Revista Linguagem em Foco
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LINGUAGEM, DOR E AGÊNCIA: A GRAMÁTICA DESCOLONIAL DOS TRABALHADORES RURAIS SEM TERRA
Neste artigo, procuro mostrar como o caráter complexo e seletivo da violência é enfrentando pelos movimentos sociais campesinos através do trabalho terapêutico da linguagem. Partindo do pressuposto de que a violência, marcada por dinâmicas de poder colonizador, atinge preferencialmente as comunidades subalternas situadas no lado oprimido da diferença colonial, decidi investigar as práticas políticas e culturais de ressignificação da violência pelo movimento campesino brasileiro, através de uma pesquisa-ação realizada em um assentamento rural do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra- MST, situado em uma cidade interiorana do Nordeste do Brasil. Minha preocupação central será discutir a linguagem da dor e do sofrimento na cosmologia subalterna camponesa latino-americana como um modo de agência contra apropriação/violência do sistema capitalista colonizador
A RECURSIVIDADE COMO PROPRIEDADE ÚNICA E UNIVERSAL DA FACULDADE DA LINGUAGEM
A noção de recursividade há muito tem desempenhado um papel importante no desenvolvimento do campo da Linguística, mais especificamente na abordagem Gerativa em virtude da sua estreita relação com a sintaxe. Ao mesmo tempo, o conceito de recursividade é uma questão polêmica e tem sido motivo de grande debate na literatura recente (CHOMSKY, HAUSER e FITCH, 2002; PINKER & JACKENDOFF, 2005, entre outros). Não havendo um consenso sobre a sua definição, especula-se que o componente sintático recursivo seja único à linguagem humana e, principalmente, questionase a sua universalidade. Dessa forma, este artigo procura iluminar as questões problemáticas apresentadas acima, partindo de um panorama dos vários desdobramentos que o conceito apresenta no que diz respeito a seu tratamento na Linguística Cognitiva e culminando com as reivindicações relativamente recentes sobre a centralidade da recursividade no contexto da Biolinguística
MARCAS DA ENUNCIAÇÃO NO GÊNERO NOTÍCIA
Este trabalho aborda o processo enunciativo em textos escritos destinados a crianças. Tem como objetivo identificar as marcas da enunciação que acarretam a subjetividade da linguagem. Para isso, são analisados os mecanismos de embreagem e debreagem actancial, responsáveis pela produção de efeitos de sentido de proximidade entre os interlocutores. Procura-se também demonstrar que expressões linguísticas, típicas da oralidade, são utilizadas intencionalmente pelo enunciador na tentativa de persuadir seu enunciatário
ENTRE O HISPANISMO E O LATINISMO: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS NO DISCURSO DE HISPÂNICOS NA WEB 2.0
Este trabalho centra sua base teórica nos Estudos Críticos do Discurso, em interface com a Teoria das Representações Sociais, e objetiva analisar práticas discursivas reais resultado de interações virtuais nas comunidades temáticas da extinta rede de relacionamentos Orkut, popular no mundo todo notadamente até 2011, através do exame das estratégias de textualização e das marcas de enunciação que, como eventos indiciários, evidenciam as representações sociais que hispânicos manifestam em seu discurso, na tentativa de representar e entender o Outro, em um jogo complexo de linguagem, deixando emergir em seu discurso questões de identidade e de alteridade. Na análise dos dados, examinanos as Estruturas Ideológicas do Discurso (VAN DIJK, 1998) pelas quais se expressam as representações sociais dos sujeitos enfocados sobre os sujeitos com quem interagem, no caso desta pesquisa, os brasileiros. Os resultados mostram que há uma tendência do assentamento da identidade hispânica pelos hispânicos espanhois, o que não se constata de modo direto entre os hispânicos latino-americanos, como se vê nas postagens analisadas, quando estes sujeitos se reportam ao ser brasileiro e ao ser latino-americano
COMO SE TRADUZ METÁFORA? UMA ANÁLISE COM BASE NA TEORIA DA METÁFORA CONCEITUAL
Este trabalho é uma aproximação entre os estudos da linguagem figurada na Linguística Cognitiva e os estudos de tradução. Apresentamos uma análise de duas traduções para o português do conto inglês “A Scandal in Bohemia”, de Arthur Conan Doyle. Buscamos investigar como os tradutores agem diante de metáforas e verificar a possível presença de mapeamentos metafóricos nas escolhas feitas pelos tradutores. Nos estudos que lidam com tradução dentro da Linguística Cognitiva, existe certo consenso de que o desafio da tradução está nos casos em que as línguas utilizam domínios conceituais diferentes para expressar ideias parecidas. Com isso em mente, selecionamos expressões dos textos com base no MIPVU, método para a identificação de metáforas linguísticas, e conduzimos a análise. Nossa investigação sugere que as metáforas, primárias na sua grande maioria, foram frequentemente traduzidas por equivalentes literais, sugerindo que as metáforas primárias também tendem a apresentar problemas para a tradução, diferentemente do que se entende na literatura. Nesses casos, percebemos que este problema pode ser explicado por diferenças entre as línguas nas elaborações linguísticas dessas metáforas. Com isso, concluímos que o potencial para a universalidade não isenta metáforas primárias de serem desafios para a tradução
UMA ABORDAGEM CULTURAL DAS METAFORAS ANIMAIS: A RELAÇÃO ENTRE TEORIA SOCIOBIOLÓGICA E O GÊNERO DA EXPRESSÃO CONVENCIONAL ‘CABRA’
Este artigo aborda a relação entre teorias biológicas acerca da natureza humana e as metáforas animais. Para tanto, promove-se discussão acerca da expressão convencional ‘cabra’, especialmente a sua variação de gênero, tendo em vista que tal expressão é usada, sobretudo, no Nordeste do Brasil, para se referir a animal de gênero feminino e a homem. Nessa perspectiva, analisam-se, à luz dos postulados da Teoria da Metáfora Conceptual, em especial Goatly (2007), dados levantados a partir das definições dos primeiros dicionários gerais de língua portuguesa (BLUTEAU, 1712; SILVA, 1823) e contemporâneos (HOUAISS, 2008; FERREIRA, 2010), além de definições de dicionários etimológicos (MACHADO, 1952). Observa-se a forte influencia da teoria sociobiológica estruturando o conceito de tal expressão bem como a sua variação de gênero
ANÁLISE LINGUÍSTICA E OBJETOS DIGITAIS DE APRENDIZAGEM
Este artigo objetiva apresentar discussões sobre o ensino de análise linguística a partir de Objetos Digitais de Aprendizagem (ODA). Os dados analisados fazem parte de uma pesquisa maior de doutorado (em andamento) desenvolvida no Programa Pós-graduação em Linguística Aplicada da Universidade Estadual de Campinas. Com base nos pressupostos da Linguística Aplicada e em discussões sobre análise linguística, letramento digital e objetos de aprendizagem, objetivamos analisar, com base na abordagem qualitativo-interpretativista, uma atividade digital de análise linguística do Portal Pedagógico da Editora Abril, intitulada Complementos: objeto direto, objeto indireto e complemento nominal, no que diz respeito ao trabalho com a análise linguística e ao desenvolvimento de multiletramentos e novos letramentos. Os resultados mostram que do ponto de vista de um ensino “inovador” esse objeto digital para análise linguística está muito próximo do trabalho desenvolvido por alguns livros didáticos que, de forma ainda isolada, tratam as unidades linguísticas de maneira descontextualizada, não se aproximando de reflexões sobre o uso e operações discursivas no ensino com a análise linguística. Quanto à questão da multimodalidade digital, há grande ênfase nesse aspecto, uma vez que as imagens em movimento, os sons, apito, cronometro e aplausos demarcam muito bem uma situação de jogo de basquete, contudo há pouca interatividade proporcionada pela narrativa em questão. Não há, portanto, novos letramentos, mas apenas multiletramentos (multimodalidade) em função da mídia eletrônica que agrega mais de uma linguagem/semiose