Portal de Periódicos Eletrônicos da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Unesp
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    O não lugar como lugar da experiência

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    Um dos principais temas postos pela filosofia bergsoniana, no âmbito da subjetividade, é o da distinção entre consciência interior e exterior, entre uma interioridade, um eu interior, profundo, e uma exterioridade, um eu superficial, periférico. Ainda que o lugar seja, em princípio, algo pertinente apenas a um dos dois polos do eu – a saber, aquele relativo à exterioridade, à extensão e ao espaço –, a discussão acerca da natureza própria da interioridade reconfigura a ideia de lugar, no pensamento bergsoniano, pois, na medida em que é duração, também o eu interior se apresenta como uma região muito particular da experiência e da vida

    HORKHEIMER ENTRE MARX E SCHOPENHAUER: DO MATERIALISMO PESSIMISTA AO PESSIMISMO MATERIALISTA

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    Partindo de avaliações retrospectivas de Horkheimer sobre seu percurso intelectual, procuramos mostrar que tanto Schopenhauer quanto Marx constituem uma influência permanente na obra do fundador da teoria crítica: com efeito, a maior evidência de um dos dois autores em certo momento da trajetória de Horkheimer não implica o desaparecimento do outro, mas antes o pressupõe como fundamento, ainda que latente. É que, embora estabeleça uma interlocução com cada um deles considerado isoladamente, o determinante, a nosso ver, é a leitura conjugada que Horkheimer realiza de ambos: por incompatíveis que pareçam, as esperanças de racionalização e emancipação sociais inspiradas em Marx e o pessimismo de Schopenhauer relacionam-se intrinsecamente, donde resultam um materialismo necessariamente pessimista e um pessimismo necessariamente materialista. Pretendemos evidenciar, porém, que, em virtude do modo pelo qual Horkheimer dialoga com a tradição filosófica, bem como em razão de mudanças de configuração histórica e, por conseguinte, teórica, a relação entre o pessimismo de Schopenhauer e o anseio emancipatório animado por Marx assume aspectos diversos e nuançados no decurso de sua obra

    Esperança e objetividade: uma critica da ciência

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    As ciências que se instauraram no mundo Ocidental têm tendido a classificar a religião como uma forma de falsa consciência e como uma força conservadora. "A religião é a consciência-de-si e o como-sentir-se do homem que ou ainda não se encontrou ou que voltou a perder-se" nos diz Marx. Ela é a flor com que o homem cobre a corrente que o aprisiona de forma que, não mais vendo a corrente, êle se imagina num jardim. E jardins não devem ser destruidos. Jardins devem ser cultivados, preservados, defendidos. Em decorrência disto, a religião teria uma função permanentemente conservadora: os homens "devem reconhecer e aceitar como uma concessão dos céus o próprio fato de serem eles dominados, controlados, possuídos"

    Escrita: kLee. Klee. kleE. klEe / figura

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    Paul Klee, aconselhando os seus alunos: "A escrita não é clareza, mas expressão - pensem nos chineses - e o exercício torna-a cada vez mais sensível, intuitiva, espiritual." Em geral o mestre desenhava com a mão esquerda e escrevia com a direita; podia também desenhar ou pintar com ambas, simultaneamente . Porém, "a mão esquerda escreve sobretudo hieróglifos". Razão suficiente para um privilégio inquestionável. Por enquanto, aliás, razão ainda no encoberto, quase secreta mesmo. Delirante inclinação pessoal? Escolha baseada em alguma razão objetiva

    FLEISCHMANN, Eugène - Fin de la sociologie dialectique? Essai d'appréciation de l'École de Francfort, in Archives Européennes de Sociologie, Tome XIV, 1973, Número 2, pp. 159-184.

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    O trabalho contém uma bibliografia atualizada e bem selecionada, relativa a análise críticas da Escola de Frankfurt. O autor, bem conhecido por seus trabalhos sobre Hegel e Weber, propõe-se a examinar as razões do impasse teórico com que se defronta atualmente a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt. (A denominação "escola", já se disse insistentemente, não é muito rigorosa, pois os autores reunidos sobre essa sigla não estão claramente integrados em um mesmo corpo doutrinário sistematizado). Para Fleischmann, esse impasse é na verdade um fracasso, espelhado na incapacidade de compreender os acontecimentos políticos recentes e orientar sua solução. Assim, a Teoria Crítica, que pretende ser uma teoria dotada de eficácia política, experimenta sua debilidade no terreno mesmo que a deveria legitimar. O impasse dessa teoria politicamente orientada possui um valor exemplar para o autor: tais dificuldades revelam os embaraços com que se confronta a racionalidade das ciências sociais em nossos dias

    Sobre a bienal de número XIII

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    Feuerbach e Stirner: algumas considerações sobre linguagem e política

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    Usually no attention is paid to the fact that the First Part of German Ideology ("Feuerbach") was the last one written by Marx. As it appears to us today the text therefore covers the genesis of the criticism of humanism. This criticism, as this short essay intends to point out, could only spring from a close contact with the text of The Unique and Its Property. After reading Stirner, Marx could believe himself freed from this last speculative and ideological ghost: Man.Habitualmente não se presta atenção ao fato de que a Primeira Parte da Ideologia Alemã ("Feuerbach") foi a última a ser redigida por Marx. O texto, tal como nos aparece hoje, encobre portanto a gênese da crítica ao Humanismo. Esta última, como este pequeno ensaio pretende indicar, só poderia brotar do contacto meticuloso com o texto do Único e sua Propriedade. Após a leitura de Stirner, Marx pôde se acreditar liberado deste último fantasma especulativo e ideológico: o Homem

    Semiologia e pintura segundo René Passeron

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    The present article is concerned with René Passeron's thoughts about the fundamentals of a linguistic-semiotic analysis of pictorial works. To what extent can a painting be considered a text? Which would be the basic elements in a painting? Can we speak about articulations of unities in the visual field defined by an are work of this nature? And which would be its repertories and com bination rules? This paper proposes a discussion of problems such as these departing from the rigorous and opportune considera tions made by the important theoretician, critic and art historian unfortuna tely almost unknown among us.Trata-se de uma síntese das principais idéias de René Passeron a propósito da fundamentação de uma análise lingüístico-semiótica das obras pictóricas. Em que medida um quadro pode ser considerado um texto? Quais seriam os elementos básicos de uma pintura? Podemos falar em articulações de unidades no campo visual definido por uma obra dessa natureza? E quais os repertórios e as regras combinatórias? O artigo propõe a discussão destes problemas a partir das rigorosas e oportunas colocações do importante teórico, crítico e historiador da arte, infelizmente quase desconhecido entre nós

    Stº. Alberto Magno - questões sobre o "De animalibus"

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    Alberto Magno (1206- 1280) foi, sem dúvida, uma das figuras mais marcantes no panorama intelectual do século XIII. Tanto assim que era citado como uma "autoridade" ao lado de Aristóteles, Avicena e Averrois, segundo o testemunho de Rogério Bacon que, aliás, não esconde sua indignação para com isto. Sua pretensão era pôr ao alcance dos latinos a enciclopédia do saber elaborada pelos gregos, árabes e j udeus. Contribuiu ele, deste modo, e não sem adversários, para que as disciplinas profanas fossem aceitas como objeto de estudo

    A união substancial corpo-alma no âmbito da nova ciência cartesiana

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    The difficulties faced by Descartes to think about the body/soul substancial union, since he started from the real distinction of both the substances. An attempt to consider this conflicting union by means of a complementarity oposition.As dificuldades enfrentadas por Descartes para pensar a união substancial corpo/alma, já que partiu da distinção real das duas substâncias. Uma tentativa de pensar essa união conflitante em termos de uma oposição por complementaridade

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