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Entre a França e o Brasil, relação e violência, na poesia e na tradução
Diante da perspectiva sempre crescente, em nosso mundo entrecortado por fronteiras, de encontros e choques entre os corpos e as línguas que multiplicam e embaralham em toda parte seus rastros e resíduos, como constituir lugares comuns de vida e de pensamento que extrapolem o enquadramento de um território ou de uma língua como espaços cercados, como espaços de clausura, lugares de vida e de pensamento que se ponham, assim, como limiares de passagem, ou de partilha, mais ou menos precários, por vezes violentos, mas onde, ainda que provisoriamente, “nós”, pronome pessoal, e “nós”, substantivo comum, possam se enodar, se desnodar, se reenodar? Como, em suma, constituir espaços de relação? Para discutir como essas questões se desenvolvem em minhas pesquisas entre a poesia e a tradução, entre a França e o Brasil, começarei com uma breve apresentação da relação entre poesia e língua materna sob o ponto de vista do poeta francês contemporâneo Christian Prigent; posteriormente, destacarei alguns aspectos das reflexões teóricas de Édouard Glissant, Jean-Christophe Bailly e Marielle Macé, pontuando-as com a leitura de alguns poemas de escritores brasileiros contemporâneos. Concluirei com um pequeno exemplo de tradução de poesia reunindo os poetas Augusto dos Anjos e Christian Prigent
A escrita como desenho de palavras: imagem e tradução nos Mitopoemas Yãnomam
O livro Mitopoemas Yãnomam, publicado em 1978, tomou como ponto de partida o trabalho de Claudia Andujar e Carlo Zacquini, apresentando desenhos realizados por três yanomami que, em seguida, contaram histórias relacionadas à cosmologia de seu povo. Essas narrativas foram primeiramente traduzidas de forma literal em português, depois passaram por uma adaptação literária e foram traduzidas também para o italiano e o inglês. Tal proposta editorial mobiliza conexões imprevistas e desestabilizações de sentido, tanto na cultura de partida quanto na de chegada. Este artigo tem como objetivo investigar a atualidade desse projeto que aposta na “fusão de palavra oral e desenho”, lançando-nos a outro regime de pensamento. A tradução, nesse sentido, funciona como dispositivo crítico que nos permite adentrar a cultura yanomami, percebida em sua complexidade, ao mesmo tempo em que desestabiliza a própria noção de poesia, tal como ela é entendida, via de regra, nos termos da literatura ocidental
O poema em tradução: uma forma singular de vida. Apresentação do volume 27, n.1, de Alea. Estudos Neolatinos
Editoria
Hegemonia Financeira na Era Digital: estudo de caso sobre o grupo empresarial XP no Brasil
Como agentes do mercado financeiro constroem hegemonia na Era Digital? Para responder esta questão, analisa-se a trajetória de constituição, a ecologia organizacional e os modos de ação política do Grupo Financeiro Transnacional XP (GFT-XP) no Brasil entre 2001 e 2018. Argumenta-se que o GFT-XP opera como um aparato de disseminação de ordens simbólicas neoliberais de forma segmentada para diferentes públicos através das plataformas digitais. O artigo se divide em três seções. Primeiro, apresenta-se o processo histórico de ascensão da empresa XP Investimentos da periferia ao núcleo da haute finance brasileira. Segundo, descreve-se o perfil das elites controladoras, a divisão de trabalho entre as organizações constituintes do grupo e os elementos semióticos e extra semióticos que conectam os interesses particulares das elites controladoras com as operações cotidianas dos Agentes Autônomos de Investimento (AAI). Por fim, descrevem-se três modos de ação política empregados por agentes vinculados ao GFT-XP
Desenvolvimento e desigualdades regionais: uma análise a partir da população brasileira adulta com educação superior completa
Neste artigo, considerando as recentes políticas de expansão e interiorização da educação superior no país, analisamos a desigualdade regional no acesso ao diploma de graduação na população adulta (25 anos ou mais) no Brasil na década de 2010. Buscamos responder em que medida a expansão das oportunidades na educação superior foi capaz de estreitar as disparidades inter e intrarregionais no acesso a um diploma. Com base nos dados da PNAD Contínua, descrevemos as desigualdades de sexo, raça/cor, renda domiciliar per capita e área do domicílio (capital e interior) entre as grandes regiões de 2012 a 2019. Os resultados indicam um processo de intensificação das disparidades no acesso a um diploma de graduação, sobretudo por renda domiciliar e área do domicílio, o que representa não apenas um desafio para políticas de expansão deste nível de ensino, como para políticas de desenvolvimento regional
A gestão de recursos hídricos baseada na abordagem dos serviços ecossistêmicos
O uso além da capacidade de reposição/recuperação da natureza resulta em escassez, o que compromete não só o funcionamento do ecossistema, mas também das atividades desenvolvidas pela sociedade. Assim, é necessário propor modelos de gestão ambiental que sejam capazes de coibir a sobreutilização dos recursos naturais. No caso da água, vários modelos de gestão foram criados ao longo do século XX. Neste contexto, o objetivo é apresentar e discutir a evolução dos modelos e instrumentos de gestão dos recursos hídricos e a adoção da cobrança pela água a partir dos pressupostos básicos da Economia Ecológica, da abordagem baseada em serviços ecossistêmicos e em experiências na gestão de bacias hidrográficas. O estudo foi desenvolvido com base em informações secundárias, pesquisa bibliográfica e documental. Frente aos objetivos em comum da abordagem de SEs e da gestão integrada dos recursos hídricos e os resultados positivos obtidos em programas que adotaram os SEs como foco de suas políticas, sugere-se que esta conexão pode trazer grandes benefícios socioeconômicos e ambientais para diferentes regiões
Da dimensão ambiental cepalina à sociedade de risco: Avanços, fronteiras e perspectivas em Curitiba-PR
A pesquisa analisa como as recentes políticas ambientais desenvolvidas pelas redes de cidades ecológicas dialogam na antecipação e/ou redução dos riscos ambientais, tendo por referência as orientações da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL). O lócus foi a cidade de Curitiba-PR, representada pela Secretaria de Meio Ambiente (SMMA), questionou-se como representam a noção de risco antecipado frente a emergência climática, a qual atrela-se numa sociedade de risco mundial, bem como se utilizam e incorporam das orientações cepalinas na perspectiva ambiental. Os resultados demonstram a preocupação econômica e social em compreender e tratar das mudanças climáticas, promovendo estratégicas para o crescimento e pela promoção da igualdade a questão que lhe é presente: neste caso pensar na emergência climática e sociedades de risco mundial
Género y políticas de cuidado infantil en México: el caso del Programa de Estancias Infantiles para Apoyar a Madres Trabajadoras y/o Padres Solos (2007)
A partir de una metodología cualitativa de análisis de literatura secundaria, este articulo analiza las características de género del Programa de Estancias Infantiles para Apoyar a Madres Trabajadoras y/o Padres Solos (PEI) puesto en marcha en México en 2007. Se hace la pregunta si sus características de género son de “desengenerización” (de-degendering) o de “re-engenerización” (re-gendering) (Orloff 2017) promoviendo o no la desfamilización (ORLOFF, 1996) o “desmaternalización” (Mathieu 2016) del cuidado infantil. Se argumenta que, si el PEI tiene características de desengenerización por la promoción de la corresponsabilidad del cuidado infantil con el Estado permitiendo a las mujeres trabajar, otras características son de “re-engenerización”. La “desmaternalización” es limitada porque el servicio solo está disponible para las madres trabajadoras. Además, la baja calidad de los servicios y su cobertura limitada a las trabajadoras de bajos recursos reproducen la estratificación del régimen de bienestar basado en la dualización del mercado laboral mexicano
A “explosão de auditoria” e o Tribunal de Contas da União
O protagonismo que o Tribunal de Contas da União alcançou na esfera pública nos anos recentes no Brasil vem despertando questionamentos sobre o seu dimensionamento, tido por alguns como excessivo ou até mesmo com efeitos paralisantes em relação à administração. Órgão de controle sui generis no cenário internacional pela amplitude de suas atribuições, seria o desenho institucional do TCU expressão apenas de um fortalecimento buro- crático decorrente da Constituição de 1988 ou mais um exemplo do debatido fenômeno da “explosão de auditoria”? O presente artigo buscará responder a essa questão a partir da construção de indicadores tendo como base a literatura internacional e obje- tivando adaptá-los à realidade brasileira. Ao final, após uma análise conjunta dos achados, se discutirá como o diagnóstico do caso brasileiro converge com o internacional, ainda que com idiossincrasias e especificidades