Vista - Revista de Cultura Visual
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    164 research outputs found

    Pontos de vista

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    Este é o primeiro número da vista. Publicação científica digital, fundada há cerca de um ano no âmbito do Grupo de Trabalho de Cultura Visual da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), a vista tem a sua primeira edição dedicada às assimetrias sociais que os regimes escópicos conformam ou desafiam. Homenageando a motivação política dos visual culture studies que nos anos 90 do século XX deram um novo fôlego ao estudo da imagem, e reivindicando a importância fundadora das teorias críticas da vigilância e do espetáculo e dos estudos das desigualdades de género e de etnia, este número inaugural quer também dar conta do caráter dinâmico dos processos de partilha do visível, confrontando os imaginários hegemónicos e as visibilidades dominantes com as visões alternativas e os olhares de resistência

    Narrativas Visuais: arte participativa com mulheres e jovens vítimas de violência

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    Este artigo descreve e analisa os resultados de um processo de arte participativa sobre a intervenção em mulheres e jovens vítimas de violência, no contexto do projeto transnacional Cultural Encounters in Interventions Against Violence (CEINAV). Através da construção de narrativas visuais, pretendeu-se dar espaço às/aos participantes para refletirem de forma visual e simbólica sobre a intervenção que encontraram quando procuraram ajuda, levantando questões ao nível das emoções e sentimentos que preencheram esse processo, assim como evidenciar os aspetos em que a intervenção foi, ou não, ao encontro das suas necessidades de proteção, segurança, reconhecimento e justiça. Metodologicamente, recorremos a uma abordagem de análise crítica visual em articulação com a micro-etnografia visual.This study is part of the international research project Cultural Encounters in Intervention Against Violence (CEINAV). This article presents the analysis of the results of a participatory art project during which women and youngsters created visual narratives about the intervention process they received as victims of violence. The creation of visual narratives provided a space for the participants to reflect about their intervention processes through visual and symbolic lenses. The project also allowed the participants to explore their emotions and feelings and highlighted the instances in which the intervention process did not meet their needs for protection, security, recognition and justice. In terms of method, we used a critical visual analysis approach combined with visual micro-ethnography

    Potencialidades da metodologia photovoice na intervenção com pessoas idosas institucionalizadas

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    Aging has been seen both as a victory and a global challenge, a contemporary phenomenon of great relevance. Institutions have a huge responsibility on assuring well- being and dignity, so that they themselves do not become a threat. It is extremely important to invest in a better understanding of the factors associated with institutionalization and continue to implement good practices, so that they best promote the well-being of the elderly. Visual methodologies have been seen as a credible and legitimate way of exploring social and cultural reality, with technology and artistic languages increasingly used, especially with the elderly. Photovoice is a participatory photographic technique developed by Wang and Burris (1997), a process by which people can identify, represent and boost the community spirit. This article aims to offer a reflection about Photovoice as a method of intervention and research with the institutionalized elderly. It encompasses an analysis of the concept of well-being in old age, demonstrating the advantages of using this methodology with such populations.O envelhecimento tem sido assumido como vitória e desafio mundial, destacando-se como fenómeno contemporâneo de enorme pertinência. As instituições têm uma enorme responsabilidade na garantia do bem-estar e dignidade dos idosos, para que elas próprias não se tornem numa ameaça. É de enorme importância continuar a apostar-se num melhor entendimento dos fatores associados à realidade da institucionalização e continuar a fomentar a implementação de boas práticas neste género de cuidados, para que melhor se promova o bem-estar destas pessoas. Empregues em diversos campos do saber, as metodologias visuais têm vindo a afirmar- se como vias credíveis e legítimas de exploração da realidade social e cultural, estando o recurso a tecnologias e a linguagens artísticas a ser cada vez mais utilizado, nomeadamente com idosos. O Photovoice, metodologia de fotografia participativa desenvolvida e ampliada por Wang e Burris (1997), é um processo através do qual as pessoas identificam, representam e impulsionam a sua comunidade. Este artigo almeja refletir sobre o Photovoice enquanto forma de intervenção e pesquisa pelo bem-estar de idosos institucionalizados. Englobará uma análise do conceito na velhice, integrando- se a reflexão sobre a vantagem da utilização desta metodologia com tais populações

    Ciné Avessô

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    A necessidade de moradia nos trouxe a esse velho cinema abandonado. Mas, assim como nós (eu e Anastasia), o prédio também tinha uma necessidade: a de ser ocupado, compartilhado. Isso transparecia, ou melhor gritava, através dos sinais de abandono, da poeira, dos tags nas paredes feitos por eventuais visitantes noturnos. O que parecia, a princípio, a solução para um problema de habitação de duas estudantes era ao mesmo tempo a oportunidade de criar coletividades temporárias, novas possibilidades de viver o espaço, e permitir que, como nós, outras pessoas também se apropriassem coletivamente

    A imagem como ausência

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    Desde a Antiguidade Clássica Grega, com Platão a conceber a imagem como sombra, reflexo e, depois, como representação em geral, até à contemporaneidade, com o conceito aberto de “imagem” a adquirir novas formas virtuais de projeção de luz a incidir em suportes materiais como a água ou o ar, muito já se refletiu sobre a imagem, mas também sobre a sua conceção e papel no mundo contemporâneo, cada vez mais global, virtual e, principalmente, mais visual e iconólatra. Os novos meios e processos de produção e consumo de imagens demonstram um desenvolvimento visual. A imagem suscita o uso exagerado de dispositivos e meios de produção/reprodução de imagem e conduz a uma iconolatria moderna, que regista todos os domínios da vida humana: os mais privados (imagens íntimas publicadas nas redes sociais) e os mais públicos (fotojornalismo de guerra); os mais banais (selfies) e os momentos e situações mais únicos (ecografias); os mais credíveis e os mais manipulados pelo “arranjo” da imagem pelo Photoshop. Neste artigo, parte-se do pressuposto de que a imagem é um signo; possui o poder de transitividade semântica de evocar realidades e referentes ausentes ou inexistentes. Pretende-se sustentar a tese de que a imagem é, de um modo suficiente e necessário, uma imagem-signo e que o seu poder reside na função de representação que ocorre como uma hierofania, i.e. uma ausência latente que se manifesta, porque os significados da imagem estão ocultos ou codificados na própria imagem.Since Ancient Greece, with Plato’s conception of image as, first of all, shadow, reflection and, then, as representation in general, to the present day, with the open-concept of “image” acquiring new virtual forms of light projection focusing on any material surface such as water or air, much has been reflected about the image, but also about its design and role in the contemporary world, which is increasingly global, virtual and, mostly, visual and iconolater. The new means and processes of production and consumption of images show a visual development. The image incites the overuse of devices and means of production/reproduction of image and leads to a modern iconolatry, which records all aspects of human life: the most private (intimate images published on social networks) and the most public (photojournalism of war); the most banal (selfies) and the unique moments and situations (echography); the most credible and the most manipulated by the “arrangement” of the image by Photoshop. I start from the assumption that an image is a sign; it has the power of semantic transitivity of evoking missing or non-existent realities and referents. My purpose is to support the thesis that image is sufficient and necessarily an image-sign and its power is in the representation function that occurs as a hierophany, i.e. a latent absence which manifest itself, because the meanings of the image are hidden or encoded in the image

    Televisualidade e a realidade dos média

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    The shift to the twenty-first century reinforces the ongoing construction of televisuality as a regime associated to the naturalization of mass media presence in our daily lives. The limits to what we can see, record and share on the public ground of visuality get as blurry as controversial in spite of the permanent incitement of common citizens to actively contribute to the flow of images that feed the global network. This circulation sets a type of extra-screen reality processed by filters and discourses translated in real-time access. Simultaneously, the emergence of ‘reality’ genres within fiction blends all sign codes towards consumption and spectacle that feature the hyperreality in which we live in. Voyeurism and violence rapidly become part of the current patterns of sociability, casted by the immediacy and superficiality of media. These scopic regimes instill in the viewer a dual relationship with the images, which volatilizes their role and authority on the domains of representation and life.A viragem para o século XXI consolida a construção de uma televisualidade, trazida pela naturalização da presença dos meios de comunicação de massas no nosso quotidiano. A fronteira entre o que se pode ver, registar e partilhar no plano público da visualidade é tão ténue quanto controversa, apesar de convocar o cidadão comum para contribuir ativamente para o fluxo de mensagens e imagens que alimentam a rede global e fazem circular uma realidade extra-ecrã, sujeita a um conjunto de filtros e discursos, com acesso e difusão em tempo real. Quando se assiste ao emergir, no seio da ficção, de géneros reality, que operam uma comutação de códigos dirigidos ao consumo e ao espetáculo que caraterizam a hiperrealidade em que vivemos, rapidamente o voyeurismo e a violência passam a integrar os padrões de sociabilidade atuais, pautados pelo imediatismo e superficialidade preconizados pelos média. Estes regimes escópicos produzem no espetador uma relação dual com as imagens, que volatiza o seu papel e autoridade no plano da representação e da vida

    O protagonismo do banal e a performance nas bandas desenhadas documentais

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    The aim of this paper is to analyse the north-american comics strategies from the 60’s, especially that ones produced by Robert Crumb and Harvey Pekar and to rethink their influence in contemporary documentary comics, in which the self-reference and the banality become evident properties of the modern comics. The proposition here is to open the dialogue with the theory of performance, from Paula Sibilia, the presence of the ordinary men in the media and, ultimately, Graeme Turner’s “demotic turn” and John Hartley’s “democratainment” concepts.Este trabalho visa analisar estratégias da banda desenhada norte-americana dos anos 1960, em especial produzida por Robert Crumb e Harvey Pekar e rever a sua influência nos quadrinhos documentais contemporâneos, nos quais a autorreferencialidade e a banalidade se evidenciam como caraterísticas da banda desenhada moderna. A proposta é dialogar com a teoria da performance de Paula Sibilia, com a presença do homem comum nas mídias e, por fim, com os conceitos de “virada demótica” de Graeme Turner e de “democratainment” de John Hartley

    A corporeidade na contemporaneidade: algumas reflexões sobre o discurso publicitário

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    Com o presente artigo pretende-se refletir sobre a importância que a corporeidade tem na atualidade. Paralelamente, procura-se perceber qual o impacto que a emergente valorização do corpo belo e jovem, como propriedades características de uma imagem corporal que reflete os cânones estéticos vigentes, terá no discurso publicitário e qual o contributo que a publicidade poderá ter nessa estilização imagética prevalecente. Para o efeito, efetuou-se uma revisão da literatura, a qual permitiu detetar a particular preponderância da beleza corporal em contextos juvenis e femininos, dado o peculiar enfoque que a aparência assume para a juventude, com especial destaque junto das raparigas.With this article we intend to reflect the importance that the body has today. At the same time, we try to understand the impact that the emerging appreciation of a beautiful and young body, like properties characteristics of a body image that reflects the prevailing aesthetic canons, will have in advertising discourse and what will be the contribution that advertising may have in this stylization prevailing imagery. For this purpose, it was carried out a literature review, which allowed detecting the particular preponderance of body beauty in juvenile and female contexts, given the peculiar importance that the appearance has for youth, especially amongst girls

    As potencialidades do estudo da imagem fotográfica na antropologia visual

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    In an increasingly visual society, it becomes understandable that disciplines such as anthropology have started to show a growing interest in the questions of visibility. Although this concern is not exactly recent, the question of “What to do with the image?” has been a source of constant anxieties. For decades visual anthropology remained confined to traditionalist and limitative practices that understood visual technologies as mere research tools or as a way to present their studies. Nevertheless, recently, by abandoning the methodological stubbornness that limited anthropological study to the Malinowskian method, the study of images of varied provenances has emerged as a valid field for the ethnographic immersion, with the potential to reveal perceptual, historical and sociocultural processes.From the countless forms of imagetic production, in this essay I focus on the potentialities brought by the analysis of the vernacular photographic image. Like image analysis itself, necessarily multidisciplinary and multi-methodological, also this essay emerges from the crossing of several texts and points of view, from various disciplines.This essay intends to point some of the potentialities brought by the use of a photographic corpus, emphasizing the already existing affinities between the photographic and the ethnographic activities. From its apparent apodictic character to its necessarily subjective visions, passing by its performance capacity – photography has the potential to offer the anthropologist precious material to understand, in a non- intrusive way and from the perspective of the studied subject, the most diverse social dynamics.Numa sociedade cada vez mais visual, torna-se compreensível que disciplinas como a antropologia tenham começado a manifestar um crescente interesse nas questões da visibilidade. Embora esta preocupação não seja exatamente recente, o problema de “O que fazer com a imagem?” tem sido fonte de constantes inquietações. Durante décadas, a antropologia visual continuou confinada a práticas tradicionalistas e limitativas, que viam as tecnologias visuais como meras ferramentas de pesquisa ou como modo de apresentar os seus estudos. Apesar disso, recentemente, abandonando a teimosia metodológica que limitava o estudo antropológico ao método malinowskiano, o estudo de imagens de variadas proveniências tem emergido como um campo válido para a imersão etnográfica, com o potencial de revelar processos percetuais, históricos e socioculturais.Das infindáveis formas de produção imagética, centro-me neste ensaio nas potencialidades trazidas pela análise da imagem fotográfica vernacular. Tal como a própria análise imagética, necessariamente multidisciplinar e multimetodológica, também este ensaio vive do cruzamento de textos e pontos de vista, vindos de várias disciplinas.O ensaio procura apontar algumas das potencialidades trazidas pelo uso de corpus imagéticos fotográficos, enfatizando as afinidades já existentes entre a atividade fotográfica e etnográfica. Do seu aparente caráter apodítico à sua visão necessariamente subjetiva, passando pela sua capacidade performativa – a fotografia tem o potencial de fornecer ao antropólogo material precioso para compreender, de modo não-intrusivo e da perspetiva do sujeito estudado, as mais variadas dinâmicas sociais

    Gómez, R. & Resines, D. (2016). Notes from Sometime, Later, Maybe. Espanha: El Cangrejo.

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    “No final dos anos 30, durante a Grande Depressão, numa pequena cidade no Dakota do Sul chamada Britton, Ivan Besse trabalhava como projecionista de cinema. Eram tempos difíceis e Ivan teve de pensar em algo para levar as pessoas de volta ao cinema. Ele decidiu sair para a rua e começar a filmar as pessoas que passavam, convidando- as a verem-se no grande ecrã, como se fossem verdadeiras estrelas de Hollywood... e funcionou.

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