Vista - Revista de Cultura Visual
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As pessoas nos não-lugares ou as não-pessoas precisam de lugares
Sou cenógrafa e figurinista. Como tal, gosto de apreciar todas as ricas personagens que se cruzam comigo diariamente no “cenário” de Maputo, cidade em constante bulício colorido, confuso, fluído apesar de caótico e misto de toda a panóplia de emoções. Para quem anda a pé, para quem conduz, para quem anda de chapa, de my love... para cada um há visões diferentes e os ritmos são muitos e muito diversos a coexistir, mas o movimento é constante. É uma cidade que cresceu exponencialmente durante a guerra civil, resultado do êxodo rural, sem ter estrutura para suportar esse excesso demográfico. À cidade “de cimento”, colonial, acrescentaram-se os bairros suburbanos que cresceram desordenadamente, sem plano nem condições sanitárias, onde vive a maioria da população residindo em casas construídas em blocos de cimento e chapa de zinco. Uma grande parte das famílias subsistem através do mercado informal, vendendo os produtos das suas pequenas machambas (hortas) ou itens de toda a espécie, importados da África da Sul
A publicação de poesia na Internet: a literatura de Clarice Freire
Neste artigo se discute sobre a produção e o consumo de poesia online, entendendo o ciberespaço como um lugar onde há grande vitalidade na publicação e frequentação de receptores de criações artísticas e culturais, de modo geral, e inclusive de poesia. Faz-se um estudo de caso do perfil da rede social Instagram Pó de Lua, da poeta pernambucana Clarice Freire, de modo a explorar as especificidades do contato virtual entre produção e recepção de poesia. Considera-se a intermidialidade como uma característica importante na produção artística contemporânea, e verifica-se que esta atua como um recurso de estilo dos poemas visuais publicados no espaço digital. Observa-se, ainda, que nesse ambiente os leitores contribuem para a difusão das obras que ali se publicam a partir do compartilhamento dos poemas. Para este estudo, fez-se um recorte temporal da utilização da #pódelua nos meses de junho e julho de 2018, desde o qual se analisou as atualizações feitas por leitores e usuários das redes sociais nos poemas da autora.This article discusses the production and consumption to the online poetry, understanding cyberspace as a place where there is great vitality in the publication and consumption of artistic and cultural creations, and even of poetry. A case study of the profile of the social network Instagram Pó de Lua, by the poet Pernambucana Clarice Freire, is carried out in order to explore the nature of the virtual contact between production and reception of poetry. Intermidiality is considered as an important characteristic in contemporary artistic production, and it is verified that it acts as a style features of visual poems published in the digital space. It is also observed that in this environment the readers contribute to the diffusion of works that are published there from the sharing of the poems. For this study, it was made a temporal cut of the use of #podelua in the months of June and July 2018, from which we analyzed the updates made by readers and users of social networks in the author's poems
Espacio rehabilitado y geografía mutante en Ríos y silencios
In 2017, artist Juan Manuel Echavarría presented Ríos y silencios, an exhibition that featured some of his work from the last two decades. Among the pieces there is a series of photographs in which Echavarría captures the main walls, or at least what remains of them, of destroyed schools in the Montes de María, Chocó and Caquetá. These rural areas have suffered the violence of guerrillas and paramilitary groups, as well as from a lack of government support. According to the Museo de Arte Moderno de Bogotá, MAMBO, that hosted the exhibition, the photographs portrait the education as a victim and they are an aesthetic critique to the representations of violence in Colombia. Beyond such interpretation, this paper problematizes photography as a medium to “reframing” colonial perceptions of landscape and understands the nature depicted in the photos as an actant that re-signifies the ruins of the schools. Fur-thermore, this paper argues that silence is important to understand how the absence of students and teachers cohabits with the vital presence of nature in the photos. This cohabitation destabilizes the status of the ruins—thereby showing—the potential of change and regeneration of non-human subjects. In dia-logue with Jean-Luc Nancy, Gilles Deleuze, W.J.T Mitchell, Jane Bennett, and Ana María Ochoa, this pa-per questions anthropocentric ideas of landscape and focuses on two aspects traditionally seen as dis-tant to the study of photography: the movement of the image (that the river announces), and its aural dimension (that the silence enunciates).En 2017, el artista Juan Manuel Echavarría presentó Ríos y silencios, una exposición que reunía su trabajo de las últimas dos décadas. Entre las obras, hay una serie de fotografías en las que Echava-rría captura la pared principal, o lo que quede, de escuelas rurales destruidas en los Montes de María, Chocó y Caquetá. Estas zonas han sido vulneradas por la violencia de las guerrillas, los paramilitares y la negligencia del gobierno colombiano. Según el Museo de Arte Moderno de Bogotá, MAMBO, donde fue presentada la exposición, las fotografías retratan la educación como víctima y son una crítica estéti-ca a las representaciones de violencia en Colombia. Más allá de dicha lectura, este ensayo problematiza la fotografía como medio para “reencuadrar” percepciones coloniales del paisaje y entender la naturaleza retratada como actante que resignifica las ruinas de las escuelas. También se argumenta la importancia del silencio para entender cómo la ausencia de estudiantes y maestros convive con la presente vitalidad de la naturaleza retratada en las fotos. Esta convivencia desestabiliza el estatus de la ruina y muestra el potencial de cambio y regeneración de sujetos no-humanos. De la mano de Jean-Luc Nancy, Gilles De-leuze, W.J.T. Mitchell, Jane Bennett y Ana María Ochoa, este análisis cuestiona ideas antropocéntricas del paisaje y se concentra en la importancia de dos aspectos que tradicionalmente se consideran como ajenos al estudio de la fotografía: el movimiento de la imagen (que anuncia la presencia del río) y su dimensión aural (que el silencio enuncia).Em 2017, o artista Juan Manuel Echavarría apresentou Ríos y silencios, uma exposição que reu- nia o seu trabalho das últimas duas décadas. Entre as peças, existe uma série de fotografias nas quais Echavarría captura a parede principal, ou o que dela permanece, das escolas rurais destruídas nos Mon-tes de María, Chocó e Caquetá. Estas zonas foram vulneráveis à violência das guerrilhas, aos paramilita-res, e à negligência do governo colombiano. O Museo de Arte Moderno de Bogotá (MAMBO), onde decorreu a exposição, entendeu a obra como um retrato da vitimização da educação e como uma crítica estética às representações da violência na Colômbia. Para além desta interpretação, este ensaio pro-blematiza a fotografia como meio para “reenquadrar” perceções coloniais da paisagem e vê a natureza retratada como um elemento atuante que atribui um novo significado às ruínas das escolas. Este ensaio argumenta que o silêncio é importante para entender como a ausência dos estudantes e professores coabita com a vitalidade da natureza presente nas fotografias, convivência que desestabiliza a condição de ruína e que mostra o potencial de mudança e regeneração de sujeitos não-humanos. Em diálogo com Jean-Luc Nancy, Gilles Deleuze, W.J.T Mitchell, Jane Bennett, e Ana María Ochoa, esta análise questiona as ideias antropocêntricas da paisagem e concentra-se em dois aspetos que tradicionalmente não são considerados no estudo da fotografia: o movimento da imagem (que anuncia a presença do rio) e a sua dimensão sonora (que o silêncio enuncia)
A True date with a Palm Tree
This is a visual essay that meanders. It is based around my encounter with palm trees and my grandfather’s silver print photographs, collated in an album that dates back to the 1930s. Henry Richard Ahrens was a keen photographer, though I had never seen any of his images until 2010 when I was given one of his albums by a relative who knew I was a photographer and writer. He died before I could get to know him. His photographs have a particular sensibility to them, with a multitude of self-portraits, and often, a hand written phrase to go with them. I am told he developed his films himself. He is often pictured next to palm trees in his photographs. These palms he photographed are particularly fascinating to me. They represent one of the few genus that extend back to the late Cretaceous period, a dinosaur of a plant species. With their many variations, they take on a poetic and utopian presence, their seeds having been disseminated through colonial exchanges, botanical curiosity and commercial interests. Found in so many surprising corners of the world, the palm expresses our need to explore, while becoming a symbol of resistance to discourses of nationalism and anti-immigration sentiment. This essay reflects a personal ethnography through the interconnected and material presence of the palm in London, Buenos Aires and in the photograph itself
Do photobooth à selfie: A cabine fotográfica e as gerações tecnológicas
A cabine fotográfica é uma máquina que perpassa gerações, suscitando um contínuo interesse por parte do público. Consistindo a fotografia na captura de um determinado momento, observa- se como, nesse dispositivo, a prova fotográfica é, simultaneamente, o acontecimento e o seu registo, o objeto e a sua fotografia e o utilizador da máquina é o fotógrafo e o fotografado, ambivalências que conferem um particular interesse a esta técnica, o que se reflete na sua recorrente utilização por parte dos artistas. O photobooth é, pois, um importante instrumento de produção de autorretrato, de autorrepresentação e de introspeção subjetiva, permitindo explorar o conceito de identidade através de uma linguagem muito própria: o automatismo, a imagem refletida na tela e a sequencialidade. Por oposição, a tão popularizada selfie, capturada através dos dispositivos móveis digitais, banaliza a autorrepresentação e esvazia a sua singularidade. É a esse recente método que, hoje, recorrem as jovens gerações, cada vez mais absorvidas pelo universo digital, contexto no qual se constroem identidades múltiplas ou fabricadas. Assiste-se um desdobramento do eu que explora, de modo contínuo e disperso, o alter-ego, tendendo até a anular a representação individual. A dinâmica do virtual e da partilha em rede, nomeadamente nas redes sociais digitais, é pública, ao invés de ser privada, íntima, simbólica de reflexão e de introspeção, características, precisamente, das cabines. Este artigo propõe-se a questionar e a refletir sobre o lugar do autorretrato do photobooth perante as novas gerações, humanas e tecnológicas.The photobooth goes through generations, provoking a continuous interest in a diversified public, preserved and, at times, raised by a strong revivalism, at the same time, being devalued by the new generations. Photography is, itself, the capture of a certain moment, and, in the booth, the photographic proof is simultaneously the event and its register, the object and the photograph. The user of the machine is the photographer and the photographed, the one that triggers the camera and the one that's captured by it, which consists in an interesting ambivalence hugely explored by the artistic community.The photobooth became a strong instrument of self-portrait, self representation and subjective introspection as it allows to explore the concept of identity through an unique language: theautomatism, the image reflected in the screen and the sequentiality. In the other hand, the popularized selfie suggests a subjectivity that vulgarizes the self representation and collides with the search of identity. It's to that type of photography that the younger generations are dragged to, being completly absorbed by the digital universe, the era of the multiple identity of an almost infinite individual unfolding that explores the alter-ego in a continuous and dispersed way tending to anul the purpose of self-representation. The dynamic of the virtual and the online sharing, as in the social media networks, are no longer private, intimate or symbolic of reflection and introspection, characteristics of the booth. From that, this article questions and reflects the role of the photobooth and the self-portrait in today's generations, both social and technological
Papéis de mulher: narratividade e silenciamento na fotografia doméstica
O relato a seguir apresenta uma reflexão decorrente da pesquisa sobre a relação entre fotografia e saudade. Ao ouvir depoimentos de pessoas idosas, com base na metodologia da fotografia como disparadora do gatilho da memória, destacaram-se questões ligada à temática de gênero. Foi possível perceber como os álbuns de família são artefatos mnemônicos organizados, preservados e narrados pelas mulheres. Ao contrapor a função de guardiã da memória familiar com as atuais demandas da midiatização da fotografia amadora, percebe-se o movimento de reconfiguração do álbum, com a exposição dos registros domésticos nas redes sociais da internet, que destitui as mulheres velhas do papel socialmente estabelecido, configurando outra instância de silenciamento.The following script presents the research results and review about the relationship between photography and the feeling of missing someone who's absent. By listening to stories of elderly people, and based on the methodology of photography as a memory trigger, some issues are highlighted and connected to the gender thematic. It was possible to realize through this research that family albums are organized mnemonic artifacts, and old women are most likely to preserve and construct narratives around them. By conflicting the female function of family memories' keeper with the current demands of amateur mediatization of photography, it's clear to see that albums were reconfigured for now the domestic registers are exposed in social media and old women no longer are given their previous social role, and now they are silenced
São João de Braga: fios do presente na teia da memória
A cidade de Braga, com sotaques culturais modernos e resquícios romanos, revela em seus ritos de calendário diálogos imemoriais com as gerações atuais, renova-se com a mesma desenvoltura com que guarda segredos que estimulam saberes ao descortinar o que está por trás da Bracara Augusta e seus eventos festivos. Nas homenagens anuais a São João Baptista, santo católico carinhosamente tomado pelos bracarenses como “São João de Braga”, o que se vê ano após ano é a atualização de um mito absolutamente aberto a interações, a mediações e a compartilhamentos com o contemporâneo. Não por acaso, este ensaio demonstra em imagens ritmos melódicos a promoverem diálogos entre gerações, atualizando tradições e tecendo novas dicções simbólicas
O “paraíso tropical distópico” em Rio 50 Degrees – Carry on Carioca
This article aims to understand the imaginary about Rio de Janeiro in its “Olympic moment” through a critical analysis of the first 14min of the documentary Rio 50 Degrees - Carry on Carioca, directed by Julien Temple and broadcasted by the BBC’s program Imagine. With its first airing date in May 2014 and last in September 2016, the 1h45min television documentary especially uses archival images and Brazilian music as guiding for the narrative to construct meaning about a “dystopian tropical paradise” of “exciting highs and terrifying lows”. Thus, it problematizes the ideal targeted by the “official” city branding plan by exploring the ideas of “divided city”, the violence and the social abyss present in the daily lives of citizens and also attributes other meanings to archival images (documentary or fictional), in a movement of reconfiguration of the present through the questioning and reconstruction of memories that remain solid in the imaginary until the present day.Este artigo visa compreender os imaginários sobre o Rio de Janeiro em seu “momento olímpico” por meio de uma análise crítica dos primeiros 14min do documentário Rio 50 Degrees – Carry on Carioca, dirigido por Julien Temple para o programa Imagine, da rede britânica BBC. Com a primeira data de exibição em maio de 2014 e última em setembro de 2016, o documentário televisivo, que possui 1h45min de duração, utiliza especialmente imagens de arquivo e música brasileira como fios condutores da narrativa para construir sentidos sobre um “paraíso tropical distópico” de “altos emocionantes e baixos aterrorizantes”. Desta forma, problematiza o ideal almejado pela marca “cidade oficial” por meio da exploração das ideias de “cidade partida”, da violência e do abismo social presentes no cotidiano dos cidadãos. Além disso, atribui outros sentidos às imagens de arquivo, documentais ou ficcionais, em um movimento de reconfiguração do presente por meio do questionamento e de reconstrução de memórias que permanecem sólidas nos imaginários até os dias presentes
The selfie generation: a transformation of visual social relationships
The selfie generation is a term commonly used to describe people born after 1981 because of the supposed proliferation of selfies they take daily. If Selfies indeed define a generation of people, then they require close consideration as an evolution of social interaction. This interdisciplinary study focuses on photography as performance of looking involving social relationships between people. I ask “How might selfies suggest a transformation of everyday social relationships?” The selfie as active photographic performance is first examined through illustrative ethnographic observation. Then as performative photographic object the selfie is examined as interactive (Kress & Van Leeuwen’s, 2006, 2009) visual communication. Finally, the performative spaces of the selfie in process (from initial performance, to object and as it is shared and moves between private and public spaces) is examined as relationships of proxemic perception (Hall, 1966). For the selfie generation the private spaces in social relationships has perhaps evolved not simply because of changes in photographic technology, but also new spaces of socialising where private and public contexts are often blurred and unfixed.A geração selfie é um termo comumente usado para descrever pessoas nascidas depois de 1981 devido à suposta proliferação de selfies que elas fazem diariamente. Se as selfies realmente definem uma geração de pessoas, elas requerem consideração enquanto uma evolução da interação social. Este estudo interdisciplinar centra-se na fotografia como desempenho de olhar envolvendo as relações sociais entre as pessoas. Pergunto: como podem as selfies sugerir uma transformação das relações sociais quotidianas? A selfie como performance fotográfica ativa é examinada pela observação etnográfica ilustrativa. Então, como objeto fotográfico performático, a selfie é examinada como comunicação visual interativa (Kress & Van Leeuwen, 2006; 2009). Finalmente, os espaços performativos da selfie em processo (da performance inicial, ao objeto e como é partilhado e se move entre espaços privados e públicos) são examinados como relações de perceção proxémica (Hall, 1966). Para a geração selfie, os espaços privados nas relações sociais talvez tenham evoluído não apenas por causa de mudanças na tecnologia fotográfica, mas também por novos espaços de socialização, nos quais os contextos público e privado são muitas vezes indistintos e não fixados
For Whom the Bell Tolls: Memeing French Landscape on Instagram
On the evening of April 15, 2019, hoary plumes of smoke erupted from Notre-Dame Cathedral and rolled across the rooftops of the Ile de la Cité in Paris, France. World leaders expressed their condolences over the loss, and many experts publicly warned that, though it can be rebuilt, the 12th-century monument to Catholicism will never “be the same”. By the end of the next day, cathedral bells tolled across the city in honor of the devastating fire and hundreds of millions in euros already had been pledged, with the uber-wealthy leading the way. In the days that followed the fire, the fire and fundraising efforts garnered a veritable tempest of media coverage and ignited a social media fervor. The hashtag #NotreDameFire trended on Twitter, spread virally across Facebook and, to date, has garnered almost 22,000 posts on Instagram. Much of this online popular discourse has not been as kind and can be read as a form of political struggle around the meaning and identity of Notre-Dame waged on the digital archive of Instagram. This article examines the #NotreDameFire hashtag on Instagram, reading the associated visuals through the framework set out by Cara A. Finnegan in Making Photography Matter: A Viewer’s History from the Civil War to the Great Depression. It considers Finnegan’s presence, character, appropriation and magnitude in the context of Instagram as an archive of, in this case, both site and sight of one imperial landscape — Notre-Dame Cathedral.Na noite de 15 de abril de 2019, várias nuvens de fumo irromperam da Catedral de Notre-Dame e atravessaram os telhados da Ile de la Cité em Paris, França. Os líderes mundiais expressaram as suas condolências pela perda e muitos especialistas alertaram publicamente que, embora possa ser reconstruído, o monumento ao catolicismo do século XII nunca "será o mesmo". No final do dia seguinte, os sinos da catedral dobraram ecoando nos céus da cidade em homenagem ao devastador incêndio e centenas de milhões de euros já haviam sido prometidos, com os super-ricos a liderar o caminho. Nos dias que se seguiram, os esforços com o incêndio e a angariação de fundos atraíram uma verdadeira tempestade mediática e provocaram um enorme fervor nas redes sociais. A hashtag #NotreDameFire liderou no Twitter, tornou-se viral no Facebook e, até ao momento, conquistou quase 22.000 posts no Instagram. Grande parte deste discurso popular on-line não tem sido amistoso e pode ser lido como uma forma de luta política em torno do significado e da identidade de Notre-Dame travada no arquivo digital do Instagram. Este artigo examina a hashtag #NotreDameFire no Instagram, interpretando os elementos visuais aí publicados através dos conceitos propostos por Cara A. Finnegan em Making Photography Matter: A Viewer’s History from the Civil War to the Great Depression. Considera os conceitos de Finnegan de presença, caráter, apropriação e magnitude no contexto do Instagram entendido como um arquivo que funciona, neste caso, simultaneamente, como lugar e visão de uma paisagem imperial a Catedral de Notre-Dame