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Crítica dissensual: estética e densidade conceitual frente ao julgamento ético da intencionalidade artística
Propõe-se uma discussão teórica voltada a impasses da crítica com a virada social nas práticas artísticas e o esvaziamento dos critérios estéticos, problematizando uma tendência que toma a ética como valor e critério privilegiado para avaliar trabalhos processuais, desmaterializados, colaborativos e relacionais. Especula-se que tal abordagem tem caráter despolitizado se desconsiderar os antagonismos e a densidade conceitual em favor da intencionalidade dos artistas que usam situações sociais para produzir projetos participativos e/ou colaborativos. A partir de Néstor García Canclini, Hal Foster, Nicolas Bourriaud, Claire Bishop e Jacques Rancière, elabora-se uma compreensão do caráter crítico e político daarte como modo de operar uma crítica dissensual capaz de articular o estético sem sujeitá-lo ao julgamento ético
Como o coletivo Opavivará! pode ajudar Rancière e Bourriaud a fazerem as pazes
Este artigo se constrói a partir de uma reflexão sobre a crítica rancieriana ao estatuto político se advoga para os trabalhos de Arte Relacional de Nicolas Bourriaud. Rancière parte do pressuposto de que eles sejam permeados por um conjunto de lógicas que ao mesmo tempo os impulsiona na direção daquilo que o filósofo denomina como regime ético das artes e o distancia do regime estético. Tomando os trabalhos do coletivo Opavivará! como exemplares que Bourriaud reuniria sob a chancela da Estética Relacional, procuro elucidar de que forma podemos localizar neles ambos os devires. A fins demonstrativos, procurei partir de uma sensibilidade eminentemente estética para analisar alguns trabalhos do Opavivará!, coletivo de arte assumidamente ligado aos pressupostos da Estética Relacional
Sotto voce [Em voz baixa]
Meu pseudônimo é Anna. Eu sou uma das sete imãs das Plêiades que habitamos a Constelação de Touro. No céu sou uma e sou muitas e como humana sou tudo e não sou o nada. Cada ato que executo é o fiel presságio de outros que no futuro se repetirão. Busco em cada palavra o peso, a intensidade, as presenças de certezas. Mas quais certezas? Tu não achas que há algo errado com as certezas
História, memória e desaparecimento: o vídeo entre arquivo e cálculo
Esta peça de Thierry Kuntzel (1948, França) inscreve-se dentro de uma história: uma história das técnicas e das imagens. De certa maneira, ela faz a síntese entre uma história ancestral das imagens e uma tecnologia de ponta, visto que a câmera é controlada por computador. Com efeito, a imagem aqui é considerada como traço de um referente, de uma realidade, é análoga ao corpo de Ken Moody, mas ao mesmo tempo ela o consome em ausência e em diferença. A imagem não é a coisa, mas atesta sua ausência
Discursos e ideologias do "experimentalismo" na música do pós-guerra
O artigo reflete sobre o embate entre os discursos e ideologias presentesnas atribuições dos termos experimento e experimental na rede de relações de produção e crítica da música. Essa investigação busca esclarecer o sentido da associação de uma parte significativa da produção musical do pós-guerra com o experimentalismo e também demarcar uma diferença de motivação na música do período, indicando que a distinção entre os termos (experimento e experimental) aparece bastante diluída. Essa associação implicou numa série de relações como a aproximação da música com o modelo científico que pode ser percebida na investigaçãoacerca do fenômeno sonoro no estúdio eletroacústico, ou na aberturados contornos da própria música com a incorporação de procedimentos aleatórios na composição
O sono louco
O sono louco é o título de trabalho de um projeto exibido recentementecomo instalação na galeria Casamata, no Rio de Janeiro. Combinando métodos de pesquisa acadêmica com prática artística, o projeto investiga os problemas de sono do próprio artista, por meio de um teste caseiro realizado no período de um mês com um relógio de ponto de vigia noturno do século XIX. Os resultado obtidos pareceram apontar para a existência de um transtorno psíquico transitivo que consiste em uma notável resistência em despertar-se, um problema ainda pouco estudado na passagem entre sono e vigília. O presente ensaio apresenta uma tentativa de interpretar esse “estudo de caso” em primeira pessoa, com referências à ciência dos sonhos de Freud, às estruturas de dominação do capitalismo industrial e ao amor louco dos surrealistas