Revista Portuguesa de Cirurgia
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FATORES DE PROGNÓSTICO DA METASTASECTOMIA HEPÁTICA NO CANCRO COLORRETAL
INTRODUÇÃO
Em doentes selecionados com cancro colo-rectal metastático (CCRM), a resseção das metástases hepáticas poderá oferecer a possibilidade de cura.
OBJETIVOS
Avaliar possíveis fatores de prognóstico pré-operatórios de sobrevivência dos doentes com CCRM submetidos a metastasectomia hepática, com vista a selecionar o doente ideal para este procedimento.
MÉTODOS
Análise retrospetiva de 121 doentes com CCRM seguidos no nosso centro, submetidos a metastasectomia hepática com intuito curativo e querealizaram quimioterapia primária, entre Março de 2004 e Junho de 2017. A análise de sobrevivência foi estimada pelo método de Kaplan-Meier e a análise multivariada pela regressão de Cox.
RESULTADOS
A idade mediana ao diagnóstico foi 58 anos (19-79) e a maioria dos doentes (61%) era do sexo masculino. O tempo mediano de follow-up foi 53 meses (10-143). A taxa de recidiva após a primeira metastasectomia foi 73.6%. A sobrevivência livre de doença (SLD) mediana após a primeira metastasectomia hepática foi 13 meses (IC 95% 10.3-15.6). A sobrevivência global (SG) mediana foi 63 meses (IC 95% 48.6-77.4). Os fatores pré-operatórios que conferiram pior prognóstico na análise para a SG e para a SLD foram: a presença de ≥3 lesões hepáticas metastáticas (SG mediana: 101 meses, IC 95% 57.4-144.6 vs 51 meses, IC 95% 42.0-59.9, p=0.010; SLD mediana: 18 meses, IC 95% 0.0-36.9 vs 10 meses, IC 95% 7.2-12.8, p=0.013), a metastização extra-hepática (SG mediana: 71 meses, IC 95% 58.4-83.6 vs 37 meses, IC 95% 22.6-51.4, p=0.001; SLD mediana: 15 meses, IC 95% 12.2-17.8 vs 7 meses, IC 95% 4.3-9.7, p=0.002), pT4 (SG mediana: 65 meses, IC 95% 50.2-79.8 vs 34 meses, IC 95% 25.4-42.6, p=0.008; SLD mediana: 14 meses, IC 95% 10.9-17.1 vs 5 meses, IC 95% 2.9-7.1, p=0.011) e a soma das lesões metastáticas ≥60 mm (SG mediana: 80 meses, IC 95% 63.7-96.3 vs 51 meses, IC 95% 42.8-59.2, p=0.020; SLD mediana: 16 meses, IC 95% 11.9-20.1 vs 10 meses, IC 95% 7.4-12.6, p=0.020). Os fatores que mantiveram impacto negativo na análise multivariada para a SG e SLD foram o pT4 (SG: p=0.020, HR 1.98, IC 95% 1.1-3.5; SLD: p=0.007, HR 2.11, IC 95% 1.2-3.6) e a metastização extra-hepática (SG: p=0.011, HR 2.05, IC 95% 1.2-3.6; SLD: p=0.024, HR 1.85, IC 95% 1.1-3.2).
CONCLUSÕES
A presença de ≥3 lesões hepáticas metastáticas, metastização extra-hepática, pT4 e a soma das lesões metastáticas ≥60 mm conferiram impacto negativo na SG e na SLD. A avaliação destes fatores poderá ajudar na seleção dos candidatos a ressecção hepática. 
ANEURISMA VENOSO POPLITEU – RELATO DE 2 CASOS
The popliteal vein aneurysm (PVA) is a rare condition that is associated with an important risk of deep venous thrombosis (DVT) and pulmonary embolism (PE). Since anticoagulation alone does not prevent those complications surgery is advocated by most authors as the mainstay of treatment. We present 2 cases that illustrate the pleomorphic character of this disease – the first of which presented as an almost asymptomatic popliteal mass, the second as a DVT-like syndrome in a woman whose mother had died from PE of unknown cause. Both were subjected to aneurysmectomy and lateral venorraphy, with good clinical and radiological outcomes. We also present an updated discussion. PVA is a rare and little understood condition that entails PE as its most dreaded complication. Surgery is the treatment of choice. Aneurysmectomy with lateral venorraphy has demonstrated good results and can be considered curative. For those reasons PVA must be entertained when investigating popliteal masses or recurrent PE. O aneurisma da veia popliteia (AVP) é uma entidada rara mas que comporta um risco importante de trombose venosa profunda (TVP) e consequente tromboembolismo pulmonar (TEP). Uma vez que a anticoagulação não é eficaz na prevenção dessas complicações, a cirurgia é o tratamento indicado pela quase totalidade dos autores. Apresentamos dois casos tratados no nosso serviço que ilustram o caráter pleomórfico desta doença – o primeiro manifestando-se como uma massa popliteia pouco sintomática e o segundo como um quadro semelhante a TVP numa doente cuja mãe falecera por TEP de causa não esclarecida. Ambos foram tratados pela técnica de aneurismectomia com venorrafia lateral, com bom resultado confirmado imagiologicamente ao fim de 6 meses. Fazemos ainda uma discussão com base na literatura. O AVP é uma entidade rara e de etiologia não esclarecida, cuja principal complicação é o TEP. O tratamento cirúrgico é a abordagem de eleição. A técnica cirúrgica utilizada de aneurismectomia com venorrafia lateral apresenta bons resultados e pode ser considerada curativa. Por esses motivos é uma doença a considerar no diagnóstico diferencial quer de massas popliteias quer de fenómenos tromboembólicos de repetição. 
PERFURAÇÃO DUODENAL PARA O RETROPERITONEU POR PRÓTESE BILIAR
Migration of endoscopically placed biliary stents is a well-recognized complication of endoscopic retrograde cholangiopancreatography (ERCP). Duodenal perforation by a biliary stent is an uncommon but hazardous complication associated with a high mortality rate. It can be either retroperitoneal, causing biloma, or intraperitoneal leading to biliary peritonitis. Duodenal perforation into the retroperitoneum presents itself as a non-specific condition. It requires an extremely high index of suspicion for its early diagnosis. A delayed diagnosis seriously aggravates the prognosis. We report a case of mortality secondary to a duodenal perforation into retroperitoneum by a biliary stent endoscopically placed with an atypical symptomatology.A migração de próteses biliares colocadas endoscopicamente é uma conhecida complicação associada à colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. Embora rara, a perfuração duodenal por próteses biliares é uma complicação grave associada a elevada mortalidade. Esta pode ocorrer para o retroperitoneu, causando um biloma, ou intra-peritonealmente causando uma peritonite biliar. A perfuração duodenal para o retroperitoneum apresenta-se de forma inespecífica e requer um elevado índice de suspeição para o seu diagnóstico precoce, uma vez que o diagnóstico tardio agrava o prognóstico. Descrevemos um caso de mortalidade secundário a perfuração duodenal por uma prótese biliar colocada endoscopicamente, cuja forma de apresentação foi atípica
TUMOR DO ESTROMA GASTROINTESTINAL (GIST) GIGANTE ASSINTOMÁTICO: REVISÃO DE TEMA A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO
GISTs are rare mesenchymal tumors, which may present as millimetric lesions or bulky masses. They are usually clinically silent until they reach a significant size, so their finding is often incidental. We report the case of a 92 – year – old female patient admitted to the Emergency Department due to clinical symptoms of right hypochondrium (RH) pain, nausea and vomiting, developing within a few hours. Clinical examination revealed tenderness in the RH and a palpable painless mass in the epigastric/left upper quadrants, of 10 x 10 cm. Blood tests and ultrasonography confirmed the diagnostic hypothesis of choledocholithiasis and also revealed a solid, heterogeneous mass of 14 x 8 x 9 cm, with cystic areas and cleavage planes. Endoscopic retrograde cholangiopancreatography (ERCP) was performed with endoscopic sphincterotomy (EST) and removal of calculi with no complications. The patient had open surgery so as to approach the gallblader and the mass at the same surgical time. Gastric wedge resection and cholecystectomy were performed. The histological and immunohistochemical analysis of the lesion showed a high-risk GIST. Due to the advanced age of the patient and the existing co-morbidities, it was decided not to perform adjuvant therapy with imatinib, as usually indicated. Review of literature show that giant GISTs of the stomach are rare and usually symptomatic. Complete surgical resection is the standard treatment in locally resectable GISTs, with adjuvant therapy being indicated for high-risk tumors.Os GIST são tumores mesenquimatosos raros que podem apresentar-se como lesões milimétricas ou massas volumosas. Habitualmente são clinicamente silenciosos até atingirem um tamanho significativo, pelo que a sua identificação é muitas vezes incidental. Apresentamos o caso de uma doente de 92 anos admitida no Serviço de Urgência por dor no hipocôndrio direito (HD), náuseas e vómitos, com horas de evolução. O exame objetivo revelou dor à palpação no HD e uma massa palpável no quadrante superior esquerdo, indolor, de 10 x 10 cm. As análises e ecografia abdominal confirmaram a hipótese diagnóstica de coledocolitíase e revelaram uma massa sólida, heterogénea, com áreas quísticas, de 14 x 8 x 9 cm, com planos de clivagem. Realizada colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) com esfinterotomia transendoscópica (ETE) e coledocolitotomia, sem intercorrências. A doente foi operada no decurso do internamento, tendo realizado, por laparotomia mediana supraumbilical, resseção de tumor gástrico, com gastrectomia em cunha e colecistectomia. A análise histológica e imuno-histoquímica da lesão mostrou um GIST de alto risco de malignidade. Pela idade avançada da doente e pelas comorbilidades existentes, optou-se por não realizar terapêutica adjuvante com imatinib, como normalmente indicado. A revisão da literatura mostrou que os GIST gigantes do estômago são raros, sendo habitualmente sintomáticos, contrariamente à nossa doente. A ressecção cirúrgica completa é o tratamento de escolha nos GIST localmente ressecáveis, estando a terapêutica adjuvante indicada nos tumores de alto risco
RUTURA ESPONTÂNEA DA VEIA ILÍACA ESQUERDA
Spontaneous retroperitoneal hematoma associated with iliac vein rupture is a rare and life-threatening emergency. We report a case of spontaneous left iliac vein rupture in a healthy 49-year-old woman, with no relevant medical past history or history of trauma. On the day she was admitted on the emergency room she had a syncope episode and was hypotensive and tachycardic on arrival. She suffered from back pain, which started 5 days prior to admission. Workup with contrast-enhanced computed tomography revealed a large retroperitoneal hematoma without evidence of arterial bleeding. Due to hemodynamic instability an emergency exploratory laparotomy was performed. Intra-operatively, retroperitoneal exploration, revealed a large hematoma caused by a left primitive iliac vein rupture. The vein was repaired primarily with control of the bleeding. She was taken to the Intensive Care Unit for postoperative follow-up where she subsided to cardiopulmonary arrest on the same day. This case provides insight to an uncommon cause of retroperitoneal hematoma and haemorrhagic shock that should be taken into account on the emergency room. A ruptura espontânea da veia ilíaca com consequente hematoma retroperitoneal é uma emergência rara e que coloca em risco a vida do doente. Descreve-se o caso clínico de ruptura espontânea da veia ilíaca esquerda numa doente do género feminino, de 49 anos, saudável, sem antecedentes pessoais conhecidos ou história de trauma. Recorreu ao serviço de urgência após um episódio de lipotimia, encontrando-se taquicárdica e hipotensa à admissão. Descrevia, associadamente, um quadro de dor lombar com 5 dias de evolução. Imagiológicamente apresentava um hematoma retroperitoneal sem evidência de hemorragia arterial ativa. Por instabilidade hemodinâmica foi realizada uma laparotomia exploradora de emergência que revelou um hematoma retroperitoneal de grandes dimensões causado por uma ruptura da veia ilíaca primitiva esquerda. Foi realizada sutura primária da lesão vascular com controlo da hemorragia. No pós-operatório foi admitida na unidade de cuidados intensivos onde sofreu uma paragem cardiorespiratória sem resposta às medidas de suporte avançado de vida. Este caso relata uma causa incomum de hematoma retroperitoneal e choque hemorrágico que deve ser tido em conta num departamento de emergência. 
O PERFIL HPV DOS DOENTES PORTADORES DE TUMORES DA OROFARINGE NUMA INSTITUIÇÃO ONCOLÓGICA EM PORTUGAL ENTRE 2018 E 2019 – ESTUDO RETROSPETIVO DESCRITIVO
Oropharyngeal cancer is a disease with an increasing incidence, mostly detected in advanced stages. This increase in incidence is currently related to Human Papillomavirus (HPV) infection, associated with changes in the sexual behaviour of the population, in the last decades. This study aimed to characterize the oropharyngeal cancer patients’ profile in Northern Portugal regarding the HPV infection status and to analyse the survival profile of those patients. This descriptive retrospective study included 134 patients with histological confirmation of oropharyngeal cancer and immunohistochemical characterization of HPV status, that were referred to the Head and Neck Department of the Instituto Português de Oncologia do Porto, between January 2018 and December 2019. Most of the oropharyngeal cancer cases were diagnosed in male subjects (91,7%). Interestingly, only 14,6% (18/123) of male cases were HPV-positive, in contrast to 63,6% (7/11) HPV-positive tumours diagnosed in female subjects. Moreover, among all patients integrated into this study, only 18,7% had HPV-positive tumours, and the majority of the referred patients (73,9%) were diagnosed at later stages (stage III or IV). In this study, it was also observed that, in later stages, the number of HPV-negative cases increased and the HPV-positive cases decreased.O cancro da orofaringe é uma doença cada vez com maior incidência e geralmente detetada em fases avançadas. Este aumento na incidência é atualmente atribuído à infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV), resultante das alterações nos hábitos sexuais da população, nas últimas décadas. O objetivo deste estudo é caracterizar o perfil do paciente com cancro da orofaringe, em Portugal, quanto ao estado positivo ou negativo para infeção por HPV e analisar os perfis de sobrevivência destes doentes. Neste estudo retrospetivo descritivo, foram incluídos 134 doentes com diagnóstico histológico de cancro da orofaringe e com caracterização do estado de HPV por estudo imuno-histoquímico. Todos os doentes foram referenciados à Clínica de Cabeça e Pescoço do Instituto Português de Oncologia do Porto, entre janeiro de 2018 e dezembro de 2019. Dos doentes estudados, apenas 18,7% eram portadores de tumores HPV positivos. A maioria dos tumores (91,7%) foram diagnosticados em indivíduos do sexo masculino. Destes, apenas 18/123 casos (14,6%) eram HPV positivos, em contraste com os 63,6% dos tumores diagnosticados em indivíduos de sexo feminino (7/11 doentes). A maioria dos doentes que deram entrada na instituição foram diagnosticados tardiamente (73,9% eram estádios III ou IV). Constatamos nesta análise que, com o aumento do estádio, o número de doentes HPV negativos aumentou e o número de casos HPV positivo diminuiu
SÍNDROME DA ARTÉRIA ESPLÊNICA APÓS TRANSPLANTE HEPÁTICO – FATORES PREDITIVOS: EXPERIÊNCIA DE UM CENTRO
Splenic artery syndrome (SAS) is described as a decrease in hepatic artery (HA) flow associated with increased flow in the splenic artery (SA). The present study aim was to identify predictive factors of SAS. A retrospective study was conducted in 70 patients, undergoing liver transplantation (LT) between 03/2010 until 08/2016. The case group (n=27) corresponded to the patients who developed SAS and the control group (n=43) to the patients who didn’t develop. The donor, recipient and graft variables were collected. Significant differences were observed in relation to spleen volume 1137,4±512,9) cm3 vs 523,9±258,1cm3, spleen volume/ liver volume ratio 0,9±0,3 vs 0,4±0,2, difference in caliber between SA and HA 2,1±1,6mm vs 0,8±1,5mm, and the ratio between spleen volume and body mass index (BMI) of the recipient 47,9±24,5 vs 18,9±8,8 between the case and control group respectively. In case group the mean difference between pre-embolization and post-embolization resistive index (RI) was 0.2±0.1, which demonstrates a significant improvement after embolization of the SA (p<0.001, CI: 95% 0.11-0.25). In logistic regression, the retained variable was only the spleen volume (p<0.05), and the cut-off point was 1023.9 cm3. It’s possible to conclude that spleen volume is a risk factor for SAS. It’s also important to note that significant differences between groups were evident in relation to the ratio spleen volume/liver volume and difference in caliber between SA and HA in the pre-LT. In this sense, it’s relevant in future studies to develop a prospective methodological design in order to analyze the predictive value of these variables.Splenic artery syndrome (SAS) is described as a decrease in hepatic artery (HA) flow associated with increased flow in the splenic artery (SA). The present study aim was to identify predictive factors of SAS. A retrospective study was conducted in 70 patients, undergoing liver transplantation (LT) between 03/2010 until 08/2016. The case group (n=27) corresponded to the patients who developed SAS and the control group (n=43) to the patients who didn’t develop. The donor, recipient and graft variables were collected. Significant differences were observed in relation to spleen volume 1137,4±512,9) cm3 vs 523,9±258,1cm3, spleen volume/ liver volume ratio 0,9±0,3 vs 0,4±0,2, difference in caliber between SA and HA 2,1±1,6mm vs 0,8±1,5mm, and the ratio between spleen volume and body mass index (BMI) of the recipient 47,9±24,5 vs 18,9±8,8 between the case and control group respectively. In case group the mean difference between pre-embolization and post-embolization resistive index (RI) was 0.2±0.1, which demonstrates a significant improvement after embolization of the SA (p<0.001, CI: 95% 0.11-0.25). In logistic regression, the retained variable was only the spleen volume (p<0.05), and the cut-off point was 1023.9 cm3. It’s possible to conclude that spleen volume is a risk factor for SAS. It’s also important to note that significant differences between groups were evident in relation to the ratio spleen volume/liver volume and difference in caliber between SA and HA in the pre-LT. In this sense, it’s relevant in future studies to develop a prospective methodological design in order to analyze the predictive value of these variables