCURSO DE TOMADA DE POSSE DO EX-PRESIDENTE BRASILEIRO, LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA
O objetivo principal deste artigo é verificar/abordar alguns elementos linguístico-discursivos em alguns excertos do discurso de tomada de posse (doravante DTP) do ex-presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva, no ano de 2003, mais conhecido como Lula. É preciso entendermos, a priori, que o Discurso Político é, em sua essência enunciativa, uma forma de argumentar (cf. ADAM 2011, p., 122) com o intuito de persuadir o interlocutor. Deve-se, ainda, perceber que há uma separação propriamente dita entre língua e discurso, como ressalta (SAUSSURE 2002, p. 95 in ADAM, 2011, p. 29). O discurso, na realidade, demonstra uma coesão entre dois conceitos “revestidos de forma linguística” (ADAM, 2011, p. 30). Entendermos como se aplica a formação discursiva, num DTP, por exemplo, consiste em descortinarmos o que está nas entrelinhas, ou simplesmente o que, de forma estratégica, o ex-presidente Lula, como enunciador político, procura elaborar, através da língua, alguma forma de persuadir o enunciatário a uma determinada ideia. Neste estudo de caso específico, abordar-se-á, portanto, algumas estratégias de persuasão ao nível da Língua e ao nível Discursivo, que nos darão a real noção de como um político constitui, em seu enunciado, alguns lexemas afetivos, a responsabilidade enunciativa (RE), a forma como a figura política constituirá o seu ethos, tendo em conta o pathos – já estudados na Retórica clássica – e, finalmente, determinados enunciados que serão revelados ao seu enunciatário como este tem o dever de governar, abstraindo do enunciador a responsabilidade Institucional do Estado. É, portanto, legítimo salientar que o enunciador político, através de uma forma implícita, revelar-nos-á que o povo também governa
Pragmática & Comunicação
O propósito deste artigo é fazer uma reflexão em/sobre o conceito de “comunicação” e instaurar um debate com outras teorias em-torno da “metáfora reinante” mais difundida e celebrada no século XXI. O referencial teórico é o da Pragmática Linguística (RAJAGOPALAN, 2002, 2003; MEY, 1985, 1993) e a metodologiaempregada é basicamente analítica descritiva
VELHOS, NOVOS E MULTILETRAMENTOS: INTRODUZINDO CONCEITOS
O ensaio busca elucidar conceitos na área de estudos do letramento, situando o leitor quanto às novas práticas multimodais de escrita. Discute a problemática dos novos letramentos numa perspectiva plural e complementar aos letramentos impressos. Introduz conceitos afins e os contextualiza, apresentando definições para fins de ensino e pesquisa. Mostra como surgiu o termo multiletramentos com o New London Group e suas principais implicações educacionais
“A GALERA ENCOSTADA NA PAREDE COM A MÃO PRO ALTO E OS CARAS APLICANDO BALA DE BORRACHA” – A TENTATIVA DE RESISTÊNCIA À REPRESSÃO POLICIAL E AS CONSTRUÇÕES IDENTITÁRIAS DE UMA MANIFESTANTE DE JUNHO DE 2013
Este artigo investiga a relação entre as identidades que uma manifestante de junho de 2013, no Rio de Janeiro, reivindica para si e os episódios de violência policial ocorridos durante os protestos. Tais episódios se iniciaram após o aumento da tarifa de transporte. Compreendemos essas manifestações como parte dos movimentos que se espalharam pelo mundo a partir de 2011, tendo a crise da representatividade como importante motivação para a indignação (CASTELLS, 2013). Nos alinhamos à Análise de Narrativa (BASTOS 2005) e à metodologia qualitativa interpretativista de pesquisa (DENZIN e LINCOLN, 2000), com uma dimensão autoetnográfica (REED-DANAHAY, 2001). Os dados foram gerados em entrevistas com uma manifestante presente no período estudado. Partindo do modelo laboviano, identificamos as narrativas e os elementos que a manifestante torna relevante nas avaliações que faz. A análise foi orientada pela visão socioconstrucionista do discurso e das identidades (MOITA LOPES, 2003). Como resultado da análise, percebemos que a manifestante reivindica identidades que a projetam numa luz favorável, como uma ativista que faz parte da ‘galera da resistência’, porque resiste e permanece nas ruas apesar da repressão policial. Destacamos, também, o conjunto de ações complicadoras que colaboram para a sua construção como heroína, uma vez que ajudou várias pessoas a escapar da repressão policial. Partindo da noção de choque moral (JASPER, 1997), observamos que essas construções identitárias são marcadas por avaliações (LABOV, 1972) que expressam como essa manifestante entende que o choque produzido pela violência policial levou ao ‘esvaziamento das ruas’, quando os protestos já não reuniam multidões
Dilma Eleita pelos Nordestinos? Sobre a Circulação de Atos de Fala Violentos
Este artigo defende que a violência linguística tem um funcionamento particular. A injúria que atinge o sujeito funciona na história de sua própria exibição. Dito de outro modo, um ato de fala fere na medida em que circula e, assim, cita e incita condições injuriosas prévias e futuras. Observam-se aqui os modos em que nordestinos e nordestinas são feridos por modos de significar que circularam na mídia e em redes sociais por ocasião da eleição de Dilma Rousseff à presidência do Brasil. Conjuga-se assim um estudo textual da circulação da injúria com um dado de u
Políticas Linguísticas e o Curso de Licenciatura em Letras: um Estudo Inicial sobre o PEC-G
O objetivo deste trabalho é discutir a maneira como as políticas linguísticas são consideradas em contextos de formação de professores, abordando algumas questões sobre o modo como os estudantes inseridos no PEC-G (Programa de Estudantes Convênio de Graduação) são integrados à universidade pública e, de maneira mais detida, ao Curso de Licenciatura em Letras. Para tanto, observo o caso de uma universidade pública do interior do estado do Paraná, e de uma graduanda em Letras oriunda de Guiné-Bissau. Por esse viés, observo que práticas de linguagem, sociais e de ensino requerem reflexões constantes acerca da constituição das práticas linguísticas e dos modos de aquisição e disseminação de conhecimentos
METÁFORA E COGNIÇÃO: RESULTADO DE UM ESTUDO DE CASO
O texto literário usa de todas as modalidades da língua e de toda a criatividade do falante, o que lhe assegura a condição de ser o mais metafórico, o mais plástico dentre todos os textos: utópico e ideológico; sincrônico e diacrônico; poético e referencial; erudito e popular; acadêmico e experimental. Esta refinadíssima variação nos faz compreendê-lo e interpretá-lo como um laboratório de infinitos ensaios cujos conteúdo/forma remetem-nos à origem da palavra poesia (poíesis): criação e ao conceito aristotélico de língua como energeia: força em ação, vigor. Este ensaio, cujo aporte se inscreve no contexto desta compreensão do texto literário, apresenta o resultado de um estudo de caso sobre a compreensão da metáfora literária por adolescentes de 13 a 15 anos