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FERNANDO PESSOA: A DECISÃO SOBRE O SENTIDO DO SER
No presente ensaio procuramos abordar a dimensão crítica da obra pessoana em relação à tradição metafísica ocidental. Esta se instituiu a partir de uma decisão sobre o sentido do ser, que veio a se converter em tradição. Cada máscara que compõe a obra de Fernando Pessoa igualmente assume sua própria decisão sobre a questão do sentido do ser. Assim o fazendo, elas terminam por teatralizar a tradição metafísica, em perceptível movimento de desconstrução
A linguagem e o indizível em Nietzsche
As considerações de Nietzsche em torno da linguagem passam antes por considerações sobre a consciência. Esta, segundo ele, nasceu sob o signo da necessidade de comunicação. O animal-homem precisava do auxílio de outro animal-homem para que pudesse ter suas necessidades e medos atendidos. Nesse sentido, ele precisava exprimir o que lhe faltava, o que ele sentia e o que ele pensava; para isso, fez-se necessário ter consciência do que lhe faltava, do que ele sentia e do que ele pensava, podendo assim ser compreendido pelos demais
A oposição sertão/cidade do ponto de vista do retirante de Morte e vida severina
Neste ano de comemorações dos 50 anos de Morte e vida severina , este artigo propõe uma visita ao texto concentrada na identificação das diferenças que Severino repara no trânsito sertão/Recife bem como na visão que ele tem da cidade e de seu futuro ali. Em primeiro lugar, faz-se uma revisão do contexto de produção e do modo de construção da obra. Em seguida, pela ótica de Severino, comenta-se a reforma agrária e as modernizações frustradas por que passa o Nordeste
As águas de mnemósine em A procura dos motivos de Oswaldo França Júnior
Oswaldo França, ao realçar a presença da água, elemento feminino, em À procura dos motivos, revela estar sendo fiel a um sentimento humano primitivo, a uma realidade orgânica primordial, a um temperamento onírico fundamental, visto ser a água não apenas um ornamento de suas paisagens ou uma “substância” de devaneio de Carmem, personagem memorialista por excelência, porque se percebe que, sob as imagens superficiais da água, existem imagens mais profundas, abrindo-se, sob a imaginação das formas, a imaginação das substâncias e reconhecendo também a imaginação material da água como “um tipo particular de imaginação”
BORIS GODUNOV : TEMPOS TURBULENTOS NO PASSADO E A AURORA DOS TEMPOS MODERNOS
Na obra Boris Godunov , de Pushkin o tema inicia-se após a morte do tsar Ivan IV, o Terrível, primeiro tsar russo em 1584, passando o trono para seu filho Fiodor, rapaz frágil e despreparado para governar. Alguns anos depois, em 1591 o outro filho de Ivan, Dmitri, oriundo de seu sétimo casamento é assassinado e a suspeita recai sobre Godunov, então conselheiro do reino, que teria o caminho facilitado caso tivesse apenas que disputar o trono com o já doente Fiodor. Sem surpresas, em 1598, Fiodor morre e Boris Godunov, cunhado de Ivan, assume o trono russo depois de uma pressão popular. Em 1603, o jovem plebeu Gregory se intera da misteriosa morte do herdeiro Dmitri, que tinha aparentemente a sua mesma idade, e resolve assumir a identidade do jovem assassinado. Munido de uma audácia despreocupada e cinismo, Gregory resolve clamar pelo trono russo como se fosse o filho pródigo. Evidentemente, os boyards Shuiski e Pushkin, então aliados de Godunov, vêem no jovem a grande oportunidade de desestabilizar e enfraquecer o reinado vigente que já submetia o povo a uma situação miserável
Um corpo estranho
Para essa etapa do presente trabalho, foi essencial percebermos a utopia do resgate -- acreditar na possibilidade de dizer de maneira idêntica o referente -- que governa a linguagem instrumentalizada. Como também, foi importante notarmos a consciência do poeta a respeito dessa falência e o seu esforço na estruturação incomum da linguagem poética, a fim de superar a deficiência de dizer singularmente as coisas. Na etapa seguinte, está proposta uma leitura da poética de Manoel de Barros pelas coisas inúteis e sem valor. Por gozar de um estado de repouso, as inutilidades podem ser transformadas em qualquer coisa, estando sempre a nos surpreender. Então, tal como as coisas sem préstimo (cacos, detritos, trapos, restos) quando re-combinadas, as palavras, ao perderem a funcionalidade, podem manifestar o devir que ocorre no mundo
ROSA / HEIDEGGER: QUESTÕES / APROXIMAÇÕES
Neste trabalho observaremos as aproximações no que diz respeito ao pensar as questões, existentes entre o pensador Martin Heidegger e o autor / leitor / escritor / pensador Guimarães Rosa, em sua obra Grande Sertão:Veredas, escutando, auscutando e dia-logando as questões, tais como, Ser e Não-Ser, bem e mal, a travessia humana e literária, a Linguagem -- na Linguagem e pela Linguagem