Revista Linguagem em Foco
Not a member yet
537 research outputs found
Sort by
Traduzir é mesmo manipular?
Sintonizada com o ideário pós-estruturalista, pressuponho que a fidelidade total é impossível e por isso deve ser criticada. Entretanto proponho revermos o rumo que muitos acabaram por imprimir à ideia de tradução como transformação, radicalizando a como manipulação. Questiono se o entendimento da tradução como uma escrita criativa ou manipuladora não é igualmente insatisfatório, uma vez que aloca a tradução em um campo de produção textual que foge ao seu campo próprio, provocando efeitos nefastos como o acirramento do desprestígio da tradução junto ao público leitor, situação contra a qual vêm lutando os mesmos proponentes da tradução como manipulação
TECNOFOBIA, ECOFEMINISMO: UM PROTESTO VELADO EM “VERDE, VERDE…” DE JOSÉ FERNANDES
Na segunda metade do séc. XX o Brasil não possuía condições básicas de vida para a maioria da população, resultando em cidades com crescimento desordenado e um sentimento de incredulidade nas políticas progressistas do Estado. Somando-se a tal situação, inicia-se na década de 60 a Ditadura Militar, que almejava o desenvolvimento do país através das inovaçõestecnológicas, favorecendo a industrialização das grandes cidades. A rigidez da censura e o temor provocado pelo militarismo levaram escritores a camuflar suas opiniões, criando um protesto velado. Por ser um gênero desvalorizado e marginalizado no Brasil, a Ficção Científica (FC) serviu de palco para a expressão da insatisfação popular. Embora a Ditadura objetivasse o desenvolvimento tecnológico, havia um sentimento na população de que a tecnologia agravava a divisão social (GINWAY, 2005) e contribuía para uma exploração desenfreada de recursos naturais, trazendo mais malefícios que benefícios - resultando em uma visão negativa dos avanços tecnológicos (a tecnofobia). Como forma de oposição, muitas obras de FC das décadas de 60 a 90 passaram a defender a natureza, além de destacarem o papel da mulher como fecunda e protetora, associando-a a um cenário naturalista. A presente pesquisa objetiva analisar o conto “Verde, Verde...” de José Fernandes (1990), focando no discurso de rejeição à Ditadura Militar bem como nos elementos ligados ao natural/nacional e como isto colaborou para o “protesto velado” dos escritores de FC. Para tanto, utiliza-se como base teórica M. Elizabeth Ginway (2005), Isaac Asimov (2005) e Maria Helena Moreira Alves (2005)
TRADUTORES E TRADUÇÕES JURAMENTADAS:: UM SOBREVOO PELO BRASIL.
Neste trabalho abordamos alguns aspectos relativos ao exercício da profissão de tradutor juramentado no Brasil. Mais especificamente, apresentamos alguns resultados obtidos em nossa pesquisa sobre os idiomas nos quais os tradutores juramentados estão habilitados e sobre a distribuição geográfica desses profissionais nas diferentes Unidades da Federaçã
METÁFORAS CONCEPTUAIS EM GÊNEROS CONVENCIONAIS E EMERGENTES
O uso de metáforas é visto por muitos como, apenas, um recurso estilístico encontrado nos gêneros literários, mas esse uso extrapola esses domínios, visto que aparecem em diversosgêneros da fala e da escrita. Por essa razão, este trabalho se propõe a fazer uma discussão, baseado na teoria de Lakoff; Johnson (1980), sobre Metáforas Conceptuais, e Fauconnier e Turner (2002) sobre a teoria de Integração Conceptual, demonstrando em outros gêneros escritos, como essas metáforas são construídas. Através da análise de um corpus de sete balõezinhos e dois poemas, observamos como se apresentam as metáforas conceptuais e a construção mental presente nelas. Ou seja, verificamos que em ambos os gêneros há uso de metáfora conceptual com o propósito de construir os sentidos do texto
O SUJEITO NA LINGUAGEM: ASPECTOS TEXTUAIS-DISCURSIVOS NA CONSTITUIÇÃO E LEITURA DO GÊNERO DO DISCURSO RECEITA MÉDICA
Neste estudo, parte-se de uma concepção de linguagem como forma de interação, em que o sujeito constrói-se na e pelas práticas e ações sociais com a linguagem, assumindo papeis de negociação de sentidos nos diálogos com seus interlocutores. Para perceber esse fenômeno, objetiva-se analisar o gênero do discurso receita médica, um elo que reitera a comunicação entre médico e pacientes, buscando perceber aspectos textuais-discursivos, a partir da forma como os pacientes leem esse gênero ao saírem da consulta médica. Do ponto de vista metodológico, constitui-se de um estudo de abordagem qualitativa e dialógica, realizado por meio de pesquisa bibliográfica, com base nas leituras de Bakhtin (2009 [1929] / 2011 [1979]), Bronckart (2008/2012), Guimarães (2010), Koch (2012), Marcuschi (2006/2010), entre outros; e pesquisa de campo, visto que se utiliza, como corpus para análise, uma entrevista com um paciente, coletada em uma Unidade Básica de Saúde, na cidade de Nazária (PI), localizada a 26 km da capital, Teresina (PI). Na leitura que o paciente em análise faz da receita, percebe-se a identificação de aspectos textuais-discursivos e a realização de inferências. Ele indica o tamanho, a legibilidade e a localização da letra no espaço da receita, bem como estabelece analogias, associações e aproximações entre as informações escritas na receita e seus conhecimentos de mundo e contextos de vida e que o ajudam na compreensão, possibilitando, desse modo, que ele construa significação sobre o mundo com e através da linguagem, em consciência de si e do outro, discursivamente
A INTERTEXTUALIDADE EM CEM ANOS DE SOLIDÃO, DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ
O objetivo deste estudo é mostrar as marcas da intertextualidade mítica presentes em Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez, escritor colombiano que narra a saga da família Buendía-Iguarán. A fim de alcançar nosso objetivo, lançamos mão do seguinte suporte teórico voltado à discussão da intertextualidade a partir da contribuição de Koch (2004; 2007), Melo (2010), Fairclough (2001), entre outros teóricos que se fizeram necessários. Assim, partimos do seguinte questionamento: Quais as marcas de intertextualidade presentes em Cem anos de solidão? Os resultados obtidos mostraram que a obra produzida por García Márquez está eivada de intertextualidade oriunda das narrativas do mito cosmogônico, lendas e paródias
LINGUAGENS, IDENTIDADES E GRUPOS AFROCULTURAIS DE MINAS GERAIS: A PROBLEMÁTICA DA NOMEAÇÃO
Este trabalho visa apresentar resultados obtidos no estudo de caso do Trovão das Minas, grupo musical de Belo Horizonte que estuda grupos tradicionais de cultura negra, principalmente o Maracatu Nação Estrela Brilhante do Recife - PE. Tivemos como objetivo estabelecer relações entre a linguagem e a identidade deste grupo, assumindo a hipótese de que seus processos de auto-nomeação estão relacionados com os processos de pertença, empoderamento ou rejeição da identidade cultural negra e sujeitas às discussões que permeiam o que é ser branco/a e negro/a em nosso país
DISCURSO E FORMAÇÃO IDENTITÁRIA NEGRA NA ESCOLA
O presente artigo aborda a formação identitária de estudantes e professores(as) negros(as) no âmbito dos processos formativos na escola básica. Trata-se de um estudo realizado em uma escola pública estadual de educação básica, no município de Limoeiro do Norte-Ceará. O diálogo com os campos da Sociologia, da Linguística Aplicada, da Antropologia e da Educação nos forneceu fundamentos conceituais e metodológicos para analisarmos como a escola dialoga com a diversidade cultural, em especial a cultura negra, e sua importância na formação da identidade negra. Os discursos elaborados pelos estudantes e pelos(as) professoras(es) negras(os) sobre suas experiências e a relação com a pratica pedagógica da escola apresentam dados extensivos a uma realidade educacional mais ampla, comum às populações pobres e negras. As narrativas revelam significados que indicam como o termo “preconceito de cor” traduz o preconceito racial e social construído contra a população negra, que, associada genericamente à condição de inferioridade, é segregada pelos costumes e pela cultura. A escola como instituição é responsável por reproduzir valores e ideologias hegemônicas. Contraditoriamente, é na apropriação dos conhecimentos veiculados na escola que se fortalece a resistência e a luta consciente pelo ensino da cultura africana, um desafio para educadores(as) e sujeitos sociais empenhados na luta pelo fim dos preconceitos raciais e na construção da emancipação social
ENTREVISTA COM NILMA LINO GOMES (UFMG)
A questão racial é uma temática relevante que vem sendo investigada tanto na área das Ciências Sociais como também nos campos dos estudos linguísticos e linguístico aplicados. Esta entrevista visa discutir a relação linguagem e raça, partindo do pressuposto de que fazemos coisas com a linguagem, e que a linguagem também é aquilo que fazemos dela (BUTLER, 1999). A entrevistada, professora Nilma Lino Gomes, pesquisa a questão racial desde 1991; assim, seu vasto conhecimento e profunda experiência no assunto podem nos ajudar a compreender a complexidade e a importância da linguagem na naturalização e na manutenção do racismo e dos discursos sobre raça e gênero
NACIONALISMO E EDUCAÇÃO: IDEOLOGIAS
Neste trabalho, objetivamos apresentar discussões sobre a conjectura dos ideais nacionalistas, evidenciados por meio de discursos diversos e práticas discursivas e ideológicas situadas, dispostos em textos relativos à educação no Brasil, e o contraste com o novo cenário educacional brasileiro com relação à adoção do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), pelo Ministério da Educação e Cultura do Brasil (MEC), como processo seletivo unificado das universidades federais brasileiras. Pautaremos a discussão em torno da polissemia dos termos “nacionalismo”, “educação” e “ideologia” a partir dos pressupostos teóricos de John Dewey (1959) e Anísio Teixeira (1969), na tentativa de aclarar o quanto tais conceitos se relacionam mutuamente, gerando significados muito particulares nas relações sociais e nas representações que elas engendram. A partir de uma visada histórica, apresentamos ainda, um painel evolutivo-contrastivo de tais conceitos e suas implicações, ao longo dos anos, para as questões políticas, sociais e ideológicas brasileiras, perpassando relações e representações sociais advindas destas. Em conclusão, problematizaremos alguns pontos relativos à triangulação educação-nacionalismo-ideologias com relação ao ENEM e o impacto da adoção desse exame no sistema de educação básica brasileiro. Nosso objetivo com isso é caracterizar o cenário político e social em torno às discussões contemporâneas sobre a adoção e configuração de tal exame com fins a contextualizar uma análise introdutória com base em categorias expressas por Dijk (2009), em Abreu (2010), através de discussão de exemplos de textos compilados em corpora específico, a partir de trechos reais retirados de reportagens, com temática relacionada à questão sobre a qual nos debruçamos