Portal de Periódicos Eletrônicos da Faculdade de Filosofia e Ciências (FFC) da Unesp
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Efeitos do universal a partir da estética de Kant
In this paper I intend to discuss Meg Armstrong’s 1996 essay entitled “The effects of blackness: Gender, Race, and theSublime in Aesthetic Theories of Burke and Kant”. I am ready to accept her view on the role played by aesthetic discourses in the construction of subjectivity, as well as her negative evaluation of Kant’s pre-critical Observations on the feeling of the beautiful and the sublime as being ultimately based on sheer ideology, so that they can be off-hand dismissed as in the end making no great contributions to contemporary philosophy. However, I cannot quite accept her ironic, sarcastic and eventually mocking assessment of the transcendental critical system into which Kant strove to insert the Critique of the Power of Judgment. I will try to bring out the importance of Kant’s universalism and what I will call “pespectivism” in Kant ́s radically revised views in this Critique.Neste artigo pretendo discutir o ensaio de Meg Armstrong de 1996 intitulado “The effects of blackness”: Gender, Race, and the Sublime in Aesthetic Theories of Burke and Kant”. Estou pronta para aceitar seus poderosos argumentos acerca da função dos discursos estéticos na construção da subjetividade, bem como sua avaliação negativa das Observações sobre o sentimento do belo e do sublime. Concordo com a tese da autora de que, talvez, essa obra, chamada justamente de “pré-crítica”, não tenha mesmo grandes contribuições a oferecer à Filosofia Contemporânea. No entanto, não posso aceitar sua avaliação irônica, sarcástica e eventualmente zombeteira do sistema crítico transcendental no qual Kant esforçou-se para inserir sua Crítica da faculdade de julgar. Baseando- me, sobretudo, no universalismo subjetivo e no que chamei de “perspectivismo kantiano”, tentarei defender essa Crítica que creio merecer a posteridade que ela efetivamente tem, uma vez que continua a nos oferecer elementos para enfrentar questões que se intensificaram na contemporaneidade
A forma lógica da linguagem religiosa e ética
Este artigo procura avançar rumo a um conceito mais satisfatório da forma lógica de expressões verbais de valores morais e crenças religiosas. Com este propósito, a noção de Satzsystem de Wittgenstein é associada a avanços posteriores na teoria da mensuração. No conceito do Satzsystem, uma proposição elementar isolada não tem uma forma lógica. Em vez disso, ela pertence a um sistema que apresenta a forma, e a forma do sistema é determinada pelos tipos de escalas de medição que definem cada uma de suas dimensões. Em outras palavras, a forma lógica é entendida holisticamente em termos do sistema de proposições dado, e não atomisticamente em termos de uma proposição elementar isolada. Considerando que a linguagem religiosa absoluta e a linguagem ética absoluta não contam com nenhum conteúdo fatual, elas correspondem a um tipo de escala de medida que não transmite informação alguma. Defendo que uma escala dessas, de fato, tem seu lugar na teoria da mensuração, como caso-limite da escala, análoga ao zero em meio aos números cardinais. Em outras palavras, um Satzsystem religioso ou ético teria no mínimo uma dimensão, definida por uma escala de caso-limite. Há indícios de um conceito desses na forma lógica da linguagem religiosa/ética de Wittgenstein, evidentemente atento aos diversos tipos de escala. Entretanto, sugiro que as contribuições de S. S. Stevens para a teoria da mensuração também são necessárias para o desenvolvimento da ideia com mais plenitude
AS MUITAS FACES DO REALISMO INTERNO DE HILARY PUTNAM: UM TRIBUTO
Este artigo pretende analisar, a partir da obra de Hilary Putnam (1926-2016), algumas das muitas faces de seu realismo interno. Embora seu pensamento seja marcado pelo funcionalismo (posição parcialmente abandonada), são no externalismo e holismo semânticos que repousam suas afirmaçõeschave. Desse modo, inicialmente, reconstruímos como Putnam salvaguarda o realismo interno e sua posição pragmatista a respeito de Wittgenstein. Em seguida, mostramos como o autor sugere que o debate psicofísico entra em colapso, com base na aceitação do valor das propriedades semânticas para a instanciação do conteúdo mental
APROXIMAÇÕES ENTRE NIETZSCHE E ADORNO ACERCA DA MASSIFICAÇÃO DA CULTURA E DA VIDA ADMINISTRADA
Pretendemos pensar as relações entre arte e sociedade, tendo sempre em mente a tensão irredutível entre a autonomia e a heteronomia de uma em relação a outra. Para tanto, traçaremos uma análise dos argumentos principais a respeito dessa relação dialética, em dois momentos distintos da reflexão filosófica sobre o tema. Em um primeiro momento, traremos a defesa de uma certa autonomia da arte com referência não apenas à sociedade que a produz, como também aos valores morais que são ensinados através dela, com as reflexões e, sobretudo, com as críticas de Nietzsche sobre suas interpretações da tragédia clássica, a partir principalmente de O Nascimento da Tragédia, para, em um segundo momento, poder traçar um paralelo dessa argumentação com a constatação de Adorno a respeito da instrumentalização e da comercialização da arte, no contexto contemporâneo, expondo algumas das críticas de Nietzsche realizadas no séc. XIX sobre as produções culturais gregas do séc. IV a. C. e contextualizando-as em relação aos fenômenos estéticos contemporâneos
A CRÍTICA DA RELIGIÃO COMO CRÍTICA DA REALIDADE SOCIAL NO PENSAMENTO DE KARL MARX
Não há, no pensamento de Marx, uma elaboração sistemática acerca da religião, embora haja uma crítica a ela enquanto crítica social das condições materiais de existência, que é o fundamento dela. Para Marx, a religião, entendida especificamente como superstição, idolatria, “ópio”, a qual conforma o homem e embaraça a sua consciência, deve ser negada, mas não se trata pura e simplesmente de um desprezo, de uma proibição ou perseguição à religião, nem tampouco de uma negação em geral a ela, uma vez que ela é uma questão privada e deve ser respeitada, mas de desvelar o véu religioso presente na sociedade e no seu ordenamento político, no Estado, que oculta a exploração e a opressão humana. A crítica à religião como crítica da realidade social, da qual ela nasce e é expressão ideal, contribui, de certa forma, para a emancipação social do homem
A CONCEPÇÃO DE DIREITOS HUMANOS E FUNDAMENTAIS NA TEORIA DA JUSTIÇA COMO EQUIDADE
O presente artigo visa, em um primeiro momento, a analisar a concepção de direitos humanos feita por Rawls, para verificar se a concepção minimalista e não-metafísica apresentada pelo autor é apta a oferecer, nos dias atuais, um ideal moral que sirva de base para uma sociedade internacional democrática e justa
Modernidade e crise ambiental: das incertezas dos riscos à responsabilidade ética
O objetivo deste artigo é analisar a crise ambiental, a partir do conceito de modernidade e, levando em consideração a preocupação com a natureza, debater as possibilidades de pensar uma ética da responsabilidade que influencie as práticas da ciência e da política. A discussão tomou como referência diversos autores que examinaram a modernidade e sua relação com o contexto da crise, entendida como resultado do caráter experimental na expansão das ciências e das técnicas. Diante disso, as saídas aqui indicadas se direcionam para caminhos diferentes. O primeiro envolve uma posição que implica modificar o conjunto dos elementos que caracterizam o processo de modernização da sociedade. O segundo caminho se insere na mesma estrutura do progresso técnico e científico vigente, modificando somente os valores regulativos. Ambas as possibilidades demonstram a necessidade de considerar que as ações da ciência devem fazer parte das discussões centrais da política, pois se instalam no contexto político de exercício de uma ética em meio à crise ambiental. Nessa perspectiva, faz-se necessária a criação de novos arranjos institucionais para o debate crítico, sob os mais variados riscos produzidos na sociedade
A ideia de composição nos Salões de Diderot
The article examines the notion of “uniformity in variety” in Diderot’s philosophy and art criticism. In dialog with the essays published in the compilation entitled Aesthetics of Diderot, of 2015, in which various experts examine the relevance of the materialist aesthetics of the philosopher, this article approaches the notions of unity presented in the Encyclopedia with the uses and meanings of the term in the Salons. It is intended to show how Diderot breaks gradually with the classical epistemology to think the work with an unstable unit, connected to time and that it is only in doing the work; specifically, highlighting the treatment given to the variety in the works of Greuze and Vernet, a procedure that brings the art criticism of Diderot of modern elements, such as the concepts of sublime and autonomy of art, which indicate the relevance of his philosophy of art.O artigo examina a noção de “unidade na variedade” na filosofia e crítica de arte de Diderot. Em diálogo com os ensaios publicados na coletânea intitulada Esthétiques de Diderot, de 2015, na qual vários especialistas examinam a atualidade da estética materialista do filósofo, este artigo aproxima as noções de unidade apresentadas na Enciclopédia com os usos e sentidos do termo nos Salões. Pretende-se mostrar como Diderot rompe gradativamente com a epistemologia clássica ao pensar a obra com uma unidade instável, ligada ao tempo e que se constitui apenas no fazer da obra; especificamente, pretende-se ressaltar o tratamento dado à variedade nas obras de Greuze e Vernet, procedimento que aproxima a crítica de arte de Diderot de elementos modernos, tais como os conceitos de sublime e de autonomia da arte, os quais indiciam a relevância da sua filosofia da arte
A “Colonização é aqui e agora”: elementos de presentificação do racismo
Racism, as a structural and structuring problem in our society, affects us daily in very profound and not always sought ways. Modernity is associated with its achievements of political and economic independence in European territory, but it is hardly associated with its nefarious acts, which are sine qua non for its emergence. They are the engine of capitalism, colonization, and therefore racism. This article aims to analyze the ways in which racism is present in our society, as the Global South and heir to the slave system. Since these modes are very diverse and impossible to be fully addressed, three main axes have been defined to address them: 1) coloniality as the basis of modernity, 2) precarious workforce in neoliberalism and 3) paradigmatic images and imprisonment of black women in Brazilian society. To account for this proposal, a comparative and dialogical analysis of specific elements of the works of Frantz Fanon, Achille Mbembe and Lélia Gonzalez was carried out. In this way, the work intends to show that all these axes are related in an occasional way, but repetitive and systematic around the categories of capital, race and sexual objectification.O racismo, enquanto problema estrutural e estruturante de nossa sociedade, afeta-nos cotidianamente, de formas muito profundas e nem sempre visíveis. A modernidade é frequentemente associada a suas conquistas de independência político-econômica, no território europeu, mas dificilmente é associada a seus atos nefastos, que são condições sine qua non para seu surgimento. São eles o engendramento do capitalismo, da colonização e, portanto, do racismo. O presente artigo tem por objetivo analisar os modos a partir dos quais o racismo se faz presente, em nossa sociedade, enquanto Sul Global e herdeira do sistema escravista. Sendo esses modos muito diversos e impossíveis de serem tratados de maneira completa, foram definidos aqui três eixos principais para abordá-los: 1)a colonialidade como base da modernidade, 2) a precarização da força de trabalho no neoliberalismo e 3) as imagens paradigmáticas e aprisionadoras da mulher negra, na sociedade brasileira. Para dar conta dessa proposta, fez-se uma análise comparativa e dialógica de elementos específicos das obras de Frantz Fanon, Achille Mbembe e Lélia Gonzalez. Dessa forma, o trabalho pretende mostrar que todos esses eixos se relacionam de modo não ocasional, mas repetitivos e sistemáticos, em torno das categorias de capital, raça e objetificação sexual