Vista - Revista de Cultura Visual
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    164 research outputs found

    Fotografias de uma anomalia. Alteridade e os limites da comunicação intercultural em situação colonial

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    In early September 1948, the Mozambique Anthropological Mission (MAM) was a few days in António Enes (now Angoche). Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior, head of MAM, was informed of the anomaly of a young man. Santos Júnior's interest in the case of the little Atomane was part of a colonial teratology that gave rise to a scientific spectacularization of the colonized bodies. Atomane´s anomaly is just one of several others recorded during the overseas anthropological missions to Guinea, Angola, São Tomé and Príncipe, Mozambique and Timor, between 1936 and 1959. The photographs of Atomane and the MAM’s collection form the documentary corpus for the analysis of the limits of intercultural communication in colonial context. Based on new contributions in visual culture, the study provides a critical reading of the photographs from MAM's colonial archive.No início de setembro de 1948, a Missão Antropológica de Moçambique (MAM) esteve em António Enes (atual Angoche). Nessa localidade, o chefe da MAM, Joaquim Rodrigues dos Santos Júnior, foi informado sobre a anomalia de um jovem. O interesse de Santos Júnior pelo caso do pequenino Atomane se inscreve numa teratologia colonial que deu azo para uma espetacularização científica dos corpos dos "indígenas". A anomalia de Atomane é apenas uma de várias outras registadas durante as campanhas das missões antropológicas a Guiné, Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Timor, realizadas entre 1936 e 1959. As fotografias do pequeno Atomane e outros materiais do espólio da MAM formam o corpus documental para a análise dos limites da comunicação intercultural em contexto colonial. A partir de novos aportes em cultura visual, faz-se uma leitura crítica de fotografias do arquivo colonial da MAM

    “De Repente, a Esperança”: Análise Semiótica de uma Capa da Revista Noticiosa The Economist

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    In this work, we propose to analyse, from a semiotic point of view, the front cover of the news magazine, The Economist, released in November 2020, entitled “Suddenly, Hope”. The basis of our analyses was the sign triadic conception inspired by Charles Peirce (1960), including Saussure’s (1916/2006) demonstration, that each sign is linked to the signifier and signified structure and that these dimensions cannot be considered on their own. It is important to mention that the argument that was privileged was the notion that meaning is only produced in specific conditions of time, space and interlocution. Taking into consideration these conceptions, the colour portrayed in The Economist front cover was identified as the principal element of analysis. Goethe (1810/1840) presented colour as the main element of human perception, with the capacity to induce a significative effect in the message receptor soul, or the interpretant, to use Peirce's (1960) terminology in the conception of a sign. The image represented on the front cover of The Economist takes us to the actual social context, the pandemic caused by the SARS-CoV-2 virus. The front cover of The Economist also compares to the liminality theory of Victor Turner (1969/1974). The crossing of the tunnel can be compared to a rite of passage so that society can become a better one.Propomo-nos fazer a análise semiótica da capa da revista noticiosa The Economist, de novembro de 2020, intitulada “Suddenly, Hope” (De Repente, a Esperança). Sendo este o nosso objetivo, partimos da conceção triádica do signo, de inspiração peirceana (Peirce, 1960), assim como da demonstração, realizada por Saussure (1916/2006), de que cada signo está vinculado à estrutura que significante e significado compõem, pelo que estas dimensões não podem ser consideradas isoladamente. Mas o ponto de vista que privilegiámos é o de que a produção de sentido ocorre sempre em condições concretas de tempo, espaço e interlocução. Sendo este o ponto de partida para a análise, identificámos a cor da imagem retratada na capa do The Economist como o principalelemento de análise. Foi Goethe (1810/1840) quem apresentou a cor como oprincipal elemento da perceção humana, com capacidade para induzir um efeito significativo na alma do recetor da mensagem, ou seja, no interpretante, para utilizarmos a conceção do signo, proposta por Peirce (1960). A análise da imagem presente na capa do The Economist remete para o contexto social atual de pandemia, causada pelo vírus SARS-CoV-2. A imagem de capa do The Economist conduz-nos, ainda, à teoria da liminaridade, de Victor Turner (1969/1974). Essa sugestão decorre da ideia formulada, no sentido de a sociedade atravessar o túnel, como quem empreende um rito de passagem para uma sociedade melhor

    A Arte Multifacetada: Dinâmicas Culturais e Políticas da Cidade do Rio de Janeiro

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    Esta contribuição busca apresentar o breve resumo de uma longa pesquisa baseada nos acontecimentos das últimas décadas na cidade do Rio de Janeiro. Este artigo percorre um trajeto que busca prioritariamente compreender o uso de aparelhos culturais e artísticos como ferramentas para um complexo processo de mudanças e perspectivas na cidade. Mudanças estas impulsionas pelo fato da cidade do Rio ter sediado dois megaeventos, a Copa do Mundo FIFA (2014) e as Olimpíadas (2016), com forte impacto nas áreas centrais e/ou turísticas da cidade. A zona portuária figura como o principal campo desta pesquisa, desde a ideia de área abandonada a centro de um polo cultural, com drásticas mudanças visuais, estruturais e simbólicas, tendo como principais exemplos a construção do Museu de Arte do Rio e do Museu do Amanhã. Uma retrospectiva da vida política da cidade assim como suas gestões municipais constroem a ideia de que a instrumentalização da arte e seu uso como ferramenta para “revitalizar” áreas da cidade parte de um projeto antigo que encontrou na vinda dos grandes eventos o momento exato para ser posto em prática. Em contrapartida, pequenos coletivos culturais autônomos surgiram na região durante esse processo, inserindo na discussão novos conceitos e significados para o uso da arte, tornando a discussão em torno da zona portuária e seus agentes ainda mais complexa. Por fim, ao analisarmos o cenário político recente da cidade, foi possível perceber a ofensiva a instituições culturais decorrente de perspectivas políticas conservadoras, o que novamente redefine o uso da arte e da cultura na cidade.This contribution aims to present a brief summary of a long research based on the events of the last decades in the city of Rio de Janeiro. This article follows a path that seeks primarily to understand the use of cultural and artistic devices as tools for a complex process of changes and perspectives in the city. These changes are driven by the fact that the city of Rio has hosted two mega-events, the FIFA World Cup (2014) and the Olympics (2016), with a strong impact on the central and/or tourist areas of the city. The port area stands out as the main field of this research, from the idea of an abandoned area to the center of a cultural hub, with drastic visual, structural, and symbolic changes, with the building of Museu de Arte do Rio (Rio Museum of Art), and Museu do Amanhã (Museum of Tomorrow), as the main examples. A retrospective of the political life of the city, including the one of its municipal administrations, builds the idea that the instrumentalization of art and its use as a tool to "revitalize" areas of the city is part of an old project which was waiting for the right moment to be put into practice: the hosting of mega events. On the other hand, small autonomous cultural collectives have emerged in the region during this process and inserted new concepts and meanings for the use of art into the discussion, which resulted in a more complex discussion around the port area and its agents. Finally, by analyzing the recent political scenario of the city, it was possible to perceive the offensive posture toward cultural institutions resulting from conservative political perspectives, which again redefines the use of art and culture in the city

    Poéticas Biográficas do Corpo Explantado: Notas Sobre Três Ensaios Visuais Brasileiros

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    O presente texto propõe uma reflexão sobre as imagens do corpo feminino através dos ensaios visuais de três artistas brasileiras contemporâneas: Karka Keiko, Fiamma Viola e Maria Luísa Andrade. Os apontamentos tecidos às imagens estão interligados por três notas principais: a primeira discute as tematizações do corpo feminino que figuram nos contextos midiáticos, artísticos e culturais compondo uma agenda de pesquisa propriamente feminista; a segunda observa como as artistas emprestam seus corpos explantados, submetidos aos procedimentos cirúrgicos, para a construção de um trabalho de elaboração criativa e narrativa de si através das imagens; e a terceira traça os pontos de ruptura estético-políticos provocados pelas imagens ensaísticas indicando o recurso poético como um gesto de resistência em uma sociedade inundada por selfies. Ao desenvolver a discussão, é possível observar como este tipo de conteúdo circula tanto nas elaborações visuais e artísticas das galerias e museus, quanto na forma de postagens, através de conhecidos sites de redes sociais, de modo a adquirir maior alcance do olhar público. Capazes de instaurar a criação de uma cena enunciativa voltada para as telas, os corpos das mulheres submetidos ao explante mamário propõem refletir acerca das novas formas de vínculos do olhar sobre o corpo feminino.This text proposes a reflection about the images of the female body through the visual essays of three Brazilian artists: Karka Keiko, Fiamma Viola and Maria Luísa Andrade. Three main annotations were made to the images under analysis: the first discusses the themes of the female body that figure in the media, artistic and cultural contexts that make up a specifically feminist research agenda; the second observes how the artists lend their explanted bodies, submitted to surgical procedures, to build a work of creative and narrative elaboration of themselves through the images; and the third, traces the aesthetic-political breaking points caused by the essayistic images indicating the poetic resource as a gesture of resistance in a society flooded with selfies. In developing the discussion, we can observe that this content travels both in visual and artistic elaborations, at galleries and museums, and in the form of postings, through renowned digital platforms and social networks to expand the reach of the public gaze. They can create an enunciative scene on the screens, and the bodies of women who have undergone breast explantation suggest a reflection on the new forms of linking the gaze on the female body

    Ecrãnologia: a dimensão visual da experiência

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    A nossa existência social está cada vez mais contaminada pelas relações com as imagens e pela presença do ecrã. Da perspetiva da compreensão do espírito dos tempos, podemos, portanto, destacar a construção de uma visão do mundo expressa por imagens e ecrãs que formam uma dimensão particular da experiência. Como é que as imagens e ecrãs estruturam então o nosso imaginário social? Quais são as formas das experiências da vida quotidiana? Estas perguntas levam-nos a refletir sobre uma existência em que o ver se torna uma ação central do mundo social atual através da perspetiva da screenologia como efeito e condição de um ambiente tecnológico e mediático em que os ecrãs devem ser pensados como superfícies habitadas. Our social existence is increasingly contaminated by relations with images and the presence of the screen. From the perspective of understanding the spirit of the times, we can therefore highlight the construction of a vision of the world expressed by images and screens that form a particular dimension of the experience. How then do images and screens structure our social imaginary? What are the forms of the experiences of everyday life? Questions that will lead us to reflect on an existence in which seeing becomes a central action of the current social world through the perspective of screenology as an effect and condition of a technological and media environment in which screens must be thought of as inhabited surfaces.

    A critical review on A memory in three acts: on Susan Sontag’s, Guy Debord’s, and David Harvey’s visualizations of history and time in the context of the other

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    Capítulos Fotográficos no Centro da Fortaleza Transitória

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    Cinema, percursos e dinâmicas de coprodução com Moçambique: um olhar exploratório

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    This article provides a brief analysis of the dynamics of co-production between Portugal and Mozambique. It focuses on films financed by the Instituto do Cinema e do Audiovisual (Institute of Cinema and Audiovisual; ICA) between 2014 and 2020, under the Programa de Apoio ao Cinema – Apoio à Coprodução com Países de Língua Portuguesa (Film Support Programme – Co-production Support with Portuguese-Speaking Countries). In all, 16 films received funding from ICA, and some are still in the production process. Five are co-productions with Mozambican participation – Vovó dezanove e o segredo do soviético (Grandma nineteen and the soviet's secret), by João Ribeiro; Desterrados (The outcasts), by Yara Costa; As noites ainda cheiro a pólvora (The nights still smell of gunpowder), by Inadelso Cossa; O ancoradouro do tempo (The anchorage of time), by Sol de Carvalho, and À mesa da unidade popular (At the table of popular unity), by Camilo de Sousa and Isabel de Noronha. Exploratory documentary analysis (Wolff, 2004) indicates that the currently funded films address themes associated with colonialism and current sociopolitical and cultural events. The Mozambican documentaries, in particular, narrate the struggles for independence in Mozambique, the civil war, but fiction films that are adaptations of literary works by internationally recognized African authors, such as the Angolan writer Ondjaki and the Mozambican Mia Couto, have also been financed.Neste artigo, apresentamos uma breve análise das dinâmicas de coprodução entre Portugal e Moçambique, explorando, em particular, os filmes financiados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) no período compreendido entre 2014 e 2020, no âmbito do Programa de Apoio ao Cinema – Modalidade de Apoio à Coprodução com Países de Língua Portuguesa. Ao todo, 16 filmes receberam financiamento do ICA, estando alguns ainda em processo de produção. Cinco são coproduções com participação moçambicana – Vovó dezanove e o segredo do soviético, de João Ribeiro; Desterrados, de Yara Costa; As noites ainda cheiram a pólvora, de Inadelso Cossa; O ancoradouro do tempo, de Sol de Carvalho, e À mesa da unidade popular, de Camilo de Sousa e Isabel de Noronha. A análise documental exploratória (Wolff, 2004) indica que os filmes financiados atualmente abordam temas associados ao colonialismo, mas também a acontecimentos sociopolíticos e culturais atuais. Os documentários moçambicanos, em particular, narram as lutas pela independência em Moçambique, a guerra civil, tendo sido também financiados filmes de ficção que constituem adaptações de obras literárias de autores africanos reconhecidos internacionalmente, como o escritor angolano Ondjaki e o moçambicano Mia Couto

    Máscaras de Nós

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    Our Ghosts Have Come to Collect: Decolonial Turn in Contemporary Brazilian Art

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    This text expands, deepens and comments on the essay “As Práticas Artísticas Contemporâneas no Contexto Ibero-Americano e o Pensamento Pós-Colonial e Decolonial” (Contemporary Artistic Practices in the Ibero-American Context and Postcolonial and Decolonial Thought; Sales & Cabrera, 2020), where we comment on the work of the artists Yonamine, Grada Kilomba, Jota Mombaça, and Daniela Ortiz. In the text cited, we work on the problematic discussion around the emergence of a field of thought called “post-colonial” and a decolonial project and how poetic practices interested in the discussion around the colonial legacy are configured in the Ibero-American space. From a historical approach, we try to understand how postcolonial studies produce influence in Brazil and the decolonial turn and thought consolidated in Latin America to understand how to produce responses from the Brazilian art field to decolonization issues. In postcolonial studies and the decolonial project, the decolonization of art is related to the questioning of a Eurocentric thought matrix from its racialized and subalternized world representation schemes deeply related to the performative character of the one who narrates. In other words, the decolonization of art and thought, and the ways of being and existing in the world, are not dissociated from the emergence of artists, writers, and intellectuals. These intellectuals dispute the right to self-representation, self-presentation, and the creation of non-colonial narratives and images or those who stand completely outside the Eurocentric imaginary and worldview. This text establishes a deep interest in the Brazilian context, appropriating the important discussion around the constitution of a decolonial field of thought, analyzing the work of contemporary Brazilian artists such as Jota Mombaça, Juliana Notari, Michelle Mattiuzzi, and Paulo Nazareth. Este texto expande, aprofunda e comenta o ensaio “As Práticas Artísticas Contemporâneas no Contexto Ibero-Americano e o Pensamento Pós-Colonial e Decolonial” (Sales & Cabrera, 2020), onde comentamos a obra dos artistas Yonamine, Grada Kilomba, Jota Mombaça e Daniela Ortiz. No texto citado, trabalhamos a problemática da discussão em torno do surgimento de um campo de pensamento denominado “pós-colonial”, bem como um projeto decolonial e a maneira como se configuram no espaço ibero-americano práticas poéticas interessadas na discussão em torno do legado colonial. A partir de uma abordagem histórica, neste artigo, tentamos perceber a forma como os estudos pós-coloniais produzem influência no Brasil, assim como o giro e o pensamento decolonial que se consolida na América Latina, a fim de compreender as formas de produzir respostas do campo da arte brasileira para questões que envolvem a descolonização. Nos estudos pós-coloniais e também no projeto decolonial, a descolonização da arte está relacionada com o questionamento da matriz de pensamento eurocêntrico a partir de seus esquemas de representação de mundo racializados e subalternizados, e também está profundamente relacionada com o caráter performativo daquele ou daquela que narra. Ou seja, a descolonização da arte e do pensamento, assim como dos modos de ser e de estar no mundo não estão dissociados do aparecimento de artistas, escritores e intelectuais que disputam o direito de autorepresentação, de auto-apresentação e de criação de narrativas e imagens não coloniais ou completamente fora do imaginário e da cosmovisão euro-centrada. No texto que agora se apresenta, firmamos um interesse aprofundado no contexto brasileiro, apropriando-nos da discussão importante em torno da constituição de um campo de pensamento decolonial, analisando a obra de artistas brasileiros contemporâneos como Jota Mombaça, Juliana Notari, Michelle Mattiuzzi e Paulo Nazareth

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