Revista Linguagem em Foco
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    537 research outputs found

    MASHING GENRES UP, BREAKING THEM DOWN: LITERACY IN THE AGE OF COPY-AND-PASTE

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    O trabalho investiga as práticas de construir significados resultantes da ação de copiar e colar. Quando a representação é produzida através da remixagem, a coesão não é mais um dispositivo necessário para a coerência, enquanto os textos são caracterizados pela combinação modular de temas, vozes, modos e gêneros, juntamente com a intertextualidade aumentada, implicitude e as multicamadas de significados. Textos compostos modularmente são cada vez mais frequentes em todos os contextos, modos e gêneros, enquanto os que são estruturados linearmente parecem essencialmente confinados a alguns gêneros escritos acadêmicos e educacionais. Discutimos exemplos de produções de escrita acadêmica dos alunos que revelam a influência das práticas semióticas baseadas em remixagem. As conclusões deste trabalho oferecem insights sobre as implicações para o ensino / aprendizagem de gêneros escritos

    ARTE VISUAL, MULTIMODALIDADE E ACESSIBILIDADE: UMA PROPOSTA DE AUDIODESCRIÇÃO

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    Hoje, graças a alguns avanços tecnológicos, é possível conferir mais autonomia às pessoas com deficiências, as quais podem executar determinadas atividades diárias sem depender de terceiros. Uma nova técnica, denominada Audiodescrição, que em poucas palavras significa a tradução de imagens em palavras, preferentemente associada a uma mídia sonora, tem-se mostrado prática empoderadora, pois permite que pessoas com deficiência visual acompanhem programações verbo-visuais, ou sonoro-visuais em meios multisemióticos como cinema e televisão, com autonomia. Em países como Alemanha, Espanha, Japão, Estados Unidos e mais timidamente no Brasil, o uso da audiodescrição mostra seu potencial socialmente integrador. Entretanto, sua aplicação a textos não-verbais como pinturas, gravuras e desenhos apresentados em espaços museais ainda carece de implementação. A tradução de imagens em palavras (audiodescrição) é uma técnica tradutória que pode ser combinada a equipamentos simples, como um leitor de MP3, por exemplo, para suporte da audiodescrição oralizada. A tradução verbal de uma imagem, que em princípio pode ser realizada por qualquer vidente, é na realidade uma técnica tradutória que requer treinamento e conhecimento teórico, pois é um texto cuja finalidade atende a um público com necessidades específicas. Pensando na formação de audiodescritores, esta reflexão partiu da hipótese de que o modelo semiótico sistêmico-funcional que O´Toole (1995, 2011) adaptou para a linguagem não-verbal, a partir da teoria linguística de Halliday (1982), é ferramenta potencialmente útil para audiodescritores. Para demonstrar a aplicabilidade do modelo trifuncional da linguagem não-verbal, analisamos a pintura mundialmente conhecida, a obra Moça com brinco de pérola de Johannes Vermeer sob a taxonomia otooleana de Unidades e Metafunções, e elaboramos uma proposta de roteiro de audiodescriçação. Este trabalho concluiu que o modelo sistêmico-funcional pode ser poderosa ferramenta auxiliar aos audiodescritores e audiodescritores em formação

    MODELOS COGNITIVOS IDEALIZADOS E SUA INFLUÊNCIA NA TRADUÇÃO PARA AS LEGENDAS

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    Este artigo investiga a influência dos modelos cognitivos idealizados (MCIs) na escolha do tipo de linguagem utilizada na tradução de fraseologias e clichês de raiva (palavrões) em inglês para as legendas no português do Brasil. De acordo com Araújo (2004), o uso da linguagem formal é uma estratégia recorrente na tradução para legendas de filmes norte-americanos. Acredita-se que tal recurso seja motivado por questões intrínsecas à sociedade e cultura brasileiras e que, portanto, MCIs exercem um papel importante na sua motivação. Assim sendo, analisaram-se os MCIs subjacentes ao tipo de linguagem escolhida para esse tipo de tradução e investigou-se o impacto de traduções, com diferentes tipos de linguagem (formal e coloquial), em sujeitos habituados a assistir a filmes norte-americanos com legendas. Os dados revelaram que tanto legendas formais quanto legendas informais foram aceitas pelo público. Embora a análise não tenha sido conclusiva, atribui-se o resultado aos MCIs elaborados durante a pesquisa, segundo os quais a linguagem formal se identifica com a escrita e a informalidade e os palavrões com o público adolescente

    DO BANCO DOS RÉUS À CARNAVALIZAÇÃO: UMA REFLEXÃO SOBRE O USO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO BRASILEIRO DO ENSINO DE LÍNGUAS

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    Ainda que não sejam mais “novas”, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) como ferramentas de ensino e aprendizagem no contexto educacional continuam no centro de um debate não exaustivo que reconhece sua importância, ao tempo em que contesta seu uso indiscriminado. No centro desse debate, diferentes papéis são atribuídos aos principais agentes do sistema educacional, aqui representados pelo governo, as escolas, os professores e os alunos. Este artigo tem como objetivo apresentar uma reflexão crítica sobre o desempenho desses agentes e sua (possível) relação com o gargalo que impede um uso efetivo e produtivo daquelas tecnologias no ensino de línguas. Como suporte teórico, apoiamo-nos nas ideias de Leffa (2011), Coscarelli e Ribeiro (2011), Moran (2000), entre outros, para refletirmos sobre dados coletados a partir de relatos de experiências de professores e dados estatísticos coletados em pesquisas anteriores e, em relação a esses últimos, do site do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Como conclusão prévia, apontamos a necessidade de capacitações para professores e alunos que os habilitem ao uso efetivo das tecnologias no processo de ensino e aprendizagem

    RELAÇÕES ENTRE A LINGUAGEM FORMAL JAPONESA (KEIGO - 敬語) E A CULTURA

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    Este artigo tem como objetivo discutir a relação entre a cultura e o uso da linguagem honorífica japonesa, keigo (敬語) e entre esta e os conceitos bakhtinianos de dialogismo, polifonia e alteridade constitutiva. Tem-se aqui o pressuposto de que a linguagem é social, sendo os discursos produtos das relações sociais. É através da linguagem que se pode compreender e significar o mundo e as coisas. No caso da cultura japonesa, esta é marcada por tradições e delimitações hierárquicas, o que pode ser observado de forma clara também no uso de seu idioma oficial. O japonês se destaca da maioria dos idiomas, não apenas por possuir alfabetos diferenciados, mas por seu sistema léxico gramatical ter diferentes graus de cortesia, utilizados conforme o nível de hierarquia e intimidade entre os que estão se comunicando. Além disso, a questão do pensamento sempre voltado para o outro, característico na cultura japonesa, também se faz presente no uso da língua, em uma relação de alteridade. Conclui-se que o uso do keigo (敬語) demonstra em sua utilização como a cultura e as relações sociais estão presentes na linguagem, na maneira como as pessoas a utilizam e para quem a destinam

    INTEGRAÇÃO CONCEPTUAL E MULTIMODALIDADE: ANÁLISE DE UMA CAPA DE REVISTA

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    Este artigo tem como objetivo analisar a Integração Conceptual Multimodal, a partir da consideração de recursos verbo-visuais presentes numa capa da revista brasileira "Superinteressante", revista mensal do domínio discursivo jornalístico. Baseamo-nos teoricamente na teoria dos Modelos Cognitivos Idealizados metafóricos, bem como na Teoria da Integração Conceptual, inicialmente proposta por Fauconnier e Turner (2002) e posteriormente desenvolvida por Dancynger e Sweetser (2014). Analisamos, então, o processo de Integração Conceptual resultante do mapeamento metafórico na capa da revista “Superinteressante”, a partir dos espaços de entrada pictórico e verbal. Conforme demonstrado em nossas análises, a integração desses espaços resulta num espaço emergente, em que a interpretação da manchete, aliada às imagens, apresenta-se metaforicamente relacionada a esquemas básicos advindos da experiência corpórea, a partir das metáforas a mente é um corpo e a mente é um contêiner

    GESTOS DE APONTAR E DÊIXIS: O DÊITICO “AQUI” EM DADOS MULTIMODAIS

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    O objetivo deste artigo é analisar comparativamente ocorrências mais e menos prototípicas dos Gestos de Apontar coocorrentes com o dêitico “aqui” em dados multimodais. Foram selecionadas 3 (três) ocorrências do dêitico “aqui”.  A ocorrência 1 está abrigada no Distributed Little Red Hen Lab; a ocorrência 2 foi coletada da Palestra TEDx “Felicidade é aqui e agora”; e a ocorrência 3 foi realizada por Lula em um dos vídeos do “Depoimento de Lula a Moro”. Para tanto, do ponto de vista teórico, recorremos aos estudos sobre Dêixis, ancorando-nos, principalmente, no conceito de Modelos Cognitivos Idealizados (LAKOFF, 1987) e de MCI da dêixis (MARMARIDOU, 2000). Posteriormente, discutimos a respeito dos Gestos de Apontar e dos Modos de Representação Gestual (KENDON, 2004); (CLARK, 2003); (GOODWIN, 2003) e (MÜLLER, 2013). E, por fim, discutimos a relação desses gestos com a dêixis. Do ponto de vista metodológico, desenvolvemos nossas análises baseando-nos no Sistema Linguístico de Notação Gestual (LASG) (BRESSEM et al., 2013) e nas Orientações para a Análise de Metáforas nos Gestos (MIG-G) (CIENKI, 2017). Os resultados demostraram que o Gesto de Apontar com Dedo Indicador Estendido para Baixo (PDPIF) foi predominante. Foi possível observar este gesto nas ocorrências mais prototípicas, menos prototípicas, e, também, em ocorrências categorizadas como “intermediárias”. Por fim, com as ocorrências menos prototípicas, estabelecemos uma relação explícita entre gestos e fala, e, como resultado, descrevemos as metáforas multimodais que emergiram

    “EU NÃO SEI LER”: UM ESTUDO SOBRE CRENÇAS AUTOEXCLUDENTES, PRÁTICAS DE LEITURA LITERÁRIA E COMPREENSÃO LEITORA

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    Essa pesquisa tem como objetivo principal formular propostas didáticas que auxiliem no processo do letramento literário e que promovam melhoria no desenvolvimento da compreensão leitora de jovens da periferia de Fortaleza. Realizamos uma pesquisa-ação com uma turma de uma escola pública da prefeitura de Fortaleza, totalizando 30h/a de intervenção com uma sequência didática de leitura literária (COSSON, 2011). Durante a nossa pesquisa analisamos possíveis mudanças no sistema de crenças (BARCELOS, 2011) de alunos do 6º ano quanto à sua inclusão na comunidade de leitores após um trabalho sistemático de práticas de leitura literária e avaliamos uma melhora no desempenho leitor desses alunos. Após os estudos teóricos, iniciamos a fase prática da pesquisa: aplicação de um questionário sociocultural e perfil leitor e de um préteste de compreensão leitora, elaboração de sequências didáticas com textos literários, realização de sequências didáticas de práticas de leitura literária, reaplicação dos questionários e do teste de compreensão leitora, análise e comparação dos dados encontrados. Os resultados dessa pesquisa mostraram uma significativa melhora nos níveis de compreensão leitora da turma. Porém, percebemos que, mesmo que essa melhora não possa ser vista com grande destaque se formos analisar individualmente cada participante, de um modo geral, a turma apresentou bons avanços, levando em consideração o curto período de tempo e de horas/aula dedicadas à inovação didática introduzida em nossa pesquisa

    A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE PORTUGUÊS COMO LÍNGUA ADICIONAL: CRENÇAS, DIFICULDADES E POSSIBILIDADES

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    Este artigo situa-se na contemporaneidade das ações de internacionalização da educação nacional, tendo como foco a formação de professores para atuarem em aulas de português como língua adicional, em uma universidade pública brasileira. Para tanto, o texto apresenta a cartografia da formação pedagógica, alicerçada aos princípios norteadores da Linguística Aplicada Crítica, de dois sujeitos, professores em formação. A metodologia contou com a aplicação de um questionário, que investigou o processo de formação pedagógica baseado nas crenças, dificuldades e possibilidades, e a análise dos dados referenciou autores da Linguística e da Formação de Professores, como NÓVOA (1997) e BARCELOS (2006), entre outros. Em síntese, foi possível perceber que há o envolvimento das crenças, pautadas na formação e experiências docentes anteriores ao PLA, para a construção da formação atual. Em termos de dificuldades, os sujeitos revelaram que as semelhanças entre o espanhol e o português podem ser um obstáculo para o melhor desenvolvimento das aulas e, consequentemente, aprendizagem dos estudantes. Como possibilidades, os sujeitos evidenciaram a necessidade de oferta de disciplinas na graduação e pós-graduação que contemplassem essa formação adicional

    “A VOZ RESISTE, A FALA INSISTE”: O ETHOS VOCAL EM CANÇÕES DO PESSOAL DO CEARÁ

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    Este trabalho analisa o ethos no investimento vocal de quatro gravações da canção “A palo seco” (Belchior; 1974; 1976; Fagner, 1974; Ednardo, 1975), a fim de investigarmos se as constatações de Costa (2001; 2011) a respeito do ethos áspero do Pessoal do Ceará também se confirmam nessa dimensão. Utilizamos o aporte da Análise do Discurso, delineada por Maingueneau, e a aplicação que Costa faz dessa teoria ao discurso literomusical. Observamos um hipertimbre agudo/metálico nas vozes de Ednardo e de Fagner e uma hipernasalidade na voz de Belchior, que tornam evidente uma ausência de equilíbrio nos fatores de ressonância. No entanto, o esforço físico que tais qualidades vocais aparentam pode ser visto como uma transgressão, o que denota, para essa dimensão do investimento vocal, um tom polêmico, quando comparada a outros surgidos no campo discursivo literomusical brasileiro. Como esse tom não se separa de um caráter, tais qualidades vocais contribuem para que o ouvinte elabore para o fiador um ethos questionador e agressivo, semelhante àquele já constatado por Costa no plano verbal das canções. Tal ethos vocal participa, desse modo, da composição de diversos temas e de tons das canções

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