Vista - Revista de Cultura Visual
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    Sobre as visualidades urbanas

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    A cidade é um universo que pode ser concebido a partir de diversos pontos de vista. É, desde logo, um território, com fronteiras formalmente definidas e com uma geografia que é ocupada por diferentes materialidades e seres (humanos e não-humanos). É, também, um universo social, na medida em que é habitada e vivida, ao longo do tempo, por diferentes pessoas e grupos sociais que vão produzindo a cidade. O espaço e o tempo são, assim, componentes da cidade que é fabricada em camadas, marcada pela permanente mudança da sua paisagem. Mas a cidade também é imaginário, é construída mentalmente não correspondendo necessariamente às suas configurações físicas concretas. Deste modo, a cidade imaginária é aquela que habita as nossas mentes mas, também, cada vez mais, aquela que se fabrica através dos circuitos digitais e dos ecrãs, com distintas conexões à realidade concreta que habitamos

    Visualidades sociotécnicas da cidade no jogo eletrônico Watch_Dogs

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    The purpose of this study is to discuss about the influence of electronic games on the socio- technical construction of the representations of cities ─ in particular the city of Chicago ─ which are presented through mechanisms that generate a virtual urban experience from observations of the physical cities, made up by socio-technical way, in an overlap between man and machine. This article therefore consists in an attempt to see how the navigable three-dimensional space of the electronic game with open world design, the Watch_Dogs title, makes use of its structures and corresponding regulations as nonhuman program to conform images of the physical city and its urban dynamic, making visual observations of this urban at various levels of communicational expression.A proposta do presente trabalho é discutir acerca da influência dos jogos eletrônicos na construção sociotécnica das representações de cidades ─ em específico a cidade de Chicago ─ as quais se apresentam através de mecanismos geradores de uma experiência urbana virtual a partir de observações das cidades físicas, constituídas de forma sociotécnica, numa imbricação entre homem e máquina. Este artigo, portanto, consiste em uma tentativa de constatar como o espaço tridimensional navegável do jogo eletrônico com design em mundo aberto, o título Watch_Dogs, serve-se das suas estruturas e correspondentes prescrições enquanto programa não humano para conformar imagens da cidade física e sua dinâmica urbana, perfazendo observações visuais desse urbano em variados níveis de expressão comunicacional. Palavras-chave: cidade; representações; jogos eletrônicos; vida urbana virtual

    “Hoje, fotografia no museu" reflexões em torno de uma interseção

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    In 1961, the Foto Clube de Minas Gerais, in partnership with the Museum of Art of Belo Horizonte, organized the "V International Exhibition of Photographic Art". The exhibition's unprecedented partnership is the starting point for the analysis of this generation of photographers from Minas Gerais, as well as the context of production and reception of their images. The case will also serve as a reference for a discussion on the entering of photographs in collections of art centers and museums in Brazil and abroad. The work of Eugênio Vidigal Amaro, a Portuguese amateur photographer based in Minas Gerais, will be also discussed.Em 1961, o Foto Clube de Minas Gerais (FCMG), em parceria com o Museu de Arte de Belo Horizonte2, organizou a “V Exposição Internacional de Arte Fotográfica”. A inédita parceria da exposição é o ponto de partida para a análise dessa geração de fotógrafos mineiros, além do contexto de produção e recepção de suas imagens. O caso belo-horizontino servirá também de referência para reflexão em torno do processo de entrada da fotografia em espaços expositivos e coleções de centros e museus de arte no Brasil e no exterior. O artigo se encerra com uma discussão em torno da produção de Eugênio Vidigal Amaro, fotógrafo amador português radicado em Minas Gerais

    Média, tempo e memória

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    Os média noticiosos tradicionais atuam enquanto dispositivos de seleção, configuração narrativa e difusão dos acontecimentos. A par do poder da narrativa na estruturação do tempo e da experiência, pode considerar-se que a seleção pelos média do que se entende marcar o presente e o passado constitui um mecanismo de construção da memória social. Nessa medida, os média "fazem história", entrando no terreno da historiografia, e "fazem memória", participando e intervindo no processo de construção da memória coletiva. Porém, os média digitais, enquanto dispositivos caracterizados pela instantaneidade, velocidade, retenção e propagação de imagens e mensagens, introduzem novas possibilidades de comunicação, divulgação e arquivo, alterando, simultaneamente, as relações ao espaço e ao tempo. Interessa- nos interrogar se, uns e outros, média tradicionais e média digitais, de modos distintos, concorrem para a construção da memória coletiva ou, contrariamente, para o seu enfraquecimento, já que as novas tecnologias de informação e comunicação desenvolvem possibilidades ilimitadas de disseminação, de arquivo e de memória técnica, mas também desmaterializam e destemporalizam. Nessa medida, importa indagar se as relações ao tempo, ao lugar e à memória, estão em vias de sofrer alterações.Para compreender como os média tradicionais e as novas tecnologias digitais intervêm na construção da memória, começa por esboçar-se um ponto de vista sobre uma fenomenologia e uma pragmática da memória, passando à questão da memória coletiva e da relação entre a história e a memória, para aplicar este questionamento às relações entre acontecimento, média e arquivo, à tecnicidade da memória, e às novas relações ao tempo e ao lugar nas redes.Traditional media work as devices of selection, narrativeconfiguration and dissemination of events. In the same way, as the power of narrative in the structuring of time and experience, it can be said that the selection by media of what we intend to mark in the present and in the past is a mechanism for the construction of social memory. So, the media "make history", by going into the terrain of historiography, and "make memory", by participating and interfering in the process of building collective memory. However, digital media – as devicescharacterized by instantaneity, speediness, retention and propagation of images and messages – introduce new possibilities of communication, dissemination and archiving. At the same time,they change the relations in space and in time. We are interested in inquiring whether traditional and digital media contributes to the construction of collective memory or, on the contrary, to their deterioration, since the new information and communication technologies have unlimited possibilities of dissemination, archival and technical memory, as well as dematerialization and timelessness. Therefore, it is important to ask if the relations with time, space and memory might suffer ongoing changes.In order to understand how traditional media and new digital technologies intervene in the construction of memory, we begin with a perspective on a phenomenology and on a pragmatics of memory, moving on to the question of collective memory and to the relation between history and memory. We intend to apply this interrogation to the relationships between event, media and archive and also to the technicity of memory, and to the new relations to time and space in digital networks

    Preservando a Memória das Pedras

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    To past and pre-modern societies “physical” world was full of significant properties. Following the works of Ingold (2000), Bradley (2000, 2009), Gosden (2009), or Scarre (2009), what today is seen as inert matter was considered “alive”, and that should be the present perspective. Certain natural outcrops are attached to legends and beliefs often referred to magical or odd creatures “inhabiting” inside or “living” within them, and the majority is linked to place-names. Like people, outcrops can be seen as entities that can and make difference, acting as agents that embodymeanings and stories (Tilley, 2002, 2004) subsequently passed over generations.During Prehistory some outcrops were engraved with motifs; others, by their odd or peculiarforms, formed part of historical myths and folklore. In both cases outcrops worked as memory containers.It is pretended to focus on the importance of photogrammetry and tridimensional record of this kind of cultural heritage (frequently in risk or destruction) and to show the potential of this tool in matters of inventory and study of these places of memory.Several case studies presented were matter of analysis in different projects and developed according to archaeological and cultural anthropology methodologies applied to the Northwest of Iberia.This type of work is fundamental to achieve rock art interpretations and to understand the role of outcrops to human societies and their contribution to the construction of prehistoric and present landscapes.Para as comunidades do passado o mundo “físico” seria entendido como cheio de propriedades significantes. No seguimento dos trabalhos de Ingold (2000), Bradley (2000, 2009), ou Scarre (2009), o que hoje vemos como material inerte seria considerada “viva”. Essa será a presente perspetiva de abordagem. Certos afloramentos naturais estão associados a lendas ou crenças muitas vezes ligadas a criaturas mágicas ou estranhas “habitando” no seu interior ou “vivendo” entre eles o que, em muitos casos, converge na determinação de um lugar com denominação. Tal como as pessoas, os afloramentos podem ser vistos como entidades que podem e fazem a diferença, atuando como agentes que corporizam significados e histórias (Tilley, 2002, 2004), consequentemente passados ao longo de gerações.Durante a Pré-História alguns afloramentos foram gravados com motivos; outros, pela sua forma peculiar ou estranha, formaram parte de mitos históricos e de folclore. Em ambos os casos os afloramentos funcionaram como contentores de memória.Pretende-se focar a importância da fotogrametria e do registo tridimensional deste tipo de património cultural (frequentemente em risco de destruição), mostrando o potencial desta ferramenta na inventariação e no estudo deste tipo de lugares de memória.Muitos casos de estudo apresentados foram objeto de análise em diferentes projetos, desenvolvidos de acordo com metodologias da Arqueologia e Antropologia Cultural aplicadas ao Noroeste da Ibéria.Este tipo de trabalho é fundamental tendo em conta a interpretação e o entendimento do papel dos afloramentos para as sociedades humanas e o seu contributo para a construção das paisagens pré-históricas e presentes

    Antropologia no campo expandido: uma articulação entre espaço, paisagem e as artes no estudo da experiência urbana

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    Outside the museums and interacting with public space, the fine arts become a preferential subject to mediate the urban experience. Taking this experience into consideration, this paper presents an analysis of two art interventions carried out by Gordon Matta-Clark at the piers of New York City in the 1970's.Setting the categories of space and landscape as theoretical tools. The mobilization of urban space by the fine arts will be considered up from the idea of “expanded field”, as proposed by Rosalind Krauss when referring to a historical moment in which the borders within the fine arts had been blurred in a series of new hybrid spatial acts.Fora dos museus e em interação com o espaço público, as artes se tornam objeto privilegiado de mediação da experiência urbana. Tendo essa experiência em mente, este artigo apresenta uma reflexão sobre duas intervenções realizadas por Gordon Matta-Clark nos píeres de Nova Iorque durante a década de 1970.Considerando as categorias de espaço e paisagem como ferramentas teóricas, a mobilização do espaço urbano pelas artes será considerada a partir da ideia de “campo expandido”, tal como proposto por Rosalind Krauss referindo-se a um momento histórico no qual as fronteiras entre as práticas artísticas foram flexibilizadas em uma série de práticas espaciais híbridas

    Intervenções gráficas no espaço público urbano: uma abordagem antropológica da cidade de São Paulo

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    This article analyzes the social production of the public space of São Paulo city from the reading of graphic interventions such as graffiti and pixação. Through an urban and visual anthropological approach, we seek the links and relations between graphic interventions and the constitution and organization of urban public space. With the focus on the graphic interventions and its canvas, urban architectural devices, we put ourselves at the disposal of the daily matches and mismatches, to reveal some traces of author relations, work, public and the city itself. The argumentation follows that the daily relations around the graphic interventions, marked by the tension between transgression and control, reveal the overlapping of distinct versions of the city, São Paulo seen and São Paulo imagined, in which the edification of the urban landscape isEste artigo analisa a produção social do espaço público da cidade de São Paulo a partir da leitura das intervenções gráficas, como graffiti e pixação. Através de uma abordagem antropológica urbana e visual buscamos os vínculos e relações entre as intervenções gráficas e a constituição e organização do espaço público urbano. Com o foco nas intervenções gráficas, em seus suportes por excelência, os aparelhos arquitetônicos urbanos, nos colocamos à disposição dos encontros e desencontros cotidianos pela cidade, para revelar alguns traços das relações entre autor, obra, público e a própria cidade. A argumentação segue no sentido de que as relações cotidianas em torno das intervenções gráficas, marcadas pela tensão entre transgressão e controle, revelam a sobreposição de versões distintas da cidade, da São Paulo vista e da São Paulo imaginada, em que o edificado da paisagem urbana é atravessado por construções simbólicas efêmeras conferindo outra textura e sentido social à cidade de São Paulo

    Impressões de um passado incógnito. Dos vestígios da memória pessoal à memória histórica entre o século XIX e o século XX em Portugal

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    O presente artigo tem como ponto de partida a investigação sobre a árvore genealógica de uma das autoras, impulsionada pelos relatos na primeira pessoa transmitidos por uma tia-avó. Tal transferência rica, embora difusa, de indícios de um passado que remonta ao início do século XX em Portugal, constituiu uma oportunidade para estender a recolha a outros antepassados a partir de variados tipos de arquivo. A esta memória oral, que exterioriza as emoções e factos numa mescla pessoal e afetivamente modelada, justapõem-se os registos materiais, visuais e documentais. Nestes incluem-se objetos nostálgicos, fotografias de família e registos paroquiais de batismos, casamentos e óbitos, provenientes de diversos arquivos distritais. O resgate de memórias dispersas, que até à data permaneceram na penumbra entre gerações, trouxe à tona eventos enigmáticos e significativos em Portugal. Tais como a migração e radicação em meados do século XIX de várias famílias espanholas de Badajoz na Amareleja, ou o terramoto de Benavente de 1909 presenciado pelos bisavós paternos de uma das autoras, documentado pelo fotógrafo Joshua Benoliel, fornecendo uma visão humanista e intimista sobre a catástrofe. Da reconstituição histórica, manifesta na teia de ligações entre fotografias e textos, motivada por imagens mentais que começam a recuperar a sua forma sugerida pelas pistas e achados coletados, esboçam-se narrativas simultâneas alicerçadas em evidências genealógicas, cronológicas e geográficas. Nesta oscilação entre a esfera pessoal e coletiva, alicerçada em metodologias do domínio da História e dos Estudos Visuais, procura-se refletir sobre as possibilidades de tangibilização da memória, as migrações entre diferentes locais e o que permanece de referência emocional do local de origem, como são transferidas entre gerações as memórias pessoais, como reconstituir memórias esparsas e como a partir de memórias pessoais é possível enquadrar uma memória coletiva.The present article departs from the genealogical tree research from one of the authors, driven by first-person oral testimonials transmitted by a great aunt. Such a rich but diffuse transfer of evidence from the past dating back to the early twentieth century in Portugal provided an opportunity to extend the documental collection from various types of archives to other ancestors. Records such as documents, photographs and objects support this oral memory, which depicts facts wrapped in a mixture of personal and affectionate contours. These records include nostalgic objects, family photographs and baptism, marriages and deaths records from various district archives. The rescue of scattered memories, which have hitherto remained in the dusk between generations, brought up enigmatic and significant events about Portugal history. Such as the mid-nineteenth-century migration and settlement of several Spanish families of Badajoz in Amareleja, or the 1909 Benavente earthquake witnessed by the paternal great-grandmothers of one of the authors, documented by the photographer Joshua Benoliel, providing a humanist and intimate overview on this natural catastrophe. A historical reconstitution, with simultaneous narratives based on genealogical, chronological and geographical evidence was drawn based on the collected findings. These manifested connections between photographs and texts, triggered by mental images that begin to gain shape. Driven from this shifting between the personal and collective dimension, and combining History and Visual Studies methodologies, we propose a critical reflection about the possibilities of memory embodiment, about migrations and the emotional remains from those places, about how personal memories are transferred between generations, how to reconstruct sparse memories and make possible framing a collective memory from personal memories

    Discursos cruzados - memória e arquivo, individual e coletivo

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    Collective memory is a disputed field, influencing our individual memory. It is supported by a number of places of memory including, but not limited to the archive. The archive is the support of official history. Collective memory is rebuilt according to social needs. It should be made established by history, however history does also change.There are other materials for the individual and family memory, including family album. This memory can also be destructed and reconstructed, according to family emotional and material needs. Family album includes records of people and occasions absent from official archives. A new history would encompass broader themes and sources and will need to incorporate personal and family albums and archives in local museums and archives.A memória coletiva é um terreno disputado e com influência na nossa memória individual, sustenta-se numa série de locais da memória que incluem, mas não se limitam ao arquivo. Esse arquivo é também a base da história oficial. Essa memória recompõe-se com as necessidades sociais. A História, enquanto disciplina, deveria estabilizar a memória, mas é também mutável. A memória individual é servida por outros materiais e locais da memória, entre os quais o álbum de família. Esta memória individual é igualmente passível de desmemorização e rememorização de acordo com as necessidades emocionais e materiais. Para ela o álbum de fotografias contribui com registo de pessoas e ocasiões ausentes do arquivo oficial.Uma nova história mais abrangente em temas e fontes necessita da incorporação da memória pessoal e familiar na memória coletiva e do arquivo e álbum de família em museus e arquivos locais

    Quem sujou as mãos de tinta? Estética, gesto e matéria em intervenções artísticas urbanas

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    Este trabalho apresenta alguns elementos da pesquisa que venho realizando no meu doutoramento que terá como tema as intervenções artísticas urbanas. Primeiramente reflito sobre questões metodológicas do que denomino de “etnografia das gestualidades”. Em que sentido uma abordagem que leve em conta a imaginação e o gesto pode contribuir para os estudos sobre cidade, imagem e arte urbana? A etnografia tem muito a contribuir para tais estudos quando demonstra uma versão particular e cotidiana de como as intervenções urbanas estão sendo imaginadas e operacionalizadas no dia a dia de artistas urbanos. Refletindo sobre duas trajetórias de artistas urbanos formados na cidade de Porto Alegre, sul do Brasil, relaciono- as com ideias advindas de uma fenomenologia da experiencia e da teoria imaginário. Concluo que a ideia de construção de um “trajeto antropológico do imaginário”, suscitada por Gilbert Durand, é uma boa ferramenta para pesquisas sobre o tema da arte urbana que busquem dialogar com conceitos como estética, gesto e matéria.This work presents some elements of the research that I have been doing in my PhD that will have as its theme the urban artistic interventions. First I figure out methodological questions of what I call "gestural ethnography". What are the contributions to the city, image and urban art studies of an approach that takes into account the imagination and the gesture? Ethnography has much to contribute to such studies when it demonstrates a particular and everyday version of how urban interventions are being imagined and operationalized in the daily lives of urban artists. Thinking over two trajectories of urban artists formed in the city of Porto Alegre, southern Brazil, I relate them to ideas derived from a phenomenology of experience and imaginary theory. I conclude that Gilbert Durand's idea of constructing an "anthropological path of the imaginary" is a good tool for research on the subject of urban art that seeks to dialogue with concepts such as aesthetics, gesture and matter

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