Revista Portuguesa de Cirurgia
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CIRURGIA METABÓLICA EM DOENTES COM DIABETES TIPO 2. FICÇÃO OU OPÇÃO TERAPÊUTICA?
A diabetes tipo 2 tem uma elevada prevalência a nível mundial e está associada à inatividade física e ao excesso de peso. Em doentes obesos, a redução de peso através de cirurgia bariátrica tem-se revelado mais eficaz no controlo do metabolismo glicídico que abordagens conservadoras. Por outro lado, o reconhecimento do papel das hormonas digestivas no controlo glicémico e na homeostase energética conduziu a uma nova visão dos mecanismos subjacentes à cirurgia bariátrica que, no contexto da sua eficácia no controlo de comorbilidades, também tem sido apelidada de cirurgia metabólica. Após a cirurgia, observa-se um aumento pós-prandial das hormonas com efeitos anorético e incretina, bem como a supressão de hormonas orexigénicas. Estudos experimentais em modelos não-obesos de diabetes tipo 2 demonstraram efeitos pós-cirúrgicos semelhantes, aparentemente independentes da perda de peso. Pequenas séries iniciais, utilizando técnicas estandardizadas em doentes portadores de diabetes tipo 2 com um índice de massa corporal <35 kg/m2, demonstraram resultados favoráveis. Novas técnicas cirúrgicas derivadas da experimentação animal que incluem a transposição de um segmento ileal para o tubo digestivo próxima,l demonstraram resultados promissores em estudos que incluíam doentes diabéticos tipo 2 anteriormente considerados sem indicação cirúrgica. Sociedades científicas da área médica e da área cirúrgica têm vindo a modificar as suas orientações terapêuticas no sentido de considerar a opção cirúrgica num grupo cada vez mais alargado de doentes
VARICOSE VEINS SURGERY OF LOWER LIMBS CAN WE PRESERVE GREAT SAPHENOUS VEIN?
Introdução: A avaliação por eco-Doppler mostrou a grande veia safena como uma veia interfascial e não superficial. O Eco-Doppler mostrou também veias varicosas com junção safeno femoral competente, bem como veias varicosas que envolvem somente veias colaterais ou veias colaterais mais segmentos da grande veia safena. Consequentemente foram definidos dois padrões principais de refluxo venoso: o refluxo axial com envolvimento contínuo da grande veia safena, desde a junção safenofemoral ao maléolo e o refluxo segmentar com envolvimento de segmentos da grande veia safena e/ou veias colaterais, mas sem continuidade entre si. O padrão de refluxo segmentar divide-se em 3 subtipos: no subtipo 1 estão apenas envolvidos ramos superficiais, no subtipo 2 estão envolvidos ramos superficiais mais segmentos da grande veia safena e no subtipo 3 verifica-se refluxo ao nível da junção safenofemoral e de veias colaterais da coxa.Objetivo: Podemos preservar a grande veia safena tratando veias varicosas com um padrão de refluxo segmentar?Metodologia: Foram operados 54 doentes com padrão de refluxo segmentar com preservação da grande veia safena. O seguimento clínico considerou o alívio sintomático e cosmético e a não recorrência de varizes, avaliando a cirurgia como satisfatória. O seguimento por Eco-Doppler classificou o refluxo em: ausência de refluxo, persistência de refluxo ou progressão de refluxo. O tempo médio de seguimento foi de 12,1 meses.Resultados. Resultados clínicos: 98.5% avaliou a cirurgia como satisfatória. Resultados do Eco-Doppler: 58% com ausência de refluxo, 42% com persistência de refluxo e 1 caso com progressão do refluxo.Conclusão: Os resultados do nosso estudo, clínicos e avaliação por Eco-Doppler, sustentam a preservação da grande veia safena.A resposta à nossa questão se podemos preservar a grande veia safena é um sim terminante.Os nossos achados sustentam também o conceito de que as veias varicosas são um processo local e multifocal com início em qualquer segmento de veia e não um processo descendente com início na junção safenofemoral. Os ramos varicosos superficiais aparentam ter um papel principal neste processo e não o tronco da veia safena, como considerado previamente
Hérnia de Amyand
Introdução: A presença do apêndice vermiforme (com ou sem reacção inflamatória) no interior do saco de uma hérnia inguinal é chamada hérnia de Amyand, e é uma ocorrência rara. A sua apresentação clínica não difere das manifestações de qualquer outra hérnia inguinal, complicada ou não, sendo que o diagnóstico é feito intraoperatoriamente, já que a abordagem cirúrgica para correcção da hérnia inguinal não é alterada por esta situação clínica. Caso Clínico: Apresentamos o caso de um doente do sexo masculino, 68 anos, internado electivamente por hérnia inguinal bilateral para ser submetido a reparação cirúrgica. O exame físico revelava hérnia inguinal bilateral redutível, sem sinais inflamatórios. Durante a intervenção cirúrgica verificou-se a presença do apêndice vermiforme não inflamado no interior do saco herniário indirecto à direita, compatível com o diagnóstico de hérnia de Amyand. Procedeu-se a apendicectomia e hernioplastia segundo Rutkow e Robbins. O doente teve alta sem complicações ao terceiro dia de pós-operatório.Conclusão: A hérnia de Amyand é uma patologia rara, em que existe herniação do apêndice vermiforme através da parede abdominal da região inguinal. O diagnóstico é realizado intraoperatoriamente, visto que a abordagem para o seu tratamento é semelhante à de qualquer outra hérnia inguinal. A decisão acerca da apendicectomia na presença de um apêndice saudável é ainda controversa
Aneurismas Venosos Superficiais - Casuística, casos clínicos e revisão da literatura
Os aneurismas venosos são uma entidade patológica pouco frequente, embora a sua deteção possa vir a aumentar como consequência da crescente utilização do ecodoppler como meio complementar de diagnóstico. Podem apresentar-se, clinicamente, como massas dos tecidos moles, ocasionalmente simulando hérnia ou adenopatia da região inguinal, particularmente os que surgem no sistema venoso superficial dos membros inferiores. Estão descritos na literatura casos de aneurismas venosos superficiais associados a tromboembolismo pulmonar. Considerando a potencial morbimortalidade, a abordagem terapêutica é cirúrgica na maioria dos casos. Os autores apresentam a sua casuística de aneurismas venosos superficiais num período de 20 anos, três casos clínicos mais exemplificativos e fazem uma revisão da literatura
Avaliação da performance cirúrgica pelo P-POSSUM em doentes com cancro gástrico – revisão de 5 anos.
Introdução: A cirurgia assume um papel relevante como procedimento curativo ou paliativo no carcinoma gástrico, sendo alvo de níveis de exigência que devem ser avaliados em auditorias cirúrgicas. A morbilidade e mortalidade pós-operatórias são consideradas representativas da actividade e qualidade cirúrgicas, tornando fundamental a avaliação pré-operatória do risco de um dado procedimento. O POSSUM (Physiological and Operative Severity Score for enumeration of Mortality and Morbidity) e a sua equação modificada Portsmouth POSSUM (P- POSSUM) são modelos de avaliação e previsão do risco cirúrgico. Para efeitos de monitorização de desempenho, o ratio entre a morbimortalidade efectiva e a prevista pelo POSSUM reveste-se de grande utilidade, ao identificar alterações substanciais nos resultados e permitir planear e implementar abordagens terapêuticas mais eficazes.Objectivo: Avaliar os resultados cirúrgicos de doentes com adenocarcinoma gástrico operados na nossa instituição a partir da comparação da morbilidade e mortalidade observadas no pós-operatório com o risco previsto pelo P-POSSUM.Material e Métodos: Revisão retrospectiva dos casos de 81 doentes com adenocarcinoma gástrico operados entre Janeiro de 2008 e Dezembro de 2012 no Hospital do Divino Espírito Santo. Foram recolhidos dados relativos à apresentação clínica, diagnóstico e estadiamento do tumor, bem como procedimentos realizados e complicações até aos 30 dias de pós-operatório. O P-POSSUM foi usado para estimar o número de eventos de morbilidade e mortalidade previstos em 4 categorias de risco.Resultados: Observaram-se 5 casos de mortalidade (6,2%) e 27 doentes com complicações pós-operatórias (33,3%). O P-POSSUM estimou a ocorrência de mortalidade em 10 casos (12,4%) e de morbilidade em 51 doentes (63%). O ratio observado/esperado é de 0,5 para ambas as variáveis, o que reflecte um resultado superior ao previsto. O P-POSSUM previu o dobro da mortalidade verificada e sobrestimou as complicações pós-operatórias sobretudo nos grupos de maior risco.Conclusões: Comparando o que era previsto pelo P-POSSUM com a apresentação dos valores absolutos de morbilidade e mortalidade, verifica-se que os resultados foram globalmente melhores que o estimado. O P-POSSUM é um instrumento adequado para estratificação do risco de desenvolvimento de complicações pós-operatórias e apesar das suas limitações intrínsecas, é inegável o interesse que pode ter na optimização pré-operatória de recursos, bem como na avaliação de resultados para aplicação em auditorias cirúrgicas
Doença de Paget Perianal: A propósito de um caso clínico
Introdução: A Doença de Paget Extramamária é uma entidade rara. Afecta sobretudo áreas que contêm glândulas apócrinas, como a região perianal (DPPA), vulva, ânus, escroto e axila. Caso Clínico: Doente do sexo masculino, 53 anos que recorreu à consulta por rectorragias. Ao toque rectal definia-se lesão na face póstero-lateral esquerda do recto, dura e friável. Realizou rectosigmoidoscopia que revelou a presença de uma lesão polilobulada com cerca de 4cm de maior diâmetro localizada a 2 cm da margem anal. Nessa mesma sessão foi realizada resseção endoscópica da lesão. O exame anátomo-patológico revelou adenocarcinoma bem diferenciado enxertado num adenoma tubulo-viloso. Após estadiamento da doença com Ecografia endo-anal, TAC toraco-abdomino, RMN pélvica e marcadores tumorais (CEA e ca 19.9), foi classificada como cT1N0M0 em função do resultado anátomo-patológico. O doente foi submetido a uma ressecção submucosa transanal para alargamento das margens. Durante esse procedimento foi identificada outra lesão, papilomatosa, da margem anal, que foi também excisada. A histologia da peça demostrou margens livres de lesão e uma papila hipertrófica com Doença de Paget extramamária com células em anel de sinete, CK 20 +++ CK7 +. Discussão: O diagnóstico final é feito pela histologia e estudo imunohistoquímico. A Doença de Paget pode ser classificada como primária (CK7 + CK 20- GCDFP +) ou secundária (CK7 – CK 20 + GCDFP –). Habitualmente é um tumor primário (CK7+/CK20-) mas em alguns casos pode ser uma projecção “pagetóide” de um adenocarcinoma colo-rectal (CK7-/CK20+). Conclusão: A DPPA é frequentemente diagnosticada tardiamente pela inespecificidade dos seus sintomas. O tratamento de eleição é a excisão cirúrgica. É fundamental determinar a presença de outras neoplasias concomitantes, de forma a proceder ao tratamento mais adequado, o que se traduz num melhor prognóstico. O follow-up é fundamental para detectar atempadamente as recidivas ou novas neoplasias associadas
Peritonite Granulomatosa Causada Por Fibras Vegetais Imitando Carcinomatose Peritoneal – Caso Clínico
A carcinomatose peritoneal é a doença peritoneal difusa mais comum, mas existe uma grande variedade de processos patológicos que a podem imitar. A peritonite granulomatosa, de causa infecciosa ou não-infecciosa, pode apresentar um aspecto macroscópico semelhante, pelo que o diagnóstico definitivo só pode ser estabelecido através do exame anatomopatológico. Os autores apresentam um caso clínico em que o estudo histológico constituiu igualmente um desafio diagnóstico