Revista Portuguesa de Cirurgia
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Obesidade: impacto no Carcinoma Colorretal
Introduction: The increasing prevalence of obesity is a serious public health problem which is associated with an increased risk of many diseases that result in great morbidity and mortality. Some cancers seem to be among these, one of these being colorectal carcinoma (CRC). The aim of this study is to evaluate the impact of obesity as a risk factor for CRC and to discuss the mechanisms that may establish a link between this cancer and obesity. Methods: A research was conducted in PubMed database, limited to ten years, with the articles considered to be relevant being selected after reading the title and abstract. Results: There is a statistically significant positive association between CRC and obesity, with the risk being higher for males and for colon compared with the rectum, for most studies. In spite of body mass index (BMI) being the most widely used measure for obesity estimation in studies in the CRC area, it was found an increased risk of this neoplasm when using measurements of visceral obesity, such as waist circumference or waist-hip ratio, compared to BMI, reflecting the importance of body fat distribution in this association. The most inconsistent results were observed for the risk of rectal cancer in females. In what concerns the association comparing between proximal and distal colon and the effect of a weight change during adulthood in the risk of colon carcinoma, the evidence is still limited and discordant. Conclusions: Although the mechanisms that underlie the observed association between obesity and CRC are not yet fully understood, some hypothesis have been proposed, focusing primarily on metabolic and hormonal activity of visceral adiposity. This study highlights the importance of obesity as a risk factor for CRC, reinforcing the importance of the weight control and the avoidance of excess body fat accumulation. New research approaches may become more relevant in the future and may help to clarify some issues for which the evidence is still limited.Introdução: A prevalência crescente de obesidade constitui um grave problema de saúde pública, associando-se a um aumento do risco de inúmeras patologias que resultam em morbi-mortalidade significativa. Entre estas parecem estar diversas neoplasias, como o carcinoma colorretal (CCR). O objetivo deste trabalho consiste em avaliar o impacto da obesidade como fator de risco para CCR e discutir os mecanismos que podem estabelecer uma ligação entre esta neoplasia e a obesidade. Métodos: Foi efetuada uma pesquisa bibliográfica na base de dados PubMed, limitada a dez anos, com inclusão dos artigos considerados relevantes após leitura do título e resumo. Resultados: Existe uma associação positiva estatisticamente significativa entre o CCR e a obesidade, sendo o risco associado mais forte para o género masculino e para o cólon comparativamente ao reto, na maioria dos estudos. Apesar do índice de massa corporal (IMC) ser a medida mais usada para estimativa de obesidade nos estudos na área do CCR, foi verificado um risco maior desta neoplasia ao serem utilizadas medidas de obesidade visceral, como o perímetro de cintura (PC) ou a razão cintura anca (RCA), comparativamente com o IMC, refletindo a importância da distribuição da gordura corporal nesta associação. Os resultados mais inconsistentes foram verificados para o risco de carcinoma do reto no género feminino. Relativamente à associação comparando entre cólon proximal e distal e ao efeito de uma variação ponderal na vida adulta no risco de carcinoma do cólon, a evidência é ainda limitada e discordante. Conclusões: Apesar de ainda não se compreender totalmente os mecanismos que estão subjacentes à associação verificada entre a obesidade e o CCR, têm sido propostas algumas hipóteses, que se focam essencialmente na atividade metabólica e hormonal da adiposidade visceral. Este trabalho alerta para a importância da obesidade como fator de risco para CCR, reforçando a importância do controlo do peso corporal e da acumulação de gordura corporal em excesso. Novas vias de investigação podem ganhar relevância no futuro e esclarecer algumas questões para as quais a evidência é ainda limitada
O “Curriculum Vitae” em Cirurgia
É exposta a estrutura dum curriculo profissional em cirurgia, para concursos e exame final de internato, tal como o autor a entende, depois de muitas vezes ter integrado e presidido a júris e avaliado curriculos
Carcinoma Medular da Tiroide – perspetiva após as guidelines de 2015 da ATA
Medullary thyroid carcinoma (MTC) is a rare neuroendocrine tumor (1-2% of thyroid cancers) derived from the thyroid C cells producing calcitonin. Most MTC (75%) are sporadic, however, there are hereditary forms (25%) that are part of the multiple endocrine neoplasia syndrome type 2, type 2A and 2B. All the patients with these syndromes have a germline mutation of the RET proto-oncogene and about 50% of the patients with sporadic form have somatic mutations of the same gene. Early diagnosis and treatment are essential. The gold standard for CMT diagnosis of a suspicious thyroid nodule is the fine needle aspiration biopsy (FNAB), along with the measurement of serum calcitonin. Genetic testing, with screening for mutations of the RET gene, should be performed to all patients. The only curative treatment of CMT is total thyroidectomy with resection of the required cervical ganglion compartments. In patients with residual, recurrent or metastatic disease, the most appropriate treatment is still less clear, because most patients have indolent courses with slow progression for several years. Thereby, in most cases the prognosis is relatively good, and distant metastases are the main cause of death. Recently, two tyrosine kinase inhibitors, vandetanib and cabozantinib, have been approved for the treatment of progressive and symptomatic CMT and there are already several other inhibitors in clinical trials. These agents are static inhibitors of the disease, having no lytic or destructive action. For this reason, further studies are needed to understand the molecular basis of MTC and consequently find new systemic therapies that permanently treat metastatic disease. This review outlines advances in the etiopathogenesis, clinical presentation, diagnosis, staging, genetic testing and fundamentally the treatment of CMT, in light of the most recent evidence.O Carcinoma medular da tiroide (CMT) é um tumor neuroendócrino raro (1-2% de todos os tumores da tiroide), que surge a partir de células C, produtoras de calcitonina. A sua grande maioria (75%) corresponde a formas esporádicas, no entanto, existem também formas hereditárias (25%) que fazem parte da síndrome de neoplasia endócrina múltipla do tipo 2, tipo 2A e 2B. Todos os doentes com estas síndromes apresentam uma mutação germinativa do proto-oncogene RET e cerca de 50% dos doentes com CMT esporádico, mutações somáticas deste mesmo gene. O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais. O gold standard para diagnóstico de CMT é a biópsia aspirativa com agulha fina (BAAF) de um nódulo tiroideu suspeito, juntamente com o doseamento sérico de calcitonina. O teste genético, com pesquisa de mutações do gene RET, deve ser realizado a todos os doentes. O único tratamento curativo do CMT é a tiroidectomia total com esvaziamento dos compartimentos ganglionares cervicais necessários. O tratamento mais indicado em doentes com doença residual, recorrente ou metastática ainda está por esclarecer, uma vez que a maioria dos doentes tem uma baixa progressão da doença durante vários anos. Assim, prognóstico é na maior parte das vezes relativamente bom, sendo que a principal causa de morte é a metastização à distância. Recentemente, foram aprovados dois inibidores da tirosinacinase, o vandetanib e o cabozantinib, para o tratamento de CMT agressivo e sintomático e existem já vários outros inibidores em ensaios clínicos. Estes agentes são inibidores estáticos da doença, não tendo ação lítica ou destrutiva. Por essa razão, são necessários mais estudos no sentido de compreender as vias celulares implicadas na etiopatogenia desta doença e consequentemente encontrar nova terapêuticas sistémicas dirigidas no sentido de tratar definitivamente a doença metastática. O objetivo deste artigo de revisão é abordar a etiopatogenia, a apresentação clínica, o diagnóstico, o estadiamento, os testes genéticos e fundamentalmente o tratamento do CMT, tendo em conta as evidências mais recentes
Esplenectomia parcial em contexto de trauma abdominal
The spleen is the most commonly injured intra-abdominal organ in blunt trauma1. The diagnosis of splenic trauma can be delayed because 40% of patients can be asymptomatic in the initial evaluation. We present two cases of a 32 and 39-year-old women with a Grade IV splenic lesion for a blunt abdominal trauma. A partial splenectomy was performed in both cases.O baço é o órgão intra-abdominal mais frequentemente afetado em contexto de trauma fechado1. O diagnóstico clínico de traumatismo esplénico pode ser difícil, uma vez que 40% dos doentes podem não apresentar qualquer sinal ou sintoma na avaliação inicial. No presente artigo são apresentados dois casos de duas doentes do sexo feminino, 32 e 39 anos de idade, com lesão esplénica grau IV no contexto de traumatismo abdominal contuso cuja opção terapêutica foi a esplenectomia parcial
Síndrome de Wilkie – a propósito de um caso clínico
A síndrome de Wilkie é uma causa rara de obstrução duodenal e resulta da compressão da terceira porção do duodeno entre a artéria mesentérica superior e a aorta. É apresentado o caso de uma mulher de 50 anos de idade, com sintomatologia inespecífica de enfartamento pós-prandial e perda ponderal com cerca de nove meses de evolução. Após exclusão de outras patologias é diagnosticada síndrome de Wilkie. A propósito deste caso é revisto resumidamente o estudo diagnóstico e opções terapêuticas incluindo a descrição da abordagem usada nomeadamente duodenojejunostomia via laparoscópica assistida por robótica
Excisão Completa do Mesocólon - Revisão da literatura
Desde a descrição da Excisão Total do Mesorreto (TME), a taxa de recidiva local da neoplasia do recto desceu de 20 a 40% para cerca de 10%(1,2). É neste contexto, que Hohenberger descreve em 2008 a Excisão Completa do Mesocólon (Complete Mesocolic Excision, CME)(3). Trata-se de uma técnica cirúrgica mais radical, tendo como base teórica e conceptual os mesmos princípios descritos por Heald para a TME. Com a CME estão descritas taxa de recidiva locorregional de 3,6% e sobrevida global aos 5 anos de 89%, resultados substancialmente melhores que os relatados na literatura utilizando a técnica convencional. Foi efetuada uma revisão da literatura com o termo “Complete Mesocolic Excision”, utilizando a base de dados pubMed, sem restrição temporal. Analisamos 52 artigos, quanto a questões referentes à técnica e anatomia cirúrgica, complicações da técnica, avaliação morfológica do espécime cirúrgico; resultados oncológicos medidos como recidiva e sobrevida global, reprodutibilidade da cirurgia e seus resultados noutros centros e na abordagem laparoscópica. A CME é uma técnica promissora, estandardizada, com resultados oncológicos superiores, sem maior taxa de complicações cirúrgicas