Revista Portuguesa de Cirurgia
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    SPCENDO: Sociedade Portuguesa de Cirurgia Endócrina

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    Tireoidectomia Robótica com Insuflação Gasosa por Via Axilo-Mamária Unilateral (R-UABA): Proposta de Técnica Cirúrgica Modificada

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    Remote access thyroid surgery demand has increased due to the burden of a visible neck scar. Several surgical techniques have been proposed over the years. We report the surgical modified technique of a robotic unilateral axillo-breast approach (R-UABA) gas-insufflated hemithyroidectomy without hyperextension of the arm. This approach combines the advantages of the use of the robotic platform, to the use of a three port gas-insufflated technique.A escolha de cirurgia da tiroide por um acesso remoto tem aumentado devido ao incómodo de uma cicatriz visível no pescoço. Várias técnicas cirúrgicas têm sido propostas ao longo dos anos. Relatamos a técnica cirúrgica modificada de uma abordagem robótica axilar-mamária unilateral (R-UABA) com insuflação de gás para hemi-tiroidectomia sem hiperextensão do braço. Esta abordagem combina as vantagens do uso da plataforma robótica com o uso de uma técnica de três portais com insuflação de gás

    Programas de Oncologia de Precisão: Componentes Essenciais dos Centros de Oncologia

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    Cancro de Mama Masculino: Estudo das Características Clínicas e Biológicas de um Centro de Mama Certificado Português

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    Introduction: To describe the clinical and biological characteristics of breast carcinoma in men, to compare with the characteristics observed in women and to evaluate the results of the treatment. Methods: A retrospective analysis was conducted involving all male patients with breast carcinoma treated between 2000 and 2022 at the Breast Center of the Unidade Local de Saúde de São João, Porto, Portugal. A 3:1 random selection of women, treated over the same period, was made for comparison. Patients were followed up until 2023 and survival analyses were performed. Results: Thirty-two men and ninety-six women were analyzed. The median age of male patients at diagnosis was 62 years. Compared to women, there was a significantly higher percentage of male patients over the age of 50 years. BRCA2 mutations were identified in a significantly higher percentage of men. We observed larger tumor sizes in male patients (pT2 25.0%), a higher percentage of lymph node metastasis (pN1 40.6%) and a higher percentage of distant metastasis (21.9%) compared with female patients. Significant differences were found in the type of surgery (90.6% of men underwent mastectomy), the use of chemotherapy and axillary lymph node dissection (46.9% and 34.4% of men, respectively). Male patients diagnosed with breast cancer presented a lower cumulative survival than female patients. Age over 50 years and stage IV tumors increased the risk of death. Conclusion: Male patients were diagnosed at an older age with more advanced tumors, which may explain the worse survival rates compared to female patients. Male breast cancer is a significant condition that needs increased awareness, to promote early detection.Introdução: Descrever as características clínicas e biológicas do carcinoma da mama em homens, comparar com as características observadas em mulheres e avaliar os resultados do tratamento. Métodos: Foi realizada uma análise retrospetiva envolvendo todos os doentes do sexo masculino com carcinoma da mama tratados entre 2000 e 2022 no Breast Center da Unidade Local de Saúde de São João, Porto, Portugal. Para comparação, foi feita uma seleção aleatória de mulheres na proporção de 3:1, tratadas no mesmo período. Os doentes foram acompanhados até 2023 e foram realizadas análises de sobrevivência. Resultados: Foram analisados 32 homens e 96 mulheres. A mediana de idade ao diagnóstico nos homens foi de 62 anos. Comparativamente às mulheres, verificou-se uma percentagem significativamente maior de doentes masculinos com mais de 50 anos. As mutações BRCA2 foram identificadas com uma frequência significativamente superior nos homens. Observou-se um maior tamanho tumoral nos doentes masculinos (pT2 25,0%), uma maior percentagem de metástases nos gânglios linfáticos (pN1 40,6%) e uma maior percentagem de metástases à distância (21,9%) em comparação com as doentes femininas. Foram encontradas diferenças significativas no tipo de cirurgia (90,6% dos homens foram submetidos a mastectomia), na utilização de quimioterapia e na dissecção dos gânglios linfáticos axilares (46,9% e 34,4% dos homens, respetivamente). Os doentes masculinos diagnosticados com cancro da mama apresentaram uma menor sobrevivência cumulativa em comparação com as doentes femininas. Idade superior a 50 anos e tumores em estádio IV aumentaram o risco de morte. Conclusão: Os doentes do sexo masculino foram diagnosticados em idades mais avançadas e com tumores mais agressivos, o que pode justificar as taxas de sobrevivência inferiores em comparação com as mulheres. O cancro da mama masculino é uma condição significativa que necessita de maior sensibilização para promover o diagnóstico precoce

    Fatores Preditivos para Admissão em Unidades de Cuidados Intensivos Após Cirurgia de Citorredução com Quimioterapia Intraperitoneal Hipertérmica em Doentes com Doença Peritoneal: Revisão Retrospectiva de um Centro

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    Introduction: Cytoreductive surgery with hyperthermic intraperitoneal chemotherapy (CRS+HIPEC) is a locoregional surgical therapy applied in patients with peritoneal-only metastatic disease of primary abdominal malignancies and is associated with increased overall survival. Our goal was to evaluate short-term outcomes after CRS+HIPEC regarding surgical morbidity, as well as to identify factors associated with selective Intensive Care Unit (ICU) admission and to assess the safety of managing these patients outside of the ICU. Methods: A unicentric, retrospective, observational study of patients submitted to CRS+HIPEC between January 2016 and December 2020 at Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto), was performed. Results: During this period, 259 surgeries were performed. The majority of patients (68.7%) had no complications, 22.8% had CT-CAE 1/2 complications, 7.7% had CT-CAE 3/4 and 0.8% (n=2) died in the first 30 days postoperative (CT-CAE 5). Thirty-four percent (n=87) of patients were admitted to the ICU for postoperative surveillance (<48 hours). Patients who were not admitted to ICU demonstrated similar overall morbidity to the patients admitted to ICU for <48 hours. Predictive factors for ICU admission (p<0.05) were PCI>13, intraoperative blood loss>200 mL and cisplatin as the cytostatic agent. Conclusion: Admittance to the ICU should not be standardized for every patient after CRS+HIPEC but rather stratified according to the complexity of surgical debulking.Introdução: A cirurgia citorredutora com quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (CRS+HIPEC) é uma terapêutica cirúrgica locorregional realizada em doentes com doença metastática exclusivamente peritoneal de neoplasias abdominais primárias, e está associada a um aumento da sobrevida global. O objetivo foi avaliar os resultados a curto prazo após este procedimento no que concerne a morbidade cirúrgica, bem como identificar fatores associados à admissão seletiva em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e avaliar a segurança desta abordagem. Métodos: Foi realizado um estudo observacional, retrospetivo e unicêntrico dos doentes submetidos a CRS+HIPEC no Instituto Português de Oncologia do Porto (IPO-Porto) entre janeiro de 2016 e dezembro de 2020. Resultados: Durante este período, foram realizadas 259 cirurgias. A maioria dos doentes (68,7%) não apresentou complicações, 22,8% apresentaram complicações CT-CAE 1/2, 7,7% apresentaram CT-CAE 3/4 e 0,8% (n=2) faleceram nos primeiros 30 dias de pós-operatório (CT-CAE 5). Trinta e quatro por cento (n=87) dos doentes foram admitidos na UCI para vigilância pós-operatória (<48 horas). Os doentes que não foram admitidos na UCI demonstraram morbidade global semelhante aos admitidos na UCI por <48 horas. Os fatores preditivos para admissão na UCI (p<0,05) foram PCI>13, perda sanguínea intraoperatória>200 mL e cisplatina como agente citostático. Conclusão: A admissão na UCI não deve ser padronizada para todos os doentes após CRS+HIPEC, mas sim estratificada de acordo com a complexidade da citorredução cirúrgica

    Pseudoaneurisma da Artéria Hepática Direita Após Colecistectomia Laparoscópica

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    Linfadenectomia Extra-Hepática no Colangiocarcinoma Intra-Hepático: Evidência Atual e Controvérsias

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    Lymph node metastasis (LNM) is one of the most adverse prognostic factors in intrahepatic cholangiocarcinoma (iCCA), with five-year overall survival rarely exceeding 15% in node-positive patients. The role and extent of extrahepatic lymphadenectomy in this setting, however, remain controversial. This narrative review synthesizes the current evidence on nodal assessment in iCCA, including prognostic implications of nodal disease, preoperative prediction of LNM, survival benefit of lymphadenectomy, and postoperative morbidity. Prognosis is particularly poor in patients with multiple positive nodes, high lymph node ratio, or metastases beyond the hepatoduodenal ligament. Preoperative imaging with computed tomography (CT) or magnetic resonance imaging (MRI) has limited accuracy for nodal staging, while PET-CT and endoscopic ultrasound with fine-needle aspiration provide improved detection in selected cases. To address this limitation, predictive nomograms have been proposed, which integrate clinical, biochemical, and radiological variables and are available as online calculators for daily practice. From a surgical perspective, adequate lymphadenectomy, defined by retrieval of at least six lymph nodes, remains essential for accurate staging and should be tailored to tumor laterality, involving stations 1, 3, 7, 8, and 12 for left-lobe tumors and stations 8, 12, and 13 for right-lobe tumors. Although its therapeutic role is still debated, a growing number of studies published in recent years suggest that lymphadenectomy may confer a survival benefit, particularly in clinically node-negative patients undergoing R0 resection and in those with less aggressive tumor biology.A metastização ganglionar constitui um dos fatores prognósticos mais adversos no colangiocarcinoma intra-hepático (CCAi), sendo que a sobrevivência global aos cinco anos raramente excede os 15% nos doentes com doença nodal. O papel e a extensão da linfadenectomia extra-hepática neste contexto permanecem, no entanto, controversos. Esta revisão narrativa sintetiza a evidência atual relativa à avaliação ganglionar no CCAi, incluindo as implicações prognósticas da doença nodal, a previsão pré-operatória de metastização ganglionar, o potencial benefício em termos de sobrevivência da linfadenectomia e a morbilidade pós-operatória associada. O prognóstico é particularmente desfavorável em doentes com múltiplos gânglios metastizados, com um rácio ganglionar elevado ou com metastização para além do ligamento hepatoduodenal. A imagiologia pré-operatória com tomografia computorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) apresenta uma acuidade limitada para o estadiamento nodal, enquanto a PET-CT e a ecoendoscopia com punção aspirativa por agulha fina oferecem maior capacidade de deteção em casos selecionados. Para ultrapassar esta limitação, têm sido propostos normogramas preditivos, que integram variáveis clínicas, bioquímicas e radiológicas, estando disponíveis online sob a forma de calculadoras para utilização diária na prática clínica. Do ponto de vista cirúrgico, uma linfadenectomia adequada, definida pela colheita de pelo menos seis gânglios, mantém-se essencial para um estadiamento rigoroso e deve ser adaptada em função da localização do tumor, envolvendo as estações 1, 3, 7, 8 e 12 nos tumores do lobo esquerdo e as estações 8, 12 e 13 nos tumores do lobo direito. Embora o seu papel terapêutico continue a ser debatido, um número crescente de estudos publicados nos últimos anos sugere que a linfadenectomia poderá conferir um benefício em termos de sobrevivência, particularmente em doentes cN0 submetidos à resseção R0 e em casos com biologia tumoral menos agressiva

    Grande Neoplasia Cística Serosa do Pâncreas

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    Breve História da Cirurgia Europeia: A Visão da Coloproctologia

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    The field of colorectal surgery has evolved over the millennia, shaped by the continuous interplay of cultural values, anatomical discoveries, and technological advances. From the ancient Egyptian papyri that detailed anorectal conditions and therapeutic enemas to the empirical innovations of Greek and Roman physicians, the early approach to surgery was curious yet pragmatic. Although classical medicine introduced the principles of observation and rationality, surgical practice was still limited by pain and infection. Throughout history, anorectal disease has remained a concern, even during periods of stagnation such as the Middle Ages. While institutions in Europe declined, knowledge was preserved in monasteries and advanced in Islamic centers of learning. Figures such as Albucasis made significant contributions to surgical technique and instrumentation during this period. The Renaissance reignited anatomical study and repositioned surgery within academic medicine. Landmark contributions, such as those of Andreas Vesalius, challenged long-standing dogma and laid the foundations for modern approaches. By the 19th century, the advent of anesthesia and antisepsis had transformed surgery into a more precise, planned and humane practice. Institutions such as St Mark’s Hospital were established, procedures were systematized and surgical outcomes improved. The 20th and 21st centuries have witnessed a technological revolution. Innovations such as laparoscopic and robotic surgery, surgical staplers and artificial intelligence have broadened the scope of surgery. Today, coloproctology focuses not only on effective treatment but also on functional preservation, personalized care, and improving patients’ quality of life. Colorectal surgery exemplifies how medicine evolves in response to knowledge, necessity and compassion, transforming ancient techniques into sophisticated, patient-centered interventions.O campo da cirurgia colorretal evoluiu ao longo dos milénios, moldado pela interação contínua de valores culturais, descobertas anatómicas e avanços tecnológicos. Dos antigos papiros egípcios que detalhavam as condições anorretais e os enemas terapêuticos às inovações empíricas dos médicos gregos e romanos, a abordagem inicial à cirurgia era curiosa, porém pragmática. Embora a medicina clássica tenha introduzido os princípios da observação e da racionalidade, a prática cirúrgica ainda era limitada pela dor e pela infeção. Ao longo da história, a doença anorretal permaneceu uma preocupação, mesmo durante períodos de estagnação como a Idade Média. Enquanto as instituições na Europa declinavam, o conhecimento era preservado em mosteiros e avançado em centros islâmicos de ensino. Figuras como Albucasis fizeram contribuições significativas para a técnica e instrumentação cirúrgica durante esse período. O Renascimento reacendeu o estudo anatômico e reposicionou a cirurgia na medicina académica. Contribuições marcantes, como as de Andreas Vesalius, desafiaram dogmas de longa data e lançaram as bases para abordagens modernas. No século XIX, o advento da anestesia e da antissepsia transformou a cirurgia em uma prática mais precisa, planejada e humana. Instituições como o Hospital St. Mark foram estabelecidas, procedimentos foram sistematizados e os resultados cirúrgicos melhoraram. Os séculos XX e XXI testemunharam uma revolução tecnológica. Inovações como a cirurgia laparoscópica e robótica, grampeadores cirúrgicos e inteligência artificial ampliaram o escopo da cirurgia. Hoje, a coloproctologia se concentra não apenas no tratamento eficaz, mas também na preservação funcional, no atendimento personalizado e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. A cirurgia colorretal exemplifica como a medicina evolui em resposta ao conhecimento, à necessidade e à compaixão, transformando técnicas ancestrais em intervenções sofisticadas e centradas no paciente

    Cirurgia Biliar Durante o Internato: Um Estudo a Nível Nacional

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    Introduction: Biliary surgeries present a challenge in general surgery training. Increased exposure to laparoscopic techniques, coupled with a decline in experience with open procedures and more complex biliary interventions, has become a point of concern for general surgery residency programs. The objectives of this article are to assess the biliary surgery experience of general surgery residents across Portugal, compare it with the training in other Western countries, and evaluate differences between the curricula of residents trained in central hospitals and those in district hospitals. Methods: An analysis was conducted using data from an online questionnaire administered to general surgery residents in Portugal in 2023. Results: Out of 93 residents with more than one year of experience, 63 were in their final three years of residency (68%). The majority were from district hospitals (61, 66%). While 88 residents had assisted in an open cholecystectomy, only 63 (72%) had performed one, with most being in their final years of training. Only 28 residents (32%) felt confident in performing this procedure. 88 residents had performed a laparoscopic cholecystectomy, 59 (67%) completed more than 20, including two residents in their second year (R2Y). Fifty­ ‑seven residents had converted a laparoscopic cholecystectomy, and 8 were unable to complete the surgery. In cases requiring conversion, most residents employed a “fundus­ ‑first” technique. When faced with a challenging laparoscopic case, 10 residents (11%) would choose to convert, while 60 (64%) preferred performing a laparoscopic subtotal cholecystectomy, and 23 (25%) favored the laparoscopic “fundus­ ‑first” approach. Thirty­ ‑four residents had performed intraoperative cholangiograms, with 32 (94%) doing so electively. Seventeen residents had performed biliary tree exploration, and 9 had performed a biliodigestive anastomosis. All respondents agreed on the need for further training in biliary surgery. Conclusion: There is widespread concern about the lack of experience with cholangiography and bile duct exploration, highlighting the need for practical training tools to improve residents’ proficiency in these critical areas.Introdução: As cirurgias biliares representam um desafio no treino da cirurgia geral. O aumento da exposição a intervenções laparoscópicas, aliado ao declínio na prática de procedimentos abertos e à crescente realização de intervenções biliares mais complexas, tornaram‑se um foco de preocupação para os programas de internato em cirurgia geral. Os objetivos deste artigo são avaliar a experiência em cirurgia biliar dos internos de cirurgia geral em Portugal, compará‑la com a formação noutros países ocidentais e avaliar as diferenças entre os currículos dos internos formados em hospitais centrais e os dos hospitais distritais. Métodos : Foi realizada uma análise a partir de dados de um questionário online aplicado a internos de formação específica de cirurgia geral em Portugal em 2023. Resultados: Dos 93 internos com mais de um ano de experiência, 63 estavam nos últimos três anos de residência (68%). A maioria era proveniente de hospitais distritais (61, 66%). Embora 88 internos tenham assistido a uma colecistectomia aberta, apenas 63 (72%) a realizaram, sendo a maioria nos últimos anos de formação. Apenas 28 internos (32%) se sentiram confortáveis na realização deste procedimento. 88 internos realizaram colecistectomias laparoscópicas, 59 (67%) completaram mais de 20, incluindo dois internos no segundo ano (R2Y). 57 internos converteram uma colecistectomia laparoscópica e 8 não conseguiram concluir a cirurgia. Nos casos que exigiam conversão, a maioria dos internos empregava uma técnica de “fundo primeiro”. Quando confrontados com um caso laparoscópico desafiador, 10 internos (11%) optariam pela conversão, enquanto 60 (64%) prefeririam realizar uma colecistectomia subtotal laparoscópica e 23 (25%) prefeririam a abordagem laparoscópica “fundo primeiro”. Trinta e quatro internos realizaram colangiografias intraoperatórias, sendo que 32 (94%) o fizeram de forma seletiva. Dezassete internos realizaram exploração das vias biliares e 9 realizaram anastomose biliodigestiva. Todos os entrevistados concordaram com a necessidade de treinamento adicional em cirurgia biliar. Discussão: A experiência dos internos em cirurgia biliar é predominantemente limitada à colecistectomia laparoscópica, uma vez que procedimentos biliares mais complexos raramente são realizados por eles, refletindo tendências em outros países. Os internos dos hospitais centrais geralmente têm mais exposição a cirurgias abertas, começam a operar mais cedo e tendem a estar mais confiantes com o procedimento em comparação com os seus homólogos dos hospitais distritais, no entanto, no último ano, a diferença diminui. No que diz respeito à colecistectomia laparoscópica, os internos dos hospitais centrais alcançaram volumes cirúrgicos mais elevados mais cedo do que os dos hospitais distritais (particularmente no segundo e terceiro anos), mas os internos dos hospitais distritais recuperam nos últimos anos. As taxas de conversão foram mais elevadas nos hospitais centrais durante o quarto e quinto anos (R4Y e R5Y), enquanto os hospitais distritais apresentaram taxas mais elevadas durante o segundo e sexto anos (R2Y e R6Y). Esta disparidade pode ser atribuída à exposição precoce a procedimentos complexos. Existe uma preocupação generalizada sobre a falta de experiência com colangiografia e exploração das vias biliares, destacando a necessidade de ferramentas práticas de formação para melhorar a proficiência dos internos nestas áreas críticas

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