Revista Portuguesa de Cirurgia
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    Abordagem Terapêutica da Carcinomatose Peritoneal em doentes com Carcinoma Colorretal

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    Peritoneal carcinomatosis is an advanced stage of colorectal cancer, with poor prognosis, that has been regarded as an untreatable condition, suitable only for palliative treatment. Over the last decades new treatment options have emerged; cytoreductive surgery in combination with intraperitoneal chemotherapy has increasingly gain acceptance as a treatment for patients with colorectal peritoneal carcinomatosis. Recent clinical studies have suggested that this new approach could result in long-term survival in selected patients. The emerging trend is to regard peritoneal carcinomatosis as a regional metastatic disease, suitable to locoregional treatment. However a successful outcome depends on an appropriate selection of patients: patients with limited peritoneal disease, where complete cytoreduction is achieved have a greater benefit with this new therapeutic strategy. This review sumarizes indications, technical aspects, limitations, outcomes and challenges of this new approach in the treatment of colorectal peritoneal carcinomatosis.A carcinomatose peritoneal (CP) é uma fase avançada da evolução do carcinoma colorretal que está associada a um mau prognóstico. A CP era compreendida como uma doença incurável, o tratamento consistia numa abordagem meramente paliativa. Durante as últimas décadas sugiram novas opções terapêuticas; a cirurgia citorredutora combinada com a quimioterapia intraperitoneal foi proposta como possibilidade terapêutica em doentes com carcinomatose peritoneal com origem no carcinoma colorretal (CCR). Estudos recentes defendem que esta nova abordagem pode promover um aumento da sobrevida em doentes selecionados. O conceito consiste em interpretar a CP como uma metastização regional da doença, suscetível a tratamento locorregional. Contudo, o resultado obtido depende da seleção adequada dos doentes submetidos a esta abordagem terapêutica: doentes com doença peritoneal limitada em que se verifica uma citorredução completa, apresentam benefício. Nesta revisão serão discutidas as indicações, os aspetos técnicos, as limitações, os resultados obtidos e os desafios desta nova abordagem terapêutica nos doentes com carcinomatose peritoneal com origem no CCR

    Gastrectomia Vertical Laparoscópica – Estudo Retrospetivo de 250 Casos

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    Introduction: Vertical calibrated gastrectomy, usually know as “gastric sleeve” (SG) by laparoscopy, is a promising technique for the surgical treatment of obesity. In this study, we present the results of our surgical center with this surgical procedure, compared them with other published studies and analyzed its impact on weight loss evolution. Material and methods: Observational retrospective  study of 250 SG. Surgeries were included independently of being primary SG or redo surgery. The weight evolution data was analyzed only in patients submitted to SG as a primary bariatric procedure. Results: We found a mean operative time of 119 minutes, conversion to laparotomy in 2,0% of patients. Global 30-days morbidity of 15,6%, mostly minor complications (10,8%). Two surgical-related deaths (0,8%). The readmission rate was 9,2% and the reintervention rate was 5,6%. An anastomotic leak occurred in 2,8% of the patients. Mean pre-operative BMI was 44,6kg/m2 and the percentage of excess weight loss at one and two years after surgery was 78,5% and 81,5% respectively. Discussion: The results presented in this study are similar to those published in other case series when it comes to mean age, complications and laparotomy conversion rates. The observed weight loss was sustained throughout the follow-up period and was similar to that observed in other studies of both gastric sleeve and gastric by-pass. Conclusion: The results of this study support the validity of the use of gastric sleeve in the surgical treatment of morbid obesity as a good technical option.Introdução: A gastrectomia vertical calibrada, vulgarmente conhecida como “sleeve gástrico“ (SG) por laparoscopia é atualmente uma cirurgia promissora do arsenal do tratamento cirúrgico da obesidade. Com este trabalho apresentamos os resultados da nossa experiência com esta técnica cirúrgica, comparamos com os estudos publicados e avaliamos o impacto do SG na evolução ponderal. Material e métodos: Estudo observacional retrospetivo de 250 SG. Foram incluídos todos os SG independentemente de serem cirurgia primária ou de revisional Os dados da evolução ponderal foram recolhidos apenas nos doentes submetidos a SG como procedimento primário. Resultados: Tempo cirurgia médio de 119 minutos, com conversão para laparotomia em 2,0% dos doentes. Morbilidade global aos 30 dias de 15,6%, sendo na sua maioria complicações minor (10,8%). Ocorreram duas mortes (0,8%) relacionadas com a cirurgia. A taxa de reinternamento foi de 9,2% e de reintervenção de 5,6%. Ocorreram deiscências em 2,8% dos doentes. Os doentes apresentavam um IMC pré-operatório médio de 44,6kg/m2 sendo a percentagem de excesso de peso perdido ao fim de um ano após a cirurgia de 78,5% e de 81,5% ao fim de dois anos. Discussão: Os resultados apresentados neste estudo vão de encontro ao publicado noutras séries relativamente à média de idades, complicações e taxa de conversão para laparotomia. A perda de peso objetivada foi crescente e sustentada ao longo do seguimento, sendo similar ao descrito noutros estudos para o SG e by-pass gástrico. Conclusão: Os resultados obtidos neste estudo documentam a validade dos resultados a curto prazo do uso do SG laparoscópico no tratamento cirúrgico da obesidade mórbida

    Ficha Técnica

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    Hérnia pulmonar intercostal encarcerada em contexto de trauma toraco-abdominal. Relato de caso e revisão da literatura

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    Intercostal lung hernia is an uncommon entity, mostly resulting from violent chest trauma. In this report, a case of a patient with a post-traumatic incarcerated pulmonary herniation is presented, and we also describe a brief literature review on this subject. This case is about a polytraumatized patient, whose chest trauma caused a lung hernia. Urgent surgical intervention, which was imposed by cardio-respiratory instability, involved a thoracic and abdominal approach, therefore allowing repair of both pulmonary and intra-abdominal lesions.As hérnias pulmonares intercostais são entidades raras e na grande maioria decorrentes de um trauma torácico violento. O objetivo deste trabalho prende-se com a apresentação do caso de uma hérnia pulmonar intercostal encarcerada traumática aguda e com a revisão da literatura relevante sobre esta entidade clínica. O caso clínico é relativo a um doente politraumatizado cujo traumatismo torácico originou uma hérnia pulmonar. A presença de instabilidade cárdio-respiratória ditou a necessidade de intervenção cirúrgica urgente. A abordagem simultânea por mini-toracotomia e por laparotomia mediana possibilitou a reparação das lesões torácicas e abdominais

    Fitobezoar gástrico gigante com úlcera gástrica por ingestão de diospiros – a propósito de caso clínco

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    Several types of bezoars are described in the digestive tract. The authors present the infrequent case of a giant gastric phytobezoar in a 66-year old healthy woman, admitted for severe abdominal pain in a dragged bezoar framework resulting from the abundant intake of persimmons. The chemical dissolution and endoscopic removal were not successful. Because of being a bezoar with big dimensions and the existence of a gastric ulcer, she underwent a gastrotomy and extraction of the bezoar.Estão descritos diversos tipos de bezoares no tubo digestivo. Os autores apresentam o caso pouco frequente de um volumoso fitobezoar gástrico numa mulher de 66 anos sem antecedentes pessoais relevantes, admitida por dor abdominal intensa num quadro arrastado de bezoar, decorrente da ingestão abundante de diospiros. A dissolução química e a remoção endoscópica não tiveram sucesso. Tratando-se de um bezoar gigante com úlcera gástrica, foi submetida a gastrotomia e extracção do mesmo

    Gastrectomia Vertical Calibrada no tratamento da obesidade mórbida. Resultados a longo prazo, comorbilidades e qualidade de vida

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    Background and Objectives: Sleeve Gastrectomy (SG) has emerged in the last years as a single procedure for the treatment of morbid obesity. In spite of showing good results in weight loss and comorbidities, improvement on a short- and mid-term follow-up basis, data are still lacking regarding long-term outcomes. We retrospectively reviewed the results of SG in our Institution in terms of complications and therapeutic success (percentage of excess weight loss, percentage of excess body mass index and comorbidities improvement). We measured the quality of life using the quality-of-life assesment (QOL) included in the Bariatric Analysis and Reporting Outcome System (BAROS). Materials and Methods: We reviewed patients’ clinical charts and database of 81 patients (72.84% women) with morbid obesity, submitted to sleeve gastrectomy in our Institution between the 1st January 2005 and 31st October 2011. Twenty three patients had previously been treated with a bariatric procedure (28.39%): nine intragastric balloon and 14 gastric banding. In 79 a laparoscopic approach was used and supraumbilical median laparotomy in two. The mean age was 49 ± 4.24 years and the mean body mass index was 54.8 ± 13.1 Kg/m2. Concerning comorbidities, 18 had diabetes, 50 hypertension, 21 dyslipidemia, 11 obstructive sleep apnea, 22 joint pathology and 23 depression. The measurement of BAROS of 72 patients was completed trough a phone inquiry in February 2012. Results: There was no mortality. One procedure was converted to laparotomy because of adhesions. Early and late complication rate was 11.1% (leak, abscess, bleeding, respiratory insufficiency, wound infection and stricture, gastroesophageal reflux, B12 vitamin deficiency neuropathy and incisional hernia). The mean percentage of excess weight loss or of excess body mass index was 25.69 ± 9.72 in the 1st month, 59.87 ± 25.51 in the 12th month, 61.87 ± 24.93 in the 18th month, 54.08 ± 39.87 in the 24th month, 51.8 ± 44.64 in the 36th month, 55.49 ± 26.45 in the 48th month, 49.34 ± 31.31 in the 60th month and 45.98 ± 30.86 in the 72nd month after surgery. Comorbiditites were resolved and/or improved in 71.7% of the operated patients. The values of BAROS divided the population in five groups: Failure – 4.17% (n=3), Fair – 19.44% (n=14), Good, Very Good and Excellent – 76.39% (n=27, 20 e 8 respectively). Conclusion: Sleeve Gastrectomy is a safe procedure, which gives excellent results in terms of percentage of excess weight loss, comorbidities improvement and quality of life. SG is easier to perform than a Gastric Bypass, and is also safely feasible by the laparoscopic approach, with less morbidity. There seems to be a tendency for weight regain after four years, but more long term studies are needed to confirm this tendency.Introdução e Objetivos: A Gastrectomia Vertical Calibrada (GVC) tem emergido nos últimos anos como procedimento isolado no tratamento cirúrgico da obesidade mórbida. Apesar de vários artigos terem dado conta dos seus bons resultados a curto e médio prazo em termos de perda de peso e melhoria das comorbilidades, tornam-se contudo necessários mais dados, para a avaliação objetiva dos efeitos da técnica a longo prazo. Avaliaram-se retrospetivamente os resultados obtidos pelo nosso grupo, em termos de complicações e sucesso terapêutico (percentagem de perda de excesso de peso ou percentagem de perda de excesso de índice de massa corporal e melhoria das comorbilidades) com a GVC. Foi, também, avaliada a melhoria da qualidade de vida com base no “quality-of-life assesment” (QOL) e calculado o “Bariatric Analysis and Reporting Outcome System” (BAROS). Material e métodos: Foram revistos os processos de 81 doentes (72.84% do sexo feminino) com obesidade mórbida, sujeitos a GVC, no nosso Hospital, entre 1 de Janeiro de 2005 e 31 de Outubro de 2011. Vinte e três pacientes haviam sido submetidos a um procedimento bariátrico prévio (28.39%): nove a colocação de balão intragástrico e 14 a gastroplastia com banda (GB). Em 79 utilizou-se a abordagem laparoscópica e em dois foi efetuada laparotomia mediana supra-umbilical. A média de idades foi de 49 ± 4.24 anos e o Índice de massa corporal (IMC) médio foi de 54.8 ± 13.1 Kg/m2. Dos doentes estudados, 18 eram diabéticos, 50 hipertensos, 21 tinham dislipidémia, 11 síndrome da apneia obstrutiva do sono, 22 patologia degenerativa osteoarticular e 23 síndrome depressivo. Foi ainda analisada uma população de 72 destes doentes com base no BAROS completada com uma entrevista telefónica realizada em Fevereiro de 2012. Resultados: Não se registou mortalidade operatória. Num doente teve que se realizar conversão para cirurgia aberta por aderências. A taxa de complicações pós-operatórias imediatas foi de 11.1% (fístula gástrica, abcesso ou hemorragia intrabdominal, insuficiência respiratória e celulite da parede abdominal); registaram-se, também, 11.1% de complicações tardias (estenose gástrica, doença de refluxo gastroesofágico (DRGE), neuropatia periférica por défice de Vitamina B12 e hérnia incisional). A média de percentagem de perda de excesso de peso ou de excesso de índice de massa corporal foi de 25.69 ± 9.72 no 1º mês, 59.87 ± 25.51 no 12º mês, 61.87 ± 24.93 no 18º mês, 54.08 ± 39.87 no 24º mês, 51.8 ± 44.64 no 36º mês, 55.49 ± 26.45 no 48º mês, 49.34 ± 31.31 no 60º mês e 45.98 ± 30.86 no 72º mês de pós-operatório. Em relação às comorbilidades, 71.7% foram resolvidas e/ou melhoradas. A caracterização dos resultados pelo BAROS dividiu a população em cinco grupos: Insucesso – 4.17% (n=3), Médio – 19.44% (n=14), Bom, Muito Bom e Excelente – 76.39% (n=27, 20 e 8, respetivamente). Conclusão: A GVC é um procedimento seguro e que permitiu obter bons resultados terapêuticos em termos de perda de peso, melhoria da patologia associada e da qualidade de vida. A GVC é um procedimento cirúrgico tecnicamente mais simples que o bypass gástrico (BG) e que pode, também, ser realizado por via laparoscópica, condicionando menor morbilidade. Parece existir uma tendência para o aumento de peso a partir dos quatro anos de pós-operatório, embora sejam necessários mais resultados a longo prazo para o confirmar

    O Congresso de Março de 2018

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    O papel da cirurgia electiva na diverticulite aguda do cólon

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    The surgical treatment following acute diverticulitis (DV) has been an ongoing subject of debate. During the first half of the 20th century, only complicated cases of acute DV were surgically treated. During the second half, some studies suggested that patients with recurrent episodes of uncomplicated DV had an increased risk of complicated disease, morbidity, and mortality, and, for that reason, surgery was indicated also for these patients. In 1995, the ASCRS recommended elective bowel resection after two episodes of uncomplicated acute DV (or one episode for patients younger than 50), or after one episode of complicated DV. Recent studies have questioned these three recommendations. First, although acute DV is particularly aggressive during its first episode, subsequent episodes tend to be significantly more benign and successfully manageable with non-operative treatment. Elective surgery decreases neither the likelihood of emergency surgery nor the overall mortality due to DV complications. Moreover, elective surgery is not risk free, and some patients still experience acute DV episodes post-operatively. Second, in patients under 50, the disease does not seem to be as aggressive as previously implied. The response to medical treatment and post-operative morbidity and mortality remain similar to older patients. Third, regarding episodes of complicated DV, whether surgery is always necessary after successful percutaneous abscess drainage has also been a matter of debate. International guidelines are consensual when indicating precocious surgical resection for patients chronically immunosuppressed, who have collagen-vascular disease, or chronic renal disease. While waiting for the results of the first randomised clinical trials comparing different treatment strategies for acute DV, the present paper reviews the debate regarding the indications for elective surgery.O tratamento cirúrgico de doentes com antecedentes de diverticulite (DV) aguda tem sido alvo de debate ao longo dos últimos anos. Na primeira metade do século XX, apenas os casos de DV aguda complicada eram submetidos a intervenção cirúrgica. Na segunda metade, alguns estudos sugeriram que doentes com episódios de DV aguda não complicada teriam um risco acrescido de desenvolver doença complicada, com morbilidade e mortalidade significativas, estando assim o tratamento cirúrgico indicado. Em 1995 a ASCRS recomendou a sigmoidectomia eletiva após dois episódios de DV não complicada (ou um episódio se o doente tivesse menos de 50 anos) ou após um episódio de DV complicada. Estudos recentes colocaram em causa estas recomendações. Em primeiro lugar, apesar de a DV aguda ser uma doença particularmente agressiva aquando do primeiro episódio, os episódios subsequentes tendem a ser significativamente mais benignos e passíveis de tratamento conservador eficaz. Nestes casos, a cirurgia eletiva não reduz o risco de cirurgia urgente nem a mortalidade global devido a complicações da DV. Aliás, a cirurgia eletiva não é desprovida de riscos e alguns doentes poderão ainda desenvolver episódios de DV aguda após a intervenção. Em segundo lugar, nos doentes com menos de 50 anos, a doença não aparenta ser tão agressiva como previamente sugerido. Por último, relativamente aos episódios de DV complicada, é questionável se a sigmoidectomia eletiva será sempre necessária após uma drenagem percutânea eficaz de um abcesso. As guidelines internacionais são no entanto consensuais ao recomendarem a cirurgia eletiva precoce em doentes cronicamente imunodeprimidos, com doença do colagénio ou doença renal crónica. Enquanto aguardamos pelos resultados dos primeiros ensaios clínicos randomizados que comparam abordagens de tratamento distintas em doentes com episódios de DV aguda, o presente artigo visa resumir o debate relativo às indicações para realizar cirurgia eletiva

    Página da Sociedade Portuguesa de Cirurgia

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    Cirurgiões como inovadores críticos no futuro dos cuidados de saúde

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